Tudo “em casa”

1 de fevereiro de 2017 § 7 Comentários

vespa-feO prefeito pastor Marcello Crivella, do Rio de Janeiro, está negociando a venda para “servidores públicos” dos apartamentos da Vila Olímpica construida pela Odebrecht. A CEF vai financiar, com juros reduzidos, claro, porque como “servidor” não perde o emprego mesmo que não sirva, mesmo que se sirva, não ha risco de inadimplência. As estatais também foram mobilizadas para que seus empregados não percam a oportunidade. Topa-se tudo, ate uma espécie de “leasing” em que cada “aluguel” pago vai sendo somado como se fosse uma prestação até que o felizardo fique dono da propriedade.

Beleza, né? Ah se todo locador fosse igual ao Estado brasileiro! Como não é, a favela paga a conta, como sempre…

O Globo, que deu a auspiciosa noticia e chamou-a na 1a pagina, lembrou em destaque as queixas de australianos e argentinos sobre a qualidade dos apartamentos na Olimpiada de modo que a favela que não estranhe se depois de pagar mais este mimo aos “funças” for cobrada pelas reformas que eles vão exigir, possivelmente fazendo greves onde elas são mais eficientes, ou seja, em “áreas sensiveis” como saude, transporte ou pagamento das aposentadorias miseráveis dos favelados, como de costume. Em caso de briga interna, governo x servidores ou servidores x servidores pelo melhor pedaço da presa, aí a greve se instala no setor de arrecadação de impostos, o único órgão de todo o vasto organismo da administração pública brasileira que ainda mostra algum tipo de “sensibilidade”.

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A notícia sai um dia depois que o governo “festejou” o deficit primário de “apenas” R$ 156 bilhões, numero alcançado graças à repatriação de pouco mais de R$ 45 bilhões de dinheiro escondido no exterior, coisa que só acontece uma vez na vida. O deficit real foi, portanto, de R$ 201 bilhões, contra o que o “dream team” anunciou, energicamente, que vai “contingenciar” R$ 4,67 bi do orçamento…

As estatais, por sua vez, prosseguem no seu processo de “ajuste” de contas segundo as melhores práticas de “governança corporativa” transferindo impiedosamente grossas fatias do seu excesso mórbido de empregados para a Previdência via planos de aposentadorias incentivadas, isto é, precoces e aumentadas. É um expediente fulminante. O cara, normalmente enfiado lá dentro por algum político, sai da conta do governo e dos ricos acionistas da Petrobras, da Eletrobras e etc., e cai na conta dos “beneficiários” do desemprego, da deseducação, da insegurança, da insalubridade, do desatendimento na hora da doença e da miséria geral que resulta dos grandes deficits nacionais. E as ações sobem na Bolsa e todo mundo ainda aplaude o “ganho de eficiência” assim conquistado.

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Por essas e outras, o IBGE registrou que a diferença média dos salários pagos no setor público e no setor privado subiu de 59% a mais para o setor público em 2015 para 64% a mais em 2016, e que o numero de desempregados bateu recorde com 12 milhões e 300 mil chefes de família na fila do desespero extremo.

Foi a primeira vez em tanto tempo que já não me lembro da anterior, que um jornal – a Folha de S. Paulo – deu manchete ao assunto que, se houvesse jornalismo honesto neste país empurrado à profundidade a que chegamos, não deveria sair das manchetes nem um único dia sequer. O jornal não chegou a mencionar explicitamente ou especular com “especialistas” a relação direta de causa e efeito entre a gordura mórbida do estado e a esqualidez de faquir da nação brasileira, o que seria pedir demais, mas ao menos deu-se uma manchete com o assunto do qual o leitor mais atento poderá eventualmente deduzi-la já que, na mesma edição, destaca que as Minas Gerais de Fernando Pimentel, do PT, que declarou estado de calamidade e pediu ao governo federal mais dinheiro dos miseráveis para sustentar o seu funcionalismo, continuou contratando a rodo neste ano da graça de 2017 que se inicia. Só neste mes de janeiro que acaba de acabar nomeou 1.867 funcionários novos. Também aumentou de 9 mil para 11 mil o salário dos funcionários do “poupatempo” mineiro e “promoveu” os da Secretaria da Fazenda (os encarregados da arrecadação de impostos que agora, no governo federal, têm “participação nos lucros” como na época de d. João VI) com um aumento de R$ 2,5 mil no salário. Já os 15 “conselheiros” da Cemig, tres dos quais são secretários de Pimentel, tiveram o terceiro aumento do “jeton” desde 2015. O mimo por reunião subiu de R$ 7,1 mil pra R$ 14,3 mil por enquanto. Pros barnabezinhos, tipo professor e outros servidores que realmente servem, Pimentel tem atrasado os salários de fome desde o inicio de 2016…

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Não obstante, graças ao esforço ingente do jornalismo pátrio para bem informar, o Brasil inteiro ainda acredita que o que vai mudar ou não o seu destino é a escolha do herdeiro do trono de Teori Zavascki na relatoria dos feitos e acontecidos dos ladrões de casaca da Lava Jato, aquela operação que só “prende e arrebenta” do segundo escalão para baixo da “quadrilha” que assalta a riqueza da nação tambem por fora da apropriação indébita sistematica que está chancelado pela lei e garantida pela constituição…

Essa momentosa questão, como é adequado que aconteça numa “democracia representativa”, será decidida num quarto hermeticamente fechado do 2º andar do Anexo 2 do STF por um grupo altamente secreto de “servidores da Secretaria Judiciária” que, segundo eles próprios afirmam e dão fé – que é quanto basta neste nosso sistema inteiramente estruturado na boa fé e na confiança – que tudo será decidido aleatoriamente pelas artes de “um algoritmo”, que pinçará o nome do escolhido entre os quatro integrantes da 2a turma do STF à qual, incidentalmente, aderiu especialmente para a ocasião o ministro Edson Fachin.vespa-nova

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§ 7 Respostas para Tudo “em casa”

  • José Silverio Vasconcelos Miranda disse:

    A fórmula de vender ao funcionário público, via desconto no salário, é tão antiga quanto o Pão de Açúcar. Em Minas, temos o belo exemplo de
    dois edifícios “modernosos” e mastodônticos, saídos da prancheta de
    Oscar Niemeyer, por obra e graça de Juscelino e incorporados por Joaquim Rolla. Vendidos aos funcionários públicos, via Previdência do
    Estado. Rolla faliu. Os compradores não aguentaram pagar os reajustes
    enormes ditados pela inflação endêmica e os prédios se tornaram um
    monumento da moderna arquitetura comunista. Em tempos nos quais não se levava em conta os impactos ambientais, degradaram boa parte de vários bairros, a praça Raul Soares e todo o seu entorno. Os antigos
    proprietários não conseguiram pagar e venderam os imóveis a preço de
    banana. Ninguém se lembra disso. Joaquim Rolla era protegido do velho ” jagunceiro” Arthur Bernardes e caiu nas graças de JK, Oscar e
    sua bonomia, um ícone brasileiro. Como sempre, como foi acentuado, a
    favela pagou a conta. Comento só um tópico do artigo. No mais, concordo em gênero, número e grau. Somos uns beócios , enganados
    desde o nascimento.
    Em tempo: Juscelino continua endeusado em Minas. Muitos esperam um novo Nono . Ou D. Sebastião .

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  • Edson Galindo disse:

    Tudo tão dito, tão às claras e no entanto nada muda…

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  • Estou torcendo para que neste “sorteio” a bolinha caia para o Lewiandowsky. Só assim o barril de merda explode de uma vez por todas. Também poderia ser para o menino de recados do PT, o Toffoli. A sujeira seria a mesma.

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  • Antonio Caros Polato disse:

    Que bom ter uma caneta, na mão para contratar a qualquer hora, reajustar o que quiser a qualquer hora. E o povão que não tem uma caneta para declarar a politicalha uma coisa inútil e mandar todo mundo embora, para casa sem emprego, assiste a tudo deitado em berço esplendido…não sei até quando….

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  • Marcos Jefferson da Silva disse:

    “O Brasil está morto. Viva o Brasil!”
    Ocasional e incidentalmente, o ministro Edson Fachin assumiu o trono.
    “O Brasil está morto. Viva o Brasil!”
    A favela não suporta mais sustentar essa “apropriação indébita sistematica que está chancelado pela lei e garantida pela constituição” cidadã.

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  • honorio sergio disse:

    Nós merecemos nosso (des)governo…

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  • Olavo disse:

    O Brasil não corre o menor perigo de dar certo….

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