Se elas podem, porque não eles?

18 de dezembro de 2014 § 13 Comentários

..a1   a3

….a5   a7

  • a0000Petrobras 2008 – 2014: R$ 737 – R$ 114 bi
  • Contas públicas: destroçadas
  • Valor do Real: destroçado
  • Setor elétrico: destroçado
  • Industria do álcool: destroçada
  • Industria paulista:          destroçada

Para o Natal, vamos pedir a Papai Noel que o STF não mande soltar Fernandinho Beira-Mar ainda e a Papai do Céu que nos mande só uma praga bíblica no lugar da Dilma pras coisas melhorarem um pouco no ano que se inicia.

Isto aqui é um puteiro!

17 de dezembro de 2014 § 12 Comentários

Um legítimo “João Santana” da campanha de Lula 2002

Dona Dilma mandou a amiga Graça Foster, a do marido de 42 contratos com a Petrobras, avisar a quem interessar possa que não arreda pé de lá sejam quantas forem as provas que aparecerem contra ela como estas da funcionária que publicou na imprensa, para o Brasil inteiro ler, os emails atraves dos quais lhe dava conta desde 2008 do assalto que a empresa estava sofrendo, ou os bilhões que aparecerem nas contas pessoais de funcionários nomeados por ela e reconfirmados depois de denunciados.

Normal.

Se mesmo depois de assinar a compra por bilhões do ferro velho lá de Pasadena que seus comparsas chamavam de “Ruivinha”, tal era a quantidade de ferrugem; se mesmo depois de reconfirmar no cargo o ladrão Paulo Roberto Costa, jubilado com todos os direitos e os “agradecimentos” pelos serviços prestados à Petrobras; se mesmo depois de se ter reeleito sem dizer rigorosamente nem uma única palavra de verdade ao longo de toda a campanha eleitoral tem um monte de gente boa que ainda afirma que “Dilma é pessoalmente honesta” porque é que a Graça, com todos os emails do mundo gravados no seu hard disk, com a autora desses emails degredada para o Extremo Oriente, primeiro, ameaçada com um revolver apontado para a cabeça, depois, e finalmente expulsa da Petrobras sem nenhum dos benefícios garantidos ao “Paulinho”, amigo do Lula, não haveria de ser?

E o que é que tem que a Petrobras tenha caído de 737 bilhões de dolares em valor nas bolsas em 2008 para os 114 bi que sobraram hoje? A Graça realmente merece o cargo…

Nestor Cerveró é outro que também “é” corrupto de papel passado, com algumas contas no exterior e valores confirmados. No entanto, na mesma noite do domingo passado em que foi denunciado criminalmente pelo Ministério Público Federal, embarcou nas amplas poltronas da Classe Executiva do vôo das 23h55m da British Airways para “passar o reveillon com a família” em Londres, aquela cidade onde tudo é tão baratinho, em plena disparada do dólar que, afinal de contas, é também obra dele.

Enquanto isso o Tribunal de Contas da União e a Advocacia Geral da União negociam semi-abertamente a “solução” para as empreiteiras também passarem a “ser”. Segundo se cochicha em Brasilia, a “solução” será, proverbialmente, “chamar o ladrão”. Elas só terão de “assumir a culpa, devolver o dinheiro e tomar providências para evitar novos casos no futuro”.

Só resta acertar “devolver o dinheiro” roubado a partir de que década…

Na Camara ja foi abortada a cassação de Luiz Argolo, aquele a quem o doleiro Youssef presenteou com nada menos que um helicópero e mais ninguém sabe quantos “caminhões carregados de bezerros”, a serem vendidos, depois de engordados, à JBF, claro.

Ja o STF anulou todo o processo contra “O Sombra”, aquele lídimo símbolo da integridade petista, pelo assassinato com oito tiros no rosto do “companheiro” Celso Daniel, que não teve a mesma sorte que Venina Velosa da Fonseca que só ficou na frente da arma mas não levou os tiros por denunciar a roubalheira a Graça Foster e cia. quando, 13 anos atras, denunciou a roubalheira de Zé Dirceu e cia.

De modo que, da “Comissão da Verdade” para baixo, tudo neste país é uma mentira. Punição mesmo, só a que houver contra a Petrobras na justiça dos Estados Unidos, até porque esta, que será em dinheiro, somos nós mesmos que vamos pagar.

A maldição das commodities

17 de dezembro de 2014 § 11 Comentários

a6

O desastre econômico é o corolário obrigatório das autocracias que misturam ignorância com arrogância resultando em instabilidade institucional, desconfiança e destruição do habitat do progresso e da criação de riquezas. E aprofunda-se exponencialmente quando, enfraquecidas pela colheita daquilo que semeiam, essas autocracias passam a se agarrar ao poder na base da violência.

Mas não ha força terrena que faça isso durar para sempre. Não foram as democracias ocidentais ou as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte que derrubaram o socialismo imposto à metade do mundo no século passado. Foram os próprios habitantes do outro lado da Cortina de Ferro que, cansados de olhar o mundo andando de Mercedes de dentro dos seus Lada, derrubaram O Muro que já estava roído de podre e marcharam para Oeste sob o olhar impotente do Exército Vermelho.

a8

Desde então, com exceção do parque jurássico ideológico criado pelo Foro de São Paulo sob a batuta do nosso Luis Ignácio Lula da Silva, um autoproclamado inimigo do conhecimento, ninguém mais neste planeta fala em socialismo.

Nesta “nuestra América” o dinossauro, ironicamente, reviveu por consequência do seu DNA, “congelado no ambar” da falta de escolas, ter sido tocado pelo fulminante arranco dado por aquele quinto da humanidade que ficou meio século paralisado pelo terror da versão maotsetunguiana do surto socialista que ensanguentou o século 20 quando ele finalmente adotou o capitalismo, ainda que numa forma pervertida. Aquele bilhão e meio de famintos acuados livres outra vez para fazer por si voltando subitamente a comer e a consumir mais que o estritamente necessário para sobreviver até amanhã provocou uma explosão no preço das commodities de um mundo que não estava pronto para produzi-las na escala necessária.

a6

Para o Brasil essa inesperada onda de bonança foi uma tremenda falta de sorte!

Já é um clássico o artigo de Jeffrey Sachs e Andrew Warner, de 1995, “A Maldição do Petróleo”, em que tratam de demonstrar porque os países muito ricos em recursos naturais – o petróleo em especial – crescem em geral muito menos que os demais. Tudo é uma função ampliada daquilo que todo ser humano aprende de observar o seu próprio círculo de relacionamentos, e que pode ser resumido no seguinte axioma: toda riqueza corrompe; mas a riqueza que não é consequência do esforço e do trabalho corrompe absolutamente tanto indivíduos quanto sociedades inteiras justamente porque quebra essa educativa relação de causa e efeito entre a arrogância ignorante temperada pela violência institucional e o desastre econômico que, cedo ou tarde, será a consequência obrigatoria delas.

a8

A disponibilidade de riqueza fácil enterrada a poucos metros do solo ou produzida pela luz do sol associada à amenidade do clima aumenta exponencialmente os hiatos de crime desacompanhado de castigo, transformando-os em armadilhas psicológicas de consequências funestas, capazes de desgraçar populações e sacrificar gerações inteiras. Pois por maiores que sejam as estupidezes perpetradas pelo energúmeno no poder continua chovendo mais dinheiro no cofre do que ele consegue dissipar com a sua incúria e com os seus crimes, passando aos seus súditos a impressão de ser ele o responsável pelo “milagre” da fartura sem suor.

Com os cofres abarrotados ele ganha, por cima do “egotrip” que a tudo isso agrava muito, a condição de comprar apoios e eleições dando “provas” cotidianas de que “melhorar de vida” é coisa que não tem nenhuma relação com trabalho, investimento em conhecimento, esforço individual ou mérito, basta a sua “vontade política” de distribuir privilégios que, para serem revertidos mais adiante, haverão de custar sangue, suor e lágrimas posto que esse tipo de droga vicia organicamente ao primeiro contato com o organismo do usuário.

a6

Eis aí o resumo do fenomeno do “renascimento do socialismo” entre os grandes produtores de petróleo e de commodities da América do Sul, tais como a Venezuela, o Brasil e o resto da grei bolivariana, espelhado pelo recrudescimento das autocracias que sobreviviam ao Norte do Equador como a da Russia de Vladimir Putin que, ao contrário da China que teve de enriquecer trabalhando, nadava numa tal abundância de petro e gasodólares que convenceu-se de que era “iluminado” o bastante para patrocinar um “revival” do velho imperialismo soviético que o desastre econômico socialista matara à mingua, e voltou a invadir seus vizinhos.

Agora acabou.

O petróleo mergulhou de volta para a casa dos US$ 60 depois de chegar quase ao dobro desse valor porque passou a interessar aos árabes inviabilizar fontes alternativas de energia e os tanques de Putin estão voltando para casa onde a crise se avoluma. Bye, bye pre-sal, mesmo se ainda houver uma Petrobras. A China anda mais devagar e as commodities agrícolas e minerais estão em limite de baixa. Tudo que deixou de ser feito ou foi destruído sob o manto enganador da abundância “sino-propulsada” de quatro ou cinco anos atras está aparecendo como o que de fato sempre foi: a obra de energúmenos arrogantes que só construíram mesmo de sólido gigantescas redes de corrupção.

a8

O esvaziamento dos tesouros nacionais é sempre vertiginoso a partir do momento que saem de cena os ingressos alheios à conta doméstica de entrada e saída de valores, reflexo da quantidade de esforço investido em educação e em produção real, mais o que os especuladores internacionais sempre prontos para a fuga no momento exato punham por cima desse numero para morder o seu pedaço do bolo artificialmente inflado para enganar eleitores. E isso cria uma conjuntura de altíssimo risco pois a cada minuto que passa fica mais claro para os autores da fraude que não ha mesmo meios de continuar a escondê-la e que o último caminho que resta para não perder o poder é parar de disfarçar e puxar a arma. É o estágio de que já passou a Venezuela e no qual estão ingressando a Argentina e tantos outros, e que se prenuncia no horizonte do Brasil na forma de pesadas nuvens de tempestade.

No que diz respeito ao tempo histórico, não ha a menor dúvida: no final eles “não passarão”. Mas podem, sim, sacrificar mais uma ou duas gerações de brasileiros condenando-as a ser devastadas por uma doença cuja cura já era conhecida desde meados do século passado.

a6

A verdade de sempre

16 de dezembro de 2014 § 7 Comentários

Assassinatos em série

16 de dezembro de 2014 § 6 Comentários

a1

O Brasil se transformou no país onde um serial killer pode matar 43 pessoas — 38 seriam mulheres e teriam sido estranguladas — sem que ninguém perceba. Nenhum pânico nas ruas. Nada de mulheres trancadas em casa depois do escurecer. Nenhuma notícia nos jornais. Nenhuma coletiva de chefe de polícia apertado pelo governador se desculpando. Isso é tudo invenção de seriado de TV. Na vida real a morte, aqui, não é nada.

A polícia só ficou sabendo o que estava rolando quando Sailson José das Graças, 26, cansado do anonimato, confessou a proeza. Como ele agia na Baixada Fluminense, um dos lugares onde mais se morre de morte matada nesta terra dos 58 mil assassinatos por ano onde sair e voltar vivo pra casa é sempre uma loteria, ninguém se tocou.

Normal.

Desde 2003 a Petrobras vem sendo assaltada em ritmo de carro forte recheado de dinheiro, um atrás do outro, “puxado” pro “clube” dos salafrários. Só na refinaria Abreu e Lima a conta subiu de R$ 4 para R$ 24 bilhões e nada. A Dilma doa-a-quem-doer e toda aquela diretoria chefiada pela amiga do peito dela só deu pela falta de alguma coisa quando a turma da delação premiada começou a confessar suas proezas. Como eles agem dentro daquela empresa onde qualquer gerentezinho tem conta de US$ 100 milhões na Suíça caminhão de dinheiro lá some e ninguém nota.

a2

O poder, o dinheiro e as “brases”

13 de dezembro de 2014 § 15 Comentários

a18

Artigo para O Estado de S. Paulo de 13/12/2014

A divulgação, pelo juiz Moro, da existência de “uma planilha de controle de 750 obras do governo com informações sobre preços e construtores que o doleiro Youssef descreve como ‘clientes’”, veio dar substância ao que Paulo Roberto Costa dissera quando afirmou que “o que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro”.

É verdade que da desfaçatez à amplitude do saque, tudo no PT se tem mostrado hiperbólico nesse departamento. Mas o fato é que, guardadas as proporções, “o que acontece na Petrobrás” acontece onde quer que andem misturados poder político e poder econômico como mostrou a Economist, em reportagem que, partindo da Petrobras, constatou que quase todas as empresas estatais que restam no mundo são antros de escândalos onde centenas de bilhões têm sido rapinados por políticos inescrupulosos e seus “operadores” privados, especialmente em países sem defesas democráticas como China, Russia, Índia e Brasil.

a00

Nenhuma surpresa.

As razões para isso são eternas. Poder é capacidade de impor obediência. E sendo assim o poder é tanto mais poder quanto mais exclusivo for. É em função desse incoercível viés hegemônico intrínseco ao significado do conceito que o poder corrompe sempre e corrompe absolutamente quando é absoluto.

A certa altura, para evitar que seguisse apoiado exclusivamente na força, que foi como tudo começou, tentou-se opor-se-lhe um código definindo os limites em que o poder pode ou não ser imposto ao próximo. Mas este foi sempre um arranjo insuficiente posto que quem detem a força armada necessária para impor o Direito é o mesmo ente que detem o poder político, o que abre mil caminhos para a perversão desse aparato.

Só uma força igual e contrária exercendo organicamente pressão constante sobre o sistema pode moderar o poder com alguma eficácia.

a000

Política e dinheiro, ainda que por vertentes diferentes, são os dois instrumentos que proporcionam poder de impor obediência ao próximo. O poder tem, portanto, uma natureza dual e só se torna absoluto quando as duas acumulam-se nas mesmas mãos. E elas andaram juntas, uma potencializando a outra e as duas a serviço da ambição e do fausto de uns poucos à custa da servidão e da miséria de muitos por tantos milênios que na maior parte do mundo são confundidas como uma só e a mesma coisa.

Onde quer que poder político e poder econômico não tenham sido constrangidos a separar-se e tornar-se independentes um do outro, estabeleceu-se um jogo de cartas marcadas: só tem dinheiro quem tem poder político e só tem poder político quem tem dinheiro. E onde o dono da força armada é o mesmo dono do dinheiro passa a valer qualquer forma de se obter uma coisa e a outra, o que foi, paulatinamente, apagando as fronteiras entre a política e o crime organizado.

A maior conquista da humanidade deu-se no momento em que “Nós, o povo“, rebelado, decidiu definir com precisão o que é uma coisa e o que é a outra, proibir a propriedade cruzada das duas e contrapor uma à outra, tomando o cuidado de condicionar o acesso ao poder político ao expresso consentimento do súdito a ser periodicamente aferido por voto universal e secreto, o que fez dele um “cidadão”, e o acesso ao poder do dinheiro exclusivamente ao esforço individual e ao merecimento, criminalizando sua aquisição por interferência política ou qualquer outra via espúria.

a00000

A história da humanidade não é mais que a história da servidão até esse momento a partir do qual passou a haver não apenas uma esperança de superá-la mas, principalmente, um método prático para conseguí-lo ao menos até certo ponto.

A separação do poder político do poder econômico e a estruturação de um para opor-se ao outro é o fundamento essencial da democracia. Uma coisa não existe sem a outra. Não é uma solução perfeita porque para nada que esteja vivo ha soluções perfeitas, mas é um arranjo melhor que todos os anteriores. É por terem, os dois, o impulso hegemônico na essência de sua natureza que eles são tão eficazes para moderarem-se mutuamente.

Condicionar a aquisição de poder econômico ao esforço individual, sem a mediação do privilégio distribuído pelo detentor do poder político, resolve dois problemas: o de restringir o poder do Estado exclusivamente ao seu sentido positivo, restrito ao território delimitado pelo Direito e periodicamente legitimado pelo cidadão, e liberar a força criativa da sociedade para resolver seus problemas produzindo riqueza, o que é um corolário da liberdade individual que 20 burocratas, por mais iluminados que sejam, não podem substituir por um “planejamento” centralizado.

a0000

Mas cria um terceiro ao aumentar o grau de autonomia do poder econômico. Tendo o mesmo DNA do poder político, também ele precisa ser vigiado por esse novo Estado blindado contra os conflitos e tentações inerentes à participação direta no jogo econômico e fiscalizado por dois outros poderes independentes para ser coibido na sua obsessão pela acumulação e pela exclusão à qual se entregará com a força de sua própria natureza sempre que isto lhe for permitido. Nem mesmo o mérito, portanto, justifica a competição sem limites que deságua nos monopólios, irmãos menores do totalitarismo, porque eles pervertem todo o sistema e invadem o espaço da liberdade individual.

A corrupção brasileira não é, portanto, um bem “cultural” a ser “tombado” como querem todos quantos se acostumaram com a impunidade. É a consequência necessária da insistência na mistura de papéis que milênios de sangue, suor e lágrimas recomendam estritamente separar. A doença que está matando o PT (e o Brasil) é a mesma que corroeu o regime militar e levou à morte o socialismo real. Cabe à oposição em processo de reconciliação consigo mesma retroceder do retrocesso a que nos empurrou o “lulismo” quando reverteu a retirada que o Brasil ia empreendendo do buraco estatizante em que nos tinham metido os militares para que possamos alcançar o mundo civilizado na obra de saneamento básico da moralidade pública que consiste essencialmente em desmisturar o poder político do poder econômico.

a2

Inquietações…

12 de dezembro de 2014 § 32 Comentários

a12

Já tinha batido super mal em meus ouvidos essa história dos promotores do Paraná descreverem como “vítima” essa Petrobras que se deixa gostosamente roubar na denuncia oferecida ontem contra 36 envolvidos na roubalheira do século. Essa Petrobras que deixa-se roubar mas é implacável com todos quantos traem a “omerttá” que se exige dos “da casa” e ousam denunciar de dentro essa bandalheira, como foi o caso dessa Venina Velosa da Fonseca, demitida em 19 de novembro, agora, que está hoje no Valor (íntegra aqui) mostrando farta documentação que prova que todo mundo foi avisado na atual diretoria blindada por dona Dilma desde pelo menos 2008, não só das falcatruas já conhecidas graças à Lava Jato mas também de outras que ela teve oportunidade de descobrir no exílio que pagou em Cingapura por ter insistido candidamente em pedir providências contra a ladroagem a Sérgio Gabrielli, Graça Foster e, finalmente, ao fresquíssimo Jose Carlos Cosenza, substituto de Paulo Roberto Costa.

a4

A história dela é de longe a mais arrasadora publicada até agora pois dá provas de como os criminosos não apenas perseveraram no crime como desdobraram-se em mais e mais manobras para seguir praticando-os enquanto a polícia corria atrás deles, o Ministério Público estava enfiado dentro da empresa e o país “se convulsionava”, para usarmos a expressão do Procurador Geral, Rodrigo Janot, com o que lhe ia sendo dado a conhecer.

Para a denunciante, abordagens na rua, à noite, “arma na cabeça“, ameaças à sua vida e às de suas filhas…

Não ha limites para essa gente e nada autoriza ilusões quanto a que tipo de afronta às instituições e ao próprio regime eles serão capazes de recorrer para continuar eternamente em condições de se lambuzar.

a8

Daí o grau de alarme que me sobe ao constatar que todos os vícios e mentiras fundamentais do “sistema” que roubou o futuro à minha geração aparecem reafirmados, de alguma forma, neste que tantos querem que venha a ser o ataque que finalmente lhe quebrará as pernas.

Estão lá, indisfarçavelmente presentes, não só no que vem das autoridades judiciárias envolvidas mas também no modo como a imprensa descreve o que se tem passado, um ranço primitivo de “luta de classes” no tratamento inversamente “privilegiado” dispensado aos empreiteiros ladrões face aos políticos e funcionários ladrões ainda que estejam todos democraticamente irmanados no mesmíssimo crime; está lá a intocabilidade dos amigos do rei transfigurada no absoluto silêncio em relação aos políticos de cujos proventos os empreiteiros faturam meras comissões; está lá o privilégio dos amigos dos amigos do rei na persistente blindagem dos funcionários envolvidos, exceção feita aos “traidores” que denunciam a roubalheira que, estes sim, são execrados e punidos.

a9

Resume todos esses maus sinais a severidade dos juízes e procuradores autorizados a lidar com a “gentalha” aqui de fora do Estado posta ao lado do silêncio obsequioso, só interrompido por ordens de soltura e proibições de acesso aos fatos, dos juízes encarregados de julgar e acusar as “excelências”, ou seja, os pau-mandantes sem o comando dos quais rigorosamente nada desse monumento ao escracho poderia sequer sonhar com instalar-se no seio da República e em todas as intersecções dela com o dinheiro grosso.

E tudo isso apesar de já nem os “da casa” merecerem o perdão dos ladrões pois há ramos da quadrilha situados nas mais altas instâncias do partido no poder especializados em roubar a poupança dos funcionários aposentados depositadas em fundos de pensão, em golpear empregados do Estado cooperados para comprar casa própria e até, em tungar antigos “sem-terra” contemplados com lotes que hoje estão no meio de áreas valorizadas.

Tudo isso o país e sua imprensa tragam, não direi já sem o escândalo que seria de esperar, mas sem sequer identificar tais “nuances” claramente como o que são, o que autoriza os criminosos a negar o crime diante da prova do crime ou até, a apresentar a prova do seu próprio crime como uma espécie de álibi, como se estivéssemos todos mergulhados num sonho sem nenhum sentido.

a10

Sim, ok, dizem que a coisa virá por etapas sucessivas e que chegará a vez das matrizes depois da execração pública e das condenações das filiais, e eu acredito mesmo que entre os supostos paladinos do MP haja paladinos de fato. Mas a persistência desse “respeito” a essa hierarquia dos bandalhos não me desce pela garganta sem engasgar. Não é tanto a defesa intransigente dos diretores que se deixaram roubar porque isso é bandido segurando as pontas de bandido. Mas é o condenado que continua sendo “excelência” até durante as seções de acusação e a leitura da sentença; é essa rigorosa “ordem na fila” dos bandidos segundo a sua “estirpe”, como nos tempos do feudalismo, que me dizem que os poucos meses de prisão para os zés dirceus e genoínos contra os 40 anos dos marcos valérios podem não ser a última bofetada na cara dos brasileiros que ganham o pão com o suor do seu rosto.

Queira deus, mesmo não sendo brasileiro como já provou que não é, que desta vez eu esteja errado!

a3

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 2.227 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: