Como é viver no espaço

27 de novembro de 2014 § 3 Comentários

Video sugerido por Claudio Noschese

E agora?

24 de novembro de 2014 § 20 Comentários

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Uma mesa, dezenas de cadeiras e tres microfones que tinham sido arrumados pelos assessores da Presidência da Republica no Salão Leste do segundo andar do Palácio do Planalto esperavam o fechamento dos mercados, sexta-feira passada, para receber a solenidade em que a presidente Dilma Rousseff anunciaria a confirmação dos nomes dos novos ministros, Joaquim Levy, da Fazenda, Nelson Barbosa, do Planejamento, e Alexandre Tombini na presidência do Banco Central.

O ato representaria o enterro definitivo daquilo que a “presidenta” costumava apresentar orgulhosamente ao mundo como a “nova matriz macroeconômica” a balizar a economia brasileira, apoiada na expansão fiscal, na redução dos juros e no câmbio artificialmente desvalorizado que reelegeu dona Dilma mas matou a indústria nacional e pôs o país inteiro na beira de um abismo.

Depois de quedas sem fim, a Bolsa de Valores festejou cedo demais o que seria a nova equipe redentora com a maior alta desde agosto de 2011. Sem nenhuma explicação o tempo foi passando, no entanto, e a tal cerimônia nunca aconteceu.

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Desde então, o país vive de especulações e boatos:

Dilma não teria gostado do vazamento das nomeações para a imprensa”. “Dilma só quer anunciar os ministros depois que eles já tiverem esboçado um programa fiscal de curto prazo”. “Dilma não quer fazer o anuncio antes de ter garantidas pelo Congresso as mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias”. “É o núcleo duro do PT que está rebelado com a idéia de, pela primeira vez em 12 anos, ver alguém de fora do partido assumir o comando da economia”…

A única hipótese que não foi aventada pela imprensa especializada é de que tenha sido do lado dos supostos nomeados que veio esse adiamento. E, no entanto, isso não seria de surpreender.

O chefe do atual suposto ministro, Luis Trabuco, convidado e “nomeado” ministro da Fazenda por Lula em pessoa no dia seguinte à eleição, declinou da honraria.a3

Joaquim Levy tem fama – testada e confirmada no âmbito da União, chefiando o Tesouro no governo Lula e, mais tarde, arrumando as finanças do Estado do Rio – de ter menos jogo de cintura que Trabuco para com estrepolias de políticos falastrões. É um técnico rigoroso que não tergiversa com buracos nas contas sob seu controle. De repente, qual boi na porta do açougue, ve-se escalado para salvador da pátria num governo que, entra dia, sai dia, repete os sinais de que não tem tanta urgência assim em ver a pátria salva e, ainda por cima, num governo chefiado por aquela mesma Dilma Rousseff que, desde os tempos dele auxiliar de Palocci, já não ia muito com a cara dele nem ele com a dela.

A situação com que ele terá de lidar, entretanto, é catastrófica.

O déficit em transações externas anunciado hoje é o pior desde 1947: US$ 8,1 bilhões só em outubro. US$ 70 bilhões no ano, por enquanto.

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Aqui dentro não está melhor. Dona Dilma está obrigada por lei a entregar um superavit primário este ano de R$ 116 bilhões mas no relatório do 5º bimestre do ano enviado ao Congresso pediu que fosse descontado desse número nada menos que 90% do valor estipulado na lei: os R$ 105,9 bilhões que gastou nas obras do PAC e mais todas as desonerações tributárias concedidas ao longo do ano. Com isso não haveria limite nenhum para os gastos do governo que ficaria com um cheque em branco para fazer o que bem entendesse.

O Congresso sinalizou que talvez pense no assunto se o governo aceitar colocar no seu projeto um limite para esse desconto no mesmo valor que consta do relatório do 5º bimestre, o que implicaria que ela ainda continuaria obrigada a entregar um superavit de R$ 10,1 bilhões. Mas dona Dilma não garante que consiga entregar nem isso e não quer ficar exposta ao processo por crime de responsabilidade a que já está exposta se os limites não forem mudados.a3

De fato, também os números que constam desse relatório bimestral são todos “tipo Mantega”. O governo reduziu a previsão de recita da Previdência em R$ 500 milhões, levando o total para R$ 346,3 bilhões no ano. Mas de janeiro a setembro só conseguiu R$ 237,4 bi. Precisaria fazer R$ 108,9 bi nos três meses que faltam, o que daria uma média mensal de R$ 36,3 bi. Nos sete primeiros meses do ano, entretanto, a média de arrecadação foi de R$ 26,4 bi. Como sempre, do lado das despesas a equipe Mantega fez o contrário. Aumentou a previsão em míseros R$ 8,1 bi, depois de demitir o secretário da Previdência, Leonardo Rolim, que exigia menos maquiagem, mas o rombo esperado só nessa conta é, conforme previa o ex-secretário, de em torno de R$ 50 bi.

Quanto às receitas (infladas) e despesas (esvaziadas) “esperadas” pela União, dá-se o mesmo no tal relatório, bem como no que se refere ao crescimento da economia (inflado) e à inflação (esvaziada). A soma dos aumentos e reduções sem pé na realidade sobe a outros R$ 70 bilhões.

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Não obstante, com o “petrolão” bombando e a desclassificação do “rating” de “investimento” nacional logo além da curva, o discurso de madame continua vago, quando não triunfalista. Até agora a única medida concreta voltada para o controle da inflação foi a que Alexandre Tombini comandou na primeira reunião do Copom, tres dias após o resultado da eleição, aumentando os juros que Dilma prometera baixar, medida que foi recebida no arraial presidencial quase como um ato de insubordinação.

No campo das medidas para o acerto do que sai com o que entra no cofre do governo, até agora nada. Por mais que garimpem os repórteres de economia de todo o Brasil, tudo que encontram para listar é um vago ajuste na política de pagamento de abonos salariais pelo Estado, algum grau de dificuldade adicional no pagamento do seguro desemprego e um ajuste fino no regime de pagamentos de contribuições para o recebimento de pensões por morte que depende de aprovação de lei pelo Congresso. Trata-se da correção de distorções que estão mapeadas e vêm sendo adiadas ha anos pelo governo que, se tudo der certo, “podem resultar numa economia de 0,7% do PIB nos próximos quatro anos”…a3

Sonhe a “presidenta”, em segredo, com mais que isso ou não é mesmo dificílimo conseguí-lo porque no Estado brasileiro a regra é que “quem corocô, corocô”, ninguém tira mais, e o fato é que literalmente o PT inteiro e mais todos os associados do Superclube da Governabilidade “corocaram”, e “corocaram” fundo “ni nóis” como diz o outro. Não tem jeito de fechar esse rombo senão com a receita de sempre. De volta ao passado: adeus investimentos, adeus consumo, que venha a inflação, que venha o desemprego, que venham os impostos.

De tudo isso decorre, seja como for, que se Joaquim Levy for confirmado no cargo que foi instado a ocupar como regra tres só com essas migalhas na lista de redução de despesas, ele estará negando a sua biografia. Já se tomar posse com uma lista de remédios condizente com o tamanho que já ficou a doença será Dilma Vana Rousseff, aquela moça de “coração valente” acostumada a defender seus pontos de vista de metralhadora em punho, quem estará negando a sua. Os dois, enfim, combinam tanto quanto água e azeite.

Nos bastidores onde já está sendo jogado esse jogo, entretanto, os sinais, por enquanto, são de que há um PT pé no chão, que é esse que empurra o Bradesco pra dentro do governo, e outro que viaja na maionese e quer ir pras cabeças até a coisa estourar e o Brasil cair de vez “pro lado de lá”.

Entre esses dois Dilma balança…

Haja centralismo democrático – ou Ministério Público – pra por ordem nessa bagunça!

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A fantástica China

24 de novembro de 2014 § 6 Comentários

Vídeo enviado por Jayme Martins

Pegos na mentira

21 de novembro de 2014 § 61 Comentários

Mantenha-se o foco nos chefes!

20 de novembro de 2014 § 6 Comentários

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O que é que são, afinal de contas, essas empreiteiras: “corruptores” ou “extorquidos”?

As duas coisas, pois o uso do cachimbo entorta rapidamente a boca, sobretudo quando não ha limites para os bilhões em jogo. Isso começa lá pra trás com uma extorção na qual está embutido um convite para mandar a conta para o povo, e logo, ante a garantia de carona na impunidade do corruptor original, o “extorquido” muda de lado e passa a adorar a brincadeira.

Mas o fato que não se pode esquecer nunca é que sem o político lá de cima, onde tudo isso se inicia, essa ciranda não poderia nem começar.

Os agentes diretos da roubalheira como o “operador” plantado dentro da estatal, o dono da empreiteira, o doleiro e etc., são todos elementos assessórios. Meros agentes assalariados dos verdadeiros ladrões sem o aval e o impulso dos quais nenhum deles teria poder, nem para chegar à posição em que o dinheiro público é posto ao alcance das suas mãos, nem muito menos para manter escancaradas as portas dos cofres para que eles as metam lá dentro e sirvam-se à vontade.

Por maior que seja a migalha que cada um morde – e neste caso há reles gerentes mordendo R$ 250 milhões e mais! – ela é sempre uma migalha em proporção ao que devora o glutão que os patrocina a todos e, até agora, se tem mantido fora do alcance da lei.

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José Cosenza, o substituto de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, também foi subornado? Agora negam depois de tê-lo afirmado. Mas que a regra é essa, é essa. Seria só a continuação do troca-troca dos ministérios “faxinados” da Mentira Dilma: um achincalhe à inteligência do brasileiro informado e um acinte à condição do brasileiro miserável. Ladrões têm sido sistematicamente trocados por ladrões sempre segundo o loteamento previamente acertado pelo cappo di tutti i cappi e os cappi de cada sócio do Superclube da Governabilidade do qual o Clube das Empreiteiras é só uma filial mais pobre, o que constitui prova do que todo mundo já sabe: que os verdadeiros ladravazes e seus privilegiados comensais não são os que estão operando diretamente o roubo a cada momento dado mas sim os chefes que os colocam lá e, mais que todos, o chefe desses chefes que é o único em posição de determinar que máfia fica com qual território privativo de saque e de manter esses acertos em vigor mesmo diante das baixas infligidas por flagrantes delitos ao longo do caminho.

No entanto, só esses agentes diretos do terceiro escalão para baixo são punidos, quando alguém chega a ser punido. Foi essa a grande novidade do caso do Mensalão que pôs a militância petista em pé de guerra, ferida em sua inimputabilidade adquirida, e que, hoje sabemos, movimentou “dinheiro de pinga” perto o “Arrastão na Petrobras”. José Dirceu, o segundo da fila na cadeia de responsabilidades por aquele, só tem mais 7 anos e 11 meses de “prisão” para cumprir … em casa; Marcos Valério, o Alberto Youssef/Paulo Roberto Costa de então, ainda tem 37 anos e cinco meses para “puxar” numa cela de presídio.

Este é o padrão.

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Ontem a oposição comemorou uma grande vitória na CPI Mista do Congresso: a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, Tesoureiro Nacional do PT e o mais alto “operador” do “Arrastão da Petrobras“. É pouco mais que uma vitória moral posto que não haverá tempo para ir muito mais longe nesta legislatura, mesmo com a promessa de covocar uma nova CPI na próxima, o que será mais uma longa batalha com as festas de fim de ano e a nomeação de 39 “ministros”  pelo meio do caminho para esfriar os ânimos.

João Vaccari Neto é um arquétipo do PT Que Sobrou. Sua carreira começa aos 19 anos, como escriturário do Banespa mas dois anos depois ele já está dentro do sindicato da categoria onde passa a vida a fazer a escola do “agarre-se a qualquer custo ao seu imposto sindical” a que Getúlio Vargas condenou o Brasil. Participou de tres diretorias da CUT, presidiu o Dieese, foi desde cedo o “braço direito” de Luis Berzoini, a quem sucedeu na chefia do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998.

Em 2010, após anos de investigações, o Ministério Publico de São Paulo quebra o sigilo da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo que, atraindo os mais pobres da categoria com a promessa de financiar-lhes apartamentos 40% mais baratos que os preços de mercado, lesa milhares deles, levando-os à ruina. Os apartamentos nunca foram construídos e, ao fim de anos de prestações, os bancários passaram a ser cobrados por novas mensalidades não previstas nos contratos, sob pena de perder as que ja tinham pago. E mesmo assim os tais “apartamentos” nunca saíram do chão.

O que as transações bancárias da Bancoop abertas pelo MP paulista revelaram foi que entre 2001 e 2008 dezenas de milhões de reais de gente em tudo semelhante àquela a quem Dilma dirigiu seu canto de sereia nesta eleição foram desviados pelos diretores da Bancoop, Vaccari Neto no comando, para irrigar as campanhas do PT – inculsive a presidencial de Lula em 2002 – e enriquecer “ONGs” pertencentes a petistas, as de Vaccari Neto entre elas.

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Nas investigações do Mensalão lá está ele de novo, fazendo a ponte entre o Caixa 2 do PT e os fundos de pensões das estatais. Em outubro de 2010 Vaccari Neto torna-se réu por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no processo da Bancoop que corre até hoje no STF. Em agosto de 2011 o STJ manda quebrar pela primeira vez o seu sigilo bancário. Em março de 2012, por unanimidade, a 10º Camara de Direito Privado do TJ-SP, citando Vaccari Neto e Berzonini nominalmente, decreta a desconsideração da personalidade jurídica da Bancoop, o que abre caminho para cobrar do PT o ressarcimento pelos prejuizos às mais de 400 famílias de bancários que ainda processam a entidade. Em fevereiro de 2013, após dois anos de tentativas inuteis de intimá-lo pessoalmente, a Justiça de São Paulo manda citar Vaccari Neto por edital e à revelia, ao que responde com escárnio o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB e seu defensor.

No meio do caminho (2006) Vaccari Neto aparece entre os protagonistas do escândalo do dossiê falso montado contra José Serra pelos agentes da campanha de Aloisio Mercadante para o governo de São Paulo, junto com Berzoini e o guarda-costas pessoal de Lula, Freud “Aloprado” Godoy.

E o que faz, diante de tudo isso, o insigne presidente de honra do PT e ex-presidente da República que agora aconselha Dilma sobre como acalmar o Brasil e lidar com o escândalo da Petrobras?

Indica-o pessoalmente não só para tomar conta das contas nacionais do PT como, também, do caixa das duas campanhas presidenciais de Dilma “Faxineira” Rousseff…

O Brasil está, por enquanto, de queixo caído com as revelações diárias sobre as peripécias dos agentes do terceiro e quarto escalões do “Arrastão da Petrobras“. Mas nenhuma palavra foi dita ainda sobre os que os puseram em posição de roubar e mantiveram escancaradas as portas dos cofres para que se servissem dos valores cujos números ate agora divulgados não passam de comissões sobre o que realmente foi surrupiado.

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O que estamos assistindo, portanto, é a mais um embate entre o Brasil que ainda tem jeito e aquele que está decidido a exterminá-lo. O juiz Sérgio Moro, os agentes do Ministério Público e da Polícia Federal que apoiam essa investigação e até Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef com seu reiterado cuidado em deixar claro sempre que surge uma opostunidade que toda estatal é uma Petrobras e que em todas elas, ainda que carreira pese alguma coisa, é norma institucionalizada que ninguém se aproxima de portas de cofres sem a devida “indicação política” dos diretores do Superclube da Governabilidade que é feita por todos os motivos menos o de fechar essas portas, sabem que este é um duelo de que só um dos lados sairá vivo.

Do outro lado está a gente que não se peja de nomear réus e condenados para deitar e rolar sobre os mais grossos dinheiros públicos, secundada por magistrados do calibre destes do Supremo Tribunal Federal que, na mesma tarde em que a CPI Mista conseguia quebrar pela segunda vez os sigilos bancário, fiscal e telefônico de João Vaccari Neto, reiterava a proibição do acesso dos representanets eleitos de todos os brasileiros à integra do depoimento dos réus que fizeram acordos de delação premiada na investigação do “Arrastão da Petrobras“.

Mau presságio!

O país anda à beira de um ataque de nervos e só o que poderá restabelecer a paz é uma vitória da Justiça sem aspas. Se ela for mais uma vez derrotada, todos estarão livres para fazer a sua própria e então nada nos salvará de uma conflagração aberta.

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Abaixo a revolução!

18 de novembro de 2014 § 29 Comentários

Vejo o tom subindo no debate nacional, o que se reflete também aqui, entre os comentaristas habituais dos textos do Vespeiro. E vejo-o com reações ambíguas. Por um lado, anima ver o fim da passividade que ajudou a nos trazer até às beiradas em que andamos agora; por outro, inquieta pensar que isso possa levar o país a cair outra vez na velha tentação latina de “cortar caminho”. É difícil, mesmo, contemplar o caminho do meio no contexto de instituições tão espúrias quanto travadas em que vivemos. Mas acredito firmemente que não existe outro.

Nos comentários à matéria anterior, discuti com a leitora Varlice os limites da imagem que usei da guilhotina. Em seguida fui aos arquivos do Vespeiro para remete-la a um texto mais completo sobre a idéia de revolução (que sei que ela não abraça pessoalmente) publicado em janeiro deste ano. Por falta de qualquer coisa que pudesse acrescentar, além da réplica feita ao comentário dessa amiga ao texto anterior a este, achei que é oportuno repetí-lo neste momento. Aí vai:

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Revendo ha pouco no celular os destaques e anotações que fiz à margem do “1889” de Laurentino Gomes (versão e-book), detenho-me em duas penduradas no manifesto de criação do primeiro Clube Republicano do Pará às vésperas do golpe que pôs fim ao Império por Lauro Sodré, um ex-estudante da Escola Militar que foi o grande centro de fermentação dos cânones positivistas de Augusto Comte que a Europa já abandonara meio século antes mas que os militares brasileiros de então (e Getulio Vargas depois deles) ainda abraçavam com fervor.

A primeira era esta:

…é sobre as ruinas e os destroços do passado que se levantará o futuro. Progredir é continuar mas a construção tem por preliminar indispensavel a demolição…

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E a segunda, esta:

…nas republicas a unica distinção é aquela que é oriunda do mérito e das virtudes individuais”.

Taí a principal chave que explica a diferença entre a estabilidade das repúblicas saxônicas, nascidas de parto natural, pela discussão e pelo convencimento, e a eterna turbulência das republicas latinas (da francesa para baixo) extraídas a fórceps e nunca recuperadas das lesões sofridas nesses processos dolorosos.

Como é que o “mérito” e as “virtudes individuais” poderiam se estabelecer como únicas fontes de legitimação de toda e qualquer “distinção” a partir de um regime que se impôs pela força ou pela traição?

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Ser ou não ser, eis a questão!

Nas revoluções – e tanto mais quanto mais violentas tiverem sido – a força impõe-se sobre o merecimento, o que fica carimbado para sempre na consciência virgem do novo regime nascente sob a forma de um trauma indelével. O que sobra em pé, finda a tempestade, nunca são as belas idéias que põem as revoluções em marcha, é o terror que elas empregam para se impor e consolidar.

Depois que o passado está “destroçado”, como queria o nosso revolucionário – o que ocorre necessariamente, ou pela força, ou pela traição – é a facção que menos se impuser limites no uso da violência ou da felonia que ficará em posição de “levantar o futuro”.

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O resultado prático desses processos naufraga, portanto, sempre na mesma contradição: é daqueles que venceram pela imoralidade que se espera a instituição do império da moralidade…

O que ha de mais curioso nesse manifesto de Lauro Sodré, entretanto, é que numa única de suas frases ele inclui a tese e a antítese de tudo que ele acaba por afirmar e esbarra, certamente sem querer, na síntese do grande divisor de águas que separa a cultura política saxônica da cultura política latina:

Progredir é continuar, mas a construção tem por preliminar indispensável a demolição…

Berliner Mauer Sprengstoffanschlag

A cultura política saxônica é, precisamente, a expressão da continuidade, da convivência entre as instituições do passado e as instituições do presente; a latina é o resultado das demolições sucessivas, de banho de sangue em banho de sangue.

Lá, entre eles, rola uma cabeça ou outra dos inflexíveis empedernidos, enquanto prossegue a discussão. Entre nós a regra geral é rolarem todas as que seguirem insistindo em discutir.

É este o engano trágico de todos os latinos (e não só deles), arrancados de suas raízes, apagada a memória do que foram, sem saber o que serão num mundo que recomeça sempre do zero. E é este o segredo dos povos saxônicos que nunca queimaram os navios com que vêm navegando de ilha em ilha na sua trajetória histórica sem interrupções.

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Eles seguem transitando livre e naturalmente entre o presente e o passado reconhecendo com autêntica familiaridade todas as etapas desse caminho. Frequentam a mesma paisagem institucional que seus antepassados frequentaram. Vivem o que são e o que foram como estágios diferentes de uma trajetória que é de todos e de que todos conscientemente sentem-se resultantes.

São todos habitantes da mesma ilha, súditos dos mesmos reis e do mesmo Parlamento, regidos pelas mesmas leis e pelos mesmos tribunais que, cada um a seu tempo, vieram somar-se à caminhada História adiante com os que já a vinham empreendendo antes deles. Novos e velhos equipamentos institucionais convivem lado a lado, moderando-se e complementando-se mutuamente; sem pressa nenhuma se vai afastando para o lado aquilo que a prática comprova dispensável ou incompatível com as necessidades do presente.

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Eles aposentam suas velhas instituições com todas as honras pelos serviços prestados. Suas leis são as mesmas velhas leis de sempre, que são leis, humildemente, apenas e tão somente porque se têm provado bons arranjos para a solução de problemas determinados desde o início dos tempos, e não por se apoiarem em qualquer verdade pretensamente absoluta ou para forjar “uma nova ordem” ou engendrar “uma nova humanidade”.

Tudo é maleável, flexível e adaptável, como gente é.

Não ha “lados” irreconciliáveis; não ha verdades absolutas; não ha “soluções” definitivas. Há um processo; cuida-se de tornar segura a navegação e não de empurrar tudo à força para chegar onde, afinal de contas, ninguém sabe aonde as coisas haverão de acabar por ter numa caminhada que não tem final à vista…

Progredir é continuar”. E exatamente por isso a demolição não é uma preliminar indispensável. Muito pelo contrário.

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Dilma vive a “síndrome de Robespierre”

17 de novembro de 2014 § 16 Comentários

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Pedro Barusco, assessor de Renato Duque que é preposto de Zé Dirceu, o ex-braço direito de Lula, entrou na delação premiada e vai devolver à Petrobras US$ 97 milhões (R$ 252 milhões) encontrados em uma de suas contas no exterior. Renato Duque, chefe de Barusco, foi o titular da Diretoria de Serviços da Petrobras e é tido como o “operador do PT” no saque organizado à maior empresa do Brasil.  Se o quarto da fila, seu assessor, tem isso numa conta pode-se imaginar até que profundidade alcança esse iceberg.

Continuam foragidos Adarico Negromonte Filho, o irmão de Mário, ex-ministro das Cidades da “faxineira” Dilma, que transportava dinheiro em malas para o doleiro Youssef lavar e operava a cota do PP de Paulo Salim Maluf, cabo eleitoral, com Lula, do atual prefeito Fernando Haddad de São Paulo, no “Clube” dos assaltantes da Petrobras, como era chamado pelos diretores das 9 empreiteiras que faziam parte desse seleto grupo, assim como Fernando Soares “Baiano”, tido como o “operador” do PMDB. Do PMDB latu sensu, isto é, porque os figurões mais graudos desse partido, como Renan Calheiros por exemplo, mantinham operadores e diretorias inteiras só para sí, como era o caso de Sergio Machado e da Transpetro onde movimentavam-se valores tão importantes que a Pricewaterhouse declarou ao mercado que não podia auditar o balanço da empresa enquanto Machado permanecesse lá dentro.

a7Duque

Dezessete diretores das maiores empreiteiras do Brasil já estão presos e ha ainda 6 sendo procurados pela polícia, mas a “fase política” da Operação Lava Jato ainda nem começou. E nem bem passaram três dias dormindo no chão de uma cela de um presídio de Curitiba e vários desses diretores, um dos quais foi ao Paraná em seu proprio jatinho para entregar-se à polícia, já pediram o benefício da delação premiada.

Eram todos “intocáveis“…

Nesse meio tempo, além da Price, dois governos estrangeiros com legislações anticorrupção com alcance internacional – o dos Estados Unidos e o da Holanda – já identificaram positivamente casos de aceitação de suborno de companhias nacionais suas por funcionários da estatal brasileira de cuja diretoria geral Dilma Rousseff resiste a remover Graça Foster, aquela cujo marido detém 42 contratos só dele com a Petrobras.

Brasília treme; Brasília não dorme…

a00Barusco

Como “trailer” do que vem vindo por aí na “fase política” prestes a ser revelada, já se sabe que 8 das 9 empreiteiras até agora acusadas ajudaram a eleger 259 dos 513 deputados federais eleitos no mês passado, aos quais foram distribuídos R$ 71 milhões em doações de campanha, “provavelmente como mais uma forma de lavar o dinheiro” por elas desviado com corrupção e superfaturamento de contratos com a Petrobras e sua cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, segundo os investigadores da Lava Jato.

Outros 70 políticos, pelo menos, informa-se no Ministério Público e no tribunal de Curitiba que centraliza as investigações, “estão envolvidos diretamente” em atos de corrupção ligados à operação. E os chefões das empreiteiras ainda nem começaram a falar…

Desse nível parlamentar e executivo para baixo a rede de agentes do vasto aparato montado para eleger e reeleger o PT e seus associados diretamente sustentados por pagamentos regulares do caixa geral da corrupção na Petrobras, o doleiro Alberto Youssef, segundo as provas recolhidas pela Polícia Federal até o momento, inclui do varejo de “blogueiros” individuais até prestações mensais pagas a um laranja que se apresenta como proprietário e diretor de um “jornal” inteiro, com staff e redação completos, o “Brasil 247″ publicado na internet.

a8Sergio Machado

E para completar, o “Eletrolão” promete estrear logo numa delegacia da Polícia Federal perto de você.

Para a Petrobras o custo dessa mega operação iniciada com a infiltração do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da companhia em 2004, no início do governo Lula quando Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da estatal, chega a um volume tal que, 10 anos depois, a companhia está virtualmente paralizada.

Sem seu balanço auditado ela não pode, nem distribuir dividendos a seus acionistas, nem fazer novas captações no mercado de capitais. Os gestores dos grandes fundos internacionais, por exemplo, não têm mandato para por dinheiro em companhias que não tenham passado por auditorias internacionais. A Petrobras assumiu, porém, compromissos de investimentos de US$ 206,8 bilhões (R$ 535,6 bilhões) no período 2014-2018 e já ultrapassou todos os limites aceitáveis de endividamento, o que a deixa totalmente dependente desse mercado ao qual está, entretanto, com o acesso vedado até segunda ordem.

a12Renan 

A companhia tinha em caixa R$ 66,4 bilhões em junho, valor suficiente para cobrir os R$ 23 bilhões em dividas vencendo até meados de 2015 e para sustentar dois trimestres de investimentos. Para manter o ritmo atual a empresa precisará de US$ 20 bi (R$ 52 bi) por ano em investimentos. Este ano conseguiu apenas US$ 13,6 (R$ 35,3 bi) antes que o mercado fechasse as portas para ela.

Com tudo isso a perspectiva de uma desclassificação do rating para baixo do “grau de investimento” determinada pela proporção entre endividamento em alta e Ebitda em queda, que obrigaria os fundos que ainda matêm ações da companhia a colocá-las à venda, torna-se uma ameaça mais que palpável.

Tão palpável, aliás, que o Tesouro Nacional foi contaminado pelo descrédito geral e só está conseguindo captar dinheiro pagando por antecipação, desde já, os juros que só deveria pagar depois de uma desclassificação do rating do Brasil. O papel de prazo mais longo que ele emite, que no mes passado pagava 5,3% de juros, este mes não encontrou colocação por menos de 6,35%.

a9O Negromonte ministro

Some-se a isso a virtual impossibilidade de se cortar consistentemente o gasto público num país onde tudo que está sob o vasto chapéu do Estado é intocável e, pior que isso, as repetidas afirmações da presidente reeleita e dos assessores que se mantiveram em seus cargos nesta transição de que tudo na economia brasileira vai às mil maravilhas e não ha nada que seja necessário fazer senão mudar o nome oficial do deficit para superavit primário e a conclusão será de que a situação da ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e ex-ministra-chefe da Casa Civil no período em que a empresa foi tomada de assalto por essa máfia está se tornando tão insustentável que até o PT que sobrou começa a virar-lhe o rosto.

Num panorama como esse a repetição mecânica do mote de campanha de Dilma sobre a implacável “eficiência” e disposição da “sua polícia” de levar às últimas consequências uma investigação da qual ela é figura indesligavel até por obrigação legal como decorrência da descrição das funções e responsabilidades inerentes aos cargos que ocupou nos tres diferentes momentos de sua carreira ao longo do processo de tomada de assalto da Petrobras, soa cada vez mais como um mantra suicida.

Se tudo se passar como ela afirma que quer que se passe, quando a lâmina cair é a cabeça dela que vai rolar.

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