Agora sim, o fim da censura

O fuzilamento sumario pelo STF da censura em vigor ha 13 anos dos meios eletrônicos de comunicação – os únicos aos quais tem acesso a esmagadora maioria dos brasileiros condenados ao semi-analfabetismo pelo sistema de deseducação publica mantido pelos políticos que nos exploram – foi para mim uma gratíssima surpresa.
Quase me permito ousar voltar a alimentar esperanças!
Apesar do que escrevi na postagem anterior, confesso que esperava ou a protelação ad nuncam de uma decisão definitiva, ou algum tipo de qualificação ou condicionamento maroto da claríssima norma constitucional que liberasse os humoristas e mantivesse o resto como estava.
Sobretudo pela razão que apontei naquele texto.
Ainda que fosse promissora a liminar do ministro Ayres Brito e um imperativo lógico a sequência que ela teve, de que valem essas considerações se tudo isso já era verdade ha 13 anos e a coisa ficou como ficou sem que a imprensa nem ninguém dissesse patavina? De que vale a lógica no pais cujos governantes afirmam a mentira tanto mais “convictamente” quanto mais evidente e indesmentivel for a verdade que se lhes exibir diante do nariz, e não ha reação nem institucional, nem eleitoral?
Pois felizmente eu me enganei.
Milagrosamente houve quem acordasse um dia com uma luzinha na cabeça ao fim de 4.745 dias de escuridão e se incomodasse de, com “o livrinho” nas mãos, ir cutucar o Judiciário que, como não se cansam de dizer os juízes quando cobrados por omissão, “só pode agir quando provocado”.

E só porque alguém deixou de ser omisso descobrimos, de repente, que:
- sim, o Judiciário ainda está vivo e ha homens dignos lá dentro, capazes de levantar a mão para deter o abuso de poder;
- sim, ainda ha bolsões em Brasília onde a lógica continua sendo a lógica;
- sim, a Constituição ainda está em vigor.
Mas, para minha angustia, não me enganei na segunda parte do meu diagnóstico. Nada está garantido ainda. E o que sinaliza isso é a atitude “dos mocinhos”. Olhe de novo os de hoje. Parte dos jornais sequer registrou esse evento histórico. Outros registraram mas angulando a coisa exclusivamente pela liberação do humorismo nas eleições. Pouquíssimos, se é que houve algum, deram ao acontecimento a dimensão que ele realmente tem.
“Está extinta a censura que vigorou por 13 anos para 85% dos brasileiros“.
Tanta obtusidade justamente no momento em que rosnam cada vez mais alto os inimigos declarados da democracia reflete só o anestesiamento de sensibilidades que nunca viveram de fato numa democracia? O proverbial isolamento do brasileiro em sua ilha lingüística? A cegueira do mau costume? Da falta de parâmetro? É falta de leitura? De viagem?
Ou é coisa pior?
O que quer que seja não é um bom pressagio para a democracia brasileira.

Add comment 03/09/2010
Jus esculhambandii

Só quando chegou a vez dos humoristas percebeu-se alguma reação dos brasileiros contra a censura.
A Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão (Abert), junto com artistas e até os Repórteres sem Fronteiras, uma ONG internacional que só trata desse assunto, finalmente se tocaram e foram ao Supremo exigir o seu direito constitucional de esculhambar como les gusta os candidatos a serem nossos representantes.
Como não ha nenhuma sombra de duvida sobre o que diz e quer dizer a Constituição a respeito do direito (universalmente consagrado nas democracias) à informação e à livre manifestação de opinião, o ministro Ayres Brito deu liminar liberando os programas humorísticos.
Ótimo!
Os jornais todos fizeram editoriais saudando essa vitória da democracia e vamos ficando por isso mesmo.
Acontece que a mesma lei inconstitucional que quis calar os humoristas cala de fato, ha 13 longos anos, todos os meios eletrônicos de comunicação – os únicos a que têm acesso os 85% de brasileiros que são analfabetos funcionais, incapazes de ler um texto de complexidade mais que elementar.

Durante os quatro meses que antecedem qualquer eleição somente os próprios candidatos (ou gente paga por eles) podem dizer alguma coisa sobre si mesmos nos meios de comunicação aos quais tem acesso a massa ignara tornada impermeável a mais que o rádio e a TV pelas escolas publicas de cuja indigência qualitativa os Vósselência cuidam zelosamente.
Mas ninguém nunca protestou.
É que à’zelite que lê, numérica e eleitoralmente insignificante, é dado discutir e criticar. Elas podem brincar livremente de democracia o que aparentemente lhes dá a impressão de que isso é verdade pra todo mundo.
Não é…
Pode ser que agora, por impossibilidade de dissociar uma coisa da outra, junto com a proibição de esculhambá-los, caia também a censura à exibição de retratos sem maquiagem, de biografias correspondentes aos fatos e de manifestações desairosas a esses belos exemplares da fauna humana que aparecem no seu televisor no horário eleitoral gratuito invariavelmente sendo endeusados por algum figurante pago para dizer que sem aquela doce criatura de deus não da pra ser feliz. Isso, é claro, se o STF mostrar que ainda está vivo e confirmar o que seu ministro diz que acha.
Será uma longa caminhada a do Brasil para a democracia!
Nós nos acostumamos com o que temos. Perdemos a noção das coisas. Para que recuperemos o nosso senso crítico vai ser preciso que a imprensa recupere, antes, o dela. Vai ser necessário um verdadeiro mutirão de fisioterapia critica que nos leve de volta aos fundamentos e nos faça reaprender a exigir.

Add comment 31/08/2010
Chineses e japoneses não sabem mais escrever

Como toda criança chinesa, Li Hanwey passou toda a sua vida escolar decorando milhares dos intrincados ideogramas do sistema de escrita chinesa. Mas hoje, com apenas 21 anos, estudando da Universidade de Hongcong, sempre que pega na caneta para escrever sente que os ideogramas estão sumindo da sua memória.
“Eu ainda me lembro da forma mas não consigo me lembrar dos movimentos que é preciso fazer para escreve-los. É um baita de um problema”.
Pesquisas indicam que o problema, batizado de “amnésia ideogramática” é generalizado na China, o que deixa a juventude insegura quanto ao futuro do seu sistema de escrita.
No Japão é a mesma coisa. Tudo consequência do uso constante de computadores e celulares com sistemas alfabéticos.
Ja existe até uma palavra chinesa para descrever isso: “tibiwangzi”, que quer dizer “pegar a caneta e esquecer o ideograma”.

Numa pesquisa encomendada pelo Diário da Juventude em abril 83% das 2.072 pessoas ouvidas admitiram que têm problemas para escrever ideogramas.
A consequência, diz Li, é que ela se tornou uma dependente do telefone. ”Quando não consigo lembrar pego o celular, acho o ideograma e aí copio”.
Zeng Ming, 22, da província de Guandong, no Sul, diz que este “é um problema de todas as pessoas abaixo de uma certa idade ou, pelo menos, um problema dos usuários de computador”.
Um ideograma que todo mundo esqueceu, diz Zeng, é o que é usado para a palavra Tao Tie, que designa um monstro do folclore chinês que era tão ganancioso que acabou devorando a si mesmo. Ainda usada como sinônimo de glutão, o Tao Tie é um dos muitos conceitos incorporados à língua.
“É como se você estivesse esquecendo a sua própria cultura”, diz Zeng.
Os chineses usam equipamentos eletrônicos baseados no sistema pinyin, que traduz caracteres chineses para o alfabeto romano. O usuário digita a palavra e o pinyin devolve um menu de caracteres que poderiam servir para traduzi-la. Quer dizer, o usuário tem de ser capaz de reconhecer o ideograma mas não precisa ser capaz de escrevê-lo.
No Japão, onde tres sistemas de escrita foram combinados em um, os celulares e computadores usam a hiragana, a mais simplificada, e a katakana para digitar – o que quer dizer que a kanji, a terceira modalidade, muito similar à usada na China, pode vir a ser esquecida.
“Nós usamos a função de troca de mensagens dos nossos celulares e computadores o tempo todo”, diz Ayumi Kawamoto, 23, entrevistada quando fazia compras no elegante distrito de Ginza, em Tóquio. ”Eu esqueci quase todos os ideogramas que aprendi na escola. E vai piorar. Vou acabar esquecendo tudo porque quase nunca uso”.
Maya Kato, 22, estudante em Tóquio, diz coisa parecida: “Quase nunca escrevo a mão, por isso esqueci tantos ideogramas. É muito frustrante porque eu chego a pensar que lembro mas, na hora de escrever não sei se tinha um traço a mais, ou onde deveria cair o ponto”.
“A memória é essencial para as escritas ideogramáticas”, diz Siok Wai Ting, professor de Linguística na Universidade de Hongcong. “E esquecer como se escreve vai acabar afetando tambem a capacidade de leitura. Não ha como treinar a escrita quando ela não é usada sempre. Aí é preciso decorar. E decorar não é aprender. Escrevendo é que se memoriza os caracteres. Ler e escrerver são operações mais interligadas no chinês que em outras línguas”, lembra Siok. “Para escrever chinês usa-se uma área do cérebro diferente da que se usa para escrever no alfabeto romano; uma área muito mais próxima da área que controla a motricidade, a mesma que se usa para escrever à mão”.
Os cacteres chinese são tão complexos que, numa conversa com o jornalista Edgar Snow, em 1936, Mao Tsetung disse que “mais cedo ou mais tarde vamos ter de abandonar esse sistema de escrita se quisermos criar uma cultura de que a massa possa realmente participar”. Foi por isso que, mais adiante, Mao resolveu simplificar os caracteres, criando um novo padrão para toda a China.
Para Victor Mair, professor de língua e literatura chinesa da Universidade da Pensylvania, a amnésia ideogramática é parte de um “processo natural de evolução”. ”Os ideogramas baseiam-se numa lógica diferente da usada nos computadores. Por isso é tão difícil transpo-los para eles. Não existe uma mágica capaz de simplificar esse problema”.
O sistema wubi de digitação que vem em alguns computadores chineses subsidiados pelo governo, “pinta” os caracterers traço a traço, imitando o que se faz com as mãos. Mas é tão difícil lidar com esse programa que ele encalhou nas prateleiras.
iPhones e outros telefones inteligentes com sistema touch screen vêm com programas em que se pode desenhar os caracteres na tela.
No Japão, kanji kantei – um jogo com 12 níveis de dificuldade – virou febre nas escolas e entre donas de casa e aposentados, segundo Yoshiko Nakano, profesor de japonês na Universidade de Hongcong.
A explosão da internet e da tecnologia de telefonia estão levando à criação de novas palavras e novas maneiras de escrever. Em 2007 os chineses estavam trocando 175 milhões de mensagens a cada quatro meses, segundo a agência Xinhua. Mesmo assim, tanto Li Hanwei quanto Zeng Ming resolveram escrever seus diários à mão para não esquecer sua própria língua.
Será que se não tivessem feito isso ainda conseguiriam escrever à mão?
Li fica com a resposta engasgada na garganta. Puxa pela memória: “Uso a caneta para assinar os novos cartões de crédito, quando são trocados. Mas não para muito mais que isso…”

Matéria traduzida do site Breitbart
1 comment 29/08/2010
Uuuuuuuuuhhh!!!!!

O Serra não ta entendendo o estrago que faz esse papinho “genérico” dele enquanto o circo pega fogo.
“Fui eu que criei o bolsa familia”…
Faça filho que “ate enxovalzinho” o Serra vai dar…
Quanto mais a pesquisa despenca mais ele endossa a conversa do Lula!
Não estamos correndo risco nenhum. A maré esta pra democracia na América Latina. Não nos diz respeito a opção preferencial do Lula pelos celerados do mundo. Não tem roubalheira. O país vive sob o império da lei. O PT zela por nós e não pelos seus…
Discutir o quê?! Denunciar o quê?!
O negócio é ver quem dá mais!
É o seguinte: quando o seu time perde jogando, você ate aplaude.
Mas quando ele encolhe, foge da bola, não mostra raça, não é o adversário que vaia. É a própria torcida que cerca o ônibus pra pegar de pau.
É o que está acontecendo.
Esses 51% a 27% é isso.
Ele vai ficar devendo essa pros meus filhos…

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1 comment 28/08/2010





