O homem certo no lugar certo

18 de agosto de 2022 § 10 Comentários

Por onde começar?

A pergunta não demorou mais que um minuto na minha cabeça: pela certeza do livre trânsito da mentira naquele grande convescote do “pudê” transmitido terça-feira em “espontânea” rede nacional. 

Mais triste que a mentira da “democracia brasileira” só mesmo a certeza do seu pacífico acatamento…

O que mais, senão a certeza do “aplauso em pé” devidamente plantado e colhido, com a tonitruante exceção do sitiado presidente em exercício que se manteve em silêncio obsequioso com seus 57 milhões de votos, explica a candura com que o grande herói do “estado democrático de direito” destes Tristes Trópicos desfiou tão completa, minuciosa e argumentada coletânea de mentiras?

Nenhum presidente da republica – em exercício ou candidato a – teve essa atenção, em nenhum momento interrompida, da imprensa. Foi esse ato unânime de reverência dela, aliás, a única candente denúncia da mentira desse “estado de direito”: ela ainda sabe, com unânime exatidão, de onde, ou melhor, de quem, realmente “emana todo o poder”.

Pois que país democrático já gastou mais que duas frases num jornal televisivo com a posse de um presidente … de um tribunal superior eleitoral? Que democracia, mais ainda, tem um “tribunal superior eleitoral” com quase 900 funcionários vitalícios pagos todos os dias de todos os anos, para “supervisionar” o trabalho de 27 tribunais regionais eleitorais, cada um com seus milhares de funcionários vitalícios, encarregados de organizar uma eleição a cada dois anos, cujas regras são as mesmas para todos os estados e todos os municípios do país desde que Getulio Vargas, monocraticamente como um Alexandre qualquer, matou a pau o direito de cada brasileiro decidir sua vida em seu estado e em seu município lá em 1932, o ano em que ele mesmo inventou esse TSE?

Todo o resto pode, isto posto, seguir em pinceladas impressionistas:

“É expressamente proibido o discurso de ódio” … na boca de genocidas fascistas possuídos pelo demônio…

“Somos a 4a maior democracia do mundo” … em número de “eleitores” de eleitos pelos outros… 

“A única que vota e apura uma eleição no mesmo dia, o que é motivo de orgulho”…

Que o presidente da farsa finja que não sabe o que significa essa exclusividade, vá lá. Mas a imprensa não desconfiar nem um minuto da prova concreta da esquálida estreiteza do “poder soberano de escolha” do “eleitor” de eleitos pelos outros brasileiro é de rachar de desânimo … ou de indignação.

E os partidos estatais, que nascem e morrem sem nenhuma participação do povo que não cheira nem fede, seja para que eles surjam, seja para que troquem de nome, de endereço ou desapareçam?

E as campanhas financiadas por impostos dos escolhidos para se oferecerem ao voto popular pelas nobres figuras selecionadas sabe deus como para donos desses “partidos” … candidatos tão “nossos” quanto é “nosso” o petróleo da Petrobras?

E o “voto proporcional” que, sem precisar de hackers, transfere para “gatos” 85 de cada 100 votos depositados em nome de “lebres” nas urnas?

É esse modelo de “exercício da vontade soberana do povo de escolher seus representantes” que toda essa súcia a ferro e fogo garante que para sempre nos vai impor.

Nenhuma crítica? Nenhuma pergunta incômoda? Nenhum aparte? Nenhum senão?

Não! Nadica de nada…

É transbordante a efervescência dos feromônios das extasiadas  tricoteuses dos jornais televisivos: “ele foi aplaudido de pé”, estrebucham … pela nata dos eleitores dos eleitos que “o povo soberano do Brasil” terá o direito de “eleger”…

Não houve, no bestialógico de Alexandre de Moraes, uma palavra sequer sobre o que diz a lei. Houve uma tonelada de frases sobre o que sua excelsa pessoa indigente de votos acha que a lei terá querido dizer sem ter dito.

Ele está perfeito na posição em que está. O “pacto eterno” que declara não é com qualquer constituição que os representantes eleitos vierem a escrever e o povo referendar no voto se é quando tivermos uma democracia, é com “ESTA CONSTITUIÇÃO”, a que nos foi imposta sem consulta a ninguém…

“Seremos implacáveis contra as mentiras e fake news” sobre a virgindade de Maria … porque é essa verdade auto-evidente que dá a este Santo Ofício o “poder” de mandar queimar hereges na fogueira.

O Brasil pulou a revolução das luzes e desde então fugiu da escola.

Precisa ser passado a limpo de cabo a rabo.

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§ 10 Respostas para O homem certo no lugar certo

  • Renato Pires disse:

    O PROBLEMA REAL DO BRASIL

    Renato Pires

    Hoje estamos assistindo, diariamente, o tempo todo, na mídia tradicional e nas redes sociais, as pauladas que entre si distribuem os Lulas e os Bolsonaros da vida, assim cumprindo fielmente o papel da política brasileira, que é distrair e desviar a atenção do povo o tempo todo, para que não atentem para, e ataquem, os verdadeiros problemas da nação, que a impedem de crescer, desenvolver e dar uma vida digna aos seus cidadãos.
    O Brasil é uma pirâmide de exploração social e econômica, onde um percentual ínfimo da população arranca para si, e detém, um altíssimo percentual da renda nacional, afora os incontáveis privilégios e prebendas com que tiram pérfido proveito desta nação de necessitados e miseráveis.
    A Pirâmide da Exploração Socioeconômica tem no topo as “famílias hereditárias”, que desde sempre, porém às ocultas, vem se perpetuando no ofício de explorar o povo brasileiro até o osso.
    Abaixo dela, vem o que chamo de “Cartorião Financeiro”, um conglomerado longevo e vergonhoso, constituído pelos bancões e seus braços financeiros (financeiras, companhias de investimento, etc.), mecanismo de exploração econômica do sofrido povão brasileiro. As poucas “famílias hereditárias” (que constituem o poder verdadeiro, real, neste País) são os maiores acionistas desse “Cartorião Financeiro”, aos quais controlam e manobram para arrancar para si boa parte da riqueza gerada pelas empresas e trabalhadores brasileiros.
    O “Cartorião Financeiro” age, basicamente, através de quatro perversos mecanismos de extração de riqueza, quais sejam:
    – Eterna e impagável Dívida Pública, que, contrariamente às práticas financeiras universais, rendem juros escandalosos, com risco pouco acima de zero, um fenômeno inaudito no mundo das finanças.
    – As empresas produtoras e comercializadoras de combustíveis, desde Petrobrás (que já foi privatizada há tempos, pertence hoje ao “Cartoriâo Financeiro, que a controla com mão de ferro para produzir os sagrados dividendos anuais, 24 bilhões em 2021, dane-se o povo brasileiro), até as distribuidoras de combustível, uma vergonha nacional controlada pelo Cartorião Financeiro, consequentemente pelas “famílias hereditárias”
    – As empresas produtoras e comercializadoras de energia elétrica, desde Eletrobrás, até as distribuidoras de energia, também controladas com mão de ferro pelo “Cartorião”, para que produzam os inesgotáveis dividendos com se refestelam e às suas “famílias hereditárias” controladoras.
    – O manejo dos recursos públicos, da forma mais desavergonhada, onde os recursos parados nas mãos do “Cartoriâo” não rendem juros ao governo (embora os apliquem), mas daqueles que eventualmente antecipam ao governo extraem pesados juros e encargos. São bilhões e bilhões nas mãos desses facínoras financeiros e seus controladores, com o amplo beneplácito das “autoridades” políticas, que prestam mais essa vassalagem ao Cartorião, com o nosso dinheiro (claro que levando também suas “vantagens”, ainda que ilícitas, mas desde sempre garantidas pelo nosso impagável judiciário).
    Neste cenário paradisíaco para os exploradores financeiros, porque razão um banco ou uma financeira iria dedicar seus recursos para financiar investimentos privados? Esta é a explicação mais óbvia para que a economia brasileira ande há décadas de lado, sem crescer o suficiente para gerar emprego e renda para os brasileiros.
    Explica também os eternos juros altos, um dos maiores do mundo, pois essa corja tem condições de praticar isso sem o menor pudor, certos de que jamais serão incomodados por uma política séria, de interesse público verdadeiro.
    É aí, portanto, que entra a política, com seus atores malandros ou idiotas, ou ambos, cumprindo seu papel ridículo de cortina de fumaça, com as briguinhas diárias na mídia e nas redes sociais, distraindo permanentemente a atenção do povo, para impedir que este veja a natureza verdadeira do monstruoso mecanismo de exploração que há muito tempo vem sugando e infelicitando esta pobre nação, sem que se desnude sua vergonhosa natureza e sem que se ponha um fim nesse absurdo.
    Quando é que teremos uma luz no final deste túnel tenebroso? A julgar pelo nível atual dos nossos políticos, que misturam o tempo todo ignorância com avidez por poder e dinheiro, vai demorar muito ainda. Que Deus nos ajude!

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    • É um outro post…
      E a tudo isso que caracterizou bem e eu defino como sistema, não vai ser um ou outro a pôr fim.
      Não entendo o Fernão puxar à brasa a sardinha do atual PR que em nada se diferencia do seu opositor.
      Está na eleição do Congresso a maneira de mudar isso tudo, e essa está completamente esquecida do eleitor e da media.

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  • Fernao, parabéns. Lúcida visão da conjuntura política e das relações de poder, porém veiculada um pouco tardiamente para unir forças e iluminar corações e mentes dos eternos manipulados e perseguidores do “torturador genocida” que apenas luta pela liberdade e transparencia democrática nas eleições de 2022 no Brasil.
    Peço piedade a Deus. Livrai-nos do caminho da servidão traçado e imposto por àqueles que deveriam defender e respeitas a Constituição.

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  • José Luiz Mancusi disse:

    Irretocável!!!
    Parabéns!!!
    Dá nojo a imprensa esquerda caviar no Brasil!!!

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  • Dirceu Batista disse:

    Eu incluo a manobra criada não sei por quem. O voto obrigatório, onde fica a liberdade?

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  • Jose Carlos Barbério disse:

    Muito boa apreciação do que não foi apreciado!! Parabéns!

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  • […] sabe o que significa essa exclusividade, vá lá”, concedeu Fernão Mesquita no artigo no site Vespeiro em que analisou o indigente palavrório de Moraes, o comportamento subalterno da manada reunida na […]

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  • […] sabe o que significa essa exclusividade, vá lá”, concedeu Fernão Mesquita no artigo no site Vespeiro em que analisou o indigente palavrório de Moraes, o comportamento subalterno da manada reunida na […]

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  • Rubi Germano Rodrigues disse:

    Estes textos constituem exemplos claros da insuficiência da dialética e do modo pós-moderno de pensar no enfrentamento da confusão que predomina neste estágio da civilização. Aliás cada modo de pensar que se torna hegemônico produz modo de ser e de viver correspondente, como atestam o Período Imperial, a Idade Média, a Modernidade e essa confusa e decadente Pós-Modernidade. Inútil tentar dialeticamente criticar o modelo social criado justamente pela hegemonia da dialética, ela só pode confirmá-lo. Para criticá-lo impõe-se usar lógica mais abrangente: a lógica da totalidade. Só na totalidade as partes conflitivas entram em repouso e a harmonia se viabiliza. Sinto muito, mas o buraco é mais embaixo. Teremos que voltar a estudar lógica e a desvendar os recursos inferenciais que instrumentalizam a espécie humana, tornar o uso da razão metódico e só depois disso gerar um modelo social superior a essa bagunça. O erro não está nos exploradores que buscam seus interesses, mas nos explorados que, por ignorância, o admitem.

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