País rico é país de falsos problemas

22 de janeiro de 2014 § 5 Comentários

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O Brasil é o paraíso deles. Não resolve nenhum dos verdadeiros quase sempre porque não dá tempo de discuti-los no meio do infindável blá-blá-blá em torno dos falsos.

Veja os “rolezinhos”.

Se o “rolezeiro” é preto, branco, japonês ou índio, pobre ou rico, é um falso problema. Encher shopping center de gente então, mais ainda.

Eu aposto o meu braço direito que a maioria dos jornalistas, sociólogos, “especialistas” e “movimentos sociais” que transformaram essa discussão nisso estariam pedindo pra polícia dar porrada se os “rolezinhos” estivessem sendo organizados, “só pra zoar”, por playboys endinheirados dos jardins.

Os lojistas, então, estes rezam todos os dias pra ver os shoppings lotados. Mas “rolezinho” não é isso.

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Rolezinho” é uma turba, convocada como turba para agir como turba, constrangendo e intimidando os outros com correria, com gritaria e, se deixar, até com saque às lojas.

Têm de ser coibidos pelo fato simples de que a liberdade de cada um acaba onde começa a do próximo.

É só olhar para o problema por esse lado que ele fica simplérrimo de resolver.

Se continuar sendo tratado como o que não é, veremos nascer mais uma indústria neste “país rico“: a da ocupação de shoppings e, se derem mais tempo, a da “desapropriação” do recheio das lojas por um futuro MSN, um movimento dos sem nada de araque como todos os similares.

A “questão” do Sistema Prisional é outro.

A cada vez que a coisa explode a gente vê as mesmas velhas figuras de sempre dizendo que prender não é a solução, a solução é soltar, etc., etc. e tal.

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Soltar quem, cara-pálida? Assassino? Estuprador de criança? Ou a metade que nunca foi condenada ou já cumpriu a pena inteira mas continua lá?

Sobre essa parte ninguém discorda.

Só que os juristas e advogados que vivem gritando contra prender – assim, genérica, ampla e irrestritamente como se não tivessem filhos, não tivessem mães, não tivessem cu – nunca lembram que é o sindicato deles, essa mesma OAB que já teve seus dias de glória, que proíbe a advocacia de graça (é isso mesmo que você leu: proibiu, pôs fora da lei a advocacia “pro bono) que podia resolver essa metade do problema que torna a outra metade insolúvel já que, na base de tudo, está a superlotação. Não abrem mão do seu rico dinheirinho. Querem que o Estado os pague pra isso, mesmo cientes de que tudo que cai nas mãos do Estado vira o que vira.

Nunca lembram de mencionar, também, os seus inalienáveis “direitos adquiridos” que são a causa de tudo isso porque, essencialmente, o problema das prisões no Brasil tem a mesma raiz de quase todos os outros: falta de democracia.

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Nossas prisões são como são ha 500 anos porque ha 500 anos há uma lei pra bacana, pra politico e pra funcionário publico e outra pro resto; uma prisão especial pra eles e as que a gente conhece pro resto.

O único jeito de arrumar isso é, primeiro, ter uma lei só valendo pra todo mundo; segundo, garantir que todo mundo que mijar fora do pinico vai preso e, terceiro, deixar claro que todo mundo que for preso vai preso na mesma prisão.

Se politico ladrão, ladrão rico e advogado criminoso fosse preso, e fosse preso na mesma prisão de todo mundo você ia ver eles arrumarem o sistema prisional inteiro num zás-tras, como que por milagre.

Mas enquanto houver dois Brasis, o dos que mandam e fazem leis mas não vão presos e o dos que obedecem e vão, dane-se o deles.

É assim que é.

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§ 5 Respostas para País rico é país de falsos problemas

  • Roberto Mortari Cardillo disse:

    Caro Fernão, comungo inteiramente de sua opinião quanto aos “rolezinhos”, aliás em matéria publicada no CONJUR, de 13-01-2014, eu disse o seguinte: Para Roberto Mortari Cardillo, do Cardillo & Prado Rossi Advogados, os shoppings agiram corretamente ao buscar a Justiça. “O direito de cada um termina quando começa o direito do outro e não há nenhum direito absoluto, inclusive o da manifestação”, explica. Segundo ele, em alguns encontros marcados os jovens afirmaram que tinham como objetivo causar tumultos, como ir no sentido contrário aos das escadas rolantes, fazer guerra de comida na praça de alimentação, entre outros.
    Roberto Mortari Cardillo

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  • Fausto Italiano disse:

    FALANDO DOS PRIVILÉGIOS DE POLÍTICOS LADRÕES , O DE –
    PUTADO JOÃO PAULO CUNHA PRETENDE INOVAR : LEVANTAR
    O DEBATE SOBRE A POSSIBILIDADE DE ESTAR AO MESMO
    TEMPO PRESO E DAR EXPEDIENTE NA CÂMARA . POBRE STF.

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  • M disse:

    O vídeo abaixo tem tudo a ver, apesar das aparências em contrário:

    Há algo de podre no reino da Dinamarca?
    E é lá que todos querem estar.

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    • flm disse:

      é isso aí!
      a diferença é que o Brasil é mais democrático. faz isso o tempo todo com gente de qualquer idade desde que não pertença aos “sabe com quem está falando?”…
      o mundo rico mostra que a riqueza não muda a essência do ser humano. normalmente torna-o pior. o que parece é que somos tão fascinados pelo desfrute das falsas delícias proporcionadas pelo dinheiro que deixamos a busca frenética por elas chegar a esse ponto mesmo sabendo que é assim que vai terminar essa submissão incondicional ao bezerro de ouro…

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  • Milton Golombek disse:

    Parabéns pelo desabafo perfeito !

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