O debate da Band

27 de agosto de 2014 § 6 Comentários

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Aécio Neves foi brilhante em todas as respostas que deu de improviso.

É autêntico, elegante, tem senso de humor, acredita no que está dizendo e tem conhecimento de causa de sobra para ensacar todos os outros contendores juntos sem parecer arrogante por isso.

Mas temo que tenha posto tudo isso a perder no seu minuto e meio final quando pos todos os seus talentos de lado, cedeu aos marqueteiros e baixou os olhos tres ou quatro vezes como se estivesse lendo o que eles escreveram para ele dizer.

TV é olho e coração, muito mais que ouvido e cérebro…

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Aécio faria muito bem, aliás, se dispensasse esses marqueteiros que, depois do debate ficou mais que provado, têm feito ele parecer muito menos do que é nos filmes da campanha.

Ele é de longe o melhor candidato para este momento do Brasil mas é, também, a candidatura da racionalidade, coisa a que este país sempre resiste mesmo quando ela não é atingida por um avião carregado de emoções em pleno voo.

Marina Silva se estrumbica sempre que tem de dizer algo sobre qualquer coisa que não seja ela própria. Mas vence tudo isso pela humildade de admitir suas limitações e pela inteligência de propor-se a incorporar tudo que os melhores já fizeram ou lhe oferecerem de bom, venha de onde vier.

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Isso não resolve todos os problemas de pilotar um país continental e complicado como poucos antes mesmo de tirar carta de arraes amador mas, sem ter sequer de mencionar-lhe o nome, fulmina o PT com o seu sectarismo carregado de bilis e com a sua permanente semeadura de ódios.

O PT é a conflagração pela conflagração: entre os “bons” e os “maus”, os ricos e os pobres, os brancos e os negros, os ilustrados e os não ilustrados, os hetero e os homossexuais e o que mais o partido conseguir catar por aí de pares que possam ser insuflados um contra o outro.

Marina propõe a união nacional, tema que pode e deve ser copiado com a maior ênfase possível, mesmo porque quem ganhar, se não for o PT, terá de se haver com a fúria dos “donos” do Estado brasileiro de quem se vai tirar o doce de dentro da goela.

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A tendência declinante da economia brasileira tem raízes estruturais que a esbórnia petista aprofundou e vai ser parada roxa revertê-la. Tão roxa que se o Estado (isto é, a “militância”) peitar o Brasil no meio da sua luta para não se afogar, talvez cheguemos mais cedo do que seria de esperar ao duelo final que vai ter de acontecer um dia para que este país saia, finalmente, do passado, e possa começar a olhar para o futuro.

Seria até bom. Melhor que deixar o país se arrastar por mais uma geração na mesma lenga-lenga em que a minha teve de chafurdar.

Deixei a Dilma por último porque é esta a colocação em que o debate a deixou. Ela confirmou ao longo do programa inteiro ser o desastre que se conhece, de execução e de comunicação. De modo que se não estivesse pendente da perspectiva de Lula assumir o lugar dela até 20 dias antes do 1º turno (15 de setembro), o Brasil, pelo menos quanto à perspectiva de permanência no campo democrático do qual só ele tem força para nos expulsar, poderia dormir tranquilo.

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A força da mentira por omissão

25 de agosto de 2014 § 3 Comentários

a4O Secretario Nacional de Finanças do PT, João Vaccari Neto, “esteve várias vezes na sede da CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios, do doleiro Alberto Youssef, para tratar de operações com fundos de pensões” e de outras falcatruas, contou o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado pela Policia Federal como laranja de Youssef e do deputado federal Carlos Janene, morto em 2010, depois de fazer acordo de delação premiada. Ele está preso desde março pela Operção Lava Jato, acusado de remessas ilegais do Laboratório Labogen, aquele atraves do qual o deputado Andre Vargas, do PT do Parana, em conluio com o Ministério da Saude do atual candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, tungava dinheiro de remédio de pobre.

A denuncia da Policia Federal publicada no Estadão de hoje não para aí. Tem mais um monte de gente e de falcatruas mencionadas, desde irmãos de ministros (o do Negromonte, das Cidades, aquela celebridade das nossas páginas policiais) carregando “malas de dinheiro” com Youssef para o exterior, até o próprio doleiro se fazendo “herdeiro” não testamentado do falecido Janene, embolsando o que ele tinha escondido para si em contas estrangeiras.

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João Vaccari Neto, recorde-se, não era um “ficha limpa” antes dessa denuncia. O Secretário Nacional de Finanças do partido da presidente da Republica candidata à reeleição é réu de ação criminal por “formação de quadrilha, estelionato e lavagem de dinheiro” relacionadas ao desvio de R$ 70 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários que foi de onde ele saltou para onde está hoje. E a empresa citada de Youssef é a mesma que, de novo segundo a Polícia Federal, foi usada para lavar R$ 1,6 milhão do mensalão.

Nos filmes da mafia que a gente assistia antigamente a trama frequentemente acabava quando a policia pegava os livros dos tesoureiros do crime organizado mostrando quem dava dinheiro pra quem e, em cima dessa prova, a corja toda ia em cana.

Aqui nem assim…

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Ta aí em cima um pouquinho do que a PF já sabe sobe o Secretário Nacional de Finanças do PT. Já a “caderneta” de falcatruas de Paulo Roberto Costa, o  rapelador da Petrobras, onde constam, entre outros, todos os grandes doadores da campanha da ministra Gleisi Hoffman, da Casa Civil, também esta publicada ha meses na internet (examine-a, página por página, neste link) com todos os nomes, endreços e valores que ele andou distribuindo e lavando de e para deus e todo mundo, e não rola nada.

Agora, Graça Foster é flagrada passando seus bens pros filhos com registro em cartorio assim que se viu ameaçada de te-los bloqueados pela Justiça e a presidente da Republica, em plena campanha eleitoral, vem em seu socorro gritando “factoide” e vai pra televisão pra dizer, em peças publicitárias pagas pelas próprias vítimas da mentiraiada, que está salvando a pátria e que a presidente da Petrobras, com seu marido de 42 contratos, 20 sem licitação, é uma das que mais a tem ajudado nisso.

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Como é que tudo isso se tornou possível? Porque a mentira se impõe ao Brasil tão implacavel e inexoravelmente?

Isso vem de longe como já se explicou em vários outros artigos aqui no Vespeiro. A Contrareforma, a Inquisição, o monopólio da educação jesuíta especializada em enquadrar qualquer fato à “explicação” pré-fabricada da única fé admitida por 400 anos, o absolutismo monárquico e a escravidão, tudo isso justificando a mentira como um imperativo de sobrevivência de quem podia ir pra fogueira acusado de ter pensado errado (não precisava agir) ou pro poste mesmo sem ser acusado de nada, fizeram-nos “sentir confortaveis demais dentro da mentira”, como dizia Octavio Paz.

Tudo isso preparou bem o caminho. Mas agora a coisa degringolou de vez. Se antes, pelo menos, todo mundo sabia que a mentira era mentira, agora nem isso mais.

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O que foi que mudou nessa última quadra da nossa via crucis, especialmente nesses últimos 12 anos?

Mudou especialmente a imprensa. Ela permitiu que à mentira por ação dos políticos, viesse se somar a mentira por omissão que tem sido a sua. E o vaso, que já andava repleto, transbordou.

Com a ocupação gramsciana das escolas pelo pensamento único dos inimigos da dúvida, da tolerância e da verdade, especialmente as de jornalismo (e não é por acaso que uma das cláusulas pétreas da “patrulha” é obrigar todo jornalista a passar por “escolas de jornalismo” controladas por eles pra ter a cebecinha feita do jeito que melhor lhes convém), uma nova “ética jornalística” que é a exata negação não só do jornalismo democrático mas da própria ética jornalística sem aspas foi martelada pra dentro das cabeças que hoje povoam as redações, especialmente as de certas chefias.

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Segundo essa norma, a imprensa se obriga apenas a reagir. Não se proibe apenas de pensar com a própria cabeça fora das páginas segregadas de opinião: proíbe-se até de reagir à mentira na hora que se depara com ela, não porque seja uma “questão de opinião” reagir a uma mentira separada da verdade frequentemente apenas por um par de minutos ou menos, mas porque a imprensa que a “patrulha” quer não se coloca como uma interlocutora das suas “fontes”; obriga-se a ser apenas a amplificadora ou a divulgadora “neutra” de uma discussão de que ela não está autorizada a participar nem nos níveis mais elementares do exercício do raciocínio.

Essa imprensa esqueceu-se do porque dela estar formalmente mandatada, em toda democracia digna do nome, como o Quarto Poder, encarregado de agir e reagir, em nome da cidadania, como ela própria ou qualquer outro ser humano normal reagiria diante dos seus representantes eleitos ao tomar uma desaforada mentira em plena cara.

Não a imprensa brasileira! Exige-se hoje do reporter que atue como um mero gravador com pernas e do produto jornalístico como um todo que nunca afirme ou permita que alguém afirme uma verdade, por mais evidente que ela seja, em seu canal, sem por ao seu lado um mentiroso para nega-la, por mais antiga, conhecida e consagrada como tal que seja a mentira por ele reafirmada.

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Assim, quando alguém mente na cara de um repórter brasileiro tudo que lhe resta fazer, ainda que seja honesto, é ficar esperando que alguém mais, presente na mesma entrevista, se houver, denuncie a mentira pir ele, ou que algum adversário do mentiroso ligue pra redação e peça outro reporter pra acusar o cara de estar mentindo. Ou, ainda, chamar um “especialista” para por na boca dele o que ele, repórter, gostaria de retrucar ao mentiroso, o que abre um enorme território para a falsificação e para a multiplicação da mentira pelo expediente de convocar o “especialista” que o jornalista desonesto (que os ha, e muitos, como em toda profissão, ao lado dos apenas desorientados ou dos reprimidos) já sabe que irá corroborar a mentira para torná-la mais crível.

Ele mesmo, reporter, esta proibido de desmascarar a mentira na hora com uma pergunta, com a lembrança de um fato de ontem ou confrontando o mentiroso com suas próprias ações e declarações anteriores.

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Por exemplo, quando Dilma diz que a roubalheira na Petrobras é um “factóide” (eufemismo para “invenção desonesta da imprensa”) e que estão fritando a Graça Foster por pura perseguição ao PT, nem o reporter da própria televisão que descobriu os fatos retruca na hora para lembrar sua excelência, primeiro de que todas as denuncias contra a Petrobras vieram da polícia ou da própria Petrobras e não de alguem de fora, jornalista ou partido de oposição e, segundo, que o fato de Graça Foster ter distribuido seus bens para filhos e outros quando se viu ameaçada de te-los embargados pela Justiça está registrado no cartório “tal” com a data “tal” e não é invenção de ninguém.

Fica no ar, sozinha, a declaração da presidente e um pepino pro ouvinte. Restabelecer a verdade vira, para o distinto público, um daqueles joguinhos de milhares de pares de figurinhas embaralhadas num imenso painel de tempo, cabendo ao leitor e ao telespectador lembrar-se de onde está o par daquela carta falsa que prova que o que a presidente está dizendo é uma grossa e deslavada mentira.

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E ha mais. A imprensa não checa mais o que publica. Como as denuncias lhe chegam na forma de filmes ou gravações que lhes são jogadas no colo, ela sente-se dispensada de outras formas de apuração. Pois não está todo mundo vendo o ladrão em pleno ato? Contenta-se só com o pedaço de informação que recebe e não vai atrás, nem da circunstância que pode esconder muito mais que o que queriam que ela mostrasse (como no caso da reunião para fraudar a CPI da Petrobras: filmada por quem? e por que? quais as relações e conexões dessa pessoa?, etc.), nem, muito menos, da pergunta “porque é que estão querendo que eu mostre isso“?, mesmo o repórter conhecendo as ligações partidárias e/ou as relações e intenções de quem o municiou.

A imprensa está virando um revólver que atira as balas com que lhe recheiam de fora o tambor, sem nenhum controle sobre o que publica e, principalmente, sobre o que deixa de publicar.

Graças a isso tudo vira sempre a palavra de um contra a palavra de outro, sem ninguém que ajude a desempatar isso confrontando fatos ou, partindo deles para desvendar as intenções por trás da divulgação de pedaços de fatos.

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Repita-se isso à exaustão ao longo do tempo e você terá o que temos: não ha mais verdade nem mentira. Nem mesmo candidatos em disputa ousam sequer recorrer ao Youtube para desmentir as mentiras do adversário com as declarações dele próprio que estão lá pra quem quiser ver.

Isso explica por que a nossa democracia deixou de apenas balançar no nosso vício ancestral na mentira e passou a caminhar reto pra mesma lata de lixo onde estão as da Venezuela et caterva enquanto os mentirosos, na maior cara de pau, aparecem na TV posando como o contrário do que são em belas peças publicitárias pagas com o dinheiro dos próprios otários que elas pretendem enganar.

Agora que o PT já fala de peito aberto que se ganhar extingue de vez o jornalismo no Brasil, noto que está havendo um esforço para romper a censura que se esconde por trás dessa pseudo “ética” imposta às redações por figurinhas carta-marcada que existem em todas elas e que, dos donos da mídia para baixo todo mundo sabe quais são, e alguns jornalistas honestos antes encurralados por ela, começam a poder reagir e fazer as perguntas que todo ouvinte ou leitor faria ao ter sua inteligência agredida por mentiras tão grosseiramente patentes que ouví-las calado transforma-se, ou numa confissão, ou numa ofensa.

a1Resta saber se já não é tarde demais.

Joseph Pulitzer, célebre jornalista americano do começo do século 20 que empresta seu nome ao maior prêmio de jornalismo que se concede naquele país, dizia que “Nossa Republica e sua imprensa vão se consolidar ou desaparecer juntas. O poder de moldar o futuro da democracia estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações”.

É isso mesmo.

O que aconteceu com o jornalismo brasileiro, da resistência à censura que matou uma ditadura até este que se auto impõe uma forma insidiosa dela velha demais para enganar quem quer que seja “do ramo“, permite reciclar essa mesma ideia numa nova formulação. “É impossível matar mesmo uma democracia muito imperfeita se sua imprensa estiver minimamente sudavel. Assim, se uma democracia estiver dando sinais irreversíveis de que está caminhando para a morte é porque sua imprensa já tinha morrido antes dela”.

Esta eleição vai definir exatamente qual é o caso.

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Questão de perspectiva

23 de agosto de 2014 § 7 Comentários

Que tal mudar a mudança?

22 de agosto de 2014 § 6 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 22 de agosto de 2014

Passados nove dias da morte de Eduardo Campos em que a imprensa serviu doses maciças de revisões e análises da crucial eleição de 2014 onde todos se apresentam como representantes da “mudança”, nenhum fato que possa servir de referência foi fincado fora do terreno pantanoso da propaganda em que tudo continua boiando para balizar a eleição por esse critério que a unanimidade dos candidatos adicionou pelo menos ao rótulo da embalagem com que se apresenta ao público.

Mudança em relação a quê?

Desde as ruas de 2013 não ha político nem marqueteiro que tenha conseguido formular qualquer coisa de convincente.

Mas existe uma chave para esse mistério. A única mudança que não merece aspas nem é unanimidade entre todas as que aparecem nas propostas dos candidatos é aquela que, inexplicavelmente, menos para os seus protagonistas, ninguém menciona.

Mais do que propor, o partido de Dilma Rousseff impôs à mesa a carta de uma mudança daquelas que é para ser infinita enquanto durar. Continua em vigor, fazendo tres meses agora, o Decreto Presidencial nº 8243, de 25 de maio de 2014, assinado por ela, que revoga o sistema representativo eleito pelo voto universal e tira do Congresso Nacional as prerrogativas que são exclusivas dele numa democracia.

Não foi a única tentativa. Mas entre esta e a primeira muito mais coisa mudou no Brasil do que a incorporação de suites especiais ao Presídio da Papuda.

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A medida da gravidade da intoxicação que acomete o país não está no fato do PT ter apresentado uma nova modelagem do seu DNA antidemocrático desde sempre conhecido mas sim na enormidade que é, depois de impo-lo ao Brasil na forma de um édito de sua majestade em pleno Terceiro Milênio ele não ter sido mencionado uma única vez em todo o debate eleitoral, nem pelos candidatos, uns interpelando os outros, nem pela imprensa cobrando de cada um que se posicione em relação a ele.

Quem, afinal, está em desacordo com isso?

A docilidade com que o Poder Legislativo segue permitindo que o seu pescoço permaneça acomodado no cêpo de uma guilhotina com a lâmina já destravada, posto que decretada e não meramente proposta a execução está, é de arrepiar os cabelos.

O Congresso Nacional, vá lá, é o que foi feito dele. Mas sendo ainda uma criatura da democracia, sempre acaba dando sinais de vida desde que a imprensa cumpra a sua função de fustigá-lo com os necessários rigor e pertinácia, tanto que esboçou reação antes que a Copa esvaziasse a pressão.

É assim mesmo que funciona.

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Perseguir a corrupção faz, sim, parte do “metier”. Mas o tema da quantidade de máculas carregada por cada candidato num quadro institucional que não admite trânsito isento de vício é insuficiente para criar uma distinção livre de argumentações teóricas desviantes, ainda que as diferenças de grau possíveis nesse quesito e suas funestas consequências sejam as que se conhece. Essa linha de ação, portanto, mais serve para igualar coisas que são diferentes do que ajuda o eleitor a diferenciá-las. Não é por acaso que o “Eu sou, mas quem não é”? foi transformado, desde a segunda semana do Mensalão, praticamente na divisa armorial do brasão do lulismo.

Ha valores muito mais importantes em jogo. E, no entanto, Eduardo Campos morreu a 53 dias da decisão sem nunca ter sido instado a nos contar como se posicionava diante deste édito tão cheio de consequências definitivas da contendora de quem já tinha sido um aliado e um servidor. No país dos 30 e tantos partidos políticos, quase todos “socialistas”, aliás, qual seria a diferença entre o “socialismo” do PT, o “socialismo” de Eduardo Campos e o “socialismo” de Marina Silva?

Ninguém disse nem jamais foi-lhes perguntado.

O de Aécio Neves declara-se formalmente “democrático”, “social democracia” que seria. Mas, mesmo a ele, como aos demais, não conviria peguntar diretamente, olho no olho do eleitor, como se posicionam em relação ao menos a algumas daquelas 521 alterações na Constituição da Republica que integram o “Plano Nacional de Direitos Humanos”, programa oficial de governo do PT que, segundo a nova “Política Nacional de Participação Social” decretada pelo Palácio, passarão a ser implementadas ou não segundo o que for decidido entre o presidente e os “movimentos sociais” que o Secretário Geral da Presidência houver por bem selecionar?

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Concordam, por exemplo, que todos os professores e alunos do país sejam submetidos a um programa de reeducação para entender qual a nova interpretação que o governo exige que se aceite em ordem unida, do conceito de direitos humanos? Estão de acordo com que a confirmação ou não da posse de propriedades rurais ou urbanas invadidas deva sair das mãos do Poder Judiciário e passar às dos “movimentos sociais” que tomarem a iniciativa de invadí-las? Que todas as polícias do país passem a depender e obedecer exclusivamente ao presidente? Que os ungidos do senhor secretário passem a determinar que leis os representantes eleitos de todos os brasileiros poderão examinar, o que cada um de nós poderá ou não ler e a imprensa publicar?

E à própria candidata à reeleição, não cabe pedir que nos explique, ponto por ponto, por qual tipo de matemática pode-se demonstrar ao eleitor que as novas Organizações Não Governamentais Organizadas pelo Governo (ONGOGs) o representam melhor que o representante em quem ele votou?

É da permanência ou não do Brasil no campo democrático que se trata. Ha 12 anos o país tem vivido num empurra-empurra para fora, mediante todo tipo de expediente tipificado ou não no Código Penal, e de volta para dentro dele na undécima hora, e é isto que explica porque está ficando tão difícil trabalhar aqui. E a cada tentativa abortada o elemento de resistência tem sido sumariamente eliminado, tenha o peso institucional que tiver. O que esta eleição pode mudar é acabar de uma vez por todas com esse tipo de mudança, reverter os pedaços dela que nos foram impingidos ilegalmente e reafirmar como indestrutível o pacto deste país com a democracia para que todos possamos recomeçar a trabalhar em paz.

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Tirou a polícia? Olha aí…

21 de agosto de 2014 § 8 Comentários

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O “disengagement” é um sonho impossível.

Olha só o que o Obama envelheceu depois que tentou sair fora e deixar rolar. Olha só no que deu: de volta pro século 7!

A internet garante a metástese das piores doenças do mundo. E à jato.

Amoleceu, nesses tempos de black blocs, criou o Putin “novo”, o Hamas renascido e esse Isil que, do jeito que vai, ainda consegue a proeza de unificar o mundo árabe…

Vem mais por aí, ao vivo e em cores como é hoje em dia. Tacam a sangüeira na sua cara; no quarto do seu bebê.

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Antes da globalização tudo que restava às bestas feras nascidas em meio ambientes desfavoráveis à expansão da selvageria risonha e franca era comprar uma metranca e fazer um strike até onde as balas alcançassem no espacinho de tempo que levava antes que tomassem aquilo que merecem pelo meio da cara.

Agora podem se congraçar virtualmente, todas as do mundo, e combinar banhos de sangue coletivos e festas de horror “multiculturais” contra gente pobre e sem defesa nos grotões do planeta, inextinguíveis com um único tiro da swat.

Pois nós mesmos não temos o nosso uspiano entediado com bombas de arrancar cabeça de cinegrafista anunciando que agora vai se juntar aos black blocs do Putin, na Ucrânia, que têm bombas mais divertidas, de derrubar Boeing cheio de gente? São esses caras que estão dando aulas pros nossos filhos.

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Isso sem contar os 57 mil mortos por ano da nossa guerrinha “maquiada” que não entra em trégua porque não deixam.

Não ha como escapar. A civilização não dura 10 minutos sem a presença da polícia e a ONU e o seu Conselho de Segurança são só mais uma instituição com regras democráticas nas mãos de uma maioria que não é democrática. Nós estamos carecas de saber como é isso.

Não funciona! E custa genocídio atrás de genocídio. A vista ou a prazo não faz grande diferença.

Quando o que vem do outro lado é tiro, é degola, é bomba, com risco de ser atômica, não tem outro jeito: os únicos que podem e têm recursos e tecnologia para isso estão condenados a ser a policia do mundo. É insuportável pro raciocínio mas é assim porque raciocionalidade é uma rara exceção na alcatéia humana. Cada vez que esquecerem disso e fugirem desse dever a História se repetirá. E se demorar o Hitler da vez acabará dentro da casa deles.

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Dilma + Graça + Colin: pesquisa rápida

21 de agosto de 2014 § 6 Comentários

 

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Factóide“?

Graça Foster não cometeu nenhuma irregularidade”? 

Reveja os fatos e tire suas próprias conclusões:

1978 – Graça Foster entra na Petrobras como etagiária

1981 – Graça e Colin Foster começam a namorar e logo (“nos anos 80”) ele funda a Colin Foster Serviços e Equipamentos para atender à Petrobras

1993 – Dilma Vana Rousseff torna-se Secretária de Minas e Energia e Comunicações (estranha combinação!) no governo de Alceu Colares do PDT do Rio Grande do Sul.

1994 – É desse ano o primeiro contrato da Colin com a Petrobras denunciado em 2004 por gente da própria estatal, alvo de um inquérito interno ordenado por Jose Dirceu, junto com outro contrato do ano 2000

1998 – Dilma volta a ocupar a Secretaria de Minas e Energia, agora no governo de Olívio Dutra. Graça Foster é gerente do Centro de pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras. As duas discutem o pleito de Dilma para trazer para o Sul do país um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia

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2001 – Dilma sai do PTB e entra no PT

2003 – A conselho de Dilma, agora ministra de Minas e Energia de Lula, Graça Foster troca o Rio de Janeiro por Brasília e começa a ascender na Petrobras; vira diretora da Petroquisa e depois da BR Distribuidora

2004 – Graça Foster é denunciada dentro da Petrobras pelos contratos de seu marido e Jose Dirceu, na Casa Civil, ordena inquérito

2005 – Dilma se torna ministra da Casa Civil (Mensalão) e é a presidente do Conselho de Administração da Petrobras

2005 – A Astra Oil, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por 42,5 milhões de dolares

2006 – A Petrobras paga 360 milhões de dolares por 50% da mesma refinaria e compromete-se a comprar a outra metade mais adiante

2005 a 2007 – Só um contrato, sem licitção, entre a Colin e a Petrobras é mencionado

2007 – Graça se torna titular da Diretoria de Gas e Energia da Petrobras. Dessa data até 2010 a estatal assina 43 contartos com a Colin, 20 sem licitação

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2009 – Dilma entra em choque com Marina Silva, do Meio Ambiente, que deixa o governo do PT

2010 – Dilma é candidata a presidente

2010 – A loja maçônica de Colin Foster faz evento internacional em Brasilia com presenca dos granadeiros da Guarda Presidencial e música da Banda do Batalhão da Guarda Presidencial

2012 – A Petrobras perde ação nos EUA e paga 820 milhões pela outra metade de Pasadena

2012 – Dilma atrita-se com Sergio Gabrielli e nomeia Graça Foster presidente da Petrobras

2013 – O Esatdo de S. Paulo revela o Caso Pasadena

2014 (junho) – Policia Federal prende Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de abastecimento da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef acusados de lavar 10 bilhões de reais surrupiados da Petrobras. O Congresso abre CPI sobre a Petrobras mas o PT consegue controlar todos os postos-chave

2014 (agosto) – Funcionários da Petrobras filmam reunião para fraudar a CPI e Veja revela o filme

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Abaixo, seguem exertos das principais matérias que geraram esta cronologia, e links com detalhes interessantes:

14/11/2010

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1411201002.htm

A Folha denuncia as relações da empresa do marido de Graça Foster com a Petrobras.

17 de novembro de 2010

http://www.alertatotal.net/2010/11/ingleses-identificam-jose-dirceu-como.html

Colin Foster é Grão-Mestre Distrital da Divisão Norte da Grande Loja Unida da Inglaterra, cujo “Grand Master” é o Príncipe Edward George Nicholas Paul Patrick – primo da Rainha Elisabeth. Quem comanda a Grande Loja Unida da Inglaterra, junto com o príncipe, é Peter Lowndes membro do Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS).

O problema é que Maria da Graça Foster é cotada para assumir a Casa Civil ou até a presidência da Petrobrás, onde é empregada de carreira. Por isso, seu marido maçom virou alvo do “fogo amigo” do PT na disputa por espaço de poder.

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(…)

notinhas e reportagens plantadas na mídia amestrada pelo esquema de José Dirceu. O controlador do PT não quer Graça forte junto a Dilma (…)

Maçom prestigiado

Na Maçonaria, o marido da Graça tem prestígio.

No ultimo dia 15 de maio de 2010, na sede do Grande Oriente do Brasil, em Brasília, foram comemorados os 75 anos do Tratado entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e o Grande Oriente do Brasil.

O acordo foi assinado em 6 de maio de 1935, embora as relações formais entre a Maçonaria Inglesa e o GOB datem de janeiro de 1880.

Big Brother

A sessão publica de comemoração contou com a presença dos granadeiros da guarda presidencial e banda do batalhão da guarda presidencial que executou o hino nacional brasileiro.

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Na cerimônia, Colin mostrou uma jóia de membro efetivo da Loja Morro Velho, de Minas Gerais, confeccionada em ouro e diamantes retirados da mina Morro Velho em Minas Gerais.

De Marcos José da Silva, Grão-mestre-geral da mais antiga potência maçônica brasileira, o “brother” Colin recebeu a Medalha Cruz da Perfeição Maçônica.

15 de fevereiro de 2012

http://rudaricci.blogspot.com.br/2012/02/presidente-da-petrobras-e-seu-marido.html

A Petrobras reafirma que 20 compras foram feitas por dispensa de licitação, pois os valores foram abaixo de R$ 10 mil. As demais foram feitas por meio de processo licitatório (…)

24 de janeiro de 2012

http://www.implicante.org/noticias/marido-da-nova-presidente-da-petrobras-tem-42-contratos-com-a-estatal-20-deles-sem-licitacao/

Graça Foster é funcionária de carreira. Começou como estagiária em 1978 e ocupou cargos gerenciais na estatal antes do governo Lula (2003-2010).

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(…)

foi pelas mãos da então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, que, no começo de 2003, trocou o Rio de Janeiro por Brasília e começou a alçar voos maiores na sua trajetória profissional.

A aproximação profissional ocorreu quando Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul (1999-2002) e ambas tratavam sobre o gasoduto Bolívia-Brasil. A então secretária queria um ramal adicional do duto para atender ao sul do Estado, mas ouviu um não como resposta da então gerente da estatal.

Nem por isso, a amizade deixou de prosperar. Graça filiou-se ao PT e engajou-se na campanha de Dilma à presidência. Tem três estrelas tatuadas no antebraço esquerdo, duas delas vermelhas.

No período em que Dilma esteve no Ministério de Minas e Energia, Graça Foster foi secretária de Petróleo e Gás. De volta ao Rio de Janeiro, em 2005, dirigiu as subsidiárias Petroquisa e a BR Distribuidora.

a00023/01/2012

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/maria-das-gracas-foster/

Dilma nunca gostou de José Sérgio Gabrielli. Tentava ter controle da empresa desde que era ministra das Minas e Energia e nunca conseguiu. Na chefia da Casa Civil, como a tal gerentona, seguiu no mesmo esforço, também inútil. Gabrielli tinha e tem um padrinho muito forte: Luiz Inácio Lula da Silva.

(…)

Quando ministra, Dilma reclamava que não conseguia ter acesso a dados da empresa que considerava essenciais à sua atividade.

05/08/2014

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/reuniao-sobre-cpi-ocorreu-na-sede-da-petrobras-no-df

Encontro para fraudar a CPI gravado em vídeo, e revelado por VEJA, se deu em sala de reuniões que integra o gabinete da presidente da estatal – e à qual só tem acesso a alta cúpula da companhia.

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21.08.2014

http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2014/08/21/graca-foster-cervero-doacoes-polemicas-546765.asp

O TCU suspendeu ontem à tarde a votação sobre o bloqueio dos bens de Graça Foster

(…)

O ministro José Jorge suspendeu o processo, com a promessa de recolocá-lo em pauta na sessão da próxima quarta-feira

(…)

O ministro Walton Alencar ainda proferia seu voto quando José Jorge se levantou para conversar com outros ministros. Minutos depois, o ministro André Luís de Carvalho sugeriu que a sessão fosse suspensa. José Jorge leu, então, o título da reportagem veiculada pelo GLOBO na internet.
Sentado na primeira fila do plenário, Adams foi à tribuna e defendeu a continuidade do julgamento.

(…)

são “jogadas de forma midiática, sem nenhuma consistência

(…)

No início da noite, a Petrobras divulgou nota:

http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/esclarecimento-sobre-movimentacao-patrimonial.htm

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Deus, o diabo, Eduardo e a Democracia Brasileira

15 de agosto de 2014 § 3 Comentários

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É uma espécie de sina e frequentemente é em agosto: a morte entra em cena e joga espalhafatosamente no palco uma forte perturbação emocional nos momentos em que o Brasil mais precisa de racionalidade e serenidade para tomar decisões que podem selar o seu destino por décadas adiante.

Deus (ou o diabo) sempre estiveram nos detalhes, como diz o sábio ditado, e na política brasileira que não permite trânsito totalmente fora do vício, mais que no resto, o que separa o ruim do muito pior, especialmente a esta distância que chegamos do abismo a partir do qual não ha volta é, do ponto de vista da lógica argumentativa dos amigos da confusão, só uma fímbria, embora todo mundo de boa fé e com alguma memória saiba que é um pouco mais que isso. O tanto pouco que põe a diferença no gabarito do detalhe, este que bota deus de um lado e o diabo do outro.

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Eduardo Campos não fez atoa a mesma trajetória de Marina de dentro para fora de um PT que, a cada um em seu momento, passou a parecer impossível de tragar. Os dois enxergavam claramente, portanto, a diferença entre a fímbria e o detalhe que, para o Brasil desta eleição, pode significar continuar dentro ou saltar para fora do campo democrático.

A partir do exato momento em que foi tragado pela tragédia, porém, Eduardo deixou de ser o que foi não apenas como entidade física mas como realidade histórica. Passou para a dimensão dos mitos onde a racionalidade não entra e espargiu uma dose desse embralhador de idéias no ar que esta eleição vai respirar.

É possível que isso ajude aqueles a quem interessa demonstrar que não ha detalhe que permita separar joio e trigo, só ha fímbria que não distingue ninguém de ninguém.

a8

Marina Silva passa a ser a chave desse enigma e do futuro da democracia no Brasil. Eduardo feito mito deixa uma herança eleitoral maior que a que tinha amealhado vivo. E ela, que provou força insuspeitada quando oferecia a certeza de ser só o voto de protesto, com que força eleitoral ressurgirá neste país tão dado a misticismos agora que foi tocada pelo além? Ela, que já quase foi e já quase deixou de ser por ausência de carisma pessoal, como se reconstituirá na nova entidade que emergirá dessa tragédia?

Lula já começou a trabalhar os sobreviventes do Partido Socialista Brasileiro, século 20 e antidemocráticos como ele, que sempre se sentiram ameaçados por Eduardo, “O Novo”, e nunca engoliram Marina que tem vida própria e está lá só de carona. Têm medo que, Marina crescendo, eles é que se tornem os caronas.

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Seu objetivo é anular a candidatura que possa vir pelo PSB, seja a de Marina ou outra (possibilidade desde já remotíssima), porque as duas roubam votos do PT, a de Marina mais que qualquer outra. Um PSB sem candidato é o seu sonho de verão porque os votos desse grupo tendem a ir para o PT mais que para Aécio, que estava no melhor dos mundos com um Eduardo que ajudava a roubar os votos que o levariam ao segundo turno mas não ameaçava a sua liderança no segundo lugar.

Agora Aécio, que também não tem “it” que chegue para eleger-se só com isso e pendura suas esperanças num voto estritamente racional, torce por Marina mas não muito, porque pode ser ela, e não ele, a ir para o segundo turno contra Dilma. E se for isso que estiver pintando nas pesquisas, Lula sempre poderá, até 20 dias antes da eleição, derrubar o “poste” e ir ele para a disputa.

O detalhe do detalhe nunca foi tão definitivamente importante quanto nesta eleição. Mas a emoção — que só Marina terá o condão de dissipar se mostrar-se grande o bastante para isso — torna bem mais difícil discerni-lo.

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