O medo de Lulinha de ser pego pelas passagens aéreas pode se confirmar
25 de agosto de 2026 § Deixe um comentário


A Polícia Federal investiga um operador financeiro que foi usado pela lobista Roberta Luchsinger para realizar saques em dinheiro vivo e pagamentos em espécie.
Ulisses Barbosa, que também trabalhava como motorista, é suspeito de pagar passagens aéreas para Lulinha.
Os delegados informaram ao STF, em um dos inquéritos contra o filho do presidente e sua sócia e amiga, que pretendem aprofundar a análise sobre o operador financeiro e identificar se houve lavagem de dinheiro.
Em uma das conversas com o operador transcrita pela PF, Roberta chegou a ordenar que ele fizesse depósito para uma agência de viagens usada por ela e por Lulinha.
“Deposita 50 mil nessa conta tb”, escreveu ela, que também mencionou valores como 90k e 500k em malas.

As passagens aéreas foram motivo de preocupação de Lulinha desde o começo.
Em mensagem de 18 de janeiro de 2024, ele disse a Luchsinger que ambos estavam se “arriscando” ao viajarem para a Europa com custos aparentemente incompatíveis com os rendimentos que ele alegava ter.
No ano seguinte, mensagens interceptadas pela PF apontam que a lobista Roberta Luchsinger ameaçou interromper o pagamento de passagens aéreas de Lulinha.
O motivo? Os gastos de aproximadamente R$ 100 mil mensais com uma “casa”, provavelmente a mansão em Brasília.
A conversa ocorreu em agosto de 2025 e foi mantida entre Roberta e o empresário Cléber Ribas.

No diálogo, a lobista relata o que teria dito a Lulinha: “Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mais dar pra ter essas passagens”.
A quebra de sigilo bancário identificou ao menos R$ 2,5 milhões pagos por Ribas a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025.
Nas comunicações analisadas, a lobista teria mencionado em diferentes ocasiões que valores recebidos do empresário seriam utilizados para despesas relacionadas a Lulinha, incluindo passagens aéreas.
Na folha do
Careca do
INSS
A origem de boa parte do dinheiro que Roberta fazia circular, diz a PF, era o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Os inquéritos que envolvem Lulinha mostram que Antunes tinha seus tentáculos também no Ministério da Saúde e na Dataprev e o grupo encabeçado pelo filho do presidente era seu canal pra obter resultados via tráfico de influência.
Segundo a PF, diálogos de Roberta permitem “verificar que possivelmente o articulador de todo o esquema realizado pelo grupo é Fábio”.

Ou seja, diz o relatório: “Por ser filho do Presidente da República ele pode ter acesso às pessoas certas que têm o poder decisório para aprovar e levar futuros projetos que envolvem elevado dispêndio financeiro”.
Em conversa com Gustavo Gaspar, amigo e sócio do Careca, além de ex-assessor do senador Weverton Rocha, Roberta ouve que “tá na folha” de pagamentos dele e, portanto, teria de resolver os impasses que atravancavam os seus negócios.
O plano da lobista sempre foi abrigar o dinheiro do esquema com Lulinha no minúsculo principado de Liechtenstein, espremido entre a Áustria e a Suíça.
Antigo paraíso fiscal, o local era considerado seguro para receber recursos do grupo porque Roberta explicou que seu ex-marido a informara certa vez que era impossível “prender” recursos abrigados em bancos do país.
O ex-marido de Roberta Luchsinger é o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que hoje vive na Suíça.
Lulinha, Roberta e Fernando Bittar, o do Sítio de Atibaia, são investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de tráfico de influência, corrupção, organização criminosa e venda de prestígio a partir de uma sociedade informal em que abriam as portas do governo petista em troca de honorários.








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