Aprendendo a entender o PT
9 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Aos poucos o PT vai ensinando a gente a entender o PT.
Atente-se aos prolegômenos da montagem do governo Dilma.
Diziam o presidente Lula e sua galera que estavam aí para lutar pela ética na política. Uma vez “lá”, revelaram-nos que não eram exatamente contra a malversação do dinheiro publico que marca a política deste pais. O que os incomodava era a dispersão de forças entre os malversadores e o destino preferencial que se dava ao dinheiro publico roubado até então.
Trataram, assim, de organizar a bagunça. Antes de mais nada, a necessária dose de hierarquia. Perfilharam na sua bancada de sustentação política as 10 organizações que mais têm assaltado o pais e que até ha pouco chamavam criminosas e passaram a exercer eles próprios o comando, agora sim “socialmente orientado”, de uma maquina nacional de malversação de dinheiro publico muito mais rentável, organizada em moldes, digamos assim, federativos.

Ao fim de dois mandatos de inegáveis ganhos de produtividade na atividade “core” (de colher e repartir o nosso dinheiro) e à beira de um terceiro, o PT acena agora aos seus associados com a segurança de uma festa sem perspectiva de final e, em troca da paz entre os que antes disputavam o poder com ele, promete distribuir a cada um dos seus apoiadores, com critério rigorosamente proporcional, o quinhão correspondente aos votos aportados por cada um à organização sob comando unificado que passa a abrigar e proteger a todos.
Super democrático!
Desde a origem, aliás, a relação entre o PT e o grande publico tem sido marcada por confusões semânticas desse tipo.
Parte do que hoje constitui a nata dos seus quadros, por exemplo, subiu ao poder vendendo um retrospecto de heróis da liberdade.
Pura confusão!

Dizia o ministro Franklin Martins, assim como a presidente Dilma Rousseff, entre outros petistas menos notórios, que pegou em armas no passado para “combater a ditadura”. Mas, veja bem, não para combater qualquer ditadura. Para combater aquela ditadura e instalar no lugar dela outra ditadura, nos moldes destas com que, para escândalo do mundo civilizado e vergonha de tantos brasileiros, o seu líder e patrocinador vive se abraçando até hoje.
Para desempatar discussões, esses paladinos da liberdade lembram sempre os apuros que alguns deles passaram nas mãos de torturadores. Fica pois subentendido que são contra todo tipo de tortura.
Engano outra vez!
Preste atenção à discussão travada neste filme. Para se contrapor aos torturadores do lado de lá o hoje ministro e seus companheiros de armas seqüestraram um pacato diplomata que tinha contra si o fato de ser norte-americano, ameaçando assassiná-lo caso não fossem libertados os seus companheiros presos.
Seriam mesmo capazes de trucidá-lo a sangue-frio ou aquilo era apenas um blefe de rapazes idealistas encurralados pela ditadura? A resposta do ministro Franklin não deixa duvidas. E porque iriam tão longe? Porque “seguiam ordens”, ora (de Cuba onde todos foram treinados, talvez)! A mesma explicação dada pelos seus torturadores cuja lógica, preste atenção às suas palavras finais, Franklin Martins e os demais torturadores do lado de cá, mutatis mutandis, “entendiam perfeitamente”.
Tão perfeitamente que, até hoje, seu líder e patrocinador compara os presos cubanos por “crime de opinião” em greve de fome a assassinos e estupradores de crianças trancados nos presídios brasileiros.
Agora, com as “garantias” de praxe de que nada do que parece é, o ministro Franklin Martins instalou em Brasília o Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídia. É a enésima tentativa de voltar ao tema do controle da mídia. Mas, segundo ele, o propósito do evento é só “preparar o projeto de regulamentação dos artigos 220, 221 e 222 da Constituição, que a presidente Dilma Rousseff enviará ao Congresso Nacional”. Esses artigos da nossa Constituição, que hoje o PT e seus aliados, majoritários na Câmara e no Senado, têm condições matemáticas até de revogar se assim quiserem, são os que garantem a irrestrita liberdade de imprensa de que ainda desfrutamos e reservam a atividade para brasileiros, como se faz em todo o mundo.

Diz o ministro que o propósito de tudo é alterar a legislação existente para ampliar a liberdade de imprensa e garantir a diversidade de opiniões que estaria ameaçada pelos proprietários dos meios de comunicação que “sujeitam as informações dirigidas ao publico, especialmente as que dizem respeito ao governo, aos seus interesses inconfessáveis”.
Quem lê o Vespeiro sabe que não tenho opiniões monocromáticas sobre esse assunto, apesar de ser sócio minoritário de uma empresa que publica jornais.
Mas acontece que a legislação como está hoje é a que garantiu ao atual ministro, assim que saiu da clandestinidade em que se jogou pelo radicalismo com que se dispunha a “convencer” a tiros quem discordava das suas opiniões, a oportunidade de militar como jornalista em todas as grandes redações privadas do pais, em especial aquela contra a qual se dirige hoje a mais explicita carga de ódio do governo que ele serve.
Foi no Globo que começou a carreira jornalística de Franklin Martins em 1985, logo depois da redemocratização. Em 1987 estava de coordenador político da sucursal de Brasília do Jornal do Brasil. Passou, depois, pelo SBT e pelo O Estado de S. Paulo. Voltou para O Globo onde foi repórter especial, colunista político (com liberdade para emitir opiniões diferentes das do jornal, portanto), editor de política e diretor da sucursal de Brasília. Era chancelada por ele a descrição que o jornal fazia do que se passava no mundo da política nacional. Passou, então, pelo Jornal de Brasília e pelas revistas Republica e Época. Finalmente, caiu na Rede Globo de Televisão onde foi sucessivamente, por oito anos, comentarista político (na rede aberta, na GloboNews e na rádio CBN). Foi ainda comentarista político da Radio e TV Bandeirantes.

Antes de se tornar político, manteve uma coluna no portal IG, uma operação jornalística ilegal da Portugal Telecom, a mesma empresa estrangeira que está por trás de uma rede de jornais também ilegal (violam a exigência de 70% de capitais brasileiros já que tem 100% de capitais portugueses), publicados por uma editora com marca de fantasia da qual a esposa do companheiro Jose Dirceu é “diretora de marketing”. A mesma Portugal Telecom que, graças aos préstimos do presidente da Republica em pessoa, tornou-se sócia da Oi, a maior telefônica brasileira, fabricada pelo governo Lula mediante legislação especialmente escrita para a ocasião e a injeção de bilhões de reais a fundo perdido do BNDES entregues a “empresários” sem nenhuma relação com esse ramo de atividade mas dóceis aos planos do PT para o setor.
Até hoje é no transgressor IG que o ministro das Comunicações do governo Lula hospeda o seu site.
Hoje Franklin Martins cuida da distribuição nacional das verbas de publicidade do governo. Fora dos mercados mais avançados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Sul do pais, onde a imprensa independente é sustentada por publicidade privada, rádios, jornais e televisões sobrevivem ou morrem em função do acesso que lhes é dado ao dinheiro da propaganda do governo federal e suas estatais.

Mesmo assim, sem nunca ter tido de mudar ou esconder suas marcadíssimas opiniões ao longo de tão movimentada carreira, o ministro Martins julga que ha pouca democracia na imprensa independente brasileira e que a maneira de oxigená-la com mais diversidade e tolerância é armando a mão de um órgão governamental ou para-governamental para avaliar o que, dentro do que ela publica, condiz com “A Verdade”. Expediente semelhante aos que têm garantido a “livre expressão da verdade” nos países centro e sul-americanos que desfrutam do irrestrito apoio da política externa do lulismo como a Argentina dos Kirshner, a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales ou a Cuba dos irmãos Castro.
Para esta cruzada pela democracia, resta registrar, o ministro Martins abriu mão dos canais consagrados da democracia representativa onde todos nos opinamos. Deu preferência às reuniões só para convidados organizadas pelo PT, onde “representantes da sociedade civil” escolhidos por ele são chamados a dar subsídios para a reformulação do que nossa Constituição determina a respeito de liberdade de imprensa.
Cheira bem, não é mesmo?

Deixe uma resposta