O fim da “Nova República”

31 de março de 2015 § 56 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 31/3/2015

As ruas não têm um programa pelo qual lutar. São contra Dilma e os partidos. Não são a favor de nada … Não é só o governo que está à deriva, é o país todo … O que prejudica o governo não beneficia a oposição. Não ha partidos ou dirigentes políticos a lucrar com a crise … não ha organização ou personalidade que possa encarnar o desejo não expresso da massa … Os líderes oposicionistas não se projetam pelas mesmas razões que fazem a Presidência sangrar: não dispõem de nexos com as correntes vivas da sociedade … Para 75% dos brasileiros, os 32 partidos cheiram igual … O cenário conduz à anomia…

As frases acima foram tiradas de artigos deste e de outros jornais dos últimos dias. Temos 45 meses de governo Dilma pela frente. A onda de choques dos tarifaços da energia, dos combustíveis, da tributação dos salários e do dólar está rolando. Ha reuniões de cortes em todas as empresas do Brasil. A cara mais feia da crise ainda nem chegou às ruas e já a única coisa que une o país é a aversão à política, que na verdade é aversão ao Estado de que os políticos se apropriaram, este que se serve e não serve e que incha à custa do constrangimento do país. Só que ninguém liga “” com “cré”. A oposição mesmo, quando se dispõe a interromper o gozo passivo das desgraças da situação, que são as nossas, é para propor o uso de aspirinas para a cura do câncer.

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Nada do que ficou para tras restou em pé. Com a passagem do PT pelo poder, com as duas décadas de atraso correspondentes ao período em que o país esteve suspenso do exercício prático da cidadania e mais a década extra proporcionada pelo “efeito China” que retardou a colheita do que o PT vem plantando, completa-se o ciclo da Nova Republica e o Brasil finalmente deixa o século 20 e alcança o resto do mundo na constatação de que somos uma só humanidade sujeita às mesmas doenças, curáveis pelos mesmos velhos remédios de sempre.

Agora é remover o entulho.

Nada vai mudar na vasta coleção de misérias por baixo das quais ainda pulsa o pulso do Brasil com o que quer que venha a ser acrescentado à desordem institucional vigente. Para que outro Brasil possa nascer será preciso voltar atras e plantar, afinal, em solo pátrio, a pedra fundamental da democracia que é a da igualdade perante a lei.

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O crime não fica impune entre nós por falta de adjetivos na sua tipificação ou de numeros “trucados” na dosimetria das penas mas porque temos cinco “Justiças” diferentes e nenhuma definição clara de competências, os juízes e os funcionários do Judiciário, como todos os funcionários públicos, tornam-se indemissíveis a partir do momento em que são nomeados pelos titulares dos poderes que têm por função cercear e porque é preciso varejar uma biblioteca inteira para decidir quem julga quem em quais circunstâncias dentro dos Tres Poderes e das milhares de corporações em que o país está fatiado, tantos são os “foros” e os “direitos especiais”. De fato é difícil saber se há hoje mais brasileiros sob regimes de exceção ou submetidos à regra geral, ou mesmo se existe uma regra geral e qual é ela.

Toda a retórica sobre “justiça garantista” é uma grossa mentira: a única função desse inextricável emaranhado é ser inextricável para ensejar o comércio do arbítrio e para garantir a imortalidade de um obsceno sistema de privilégios.

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Outros povos entraram nesse labirinto e saíram. A chave da charada está em que a obra que se requer é de desconstrução e só pode ser levada a cabo em regime de mutirão e em etapas sucessivas pelas pessoas diretamente interessadas em que as coisas mudem. É um processo.

Não é fácil começá-lo mas, num regime que ainda é o do consentimento da maioria, tudo que é necessário fazer é fechar o foco porque uma vez dado o primeiro passo ele é irreversível. O poder de retirar a qualquer momento o mandato concedido a um representante – o recall, que faz valer o princípio de que toda legitimidade emana do povo e somente dele – subverte a cadeia das lealdades e pavimenta o caminho da revolução permanente no campo institucional. Assim que o eleitor conquista esse poder a única opção de vereadores, deputados e senadores passa a ser jogar a favor do seu representado ou ir procurar outro ramo de atividade. E por meio deles essa arma alcança também o Executivo.

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A impunidade é a decorrência necessária de uma cadeia de lealdades pervertidas. Se o primeiro elo puder ficar impune e mantiver o poder de nomear “indemissíveis” para todo o sempre, todos os que estiverem abaixo dele ficarão impunes também. Não ha como romper essa lógica “por dentro”. Só o recall é capaz de quebrar essa cadeia e o voto distrital puro – com cada candidato sendo eleito por um grupo identificável de eleitores – permite que ela seja quebrada quantas vezes for necessário apenas na parte doente do tecido social sem que o resto da Nação seja perturbado.

A partir dessa conquista inicial a cidadania está condenada à vitória. Com o recall em punho a primeira providência deve ser a de reforçar o arsenal. Pode-se inaugurar a temporada constrangendo gentilmente os legisladores a reforçar o alcance e blindar as leis de iniciativa popular contra desvirtuamentos espúrios (falo das sem filtro, legitimadas pelo voto universal fisicamente aferível ainda que com alternativa de voto eletrônico, e não das falsificações do PT); estabelecer a obrigatoriedade de submeter a referendo qualquer aumento ou mudança de destinação dos impostos e outras decisões controvertidas dos legislativos; instituir o voto de retenção de juízes de direito que operará no Judiciário o mesmo milagre já instalado no Legislativo; substituir funcionários nomeados por funcionários eleitos (sujeitos a recall); despartidarizar as eleições municipais para garantir o permanente afluxo de água fresca aos reservatórios da política…

Não há limites. Para fazer reformas – tantas quantas se tornarem necessárias – tudo que é preciso é conquistar o poder de fazê-las você mesmo. E “a mão armada”.

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§ 56 Respostas para O fim da “Nova República”

  • Fernão,
    Muito bom, é também isso embora um pouco extenso mesmo pro jornal.

    Não quero dizer prolixo, frise-se.

    Por acaso no final não ficou faltando em itálico ” as armas” ou algo parecido.

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  • Antonio disse:

    Parabéns. Assino solidariamente esse pensamento bem expresso, com estética, precisão e simplicidade.
    O PT tenta se eximir da responsabilidade de estar no comando e por ter levado o país ao colapso. Tenta se vitimizar com velhas ferramentas doutrinárias, e centenárias, contaminando a psique coletiva com um absolutismo disfarçado e centralizado em Partido.
    Só o PT ainda não viu que o sonho acabou.
    Aos 62 anos, tenho a honra de ter participado da redemocratização, da nova república e agora, mesmo velho, sinto-me de novo pronto para o que der e vier na luta pela liberdade que os socialistas me querem negar.
    Antes de morrer ainda verei o Brasil na prosperidade do Liberalismo, com o qual brincamos de esconde-esconde desde o século XIX.
    Pelo bem dos nossos filhos e netos, porque eu já não tenho muito a perder. Taca-le pau!

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  • Unir. Dar força a movimentos sociais como ”vem pra rua”(Rogério Chequer). Agregar idosos, aposentados resgatando dignidade, direitos, cidadania. Aposentados banespianos dar vida a “BANESPA VIVE”, preservando memória de uma instituição que tanto contribuiu para o país, para acabar como acabou pela má gestão política.

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  • Luiz Barros disse:

    Fernão,
    O foco na proposta do “voto distrital com recall”, difícil de se conseguir embora possível, dispersa-se ao meio de um conjunto de outras propostas que, embora eventualmente desejáveis, na minha opinião são impossíveis de se conseguir no momento. Uma reflexão ampla não deve obscurecer objetivos prioritários, que se alcançados levarão aos demais passos. Sigo na esperança de uma explicação sintética que leve adiante o objetivo nº 1: o voto distrital com recall.
    Abraços, Luiz Barros

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    • fernaslm disse:

      esse é o 20mo ou 30mo artigo sobre o tema q
      escrevi desde 2013.
      busque no vespeiro.

      veja se acha o q esta procurando

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      • Luiz Barros disse:

        A questão é exatamente esta: 20 ou 30 artigos excelentes como os seus são vasta literatura para quem queira aprofundar-se no assunto. O sentido de meu comentário, como de outra vez, consiste numa sugestão visando a levar esse conceito ao alcance popular numa campanha de amplo alcance caso, por exemplo, essa reforma ganhe as ruas, se e quando. Porém, perdoe-me se minhas observações são enfadonhas, até porque nem sempre sei me fazer entender e conversas via blog tem suas grandes limitações.

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      • fernaslm disse:

        agora acho q fui eu q n me fiz entender. a ideia era v ajudar a chegar a essa sintese.
        para o q v sugere seria necessario montar um site especial com um sentido mais de campanha para publicos maiores, possivelmente mais apoiado em gravações para youtube q em textos.
        oesp e vespeiro dirigem-se a publicos menores na expectativa de q eles ajudem a disseminar as ideias de q gostam entre as q sao difundidas neles.

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    • Luiz Barros disse:

      Ok, Fernão, posso tentar ajudar.
      Se você quiser podemos sentar para conversar.

      Mas, posso desde já dizer, começando pelo começo: primeiro é necessário definir se há ou haveria, sim ou não, o interesse em lançar uma campanha ampla de comunicação, para além do trabalho jornalístico que você já vem realizando.

      Para isto é necessário analisar: a) o momento e a oportunidade b) a estrutura necessária ou disponível (pessoas e meios) c) custos e viabilidade financeira d) público(s)-alvo e linguagem(ns) e) cronogramas etc. etc.

      Enfim, primeiro é necessário um raciocínio não apenas político como também administrativo e econômico-financeiro. E, claro, para definir esses aspectos cabe a definição dos meios que serão utilizados e a intensidade que se queira dar à empreitada.

      Quanto ao conteúdo, é preciso definir prioridades que devem se pautar não apenas por nossos anseios como igualmente pela consideração do que tenha chance de aceitação e sucesso – sem perder todavia o sentido visionário da iniciativa. O sucesso da campanha se dará se as propostas atingirem um nível tal de aceitação popular que sejam colocadas em pauta no debate da reforma; ou, ao menos, que os temas se popularizem. Acho viável, se trabalharmos bem.

      Salvo seja o solo de uma só pessoa, haverá de se contar com uma equipe, por menor que seja, e os membros desse time devem chegar, sob o seu comando, a um “consenso” (entre aspas porque a palavra é sensível) sobre os temas e prioridades, para maior coesão e motivação. Hoje toda a comunicação é multimídia, você sabe melhor do que eu: então vale o site e os videos para youtube que você mencionou, como uma espécie de carro-chefe, e tudo o que mais for possível, incluindo estratégias para as redes sociais, etc. etc., faixas e cartazes (isto pode ser imediato) camisetas, volantes, adesivos e etc. etc.

      Aguardo o seu contato, se for o caso, creio que você tem o meu e-mail e telefone no cadastro do blog.

      Abraços, Luiz Barros

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  • Senhor da Silva o exército do FLM vai colocar um ponto final em suas barbaridades e delírios etílicos, uma vez que você não possui mesmo nenhuma gota de vergonha na cara. Vamos todos matar os defuntos Ás armas!

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    • Eduardo,
      Dia 12 teremos outra oportunidade e, desta vez, mais objetiva á mostrar ao Senhor da Silva e sua preposta de que o fim pode estar mais próximo.

      Passar por desentendido uma vez basta. Desta vez entenderão o recado.

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  • Deveríamos nos espelhar na disposição do hermano argentino para pelear, quando várias classes, categorias em seus nichos e áreas de trabalho, prejudicados seguidamente e sem perspectiva de iniciativa governamental em alterar, organizar, reestruturar, recompor o social, unem-se e vão às ruas em protesto, a um custo estimado ao final da tarde em 1,5 bilhão de dólares. Para uma situação ruim, assim ainda pode ficar e é pior como está. Tenhamos noção de união já, antes que sejamos colocados em uma argentinização indesejada. Fraterno abraço.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Eu sou 100% a favor de um instrumento que possamos utilizar para destituir aquele político que não está dando certo, o recall,mas acho que antes temos muito entulho para remover até começarmos a enxergar com clareza “o que remover”.
    Nós sabemos que as coisas não funcionam de acordo,mas está vetado a nós “como elas funcionam”.Como você diz,em relação ao judiciário ,mas que vale para toda a “organização”do Brasil,”a única função desse inextricável emaranhado é ser inextricável para ensejar o comércio do arbítrio e para garantir a imortalidade de um obseno sistema de privilégios”.
    Por exemplo,eu não tenho a menor idéia(e pergunto quem tem)do que faz um vereador,quais são seus projetos para a cidade,se ele está trabalhando ou passeando,eu não sei de nada!Como posso destituir uma pessoa que não sei nem quem é nem o que faz de seu cargo?Como posso destituir um deputado estadual ,que eu nem sei para o que serve e nem porque é necessário um deputado estadual e um federal e mais um senador,se nem sei o que ele tinha planejado fazer ou está fazendo?
    Nem a presidente que está fazendo tanta confusão,eu consigo destituir!Quantas passeatas serão necessarias?Nem o Lula,que quebrou o PaÍs e a região toda da América Latina e que nem tem mais cargo no governo,eu consigo destituir!
    Uma boa idéia seria começarmos com voto distrital com recall para vereadores,mas isso precisaria vir aliado a uma simplificação e racionalização de como ele é apresentado ao público.Nós precisariamos saber exatamente em quem estamos votando(o distrital fará isso)mas também o seu programa e orçamento e o local específico onde reclamar o que for descumprido do programa e do orçamento.Algo bem prático.Eu só posso reclamar e destituir aquele sobre o qual eu tenho efetivo controle e o efetivo controle se traduz no conhecimento dos fatos concretos e propostos.

    Fora isso,eu estou muito preocupada com a prevenção de fraude nas próximas eleições porque eu temo que mais uma “agarrada”do PT ao poder pode ser “fatal”.É sábio prevenir e é melhor prevenir do que remediar.

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    • fernaslm disse:

      o recall arruma um monte de coisas, carmen, entre elas a cobertura que a imprensa faz da politica. passando a haver representantes de um lado e representados do outro, ela passa a ter de cobrir o q o representante FAZ pela razão q v reivindica.
      como hj não ha nem uma coisa nem outra, a imprensa acaba acreditando q o q pede cobertura é a conversa q eles atiram uns para os outros durante 3 anos, e para os trouxas dos eleitores no quarto. por isso hoje ela não cobre o que eles FAZEM, só cobre o que eles DIZEM.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Acho que eu não entendi muito bem…Por que a imprensa não cobre o que eles fazem?

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      • Carmem,
        Pode parecer brincadeira mas não é. Só cobrem o que dizem porque a rigor não fizeram nada e não se iluda tanto.

        Embora super importante e necessário o executivo requentou o assunto pra desviar os olhos de outros mais urgentes e graves.

        Não vou na conversa dessa gente e, por isso não levo a sério uma possível ação na lei eleitoral, repito, por mais necessária que seja.

        Tudo que parte do PT fique atento que intenções outras existem.

        São medíocres até nisso, em não saber disfarçar, julgando-nos iguais fanáticos e idiotas.

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  • Carmen Leibovici disse:

    “…mas acho que antes temos muito entulho para remover até começarmos a enxergar com clareza “O QUE DESTITUIR”

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  • Carmen Leibovici disse:

    Você vê,os deputados falam sobre o que não interessa…Vejo agora no Estadão na internet a alegria dos deputados porque aprovaram a maioridade penal de 18 para 16…who cares???Ele não tem coisas mais importantes para se contentarem e aprovarem?
    Eu não tenho nada pessoal contra deputados como aquele comediante (esqueci o nome)que ganhou 1,5 milhões de votos,mas como é que um cara desses pode legislar devidamente?
    Esses deputados deveriam ter nível superior(no minimo),todos,além da ficha limpa e tal e deveriam até ser concursados(seria válida essa idéia de serem concursados?)

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  • Ari disse:

    Se no curso da evolução estiver destinada à cidadania uma participação ainda quase impensável no exercício do poder, para adequar-se à realidade da interconexão instantânea e universal dos cidadãos (que no limite redefinirá o modelo representativo, seja por um recall tornado efetivo e até por um previsível mecanismo de consulta direta para determinação da ação dos representantes), essa atuação não mais poderá ser anônima, pelo princípio da transparência do poder democrático. Quem o exercer precisa ser identificável e responsabilizável, e os representantes tendem a ser meros instrumentos operacionais de quem o exerce de fato. Logo, também o modelo de voto secreto precisará ser alterado.
    E também o de voto universal, pois nem todos do povo estão aptos a participar de processos decisórios complexos. Logo, a cidadania política deverá ser prerrogativa apenas de quem estiver habilitado a níveis específicos de participação.
    A característica democrática de um sistema assim excludente poderá ser preservada se paralelamente houver a implantação de uma estrutura material e cultural de qualificação à cidadania política que possibilite, a todos que o desejarem, irem alcançando a condição de componentes de colégios eleitorais sucessivos, tanto mais exigentes quanto mais relevantes.
    Surgiria assim, no seio da sociedade, uma hierarquia natural, agora baseada em capacidades e méritos, impondo-se a outras menos justas, e também ocupando o lugar da distorcida concepção igualitária que, na prática, submete a todos ao governo dos piores.

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    • flm disse:

      acho q v está confundindo as coisas, ari.
      não é por aí que caminharam as democracias de verdade…

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      • Ari disse:

        Não poderiam ter caminhado, Fernão, por não haver até então essa Ágora Virtual agora tornada um dado da realidade, a que o sistema político a ser desenhado terá de compatibilizar-se.
        Uma ordem social construída não tem autonomia total face à ordem natural imanente que a engloba. Embora não disponhamos da exata definição desta última, parece certo afirmar que de alguma forma ela nos baliza e nos faz distinguir o que “é” do que “não é”, soterrando ao longo do tempo as concepções que dela fazemos e que nos conduzam a becos sem saída evolutivos, e “permitindo-nos” experimentações que guardem alguma sintonia com o seu – para nós desconhecido – propósito.
        Um dos aspectos dessa interação do livre arbítrio humano com o que poderíamos chamar de imposição da natureza, seria justamente o fato de cada indivíduo ser dotado de uma autonomia só limitada pela ordem natural subjacente, e “condenado” a buscar uma ordem social compatível com sua essência, com seu lugar de direito na realidade.
        Dado esse contexto, parece-me que caminhamos para crescente individualização – o contrário de massificação -, o que implica em construções sociais onde o indivíduo tenha crescente relevância.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Todo e qualquer ser humano é um ser político por natureza e ele só precisa de liberdade para exercer o que é uma função natural,intrínseca sua.Os que ocupam o poder constituido não podem se arrogar a exclusividade de exercer ,somente eles, o que é inerente a todos.A participação ordenada de todos na dinâmica de um país deve ser um fato óbvio se o que se busca é a paz e harmonia dos povos.Dominação,qualquer tipo de dominação,é uma aberração.

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  • Admiro muito essas discussões ou mesmo ensaios que tratam do nosso modelo leitoral. Não sei o que dizer se não que não tenho a menor ideia do que nos interessa mais.

    Apenas considero de que o voto não deveria ser obrigatório e nem a presença na urna, como já ouvi de alguns, mesmo quando vc vota nulo ou em branco.

    Democracias?!, sei lá, seria uma regra geral aquela do povo, pelo povo e para o povo? Tanto no Butão como no Brasil?

    E os 3 poderes independentes?

    Outro dia li análise do custo em vidas das novas republiquetas africanas
    , onde se pretendeu implantar democracias. Se mataram mais que morriam quando colonias ou algo que o valha.

    Com todos os inegáveis méritos nas discussões pela necessidade de mudanças sobre a qual, repito não sei sequer a mais sensata, num pais como o nosso pior que a atual situação ” eleitoral! é o regime federativo àquele que leva o que servir pra um deverá servir para todos.

    As presentes discussões ao ajuste fiscal é um bom exemplo, pelo desemprego, inflação etc etc ´

    É aí que mora o perigo, inclusive de convulsões. Quando falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão.

    PS. Não levem a sério a proposta do Governo na mudança eleitoral. É tática pra pulverizar no Congresso e na sociedade outras e urgentes medidas econômicas e, acreditam negociar apoio pela proposta. Quantos anos ficou parada e bem agora foi ressucitada para ser suicidada!!

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  • Carmen Leibovici disse:

    Ari,eu não acho tão difícil “desenhar essa ordem participativa”.Basta tirar o entulho ,como excesso de gente trabalhando para um Estado que se tornou “pesado” demais;usar os recursos estritamente em funçao das necessidades da sociedade ,como educação,sem viés político,saúde,transporte,infraestrutura,pesquisa ,tudo via instituições próprias ,que quanto menos melhor;racionalidade de cargos governamentais-tb quanto menos melhor;concurso para os cargos;inexistência de empresas publicas porque isso não é papel de estado,poucos partidos ,se é que partdos são necessários etc e etc e finalmente instituição de “recall” na mão dos cidadãos para despachar quem não serve.
    O Estado tem de ser uma máquina eficiente e leve para servir aos cidadãos.Não é tão complicado.O que complica são os loucos querendo dominar e querendo roubar tudo para si.Mas até para isso dá para se criar mecanismos impeditivos.
    O Estado é como uma planta de engenharia:tem que colocar em cima da prancha, analisar,calcular e fazer funcionar na prática.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Além disso,Ari,a mim parece que realmente não podemos levar em consideração todos os aspectos da “ordem natural imanente” a que você se refere e talvez não tenhamos mesmo total autonomia em face da mesma.Mas o que importa é andar de acordo com o tempo.
    Marx,por exemplo, deve ter sido muito importante em algum período quando a opressão das massas era muito grande e aquilo precisava ser quebrado.Inciou-se assim um processo histórico,com todas as suas graças e desgraças, que acabou e culminou em outro que é o que vivemos agora ,pelo menos no mundo chamado ocidental.Não dá para voltar atrás como querem certos cabeças duras como Lula e cia.
    Mas ainda há muito por fazer especialmente onde “as culturas”ainda são prisões…

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  • Carmen Leibovici disse:

    Na verdade,os “cabeças duras”a que me refiro acima não querem comunismo nenhum,querem sim usar esse nome para roubar.Essa gente não tem ideologia na verdadeira acepção da palavra.

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  • Ari disse:

    Carmen, concordo com a importância de se andar de acordo com o tempo. Igualmente importante é tentar antever o que vem pela frente.
    Você corrobora o meu ponto quando diz “os que ocupam o poder constituído não podem se arrogar a exclusividade de exercer, somente eles, o que é inerente a todos”. É a esse impulso natural, de ser par entre pares, de dar vazão e consequência ao poder pessoal adquirido, que me refiro. Trata-se da realização da individualidade, tarefa intrínseca de nossa natureza.
    Por isso considero que o advento da disponibilidade de meios para constituir-se a Ágora Moderna era o que faltava para saciar uma demanda reprimida, razão pela qual talvez seja este o momento de sistematizá-la, estruturá-la, afim de ordenar a manifestação da multiplicidade de seus componentes.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Enxugar e racionalizar esse sistema estatal pesado e ineficiente que temos poderia ser um bom começo.
      Eu estava pensando que ,quem sabe, a FGV,USP,Universidade de Campinas ou outras universidades poderiam elaborar um trabalho assim (desenvolver um sistema estatal racional,enxuto e eficiente a ser implantado ,eventualmente utilizando o atual mas fazendo nele as necessárias correções em todos os âmbitos e aspectos)a fim de que seja apresentado ao público brasileiro através da midia e após ao Congresso para aprovação.O Congresso viria por último porque evidentemente haverá muita resistência,por isso o público precisaria conhecer antes essa possibilidade e assim forçar os governantes a aplicá-la.Aí sim ,obrigatoriamente,o recall entrará como a principal arma em nosso poder para controlar o sistema e seus executores do modo que nos convenha.

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      • Já foram feitos várias vezes e encostados outras tantas, inclusive por associações de classe e por comissão da Dilma comandada pelo Jorge Gerdau. Pergunte a ele porque não deu certo.

        Eles, os políticos , não são racionais. Se fossem não estaríamos assim.

        Experimente fazer algo e enviar pra eles.

        Ou pior, imagine-se um parlamentar. Leva uns 5 anos mesmo se passar a noite na fila pra vc falar no Grande expediente, No pequeno fala a vontade e irão ouvir aquele na presidência, a taquígrafa , 1 garção e 2 seguranças na porta.

        Carmen, Coragem, fique 2 dias em Brasília no Congresso e verá a realidade. Nem daqui 10.milhões de anos eles mudam, exceto se tiverem vantagens pessoais em primeiro lugar.

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  • Ari disse:

    Esses últimos comentários da Carmen e do Marito também vieram a calhar: são expressão de uma percepção generalizada, a de que é necessário desbordar o sistema político como atualmente constituído para não ficarmos presos no atoleiro. Talvez só alguma inovação consiga realizar isto.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Eu continuo achando que uma encomenda acadêmica seria uma solução.Não imagino o quanto custaria algo assim,mas pela economia e tranquilidade que proporcionará daqui para o futuro,valeria a pena.Não sei também quem bancaria.Se alguns criaram um sistema para se construir instituições ,como o Fernão citou noutro dia “O Federalista”,e criaram assim um país,os Estados Unidos,não há porque nós não o façamos.Não precisamos começar do zero e desmontar tudo-isso o Lula e a Dilma já fizeram por nós-,basta equacionar e ajustar tudo o que está errado e funciona mal ou não funciona,despedir um monte de gente e jogá-las no mercado(foi por isso que eu disse que haveria muita resistência)e etc.
      Eu acho que hoje,com o avanço tecnológico existente,isso é perfeitamente plausível.

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  • Carmen Leibovici disse:

    “…basta equacionar e ajustar tudo,dispensar o que está errado e funciona mal ou não funciona…”

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  • Ari,
    Estou cada dia mais descrente de melhoras significativas ou sejam as que gostaríamos. Vivemos num país muito diferenciado daqueles que utilizamos como padrão ou algo equivalente. Começa na cultura, na miscigenação, no clima, na educação e por aí vai.

    Não é nenhum absurdo o que escrevo diante de fatos e empiricamente mostrados. Analise sob quaisquer óticas o interior de Santa Catarina, ou outros estados do sudeste em comparação com o Maranhão, ou da Bahia, ou Sergipe sei lá, escolha acima do paralelo 20.

    O que acredito será em soluções regionais não fora o federalismo e sim Estados Unidos como já funcionou menos ruim anteriormente.

    Não podemos querer igualar desiguais, por lei, decreto,, portaria, etc.

    Portanto, as mudanças “eleitorais” sejam quais forem somos reféns de uma história que recentemente mostra da permanência reelegendo a Dilma, não obstante as mentiras, enganações que assistimos na campanha eleitoral.

    Por curiosidade verifique de mapa onde os estados são chanfrados na cor vermelha-votos Dilma, e azul-votos Aécio, e vc constatará o que escrevo.

    Tempos atrás tive esperança com o Parlamentarismo mas não deu. E o presidencialismo é foco de crises cíclicas como mostram todos os países que o adotam especialmente na América Latina e África.

    Se para uns os EUA seria o exemplo, ledo engano. O Presidente dos EUA está na mão do Congresso, tem obrigação com a política externa, econômica e atender as emendas constitucionais se não rua.

    O Nixon mentiu e um juiz de 5a instãncia de nome Sirica pediu as fitas de Watergate sob risco de prisão. À não ser preso, renunciou.

    Os estados cuidam dos estados por exemplo a aplicação da pena de morte, uns tem outros não e variando a forma.

    Confesso-me pragmático depois de tanto que tenho assistido e acompanhado em minha vida.

    Não tenho mais ilusão. O país não acabará, vamos vivendo sim , de sobressaltos.

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  • Complementando,

    Até a ditar medidas econômicas que o governo dos EUA faz através do FED, sabemos essas medidas resultados de avaliações dos outros FED, em 11 ou 12 capitais,( não me lembro ao certo) de estados espalhados pelo país de acordo com suas características e na economia digamos assim permitindo uma “ponderação” ” equilíbrio” nas medidas de atendimento geral.

    Por aqui até hoje se discute da independência ou não do nosso FED o BACEN submisso aos interesses do executivo.

    E inacreditável permitir que o Tesouro Nacional transfira valores pro BACEN o que é absolutamente proibido, vetado pela Constituição. E o Executivo autoriza !!!!!, Crime sem prisão por responsabilidade na gestão pública.

    E acham que o PT está preocupado com mudança na legislação eleitoral ? Exceto que o beneficie como com o dinheiro público à campanhas. Ops! falei no Butão e não é que eles também usam 100% do custo nas campanhas pagos com dinheiro público.

    Ari, cada dia que passa somos levados menos a sério e até entre os BRICS.

    Boa Pascoa a todos.

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  • Luiz Barros disse:

    Essa expressão “Ágora Virtual” faz-me lembrar um projeto-proposta de democracia direta apresentado pela Embratel nos anos finais da ditadura, no governo Figueiredo. À época ainda se utilizava o termo “telemática” para designar a junção das tecnologias de telecomunicações com as de informática. A proposta era a seguinte: um grupo de cidadãos, um pouco mais amplo, comporiam a Ekklesia eletrônica tupiniquim e, outro, mais restrito (500) comporiam a Ágora eletrônica tupiniquim. O modelo, naturalmente, era inspirado no da democracia direta ateniense, aquela cidade-Estado cuja riqueza derivou de sua força militar e cuja população era composta por cerca de 10 a 20% de cidadãos, sendo os demais escravos. Recentemente publiquei pequeno artigo sobre a Apologia de Sócrates na Revista OAB/CAASP, de que sou colaborador, comentando como esse regime político foi capaz de condenar à morte exatamente o homem que entre os gregos era considerado o mais sábio. Segue abaixo o link, se interessar, para a reflexão de quem defende a supremacia absoluta dos mecanismos de participação direta com a supressão da democracia representativa – que deve ser aperfeiçoada e não substituída por regimes de natureza plebiscitários.

    http://www.caasp.org.br/RevistaDigital/ed14/revista_caasp_14.html#/36/

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    • flm disse:

      concordo totalmente.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Ainda refletindo sobre o artigo de Luiz Barros,concluo que aqui no Brasil não evoluimos muito desde a Grécia antiga.O “arcabouço político-institucional” de nosso Congresso e Assembleias não é muito diferente da Ekklesia grega,se pensarmos bem.Até o número de 500 se assemelha ao de participantes do nosso congresso nacional.Só faltam(não!) os “conselhos populares”para sermos praticamente idênticos.

        Realmente,a única coisa que tornará a “democracia” brasileira numa verdadeira democracia será a implantação do faltante “desvoto imediato-ou recall”,que é o que trará dinamismo e vida para a política brasileira,com participação de todos.Essa é uma falha que precisa ser corrigida porque não se pode ter um contrato(o voto é um contrato,não é?) unilateral,e é exatamente essa falha que tem nos tornado submissos à uma “Ekklesia”.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Luiz Barros,acabei de ler o seu artigo.Muito interessante.Obrigada.
    Como eu havia dito noutro dia,quando o Ari nos sugeriu um vídeo,eu particularmente tenho arrepios com essa conversa de certos grupos sociais serem representantes da sociedade em detrimento da sociedade em geral,portanto,para mim,agora,até o termo Ágora já começa também a me causar arrepios.
    Eu não só acredito como tenho certeza de que todos os cidadãos ,do mais pobre ao mais rico,do mais culto ao mais inculto(contradigo um pouco agora a opinião que emiti noutro dia a respeito do deputado Tiririca sobre a qual irei repensar),do negro ao branco,do judeu ao cristão,passando por todos,são inerentemente seres políticos e todos tem o direito de exercer essa função em plena liberdade ,senão seremos sempre escravos.Portanto essa história de Ágora já era e não será mais.

    Fora isso,eu queria sugerir também que já que o senador José Serra assim como outros estão trabalhando na questão do voto distrital,seria prudente e sábio já incluir a ferramenta do recall ,tornando-a legal.A medida que o tempo passa,em sendo a medida legal,aprenderemos a utilizá-la já,aqui e agora.

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  • Carmen Leibovici disse:

    “….tenho arrepios com essa conversa de certos grupos sociais serem representantes da sociedade em detrimento OU EM NOME da sociedade em geral…”

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  • Carmen Leibovici disse:

    Luiz Barros,a morte de Meleto,Anito e Licon ilustram como é o final daqueles que insistem em impor suas “ideologias”sobre outros seres humanos ,e a mim indigna como ainda hoje,nos nossos dias,há quem insista em repetir o irrepetível!

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  • Carmen Leibovici disse:

    …a morte de Meleto,Anito e Licon ILUSTRA….

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  • Luiz Barros disse:

    Carmem, grato por sua leitura.
    O problema não é se eleger o Tiririca, de quem tenho notícias pela imprensa, não sei se corretamente, que vem desenvolvendo uma respeitável representação da classe circense no congresso. O problema é o sistema partidário e de votação, pelo qual um candidato como ele ao receber milhões de votos, ou centenas de milhares, não sei quantos exatamente, automaticamente transfere votos a outros candidatos de seu partido, esses sim inexpressivos, e assim se elegem parlamentares que não teriam votação suficiente por si mesmos.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Sim,Luiz,e parece que é isso que está para mudar ,com o voto distrital que ,parece, está para ser aprovado no senado.
    Como eu disse acima,acho que somos obrigados a dar razão ao Fernão,e insistir para que esse voto distrital venha acompanhado do mecanismo de recall,que mesmo que num primeiro momento não saibamos exatamente como utilizar,pelo menos estará alí como ferramenta legal para começarmos a destituir parlamentares e políticos incompetentes em geral e que não cumprem o que prometem.Como eu já argumentei antes,na minha opinião,precisamos primeiro saber dos programas de quem elegemos e etc para então depois destituí-los,mas uma ferramenta legal em mãos ,sempre é um bom começo.
    Espero que José Serra e Michel Temer leiam o que digo agora…

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  • Ari disse:

    Luiz, teu artigo na revista informa que o “colégio decisório” era rotativo e formado por sorteio, e tinha também funções judiciais. Acho que a única similitude entre aquele sistema arcaico e este outro que esbocei é o nome Ágora, que não precisa ser um rótulo com significado fixo.
    O indivíduo pertence, em primeiro lugar, à ordem natural, e só depois a alguma ordem social. A ordem natural é vastamente desconhecida, e por certo é preciso estabelecermos uma ‘ilha do conhecido’ dentro desse oceano, aprendermos a filtrar e a manter uma coerência perceptiva em meio ao mistério e ao aparente caos que nos envolve. Essa é a função de uma ordenação social: criar uma realidade paralela, protegida o quanto possível daquela regida pelas imposições desumanas da ordem natural (desumanas em vasta escala, mas não totalmente, pois também somos dela ínfima parte).
    Estamos por nossa conta, para concebermos e construirmos o que quisermos, ou quase isso: a realidade tem uma estrutura própria que não está ao nosso alcance alterar. Parece reger-nos através de uma ‘tábua de leis negativas’, bem ao contrário daquelas, positivas, que instituem as ordens sociais que criamos.
    Essa nossa dualidade, que traz consigo a interação entre os comandos de natureza diversa a que estamos sujeitos, leva-nos a evoluir, atabalhoadamente, através do tempo. Temos poucas luzes, e somos obcecados por ela, pela luz, aquela outra ainda mais sutil que a física, que pressentimos poder iluminar também nossa consciência, levando-nos ao conhecimento total…
    Digo isso para deixar patente nosso vínculo primordial, essencial, insuperável, com o que está além de nossas concepções e que nos permite intuir qual a nossa dimensão em verdadeira grandeza: somos indivíduos, num universo minimamente humano, e queiramos ou não teremos de nos haver solitariamente com ele algum dia, ou todos os dias.
    Nossas realidades paralelas bem podem ser tomadas e administradas pelo que realmente são: esquemas úteis para a sobrevivência e para a facilitação da evolução da consciência. Disfunções precisam poder ser corrigidas com celeridade. Não temos tempo para ficarmos fixados nelas!
    Cada indivíduo poderá estar apto (ou não) a participar de processos decisórios específicos. É até óbvio que só os que estejam devam fazê-lo. Mas é preciso identificá-los, escolhê-los, e não por sorteio; exatamente como já se faz com os políticos profissionais credenciados pelos partidos, com a notável diferença de democratizar-se a efetiva participação política de uma multidão credenciada por suas qualificações.

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  • Luiz Barros disse:

    A democracia ateniense, com suas imperfeições, não foi um sistema arcaico à sua época, senão uma evolução política extraordinária, em que, pela primeira vez na história, os cidadãos tiveram a vez, a voz e o voto. O militarismo espartano e, posteriormente, o império romano com seus tiranos enlouquecidos enterraram a ideia dessa cidadania, que permaneceu adormecida por muitos séculos durante a idade média e o período das monarquias absolutistas europeias, para, posteriormente, ser despertada, de formas diferentes, porém igualmente vigorosas, pelas revoluções europeias que puseram fim ao absolutismo e pela fundação do estado americano. Em todas as democracias, seja a da antiguidade grega, sejam as modernas, o regime caracteriza-se por “um homem, um voto”; qualquer que seja o homem, ou, mais recentemente, também a mulher, sem distinções, sem adjetivações e sem verificação de suposta qualificação.

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    • Ari disse:

      As palavras…
      Eu disse arcaico no sentido de antigo, de pertinente a outra época, de desatual.
      A democracia como caracterizada por ti seria completamente inviável em muitos contextos, e totalmente compatível a muitos outros. Não se trata de um modelo absoluto, a ser aplicado a quaisquer circunstâncias, pois o resultado pode não prestar. Uma democracia verdadeira, penso eu, seria a que possibilitasse o engajamento voluntário de todos que quisessem participar, o que certamente só seria possível na medida da capacitação de cada um.
      O dogma igualitário faz todo sentido no contexto da ordem natural, mas é uma excrescência na ordem social, onde é inevitável que haja uma hierarquia; melhor que esta seja por qualificações autênticas que apenas por afluência econômica, ou por privilégios herdados, ou por ‘dedaço’, etc.

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  • Carmen Leibovici disse:

    RECALL FAZ ABSOLUTO SENTIDO.Toda moeda tem dois lados,tudo tem dois lados,o voto também tem de ter dois lados.Não dá para existir o voto sem o desvoto.É lógico,correto,óbvio!

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  • Carmen Leibovici disse:

    Não compete ao Congresso aprovar ou não a obviedade de se corrigir a anomalia que existe do sistema eleitoral brasileiro,anomalia esta que vem causando gravíssimas distorções que vem ocorrendo em cascata,simplemente pelo fato de que não temos podido DESVOTAR ,e assim nosso”representante”tem usado o nosso CONTRATO com ele de forma unilateral e mesmo despótica.
    O que é preciso é uma CORREÇÃO JURÍDICA URGENTE para que as deformações que essa falha acarretam cessem.
    O Fernão vem insistindo EXATAMENTE no ponto onde se encontra o grande defeito da nossa “democracia”,palavra esta que se manterá entre aspas até que a anomalia seja corrigida.
    Recall é a chave para reaver o que nos foi roubado.

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  • Carmen Leibovici disse:

    “….se corrigir a anomalia que existe NO sistema eleitoral brasileiro…”

    “…deformações que essa falha ACARRETA cessem…”

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  • honorio sergio disse:

    Renuncia já!

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  • Carmen,

    Tanto a economia como a política são processos dinâmicos traçados em função de pressupostos e que exigem interação entre eles.

    Quando impõe uma variável ideológica ao nosso caso, tudo torna-se mais complexo começando pela necessária sintonia.

    Visões contraditórias podem até conseguir mudanças, mas com certeza “meia boca” pra não dizer pior.

    Vale dizer de que não tenha esperança em mudanças por mais importantes e necessárias.

    Propostas ficaram encaixotadas por décadas e eram tão importantes como agora

    Anteriormente escrevi e reafirmo de que a mudança eleitoral proposta é mais à um desvio à atenção por parte do executivo à diluir enfrentamentos de problema e e urgente na economia em frangalhos.

    Se rebaixada a nota de crédito daí vc vai ver o que é enguiço com a obrigatória retirada de investimentos da nossa economia, em atendimento a legislação lá de fora, em especial dos EUA.

    E a vaca vai tossir e atolada.

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  • Para o dia 12 de abril, uma mensagem.

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  • Carmen, e aos interessados em absurdos

    O silêncio nesta página permite sugerir, assista, se tiver paciência mesmo só um pouco, no canal 003 da NET a Câmara dos Deputados os debates.

    Ontem anoitecendo tive a curiosidade em ouvir os argumento pró e contra a amplitude da terceirização de serviços.

    Sem preconceito, tão só constatando o que ouvi por parte dos contra ou sejam PT, PCdoB e o PV vc vai ver o que nos espera quando ocorrerem as discussões sobre a reforma eleitoral, mesmo sem considerar do recall,

    Tá certo que democracia é assim, mas assim é demais quando a mediocridade é superada pela mentira, enganação e acima de tudo a ideologia daquela gente preferenciando ao interesse nacional, lembrando de que a Câmara dos Deputados não deixa de ser amostragem-até ponderada, da sociedade goste-se ou não.

    Se vergonhoso para nós e Imagino a reação nas representações diplomáticas de países civilizados e que acompanham essas sessões.

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