A verdade sobre a CoronaVac

8 de janeiro de 2021 § 5 Comentários

Depois de muitas idas e vindas o governador João Dória anunciou finalmente, ontem, os resultados da 3a fase de testes da CoronaVac chinesa. Num discurso diferente do que se tem ouvido sobre outras vacinas pelo mundo afora ele e seus assessores mais o pessoal do Butantan disseram que “a vacina tem 100% de eficácia para casos graves e moderados, evitou 100% de internações hospitalares e demonstrou 78% de eficácia para casos leves”.

Consultei um médico brasileiro que divide seu tempo entre Brasil e Estados Unidos onde dá aulas em universidades renomadas para entender melhor o pouco misterioso mistério dessa conversa. 

“Só a ultima parte dela é verdadeira”, disse ele, ressalvando que ainda não teve acesso aos dados da pesquisa. “A vacina demonstrou 78% de eficácia nos 12.476 voluntários nos quais o Butantan a aplicou, o que é um ótimo resultado dadas as circunstâncias. Mas de cada 100 voluntários, 22 contraíram assim mesmo o Covid 19. Afirmar que desses 22 nenhum teve a forma grave da doença ou precisou ser hospitalizado tem tanto significado científico quanto afirmar que a vacina é 100% eficaz para quem tem olhos verdes porque nenhum dos 22 que contraíram o vírus depois de vacinados tem olhos verdes. Isso não tem nada a ver com a vacina. É impossível afirmar cientificamente que a vacina tem o efeito de enfraquecer o vírus. O que as vacinas fazem é imunizar ou não imunizar o paciente. E os dados, caso confirmados, mostram que ela imuniza, em média, 78% dos inoculados”.

É o contrário do que tentou sugerir o dr. Dimas Covas, diretor do Butantan, quando afirmou que “A pessoa pode até se infectar mas queremos que a doença não progrida a ponto de precisar ir para o hospital”.

O Butantan, informou a Anvisa, ainda não entregou os dados completos da pesquisa. “O que aconteceu hoje (ontem) foi uma reunião de pre-submissão”. Quando entregar os dados completos a Anvisa, aplicando o rito sumário autorizado pela emergência do momento (lei 13.979), pode aprovar em 10 dias as vacinas que já lhe chegarem com o aval de suas congêneres nos EUA, na Europa, no Japão ou na China.

Dória e o Instituto Butantan tinham marcado a divulgação dos dados da 3a fase da pesquisa para 15 de dezembro passado. Depois adiaram para 23 de dezembro e finalmente para hoje. Nesse meio tempo, dia 21/12, a Anvisa fez uma inspeção à fábrica da CoronaVac na China. E o próprio governo chinês anunciou o início da vacinação no país mas com a concorrente chinesa da CoronaVac, a vacina da Sinopharm, que apresentou 86% de eficácia. Essa sucessão de tropeços já indicavam o que se confirmou. Das vacinas já anunciadas a da Sinovac alcançou os menores níveis de eficácia, junto com a vacina da Oxford, a aposta do governo federal que, no entanto, supera a marca da CoronaVac depois de tomada a segunda dose (sobe de 60% de imunização na primeira para 90% com as duas doses). A vacina da Pfizer afirma ter 96% de eficácia, a da Moderna 94,1% e a russa Sputnik 91,4%. Para a Organização Mundial de Saude qualquer vacina com performance superior a 50% de imunização é considerada eficaz, o que considerados os números de vitimas da pandemia não precisa ser um gênio para entender. A menos que o seu cérebro esteja congestionado pelas toxinas da para sempre interminável eleição brasileira…

PS.: A CoronaVac também passou no teste de segurança. 35% dos voluntários sofreram “efeitos adversos leves” como dor local, inchaço, dor de cabeça e fadiga superados no prazo de 48 horas. Brasil (46 milhões de doses, 6 milhões importadas e 40 milhões feitas no Butantan), China, Indonésia, Turquia e Chile estão na fila dos compradores da CoronaVac.

Para 2021, sonhe com a desconstituinte

8 de janeiro de 2021 § 16 Comentários

O mundo anda desenfreado mas Trump vai ter de esperar. Mesmo com a realidade se despenhando como chicotadas sobre o lombo do Brasil Sem Voz, ainda está em tempo de desejar bons augúrios e fazer planos para o futuro. Não quero abrir o Vespeiro 2021 de outro jeito. Chamem de superstição se quiserem.

No dia em que decidir-se a tanto – e esse dia, cedo ou tarde, chegará – este país se abole da sua escravidão. Como em todas as “viradas” políticas em todos os tempos, precipitar a nossa é só uma questão de  enxergar um novo caminho, primeiro, e de desejar suficientemente andar por ele depois. Ou seja, vai ser preciso vencer a censura e expor sistematicamente por algum tempo à massa dos brasileiros a democracia real em funcionamento com seus fundamentos simples e intuitivos como sempre foram. O “desejá-la suficientemente” acontece como bônus, natural e irrefreavelmente. Democracia real – aquela que se pratica nos estados e nos municípios dos países democráticos – é conhecer e amar, como sabem todos os inimigos dela em todos os tempos. Não é atoa que é mais falsificada que badulaque chinês e que ontem, hoje e amanhã toda ditadura se apoiou, se apoia e se apoiará na censura, custe a violência que custar. 

Os que querem ver um Brasil democrático terão primeiro de criar uma imprensa comprometida com isso, portanto. Mas este não é o assunto de hoje. Para já quero tratar da outra questão que desanima o país de se propor mudar, que é a desafiadora pergunta sobre “como sair desse quadro tão vasto e completo de defeitos sem que o avião, que precisa continuar voando, se estatele de uma vez por todas no chão”?

Sonha-se em voz alta com uma constituinte. Mas a ordem dos fatores é fundamental. É impossível mudar qualquer coisa antes de mudar o poder de mãos. Fazer uma constituinte só vai agravar o quadro pois este é o país onde governos recém eleitos pelos canais viciados do Sistema, os mesmos que elegeriam os delegados constituintes, apunhalam seus eleitores nas costas com a frieza burocrática de Eichman’s em Jerusalém, aumentando violentamente os salários da privilegiatura empanturrada e os impostos sobre comida e remédios do favelão nacional faminto e doente antes mesmo de tomar posse. 

A primeiríssima coisa a fazer, portanto, é por o povo no poder aparelhando-o com as ferramentas básicas da “democracia representativa” como a constituição diz que é a nossa: eleições por voto distrital puro (mais adiante para os funcionários do Judiciário também, juízes inclusive) para que haja representação; com recall, referendo e iniciativa para que a hegemonia do representado sobre o representante possa ser imposta. E então, sim, deixar que o povo brasileiro em pessoa, sem qualquer sombra de duvida de legitimidade, desmonte o sistema que o escravizou na velocidade e na direção que houver por bem fazê-lo.

Como fazer isso passar pelas sucessivas retrancas da privilegiatura, repito, é o de menos. Quando o STF era quase sério cansamos de ver os mesmos juizes, citando as mesmas “doutas”, “saudosas” e “sapientíssimas” fontes, darem 800 páginas de argumentos contra e a favor do mesmíssimo ponto num intervalo de poucos meses. Hoje, vira-se e desvira-se para qualquer lado, a colenda corte, ao sabor das dores nos calos de cada um de seus monocráticos ministros. O essencial, repito, é o povo desejar suficientemente caminhar numa direção e lá virão eles atras se o faro lhes indicar que assim salvam a pele.

O importante, para mudar o Brasil, é não se deixar arrastar para a discussão do sexo dos anjos no debate de cada um dos 357 artigos e emendas da Constituição de 88. As instituições americanas distinguem “direitos negativos” de “direitos positivos”, e estabelecem uma hierarquia entre eles. São “direitos negativos” os que “as pessoas de todos os tempos naturalmente sabem que não devem invadir”. Os que decorrem da inviolabilidade do indivíduo e, portanto, exigem que seu beneficiário não seja sujeitado por atos do governo ou de outras pessoas para te-los satisfeitos. São eles: o direito à vida (e portanto à legitima defesa e à incolumidade do corpo), à liberdade de pensamento (e portanto de crença, de expressão e de livre associação), à propriedade ( ou seja ao produto do esforço individual investido). Só estes, de par com os sete artigos em que definem o regime e as regras de sua subordinação ao povo, são tidos como indiscutíveis e, portanto, estão na constituição federal americana que, por sua vez, condiciona as estaduais e as municipais. É de aferir esse condicionamento, e só de aferir esse condicionamento, diga-se de passagem, que vive o supremo tribunal deles.

São direitos positivos (“artificiais” por oposição ao “naturais” dos negativos) os que requerem aportes de recursos de outras pessoas, diretamente ou através do governo, para que o seu beneficiário possa desfrutá-los: o direito a um determinado padrão de vida, de educação, de moradia, à estabilidade no emprego, a salários e aposentadorias privilegiadas, etc. 

Como todo “direito positivo” viola o “direito negativo” de cada um de não ser expropriado, estes só podem ser instituídos numa democracia mediante o consentimento explícito (no voto) de quem vai pagar por eles. Por isso lá tais direitos só podem ser inscritos em leis e constituições estaduais ou municipais e depois da aprovação, no voto, da comunidade interessada.

O roteiro da nossa desconstituinte tem de ser uma inversão do processo americano. O Brasil é um Benjamin Button institucional: nasceu politicamente senil, estuprado na infância que foi no alvorecer da revolução democrática por uma corte hiper-reacionária que nos invadiu em 1808 para implantar aqui, com as armas da corrupção e as fogueiras da Inquisição a maior de todas as “reformas para trás” que o “mundo europeu” daquela época viu.

Pois é retomar de onde fomos arrancados pelo suplício de Tiradentes e o mais que veio com a Contrarreforma e a Inquisição.

Essa micro-constituição reunindo o mínimo indiscutível – os “direitos negativos” da pessoa, a definição da natureza do regime e os termos e mecanismos de sua dependência de legitimação pelo povo – poderia ter, na história da democracia brasileira, o caráter de “ato fundador” que a Carta Magna teve na da democracia inglesa. Todo o resto do lodo constitucional e legislativo em que o país se debate hoje seria repassado intacto para as constituições estaduais e municipais, ficando então o povo empoderado de cada estado e de cada município, agora sabendo que a conta será de quem os conservar, encarregado de rever cada artigo e cada emenda na velocidade e na profundidade desejadas mediante o uso de referendos ou de novas leis de iniciativa popular em eleições sucessivas, segundo o seu senso de justiça e de oportunidade.

Eu tenho um sonho. Debater e divulgar essa receita é a tarefa de ano novo que sugiro para quem quer um Brasil democrático.

Gigante da floresta

30 de dezembro de 2020 § 14 Comentários

Outro Brasil

29 de dezembro de 2020 § 10 Comentários

26 de dezembro de 2020 § 39 Comentários

Se você tivesse o direito de retomar seu voto como todo eleitor de país democrático, com certeza o sr. Covas e a gangue da assembleia não apunhalavam suas costas e aumentavam os salários da cambada toda no dia seguinte da eleição do ano da pandemia.

Em 2021, escreva: RECALL JÁ!

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