Um dulcíssimo Pão de Açúcar
28 de junho de 2011 § 2 Comentários

E você que ficou com um ponto de interrogação na cabeça quando, lá atrás, o Abílio Diniz declarou voto no Lula, o cara que patrocinou a libertação dos sequestradores dele (se é que foi só isso).
Tolinho…
Amigos, amigos, negócios aparte, já ensinava don Vito Corleone quando foi se compor com os caras que mataram seu filho e quase acabaram com ele próprio.
Aqui falamos do rei e dos seus barões, que se levantam meio donos do mundo depois que se ajoelham para o toque da espada de ouro do BNDES.
Quem vai puxar o tapete de quem, lá na frente, quando o povo estiver “por aqui” dos monopólios que estão sendo criados agora é outra história. Mas aí o Abílio pega um dos seus jatos transoceânicos e vai morar em costas mais civilizadas porque ele é mais é cidadão do mundo e pensar Brasil é pensar pequenininho…

A jogada, como sempre, é simples e transparente.
Em 2006 o grupo francês Casino, concorrente do Carrefour, comprou do dr. Abílio a opção, a ser exercida em 2012, de se tornar majoritário na sociedade 50% x 50% que eles tinham acabado de compor. Pensou que, com isso, tinha posto de lado o concorrente e podia deixar de acordar à noite pensando que ele fosse se unir, um dia, ao Pão de Açúcar para expulsá-lo do mercado.
Pelo jeitão da coisa, coitados, determinaram o Brasil como corte para exigir esse acordo. Mas, seja como for, o dr. Abílio já deu a volta pela lateral. O BTG Pactual, outro daqueles tubarões do mercado financeiro que não tem amigos nem inimigos quando se trata de negócios, foi chamado a constituir uma empresa, a Gama, para fazer no lugar do Pão de Açúcar a oferta que o Pão de Açúcar quer fazer ao Carrefour. Pelo que se sabe até o momento, parece que eles entram com 300 milhões e o BNDES com 1,7 bilhão (e mais 500 milhões de euros de “empréstimo” à firma que nascerá desse “investimento”). O dr. Abílio não se sabe exatamente com quanto entra. Mas a Gama fica com 17,7% do Novo Pão de Açúcar (aquele que vem com o Carrefour na barriga) por “serviços prestados”.

Laranja como se dizia antigamente…
O BNDES, por essa mesma estranha matemática, fica com 18%.
De quê?
O NPA nasce com 1200 lojas em 178 municípios brasileiros e mais 67 centros de distribuição em todo o território nacional, com 216 mil funcionários (grande demais para quebrar) e um faturamento previsto de 52 bilhões de euros por ano.
Negócio da China! Meeesmo: da inspiração à realização…
O Grupo Casino, coitado, está na rua gritando “ladrão”. Mas o governo Lula, sócio do acusado, também é patrão do judiciário, aquele cuja instância máxima, ainda outro dia, abriu mão de dar a última palavra nos casos que interessem especialmente sua majestade como este ultimo envolvendo um assassino italiano que caiu nas graças dela.

O Cade, coitado, não foi palpado nem cheirado sobre esta operação que deixa os consumidores brasileiros nas mãos de um monstro que, depois deste salto, não terá nenhuma dificuldade para engolir o resto dos peixinhos que sobrarem por aí.
O Cade nem sequer julgou ainda as ultimas deglutições do Pão de Açúcar (Casas Bahia e Ponto Frio)…
Quanto ao BNDES que, como a Petrobrás, “é nosso”, agiu com a discrição que se exige em governos que contemplam em voz alta ideias como o sigilo eterno sobre seus atos. Emitiu um “curto comunicado” em que confirma sua participação na transação, que “está seguindo os trâmites habituais”, que são incertos e não sabidos, havendo fortes indícios de que se apoiem apenas e tão somente nas manifestações de vontade emanadas da garganta do “nosso líder”.
Dos bancos aos açougues o processo é sempre o mesmo. Todos os produtores de insumos e serviços básicos da economia brasileira estão monopolizados por sócios do BNDES com os quais o nosso líder não se vexa de exibir sua intimidade, conseguindo-lhes negócios da China em outras monarquias hereditárias da sua zona de influência pelo mundo afora, que visita na companhia de seus barões e nos aviões de seus barões que, em caso de necessidade, lhe pagam extras por palavra proferida.
Mas e o consumidor brasileiro? O pequeno produtor? O empregado com cada vez menos opções de patrão? Não têm medo de ficar nas mãos de tão poucos? Não estão vendo para onde tudo isso aponta?
Estão, claro. Mas pelo momento caminham festivamente para o abismo a bordo de carros próprios (financiados pelo BNDES), com roupinhas de grife (financiadas pelo BNDES), de barriga cheia e tomando uma cervejinha.
O que mais?!
Estão tão felizes quanto os barões.
Depois, vê-se…
Artigo relacionado: \”Empresários: compre um, leve centenas\

Obrigada,Familia MESQUITA estao na lei da MORDAÇA mas nao se CALAM!!!!Tenho Orgulho de voces!Abraços.MALU
Sem contar que mudaram a estação do Metrô Angélica para não desapropriar o Pão de Açúcar…