Não ha ética, senhores. O que pode haver é polícia…
6 de fevereiro de 2013 § 1 comentário
Como sempre, faltou algo no artigo de ontem. A síntese final.
O mais simples é sempre o mais difícil, o menos lembrado…
Onde acabam sempre os artigos dos que choram as nossas desgraças? Qual o mais repetido dos “é precisos” com que eles são sempre encerrados?
Ética na política…
“É preciso ética na política!“.

Não ha ética de geração espontânea, senhores. Não se espere uma súbita onda de atos de contrição instigados por belos discursos…
O que pode haver é polícia.
O homem só se conforma em trilhar o caminho do esforço e do mérito quando todas as outras alternativas lhe são vedadas. Você trabalha porque se não trabalhar não come. A “eles” é dado comer sem trabalhar.
Comerão sem trabalhar enquanto isso lhes for dado.
Porque o povo não reage?
5 de fevereiro de 2013 § 6 Comentários
Porque não é só a oposição que não tem rumo.
A crise de liderança é um processo que começa com o enviezamento do olhar dos que se atribuem a função de sincronizar o debate dos problemas nacionais, seja na academia, seja na imprensa.
Não ha uma pauta.
Nos limitamos à denuncia eventual de violações que são sistemáticas. A apontar desvios de rumo quando o problema é que não ha rumo. Ao chororô retórico em cima do resultado necessário das deformações fundamentais da nossa construção institucional em vez de indicar que deformações são essas e como endireitá-las.
Haverá sempre o que discutir e inventar no que ainda está por vir. Mas o essencial está posto. As modernas tecnologias de construção estão aí para quem quiser usar. E, no entanto, a nossa democracia continua sendo um barraco pendurado numa área de risco que nós nos recusamos a evacuar.
Choramos, um por um, os desastres que a ausência dos pilares fundamentais dessa estrutura obrigatoriamente engendram como se eles fossem excepcionais, imprevisíveis e evitáveis. Mas não tratamos de fincá-los, finalmente, num chão firme.
Somos as sirenes dos governos cariocas nas serras que todos sabem que vão desabar. Não temos foco. Tratamos as consequências como se fossem causas. A nossa desordem essencial como se fosse a deformação de uma ordem … que nunca existiu. Exigimos mais leis mas nunca o enforcement das essenciais.
Falamos mais do nosso horizonte de expectativas que da realidade. Do país que gostaríamos de ter como se já o tivéssemos ou como se o tivéssemos tido algum dia.
Nunca tivemos. Está tudo por fazer.
Por isso a juventude, que chegou agora e só vê o que existe, não reconhece o país que descrevemos e o povo menos ainda.
A globalização piorou o quadro.
Com a virtual anulação das limitações de espaço e tempo, reassegurados das nossas crenças pelo congraçamento com nossos semelhantes ao redor do globo, embarcamos, como as minorias árabes, numa “primavera dos alfabetizados” julgando-nos mais numerosos do que somos, importando prioridades alheias, mergulhando de corpo inteiro na discussão do acessório sem nunca termos resolvido o básico.
O básico, senhores, eis a questão!
Não basta denunciá-las. Criticar-lhes a imoralidade. Exigir que sejam suprimidas. Ao básico temos de fazer regredir todas as deformações cuja manifestação se torna obrigatória pela ausência dele na nossa ordem institucional:
- todos são iguais perante a lei e não haverá foros nem prisões especiais;
- nenhum poder e nenhum dinheiro que não seja fruto do mérito;
- as principais funções do Estado devem ser garantir a segurança pública e reduzir a desigualdade de oportunidades oferecendo educação de qualidade a todos os cidadãos;
- à gravidade do crime deve corresponder, infalivelmente, o castigo;
- a primeira e inegociável função da prisão é proteger a sociedade e não apressar a ressocialização do bandido.
Faça o teste. Pegue o jornal de amanhã e veja se algum dos problemas de que ele trata não estaria, senão resolvido, muito bem encaminhado se contássemos como certa qualquer uma destas cinco premissas básicas. E note como qualquer delas, se firmemente plantada, acaba por engendrar as outras…
É preciso focar. Alinhar o discurso. Mirar um alvo de cada vez. Dar a quem não gosta do que temos algo em que se agarrar que seja redutível a uma frase.







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