4 desabafos sobre segurança pública

14 de abril de 2015 § 8 Comentários

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Só para não deixar passar em branco o assunto aqui no Vespeiro e oferecer a quem insiste em ser lúcido uma prova de que não está sozinho e de que fazem, sim, sentido as perguntas que assomam às vossas cabeças sempre que ouvem os mesmos argumentos desonestos ou bizarros sobre os nossos problemas de segurança pública, mesmo que a imprensa siga se recusando a fazê-las, registro aqui algumas das que mais têm ofendido a minha própria inteligência nas últimas semanas.

1 – Você tem toda a razão: a principal função da prisão não é reformar gente portadora do “perdoável” defeitinho de trucidar ou estropiar os outros só pra se divertir mas sim tirar essas pessoas das ruas para que esses “outros” (nós) possam, ao menos, continuar vivos. Logo, essas longas sessões que você tem assistido na TV em que “jornalistas”, de um lado (e falo dos com aspas, note bem, porque felizmente ainda ha os que não as requerem), e “especialistas”, do outro, especialmente convocados para afirmar olimpicamente que “baixar a maioridade penal é inutil e até contraproducente porque a prisão é uma escola do crime que não reforma ninguém”, e ponto final, não passam de atestados de desonestidade assinados em rede nacional, ao vivo e em cores.

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E o tanto de gente que deixa de ser assassinada enquanto essas “vítimas da sociedade” permanecem trancadas, não vale nada?

Repito: reformar quem se entrega ao crime é o bonus possível; mas tirar quem mata, viola e estropia das ruas e não deixá-lo voltar a elas a menos que haja provas ou atenuantes indicando que isso é minimamente seguro para os outros, antes de qualquer consideração adicional, é um imperativo elementar de justiça, prevenção e segurança pública.

A possibilidade de outros criminosos menos violentos virem a ser “reformados” dentro de prisões, aliás, depende essencialmente de que o Brasil adote o instituto elementar da igualdade perante a lei. Enquanto houver 5 Justiças diferentes e foros e prisões especiais pra todo mundo que é um pouco mais que um pé-de-chinelo, tudo vai ficar como está: celas especiais cheias de mordomias obscenas, revoltantes e instigadoras de mais ódio e de mais crimes para os ladrões de casaca e assassinos que matam multidões roubando educação e remédio de criança pobre doente que escrevem essas regras e distribuem esses privilégios, e tugúrios medievais/escolas de crime para o resto da população.

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2 – A Folha de hoje mostra estatística da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que dá conta de que a criminalidade cresce exatamente por igual em todas as faixas etárias da população. Uns 38% a mais nos últimos cinco anos. E trata o dado como ponto a favor de quem é contra a redução da maioridade penal. Pra mim parece exatamente o contrário.

O deslassamento geral do Brasil tem, para todas as faixas etárias, os mesmos vetores: a esculhambação geral e assumida sustentada pela vitória sistemática da mentira e da impunidade “lá em cima”, e a esculhambação geral e assumida sustentada pela imposição do mais absoluto e mentiroso relativismo moral “lá embaixo”, especialmente nas 6 ou 7 horas diárias de louvação e aplauso a toda e qualquer espécie de deformidade ou ignomínia comportamental despejada pela Rede Globo, mais que como “normal“, como “desejável“, sobre todo brasileiro, dos nascituros para a frente, do Oiapoque ao Chuí.

Enquanto as escolas forem essas — traia a tudo e a todos que o governo garante e o Brasil aplaude — continuaremos matando a bala, a faca e a porrete cinco vezes mais que o Estado Islâmico por ano – e mais a cada ano – e achando que tá tudo bem — o que é que tem? — “todo mundo é assim mesmo”.

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4 – Ja a discussão do desarmamento, esta é dolosamente desonesta. Seguir afirmando que quem atira é revolver e não quem o empunha; que o maior esforço da polícia e das forças armadas deve ser para desarmar os cidadãos que seguem a lei e não os que carregam fuzis e que a Justiça deve punir com mais rigor quem mata em legítima defesa do que quem mata pra ver o tombo do otário na frente da arma com todas as provas em contrário que estão aí, batendo na nossa cara, é, a esta altura, idesculpável. Além de ser o óbvio ululante que cortar todos os “pintos” não é a solução mais justa e nem a mais eficaz contra a ocorrência de estupros, os numeros do Brasil, onde vigora a mais imbecil, draconiana e mal intencionada das leis de desarmamento são a prova cabal e conclusiva de que isso tudo é mentira.

Mas nem precisava mais uma. Toda a gente séria do mundo ja está careca de saber disso: o desarmamento indiscriminado das vítimas só faz aumentar e não diminuir a quantidade de agressões e crimes de morte pela razão simples e óbvia de que torna muito mais segura a vida do bandido e do assassino que passam a ter a certeza da ausência de revide.

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De modo que, em vez de ouvir os “especialistas” de plantão na Rede Globo, vá ver o que a Harvard University descobriu a esse respeito, procurando cientificamente a verdade pelo exame da realidade dos numeros x legislações de controle de armas em todo o mundo, neste link: http://www.law.harvard.edu/students/orgs/jlpp/Vol30_No2_KatesMauseronline.pdf

4 – O apedrejamento dos PMs nos desastres sucessivos que acontecem nas UPPs do Rio de Janeiro são outro caso que revolta-me o estômago. As UPPs, como foi inúmeras vezes denunciado com todos os indícios que o provam aqui no Vespeiro, foram antes uma “medida pra inglês ver” determinada pela contratação (eleitoreira) de uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no Brasil com epicentro no Rio de Janeiro, do que fruto da vontade dos políticos de lá ou de Brasília de dar ao povo dos morros cariocas a mera esperança de segurança pública que eles sempre lhes negaram até que ficasse claro que logo, logo, os “loiros de olhos azuis” teriam de passar no meio do fogo cruzado de cada dia da Cidade Maravilhosa para chegar aos estádios. As tais UPPs só foram implantadas, aliás, nos morros no caminho entre o aeroporto, os hotéis da Zona Sul e os estádios, pra que não ficasse dúvida de que é disso mesmo que se trata.

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Vai daí, enfiaram soldados da PM em conteineres de lata, desses que a gente fura até com o dedo, e os depositaram bem no meio dos territórios controlados por aquelas feras que as nossas leis de desarmamento não querem alcançar e andam pra cima e pra baixo com bazucas e fuzis calibre 308, barbarizando e matando a torto e a direito.

Ha duas semanas o Fantástico mostrou o que são, por dentro, esses containeres onde os policiais/alvos-vivos são deixados para morrer. Coisa de revoltar lobotomizado! Mas eles ficam lá, dia e noite, ouvindo os “pipocos” e esperando aquele que vai matá-los, enquanto pensam em suas mulheres e filhos em casa. Um troço de enlouquecer. Não dá pra entender como é que ainda tem gente que topa essa parada. (É que atividade policial, assim como jornalismo, não é escolha, é sina, também chamada de “vocação“).

Aí, quando alguém espirra e esses alvos-vivos com o equilíbrio psicológico necessariamente destruído, puxam o gatilho, exatamente do jeitinho que esse esquema todo foi feito pra resultar, o mundo cai de pau em cima dos PMs, que “precisam ser retreinados” e o diabo.

Dá nojo!

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§ 8 Respostas para 4 desabafos sobre segurança pública

  • efoliv disse:

    Enviado de meu ASUS

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  • dibertin disse:

    Sou policial aposentado. Assino embaixo. Especialistas na banania nunca prenderam nem o dedo na geladeira. São sociolopatas.

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Sobre a farsa das UPPs. Desculpe colocar outro post aqui, mas segue a entrevista dos irmãos Bolsonaro, Dep. Est. e Fed. respectivamente com policiais das UPPs.http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2015/04/13/videos-pms-do-alemao-falam-aos-irmaos-bolsonaro-sobre-pacificacao-direitos-humanos-armas-menores-no-trafico-relacao-com-moradores-e-morte-de-colegas/

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Quanto ao desarmamento civil, a história está repleta de exemplos que esse absurdo só favorece bandidos e tiranos.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Pra variar,não me lembro do nome do filme que assisti há,talvez ,uns 7 anos atrás e que era um alerta sobre a trágica situação que chegaríamos.E chegamos…
    Eu ouvi noutro dia que uma certa cidade na baixada santista já é totalmente controlada pelo crime e que nem a prefeita mora na cidade de que é prefeita…
    Eu,sinceramente,não sei nem o que dizer…
    A solução será ,talvez,termos a sorte de ter algum governante realmente decente lá em Brasilia,mas até ele correrá perigo,essa é a verdade… mas não é impossível dar certo uma hora…
    Tem que começar a limpar”por dentro”mesmo.Espero que uma hora comecemos.Como eu disse noutro dia,detesto ser ou parecer derrotista,mas a situação é difícil mesmo…

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  • Situação dificílima. O Lula em evento da CULT afirma: “TODOS OS QUE ROUBARAM TEM DIPLOMA”. Realmente a solução é construirmos mais PRESÍDIOS DO QUE ESCOLAS.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Falando em criminalidade,li o artigo, na A2 do Estadão,do Fernando Lottemberg,presidente da Conib ,a respeito de terrorismo no Brasil e a importância de prevenção através de lei específica.
    Eu queria acrescentar que uma lei anti-terrorismo no Brasil deveria ser mais ampla,incluindo e dando parâmetros para grupos já existentes aqui dentro ,como o MST,que já foi chamado pelo Lula de exército,e um “exército”que não é oficialmente exército,o que é senão um grupo terrorista?
    Eu acho que a comunidade judaica é vulnerável,sem dúvida,mas eu acho que todos nós,independentemente do grupo social ou cultural a que pertençamos mais diretamente,somos extremamente vulneráveis a esse tipo de atos,que são atos que minam as sociedades em geral,e que ,muitas vezes,sem duvida,utilizam grupos mais”sensíveis”.
    Eu temo muito por esse governo do PT em relação ao Brasil,porque,na minha opinião ,é um governo que está se aliando a interesses ,inclusive,internacionais muito estranhos ao que costumava ser a prática da diplomacia brasileira.Eu temo essa “esquerda bolivariana”;eu temo que o Catar,por exemplo, está fazendo massivos investimentos no Brasil,num momento em que poucos estão,o que me parece estranho.Enfim,eu temo que todas as discussões estão se tornando irrelevantes perante um grupo que aparentemente usurpou o poder e que não dá sinais de querer abandonar ,e que não tem ou vê em seu “universo”tais discussões como parâmetros de “governança”para si.Eu acho que a perspectiva do PT e seus foros não tem nada a ver com visões progressistas;acho que é alguma coisa muito atrasada,primitiva e retrógrada,além da nossa imaginação, que entendemos como normal.
    Eu acho difícil uma lei antiterror ,mais ,ou até mesmo menos, ampla,como se deve,ser aprovada num governo assim.Espero me enganar,espero mesmo.

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