Porque o povo não reage?

5 de fevereiro de 2013 § 6 Comentários

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Porque não é só a oposição que não tem rumo.

A crise de liderança é um processo que começa com o enviezamento do olhar dos que se atribuem a função de sincronizar o debate dos problemas nacionais, seja na academia, seja na imprensa.

Não ha uma pauta.

Nos limitamos à denuncia eventual de violações que são sistemáticas. A apontar desvios de rumo quando o problema é que não ha rumo. Ao chororô retórico em cima do resultado necessário das deformações fundamentais da nossa construção institucional em vez de indicar que deformações são essas e como endireitá-las.

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Haverá sempre o que discutir e inventar no que ainda está por vir. Mas o essencial está posto. As modernas tecnologias de construção estão aí para quem quiser usar. E, no entanto, a nossa democracia continua sendo um barraco pendurado numa área de risco que nós nos recusamos a evacuar.

Choramos, um por um, os desastres que a ausência dos pilares fundamentais dessa estrutura obrigatoriamente engendram como se eles fossem excepcionais, imprevisíveis e evitáveis. Mas não tratamos de fincá-los, finalmente, num chão firme.

Somos as sirenes dos governos cariocas nas serras que todos sabem que vão desabar. Não temos foco. Tratamos as consequências como se fossem causas. A nossa desordem essencial como se fosse a deformação de uma ordem … que nunca existiu. Exigimos mais leis mas nunca o enforcement das essenciais.

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Falamos mais do nosso horizonte de expectativas que da realidade. Do país que gostaríamos de ter como se já o tivéssemos ou como se o tivéssemos tido algum dia.

Nunca tivemos. Está tudo por fazer.

Por isso a juventude, que chegou agora e só vê o que existe, não reconhece o país que descrevemos e o povo menos ainda.

A globalização piorou o quadro.

Com a virtual anulação das limitações de espaço e tempo, reassegurados das nossas crenças pelo congraçamento com nossos semelhantes ao redor do globo, embarcamos, como as minorias árabes, numa “primavera dos alfabetizados” julgando-nos mais numerosos do que somos, importando prioridades alheias, mergulhando de corpo inteiro na discussão do acessório sem nunca termos resolvido o básico.

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O básico, senhores, eis a questão!

Não basta denunciá-las. Criticar-lhes a imoralidade. Exigir que sejam suprimidas. Ao básico temos de fazer regredir todas as deformações cuja manifestação se torna obrigatória pela ausência dele na nossa ordem institucional:

  • todos são iguais perante a lei e não haverá foros nem prisões especiais;
  • nenhum poder e nenhum dinheiro que não seja fruto do mérito;
  • as principais funções do Estado devem ser garantir a segurança pública e reduzir a desigualdade de oportunidades oferecendo educação de qualidade a todos os cidadãos;
  • à gravidade do crime deve corresponder, infalivelmente, o castigo;
  • a primeira e inegociável função da prisão é proteger a sociedade e não apressar a ressocialização do bandido.

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Faça o teste. Pegue o jornal de amanhã e veja se algum dos problemas de que ele trata não estaria, senão resolvido, muito bem encaminhado se contássemos como certa qualquer uma destas cinco premissas básicas. E note como qualquer delas, se firmemente plantada, acaba por engendrar as outras…

É preciso focar. Alinhar o discurso. Mirar um alvo de cada vez. Dar a quem não gosta do que temos algo em que se agarrar que seja redutível a uma frase.

Ou não desatolamos nunca.bar10

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§ 6 Respostas para Porque o povo não reage?

  • Ronaldo disse:

    Concordo com o texto acima. Mas o que inviabiliza o nosso País é que uns constroem e os seguintes destroem. Não há regras que mantenham o rumo, um planejamento de longo prazo que obrigue os governantes a segui-lo. O Itamar e o FHC arrumaram a casa, plantaram, criaram condições de um vôo de maior amplitude. Vem o PT, compra tudo e todos, desmoraliza, desorganiza os poderes, querem acabar com a Imprensa livre, gastam os recursos disponíveis e não plantam nada para colher no futuro, enfim destroem os pilares da Democracia para implantar o caos. Realmente não há rumo, não há planejamento e infelizmente não há Oposição que mereça este nome. Não temos lideranças decentes, apenas os corruptos de sempre que se alternam no poder. Há que haver uma reação para que se restabeleça a ordem. Esperamos que esta reação seja civil.

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  • cecithompson disse:

    PRINCIPE, esperança de meu ocaso, da vida que termina O ‘povo’ não está nem aí, desde que possa comprar carro novo, eletrodomesticos que naum sabe usar e andar com meninas que se vestem como putas e putas que tentam parece dignas e ir ao baile funk e ao baile nordestino, que horror de país, fecha a minha conta e passa a regua!!! Na véspera do aniversário desta cidade de merda, agora dirigida por HAddad/LULA (que humilhação) o HD “C” (o principal) da minha maquina queimou e esvaziou INTEIRO – no D não tem quaSE NADA – FORAm 30 pastas de documentações irrecuperaveis, todas as FOTOS e arquivos sobre as cidades – mais de 120 – que visitei e onde morei na Europa, pastas de correspondencia preciosa com gentes que já morreram – até carta de Drummond e gravações de Ravel e outras, com maestros falecidos – enfim: TUDO QUE GUARDEI desde que inventaram a internet. Voltarei aos pergaminhos e iluminuras. SE VOLTAR.   Ouço agora o Hino Nacional na TV CUltura – são 2h08 – e choro, choro. Ao som do mar e à luz do céu profundo. À luz do lábaro que opaís ostentava estrelado. Dos filhos da puta deste solo nada adiantou ser mãe gentil, a mãe que se fubeque. TODAS as mães, penso. DEsgraceira!!!   Voltei de Paraty ontem, lá estava LINDO, foi maravilhoso – mas eis-me aqui transida de horror.   Estou usando o UOL para mandar/receber e-mails, que é HORROROSO – entram 20 mails e 200 de lixo, spam e gente que no OUTLOOK eu havia bloqueado, porque a mierda DO uol NÃO TEM BLOQUEADOR. Meus tenicos estão (1) na Europa, em ferias – classe C ASCENDENTE É TUDO QUE EU ODEIO – deve achar que o Coliseu é o circo de Nichteroiy – e o outro mardito não responde aos recados que deixo ao telefone.  La vida es sueño, e tantas veces una  pesadilla. BJ da RAINHA LOUCA  

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  • flm disse:

    asy es, cara cecil,
    nosso barco é tão pequeno e o oceano tão grande…
    e, por cima de tudo, viver é tão impreciso…
    mas então, não era que só as batalhas que não se pode ganhar que merecem ser lutadas?
    bjs

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  • Nós, adoramos depender do Estado (pai patrão). Por isto temos mais de 30 Universidades federais (pouquíssimas funcionando a contento), que mais servem de cabides de emprego, do que usinas de produção de conhecimento. Temos muitos hospitais públicos – alguns pertencentes as universidade -, e nos gabamos de ter um serviço de saúde “universal”, embora pouquíssimos estejam em boas condições físicas. Tanto nas universidades quanto nos hospitais o que mais se vê é a briga pelo poder. quem será o reitor (com eleições de toda a “comunidade”), ou o diretor do hospital é mais importante que controlar o ponto de médicos que faltam a plantões durante meses, porque não concordam com a escalação. Mas continuam recebendo seus salários. A gente só fica sabendo quando morre alguém. Geralmente pobre.
    Nós adoramos que o Estado repasse dinheiro de nossos impostos aos mais pobres, sem contrapartida. Ao invés de lutar por uma real distribuição de renda, o que significaria reduzir os lucros dos empresários, tanto da indústria e do comércio atacadista, quanto do mercado financeiro.
    Nós, concordamos que os índices de crescimento sejam adulterados, a ponto de que quem ganha a partir de R$291,00 ser considerado de classe média, e o (des) governo gritar aos quatro cantos do mundo que tirou 30 milhões da pobreza.
    A nova classe C, contentinha porque tem cartão de crédito, TV de plasma, geladeira duplex (vazia), muitas vezes não tem água quente em casa e nem banheiro, mas vai ao shopping, e faz churrasco na laje todo fim de semana. Tenho alunos que vão para a escola fedendo, porque na favela em que moram tem que tomar banho de caneca. Mas tem celular de última gera<cão.
    É preciso que todos se sintam incapacitados, dependentes do Estado, dos governos e dos demagogos de plantão. Os “iluminados” da esquerda, passaram 30 anos doutrinando o povão sobre a importâancia de se idenntificar com o homem do povo (como se nós outros, viéssemos das galáxias)Só que , o "homem do povo", de onde viria a salvacão, nunca se preocupou em estudar formalmente (viva a escola da vida!), repudiou o trabalho duro (aposentou-se por conta de um dedinho a menos), e aceitou humildemente que um compadre (relações fortíssimas no interior, principalmente no Nordeste) lhe pagasse o aluguel. Então o "povão" aprendeu e acabou por se identificar com o herói que conseguiu driblar as elites e os poderoso, mesmo falando errando e tripudiando sobre tudo e todos e chegar lá. O "homi" é o espelho em que a maioria se vê e enxerga. Ora, se o "homi", o pretenso salvador do país, o regenarador dos pobres e dos oprimidos é alguém tão corrupto quando todos os, delinquentes, corruptos e malfeitores que acoberta eu também sou corrupto, mentiroso, malfeitor etc. Então é preciso negar sempre, e reproduzir o discurso oficial, que atribui todas as denúncias a mídia, aos poderoso, aos que não aceitam que um operário ocupassem o poder e etc. Resumindo: revoltar-se contra o lulo-petismo implantado no país, e ter de revoltar-se contra si mesmo. E deixar de se ver no espelho. Isto é possível???????
    Com a palavra a psicanálise.

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  • […] Três dias depois a leitora Helena Maria de Souza que, a julgar pelo que ela nos deixa entrever, é professora de escola pública, reagiu no espaço para comentários aqui do Vespeiro, mas com outro desabafo parecido com o meu (aqui): […]

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