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Tá quase lá! Se a imprensa não recuar o Brasil sai do pesadelo

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‘Que Deus nos abençoe’, deseja André Mendonça

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O tiroteio em torno do escândalo de Alexandre de Moraes não para

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Edson Fachin determinou hoje que Paulo Gonet e André Mendonça se manifestem sobre o despacho encaminhado ontem por Alexandre de Moraes acusando o relator do caso Master no Supremo de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

O presidente do STF ainda retirou o material do inquérito das fake news e determinou que passe a tramitar em uma petição sob análise direta dele. O PGR terá cinco dias úteis para se manifestar e Mendonça, outros cinco, totalizando 10 dias.

  • STF

Apesar de postergar a votação sobre a abertura de investigação contra Moraes no plenário e dar tempo para que o caso esfrie, Fachin fez declarações duras nesta sexta-feira. Disse que nenhuma autoridade está acima da Constituição, nenhum poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado de Direito Democrático.

Ele assegurou que a resposta será firme e rigorosa e defendeu três metas de sua gestão, incluindo o fim do Inquérito das Fake News, além da adoção de um código de ética e a modernização do sistema de Justiça.

  • Mendonça

Em conversa pessoal com Fachin, Mendonça pediu o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes. Deve formalizar a solicitação com uma petição em que pretende apontar os abusos cometidos pelo colega. Ele fez isso horas depois de Moraes pedir a Fachin a abertura de uma investigação contra si.

Moraes sustenta que Mendonça teria direcionado investigações por razões pessoais e políticas, rompido a imparcialidade judicial e extrapolado suas atribuições como relator, apontando que houve “quebra na cadeia de custódia” — a mesma tese que vinha sendo estudada pela própria defesa de Vorcaro para tentar anular toda a apuração do caso. Entre os supostos alvos do direcionamento estariam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Segundo Malu Gaspar, Moraes se reuniu por três horas com Alcolumbre antes de investir contra Mendonça no Inquérito das Fake News. O clima entre ambos está tão pesado que foi sugerido a Mendonça entrar por vídeo na sessão de quarta-feira para evitar o encontro com Moraes — ele recusou a proposta.

  • O pedido de Moraes

Diante do pedido de Mendonça para que a PF produzisse, em 72 horas, um relatório sobre as conversas com Vorcaro, Alexandre de Moraes contra-atacou e usou o Inquérito das Fake News, aberto desde 2019, para requerer à PF relatórios de inteligência sobre a conduta de Mendonça nas operações “Sem Desconto” (INSS) e “Compliance Zero” (Banco Master). A PF entregou a ele um conjunto de relatórios internos, sem assinatura de delegado, com carimbo de “difusão restrita” e com aviso expresso de que são peças de trabalho “sem valor probatório”, ou seja, não servem como prova em processo.

Esses relatórios não são inquéritos formais: a própria PF diz que eles “não apuram conduta, não imputam infração penal, disciplinar ou funcional e não substituem a via processual própria”. Eles trazem hipóteses e cenários, com níveis de confiança classificados como baixos ou moderados, e incluem avaliações políticas (por exemplo, sobre possíveis alvos e rotas de acesso a políticos).

Com base nesses relatórios, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de que Mendonça cometeu improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, incluindo acusação de que Mendonça teria orientado a PF a focar em certos alvos e temas, participado de tratativas de colaboração premiada e acessado informações em momento considerado inadequado.

O problema é que se trata de um relatório de inteligência interno, sem valor de prova, sem assinatura formal e com ressalvas explícitas da PF. Além disso, Moraes usou uma investigação “ilegal”, com monitoramento e relatórios sobre Mendonça, para acusar o colega de agir ilegalmente, o que seria uma espécie de “contra-ataque” para evitar ser investigado por causa das mensagens de Vorcaro.

É basicamente o que diz o comentarista Fernando Gabeira: uma manobra diversionista.

Na prática, a iniciativa de Moraes abre caminho para implodir toda a apuração da maior fraude bancária da história do país.

  • Alcolumbre e Moraes

Após a conversa com Moraes em sua casa no Lago Sul, Alcolumbre afrontou senadores da oposição que o criticavam por não pautar o impeachment de Moraes e ainda se saiu com esta no plenário: “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes?”.

O presidente do Congresso, amigo e aliado de Moraes, vinha dizendo que, se alguém tinha de sofrer impeachment, seria André Mendonça. Há quem diga que Moraes “está pavimentando caminho pro Alcolumbre pautar o impeachment do Mendonça”.

Segundo ministros do próprio Supremo, até outro dia, Moraes dizia que a relação de Vorcaro estava ligada à sua esposa, Viviane, com quem o dono do Banco Master firmou um contrato de R$ 131 milhões. Agora, com as mensagens revelando seu contato constante com o ex-banqueiro, o ministro se atém a um tema, com uma forcinha de uma parte da imprensa, como se vê abaixo: as supostas ilegalidades cometidas por André Mendonça ao investigá-lo.

Ouve-se nos bastidores do STF que, hoje, o Alexandre “só fala da forma; não do conteúdo”. Na prática, o que se sabe é que, para Alcolumbre, “largar a mão do Moraes é empoderar o André Mendonça, que é inimigo figadal dele”.

Moraes e Alcolumbre somaram forças e trabalharam com a oposição para que o Senado Federal impusesse uma derrota histórica ao governo Lula e rejeitasse a indicação ao STF do advogado-geral da União, Jorge Messias, evangélico próximo de Mendonça. Além disso, o senador pelo Amapá foi uma das autoridades que esteve na degustação de charutos e uísque promovida por Vorcaro em 2024, em Londres.

Alcolumbre também esteve na mira das investigações do Master por ter sido o responsável pela indicação do presidente do fundo de pensão dos funcionários do governo do Amapá, a Amprev, que comprou R$ 400 milhões em títulos do Master, dinheiro que se perdeu com a liquidação do banco.

  • Flávio Bolsonaro

O candidato do PL acusou Alcolumbre de atuar para proteger Moraes em meio à pressão da oposição pela análise de pedidos de impeachment contra o magistrado. Em São Carlos, no interior de São Paulo, ele afirmou hoje que o presidente do Congresso está mais preocupado com a própria preservação política do que com a atuação institucional do Senado.

“Eu, infelizmente, vejo que o Davi Alcolumbre está muito preocupado, assim como o Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção”, declarou. “Eu acho que ele se equivocou ao querer proteger um amigo, ao invés de proteger a instituição, está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade não só do Senado, mas também devolver o Supremo ao povo, à população”.

  • Fachin

Lula e Fachin voltam a se encontrar hoje, pela segunda vez em menos de quatro dias, para discutir a crise no Supremo. O presidente da Corte avalia deixar uma definição do caso para depois do segundo turno.

A pressão é grande para que Fachin garanta uma “apreciação colegiada”, até porque o pedido para que a discussão seja levada ao plenário partiu de integrantes do próprio STF. Diante do tempo para reunião de informações tanto para “admissibilidade” como para a “regularidade” do procedimento, suspeita-se que os magistrados estejam ganhando tempo para preparar a anulação dos dois casos, além de tirar as relatorias de casos como o de Lulinha, Master e INSS das mãos de Mendonça.

O prazo para manifestações termina dia 21 de setembro e depois o caso retorna para Fachin, que vai decidir se encaminha ou não ao plenário. Nos bastidores, uma ala do Supremo defende que os dois pedidos sejam analisados pelo plenário virtual, evitando um confronto público entre os ministros.

Enquanto isso, para evitar problemas, a segurança do Supremo proibiu fotógrafos de se aproximarem da Corte para fazer registros como o do Globo.

  • Gonet

O procurador-geral foi contra a prisão de Daniel Vorcaro, recusou duas propostas de delação premiada e condicionou acordos de colaboração à devolução de quantias estupendas de dinheiro. O relatório da PF com as mensagens de Moraes e Vorcaro ajuda a explicar o motivo.

O PGR e o banqueiro eram próximos pelo menos desde meados de 2024, quando já circulavam rumores sobre o risco de implosão do Master. O advogado Ciro Soares, que já atuou como advogado do banco, fazia a interlocução entre Vorcaro e o procurador-geral, intermediava viagens que ambos faziam ao exterior e operava como pombo-correio.

Em março de 2025, Soares enviou a Vorcaro foto com Gonet e disse que o chefe do MP queria conversar com o banqueiro, o que ocorreu em uma ligação naquele mesmo dia. Semanas depois, encaminhou a Vorcaro mensagens do PGR em que ele dizia estar “com saudade” do banqueiro e “na torcida” por ele. Também celebrou o evento que o ex-dono do Master promoveria na Inglaterra: “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!”.

Ciro Soares e Daniel Vorcaro trocaram mensagens sobre o PGR com dizeres reveladores: “Amizade é tudo” ou “Gonet é firme”. No início do ano, o procurador-geral da República já havia arquivado três pedidos de afastamento do ministro Dias Toffoli do caso Master. Gonet, sem investigar, concluiu que não havia nada a se investigar.

  • Blindagem

A Polícia Federal identificou 52 mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em 21 dias e, ainda assim, bloqueia-se qualquer investigação sobre o ministro do STF.

Paulo Gonet, PGR e seu fiel escudeiro, é o goleiro. No Congresso, Alcolumbre trava tudo. E, no Supremo, Fachin enrola e tergiversa.

  • Andrei Rodrigues

O Partido Novo protocolou no Supremo um pedido de prisão preventiva contra Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A solicitação foi encaminhada ao ministro André Mendonça, um dia depois de a legenda pedir o afastamento cautelar de Rodrigues do comando da corporação.

A nova petição apresentada pelo partido cita informações obtidas pela própria Polícia Federal durante a análise do celular de Vorcaro. Segundo o documento, mensagens atribuídas ao empresário mencionam a necessidade de obter uma suposta “proteção de Andrei e de Paulo”.

  • Polícia Federal

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) criticou proposta de Gilmar Mendes de retirar delegados que atuam nos gabinetes dos ministros da Corte. Em nota, o presidente da entidade, Edvandir Paiva: “É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal. Os profissionais destacados para atuar nos gabinetes dos ministros estão ali justamente em razão de sua expertise e de seu conhecimento técnico, características próprias da atividade de delegado da PF”.

Atualmente, delegados da Polícia Federal atuam nos gabinetes de André Mendonça, Alexandre de Moraes e Luiz Fux.

  • OAB

Muito lentamente, a OAB se movimenta para discutir a possibilidade de afastamento de Alexandre de Moraes. É o que está acontecendo em São Paulo e no Rio. O movimento acompanha a posição adotada pela OAB do Paraná, que aprovou uma manifestação defendendo o afastamento cautelar de Moraes e a suspeição de Gonet.

A seccional também pediu a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Federal da OAB para discutir a posição institucional da entidade em âmbito nacional. A OAB-PR registra que menções a AdeM são diretas e as a Gonet, indiretas.

Os presidentes das 27 seccionais da entidade foram incluídos em uma reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, para tratar da crise envolvendo as revelações do caso Master.

  • Lula

O presidente-candidato gravou o vídeo em que tenta afastar a seringa da própria bunda ontem à noite. Tomou a decisão à tarde. Ainda não sabia que Moraes pediria a investigação de André Mendonça. O texto foi elaborado por Sidônio Palmeira (Secom) e Jorge Messias (AGU).

O material foi divulgado depois das 20h. Naquele momento, a crise já havia escalado com a petição de Moraes contra Mendonça, mas Lula decidiu que não poderia mais se omitir sob pena de ela respingar em sua campanha eleitoral. Afinal, sabe que a imagem de Moraes é muito atrelada à sua.

  • Conselho Superior do MPF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento interno para analisar mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

O caso foi distribuído ao conselheiro Francisco de Assis Sanseverino, que será o relator do procedimento.

A abertura ocorreu após deputados federais do Novo acionarem o Conselho Superior para pedir a designação de um subprocurador-geral da República para atuar nas investigações relacionadas ao Banco Master que envolvam Gonet.

A distribuição do procedimento abre caminho para um eventual impedimento ou suspeição de Gonet.

  • Transparência Internacional Brasil

A entidade defendeu hoje que o ministro Alexandre de Moraes seja afastado de suas funções, para que a crise institucional gerada pela divulgação das mensagens enviadas a ele por Daniel Vorcaro não piore.

A ONG anticorrupção diz que Moraes é “um risco institucional” e um elemento “desestabilizador”.

Paralelamente, a sociedade civil começa a se articular para organizar documento que cobra envolvidos: empresários e economistas têm se articulado para criar um manifesto, que pede a apuração dos fatos recentes envolvendo ministros do STF.

Enquanto entidades se mobilizam contra Alexandre de Moraes, existe uma abaixo-assinado em apoio ao Ministro André Mendonça. Neste link.

  • 7 de Setembro: ‘Fora Moraes’

O caso Alexandre de Moraes promete impulsionar as manifestações marcadas para o feriado de 7 de Setembro, Dia da Independência. A principal concentração será na Avenida Paulista, em São Paulo, às 15h de segunda-feira, mas a expectativa é que atos ocorram em outras localidade, incluindo Brasília.

Entre os principais nomes ligados à organização e à mobilização para o ato da Paulista estão Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o pastor Silas Malafaia, responsável pela organização dos trios elétricos das grandes manifestações da direita.

A ideia é transformar a manifestação em um grito de “Fora Moraes”.

Quem produziu o dossiê apócrifo usado por Moraes para acusar Mendonça?

4 de setembro de 2026 § 1 comentário

O site A Investigação levanta pistas que ajudam a responder à pergunta do título.

Ontem, Moraes levantou o sigilo de um dossiê apócrifo atribuído à PF e classificado pelos próprios autores como documento de trabalho “sem valor probatório”.

Fez isso para pedir que André Mendonça fosse investigado por improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade dentro do Inquérito das Fake News.

Ainda não se sabe ao certo quem produziu o material ou autorizou que ele chegasse ao gabinete de um ministro do Supremo para sustentar acusações contra outro.

Mas nomes como Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção desde julho de 2025, além de Wedson Cajé Lopes, Guilherme Alves de Siqueira, e Letícia Magalhães Espósito, estão na lista.



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