Jornalismo, censura e democracia

28 de abril de 2022 § 1 comentário

Esta entrevista foi dada a Rodrigo Romero, da TV Câmara de Jacareí, SP, em meados de março e liberada para republicação no Vespeiro esta semana.

1a Parte

2a Parte

3a Parte

Será que eles são mesmo só burros?

18 de fevereiro de 2022 § 10 Comentários

Você vem ouvindo o rádio, vendo a televisão, lendo os jornais. E todo dia eles fazem tudo sempre igual. Como curar nossas doenças sem remover suas causas? E tome especialistas em “nadas” falando contra ou a favor de “nadas”…

“Ditadura nunca mais”! “Vêm aí as cassações dos escolhidos do povo por fake news”. “Prenda-se e arrebente-se”! “Ódio aos gabinetes de ódio”! “Quem não aderir à censura (Telegram) está expulso do Brasil”!, gritam os censores, os invasores de propriedades, os cassadores de mandatos eleitos, os carcereiros dos prisioneiros de consciência, “em defesa da democracia”.

Pois é. Não é para principiantes…

522 anos de excomunhões, de torturas e de execuções na fogueira por “pensamentos e palavras” ditos ou atribuídos a “pecadores”; 522 anos de indulgências plenárias pelos crimes e pelos atos de corrupção concretamente cometidos. E os mesmos inquisidores contra-reformistas de sempre, com suas capas negras como suas almas, ganhando manchetes da turba midiática que, todo dia, publica listas de “hereges” e clama na rua por mais autos-de-fé. 

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

Gênero, raça, “feminicídios”…

Privilegiaturas até na morte, e o Estado distribuindo dinheiro e privilégios a grupos pesando metade ou mais do eleitorado em vésperas de eleições? 

“Corretíssimo”! 

Mas dar às “pessoas pretas”, aos homo e heterossexuais, às mulheres e às outras “minorias” todas “desse povinho que deus pôs aqui”, o direito de mandar em político, cassar os mandatos dos que soltam bandidos e aprovar ou desaprovar as leis que lhes dizem respeito como fez todo o mundo que teve conserto? 

De jeito nenhum!

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

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Terceira via? “Federações partidárias” no país onde “federação” traduz um mito que estupra a aritmética?

Ideologia não é um compromisso que você estabelece com os eleitores para mobilizar adesões, pressuposto das contribuições que irão sustentar vivos os partidos que tiverem algo a dizer ao povo em condições de competir no palco das eleições das “democracias representativas“? 

Mas quem precisa de eleitor pra isso no país dos partidos e das “campanhas eleitorais” estatizadas onde, conforme à latitude, tem voto que vale 1 e tem voto que vale 20? 

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros, não sabem onde a coisa pega, ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

Enterrados na lama de cada verão, de cada barragem bilionária que se esboroa sobre o favelão, seu nome é CORRUPÇÃO! O único remédio para isso é democracia. Accountability, a palavra que não tem tradução em português. Será que eles acreditam mesmo que dá pra consertar o Brasil sem por o Brasil mandando em Brasília? Que não sabem como é que isso funciona no mundo?

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

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A culpa é da vítima!

O assassino é a policia!

O que é que mata tanto, o número de armas em circulação ou a certeza de que você volta pra rua, mate quantos matar, nem que você seja o chefe do PCC, desde que tenha dinheiro para desfilar com um “garantista” abanando o rabo na sua coleira?

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

O Brasil tem mais faculdades de Direito que o resto do mundo inteiro somado. É o resto do mundo que ainda não acordou para a justiça da “justiça” getulista, ou esses “direitos trabalhistas” que acabaram com o Brasil só continuam aí para sustentar a maior fábrica de “advogados” analfabetos do planeta?

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

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Keynes ou Hayeck?

Ough! What a tricky dilemma, indeed!

Cobrar mais imposto dos ricos (deixando pros ricos cobrá-los dos pobres pra manter azedo o azedume)?

Ok! 

Mas dar aos pobres, aos pretos e às putas o direito de estabelecer quanto é justo o funcionário público ganhar daquilo que eles conseguirem suando? 

Isso jamais!

E aí você se pergunta: será que eles são mesmo só burros ou tem outro tipo de truta escondida nesse buraco?

O crime só vai ficar menor que a lei, minhas senhoras e meus senhores, meus Ls, meus Gs, meus Ts, meus Bs e meus +, quando houver certeza de punição. Mas enquanto a escolha for entre o Xi Jinping que o Lula “wanabe” e o Vladimir Putin com quem “é solidário” o Bolsonaro, você continuará sendo o merda que você é.

Isso só muda quando o rabo dos políticos e dos juízes que eles nomeiam estiverem nas suas mãos.

Jornalixo x jornalismo: a eterna batalha – 1

2 de fevereiro de 2022 § 16 Comentários

Não é exatamente de glórias a história da imprensa na democracia.

Está longe de ser exata a afirmação de que o homem é um animal racional. A razão particulariza e isola e, antes de ser racional a nossa espécie é gregária. O terror atávico do bicho homem é o da solidão. Na esmagadora maioria dos casos adota esta ou aquela postura diante dos fatos não porque, ele com sua consciência, se tenha resolvido por ela, mas para ter a aprovação da tribo à qual quer continuar pertencendo. E para provar que pertence, a História confirma, não ha limite: troca Jesus por Barrabás , prega o seu salvador numa cruz, adere ao linchamento do irmão, denuncia o próprio pai ao carrasco e, com tanta determinação que, ao longo das eras, com sinistra regularidade, se tem despenhado atras de “líderes” nos mais negros precipícios, como aquelas manadas africanas.

O jornalixo põe-se em campo com a primeira disputa de poder da democracia moderna. Precede o jornalismo instituição em quase 100 anos. É tão mais presente e dominante no cenário da comédia humana quanto a mentira sobre a verdade. A intriga, as falsas acusações, os linchamentos morais, os assassinatos de personagem, a disseminação do terror … o apelo à emoção com o propósito deliberado de expulsar das disputas de poder a razão e os fatos, sempre foram a sua linguagem.

A constituição americana é o resultado do milagre histórico da momentânea superação do ego. O poder não estava em causa. George Washington era o líder inconteste destinado a ser o primeiro presidente. A inspiração do gênio de Alexander Hamilton, de extrair da jovem confraria dos “fundadores” os compromissos do segredo e do anonimato sobre as discussões que seriam travadas na sala da Convenção Constitucional da Filadélfia – tudo que de lá saísse seria apresentado como obra de todos, sem revelar jamais o teor das dissensões havidas – permitiu a criação do primeiro regime político da História deliberadamente produzido pela razão com o propósito específico de dar a cada ser humano o direito inalienável de “buscar a felicidade” como melhor lhe aprouvesse, e não como resultado indireto das vaidades, do sangue derramado e dos ódios gerados na luta pelo poder numa revolução.

Mas a guerra das Gazettes, na imediata sequência, que o Alexander Hamilton, de Ron Chernow, reconstitui em todas as suas sórdidas e atualíssimas minúcias, é o retorno triunfante da força da natureza…

Hamilton, que cometera o imperdoável pecado de ser o preferido de George Washington (que fez dele o artífice das primeiras instituições da nova república) usava a intermitente Gazette of the United States, espécie de precursor do Diário Oficial, para explicar suas ações ao público. Do ciúme que isso provocava em Thomas Jefferson, levando James Madison de arrasto, todos ministros do mesmo governo, nasceu The National Gazette, tocada pelo venenoso mercenário da pena Philip Freneau que o autor da Declaração de Independência fora buscar na França para, com a mão que escrevia o que ele ditava, destruir – nem mais, nem menos que destruir – o personagem que, lá nos seus medos, aparecia-lhe como uma ameaça ao sonho de ser presidente.

E haja lixo!

Nenhum grau de ignomínia foi banido do arsenal. A campanha foi sistemática e corrosiva. Falava em conspiração com a Inglaterra para a volta da monarquia, insinuava corrupção de que nunca houve o mais tênue sinal, invadia intimidades, intrigava esposas contra maridos. Um “depoimento” de uma amante fortuita que, em conluio com seu rufião, chantageava Hamilton, foi o tiro mais baixo. E como sempre acontece, o factóide vira fato. Ganha vida própria.

Hamilton resiste à “fritura” até que sente-se na obrigação de responder aos ataques. Tenta faze-lo num tom superior mas, encurralado, acaba descendo àquele mesmo em que vinham os ataques sucessivos. Instala-se um rio de fel em que ele vai aos poucos se afundando. E no fim, deixa-se matar num duelo/suicídio, desencantado com o regime que ajudara a criar, o mais genial e autenticamente self made dos iniciadores da terceira jornada da democracia na Terra.

O jornalismo demoraria quase 100 anos (e cinco milhões de mortos depois numa guerra civil) para mostrar a cara. Viria como remédio para salvar de si mesma uma democracia que nascera defeituosa. Joseph Pulitzer (1847-1911), reza a lenda, teria chegado a nado aos Estados Unidos. Mal falava inglês quando se atirou do navio que o trouxe da Hungria para alistar-se como mercenário no exército da União na Guerra Civil. Emprega-se, depois da guerra, no St. Louis Dispatch e, mais adiante, como correspondente em Washington do New York Sun. Torna-se dono do jornal de St. Louis e já é uma figura de destaque quando casa-se com uma mulher da elite social da cidade. Aos 36 compra o New York World e o relança como The World, que faz decolar dos 15 mil para mais de 600 mil exemplares, a maior tiragem de seu tempo.

Como Steve Jobs, mais tarde, é o primeiro a entender que “a apresentação é tudo”. É ele que inventa o jornal de títulos e manchetes garrafais. E é também o primeiro que põe seu time na rua, fazendo reportagens sobre a vida dos imigrantes, a violência policial e a corrupção que os explorava. Não sei em que momento a consciência da função institucional do seu métier se sobrepõe ao talento do empreendedor. São necessárias as duas pernas para dar cada passo. Pulitzer ensaia e erra. Descamba frequentemente para o sensacionalismo na concorrência com William Randolph Hearst que copia parte de sua receita. Cria páginas de esporte, seções para mulheres, espaço para humor, aborda crimes e desastres. Inventa o jornalismo de serviço…

Mas faz também o que ninguém ainda tinha feito na página de opinião. E em muito alto nível. Não é mais a tribuna de um dos “lados” da luta pelo poder. Proclama-se um defensor dos sem-voz; abraça decididamente a causa da democracia. É o primeiro a ver o jornalismo como um serviço público e um parteiro de reformas. Embarca totalmente na luta pelas bandeiras da Progressive Era. “Poder para o povo“; a virada antitruste; recall, referendo e iniciativa como ferramentas para quebrar a resistência do establishment

É ele quem cria o modelo do jornalismo democrático. Aos 43 anos, cego, abandona as redações. E vaticina: “Nossa república e sua imprensa vão florescer ou decair juntas … Uma imprensa cínica, demagógica e mercenária vai produzir, com o tempo, um povo igual a ela. O poder de determinar o futuro de nossa república estará nas mãos dos jornalistas das gerações futuras”.

Ele e Sam McClure, seu contemporâneo, fundador da revista McClure’s e “inventor” do jornalismo investigativo, de grandes reportagens apuradas em profundidade e com força para desafiar com a arma da verdade robber barons do calibre de John Rockefeller, dos donos das ferrovias, de J. P. Morgan e o mais que, em conluio com as máquinas partidárias corruptas, vinha estrangulando a democracia com o garrote dos monopólios, compõem as duas frentes do jornalismo moderno e dão a pauta moral dos Estados Unidos de seu tempo.

McClure, mais um curador, que um inventor, não tinha o tino empresarial de Pulitzer. Mas era um gênio para encontrar talentos e formar equipes. Todos os melhores escritores de seu tempo dos dois lados do Atlântico – Mark Twain, Conan Doyle, Rudyard Kipling, Robert Louis Stevenson, Bram Stocker, J. Fenimore Cooper e tantos outros – lançaram-se pelas páginas da McClure’s. E seus repórteres muckrakers (“revolvedores da merda”) como Ida Tarbel, Ray Stannard Baker, Lincoln Steffens e outros, trabalhando frequentemente afinados com o presidente reformista Theodore Roosevelt, fizeram os Estados Unidos da gilded age tremer nas bases.

Os dois elevam o jornalismo a instituição da Republica. Mostram ao país, entre outros feitos, os remédios da democracia direta suíça que resgataram a democracia americana e lançaram os Estados Unidos modernos.

Mas desde o nascimento, essa faca tem dois gumes. E o primeiro é o que corta mais fundo, como se verá no capítulo de amanhã.

Roteiro para um jornalismo democrático

5 de maio de 2021 § 28 Comentários

Indagado, certa vez, sobre o que era necessário para governar um país, o general De Gaulle respondeu que, antes de tudo, ter “une certaine idée de la France”.

Governar um jornal no Brasil é colocá-lo a serviço de “une certaine idée du Brésil”, ou seja, avaliar e tomar posição a respeito de tudo que acontece no país pelo critério de se tal acontecimento, pronunciamento, atitude do poder público ou o que seja, aproxima ou distancia o país desse projeto de Brasil.

Todo órgão de imprensa, no Brasil e no mundo, funciona assim. A esmagadora maioria dos brasileiros olha os acontecimentos hoje como quem tem em mente um Brasil onde um órgão não eleito deve mandar no governo, o governo eleito deve mandar no eleitor, a lei deve valer só para alguns e a privilegiatura deve ter, só para ela, os direitos que nega ao favelão nacional. É em função disso que hierarquizam suas matérias, selecionam as suas fontes, tomam posição diante dos acontecimentos, criticam os atores da cena política e orientam a sua pauta, reservando qualquer contraditório quando muito a cercadinhos delimitados onde, ao lado de mais alguém a favor dessa receita, toleram o discurso, por alguns minutos por dia, de alguém imposto pelo proprietário para eventualmente dizer uma ou duas palavras contra ela.

Mas não é essa a única opção possível. 

Descontados os efeitos de época, tudo que a História registra em matéria de organização das sociedades humanas pode ser classificado em uma dessas duas chaves: governos que mandam no seu povo, com mais ou com menos sangue mas sempre com muito sangue, ou povos que mandam no seu governo. Escolher “uma idéia de Brasil” democrático para inspirar a orientação editorial de um jornal não requer, portanto, inventá-lo do nada. Basta procurar os fatos, como é do mais básico dos cânones do bom jornalismo. Em vez de demonizar os países que escolheram sistemas em que o povo manda no governo, cobrindo exclusivamente o que neles acontece de ruim e censurando a divulgação de qualquer dos seus aspectos positivos, passar a cobrir sistematicamente os mecanismos através dos quais esses povos exercem o governo sobre seus governos, explicar como funcionam, cotejar os resultados de um e de outro sistema para o controle da corrupção, o desenvolvimento e o bem estar das pessoas que os abraçam e, assim, proporcionar que os brasileiros façam uma escolha informada entre as opções existentes.

Chamemos “JDJornal Democrático” um que escolhesse INFORMAR os brasileiros sobre o funcionamento dos sistemas onde o povo manda no governo como o eixo da sua orientação editorial. Fariam parte da sua lista de princípios inegociáveis os seguintes:

O JD acredita na democracia e que democracia existe quando o povo manda no seu governo.

Quando o governo manda no povo o que existe é arbítrio.

Todo acontecimento, lei, atitude de governante, de politico, declaração de fonte ou de cidadão que contribua para reforçar o poder de arbítrio do governo sobre o povo deve ser denunciado como antidemocrático e abordado criticamente pelo JD e toda ação, lei ou proposta que reforce o poder do povo sobre o governo deve ser apoiada.

O JD é absolutamente intransigente na luta pela igualdade de direitos e contra o privilégio institucionalizado.

Deve atacar inegociavelmente todo privilégio estabelecido, toda ação política, toda lei, todo preceito constitucional que não valha igualmente para toda a população e, portanto, que institua ou defenda a permanência de um privilégio. 

Constatado que o Brasil anda para trás desde 1988 quando foi instituída a atual constituição, o JD está totalmente convencido de que é ela o principal aleijão do país e, portanto, é sempre crítico em relação a ela. 

A C88 jamais deve ser invocada, nas argumentações do JD, para encerrar discussões, somente para abri-las.

O povo brasileiro não dispõe de nenhum instrumento institucional para mandar em seu governo. Nosso meio político não discute nem nosso meio acadêmico estuda os modernos arranjos aplicados para este fim em outras partes do mundo. Para a grande maioria dos brasileiros é como se eles não existissem. O JD compromete-se a informa-lo de que não é assim instituindo uma linha de cobertura sistemática do funcionamento de sistemas como o americano, nos níveis estadual e municipal, o suíço, nos níveis cantonal e federal, dois dos mais avançados em matéria de ferramentas institucionais para permitir o governo do governo pelo povo, entre outros em outros países que persigam esta mesma finalidade, para familiarizar o publico brasileiro com eles.

O objetivo, a ser preservado COM TODO O RIGOR, é municiar o povo com INFORMAÇÃO para que forme a sua própria opinião a respeito das ferramentas institucionais desenhadas para aumentar o poder do povo sobre os seus representantes eleitos concretamente existentes, e não repassar-lhe elucubrações teóricas e/ou opiniões de terceiros a respeito delas.

A questão da REPRESENTAÇÃO é, para o JD, a mais essencial da democracia. Não ha democracia sem que haja uma relação de SUBORDINAÇÃO dos representantes eleitos aos seus representados.

SÓ O VOTO DISTRITAL PURO permite estabelecer uma representação real do país real e cria a condição para que cada “pedaço do povo” possa mandar “no seu” representante. É pauta permanente do JD denunciar os falsos partidos sustentados pelo Estado, mostrar como funciona o sistema de eleição distrital pura e como ele garante que todo poder de fato “emane do povo” e possa ser por ele diretamente exercido sem perigo de manipulações ilegítimas e golpes de minorias organizadas.

O JD é radicalmente a favor dos direitos de recall, de referendo, da inciativa de leis populares e de outros instrumentos de democracia direta para o povo brasileiro desde que cumpridos os requisitos básicos de legitimação desse processo pelo sistema de voto distrital puro.

O problema não é eleger a pessoa errada ou fazer a lei errada. É negar ao cidadão eleitor, destinatário dos serviços públicos e das leis feitas pelos legisladores, os direitos de, sem ter de pedir licença a ninguém senão seus concidadãos, “deseleger” imediatamente o funcionário ou o representante que não honrar seu mandato ou de corrigir ou anular a lei defeituosa assim que ela mostrar sua imperfeição. O JD cobrirá sistematicamente o exercício desses poderes pelo povo em países democráticos.

Porque é uma ferramenta essencial para aumentar o poder do povo de governar o governo e defender-se da corrupção, o JD também fará campanha permanente para que nossos estados tenham suas próprias constituições, mais flexíveis que a federal, dispondo sobre todos os assuntos que dizem respeito só a eles, assim como cada uma de suas cidades, e que estas tenham a liberdade de escolher o seu próprio modelo de governo: com ou sem prefeito e câmara de vereadores. Para tanto fará reportagens constantes sobre como, onde ele existe, o verdadeiro federalismo combinado com ferramentas de democracia direta e os sistemas alternativos de gestão municipal contribuem para o esmagamento da corrupção e o controle da vida pública pelos seus destinatários, como deve ser, e não pelos “produtores” das políticas públicas.

O JD acredita que enquanto os juízes forem nomeados por aqueles que eles têm por função julgar, a justiça será o que é no Brasil, e que eleições periódicas de retenção de juizes e outros mecanismos de controle do Judiciário diretamente exercidos pelos eleitores são o remédio mais próximo da perfeição até agora inventado para encaminhar o problema essencial do controle do Judiciário. Para demonstrá-lo aos brasileiros o JD compromete-se a cobrir sistematicamente essas eleições nas quais é dado periodicamente ao povo a prerrogativa de livrar-se dos maus juízes onde elas ocorrem no mundo.

No taxation without representation”.

Homenageando sua tradição e a história da democracia moderna cuja trajetória se inicia com esse mote, o JD fará CAMPANHA PERMANENTE por uma reforma tributária simplificadora radical e para que nenhuma norma ou lei aumentando impostos nos três níveis de governo possa ser passada sem referendo popular daí por diante e cobrirá sistematicamente os referendos para aprovação ou não de gastos públicos e alterações em impostos que acontecem cotidianamente nos três níveis de governos – municipal, estadual e federal – em países onde o povo manda nos seus governos, com ênfase na demonstração do efeito fulminante que esse expediente tem para a corrupção.

Desde Montesquieu sabe-se que o primeiro passo para quebrar as monarquias é a separação de poderes. 

É bandeira inegociável do JD quebrar a nossa Undecimarquia insurgindo-se e denunciando por todos os meios, como ação antirepublicana e antidemocrática por definição, as invasões de qualquer dos três poderes uns sobre os outros.

O JD sabe que a chave para a solução dos impasses institucionais não está somente na letra da lei mas, principalmente, na definição de quem tem o poder de acionar cada lei. O único meio para que a lei não seja transformada num instrumento do tipo mais sujo de luta pelo poder, como prova sobejamente a história recente do Brasil, é o povo ser O ÚNICO A PODER ACIONAR A INTERVENÇÃO DA LEI NO TERRITÓRIO DA POLÍTICA, salvo nos casos de crime comum.

Por isso o JD defende que a imunidade do representante eleito pertence ao eleitor representado e só ele pode suspender a do seu.

Só a garantia da propriedade privada pode assegurar ao proletário que ele pode vencer pelo trabalho. A constituição federal deve cuidar só da descrição do regime, de definir os limites de cada poder da República, e dos “direitos negativos”, qual seja, do que o Estado NÃO PODE FAZER contra o cidadão, começando pela prerrogativa de lançar mão da propriedade privada de cada um sem autorização expressa de quem suou para amealhá-la.

Somente esses direitos podem ser considerados “cláusula pétrea”.

Qualquer “direito positivo”, aqueles que implicam custos para outras pessoas que não apenas às que vão desfrutá-los, deve pertencer EXCLUSIVAMENTE às constituições estaduais e municipais, ter caráter temporário e ser bancados pelas parcelas de população que concordarem, no voto, em concede-los aos seus concidadãos. Do contrário cai-se nessa indústria de distribuição de privilégios como suborno que é a política no Brasil. É esta a reforma constitucional que o JD defende.

O JD sabe que toda empresa estatal é um ralo de dinheiro público e um elemento de forte incentivo à corrupção. Por isso sempre favorece a solução meritocrática e privada e é a favor de privatizar tudo, inclusive Petrobras e BB.

Mas sabe também que monopólios privados são tão nocivos à democracia quanto monopólios estatais e que, portanto, um grau saudável de concorrência em cada setor da economia é a condição essencial para a contínua valorização do trabalho e a disputa de mercado mediante reduções de preços e, portanto, para uma distribuição saudável da riqueza nacional.

A imposição do monopólio na politica e na economia é o que define, tanto os governos do absolutismo monárquico do passado quanto os do socialismo do presente, e o meio mais efetivo de exterminar a democracia.

Diversidade e competição na política e na economia são, para o JD, sinônimos de democracia. Por isso o JD defende como ESSENCIAIS, tanto a liberdade de reunião de todo grupo ou partido político que realmente emane de iniciativa popular e/ou seja sustentado pelo povo, quanto, ainda mais, a imposição de um forte limite antitruste para a competição econômica. O JD defende um Estado forte mas submetido estritamente à lei referendada pelo povo e atuando somente como instrumento de afirmação dela.

O JD é absolutamente intransigente no combate a idéias com idéias mas também é absolutamente intransigente CONTRA A CENSURA ou qualquer ATO ARBITRÁRIO dos poderes públicos ou dos poderes privados contra jornalistas, deputados ou quaisquer outros cidadãos que estejam apenas manifestando idéias. 

É radicalmente contra “cancelamentos” e “linchamentos morais”, execra esse tipo de ação como antidemocrática, indigna e covarde, protege os exilados e os perseguidos de todos os regimes e crenças, dá exemplos públicos nesse campo. 

Defende inegociavelmente o direito de cada um de pensar, dizer que pensa e praticar o estilo de vida que quiser, contanto que não viole o direito do próximo à mesma coisa, até mesmo e principalmente os que defendem idéias opostas às suas, nem que seja a defesa do nazismo, porque, sendo uma plataforma de promoção da livre circulação de idéias, sabe, como sabe e afirma a Civilização Ocidental ha mais de meio milênio, que não é possível defender racionalmente a proibição de um tipo de pensamento sem acabar por autorizar a proibição de todos.

Dado o grau a que chegou a exploração do País Real pelo País Oficial no Brasil, é obrigatória a instituição de uma linha PERMANENTE de REPORTAGENS sobre “COMO VIVE A PRIVILEGIATURA” focada no CUSTO de cada componente do estilo de vida que o Estado brasileiro obriga o favelão nacional, direta ou indiretamente, a financiar para os detentores de privilégios institucionalizados.

A médio prazo o JD defende o controle da educação pública pelos seus destinatários pela instituição de Conselhos Escolares eleitos entre os moradores de cada bairro servido por uma escola pública (tendencialmente pais de alunos), encarregados de confirmar seus diretores e aprovar seus currículos e orçamentos anuais.

No curto prazo, dada a contaminação e a conflagração ideológica em torno da educação, e a blindagem impenetrável do status quo o JD deve batalhar, na educação pública, por um programa prático voltado para o emprego do futuro que se instale paralelamente ao sistema existente tão humilde e pé no chão quanto aquele que a Índia pôs em prática ha uma ou duas gerações e a colocou na vanguarda do processamento da vida informatizada do planeta.

“ANALFABETO É QUEM NÃO SABE CÓDIGO” seria um bom mote para essa campanha.

COMO IMPLANTAR UMA ORIENTAÇÃO EDITORIAL

Sendo a imprensa um elemento decisivo da luta pelo poder em todos os países onde eleição ainda é o único caminho aceito para conquistá-lo, a disputa pela orientação editorial de cada órgão é um jogo pesado que começa pelo controle ideológico das escolas de jornalismo não só do Brasil mas do mundo inteiro e envereda agora pela tentativa de controlar também o acesso às redes sociais, o que explica a quase perfeita afinação ideológica de tantos órgãos de imprensa ao redor do planeta. 

Historicamente falando, as soluções autenticamente democráticas acabam por impor-se espontaneamente à medida em que se tornam conhecidas pela massa dos eleitores pela razão óbvia de que todo mundo ama o poder, o povo inclusive, e só a ele, devidamente diluído e com as devidas salvaguardas, é seguro concedê-lo. Por isso mesmo a repressão violenta e a censura sempre foram e continuam sendo as principais armas dos partidários dos sistemas de privilégio. Para sustentá-los é necessário concentrar o poder para mandar no povo. E povos, para aceitarem ser mandados, precisam ser mantidos na ignorância que só a violência e a censura podem garantir. 

Sendo o rompimento da censura a chave comutadora básica da História, a resistência contra levantá-la será, como sempre foi, absolutamente feroz.

Como a operação jornalística é tremendamente dinâmica, envolve grandes equipes e parte do zero ao produto final praticamente a cada novo acontecimento apurado, posto no seu contexto e publicado, é absolutamente ilusório pensar que a orientação editorial de um órgão de imprensa possa ser dada à distância pelo dono, só por ser dono, ou por algum organismo burocrático acoplado lateralmente ao organograma da empresa que se reune de quando em quando, como é o caso dos “conselhos editoriais” que existem por aí. A opinião que prevalecerá será sempre a de quem estiver lá com a mão na massa do fato do dia. 

Fazer permear cada cobertura por essa orientação depende estritamente, portanto, de reproduzir, com sinal invertido, o esquema que hoje prevalece na maioria das redações com a orientação contrária. Ou seja, depende da escolha de alguém que conheça o funcionamento, acredite nesse tipo de democracia e esteja disposto a lutar por ela para o primeiro posto de uma estrutura hierárquica perfeitamente clara em que seja ele o responsável pela contratação das duas figuras-chave da redação, o diretor de redação e o diretor de opinião, e mantenha com eles um contato diuturno.

O Brasil como Pulitzer queria demonstrar

30 de abril de 2021 § 24 Comentários

Antigamente, quando se aprendia na escola os teoremas básicos da matemática e da trigonometria, essas verdades fundamentais eram batizadas com o nome do sábio que, pela primeira vez, as tinha demonstrado como tal e, ao fim dessa demonstração, fechava-se a lição com a sigla “c.q.d.” (“como queríamos demonstrar”), tradução do “quod erat demonstrandum” (greco)latino dos tempos de escolas mais cultas.

Com a revogação, quarta-feira, da prisão de Eduardo Cunha e a confirmação de Renan Calheiros como juiz supremo do “estado democrático de direito” do STF fecha-se o círculo. O Brasil está perfeitamente virado do avesso: os ladrões condenados na banca dos juízes e os juízes no banco dos réus.

Ha quem estranhe a volubilidade dessa imprensa que hoje abraça o ladrão da Transpetro depois de tê-lo apedrejado. Eu não. Se Átila, O Huno, se alistasse amanhã para o linchamento de Jair Bolsonaro também ele se converteria imediatamente em herói do “estado democrático de direito” que o STF não eleito, a esquerda derrotada na eleição e os jornalistas que se alinham automaticamente a eles prescrevem para o Brasil. E nem isso faria os herdeiros da imprensa brasileira entenderem que estão fabricando a corda com que serão enforcados…

É verdade que Bolsonaro fornece todas as inestimáveis desculpas para o comportamento dessa imprensa na questão da pandemia. Mas isso não vem ao caso pois se não fornecesse dava no mesmo, como prova a questão do meio ambiente. Nenhum fato pode convencer os lobos que juraram esse cordeiro de morte a não destroçá-lo a dentadas levando junto o Brasil, nem que sejam fatos bastantes para convencer Joe Biden.

As represálias do patrulhamento ideológico, uma vez contadas como certas, têm o efeito de uma bomba de nêutrons: passam a matar a verdade e a dignidade humana sem precisarem mais ser disparadas a cada vez. E se isso é verdade em qualquer lugar, muito mais ainda no Brasil onde a política é uma espécie de abscesso fechado em si mesmo, que encerra na mesma bola de pús, dos monocratas do STF até o limite inferior da privilegiatura onde se aloja diretamente ou por interposto nepote grande parte da militância que as redações abrigam.

Pendurado no corpo do favelão nacional, o abscesso é cada vez mais independente dele. O Brasil ainda elege o presidente da República, os deputados e os senadores que o abscesso engendra em função dos seus processos inflamatórios internos inacessíveis ao comum dos mortais, mas eles estão reduzidos estritamente ao direito de mamar. Os 11 monocratas não eleitos anulam os seus atos e fazem deles e dos eleitores deles gato e sapato sem que ninguém retruque com um gemido sequer. 

Se conseguiram isso com o que restava da classe média meritocrática desfilando sua indignação nas ruas do país inteiro – coitada! – e com quase 58 milhões de votos expressamente dados CONTRA o maior assaltante de todos os tempos, segundo a descrição do Banco Mundial, imagine do que não serão capazes se, conforme a encomenda, o STF conseguir enfia-lo de novo na Presidência com a eleição sem recibo!

O mundo já entendeu, e não quer pagar pra ver. É isso que explica a debandada das multinacionais que apostaram no Brasil nos últimos 100 anos, e não, obviamente, a estupidez – por monumental que seja – de um governo que tem só mais um ano e meio de mandato.

A parada que se joga no Brasil pretende durar bem mais que isso. Desde que desistiu de tomar o poder a tiro, como tomou em todos os lugares onde ainda permanece nele sozinha, e decidiu-se a agarrá-lo pelo voto, a esquerda antidemocrática, no seu pragmatismo amoral e no profundo conhecimento que tem do que há de pior na natureza humana, logo se deu conta de que é a imprensa que pauta a política e não o contrário. Depois de confirmar, por ensaio e erro, que o político chinfrim como são 99,999% dos que vivem de seduzir multidões, faria e diria sempre aquilo que sabe que rende manchetes, concluiu que tomar os postos que determinam o que vira e o que não vira manchete é que é o “Abre-te Sésamo” da Caverna do Poder. 

O ser humano comum, desprevenido das regras do jogo do poder, na sua ingenuidade, é que confunde as coisas devaneando sobre a moral e o livre arbítrio, sem se dar conta de que essas expressões não tratam do que existe, tratam do que deveria existir, estando portanto no território da ética e não no da realidade. Quer dizer, moral e livre arbítrio não mandam no jogo, servem apenas para inspirar uma engenharia institucional que favoreça que assim seja, exatamente porque sem esse tipo de empurrão, mantida a lei da selva, não chegarão sequer a influencia-lo jamais.

Era disso que falava Joseph Pulitzer (1847-1911), o primeiro a entender completamente a função institucional da imprensa num sistema republicano. Foi só quando, graças a ele, o foco da americana desviou-se da luta suja das facções pelo poder para alinhar-se ao interesse do povo de governar o governo que foi possível induzir as reformas da virada do século 19 para o 20 (viés antitruste + ferramentas de democracia direta) que empurraram a democracia deles para o estado de plenitude em que viveu até meados dos anos 80 de que a humanidade começa a sentir dolorosas saudades.

Pulitzer dizia que “É impossível matar mesmo uma democracia muito imperfeita se sua imprensa estiver minimamente saudável”, e que, assim, “se uma democracia estiver dando sinais irreversíveis de que está caminhando para a morte é porque sua imprensa já tinha morrido antes dela” e afirmava que “nossa Republica e sua imprensa vão se consolidar ou desaparecer juntas” e que, portanto, “o poder de moldar o futuro da democracia estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações”. Mas advertia que “uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formaria, com o tempo, um público tão vil como ela mesma”.

Pois aí está, c.q.d….

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