A ditadura saiu do armário

24 de agosto de 2022 § 10 Comentários

A custa de descargas irreprimíveis de fel a dupla global conseguiu a duras penas manter sem rugir o seu tantas vezes confessado ódio ao entrevistado na noite de anteontem o que, dado o retrospecto e as condições vigentes em outras dimensões deste país indigente de qualquer traço de civilidade pode ser considerado um avanço, mesmo que apenas tácito. Já tivemos dias piores nessa matéria nos arraiais do moribundo jornalismo pátrio, como ainda temos no ambiente muito mais francamente tóxico do Supremo Tribunal Federal e dos abestados batedores de bumbo da sua “Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito” (14.197/2021).

Os números da audiência da Globo nos últimos quatro anos de desvarios, choro e ranger de dentes é o que explica mais esta “reforma gráfica” (da forma mas não do conteúdo) que tão veementemente nos fala das virtudes do “controle remoto” nas mãos do povo que é tudo que falta ao Brasil das instituições. 

Só quando ele puder “zapear” sumariamente para fora da “grade de audiência” os políticos, os servidores e os juízes que cruzarem a linha do decoro e do interesse público assim que ousarem faze-lo – vulgo democracia – este país terá conserto.

Qualquer dúvida que reste quanto ao Jair Bolsonaro menor e os pruridos que ele provoca na epiderme de cada um, a chaga purulenta da truculência do pequeno Putin do STF, que chantageia a Nação com a “bomba atômica” do estado de anomia espalhado das alturas da instituição que tomou de assalto resolve. Não ha mais como acusar o presidente – e não o primitivo ex-secretário de segurança e ex-advogado do crime organizado para quem democracia é uma questão de polícia – sem passar um recibo de assumida desonestidade e inimizade ao Brasil.

Em tudo o mais, a “entrevista” da Globo foi o de sempre: como culpar Bolsonaro pessoal e intransferivelmente por cada raio, cada rajada de vento e cada gota de chuva da tempestade planetária que cair sobre o Brasil. É um esforço que, a cada insistência, a cada torção de braço, a cada volta do parafuso torna-se mais patético e contraproducente pois a falta de munição real que essa obsessão denota – de par com o sucesso do tratamento que Paulo Guedes está dando aos estragos da tempestade comparado com os de todo o resto do mundo, que a matemática confirma, as bolsas de valores e os investidores internacionais festejam e é o que nos fala do presente e do futuro – são as credenciais que fazem o Jair Bolsonaro que age maior que o Jair Bolsonaro que fala.

A violência assumida dos três patetas do STF, de par com a covardia generalizada dos seus pares e dos supostos patrões de todos eles no Legislativo, mais a morte do jornalismo, tirou os democrafóbicos de 64 do armário. Cessou o chororô – como tudo o mais, transformado em mesada – contra a censura e as “prisões arbitrárias” dos “anos de chumbo”. Agora assumem-se abertamente como o que sempre foram. E é a desonestidade fundamental e agressiva deles que explica a resiliência política de Bolsonaro. Eles mesmos, já na porta de saída, não são suficientes nem para fazer transbordar para a cracolândia do entorno, mais uma criatura da “redemocratização”, o woodstockezinho do pátio da São Francisco.

A síndrome de imunodeficiência à violência ideológica que se tornou física no Brasil é, ainda, a que o PT plantou em seus 13 anos no poder e, para além de todas as outras considerações morais, deteve a marcha do país para o futuro e voltou a ser posta em causa nesta eleição a golpes de casuísmo explícito.

Goste do que tenha gostado no passado, ninguém pode afirmar sem dolo que não sabe que quando acaba o mandato dos bolsonaros, tudo que veio vai embora com eles, como manda o eleitor. E que quando Lula é apeado do poder ele deixa postes plantados, a educação pública destruída, a privada aparelhada, as estatais e outros componentes estratégicos da infraestrutura nacional ocupados e declarados “independentes” dos governos que vierem a ser eleitos, um Estado corrupto colonizado, a competição meritocrática na economia privada subvertida, os bandidos prendendo a polícia e “polícias políticas” instrumentalizadas para espionar com minucia chinesa conversas íntimas dos “inimigos do Estado”, além de um STF recheado de advogadozinhos de porta de cadeia de passado mais que suspeito e futuro cada dia mais certo a serviço de pulverizar qualquer sombra de certeza jurídica, conflagrar a Nação e inviabilizar a ferro, lama e fogo, qualquer país que os brasileiros decidam ter no voto que não seja “o seu”.

Se assumem esse grau de violência e ameaçam criminalizar até o pendão verde-e-amarelo na saída da porta arrombada da cadeia estando ainda na oposição e minoritários em todas as instâncias de representação eleitas pelo País Real, imagine-se o que fariam com o Tesouro Nacional (e possivelmente mais o de São Paulo), as Forças Armadas e todo o poder do Estado nas mãos dos banqueiros do Foro de São Paulo que tomou a América Latina de assalto num país que, para além das exceções heróicas, está inteiramente desprovido de imprensa.

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§ 10 Respostas para A ditadura saiu do armário

  • Não consigo ver o que vê de bom no atual governo; o Brasil continua mal como estava no do PT. Tanto Lula como Bolsonaro são dois desastres para o país.
    Esperava no post de hoje que fosse condenar mais enfaticamente o atentado do STF inconstitucional.
    PS Sou seu admirador mas concordo com um outro leitor que disse estar escrevendo de uma forma muito metafórica.

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    • Rubi Germano Rodrigues disse:

      Ambula, Bolsonaro pegou um Estado completamente tomado por ideias progressistas. Era preciso, antes de mais nada, demolir, limpar o terreno e só então poder construir. Bolsonaro, como conservador, é insubstituível e ficará na história como o grande demolidor. Tirou o MDB do Ministério da Infraestrutura onde comandava as falcatruas maiores nos últimos 20 anos e nem mesmo candidatos ao executivo apresentava, embora fosse o maior partido. Qual o custo político desse feito? De algum modo e em diferentes escalas isso se repetia em todos os órgãos do Estado. Voltou ao Centrão nitidamente em outras bases depois de passar ano convencendo os políticos que o executivo não era local para resolver problemas particulares. Tanto se convenceram que geraram esse tal de orçamento secreto porque no executivo não dava mais. E você não vê nada de positivo no Governo. Todos os governos socialistas estão na merda. Veja os EEUU e a Alemanha, veja a Inglaterra que desempenhou o papel da garota propaganda do lockdown. Enfrentamos uma crise planetária que desarrumou todas as cadeias de produção e nada faltou em nossas prateleiras. Imagine como estaríamos se o Adad tivesse vencido em 2018 e tudo tivesse parado tal como os professores admitiram que parasse a educação e o Mandeta tivesse até hoje repetindo, fique em casa e só vá ao hospital de sentir falta de ar.

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  • Estou muito aflita, nos meus 70 anos, de ver a volta do BRASIL dos anos 60 – de ameaça a nossa segurança e liberdades se implantar, via um poder que deveria cuidar dos nossos direitos.
    PENA de Bolsonaro que, para mim, cresceu no governo, amadurecendo e se tornando o SIMBOLO dos desejos do povo, que tem consciência dos abusos que estamos sofrendo de outras autoridades, por meio de um sistema que cerceia o Presidente.
    Paulo Guedes e outros ministros como Tarcisio, Teresa Cristina, Gilson Machado, Ricardo Salles, etc fizeram um otimo trabalho e o Brasil esta em um patamar impar, com inflação abaixo de 7% e PIB projetado para 3% em 2022, num mundo em caos.

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  • Renato Pires disse:

    Dois grupos estão empenhados sem limites em promover o retorno ao poder do Ladrão-Mor e sua Quadrilha Vermelha: o Cartório Financeiro e a Esquerda Vadia. Para isso, tentarão até o último minuto com paciência (e dinheiro) chinesa.

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  • Fernando Pons da Silva disse:

    Perfeito, mas temos a inexorável lei do pêndulo na história da humanidade, de modo que me parece que já estamos na inflexão máxima. Essa inflexão sempre existe quando se extrapola os limites da consciência de uma sociedade. Por força de outra lei, a da inércia, as sociedades sempre se comprimem com as agressões, até que, novamente uma outra lei, a da ação e reação, passa a agir.
    São sempre as leis agindo, aquelas que são inderrogáveis e impostas por um poder maior.

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  • O advogado do PCC, o militante do MST, o boca de veludo travestidos na capa preta reviram estômagos. Mandam soltar e prender, aos moldes de sua pessoal e subvertida visão de “democracia” e ao arrepio da lei.

    Chamam os adversários do que são e acusam-nos do que fazem com a cumplicidade da velha e decadente imprensa.

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  • Nada de novo no fronte, só o Brasil afundando e os Brasileiros chafurdando no estrume, 33 o médico mandou dizer 33 estão sem refeição, e aí? cadê o brasileiros do Ciro e os brasileiros da Tebet, não se manifestam, só existem dois cãodidatos? Perdoem, só com essa briga de compadres não tem solução meu irmão.

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  • ARS disse:

    Ditadura do Proletariado era o verdadeiro nome do pleonasmo estalinista “democracia popular”. O suspeitíssimo tribunal federal, formado por uma maioria de usurpadores oligarcas, indicados por governos corruPTos, é quem comanda a transição para o novo regime autoritário.

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