O outro lado do “outro lado”

18 de abril de 2015 § 24 Comentários

a9

Artigo para O Estado de S. Paulo de 18/4/2015

O PT apoia sua estratégia de controle hegemônico do Brasil na reafirmação sistemática de mentiras essencialmente porque isso funciona. É uma técnica especialmente desenvolvida, testada e aprovada. O dano colateral do uso dessa arma é virtualmente irreversível, mas o poder é sexy o bastante para contar sempre com quem esteja disposto a matar e morrer por ele.

Na quarta-feira, 15, este jornal publicou extensa reportagem do Guardian sobre o assunto no mínimo angustiante.

Hoje todo mundo já nasce com os recursos de manipulação de imagens nas mãos e vive a maior parte da vida em mundos virtuais, de modo que a primeira coisa de que estamos treinados a desconfiar é daquilo que nossos olhos vêm. Mas não foi sempre assim. A humanidade custou a recuperar-se do advento do registro cinematográfico. A edição de imagens destruiu a última barreira sólida que havia entre o nosso equipamento cognitivo e a realidade exterior. “Eu vi com meus próprios olhos” já foi o argumento que encerrava qualquer controvérsia. Hoje não existem mais certezas. Tudo pode ser nada.

a7

Os totalitarismos e os genocídios do século 20 não teriam sido possíveis sem as falsas emoções e “realidades” que era possível plantar como reais antes que a humanidade aprendesse a redefinir o valor do que seus olhos viam e seus ouvidos ouviam.

Na ponta contrária, desenvolver essas técnicas em ciências transformou-se numa credencial obrigatória de acesso ao poder e num imperativo de sobrevivência para os Estados nacionais. Enquanto os dois lados tinham objetivos diferentes a atingir, tratava-se de antecipar as reações do adversário algumas jogadas adiante e induzi-lo a erro ou a reações previsíveis por meio de informações falsas.

Mas os tempos ingênuos da “desinformação” ficaram para trás. Agora, na era do poder para nada; na era do poder pelo poder, não se trata mais de convencer, ainda que pela mentira. O que conta é conquistar e manter o poder, seja como for, não “para isto” ou “para aquilo” mas apenas para tê-lo, apenas para desfrutá-lo.

a0000

O Guardian descreve, então, como o celerado Putin, ex-KGB e agora czar de todas as Rússias, retomou a obra de onde a tinham deixado os soviéticos para adaptá-la à nova realidade das armas tão destrutivas que não podem mais ser usadas, em que as tiranias se impõem e se mantêm como se tudo não passasse de uma disputa entre advogados desonestos que se confrontam nos fóruns e tribunais internacionais, na qual o objetivo é manter-se sempre nas intersecções da regra e “destruir a ideia mesmo de prova” capaz de caracterizar uma determinada ação como estando em conflito com alguma delas, num universo em que nada é moralmente superior a nada, não ha mais fatos, só versões, e onde a realidade “pode ser constantemente recriada”.

Como é que se faz isso?

A “Pequena Enciclopédia e Guia de Referências sobre Operações de Informação e Guerra Psicológica”, compilada a partir do momento, em 1999, em que o marechal Igor Sergeev, então ministro da Defesa, admitiu que a Rússia não tinha mais condição de competir militarmente com o Ocidente e era preciso partir para “métodos alternativos” para levar as guerras para a “psicosfera” onde as armas são outras, explica didaticamente o caminho.

a8

Trata-se menos de métodos de persuasão e mais de influenciar as relações sociaisde desenvolver uma álgebra da consciência As armas de informação funcionam como uma radiação invisível que atua contra alvos que sequer ficam sabendo que estão sendo atingidos e, assim, não acionam seus mecanismos de autodefesa”.

Aproveitando o momento vulnerável da imprensa americana que, no nível historicamente mais baixo de sua credibilidade por ter embarcado na mentira das armas químicas de Saddan Hussein sem checar suficientemente fontes alternativas, tentava redimir-se obrigando-se a dar um “outro lado” a toda e qualquer história que publicasse, Putin sentiu que estava na mão a oportunidade de levar a sua “guerra da psicosfera” para um patamar mais elevado.

Criou então a RT, uma espécie de BBC russa de televisão transmitida para diversos países, a começar pelos próprios Estados Unidos, chefiada por Margarita Simonyan, cujo mantra é “Não existem reportagens objetivas. E se elas não existem, todas as versões são igualmente verdadeiras”. Na velocidade da internet (Putin também paga um exército de blogueiros para inundar a rede de “provas” e “versões” do seu interesse para todo e qualquer fato que surge na imprensa mundial, de modo a tornar impossível apurá-los e desmenti-los a todos), os russos passam a testar a fidelidade dos jornalistas americanos à nova regra. “Especialistas” são convocados a todo momento às bancadas da RT para dar versões estapafúrdias de todo e qualquer acontecimento, que os jornalistas nunca desafiam, apenas reproduzem sob o onipresente título/álibi: “O outro lado”. Assim nascem histórias bizarras que chegam a correr mundo como a de que o Ebola foi criado pela CIA para destruir populações de países pobres; a derrubada do avião da Malaysian Airlines pelos invasores russos da Ucrânia foi um erro dos americanos que pensavam estar atacando o jato particular de Putin, e por aí afora.

a0

Um mercado tinha sido criado. Bastava aos russos atender a demanda por “outros lados”. “Se a objetividade é mesmo impossível e todas as versões, por mais bizarras que sejam, merecem ser apresentadas numa base de igualdade, então nenhum órgão de imprensa é mais confiável que os outros”, é a conclusão dos auxiliares de Putin.

O projeto evolui, assim, para “uma espécie de sabotagem linguística da infraestrutura da razão: se a mera possibilidade de uma argumentação racional for soterrada num nevoeiro de incertezas, não ha mais espaço para o debate e o público acabará desistindo de saber quem tem razão”, efeito que, notam os estatísticos, “já é mensurável na Europa onde as pesquisas registram um nítido desgaste da identidade coletiva e uma sensação geral de perda de controle”.

Qualquer semelhança com o Brasil do PT não é mera coincidência.

a4

 

Acorda PSDB! O impeachment já foi!

17 de abril de 2015 § 21 Comentários

a1

O que caracteriza os desastres com a marca Dilma Rousseff é a sua meticulosidade. Seja os gerenciais, tipo Petrobras, seja os políticos, eles são sempre devastadores e completos.

Veja-se o PMDB. Ele estava conformado em ser para sempre o partido das sombras. Desde a redemocratização nunca apresentou um candidato presidenciável viável e há inúmeras eleições já que estava conformado com isso. As disputas, ali, se davam no máximo pela presidência da Câmara e do Senado.

Mas então dona Dilma teve a brilhante idéia de derrubar o PMDB. Não para “faxinar” a “pátria educadora” mais uma vez, mas para trocá-lo pelo partido que Gilberto Kassab, o Rei do Lixo, trataria de arregimentar nas beiradas do Congresso Nacional.

Resultado?

Pela primeira vez desde a morte de Ulysses Guimarães o PMDB transformou-se no grande protagonista da política nacional. E, veja bem, não foi o PMDB que subiu, foi Dilma que caiu.

a2

Agora o PMDB ocupa a sua nova condição abençoado por Lula e tendo Joaquim Levy como escudeiro, com a missão de manter o navio à tona e entregá-lo com menos buracos no casco ao novo timoneiro em 2018. Dona Dilma permanece lá e tal e coisa, mas já não é preciso levá-la à sério. Só o PSDB – aquele esturricado deserto de idéias para reformar a política brasileira – é que, tateando às cegas entre pesquisas do DataFolha, ainda está nessa. Chegou tarde. O impeachment já foi…

E o que mais resultou da brilhante jogada estratégica de dona Dilma? Que o preço da “governabilidade” aumentou exponencialmente, é claro, porque agora o comandante da porteira é um só e não a soma de um monte de partidecos. Sem o doutor Temer não passa nada. E o doutor Temer, que de pruridos dilmísticos não tem nada, não quer nem passar perto de qualquer coisa que cheire a novidade para tirar da oportunidade que lhe jogaram no colo o quanto ela puder lhe render, muito pelo contrário. Por isso chamou para o seu lado as putas mais velhas ainda em ação na política brasileira: Eliseu Padilha, a troco de uma Aviação Civil em época de privatização de aerportos, e Henrique Eduardo Alves, que leva um ministério do Turismo em véspera de Olimpíada, mas com a combinação de que será titular apenas dos royalties da nova sinecura. Sua principal missão não será operá-la diretamente e sim dedicar-se a costurinhas no Congresso Nacional que ele já presidiu e frequentou por mais de 40 anos, para canalizar ventos favoráveis ao lulopetismo.

a2

Ficaram meio de lado na manobra Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Nenhum dos dois compareceu à posse de Henrique Alves no Turismo ontem no Palácio do Planalto. A ausência foi combinada entre ambos. Mas como ali ninguém tem vocação para herói, Cunha, que se diz “fiador político de Alves junto a Temer” compareceu à transmissão do cargo no Ministério do Turismo, logo depois da cerimônia de que se ausentou no Planalto. Já Renan ficou um pouco mais chamuscadinho no episódio porque era ele o padrinho do ministro do Turismo preterido. Como nós aqui fora não contamos mesmo para nada, dona Dilma fez questão de abrir seu discurso afagando efusivamente o afilhado de Renan. “Minhas primeiras palavras são de caloroso agradecimento ao ministro Vinicius Lages pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo engajamento com que atuou. Em seus 13 meses no cargo, levou o turismo brasileiro a galgar novos patamares de qualidade”. Sua excelência julgou desnecessário, porém, explicar a nós, que pagamos por tudo isso, porque então abriu mão de servidor público tão exemplar, perfeitamente talhado que era para a missão que vinha cumprindo às mil maravilhas.

Detalhes…

No fim, tudo se acerta. Em troca da parte que lhe cabia no nosso latifúndio, fica desde já prometido, Vinicius Lages e seu padrinho receberão ou a Infraero, ou a Companhia Nacional de Abastecimento onde passam rios de dinheiro. E enquanto espera, Lages “foi contratado” pelo gabinete de Renan Calheiros.

O juiz Moro e sua turma “com sangue nos olhos” já sabe, portanto, onde procurar o próximo petrolão daqui a mais um par de anos.

a2

Tudo azul na América do Sul

15 de abril de 2015 § 8 Comentários

Confira o notório saber jurídico do novo ministro de Dilma

Amigos, amigos, negócios àparte. Essa é a lei. Com os mortos e os feridos ainda frescos, os punhais cravados nas costas e João Vaccari Neto estrebuchando na prisão do juiz Moro, vão se acumulando os sinais de que mais uma guerra pelos pedaços do Brasil está chegando ao fim.

Desde o primeiro “tiro”, aliás, o recado de que se há loucos no Congresso Nacional não chegam, absolutamente, a ser do tipo que rasga dinheiro, estava dado. Ficou convencionado que todos aceitariam o decreto de que “não existem indícios nem provas de participacão de Dilma Rousseff no petrolão” e que, portanto, “o impeachment não se coloca” e não se fala mais nisso. O fato da imprensa ter aderido a esse acordo velado sem maiores discussões aponta para um quadro mais grave de imunodeficiência. Eu mesmo estou entre aqueles que consideram que um impeachment neste momento atrapalharia muito mais que ajudaria. Mas daí a aceitar que nada nessa mixórdia aponta para Dilma Rousseff é pedir demais. A imprensa não tem o direito de alivia-la da pressão dos fatos.

d5

Pra não irmos mais longe, aceitar esse acordo é rasgar a Lei das S.A., aquela que define as responsabilidades de um Conselho de Administração e de seu presidente. Posto esse limite pelos políticos em disputa, portanto, já estava claro para qualquer bom entendedor que tudo que viria depois não passava de um jogo de reacomodação de fronteiras entre os bandos que nos disputam as costelas.

Agora o resultado se vai oficializando.

Dilma está “rainhadainglaterrizada”; Michel Temer, que, no meio do tiroteio com Eduardo Cunha, fez-se “o homem de Lula”, está onde ele o queria, encarregado de levar de 200 para 280 os deputados “fiéis” a qualquer desejo expresso pelo PT, contando para tanto com um novo esquema de distribuição de cargos do 2º e 3º escalões de comum acordo com Ricardo Berzoini, o cão do “controle da mídia”, e Jacques Wagner, o “petista que assopra”.

d00

A inquebrantável fé de Lula na venalidade do Congresso volta a ser o Norte dessa bússola e começa a ser plantada a semente do próximo “petrolão”.

Renan Calheiros, que ia “barrar quem viesse com carimbo do PT pra dentro do STF”, foi formalmente consultado antes da indicação de Luis Fachin, o ex-cabo eleitoral de Dilma e amigo pessoal do general do “exército do Lula”, João Pedro Stédile em pessoa, para a vaga que foi de Joaquim Barbosa na mais alta corte do país, movimento que sinaliza duas coisas: primeiro, que está garantido o lugar de sua excelência na “pizza” em preparação e, segundo, que o PT repõe em marcha o seu golpe bolivariano, aquele que se faz limando – um com dinheiro, o outro via aparelhamento – os poderes que existem para controlar o do Executivo.

d4A Petrobras? Ora, ela “está de pé”, segundo dona Dilma; “Limpou o que tinha de limpar. Tirou aqueles que tinha de tirar lá de dentro”. Volta a ser “a pátria de macacão” de que nós todos devemos nos orgulhar. Em função disso, a “pátria de uniforme listado” contratou ninguém menos – ó tempora, ó mores! – que o Bank of América para vender a quem der mais os pedaços do filé mignon do pré-sal, não excluído até o muito rico e simbólico Campo de Lula, aos capitais internacionais. Junto devem ir a participação da empresa na Brasken, onde é sócia da ínclita Odebrecht, aquela que patrocina as visitas de Lula aos genocidas da África, e a BR Distribuidora, isto é, toda a vasta e rica rede de postos Petrobrás que, segundo insistente zum-zum que corre em Brasília, acabará por cair miraculosamente no colo do Bradesco do providencial ministro Joaquim Levy.

Mas não nos preocupemos porque nada disso tem o sentido que teria se fosse o PSDB que estivesse vendendo “a pátria de macacão”.

E a oposição? E as manifestações?

Ah, pois não: o PSDB aguardará o próximo DataFolha para nos informar quais as linhas mestras do seu sólido e aguerrido pesamento político. Já sobre manifestações, “O Planalto está atento a elas”. “Respeita muito” os que delas participam enquanto o “exército do Lula” não vem, o que não quer dizer que vá atender o grito que os anima “Fora Dilma! Fora Lula! Fora PT!”. E não se fala mais nisso por explícita ordem unida da diretoria, outra que a grande imprensa houve por bem acatar sem mais perguntas.

d6

4 desabafos sobre segurança pública

14 de abril de 2015 § 8 Comentários

up5

Só para não deixar passar em branco o assunto aqui no Vespeiro e oferecer a quem insiste em ser lúcido uma prova de que não está sozinho e de que fazem, sim, sentido as perguntas que assomam às vossas cabeças sempre que ouvem os mesmos argumentos desonestos ou bizarros sobre os nossos problemas de segurança pública, mesmo que a imprensa siga se recusando a fazê-las, registro aqui algumas das que mais têm ofendido a minha própria inteligência nas últimas semanas.

1 – Você tem toda a razão: a principal função da prisão não é reformar gente portadora do “perdoável” defeitinho de trucidar ou estropiar os outros só pra se divertir mas sim tirar essas pessoas das ruas para que esses “outros” (nós) possam, ao menos, continuar vivos. Logo, essas longas sessões que você tem assistido na TV em que “jornalistas”, de um lado (e falo dos com aspas, note bem, porque felizmente ainda ha os que não as requerem), e “especialistas”, do outro, especialmente convocados para afirmar olimpicamente que “baixar a maioridade penal é inutil e até contraproducente porque a prisão é uma escola do crime que não reforma ninguém”, e ponto final, não passam de atestados de desonestidade assinados em rede nacional, ao vivo e em cores.

up6

E o tanto de gente que deixa de ser assassinada enquanto essas “vítimas da sociedade” permanecem trancadas, não vale nada?

Repito: reformar quem se entrega ao crime é o bonus possível; mas tirar quem mata, viola e estropia das ruas e não deixá-lo voltar a elas a menos que haja provas ou atenuantes indicando que isso é minimamente seguro para os outros, antes de qualquer consideração adicional, é um imperativo elementar de justiça, prevenção e segurança pública.

A possibilidade de outros criminosos menos violentos virem a ser “reformados” dentro de prisões, aliás, depende essencialmente de que o Brasil adote o instituto elementar da igualdade perante a lei. Enquanto houver 5 Justiças diferentes e foros e prisões especiais pra todo mundo que é um pouco mais que um pé-de-chinelo, tudo vai ficar como está: celas especiais cheias de mordomias obscenas, revoltantes e instigadoras de mais ódio e de mais crimes para os ladrões de casaca e assassinos que matam multidões roubando educação e remédio de criança pobre doente que escrevem essas regras e distribuem esses privilégios, e tugúrios medievais/escolas de crime para o resto da população.

up0
2 – A Folha de hoje mostra estatística da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que dá conta de que a criminalidade cresce exatamente por igual em todas as faixas etárias da população. Uns 38% a mais nos últimos cinco anos. E trata o dado como ponto a favor de quem é contra a redução da maioridade penal. Pra mim parece exatamente o contrário.

O deslassamento geral do Brasil tem, para todas as faixas etárias, os mesmos vetores: a esculhambação geral e assumida sustentada pela vitória sistemática da mentira e da impunidade “lá em cima”, e a esculhambação geral e assumida sustentada pela imposição do mais absoluto e mentiroso relativismo moral “lá embaixo”, especialmente nas 6 ou 7 horas diárias de louvação e aplauso a toda e qualquer espécie de deformidade ou ignomínia comportamental despejada pela Rede Globo, mais que como “normal“, como “desejável“, sobre todo brasileiro, dos nascituros para a frente, do Oiapoque ao Chuí.

Enquanto as escolas forem essas — traia a tudo e a todos que o governo garante e o Brasil aplaude — continuaremos matando a bala, a faca e a porrete cinco vezes mais que o Estado Islâmico por ano – e mais a cada ano – e achando que tá tudo bem — o que é que tem? — “todo mundo é assim mesmo”.

up00

4 – Ja a discussão do desarmamento, esta é dolosamente desonesta. Seguir afirmando que quem atira é revolver e não quem o empunha; que o maior esforço da polícia e das forças armadas deve ser para desarmar os cidadãos que seguem a lei e não os que carregam fuzis e que a Justiça deve punir com mais rigor quem mata em legítima defesa do que quem mata pra ver o tombo do otário na frente da arma com todas as provas em contrário que estão aí, batendo na nossa cara, é, a esta altura, idesculpável. Além de ser o óbvio ululante que cortar todos os “pintos” não é a solução mais justa e nem a mais eficaz contra a ocorrência de estupros, os numeros do Brasil, onde vigora a mais imbecil, draconiana e mal intencionada das leis de desarmamento são a prova cabal e conclusiva de que isso tudo é mentira.

Mas nem precisava mais uma. Toda a gente séria do mundo ja está careca de saber disso: o desarmamento indiscriminado das vítimas só faz aumentar e não diminuir a quantidade de agressões e crimes de morte pela razão simples e óbvia de que torna muito mais segura a vida do bandido e do assassino que passam a ter a certeza da ausência de revide.

up1

De modo que, em vez de ouvir os “especialistas” de plantão na Rede Globo, vá ver o que a Harvard University descobriu a esse respeito, procurando cientificamente a verdade pelo exame da realidade dos numeros x legislações de controle de armas em todo o mundo, neste link: http://www.law.harvard.edu/students/orgs/jlpp/Vol30_No2_KatesMauseronline.pdf

4 – O apedrejamento dos PMs nos desastres sucessivos que acontecem nas UPPs do Rio de Janeiro são outro caso que revolta-me o estômago. As UPPs, como foi inúmeras vezes denunciado com todos os indícios que o provam aqui no Vespeiro, foram antes uma “medida pra inglês ver” determinada pela contratação (eleitoreira) de uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no Brasil com epicentro no Rio de Janeiro, do que fruto da vontade dos políticos de lá ou de Brasília de dar ao povo dos morros cariocas a mera esperança de segurança pública que eles sempre lhes negaram até que ficasse claro que logo, logo, os “loiros de olhos azuis” teriam de passar no meio do fogo cruzado de cada dia da Cidade Maravilhosa para chegar aos estádios. As tais UPPs só foram implantadas, aliás, nos morros no caminho entre o aeroporto, os hotéis da Zona Sul e os estádios, pra que não ficasse dúvida de que é disso mesmo que se trata.

up01

Vai daí, enfiaram soldados da PM em conteineres de lata, desses que a gente fura até com o dedo, e os depositaram bem no meio dos territórios controlados por aquelas feras que as nossas leis de desarmamento não querem alcançar e andam pra cima e pra baixo com bazucas e fuzis calibre 308, barbarizando e matando a torto e a direito.

Ha duas semanas o Fantástico mostrou o que são, por dentro, esses containeres onde os policiais/alvos-vivos são deixados para morrer. Coisa de revoltar lobotomizado! Mas eles ficam lá, dia e noite, ouvindo os “pipocos” e esperando aquele que vai matá-los, enquanto pensam em suas mulheres e filhos em casa. Um troço de enlouquecer. Não dá pra entender como é que ainda tem gente que topa essa parada. (É que atividade policial, assim como jornalismo, não é escolha, é sina, também chamada de “vocação“).

Aí, quando alguém espirra e esses alvos-vivos com o equilíbrio psicológico necessariamente destruído, puxam o gatilho, exatamente do jeitinho que esse esquema todo foi feito pra resultar, o mundo cai de pau em cima dos PMs, que “precisam ser retreinados” e o diabo.

Dá nojo!

up3

 

A hora de amadurecer

11 de abril de 2015 § 47 Comentários

REROB7

Artigo para O Estado de S. Paulo de 11/4/2015

Ainda causou considerável repercussão a entrevista em que Frei Betto confessou a este jornal sua tardia desilusão com o petismo.

O PT foi criado por acadêmicos de esquerda, católicos da Teologia da Libertação e “líderes sindicais”. Mas, pensando bem, o que tinha a nata dessa escola de oportunismo amoral e corrupção que sempre foi o sindicalismo atrelado ao Estado pela “teta” do imposto sindical de Getúlio Vargas a ver com os acadêmicos de esquerda e os teólogos da libertação de ha 35 anos, duas das expressões mais extremadas da exacerbação idealista e ideológica do século 20?

Essencialmente a ânsia de encontrar o “messias” capaz de levá-los à “terra prometida”. Lula pertencia à “classe” certa, foi pobre o bastante para passar pelo fundo da agulha da porta do paraíso e tinha o carisma que faltava aos acadêmicos e aos católicos de esquerda. Foi quanto bastou para que ambos projetassem nele intenções e crenças que jamais teve ou compartilhou. Ao intuitivo brilhante a quem a vaidade e o poder viriam a seduzir como a ninguém antes na história deste país, bastou seguir o script e deixar-se docemente constranger ao destino que lhe traçaram.

sind7

O que mais custou foi convencer o povo brasileiro, que tem mostrado sempre muito mais juízo que suas elites, que Lula e o PT eram mesmo tudo aquilo que os padres da “libertação” e as criaturas da academia diziam que eram. Mas, ao fim e ao cabo, conseguiram…

Agora, esgotadas as benesses e ajutórios com que foram soterradas todas as resistências à consolidação da “nova ordem”, a conta financeira da esbórnia é a mais leve com que nos defrontamos. Pesa muito mais a ameaça de descermos mais um degrau em direção ao “ralo argentino”, do qual não ha retorno, empurrados pela nova carga de drogas pesadas da farmacopeia populista que, uma vez instiladas nas veias da moral nacional, criam vícios e deformidades virtualmente inextirpáveis.

É um enredo que se tem repetido em nossa história republicana. A política brasileira vive se perdendo em função dos “amores intensos por o suposto em alguém” a que se tem entregue, em geral por endosso de terceiros. Getúlio Vargas jamais teria saltado diretamente das provincianas refregas da então longínqua fronteira de Bagé para o Palácio do Catete, assim como Fernando Collor de Mello das Alagoas para o Palácio do Planalto, se grupos poderosos de idealistas em desespero, movidos pela indignação com o descalabro em que andava mergulhada a política nacional naqueles momentos críticos, não tivessem, por falta de melhor, projetado neles atributos que nunca possuíram e empurrado essas “zebras” para o alto comando da Nação.

cut

Frei Betto queixa-se, agora, de que tendo partido da promessa de lutar “contra tudo isso que está aí”, o PT aliou-se ao que ha de mais retrógrado na política, não fez “nenhuma das reformas de estrutura prometidas nos documentos do partido” (que Lula não escreveu), substituiu “programas de caráter emancipatório” (como o Fome Zero de autoria do próprio Frei Betto) pela criação em escala maciça de dependentes financeiros do governo como o Bolsa Família, “facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais (eletrodomésticos e quinquilharias) mas não aos bens sociais (educação, saneamento, empregos de qualidade)”, tudo para concluir que “o PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder”.

Mas a realidade dos fatos é bem mais prosaica. Todo o resto da esquerda católica e a melhor parte da acadêmica que antecipou o gesto do frade retardatário aceitou assim que as teve as sobradas provas oferecidas de que o seu particular “projeto de Brasil” nunca esteve nos horizontes do partido que, assim que lhe foi franqueada tal oportunidade, passou a moldar o país à imagem e à semelhança dos seus próceres, estes nomeados nas listas de Roberto Gurgel e de Rodrigo Janot que, se chegaram à condição de comandar o partido, é porque graduaram-se summa cum laude no recurso à corrupção e à violência física requeridas para se apropriar e manter a posse, num sistema de “eleições por aclamação”, de “sindicatos” usados como atalhos para o mundo da política criados por “líderes” sem liderados que com isso garantem acesso a dinheiro público pelo uso do qual estão legalmente dispensados de prestar contas para comprar mais e mais poder.

Qual a surpresa, portanto, que esse exato figurino se tenha reproduzido em escala nacional depois que o “PT que sobrou” ganhou escala nacional?

rec12

O lulopetismo é a criatura desse “trabalhismo” deformante do getulismo sem a revogação do qual este país não tem conserto. Qual será a criatura do lulopetismo se não quebrarmos essa corrente?

Só mesmo trocando de mãos o comando do processo político nacional. Indignação é saúde mas pouco pode fazer de prático. É hora de desamarrar o destino da Nação dos humores de indivíduos e passar à segurança dos processos institucionalizados de seleção de gestores e métodos de governança da coisa pública. É preciso pulverizar o poder; rearmar o jogo de modo a nos obrigarmos à segurança das construções coletivas. Deslocar a definição da pauta nacional das mãos dessas “elites” (“os lulas”, não “as dos lulas”) para as do conjunto dos que aqui trabalham e criam os seus filhos. É preciso tornar tão instável e dependente do esforço e do merecimento o emprego público quanto é o nosso. Sujeitar quem faz e quem sofre as regras às mesmas pressões e às mesmas necessidades. Submetê-los às mesmas leis que valem aqui fora e no resto do planeta.

É preciso dar ao eleitor o poder de “des-pôr”, pelo voto e a qualquer momento, sem o qual o de “pôr” não é mais que a dádiva dos otários.

Sob o silêncio de uma oposição que parece não ter nada a propor, o país vai sendo empurrado, mais uma vez sem pauta, para a “reforma política” do PT que é aquela de um Brasil “com filtro” que, desde 2003, entra e sai de cena como o “Plano Nacional de Direitos Humanos”, o “plebiscito da Dilma”, o Decreto 8.243…

Basta! O povo no poder! Vá pra rua com a placa: (Voto distrital com) Recall, já!

RECALL

TUDO SOBRE O VOTO DISTRITAL COM RECALL

COMO O POVO CONTROLA O JUDICIÁRIO NOS EUA

Conversa sobre monopólios

10 de abril de 2015 § 3 Comentários

mon1

honorio sergio

10 de abril de 2015 às 12:33

O problema da Friboi é que querem acabar com os açougues tradicionais, aqueles de vizinhança em que o açougueiro corta e pesa na frente do freguês. Agora a carne vem processada e embalada, e é muito cara, pelo menos aqui na minha cidade. Talvez seja para pagar os altos salários dos estrelões que aparecem nos comerciais para melhorar a imagem da empresa. Ora bolas JBS, venda mais em conta, não é o Tony Ramos ou RC que vai fazer com que eu compre sua carne. Aliás a cara de nojo do Roberto Carlos ao ver o bife no prato é impagável!

mon9

Resposta

flm

10 de abril de 2015 às 13:17

Antigamente, Honório, o que diferenciava os governos democráticos dos outros era que eles desmontavam monopólios enquanto os de esquerda montavam monopólios. O exato contrário do que repete a propaganda até hoje. O período que vai da primeira lei antitruste nos EUA (Sherman Act de 1890) até o final dos anos 70 do século 20 foi o ápice da democracia no mundo.

Com os monopólios chineses entrando de sola no mercado globalizado e forçando a febre mundial das fusões e aquisições (“Cresça ou desapareça!”), tudo isso se perdeu e até os americanos foram arrastados pra essa arena. Hoje mesmo o Valor traz matéria do Wall Street Journal com alguma consultoria prevendo que este ano haverá novo recorde de fusões e aquisições que devem envolver US$ 3,7 trilhões!! É o maior número desde o fatídico ano de 2007 que antecedeu o último estouro planetário.

mon2

É daí que vem a inspiração para o esquema Lula/Luciano Coutinho/BNDES, acrescentado da proverbial roubalheira que corre no paralelo dessa montagem: um monopólio em cada setor e o povo que se f…

Essa praga, além da concentração da riqueza que pode matar o capitalismo democrático, está quebrando o nexo que havia entre enriquecimento e produção. Agora quem mais enriquece são os intermediários dessas fusões e aquisições, aquelas figurinhas carimbadas do mercado financeiro que não produzem nem constroem nada, gastam do mesmo jeito que ganham e disseminam uma espécie de anti-ética do trabalho.

Não vai acabar nada bem!

mon6

Até o amor verdadeiro…

10 de abril de 2015 § 12 Comentários

$1

A JBS preparou uma estratégia de ação na internet para melhorar a imagem de sua marca entre os consumidores e se livrar da lenda urbana de ’empresa do filho do Lula’.

Em dezembro de 2014, das 59.749 menções à empresa dos irmãos Batista em Facebook, Twitter, YouTube e blogs, nada menos que 48.184, ou 80,7%, eram negativas. Apenas 1.206 foram positivas (2%) e 10.359 consideradas neutras (17,3%), ou seja, a chamada ‘saúde da marca’ era de 19%.

$6

A partir de fevereiro, a JBS passou a responder a cada uma das menções nas redes sociais e blogs, a desmentir boatos e a gerar conteúdos informativos para suas páginas diariamente. Nesse mês, das 68.634 vezes em que foi citada, a empresa teve 34.969 menções negativas (51%), 4.461 positivas (6,5%) e 29.204 neutras (42,5%). A saúde da marca chegou, portanto, a 49%.

$7

Mencionada 74.429 vezes em março, a dona da Friboi foi tema de 26.410 postagens negativas (35,5%), 16.069 positivas (21,5%) e 31.950 neutras (43%), e a saúde de sua marca chegou a 64,5% na internet.

Fazendo as contas entre dezembro e março, a tática da JBS na internet fez as citações negativas caírem 46%, as positivas aumentarem 1.232% e as neutras crescerem 208%. Além disso, a imagem de sua marca melhorou 315% entre os internautas”.

A nota é de Lauro Jardim. E prova, como queria o Nelson Rodrigues, que “o dinheiro compra até o amor verdadeiro”…$3

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 2.522 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: