“Je suis Boris Nemtsov”

2 de março de 2015 § 2 Comentários

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Por sugestão de Cecília Thompson, antes que a moda pegue.

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Que país é este?

2 de março de 2015 § 9 Comentários

Neste link está a reportagem completa da qual o resumo acima foi retirado, mas para a qual o G1, da Globo, não dá link para reprodução. Vale muito a pena ver, naquela versão, a discussão que se abre entre a (boa) repórter da TV Tribuna de Santos e o delegado sobre como as leis feitas para nos deixar à mercê da bandidagem literalmente proíbem a polícia de agir a favor das vítimas e da Justiça coisa que, aliás, combina perfeitamente com o governo que expulsa embaixadores que fuzilam traficantes mas festeja governos que atiram na cabeça de crianças de 14 anos desarmadas por protestar contra ele em praça pública.

Cabe lembrar, por fim, que esse Estatuto do Desarmamento pervertido é um ato frontal de usurpação da vontade manifesta dos eleitores brasileiros que votaram maciçamente contra o desarmamento no plebiscito convocado sobre esse tema em 2005, usurpação esta que só se tornou possível graças à campanha cerrada que a Rede Globo continua fazendo para que a vontade popular expressa nas urnas seja ignorada e o desarmamento nos seja imposto na marra.

Golpe de jiu-jitsu

28 de fevereiro de 2015 § 34 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 28/2/2015

Não ha explosões nem rupturas. Não ha socos nem chutes fulminantes, à Anderson Silva. Golpe, hoje, é de jiu-jitsu. A luta é no chão, lenta e sufocante como aperto de cobra. Nada de muito espetacular acontece. Persistente, insidiosa e inexoravemente, os braços e pernas da cidadania no Legislativo e no Judiciário, vão sendo agarrados, torcidos, imobilizados; o país vai parando, exausto, e o estrangulamento econômico é que leva aos tres tapinhas no final.

É esse o script bolivariano. Depois vem o caos…

Mas em países da pujança e da complexidade do Brasil o buraco é mais embaixo. Tiroteio no morro é sempre impressionante mas diz pouco sobre o que rola no alto comando do crime organizado. Com o “petrolão” acontece coisa parecida. Se quiser saber onde é que essas guerras realmente são decididas, siga o dinheiro.

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A “caixa preta” do BNDES e dos fundos de pensão estatais está para o “petrolão” como o armamento nuclear está para as armas convencionais na guerra pela construção do “Reich de Mil Anos” do PT. Luciano Coutinho é a Dilma competente. O “true believer” que sabe o que faz. Mas por tras de tudo e por cima de todos paira Luis Ignácio Lula da Silva, o que não acredita em nada. A este, com seu faro e instinto fulminantes para o poder, não custou um átimo entender o potencial que tinha o fascínio do doutor Coutinho pelo sistema coreano dos Chaebol. “Aparelhar” esse fascínio foi brincadeira para o nosso insuperável virtuose na arte de servir doses cavalares de dinheiro para os ricos e de mentiras para os pobres enquanto atiça uns contra os outros e é amado por ambos, arte em que se iniciou, já lá vão 40 anos, frequentando a ponta da ponta do capitalismo cínico de seu tempo, aquele sem pátria das multinacionais automobilísticas do ABC paulista. Foi ali que ele aprendeu a comprar pequenos privilégios para a clientela dos metalúrgicos que o mantinha na linha de frente do jogo do poder a custa de garantir lucro fácil às multinacionais pondo o resto do Brasil andando de carroça paga a preço de Rolls Royce. Foi ali que ele entendeu a força que o dinheiro tem, a resiliência dos laços que ele cria e a conveniente característica de moto contínuo que os esquemas amarrados com ele engendram, realimentados pela corrupção e pela miséria que eles próprios fabricam.

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Do esquema coreano de “empresas-mãe” recheadas de dinheiro do estado entregues a um indivíduo ou a uma família, cercadas de pequenas “empresas-satélites” amarradas a elas pelo elo pétreo da sobrevivência econômica nasceu a versão macunaímica dos “campeões nacionais” do BNDES e dos fundos de pensão estatais dos quais hoje dependem cada vez mais o fornecimento de todos os insumos e a absorção de toda a produção – e portanto todos os empregos – da vasta periferia da economia que orbita esses ungidos do estado petista.

A diferença está em que se na Coréia a explosão da corrupção e a instrumentalização política da relação de dependência inerente aos monopólios de que até hoje, apesar do nível de educação conquistado por seu povo, aquele país não consegue se livrar, foi o corolário indesejável de uma vasta operação para criar a partir do zero um país e uma economia devastados pela guerra, aqui a trajetória foi exatamente a inversa. O PT não pensa no Brasil, o PT pensa no PT. Aqui, tudo começou para dotar um partido político de condições de impor sua hegemonia com o recurso à corrupção elevada à categoria de moeda institucionalizada de compra de poder e à criação de elos de completa dependência a monopólios politicamente manipuláveis de vastas áreas de uma economia pujante mas diversificada demais para o gosto de quem sonha com sociedades inteiras dizendo amém a um chefe incontestável que não desce nunca do trono.

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É essa segunda parte que decide o jogo e o resultado parcial está aí. Com pouquíssimas exceções, não ha mais força econômica de qualquer relevância fora do “esquema”. Só um rei e seus barões; tanto mais “relativos” estes quanto mais aquele se tornar “absoluto”. E se o agronegócio, calcanhar de Aquiles dos totalitários do passado, foi exceção por algum tempo, esse tempo passou. O universo da proteína animal, “chaebolizado” tornou-se galático; o da bioenergia, garroteado pelo golpe da “gasolina barata”, ou se multinacionalizou, ou não vive mais sem as veias pinçadas na UTI do governo. Eficiência empresarial? Esta “commodity” hoje compra-se. Os grandes “tycoons” do “setor privado” brasileiro que continuam voando em seus jatões cada vez mais obscenos são só os CEO’s a soldo de uma economia estatizada, ainda que vestindo roupas civis e não mais a farda militar de outrora.

Dilma Rousseff é um acidente de percurso. O “poste” plantado para ocupar o buraco que começou a acreditar que era ela que tinha sido eleita e quase pôs tudo a perder. Talvez ainda consiga, a prosseguir o patológico desemparelhamento entre seu discurso e a realidade. Mas já não é só nisso que se constitui o “pântano brasileiro” descrito pela Economist. O que está paralisando o Brasil é o PT real sem a anestesia chinesa, apenas acrescentado de extensas áreas de grave irritação cutânea provocada pela irrefreável pesporrência de madame.

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Para que os brasileiros enxerguem com clareza de onde é que isso tudo vem vindo e disponham do mínimo necessário para opinar sobre o destino que lhe querem impor antes que seja tarde a imprensa terá de tirar o bisturi da gaveta, lancetar com suas próprias mãos o abcesso que corrói o país por baixo dos “campeões nacionais” e fazer muito barulho para chamar a atenção de todos para ele. Os membros do exclusivíssimo clube dos “campeões” do BNDES, balofos e engurgitados de dinheiro público, almoçam e jantam diariamente em Palácio onde todos se dão tapinhas amistosos nas costas. Ali ninguém vai atirar em ninguém, não haverá prisões nem delações premiadas e jamais nos será “dado acesso” ao câncer que ha por baixo da ferida que, com todo mundo hipnotizado pelo tiroteio do “petrolão”, o país ainda mal vê.

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As ruas do PT

25 de fevereiro de 2015 § 20 Comentários

ciclo1Estou chegando da rua.

Tres ou quatro quilômetros em tres ou quatro horas. A aventura imprevisível de sempre.

As ruas do PT são a cara do PT.

Com o que já foi de todos retalhado, fatiado, loteado e “redistribuido” pelos critérios da segregação e do preconceito de classe a cidade que resulta do que São Paulo já foi é a cada dia menor para cada um dos seus cidadãos. Embora cada clientela com peso em qualquer tipo de cálculo eleitoreiro tenha um pedaço do antigo “espaço público” para chamar de seu, cada contribuinte e cada cidadão paulistano tem hoje apenas pedaços das ruas que já foram suas inteiras. Não é mais ele quem escolhe como e por onde quer andar por elas, respeitados os limites universalmente consagrados para preservar por igual os diretos individuais de todos, como acontecia quando vivíamos no limiar de um Estado de Direito.

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Não vivemos mais. Agora cada brasileiro tem um direito só seu segundo a sua “raça” ou sub-raça, o seu gênero ou sub-gênero, a sua “classe” ou sub-classe social, e até o partido ao qual declare simpatia. E não é só modo de dizer. Vale casa paga pelo governo, terreno tomado do alheio, direito de barrar rua de hospital e, é claro, a prerrogativa de delinquir impunemente chancelada pelo novíssimo Supremo Tribunal Federal esse tipo de critério.

Governar, que ha quase meio século já foi sinônimo de “construir estradas”, hoje é tarefa reduzida a “pintar ruas” nas metrópoles tomadas pela doença petista. Fora com os urbanistas, fora com os engenheiros, fora com os “tatuzões” de furar tuneis de metro. Para os almoxarifados das “obras” da prefeitura de Fernando Haddad bastam pincéis e latas de tinta.

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Cada via pública foi fatiada em “faixas” coloridas para ônibus, para ciclistas, para motociclistas, para pedestres, para automóveis, para automóveis de praça. Para o diabo!

O fato da cidade estruturalmente não comportar nada disso não importa a mínima. O PT nunca se dobra aos fatos como nos prova diariamente dona Dilma e a sua Petrobras. Nem que o Brasil inteiro afunde. Que dirá São Paulo!

Assim essas “faixas” todas correm, ora pela direita, ora pela esquerda, ora por cima, ora à margem do passeio público, ignorando obstáculos, subindo até pelas paredes, “ilhando” quilômetros seguidos de comércios e de empregos, anulando gerações inteiras de suor e trabalho e transformando a cidade num labirinto por onde todos se esgueiram apertados de faixa reservada em faixa reservada, de multa em multa, de radar em radar, de limite em limite de velocidade como num joguinho infernal.

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Como desistiram de enfiar os trens por baixo da terra correndo por trilhos desimpedidos como é da natureza desses veículos, o jeito foi trazê-los para a superfície e atirá-los por cima dessa fábrica de loucos, com o requinte de autorizá-los a andar no dobro da velocidade dos demais “porque é preciso favorecer os pobres”. E aí estão eles com seus três, até quatro vagões, os rabos trancando os cruzamentos quando o sinal fecha lá na frente, raspando o seu carrinho como bólidos num desembesto de motoqueiros-gigantes fazendo o seu coração dar saltos e, diariamente, esmagando carros e pessoas em horrendas colisões de elfantes contra formigas.

Mas o mais doloroso, o que mais confrange quem usa as janelas que ha hoje para esse mundo que voa lá fora, é ver a crescente multidão dos imbecis lobotomizados que nossas universidades públicas aparelhadas despejam diariamente nas ruas olharem encantados para esse fatiamento da cidadania, para esse dividir para reinar, essa fórmula primária de socialização da corrupção, essa reedição piorada do velho corporativismo cotrareformista lusitano inventado para barrar a entrada da democracia na nossa eterna idade média, e chamar a tudo isso sincera e orgulhosamente  de “modernidade”.

Aí dá vontade de chorar! De pena do Brasil dos meus filhos!

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Comparando Brasil x EUA

25 de fevereiro de 2015 § 10 Comentários

Vídeo enviado por Carlo Vallarino Gancia

“Excesso de democracia”

22 de fevereiro de 2015 § 21 Comentários

Tudo vai da condição para se entrar nos “camarotes”

19 de fevereiro de 2015 § 35 Comentários

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Com o carnaval voltou à baila na imprensa a questão da “camarotização”. Quando a Fuvest fez disto o tema da redação do vestibular nacional deste ano fiquei de escrever alguma cosia a respeito e acabou passando.

Os jornais ficaram nas generalidades de sempre naquela ocasião. Nem mesmo a afirmação estapafúrdia dos professores que prepararam a prova de que “antigamente todo mundo via o jogo junto nos estádios, sem que houvesse camarotização” foi contestada. Contentaram-se com o do costume: estudantes achando o tema mais fácil ou mais difícil que os de anos anteriores, uma pá deles dizendo que é mesmo um absurdo essa vida “camarotizada” e por isso “são contra” (a “camarotização”) e por aí…

guine7Teodore Obiang, da “Prisão da Praia Negra” para a jugular da Guiné ha 35 anos

Sendo este o tom, fiquei na dúvida sobre se o objetivo da prova era medir a capacidade dos alunos de escrever e se expressar bem em português ou medir o seu “posicionamento” ideológico em relação à “camarotização”. Dei uma rápida vasculhada no Google, passado mais de um mes da prova, mas logo desisti, tal o nível do material pescado. Ninguém parece ter feito essa pergunta. E o que disseram a esse respeito as provas corrigidas? Houve casos de provas mal escritas e mal argumentadas aprovadas por dizer mal a “coisa certa” ou provas bem escritas e bem argumentadas desclassificadas por dizerem certo a “coisa errada”?

Os anais da gloriosa imprensa pátria não esclarecem esse pormenor.

Seja como for, só para registrar, lá vai o que eu diria se tivesse feito a prova:

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O homem é um animal hierárquico e competitivo por natureza como, aliás, todos os demais que povoam este nosso mundo. Como só ha uma rua da praia de frente para a vista e para a brisa do oceano estando todas as demais localizadas da segunda rua para traz, como só ha uma primeira fila nos estádios e nos sambódromos de onde se vê o jogo sem ninguém na frente, como só parte das arquibancadas é coberta umas tantas filas têm cadeiras e as demais são só degraus de cimento ou nem isso como era no Maracanã e nos demais estádios “de antigamente”, do Coliseu de Roma ao Mário Filho, não me tendo sido dado conhecer os estádios rousseaunianos de que falavam os professores da Fuvest, e sendo tudo o mais nesta vida exatamente assim – tem filé e tem osso, com o mais que há no meio – fica impossível não “camarotizar” a vida.

Eis porque o que é imprescindível que haja são regras absolutamente claras, justas e transparentes para regulamentar as condições de acesso aos “camarotes” da vida de modo a tirar da inevitável disputa pela melhor parte que ha em cada coisa o caráter de privilégio odioso e injustificável que ela pode facilmente ganhar se valer tudo para chegar “lá”.

guiné3Teodorin, o filho, um “vencedor” com Ferraris, apartamentos em Paris, NY, Londres e “camarotes” na Sapucay

É precisamente em torno disso que gira toda a longa história da luta da humanidade para superar a lei da selva e evoluir para o Estado de Direito. E o resumo dessa epopéia é bem suscinto: o acesso aos camarotes pode se dar, ou pelo merecimento no crime, ou seja, pela contribuição que o sujeito der com a sua própria cota de crimes para que o criminoso ao qual se acumpliciou não perca jamais o controle da porta do camarote que ele próprio obteve pela força; ou pelo merecimento na construção do bem comum, ou seja, pela quantidade de subprodutos socialmente aproveitáveis que ele produzir com o esforço individual empreendido para, respeitados todos os direitos dos outros, disputar a compra com o suor do seu rosto do seu acesso e o dos seus aos “camarotes” que sempre serão escassos.

Não ha meio termo possível. Como tudo que existe fora da boa meritocracia é só uma e a mesma corrupção, se a rua da praia puder ser de quem melhor “opera” Brasília, a melhor vista do morro será inevitavelmente de quem melhor operar os fuzis e o povo inteiro acabará por cantar nu a vitória do crime organizado desfilada em apoteose diante do camarote dos genocidas”.

Será que a Fuvest me teria aprovado?

guine1

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