Essa crise econômica eterna é ecológica

19 de junho de 2018 § 9 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 19/06/2018

O Brasil não se desinteressou da política propriamente. A política é que se desinteressou do Brasil. Não precisa mais dele. Ainda faz um pouquinho de cerimônia mas é mais pra disfarçar.

O debate ideológico acabou, aliás, no mundo inteiro. Ninguém mais precisa ser convencido de nada. Não ha mais sistemas concorrentes. Nem King Jong Un nem o Castro que resta acreditam “na revolução”. A diferença que subsiste diz repeito tão somente a quem tem o direito de se apropriar de que parcela do resultado e por quais critérios, o da força ou o do esforço. E onde o estado gasta mais de 100% do que arrecada com “pagamento de pessoal” e não investe um tostão furado no que interessa à coletividade deixa de haver qualquer duvida sobre qual a escolha feita.

Só o que há aqui é um jogo de força entre fações pelo comando do butim. A “privilegiatura” nos impõe sua rapina na porrada falsificando cada vez mais ostensivamente os processos de “legitimação” da sua brutalidade. Desmancha nos tribunais o que os representantes eleitos do povo eventualmente decidem a favor do povo. Fecha cada vez mais a porta da mudança com o “financiamento publico” de campanhas e com as regras de tempo de comunicação entre candidatos e eleitores na televisão. E ao impor, agora, a proibição (!!) da produção de provas materiais contra a falsificação do voto assume-se oficialmente como o que quer vir a ser.

Houve uma aposta forte o suficiente para deter a marcha-à-ré e colocar o país andando para a frente na altura da instalação do governo Temer apenas porque, apesar de todos os pesares, ele assumiu com o tipo de discurso consequente que precede obrigatoriamente as ações consequentes. Ninguém tinha ilusões sobre a dificuldade de transformar aquelas palavras em atos, mas o preço é função da escassez e nem esse tanto pouco nós jamais tinhamos tido. O mercado reagiu mais por saudade que por esperança…

Atingido abaixo da linha d’água por intenso canhoneio por ter ousado tanto – e tão somente por ter ousado tanto – o governo Temer teve o discurso da reforma de que até então não se ousava dizer o nome enfiado goela abaixo de volta com todas as suas escamas e espinhos apontados na direção de machucar. Cada vez que tentou ressuscita-lo o bombardeio recrudesceu na forma de dossies vazados para uma imprensa fácil diretamente pelas corporações que se apossaram do estado para construir uma “privilegiatura”. Uns apontam o herege e fornecem a lenha, os outros encenam os autos-de-fé. Como todo mundo se elegeu do jeito que a lei mandava, quem ataca a “privilegiatura” tem os contatos de mucosas com os financiadores de campanha que todos tiveram escancarados com escândalo na televisão, tão certo quanto que o sol vai nascer amanhã. Para qualquer grau de obscenidades outras ha recurso … e disposição para o silêncio. A aposta é, portanto, em Darwin. Sobrevivência dos mais adaptados. A lei só se impõe pela certeza do castigo e o país está sendo ensinado a duras penas que a do crime é a unica que não falha.

Esgotado o discurso das reformas o governo Temer – como qualquer outro presidindo o colapso de uma nação esgotada por um sistema de privilégios – não tem mais nada a dizer. Tenta resistir vendendo a memória das “conquistas” que decorreram da antecipação pelo mercado de uma ate então impensavel reforma da previdência publica escondida no bojo de um mero ajuste da outra, mas é tarde. Paga – e nós junto – pela covardia de não ter enfrentado o leão de fente. A condição descamba para o desespero, porém, a cada centímetro que o discurso dos candidatos a substitui-lo se afasta da reforma da previdência pública. E não ha exceções. Quem não é assumidamente covarde é omisso.

Excluída a discussão da cura possível, tudo que subsiste é a distilação de bilis dos que se dispõem a isso, discurso que uma parcela do eleitorado compra ao menos como vingança. E então cai-se no pior dos mundos. Não ha reserva de moeda forte que aguente…

A economia é só uma medida do estado de sanidade do ecosistema institucional onde uma sociedade vive e tenta progredir. E o nosso entorta a partir da raiz. Nossa eterna crise economica é efeito, não é causa.

Todo sistema de governo é uma hierarquia. Estabelece quem manda em quem. Democracia é a forma de governo em que os representados mandam nos representantes e aqui o que acontece é o contrário. A essência da tapeação que nos impingem é que desamarrado o representante dos seus representados, todos os outros mecanismos macaqueados de sistemas democráticos para proteger os representados protegendo os seus representantes passam a jogar para inverter essa relação. Ficam eles armados para jogar só para si e contra nós e invocar as “instituições democráticas” para defender a sua moeda falsa.

Desentortar o Brasil é, portanto, muito mais simples do que parece. Basta amarrar firmemente cada representante eleito à parcela exata do eleitorado que ele representa, e dar a esses eleitores poder de vida ou morte sobre o mandato dele antes e, principalmente, depois da eleição. Isso se consegue com eleições distritais puras, direito de retomada de mandatos e referendo de leis pervertidas por iniciativa popular a qualquer momento. Armados assim os representados ficam os representantes permanentemente sob mira e impotentes para nos meter em caminhos sem volta. E isso abre o país à reforma permanente que é a condição natural de qualquer organismo vivo com pretensões a manter-se vivo num ambiente em permanente mudança.

O resto acontece sozinho. Todo mundo acaba indo em direção à felicidade se lhe for dado escolher em que direção quer andar.

Quanto a como instalar esse processo, também é simples. Encha-se de povo as principais praças públicas das principais cidades do país com metade dos manifestantes segurando o mesmo cartaz duas ou tres vezes ao longo de um ano e a coisa acontece. Exatamente do mesmo jeito que conquistamos a nossa última façanha “impossível”.

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§ 9 Respostas para Essa crise econômica eterna é ecológica

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  • Anônimo disse:

    Vá a m….!

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  • Milton Leite Bandeira disse:

    ‘O POEMA’ “O importante não é ver tudo, – é ver onde os outros não veem. A mentira (tirar a mente)  instalou-se em nossos povos quase que constitucionalmente. O dano tem sido incalculável e alcança zonas muito profundas de nosso ser. Movemo-nos na mentira com naturalidade. Daí ser a luta contra a mentira oficial e constitucional o primeiro passo de toda tentativa de uma reconstrução.” (Octavio Paz,  Diplomata, Poeta, Premio Nobel de Literatura – 1990).

                                                      Com fundamento na frase de Octávio Paz, acima, na ‘JUIZ DE FORA NAÇÕES – INAMIGO – A MARGEM TERCEIRA DO RIO PARAIBUNA’, sugerimos uma mobilização dos jornalistas do Brasil por uma

     ‘CONSTITUINTE CULTURAL EXCLUSIVA SÉCULO XXI – Reconstrução Cultural da Consciência Política pelo 3º SETOR BRAZILINDIO, com supervisão social (OSC) e participação popular’. 

    Se um médico para se formar precisa estudar seis anos, um Advogado, cinco anos, é lógico que um candidato a Político deveria estudar,  no mínimo 8 (oito) anos, porquanto o exercício da Político exige uma ‘CULTURA HOLÍSTICA’, na qual a SOCIEDADE BRASILEIRA DE EUBIOSE (EUBIOSE VICONSCIÊNCIA – A SABEDORIA INICIÁTICA DAS IDADES – CULTO À LUZ – A CIÊNCIA DA VIDA PLANETÁRIA – A MITOLOGIA DO FUTURO) é provavelmente, entre as demais 192 nações filiadas a ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU) a única instituição de ‘BHUMI – PACHAMAMA – GAIA, o planeta Terra como um ser vivo’, que congrega, ‘Mitológica, Cultural e Filosoficamente’ a totalidade dos PARTIDOS POLITICOS. 

    “A maior lição política do Século XX será que o poder é a morte das ideologias políticas”. (Tristão de Athayde).

                                                      No entanto, a CÂMARA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA admite em seu quadro político quem sequer frequentou o MOBRAL DA POLITICA, ou seja, o INFANTIL das primeiras letras jurídicas e políticas, o que prova por parte dos VEREADORES/VEREADORAS um estado regressivo de direitos coletivos e individuais, social, cultural, ambiental, comunicacional, indígena (sequencia CONSTITUCIONAL) de educação, cultura e consciência da época da inauguração do CINE LUIZ, em 15 de julho de 1955, da cidade de Juiz de Fora/MG. 

    Que irão exercer o seu mandato contínua e a permanentemente infringindo os ‘PRINCÍPIOS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PUBLICA’. 

                                                        Ou seja, estamos entregando o ‘PODER LEGISLATIVO’ da cidade de Juiz de Fora a pessoas totalmente despreparadas para a função, que obviamente incorrem, diuturnamente na infração do princípio da ‘EFICIÊNCIA’ no contexto dos princípios mais amplos que regem a administração publica constitucional – ‘LIMPE’ (LEGALIDADE – IMPESSOALIDADE – MORALIDADE – PUBLICIDADE – EFICIÊNCIA), em consequência de ‘SUA IGNORÂNCIA’, praticando sistematicamente o ‘SILENCIO DA CORRUPÇÃO JURÍDICA’ (CF, Art. 37 c/c a Lei nº 10.000, de 8 de Maio 2001 – – REFORMA ADMINISTRATIVA NO ÂMBITO DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA – DOS PRINCÍPIOS QUE REGEM A ADMINISTRAÇÃO PUBLICA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA,  como ART. 1.º – A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE JUIZ DE FORA PAUTAR-SE-Á PELOS PRINCÍPIOS JURÍDICOS DA LEGALIDADE – FINALIDADE – INTERESSE PÚBLICO –  PRIORIDADE ÀS ATIVIDADES-FIM – MOTIVAÇÃO – PROPORCIONALIDADE – RAZOABILIDADE – MORALIDADE – IMPESSOALIDADE – TRANSPARÊNCIA – PARTICIPAÇÃO POPULAR – PLURALISMO – ECONOMICIDADE – PROFISSIONALISMO E EFICIÊNCIA. ART 3º, I – V – VIII) por não saberem o que fazer. 

    “Administrar éaplicar a lei de ofício”

    (SeabraFagundes – Guerreiro do Direito).

     

    EUBIOSE

    A ESCOLA DA LEI E DA VERDADE

    EM 1º LUGAR

     

     

    NINGUÉM SE ESCUSA DE CUMPRIR A LEIALEGANDO QUE NÃO A CONHECE

    (LICC, Art. 3º)

     

    O DESCONHECIMENTO DA LEI É INESCUSÁVEL

    (Código Penal, Art. 21)

     

    ERGA OMNES – A LEI VALE PARA TODOS

     

     

    DURA LEX SED LEX

     

     

    SUPORTA A LEI QUE FIZESTES

     

     

     

    A LEI NÃO ACODE OS QUE DORMEM

     

     

    A VERDADE DA LEI NÃO ESTÁ COM NENHUM DENÓS

    MAS ENTRE NÓS

     

     

    SOMOSTODOSPARCEIROSDALEI

     

     

    CULTURA DO CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTODA LEI

     

     

    QUEREMOS LEIS GOVERNANDO HOMENS

    NÃO HOMENS GOVERNANDO LEIS

     

     

    A  ÚNICA LIBERDADE QUE PODEMOSASPIRAR

    É A LIBERDADE DA LEI

     

    NÃO SE DEIXE CONFUNDIR PELAS SUPERFÍCIES,

    NAS PROFUNDEZAS TUDO SE TORNA LEI

     

    TODAS AS LEIS HUMANAS SE ALIMENTAM DA LEIDIVINA

    DEUS É A LEI E O LEGISLADOR DO UNIVERSO

     

     

    FORA DA LEI NÃO HÁ SALVAÇÃO

     

     

    CIDADANIA E SOBERANIA DA LEI

     

     

    LUTANDO PELO DEVER LEGAL

     

    SENTINELAS DO FOGO DA LEI

     

    COM O RIGOR QUE JULGARDES

    SEREIS JULGADOS

     

    A FORÇA DO DIREITO DEVE SUPERAR

    O DIREITO DA FORÇA

     

    A FORÇA DO DIREITO DEVE SUPERAR

    O DIREITO DA FORÇA

     

    QUEM FAZ A LEI DEVE SER O PRIMEIRO

     ACUMPRIR COM A LEI

     

    A ADMINISTRAÇÃO DA NAÇÃO E DAS

     CIDADES PELO IMPERIO DA LEI

     

    “TODAS AS VEZES, Ó FILHO DE BHARATA, QUE DHARMA (A LEIJUSTA) DECLINA E QUE ADHARMA (O OPOSTO A DHARMA) SE LEVANTA, EU ME MANIFESTOPARA O RESTABELECIMENTO DA LEI, EU NASÇO EM CADA YUGA ”.

    (BHAGAVAD GITA, IV, 7,8).p

     

     

     

     

    MILTON LEITE BANDEIRA

    DefensorDireitos e Deveres Humanos

    ConsultorDireito Social Militar e 3º Setor Brazilindio

    PromotorMobilizador Cultural

    DiretorExecutivo da ASSDAK

     

     

     

     

     

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  • Adriana disse:

    Muito bom Fernão! E eleições de retenção de juiz também.
    Porque sempre é bom lembrar que nossos juízes não são aferidos em suas provas de concurso quanto ao senso de justiça. Apesar disso, lhes é concedido o privilégio do absolutismo,
    Então, por não terem a exigência de ser justos, partem para o caminho fácil do garantismo.
    Nesse caminho, para não revelarem o absolutismo injusto, e os penduricalhos também injustos, banhados no sangue da sociedade, se tornam garantistas, impondo ainda mais ônus à nossa cega sociedade, que só consegue ver o que a deixam enxergar.

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    • Fernão disse:

      é isso mesmo, adriana.

      mas é preciso ir por partes.

      primeiro conquistar a condição de andarmos com nossas próprias pernas e na direção que quisermos.

      esse primeiro passo é o que demanda mais energia e concentração de foco.

      então sim escolher em que direção ir, que prioridades eleger; ir e voltar e ir de novo ate acertar, como é de direito de todo cidadão numa democracia

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  • Ciro Cesar disse:

    Fernão,
    Pergunto-me quando (e se) mães invadirão Versalhes e iniciaremos nossa revolução.
    A alienação de Brasília à realidade do povo, e a união impensável dos corporativismos é desoladora. Soltam a senadora, armam para soltar o encarcerado na “calada da Copa”, jogam, enfim, contra a Lava-Jato …
    De onde pensam que sairá o salário (e penduricalhos) deles em alguns anos?
    Abafaram Junho de 2013, como se não houvesse existido, e retornamos à passividade …

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    • Fernão disse:

      pois é.
      temos de aprender a persistir em fazer por nos como eles persistem em fazer por eles.

      o problema é que eles são profissionais em tempo integral. tiram o sustento só disso. e nós teremos de ter dois empregos se quisermos fazer-lhes frente.
      jornada dobrada. aí é que está o “x”…

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  • Flavio Bottini disse:

    Ótima análise. Parabéns.

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  • José Silvério Vasconcelos Miranda disse:

    Artigo soberbo. Sem reparos.

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