Vale muito a pena ver

2 de abril de 2021 § 5 Comentários

Um pedaço muito bem contado da História do Brasil, a comprovar que não é de hoje que a mentira rege o nosso destino.

Foram eles que demitiram Bolsonaro

31 de março de 2021 § 24 Comentários

Seria Pujol o alvo principal? É provável que a coceira tenha começado aí. Foi ele o primeiro a declarar em alto e bom som que as FA’s não eram “dele”. A resistência à volta de Pazzuello para a ativa teria pesado? 

Cada vez mais acuado, Bolsonaro é homem de ir anotando todas as “ofensas” no caderninho … e de repente, num rompante, botar tudo pra fora da boca, sem, necessariamente, grande participação do cérebro. 

A conta da pandemia é da ordem de vans escolares serem transformadas em carros fúnebres. Na cabeça dele, cada vez mais, o que restava eram os militares. Qualquer defecção era um militar o substituto. Qualquer ameaça, brandia “os meus militares”. Seria porque quisesse “dar golpe” ou porque são as únicas pessoas que mais ou menos conhece? Se era golpe, esqueceu o principal: o mecanismo de eleição dos chefes de cada arma é totalmente blindado contra politicagem.

Agora foi demitido por eles. É o Alto Comando quem lhe manda o bilhete azul. Foram bolsonaristas no inicio mas entenderam que Bolsonaro definitivamente não é o resgate, muito provavelmente é a pá de cal sobre as FA’s na política. “O comandante do Exército não toma decisão sozinho”, disse o general Santos Cruz, o primeiro que ele defenestrou do ministério. “O próprio Eduardo Villas Boas, antes de mandar o tuíte fatídico para o STF que ameaçava dar habeas corpus a Lula consultou o Alto Comando, segundo o livro-depoimento que acaba de ser publicado”. Nem nas patentes inferiores, pelo que consta, ele tem apoio firme mais.

Pressionado pelo Centrão para livrar-se de Ernesto Araujo, fez birra, como é do seu estilo: “Ah é? Então vou mexer também onde eu quero”.

Expurgou Fernando Azevedo e Silva, Pujol saiu atras, e em solidariedade a ele os outros dois entregaram os cargos antes que ele os pedisse. Perdeu a ultima carta que achava que tinha na manga.

Ditadura, agora, só mesmo a do STF com as prisões de jornalistas e deputados, a censura à imprensa que não se censura, a revogação das leis votadas pelos representantes do povo e as reforminhas “nas pernas”, sob encomenda, do Código Penal. E chamando tudo isso de “defesa da democracia”, por oposição à “tentativa de golpe” que fica oficialmente “provada”…

Para Bolsonaro seria mais uma oportunidade de virar a página. Contentar-se, finalmente, com a pandemia. Com vacinar o Brasil e desatolar a economia. Ja está no país material suficiente para vacinar, até fim de maio, toda a população acima de 50 anos. Até agosto/setembro, todos os brasileiros acima de 20. Estamos passando o espigão para iniciar a ladeira abaixo. O que será que ainda o impede? A aposta no pós-pandemia em que se dará a eleição, quando os mortos continuarão mortos e os vivos continuarão falidos?

De qualquer jeito não é só ele. Toda a politica brasileira está gravemente doente. Quase todos se merecem. Rodrigo Pacheco tem sido a voz menos indigna. “O Legislativo esta vigilante, mas o foco continua sendo a pandemia”. Uma no cravo, para a patrulha, mas pelo menos acompanhada de outra na ferradura. Em golpe militar mesmo nunca ninguém acreditou de verdade nem por um minuto. Nem que Bolsonaro quisesse mesmo dá-lo, nem que qualquer figura de alguma expressão nas FA’s fossem topar uma aventura dessas. 

Nem a petezada, nem Lula, nem mesmo Marcelo Freixo. Mas até Rodrigo Maia, João Dória e Fernando Henrique apelaram para essa carta falsa. Enquanto faltava argumento era o que tinham. Uma torcida frustrada para que o Bolsonaro de verdade fosse o Bolsonaro da cabeça deles. Depois ficou o dito pelo não dito.

Mas são, todos, loucos que não rasgam dinheiro. Jamais pensaram nesse impeachment à sério mesmo porque seria jogar na mão do Mourão que dificilmente faria pior para as FA’s e melhor para o lulismo do que Bolsonaro fez com o seu insuperável dom para pronunciar o impronunciável, fazer crível o incrível e verossímil o inverossímil.

Só Bolsonaro poderia resgatar o lulismo de seu túmulo. Nem o STF “pleno” conseguiria isso sozinho. Vão continuar arrastando suas correntes com “a ameaça das PM’s” as “ligações com as milícias”, os próximos incêndios do Pantanal que vem quatro vezes mais seco este ano que no ultimo e o que mais lhes oferecer o inesgotável manancial da família Bolsonaro.

E enquanto isso, a privilegiatura, causa essencial de todas as misérias do Brasil, segue incólume … e, com o orçamento já nascendo estourado a nível de crime de responsabilidade, abocanhando mais e mais à mão armada de lei, sem que nenhum pretenso candidato à sucessão da nossa praga bíblica – dois mandatos de Lula, um e meio de Dilma e um de Bolsonaro enfileirados – levante um dedo a favor do favelão nacional.

Taí um país mal-amado!

O maior inimigo da democracia

26 de março de 2021 § 16 Comentários

Carrefour compra Big e se torna o 2º do varejo na AL” foi a manchete do Valor de quinta-feira, 25. A transação foi de R$ 7,5 bi e o grupo resultante passa a ter 24% de todo o varejo alimentar do país (em 2019 tinha 16%). Hoje a receita bruta do Carrefour no Brasil é de R$ 74,9 bilhões. Somada à do Big chegará a R$ 100 bilhões (o concorrente, Pão de Açúcar faturou R$ 55,7 bi em 2020).

Há mais de 40 anos transações como esta acontecem todos os dias pelo mundo afora. É quase meio século de recorde sobre recorde de fusões e aquisições de empresas.

Quem ganha com esse processo?

As ações do Carrefour saltaram 12,77% ontem. As dos concorrentes baixaram 4%. Uma parcela dos 3 milhões de brasileiros que investem em bolsa, 1,5% da população, pode ter lucrado. A gestora Advent, de private equity (dinheiro de milionários), multiplicou por quatro o investimento que fez em 2018 quando assumiu o controle do Walmart Brasil, rebatizado Big, por R$ 1,6 bilhão. Levou R$ 6,23 bi na transação. Algum grande escritório de advocacia mordeu um pedaçinho desse bolo para ajeitar o negócio…

O resto do país – todos os fabricantes e compradores de comida, de produtos de limpeza, de insumos para a casa e todos os outros bens essenciais que todos os que continuamos vivos somos obrigados a consumir todos os dias e são vendidos nos supermercados – perde mais uma alternativa de comprador e/ou de fornecedor. São 876 lojas que antes pertenciam ao concorrente que passam a pertencer, agora, ao mesmo dono.

Do Oiapoque ao Chuí o pequeno e o médio agricultores, o pequeno e o médio industriais pagarão integralmente o tanto que o preço for rebaixado para o penúltimo intermediário, agora com 876 compradores de menos para disputar o seu lote. Seu frango, seu porco, sua alface, sua caixa de frutas sairão a preço ainda mais vil. Os trabalhadores de baixa renda, como são os de supermercados, perdem mais uma alternativa de empregador. Mas na banca do novo mega supermercado, quando esses mesmos produtores e trabalhadores se apresentarem com o seu chapéu de consumidores, os preços estarão, como eternamente têm estado, mais altos a cada dia. E todos eles estarão muito mais próximos dos dentes dos “carrefoures” da terra que, mais cedo ou mais tarde, acabarão por engolir suas propriedades. 

Os funcionários do Cade, que têm o poder de aprovar ou não esse negócio, têm o seu voto valorizado. E o “poder de convencimento” desse novo monstro de R$ 100 bilhões de faturamento junto ao regulador legislativo que poderá, um dia, vir a mudar a regra do jogo para algo mais favorável ao consumidor, aumenta violentamente. A mídia, cuja função é transmitir a pressão da maioria sobre esse regulador e vive de propaganda, terá um anunciante a menos e se tornará mais dependente do que sobrou. 

Cada vez menos gente é dona de cada vez mais coisas. A humanidade caminha em velocidade de desastre de volta ao ponto de partida em que o rei, que faz a lei, é o dono de tudo, mas delega uma parte do que é seu à sua corte que se encarrega de manter o populacho com o nariz um milímetro acima da linha d’água e, portanto, facinho de ser mantido sob controle. É um panorama que só mudou de nome com as chamadas “revoluções socialistas”, que agora rebatizam-se outra vez como “capitalismos de estado”. São o de sempre: “reis” vitalícios e suas cortes proprietários de todos os meios de produção e povos inteiros reduzidos a súditos cujo direito à sobrevivência física ou econômica esses reis e seus partidos e religiões “únicas” controlam absolutamente.

“Socialismo” é sinônimo de monopólio, o antípoda da democracia. Os monopólios dos bens de produção só se sustentam com o monopólio do poder e do discurso políticos. “O proletariado”, que cada vez mais é tudo que não é a corte que ele é obrigado a sustentar, é reduzido à obediência na miséria na base da censura e da porrada. Contra a vida, nada mais. Tudo isso está fresco no horizonte. Tudo isto esteve e está acontecendo. O socialismo, proverbialmente, transformou-se exatamente no que acusava o capitalismo de ser.

Morto “o sonho”, só resta como discurso gênero, raça, meio ambiente. O que o ser humano é e não consegue deixar inteiramente de ser de estalo é o que dá pra “cobrar” das democracias. E é preciso gritar ininterruptamente sobre isso porque não ha nada a prometer ou sequer a sugerir sobre o principal: como impedir que continue essa desenfreada deglutição dos muitos pelos poucos.


O único momento na história da humanidade em que essa lógica perversa foi interrompida foi na segunda etapa da terceira tentativa da democracia de caminhar sobre a Terra que mais uma vez ameaça chegar ao fim, quando Theodore Roosevelt, na virada do século 19 para o 20, interrompeu um processo exatamente semelhante a este que se repete hoje e redirecionou a democracia americana para um decidido viés antitruste. 

Pulverizar o poder – o econômico e o político JUNTOS – eis a questão. 

O resultado foi o surgimento da sociedade mais livre, mais rica e menos desigual que a espécie humana jamais constituiu, com reflexos explosivos no desenvolvimento de todas as ciências com força suficiente para projetar toda a espécie humana para níveis de liberdade, afluência e conhecimento jamais sonhados. 

Confrontado com a concorrência desses “capitalismos de estado” proporcionada pela informatização da vida, o Ocidente democrático, em pânico, aceitou a luta nos termos deles – disputar com monopólios criando os próprios monopólios – e suspendeu as proteções antitruste, ponto mais alto da cultura democrática, começando pelas que regulavam e garantiam a diversidade de opinião na industria da informação, para que não houvesse resistência contra esse retrocesso reacionário, na sequência de acontecimentos que descrevi, passo a passo, no artigo “A ameaça da imprensa corporate” de 2005, reproduzido no Vespeiro ( https://vespeiro.com/2009/08/04/a-democracia-vai-sobreviver/).

Monopólios na economia levam ao monopólio  do poder político. Cada vez mais tudo o mais vira carne para moer na defesa de privilégios que só se sustentam com sangue. É esse o inimigo.

O último dos últimos

25 de março de 2021 § 19 Comentários


Com o corte de 10% nos salários dos cardeais pelo papa Francisco o Brasil, último do mundo a abolir a escravidão, consegue o feito de ficar para trás até da Igreja da Contrareforma também na intocabilidade dos privilégios da privilegiatura!!!

Lula e o STF

23 de março de 2021 § 32 Comentários

E a Carmen Lucia muda o seu voto para condenar Moro. Mas avisa que isso só vale pro Lula.

E precisava?

Só que o crime político organizado não vai aceitar isso assim, na boa. O STF vai ter de reescrever todas as leis do país para negar ao resto da gangue o que deu ao chefe dela.

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