Quem são os delegados suspeitos de envolvimento na fraude contra Filipe Martins
26 de agosto de 2026 § 2 Comentários


A documentação tornada pública pelo juiz Gregory A. Presnell sobre o caso Filipe Martins não apenas evidenciou que o STF de Alexandre de Moraes se valeu de um registro de entrada nos Estados Unidos deliberadamente adulterado para embasar a prisão do ex-assessor especial para assuntos internacionais do governo Bolsonaro como confirmou que a fraude envolve quatro funcionários do serviço americano de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e três representantes brasileiros.
Embora o magistrado mantenha os nomes ainda em sigilo, sabe-se que ao menos dois dos três brasileiros são delegados da Polícia Federal, sendo que um deles esteve lotado no National Target Center (NTC), junto ao CBP, e mantinha contato direto com os agentes do ICE, registra o portal Cláudio Dantas.
As suspeitas recaem principalmente sobre os delegados Adriano Camargo e Marcelo Ivo, este último banido dos EUA após monitoramento ilegal de Alexandre Ramagem em solo americano.
No Brasil, outros três nomes podem estar envolvidos, todos citados em representação do deputado Marcel van Hattem que acusou a PF de produzir “relatórios fraudulentos” sobre Filipe Martins.
O principal deles é o delegado Fábio Shor, então responsável pelo inquérito que levou à prisão do ex-assessor do governo Bolsonaro e hoje assessor do gabinete de Alexandre de Moraes no STF.
Além dele, os delegados Marco Bontempo e Luiz Eduardo Navajas Telles Pereira, ambos associados à tramitação das informações e ofícios internacionais que reproduziram a informação migratória, também estão entre os suspeitos.
Diante da confirmação da fraude, a defesa de Filipe Martins vai pedir a revisão criminal do caso e a extinção da pena.
Na ata da reunião da Justiça da Flórida divulgada nesta semana, depois de determinar que autoridades americanas apresentassem comunicações internas e documentos para esclarecer como a informação incorreta foi inserida no sistema e identificar os eventuais responsáveis pelo erro, o juiz Presnell foi incisivo.
“Há um registro falso que foi inserido nos registros da Patrulha de Fronteira e que prejudicou consideravelmente uma pessoa. O governo reconhece a falsidade dessa informação e sua gravidade. (…) a pessoa que foi afetada por isso — a saber, que foi presa por causa disso — tem o direito de saber como isso aconteceu e quem foi responsável”.
Em 2025, uma auditoria já havia confirmado que Filipe Martins não ingressou nos EUA na data registrada e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) reconheceu oficialmente que o registro utilizado no processo era resultado de uma falha do sistema.
Quase um ano depois, no entanto, as investigações têm mostrado que a falha é resultado de uma informação falsa inserida deliberadamente e não por um erro técnico.
Quem são
os delegados?
- Adriano Camargo
O nome Adriano Oliveira Camargo, oficial de ligação da PF nos EUA, ganhou destaque durante a oitiva conduzida no âmbito da ação penal contra Filipe Martins. A defesa questionou o delegado Fábio Shor sobre Adriano e a reação do agente foi desproporcional: ele interrompeu a oitiva em tom ameaçador e advertiu a defesa para que “tivessem cuidado” com aquele nome. E justificou: disse que o agente era conhecido seu, com atuação em Guarulhos, e seu irmão seria juiz de direito.
- Marcelo Ivo
O delegado foi “convidado a se retirar” dos EUA pelo Departamento de Estado americano, após a prisão, pelo ICE, do ex-diretor da Abin e deputado cassado Alexandre Ramagem. Também se envolveu em um atropelamento fatal, com CNH vencida, embriaguez e dirigindo um carro apreendido.

Além do trabalho de espionagem em solo americano, Ivo ficou famoso pela vida luxuosa que tinha nos EUA, morando em um apartamento cujo aluguel custava quase R$ 50 mil por mês. Há suspeitas de que ele recebeu dinheiro do crime organizado. Sua irmã, Gisele, processada como pombo-correio do PCC, foi detida ao lado da advogada de Marcola do PCC. Enquanto isso, Marcelo Ivo passou pelo maior aeroporto do Brasil, o de Guarulhos, pela superintendência de um estado, pelo posto mais estratégico da PF nos Estados Unidos e por um apartamento de luxo em Brickell.

- Fábio Shor
Antes de ser nomeado neste ano assessor do gabinete de Alexandre de Moraes, conduziu as investigações centrais da chamada “trama golpista” que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF.

Atuou em diversos inquéritos sob relatoria de Moraes, incluindo no pedido de prisão preventiva do ex-assessor Filipe Martins.

- Luiz Eduardo Navajas Telles Pereira
Então chefe de gabinete do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em janeiro de 2025, foi designado pelo presidente Lula para ser adido policial federal na Embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, por um período de três anos, substituindo o ex-diretor da PF Rolando Alexandre de Souza no posto.

- Marco Bontempo
Até o fim do ano passado, chefiava a Coordenação de Inquéritos Especiais (Cinq) da PF, unidade que cuida de casos que tramitam no STF. Foi o delegado responsável pelo comando da Operação Sisamnes, que investiga um esquema de venda e vazamento de decisões judiciais envolvendo servidores e lobistas ligados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Teve seu nome citado na representação do deputado Marcel van Hattem sobre “relatórios fraudulentos” sobre Filipe Martins.
Mais um amigo de Lulinha que tem contratos milionários com governo Lula
26 de agosto de 2026 § 1 comentário


Depois do Careca do INSS, o jornal Valor Econômico acaba de revelar mais um amigão de Lulinha que fechou contratos generosos com o governo do seu pai.
A empresa MChecon Design e Cenografia, de propriedade do empresário Marcelo Checon, teve um crescimento expressivo de seus contratos com o governo federal a partir de 2023, saltando de um único contrato de R$ 197 mil, firmado em 2022, para 13 novos contratos que somam R$ 63,4 milhões nos últimos três anos.
A expansão coincidiu com a consolidação de uma amizade entre Checon e Lulinha, que passaram a viajar juntos e a frequentar os mesmos eventos, como o Rock in Rio Lisboa e viagens à China e ao Japão em datas próximas a visitas oficiais do presidente.
Registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apontam 39 entradas de Checon no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025, algumas delas no mesmo dia em que Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger também estiveram no local.
Em mensagens recuperadas pela Polícia Federal no âmbito de investigações sobre tráfico de influência envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger relata que, ao comunicar ao filho do presidente que deixaria de pagar suas passagens aéreas, ele teria respondido que “ia ficar pedindo pro Cleber [Ribas] e pro Checon”.
A entrada da MChecon no governo se deu por meio de uma licitação da Secretaria de Comunicação da Presidência, mas o grande salto ocorreu após vencer um pregão do Ministério da Cultura no fim de 2023, questionado no Tribunal de Contas da União (TCU) por supostas irregularidades, mas mantido pela Corte.
Com base na ata de preços desse certame, a empresa passou a ser contratada por outros ministérios, como Desenvolvimento Agrário, Turismo, Desenvolvimento e Assistência Social, Educação e Funarte, sem necessidade de novas licitações, em contratos de até R$ 8,74 milhões cada.
A MChecon produziu, entre outros trabalhos, a Casa Brasil em Belém (PA), durante a COP30, no fim de 2025, e a Casa Brasil em Paris, durante os Jogos Olímpicos de 2024, além de atuar em eventos do Rock in Rio, Lollapalooza e nos carnavais do Rio de Janeiro e de Salvador.
Os contratos com o Executivo federal são para serviços de produção de eventos, cenografia e montagem de palcos, e a empresa já recebeu R$ 84,2 milhões em pagamentos referentes a esses ajustes, segundo dados levantados pelo jornal.

Como Roberta usou Marcola para chegar em Berger, o 2 da Saúde
26 de agosto de 2026 § 1 comentário


Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que a lobista Roberta Luchsinger, sócia de Lulinha, usou a influência de Marcola, então chefe de gabinete do presidente Lula, para conseguir uma reunião com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger (Berger) Barbosa, em apenas três dias, em setembro de 2023.
Roberta enviou mensagem a Berger em 19 de setembro dizendo ser “amiga do Marcola”, que havia passado o contato, e, na mesma tarde, encaminhou a Marcola o print da resposta positiva do secretário, que mandou sua secretária acertar a agenda.
Em 21 de setembro, a reunião foi realizada e Roberta relatou a Marcola que Berger foi “super solícito”, mas que não havia aprofundado o tema por ser um “encaixe”, prometendo voltar depois com a “lição de casa” feita.
A PF aponta que as tratativas estavam relacionadas à tentativa de viabilizar um contrato de fornecimento de canabidiol envolvendo a empresa World Cannabis, do empresário “Careca do INSS”, negócio que não se concretizou, mas gerou pagamentos de R$ 1,5 milhão à consultoria de Roberta.
Ao longo de 2024, Roberta voltou a tratar do assunto com Marcola, enviando organograma do Ministério da Saúde com áreas destacadas e uma norma técnica, e pedindo que ele intercedesse junto a Berger para “dar um gás no canabidiol”.
Os dois combinaram um almoço a três (“eu, você e Berger”), e Marcola disse que conversaria com o secretário antes do encontro, reforçando o canal de acesso da lobista à cúpula da pasta.
A PF descreve essas conversas como parte de uma atuação de Roberta e Lulinha para promover “interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal”.
Além das tratativas sobre o canabidiol, a investigação identificou que Roberta bancou despesas pessoais de Marcola entre fevereiro e novembro de 2024, somando R$ 217 mil em gastos de cartão e compra de joias, valores que ele afirmou ter sido um empréstimo posteriormente devolvido com juros, totalizando R$ 249 mil.
As informações são da Veja.
Em mensagem para Roberta, Lulinha chama Janja de ‘barraqueiraaaaaaa’
26 de agosto de 2026 § Deixe um comentário


Um diálogo de 29 de junho de 2025 recuperado pela PF mostra uma conversa de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger em que o filho de Lula chama Janja, sua madrasta, de “barraqueira”.
Na mensagem, Roberta relata a Lulinha que Kalil Bittar, apontado como sócio do filho do presidente, teria criado um perfil falso nas redes sociais para fazer ataques contra a primeira-dama.
Diante do relato, Lulinha vai direto ao ponto e chama Janja de “barraqueiraaaaaaaaa”.
Na mensagem, Roberta diz ter procurado um interlocutor próximo à direção da Telebras para contestar a atuação de Kalil Bittar e afirma ter se apresentado como assessora de Lulinha e negado que o empresário tivesse autorização para falar em nome do filho do presidente.



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