A ditadura avisa que não topa deixar de ser ditadura
8 de outubro de 2026 § 2 Comentários

E, pelo tom da “jornalista”, a imprensa amestrada também avisa que não topa deixar de ser imprensa amestrada.
Como Vorcaro usava Guido Mantega para falar com Lula
8 de outubro de 2026 § 1 comentário


Mensagens de áudio e textos de 2025 entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu então advogado, Walfrido Warde, revelam uma campanha para levar ao presidente Lula a defesa do Banco Master diante de questionamentos do Banco Central.
Revelados pelo Estadão, os diálogos mostram que os dois insistiram para que o ex-ministro Guido Mantega, contratado como consultor do banqueiro por R$ 14 milhões, se encontrasse pessoalmente com Lula.
Em 23 de julho de 2025, Warde informou a Vorcaro que Mantega estava em Londres e sugeriu que o banqueiro enviasse um avião particular para buscá-lo e trazê-lo ao Brasil, a fim de viabilizar uma reunião com o presidente.

O advogado também encaminhou mensagens indicando que Lula já havia falado por telefone com Mantega e que o ex-ministro seria chamado assim que retornasse ao país.
Em outro áudio, o advogado disse que era urgente fazer uma videoconferência com Mantega para orientá-lo sobre o caso, afirmando que “ele vai falar com você sabe quem no domingo”, em clara referência a Lula.
Vorcaro cobrou ainda que Warde tentasse falar diretamente com o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, dizendo que essa seria a “única chance nossa”.
Venda do
Master para
o BRB
As conversas ocorreram no período em que o BC analisava a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Em mensagens, Vorcaro afirmou que tinha apoio do Supremo, de Lula, da Câmara e do Senado para aprovar a operação no BC.
Ele disse que um diretor do BC contrário ao negócio estava “indo contra” essas quatro instituições e sugeriu que se pedisse a “suspeição” desse diretor.
O diretor em questão era Renato Gomes.
Em 17 de julho de 2025, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), repassou a Vorcaro informações sobre uma conversa com o então diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, que depois iria à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Horas depois, Vorcaro escreveu a Warde que Galípolo teria “inventado nova desculpa”, alegando “erros contábeis”, e que a venda não seria mais feita.
Diante disso, Vorcaro ordenou: “Avise presidente amanhã e vamos pra guerra”, ao que Warde respondeu: “Vou levar a conhecimento do presidente”.
Em meio às dificuldades para articular o encontro de Mantega com Lula, Vorcaro sugeriu a Warde acionar “Alexandre”, sem deixar claro se se referia ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Warde respondeu apenas: “Sim. Vou pavimentar”.
Os diálogos indicam que Vorcaro tentou mobilizar integrantes dos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — para pressionar o BC a aprovar a venda do Master ao BRB.
O BC vetou a venda do Banco Master ao BRB em setembro de 2025, alegando ausência de documentos que comprovassem a viabilidade econômico-financeira da operação.
Em novembro de 2025, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do banco.

Em seguida, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraude nas carteiras de crédito repassadas ao BRB.
A reunião de Lula com Vorcaro, que aconteceu fora da agenda em 4 de dezembro de 2024, foi intermediada por Mantega e contou também com a participação do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, reeleito senador pela Bahia, onde o esquema do Master nasceu com o Credicesta, e de Gabriel Galípolo, que ainda não presidia o BC.





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