A ressurreição da política

16 de julho de 2016 § 29 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 16/7/2016

Lula matou a política; Eduardo Cunha tratava de enterrá-la. Um era a exata contrapartida do outro e a remoção do último, na sequência da quase remoção do primeiro, completa a reversão do desvio mortal em que o Brasil entrou. Está reaberto o caminho para a volta da política sem a qual não se vai a lugar nenhum.

Essas mudanças são como as manobras dos grandes navios. O acionamento dos comandos não vence imediatamente a inércia. Está aí, ainda, o cirquinho “silogístico” de escárnio à inteligência nacional do PT sob a batuta de Jose Eduardo Cardoso, Gleisi Hoffmann e cia., par perfeito do “regimentismo” bandalho de Eduardo Cunha; está aí, ainda, aquele STF que solta e arrebenta legalizando para si mesmo, em plena Lava-Jato, o duto das “palestras” para partes nos litígios que julga, como as de Lula à Odebrecht, e garantia de segredo para o valor do mimo recebido. Mas tudo isso, depois da votação de quinta-feira, deslocou-se para mais perto da porta do passado.

Entrou ar. E onde entra ar qualquer infecção volta a ter chance de cura. Ha outro STF dentro daquele STF; ha outra política dentro dessa em que o lulismo transformou a nossa. O Brasil que não se alinha ao crime volta a ter no que se agarrar e isso faz muita diferença.

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Sem ilusões, porém.

Ha uma dimensão percebida dos nossos vícios, e outra que já é cultura e nos move por baixo do nível da consciência. Para a primeira tornam-se mais favoráveis as perspectivas. Antes de mais nada porque não ha alternativa para o caminho certo. É agir ou morrer. E logo. Rodrigo Maia tem formação econômica. Sabe que a alternativa fácil não dobra a esquina. É o homem certo no lugar certo para reger esse debate. Michel Temer, que se apruma com essa vitória, também passa a poder, mais que antes, agir certo em vez de apenas falar certo. Assim alterado o clima, o comando da Comissão de Impeachment bem pode, também, passar a olhar antes para o Brasil que se esvai manietado e a resistir com alguma galhardia às manobras espúrias que vem engolindo sem engasgar pois até para o STF será mais complicado, agora, dançar fora da nova batida do bumbo. Se o Brasil deixar claro que é o que quer todo mundo se afina, ao menos no discurso. Ou não foi assim que o país inteiro virou “Lava-Jato desde criancinha” e a votação de quinta-feira deu no que deu?

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A outra dimensão é que é mais difícil de lidar. O lulismo foi a chegada do primeiro produto P.O. (“puro de origem”) do peleguismo getulista ao posto mais alto da Nação. Ao fim de quase 80 anos de uso contínuo dessa droga de tão potente efeito necrosante não ha brasileiro que, direta ou indiretamente, não tenha sido mutilado por ela. A maioria de nós – o próprio Lula notoriamente – sequer tem consciência de como foi afetado. Simplesmente não sabe como é viver de outro jeito.

É juntar três ou quatro amigos, fundar um “sindicato” que o Estado se encarregará de impor a um dos lotes do condomínio nacional do trabalho onde não se entra sem alvará e fincar na veia o cateter do imposto sindical. Para o resto da vida, tudo que ha a fazer depois disso é não permitir que algum aventureiro o arranque do seu braço, o que é fácil de garantir desde que as “eleições” se deem por “aclamação”, sempre arrancável pela intimidação, seja pela negação de trabalho, seja pela violência física. Daí para a política. É essa a escola.

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Para esmagar resistências ao longo do caminho; para garantir esse “Eu sou, mas quem não é?” em que tudo se dissolve sempre no debate político nacional desde o “Mensalão”, acrescentou-se à receita a socialização da corrupção por essa “justiça trabalhista” que sustenta a legião de profissionais do achaque encarregada de moer a consciência da Nação soprando diuturnamente, de ouvido em ouvido, o mantra sinistro: “Minta, traia, falseie que o governo garante”…

E lá se foi o Brasil dessensibilizando-se até admitir que o método fosse estendido a todos os níveis do seu sistema representativo – partidos políticos, associações de classe, ONGs, etc. – e parecesse nada mais que lógico e natural impô-lo, afinal, como o regime político mesmo da Nação à força de decretos presidenciais e remendos judicantes sob a égide do “excesso de democracia” à venezuelana.

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É essa a feição “moderna” que assumiu o absolutismo monárquico à brasileira que a Republica nunca superou depois que entregou intactos os poderes do Imperador sem mandato aos novos imperadores com mandato. O abacaxi que Michel Temer e o Congresso de Rodrigo Maia têm de descascar é velho como o Brasil de d. João VI e os miasmas que dele emanam são fortes o bastante para levar até o “dream team”, em questão de semanas, a passar das juras de amor eterno ao controle dos gastos públicos ao namoro com mais um porre de impostos, só que sorvido aos “golinhos”. É que por baixo das diferenças manifestas nos extremos mais distorcidos do “Sistema” derrotados quinta-feira, eles continuam sendo, antes e acima de tudo, “A Côrte”; uma casta para a qual ha leis especiais, tribunais especiais, regimes de trabalho, salários e aposentadorias especiais e até juros bancários especiais extensíveis a quem quer que um de seus “excelentes” pares houver por bem resgatar deste vale de lágrimas. E, de cunhas a grazziotins, “A Côrte” reage sempre com unanimidade monolítica quando o que está em jogo é montar nas nossas costas para aliviar as próprias.

É disso que se trata mais uma vez agora. Tornar as suas prerrogativas um pouco menos “especiais” para que, explorados e exploradores, sigamos todos com os narizes 1 cm acima da linha d’água é o melhor que, em sã consciência, pode-se esperar desses brasileiros dispensados de viver no Brasil que eles próprios criam. Mais, só quando o Brasil se der conta de que é ele quem manda e adotar finalmente a democracia, obrigando-os a viver no mesmo país em que vivemos nós, sujeitos às mesmas leis, aos mesmos ventos e às mesmas tempestades. Aí sim, eles tratarão de consertá-lo.

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§ 29 Respostas para A ressurreição da política

  • Mara disse:

    Lembrar que sobre os assassinatos lá no Sindicato dos Motoristas não se falou mais. A essa nefasta boquinha é mesmo difícil resistir. Resta saber qual é o corajoso capaz de tocar nesse “Vespeiro”.

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    • Prezado Fernão Lara Mesquita,
      Sou seu leitor no Estadão e sempre me delicio com vossas análise sempre didáticas, claras e precisas,
      Em particular nesta última sexta-feira adorei “A ressurreição da política” que tem minha concordância total, pelo que agradeço.
      Quando você escreve sobre “A Corte” e a necessidade de “tornar as suas prerrogativas um pouco menos especiais” me atrevo a transcrever ideias que tento divulgar para auxiliar que isso aconteça.
      1 – PROPOSTA UM, NO FORMATO LEGAL MAIS CONVENIENTE
      Nenhum cidadão nomeado, concursado ou eleito para cargo em um poder da República poderá exercer cargo nomeado, concursado ou eleito em outro poder da República sem renunciar ao cargo primeiro.
      2 – PROPOSTA DOIS. DE EMENDA POPULAR A RESPEITO DE RELEIÇÃO LEGISLATIVA

      Artigo Primeiro – Nenhum Cidadão poderá cumprir mais que dois (2) mandatos legislativos.
      Artigo Segundo – Esta Lei é aplicável a mandatos legislativos cumpridos e mandatos legislativos a cumprir.
      Artigo Terceiro – Esta Lei é aplicável a todos mandatos legislativos, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das Assembleias Legislativas dos Estados e das Câmaras de Vereadores dos Municípios.
      Artigo Quarto – Revogam-se quaisquer disposições em contrário.
      Com meus cumprimentos republicanos.
      Joaquim Pinhão – Eng.Aer.
      Rio Claro – SP

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  • Cris Dias de Souza disse:

    Eu posso até estar errada, mas tive a impressão que seria melhor o Rosso! Foi um alívio o tal Castro ter caído fora, mas vi com preocupação a articulação para o Maia ganhar.. Nao sei não…

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    • maria-maria disse:

      Concordo contigo e interrompi a leitura do texto quando o autor disse que maia é o homem certo no lugar certo. Esse elemento, frouxo quando presidia o DEM, mostrou a cara ao “negociar” com as facções do atraso; encantado com o apoio, quase chegou às lágrimas. O 1º ato dele já o desclassifica, pois matou a CPI do Carf, beneficiando os ladrões sonegadores; no embalo, deu férias aos preguiçosos deputados durante as olim-piadas da roubalheira; completando o trio, resolveu questões familiares, doando a$$e$$orias à parentalha.
      Estou certa de que, em pagamento à dívida com os comunistas, o próximo ato será detonar a CPI da famigerada UNE, fonte de roubo e corrupção

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    • Fernão disse:

      Rosso = Eduardo Cunha (candidato dele/ Centrão).
      O sinal para o renascimento da política está mais na excreção de EC, depois da de Lula, q na eleição de R Maia.

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  • Boa Fernão. Muto bom. A algazarra petista, em breve, poderá ser acrescida da ” Cara da Dilma”, à ser enviada ao Senado justificando das ações cometidas e provadas, na esperança da absolvição.
    Em ocorrendo o inimaginável retorno, o que ela dirá: errei? e continuará destruindo o país. Lembrando de que o petismo se auto denomina dono da razão e pai da honestidade, até recentemente com esta última.
    Parabéns pelo artigo.

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  • Ruth Saldanha disse:

    Sei não! Para ressuscitar a política brasileira é necessário acontecer a Reforma Política de fato, sem meia boca. Para começarmos a conhecer este novo Presidente da Câmara e potencial Presidente do Brasil é importante ler o Diário da Câmara também, peça que desvela parte das trocas de favores internos da Câmara. Fiquei desolada quando soube do acordo com a bancada da bala, a política praticada na Câmara tem sempre alguma associação com algum tipo de crime em potencial….

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    • Fernão disse:

      Francamente esse acordo não me preocupa nada, Ruth.
      Só a Rede Globo, mãe da criança, acredita q são as armas que matam e não quem lhes puxa o gatilho. Os numeros da criminalidade do Brasil, o país “mais desarmado do mundo” segundo suas leis, são a prova cabal disso: nem a Siria em guerra aberta mata mais.
      Quando lhe disserem, neste país que não consegue controlar nem a porta do Tesouro Nacional, que o que nos falta são mais leis e proibições, dê uma boa olhada em volta antes de acreditar…
      A propósito, veja como Robert Scruton explica a diferença do funcionamento da lei inglesa x as latinas no video sobre “As razões dos ingleses” aí embaixo. Pense bem no que ele diz naquele trecho do depoimento.

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  • A Veja desta semana na última página tem o artigo do Roberto Pompeu de Toledo ” Virtudes e Desvirtudes”, mostrando com clareza a diferença, no tempo, entre os procedimentos no impeachment no Brasil e a renúncia do ex Primeiro-Ministro David Cameron e a eleição da substituta.
    É uma boa mostra de como procedemos diante da urgência que o Estado e a governança exigem.

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  • Carlos A M Lemos disse:

    Há muito o que fazer para consertar o país, a começar pelo remendo à CF reduzindo o tamanho dos governos, principalmente o federal, com sua representação.
    E, que tal raciocinar com a quebra da burocracia geral existente. Quanta economia faríamos?

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  • Prezados
    O texto é longo, mas merece ser lido pois é altamente aplicável à nossa realidade. (só nos falta encontrar um Maurice McTigue)
    O original em inglês pode ser visto no site https://imprimis.hillsdale.edu/rolling-back-government-lessons-from-new-zealand/
    Assunto: Nova Zelândia – A Redução do Tamanho do Estado, Promovida Por um Governo Trabalhista
    Como a Nova Zelândia reduziu o estado, enriqueceu e virou a terceira economia mais livre do mundo
    por Maurice McTigue

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    • Prezado Eng. Joaquim.
      Sua intenção é louvável. Todavia, permito discordar não da intenção mas da forma. Creio que o tempo de mandato deve ser determinado pela sociedade, considerando ser o Legislativo amostragem ponderada da sociedade.
      Se somos mal representados a culpa é nossa. Vota-se, em grande parte por instinto e não por reflexão. Veja o Tiririca em duas eleições teve mais de 1 milhão de votos em cada uma, e ainda levou na carga alguns deputados inexpressivos. Se tivéssemos aquela “barreira” que o tribunal impediu seria um bom começo, eliminando partidos que visam o dinheiro público à suas existências.
      A sociedade é a maior responsável, porque desinteressada em procurar selecionar o candidato. Há de mudar? Tenho dúvidas.

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    • Fernão disse:

      muito boa a materia, joaquim!

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  • Estou em total sintonia com o Engenheiro Pinhão. Resguardando a nossa realidade intrínseca, os conceitos eivados do referido artigo seriam plenamente aplicáveis, desde que, como ele mesmo disse ” só nos falta encontrar um Maurice McTigue”.

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  • A sociedade precisará de estímulo à politizar-se,. Participar dos desígnios do país como mostrou-se em relação a Dilma. Lembrando que o PT foi dos poucos partidos há 30 anos ter uma pauta política. Sem entrar no mérito é um fato que produziu efeitos, também graças aos espaços que lhes foi dado, Depois que assumiu o poder vimos no que deu.
    De qualquer modo uma reforma política sem que sejamos motivado a dela participar, será enxugar gelo, afinal o “papel aceita tudo”.
    Não saberia dizer como sermos motivado, todavia acredito que deva partir, a iniciativa, dos poderes da República.
    A redução do número de partidos seria um bom começo, e tem mais se levada em conta algumas das cláusulas de barreiras que morreu na praia. Modelos exógenos poderão servir de inspiração, começando com o recall.
    Eu começaria dando mais força ao Parlamento à controlar e exigir do Executivo exageradamente poderoso no nosso caso. Afinal, em última instância são eles que nos representam e aos nossos Estados.
    Só não pode é continuar a balburdia presente.

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  • Vamos detonar a Política (POLI = Muitas; TICS= Bicadas, Picadas) e os Políticos. O Brasil é bom demais, depois do Carnaval do Rio, a Festa de São João de Caruaru, em Agosto vem ai, as OLIMPÍADAS e novamente O CHÃO VAI TREMER, uma experiência inesquecível, a maior Festa Folclórica da América Latina, a FESTA DO PEÃO DE BOIADEIRO DE BARRETOS
    http://www.independentes.com.br

    www://youtu.be/_rfs_W0wCpE

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  • Eduardo,
    Sim o Brasil é bom demais. Quem sabe por isso estamos mal. Aceita-se tudo e assim foi com o PT por 13 anos, 4 meses e alguns dias e, a Dilma só saiu por envolvimento em créditos e pedaladas, infringindo as Leis , aliás o que já ocorria ha tempos. Não fosse a movimentação, no momento certo da sociedade, ela, Dilma, continuaria no mesmo lugar no Planalto.
    Lembrar dessas festividades é verdade mas tê-las como referência ao país infelizmente é triste. Outros valores trariam mais admiração e respeito interna e externamente.

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  • A ressurreição da política virá quando os partidos souberem e conseguirem interpretar os anseio da sociedade e atender esses anseios, respeitando a dinâmica dos fatos.
    Caso contrário seremos vítimas permanentes de partidos voltados a “política” de interesses pessoais e partidários como ocorre e, a melhor mostra, foram os 13 candidatos a presidência da Câmara, desconsiderando os que desistiram no último momento.
    Assim serão respeitados e atendidos em desejos eletivos.

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    • Fernão disse:

      acho q é o contrario: os partidos so serão assim qdo a sociedade quiser e exigir q sejam assim

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      • Em parte concordo. Como já escrevi nestas páginas a sociedade que é a responsável por os eleger, por outro lado entendo que não encontre a contrapartida necessária por parte deles em interpretar os anseios e, por isso pouco se interessam sequer em respeitar o partido. Exceto o PT que é caso patológico. Também por isso vota-se por votar não dando o menor valor da importância do voto.
        E assim temos vários Tiriricas ou piores; os ativos.

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      • Fernão. Fico no dilema do nascimento do ovo e da galinha. Entendo que a sociedade pode pressionar, exigir etc, quando souber o projeto do partido, exigir por exigir não leva a nada se eles não tiverem competência em interpretar, aliás com tantas informações disponíveis até antever.
        O político em especial a diplomacia deve prever com relativo nível de acerto. Melhor que eu vc sabe que tendências mostram-se devagar ou aos poucos.

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      • Fernão.
        Ontem, no Roda Viva, o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mostrou-me muito sensato e crível, começando com sua posição contra a liberação da maconha e casamento gay. Embora hoje os jornais indicam do arquivamento da CPI dos parasitas da UNE pelo ineficaz Waldir Maranhão e, o Maia iria admitir independentemente de ter sido um dos subscritores. Vamos ver! Quanto ao aborto ele concorda com a lei quando da possibilidade. Pelo menos mostrou-se, o que eu não via há tempos.
        Se a gestão dele será como promete, o que só veremos na prática, é uma outra história se bem que os indicativos se mostram positivos.
        Diante do que interpretei uma luz nova no Legislativo promete.

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      • Fernão, desculpe mas não entendi “cqd”. O que significa? Grato

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      • Fernão disse:

        “como queriamos demonstrar”.
        a abreviatura vinha nos livros de matematica dos meus tempos de escola ao fim da resolução de cada teorema

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      • Eu não lembrava. Grato. Foi demonstrado, em especial sua atenção.

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  • darcymedeiros@ig.com.br disse:

    Toda esta matéria (de excelência) publicada deveria ser alvo de publicação ao grande público. Espero!

    Medeiros

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