Escritório da ex-diretora do instituto de Gilmar recebeu R$ 33 milhões do Master
17 de setembro de 2026 § 2 Comentários


Documentos de uma auditoria interna do BRB, encontrados pela Polícia Federal, apontam que o Banco Master pagou R$ 33 milhões, em 2024, ao escritório da advogada Dalide Corrêa, ex-diretora-geral do IDP, instituição de ensino fundada pelo ministro do STF Gilmar Mendes (juntamente com o PGR Paulo Gonet), revelou o Estadão.
Em conversas de executivos do banco de Daniel Vorcaro, também obtidas pelos investigadores, Dalide é citada como “canal direto com o STF”.
Até o momento, a PF não fez juízo sobre a legalidade do documento nem realizou diligências específicas sobre a prestação dos serviços.
Em nota enviada ao jornal, a advogada não nega a relação comercial com Vorcaro e Augusto Lima, mas diz que “sua atuação restringiu-se a processos judiciais originalmente conduzidos em favor de empresas que venderam créditos ao Banco Master e que, posteriormente, foram sucedidas pelo banco nessas ações. Essa atuação ocorreu exclusivamente perante órgãos de primeira e segunda instâncias”.
O documento também menciona pagamentos, naquele ano de 2024, de R$ 40 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes.

“Do total de R$ 215 milhões no FY24 [ano fiscal de 2024] (comparado com R$ 76 milhões em FY23), a maior parte refere-se a R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, seguido de R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa [da advogada Dalide Corrêa]. Consideramos essencial compreender o nível habitual dessas despesas para avaliar seu impacto no modelo financeiro. Contudo, não recebemos da administração uma definição sobre o patamar usual para esse tipo de gasto”, diz trecho do documento encontrado pela PF com dirigentes do BRB – a auditoria fazia parte do estudo de viabilidade de compra do Master pelo BRB.
Além desse documento sobre os pagamentos, o escritório de Dalide é mencionado nas conversas de diretores do banco.
Em diálogos sobre as despesas do Master, o diretor da área financeira, Ângelo Ribeiro, deu ordens a Alberto Félix, superintendente executivo de Tesouraria, para o pagamento do escritório de Dalide Corrêa e argumentou que se tratava de um “canal direto com o STF”, sem mencionar o que isso significaria.
Quem é
Dalide
Corrêa?
Dalide Barbosa Alves Corrêa é a advogada-sócia do escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, localizado em Brasília, Distrito Federal.
Foi diretora jurídica da Caixa Econômica Federal, assessora jurídica da CCJ do Senado, chefe de Assessoria Parlamentar do STF, procuradora-geral da Anac e diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).
Dalide conheceu Gilmar Mendes quando ele era Advogado-Geral da União (AGU), durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, época em que ela chefiava o setor jurídico da Caixa Econômica Federal.
O que se diz em Brasília é que, quando Mendes assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, Dalide se tornou seu “braço direito” para interlocuções e relações institucionais.
A relação entre Gilmar e sua ex-faz-tudo
17 de setembro de 2026 § 2 Comentários


O Estadão revelou hoje que o escritório da ex-diretora-geral do IDP de Gilmar Mendes recebeu do Banco Master a quantia de R$ 33 milhões em 2024.
A interlocutores, informou o jornal, Gilmar disse que se afastou da advogada Dalide Corrêa em 2017, após desentendimentos na gestão do instituto, e que não tem relação de proximidade com ela.
A revista Crusoé deu detalhes desse afastamento em uma reportagem de 2018 intitulada “mulher-bomba” (leia neste link) e contou que a relação entre ambos se manteve ativa.
Os jornalistas da Crusoé tiveram acesso a uma investigação da Polícia Federal com indícios de que a JBS dos irmãos Batista usou a sede do instituto de Gilmar Mendes para tramar a oferta de 200 milhões de reais para se aproximar de juízes federais.

Esse caso teria sido o estopim para que o ministro se afastasse de Dalide Corrêa, “a sua faz-tudo por 20 anos e personagem central do episódio”.
Uma
relação de
longa data
Os dois se conheceram quando Gilmar era advogado-geral da União no governo FHC e Dalide chefiava o jurídico da Caixa Econômica Federal.
A proximidade cresceu e, já no Supremo, Gilmar a convidou para ser sua assessora parlamentar e, depois, diretora-geral do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), entidade que ele fundou e que se tornou a base de seu poder, do Gilmarpalloza à Fifa.
À frente do IDP, Dalide fazia justamente a captação dos patrocínios de grandes empresas, algumas das quais com processos em tramitação no STF, e atuava como interlocutora de Gilmar em temas institucionais.
Segundo a reportagem, a cisão se deu após a então diretora do IDP ter facilitado um encontro entre o empresário Joesley Batista (JBS) e dois juízes federais de Brasília.
Na ocasião, surgiu a alegação de que ela teria pedido R$ 200 milhões para influenciar a redução de multa de R$ 11 bilhões para R$ 3 bilhões em acordo de leniência.

Em 2017, após a eclosão da delação da JBS e de questionamentos sobre patrocínios ao IDP, Dalide deixou a diretoria-geral do instituto, abriu escritório próprio em Brasília e, segundo a Crusoé, manteve-se próxima de Gilmar, sendo por vezes acionada para responder a críticas sobre o IDP.
Nos bastidores, esta frase de Gilmar se tornou conhecida, esquivando-se de acusações e jogando-as para sua ex-assessora: “Isso é coisa da Dalide”.
Discreta, com pós-graduações em Direito Constitucional, Tributário e Processual Civil, e curso de Teologia no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba (SP), Dalide, ao longo de décadas, acumulou cargos de relevo.
Além de diretora jurídica da Caixa, foi procuradora da ANAC, assessora de ministros do STF — onde chefiou a Assessoria de Relações Parlamentares sob Gilmar Mendes — e diretora do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).
Mesmo aposentada do serviço público, manteve proximidade com centros de decisão, transitando por ministérios e tendo interlocução direta com nomes como Dias Toffoli e Dilma Rousseff.
Entre
Brasília e
Tocantins
Ela é sócia-administradora do escritório Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia, em Brasília, que recebeu os R$ 33 milhões do Master, e, ao lado do empresário Leandro Luiz, lidera o Grupo Monte Sião, holding com sede no Tocantins e prestígio no agro de elite, com empresas como Agropecuária Monte Sião, Genética Monte Sião e Monte Sião Haras, especializadas em bovinos e equinos de alta linhagem.
Dalide e o Grupo Monte Sião mantêm conexões com o pastor Amarildo Martins, que lidera mais de 10 mil pastores e é pai do deputado federal Filipe Martins por Tocantins.

Nestas eleições, chegou a ser sondada pelo deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) como primeira suplente em sua candidatura ao Senado, via pastor Amarildo.
Consta que Dalide é filiada ao partido Agir.
Flavio Dino repete a declaração de guerra contra Edson Fachin
17 de setembro de 2026 § Deixe um comentário


Embora a questão e seu embasamento regimental, legal e constitucional tenham sido exaustivamente explicitados no mesmo dia do ataque — a fatídica terça-feira, 15 de setembro —, Flávio Dino voltou à carga hoje contra Edson Fachin, ao dirigir a seu comparsa, Gilmar Mendes, a mesma argumentação em torno da “questão de ordem” que os dois levantaram em jogo casado para abortar a avaliação da questão em foco na sessão: examinar a pertinência ou não de se abrir investigação contra Alexandre de Moraes diante das provas irrefutáveis de que ele se vendeu a Daniel Vorcaro, surgidas com a abertura de um dos celulares do banqueiro falido.
Ele repete a acusação de que Fachin ressuscitou a “avocatória”, instrumento de ditaduras, comparou a ação do presidente do STF ao AI-5 e o resto do palavrório agressivo que usou no dia 15, mostrando que não vão desistir de melar o jogo no tapetão e proporcionar a mais plena impunidade do “herói da democracia” flagrado na mais tosca venalidade.
Ele acrescentou ainda que, depois de aberto o sigilo completo do telefone de Vorcaro, “todos os ministros que tiveram relações diretas ou indiretas com ele, aí incluídos parentes até o segundo grau, devem ser declarados impedidos de participar” de julgamentos envolvendo o Banco Master.
Dino não comentou as posições do próprio Alexandre de Moraes votando na sua própria absolvição, nem a do PGR, Paulo Gonet, contrabandeado para dentro de uma sessão plenária do STF outro envolvido com o Master que discursou em defesa própria.
Seu libelo foi produzido ates de vir a publico a informação, também garimpada no telefone cujo sigilo ele mandou escancarar, que incluiu na lista de suspeitos o próprio Gilmar Mendes, cujo “contato indireto” foi detectado hoje nos R$ 33 milhões recebidos do Master, de par com a onipresente Vivi Barci de Moraes, por sua ex-assessora mais direta.
“Vencereis porque lhes sobra a força bruta. Mas não convencereis”
17 de setembro de 2026 § 1 comentário

Segundo a insuspeita repórter Daniela Lima, hoje no UOL, o ministro André Mendonça foi aplaudido durante voo de Brasília para São Paulo, na manhã desta quinta-feira (17). Segundo passageiros que estavam na aeronave, houve gritos de “nosso herói” direcionados ao magistrado, que trava uma batalha campal contra o colega Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal.
Procurado, o gabinete do ministro não quis se manifestar. Mendonça estava em voo justamente quando recebeu nova leva de críticas públicas direcionadas pelo ministro Gilmar Mendes sobre sua condução do caso Master.





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