Em dura derrota para Trump, republicanos perdem maioria na Câmara e no Senado
4 de novembro de 2026 § 2 Comentários


Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O resultado representa uma acachapante derrota para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano, que perdeu a maioria nas duas Casas do Congresso.

No Senado, os democratas alcançaram pelo menos 54 cadeiras (hoje são 47, incluindo dois independentes), contra 43 dos republicanos (que ocupam 53 cadeiras), com duas disputas ainda em aberto no Alasca e no Mississippi. A bancada democrata inclui senadores independentes aliados, e a vitória exigiu a conquista de pelo menos sete cadeiras antes ocupadas pelos republicanos.

Na Câmara, os democratas já garantiram 228 assentos (hoje são 214), contra 139 dos republicanos (que tinham 218 e apoio de 1 independente, além de duas cadeiras vagas), superando com folga os 218 necessários para a maioria. A apuração ainda não está concluída, mas a diferença já assegura o retorno do partido ao comando da Casa.

A onda democrata atingiu estados tradicionalmente republicanos, como Kansas, Iowa, Texas, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul. No Kansas, Adam Hamilton tornou-se o primeiro senador democrata eleito pelo estado desde 1932; no Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton; e, no Maine, Troy Jackson venceu a veterana Susan Collins.

O resultado deve dificultar a aprovação da agenda de Trump nos dois últimos anos do mandato, especialmente medidas que dependam de autorização orçamentária e indicações de juízes ao Supremo, que precisam ser confirmadas pelo Senado. Líderes democratas já sinalizaram a abertura de investigações sobre o governo e possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes do Executivo.

Trump negou que a derrota seja pessoal, atribuindo-a ao desempenho dos candidatos republicanos. Ele também prometeu vetar leis aprovadas pelos democratas, enquanto o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmou que o partido não aceitará passivamente as tentativas da oposição de reverter medidas aprovadas nos últimos anos.
Os candidatos eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027.


Trump diz que vai usar vetos para negociar com democratas
4 de novembro de 2026 § Deixe um comentário


O presidente Donald Trump afirmou que reconhecerá o resultado das eleições de meio de mandato e sinalizou disposição para negociar com os democratas, que conquistaram a maioria na Câmara e no Senado. Ele disse ao The New York Times que está “absolutamente disposto a aceitar” os novos rumos do Congresso e que espera “trabalhar” com os democratas: “Provavelmente chegaremos a algum acordo.”
Apesar do reconhecimento e da surpresa com os números, Trump minimizou a derrota republicana ao afirmar que não estava concorrendo. “Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido por uma lavada! Obrigado pela atenção a este assunto”, escreveu na rede Truth Social.

Ele também publicou a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”, sinalizando que pretende usar a prerrogativa presidencial para barrar projetos aprovados pelo novo Congresso controlado pelos democratas e usar isso como moeda de negociação: “Depois de alguns meses de vetos, eles vão ligar e dizer: ‘Como podemos fazer essas coisas avançarem?’. E vamos trabalhar juntos.”
Nos EUA, havendo o quórum mínimo necessário, o Senado e a Câmara precisam de dois terços dos votos dos presentes em votação nominal para derrubar um veto presidencial, o que os democratas não têm, mesmo com os resultados da eleição de ontem. Isso abre brecha para negociações.

Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que não considera o resultado uma reprovação ao seu governo. “Não vejo isso como um golpe contra mim”, disse, acrescentando: “Vivemos os dois melhores anos da história da Presidência em termos de economia e de todas as coisas que fizemos.”
Sobre a vitória adversária, o presidente parabenizou os democratas. “Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho”, afirmou.
Trump reconheceu ainda que a guerra no Irã teve influência sobre o desempenho republicano. Em entrevista telefônica ao The Wall Street Journal, disse que o conflito foi “uma parte” dos fatores que contribuíram para o resultado.

O presidente também criticou o governador do Texas, Greg Abbott, a quem chamou de “RINO” (algo como “republicano só no nome”), e atacou a Fox News por abrir espaço ao ex-prefeito democrata de Nova York, Bill de Blasio. Segundo Trump, essas condutas teriam contribuído para os resultados desfavoráveis ao Partido Republicano.
Com a maioria democrata no Congresso, a oposição terá mais poder para investigar o governo, rejeitar indicações presidenciais e dificultar a aprovação da agenda de Trump nos dois anos finais do mandato.
O que houve com Trump já aconteceu com Obama e Bush
4 de novembro de 2026 § Deixe um comentário

Aliado de Trump, o empresário e advogado Simón Levy publicou uma análise pragmática do resultado das midterms. Segundo ele, o que aconteceu nas urnas com Trump é uma repetição do que houve com Obama e Bush.






Você precisa fazer login para comentar.