14 de outubro de 2019 § 3 Comentários

O bom desde que a Globo revelou ao Brasil o quanto ele era racista sem saber é como melhoraram as relações humanas entre nós. Tem sido uma felicidade para os brancos e para os negros puros (?) que aprenderam que o apartheid era coisa nossa. Só a minoria do meio continuam confusa

O seu destino por um fio

7 de junho de 2017 § 10 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 7/6/2017

E cá estamos, o país a quem a corrupção e um jornalismo “corporate” sem osso cassaram a voz própria, reduzidos a assistir pela TV o nosso destino ser traçado à nossa revelia.

Conforme mil vezes prometido, do jeitinho que foi prescrito e está escrito, a cobra morde o rabo com a fuga dada aos 2ésleys. A ressaca da Queda do Muro, o caminho da ressurreição da esquerda latino-americana pela apropriação dos bancos públicos e fundos de pensão apontados a Lula e Jose Dirceu por Luiz Gushiken, a operacionalização do esquema com a gazua dos “campeões nacionais” da roubalheira, a desmoralização da política solapada por dinheiro bastante para comprar a metade do mundo, a infiltração do Judiciário ao longo de 13 anos de nomeações, tudo faz parte de um roteiro cuja propriedade intelectual tem sido reconhecida e reverenciada onde quer que sobrevivam ditaduras.

A longa marcha começa nos meados dos 90 pelo controle dos sindicatos de bancários. A “PT-Pol”, de “polícia”, como a chamavam as redações da época, passa a bisbilhotar as movimentações bancárias do país inteiro e a vazar seletivamente para os jornais os maus passos dos adversários. Uma cultura estava nascendo. É pouco a pouco que o jornalismo investigativo se vai entregando à guerra de dossiês.

A vida informatizada traz o esquema para a era do “grampo”. O “mensalão” é o último episódio onde se diferencia nuances. Flagrado o lulismo em delito de “corrupção sistemática dos fundamentos da república com vistas à imposição de um projeto hegemônico”, restava deslocar o foco do todo para as partes e ir daí para a indiferenciação.

É esse o ponto de não retorno: caixa 1, caixa 2, propina, tudo vai, insidiosamente, sendo feito “sinônimo” uma coisa da outra. E aí está a política presa inteira na arapuca, igualada ao pior de si mesmo.

Daí para a frente é poder contra poder. E velocidade passa a ser o que decide. Com todos os eleitos (com passagem obrigatoria, portanto, por algum “campeão nacional” de financiamento de campanhas) devidamente filmados e gravados basta, doravante, escolher o que publicar. Não é preciso provar mais nada. Não importa o que se disse e mesmo quem o disse em cada gravação. O contágio é por contato. Basta formar os pares. Diante dos avatares murmurando frases entre reticências sobre o cenário de fundo de rios de dinheiro correndo pelo chão, da cena mil vezes repetida do sujeito “ligado a” recebendo furtivamente uma mala, onde enfiar raciocínios com mais de tres palavras sobre quem tem recheado tantas malas ha tanto tempo e com tanto dinheiro, e para quê?

Mas o país insiste em se fazer essa pergunta. O Brasil inteiro sabe que tem alguma coisa no ar além das notas voando das vinhetas da televisão. Só que continua órfão de pai e mãe. Não tem quem fale por ele mas resiste como pode ao salto no escuro para o qual o empurram com tanta pressa. Nega-se às ruas para as quais o conclamam diariamente em prosa e verso. É nada menos que atroador o seu silêncio diante das circunstâncias.

Já o Brasil com voz – que não conduz, deixa-se conduzir – vai no arrasto de uma espiral de ódio. Quem não está na conspiração ou está bebendo vingança, ou está agarrado pelo silogismo moral em que a conspiração quer todo aquele que não “é”. Ninguém interroga os fatos; tudo é sempre empurrado para o “se”, o “quando”, ou o “de que jeito” se conseguirá torna-los consumados como se fosse certo que o sol da democracia renascerá sempre amanhã.

Não é. Ha dois brasis caminhando para um confronto e só um deles sobreviverá. Ou o da “privilegiatura”, reduzindo o da meritocracia à escravidão, ou o da meritocracia reduzindo o da “privilegiatura” à igualdade. Os dois juntos não cabem mais na conta. Ha também dois Judiciários funcionando em paralelo. Um que, tropeçando pelo cipoal legislativo e processual, investiga, colhe provas, processa e condena a partir de Curitiba numa velocidade que comporta credibilidade e tem no horizonte o respeito aos limites do contrato social. E o outro. Ha, por fim, dois legislativos e dois executivos. Em ambos ha quem, tendo jogado o jogo da politica como ele é, olha agora inequivocamente para o Brasil e procura saídas. E ha os que, na sua fé cega no lado escuro do bicho homem, só olham para a Venezuela … ou para Miami. O problema é que todos têm pelo menos um pé enfiado na “privilegiatura” e nenhum faz força para desatola-lo.

Vai ser preciso repensar isso. E rápido. Morta a ultima esperança o país, na melhor hipótese, está paralisado de novo até outubro de 2018. Nem vale a pena especular sobre o depois. A carga de novas misérias já contratadas nesta beira do caos de que partimos é muito maior que a que podemos suportar sem nos despedaçarmos. E o Legislativo já tem tido de engolir cala-bocas demais para acreditar que poderá sobreviver a isso com embarques e desembarques espertos ou pedindo ao povo que aplauda o seu apelo por mais sacrifícios.

Já o juíz venezuelizante é o milico de 64 modelo 2017, só que sem a reserva moral. Cava a entrada no jogo by-passando a regra porque é imoral. E este é vitalício. Não tem compromisso nenhum com o instituto do voto nem com a ideia de representação.

É essa a escolha que há. E metade dela já foi feita sem que fossemos consultados…

Este é, porém, um daqueles raros momentos da História em que a matemática e a necessidade fazem tudo convergir para um ponto com tanta força que até os milagres se tornam possíveis. O único programa econômico que pode fazer o Brasil reviver é também o único programa político que pode redimir a política. Os dois consistem no enfrentamento da “privilegiatura”, o ralo de todos os ralos da economia e o ponto de origem e de destino de toda essa corrupção.

Reforma da previdência “deles”, igualdade, referendo, “recall”. Se propuser à nação um compromisso sério para mudar definitivamente o sentido dos vetores essenciais de força que atuam sobre o “sistema” o Legislativo irá de vilão a herói em um átimo e faltarão ruas para as multidões dispostas a entrar nessa briga com ele.

Se não…

O que fazer agora?

25 de maio de 2017 § 24 Comentários

Assisto o programa comandado por Gerson Camaroti na Globonews entrevistando Ayres Brito, ex-STF, um brasileiro de boa fé e que indubitavelmente gosta do Brasil (coisa rara hoje em dia),  e mais alguém.

E o programa acaba como todos acabam hoje: “Financiamento de campanhas só pelo estado é o remédio”.

Se a única alternativa aos 2ésleys e odebrechts é o estado é melhor desembarcar logo desse mundo. Porque a única coisa pior que essa corja é a corja do estado que criou esses dois.

Isso não é a saída, é o fim do beco; é o emparedamento da saída!

A única resposta que funciona para esse dilema é voto distrital puro que dispensa as quantidades de dinheiro de que só esses canalhas podem dispor única e exclusivamente porque atras deles esta o estado que agora querem deixar sozinho bancando as eleições. Faz sentido isso!

Se o candidato for o candidato do bairro, de um distrito eleitoral de um tamanho que faça sentido dentro da ideia de efetiva representação que, suponho, continua sendo tudo que visa a “democracia representativa“, ele só precisa de saliva e do dinheiro que seus próprios constituintes podem pagar para fazer campanha.

Esse remédio para montar legislativos e mais o referendo por iniciativa popular para bloquear todas as leis sacanas futuras e o recall para acabar com a impunidade dos representantes eleitos e você tem um país sob nova direção, com o direito à última palavra entregue a quem precisa de leis que prestem.

Isso inicia um processo virtuoso. Abre a possibilidade de irmos reformando o Brasil daí por diante, todo dia, pouco a pouco, defeito por defeito. Não tem outro jeito de fazer. Começar a conversa com listas enormes de reforminhas é o caminho mais seguro para não fazer nenhuma.

E o que fazer com o que está para trás?

Rever a constituição sob o critério inegociável da igualdade perante a lei, sem exceções. Isso basta para limpa-la de tudo que tem la que não presta.

Não tem de inventar nada! Ta tudo inventado ha 241 anos!

Tudo que nós temos de inventar é a condição para parar essa briga insana que nós não temos mais condições físicas nem materiais de levar adiante, dando a quem quiser aderir ao Brasil, nesta altura em que não sobra mais nenhum santo virgem em lugar nenhum nem do país oficial nem no país real, uma chance de se redimir.

Foco, senhoras e senhores! Três palavras para gritar e basta: IGUALDADE! REFERENDO! RECALL! Façam os seus cartazes e vão pra rua que sai. Tudo que a gente quis saiu. O problema agora é que ninguém sabe o que querer.

Ou é isso, ou vamos todos, engalfinhados, acabar exatamente onde querem nos levar os fascistas, arautos do ódio que babam fel e têm sede de sangue que o país inteiro viu atuando ontem dentro e fora do Congresso Nacional.

O último intelectual honesto

5 de dezembro de 2016 § 13 Comentários

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Na biografia apresentada no Fantástico e em todos os outros programas do segmento aberto da Rede Globo, Ferreira Gullar não renegou o comunismo. Nos programas do segmento fechado da rede, ele vagamente “oscilou” em suas crenças e “manteve um pensamento independente” não se mencionando em relação a que. Em todos ele “foi comunista” quando foi comunista, “perseguido pelos militares“…

Quer dizer, no dia da morte dele, trataram de matar pela segunda vez o verdadeiro Ferreira Gullar; de aniquilar a memória da essência do que ele foi na sua monumental e poética honestidade intelectual.

É patético esse jeito Globo de aproximar-se mais ou menos da verdade conforme o nível de informação anterior que ela espera dos seus diferentes públicos, o que é nada menos que uma confissão de mentira. É emblemático disto a que está reduzido este país que tateia no escuro em algum lugar entre o século 19 e o século 20, pensando que está procurando o século 21…

O verdadeiro Ferreira Gullar, entretanto, foi grande o bastante para dizer na cara de todos os jornalistas e de quem mais quisesse ou não quisesse ouvir a verdade, coisas como essas abaixo:

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Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é”.

O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento”.

A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador, e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista”.

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A própria natureza é injusta e desigual. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce atlético, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção da riqueza que resolve isso”.

Eu fui do Partido Comunista, mas era moderado. Nunca defendi a luta armada. A luta armada só ajudou mesmo a justificar a ação da linha dura militar, que queria aniquilar seus oponentes. (As pessoas do partido Comunista) não lutavam por democracia, mas pela ideologia Comunista, e estavam sinceramente equivocadas. Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado”.

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O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer. O socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade”.

Frequentemente me pergunto por que certas pessoas indiscutivelmente inteligentes insistem em manter atitudes políticas indefensáveis, já que, na realidade, nem existem mais. Estou evidentemente me referindo aos que adotaram a ideologia marxista, que, de uma maneira ou de outra, militaram em partidos de esquerda, fosse no Partido Comunista, fosse em organizações surgidas por inspiração da Revolução Cubana”.

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Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo”.

Existe uma política que o governo adotou, chamada ‘psiquiatria democrática’, que é um absurdo. Impede a internação. Eles acabaram com mais de quatro mil leitos. Por que chama ‘psiquiatria democrática’? Porque não interna. Mas é uma bobagem, ideológica, cretina, que não tem nada a ver com essa doença real. Eu, que lidei com essa doença, sei muito bem que não tem nada disso. Quando uma médica veio com essa conversa, perguntei: ‘É a sociedade que adoece o doente mental? A doença mental não existe? É a sociedade que faz ficar doente? O fígado adoece e o cérebro não adoece? Por quê? É o único órgão divino?’” (Ferreira Gullar teve dois filhos com esquizofrenia)

O mundo aparentemente está explicado, mas não está. Viver em um mundo sem explicação alguma ia deixar todo mundo louco. Mas nenhuma explicação explica tudo, nem poderia. Então de vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia. Só aquilo que não se sabe pode ser poesia”.

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Enquanto isso em Babilônia…

15 de julho de 2015 § 8 Comentários

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Mata Atlântica? Tá salva não!

6 de junho de 2015 § 22 Comentários

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A Rede Globo anda espalhando por aí que “a derrubada de Mata AtIântica caiu 24% em 2014“. Bom, televisão a gente sabe como é. Essa “informação” era, na imediata sequência, diluída em imagens de uma anta albina “tida como assombração“, e por aí afora…

Mas a Rede Globo sabe fazer bom jornalismo quando quer e, assim, deveria ter mais cuidado com esses números sempre rescendendo a absurdo que passa adiante sem investir uma grama de raciocínio para checar a sua credibilidade quando o assunto é sério como este é e os possíveis prejuízos potencialmente irreversíveis como estes podem ser nos limites a que já chegamos.

Da até “gastura” falar dessas coisas com o país arrebentado como o PT o deixou, mas não dá pra ficar quieto. Vamos lá…

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Eu frequento regularissimamente o maior pedaço de Mata Atlântica que sobrou neste planeta, no Vale do Ribeira, há mais de 40 anos. Vejo com meus olhos o que está acontecendo por lá quase metro por metro. A situação em São Paulo esteve mais ou menos estabilizada durante uns bons anos enquanto em Santa Catarina o pau comia solto. Até a predação “a tesourinha” dos palmiteiros, que mina na sua base a capacidade daquela floresta de produzir a fauna que trabalha para semea-la e mantê-la e que, toda ela, tem na semente da palmeira juçara uma fonte essencial de alimentação, tinha diminuído no Vale. Não em função da repressão da atividade mas, como sempre, do esgotamento que eles próprios conseguiram produzir no objeto da sua cobiça graças à falta dessa repressão. O de sempre: somos um país sem lei onde não ha crimes, só “atos infracionais” ou menos que isso, e ninguém vai preso por nada, de modo que correr atrás de palmiteiro é só se arriscar a ter de se enfrentar com ele porque, ainda que preso, será solto em poucas horas…

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As tentativas de adaptar o açaí da Amazônia (Euterpe oleracea) á região não funcionaram. Surgiu naturalmente, por polinização, um híbrido dessa palmeira com a juçara nativa da Mata Atlântica (Euterpe edulis) que é estéril e ainda pode virar um problema enorme se não houver um esforço rápido para eliminá-las da região. E por tudo isso a febre palmiteira foi baixando. O Vale vivia da banana, os ladrões de palmito ficaram do tamanho do que restou para roubar, os processadores do produto do roubo, que tooodo mundo conhece desde sempre seguiram impunes como sempre, e por aí foi-se ficando.

De uns cinco a sete anos para cá, algo começou a mudar, e em velocidade crescente. A pupunha (Bactris gasipaes) é uma palmeira amazônica que nasce em touceiras de quatro, cinco troncos por planta, e produz um palmito de boa aceitação no mercado. E esta se adaptou ao Vale às mil maravilhas. Cresce mais rápido lá, onde chove mais que na Amazônia na média anual; não requer tanto trato assim depois de plantada e dá vários cortes em ciclos mais curtos que os anuais se bem manejada.

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É, em resumo, um sucesso econômico, o que a arma da força que o dinheiro tem. E as derrubadas recomeçaram. Cada vez que vou lá vejo mais e mais encostas peladas encrespando de pupunha; a grilagem de áreas de parques e reservas ganhou novo impulso; não há diferença nenhuma na velocidade e na explicitude desse processo mais perto ou mais longe das sedes locais dos guarda-parques e reservas florestais. Ha dinheiro para fechar olhos ao que quer que seja…

O pau está comendo, ao contrário do que diz a Globo. A crise da Dilma reduziu, sim, um pouco desse ímpeto, porque o povo está comendo menos pizza e pastel de palmito, que é a porcaria em que se transforma a força da Mata Atlântica neste país sem informação nem pulso, mas isso é questão de tempo. O fato é que existe agora uma nova e poderosa força econômica empurrando a devastação da Mata Atlântica e se o ambientalismo brasileiro continuar insistindo em fechar os olhos a isso e atrapalhando ou proibindo a única alternativa que o resto do mundo adota contra a força da agricultura — que é a lei ajudar a fazer a caça e a pesca esportivas organizadas, que dependem da mata em pé, valerem mais do que os produtos da agricultura, que depende da mata deitada — a pupunha vai comer, já, mais um pedaço consideravel do futuro dos nossos fihos e netos.

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Manifesto a favor do escândalo

12 de março de 2014 § 7 Comentários

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Ha uma semana que os jornais não falam de outra coisa.

Agora o “blocão” dos “aliados”, chefiado pelo PMDB, “impôs uma derrota ao governo”. A foto do Globo dessa galera em delírio de “júbilo cívico” é impressionante.

E qual o feito épico que comemoravam?

Por se sentirem lesados na divisão daquilo que eles e o PT nos arrancam juntos os “aliados” romperam o pacto de silêncio sobre as falcatruas uns dos outros que eles mantêm contra nós, o povo brasileiro. É isso que eles chamam de “votar todos os projetos com independência”.

Resultado do “voto independente” de ontem?

Vão, finalmente, dar uma olhada na roubalheira que rola dentro da Petrobras, coisa de 140 milhões de dólares de suborno pago por uma empresa que aluga plataformas de petróleo que está sendo investigada ha mais de um ano pelos governos da Holanda, da Inglaterra e dos Estados Unidos, mas não pelo do Brasil, que é o principal interessado.

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Se quiser refazer o acordo”, diz o pessoal do PMDB (isto é, o acordo de sempre pra todos voltarem a  jogar unidos CONTRA NÓS), “o governo vai ter que sentar e conversar” (leia-se vai ter de dar aos aliados uma fatia maior do que está enfiando sozinho no bolso).

Agora, o que mais me assusta é que a imprensa noticia tudo isso pelo ângulo tranquilo e plácido do “debate político”. Segundo os “pundits” de Brasília tudo não passa de uma “crise da base de sustentação” normal para essa época de eleição (que, na verdade, é quando as máfias políticas que estão aí combinam quem vai ficar com quanto daquilo que nos tungam).

Essa perda de sensibilidade da imprensa, o fato dela assumir candidamente a linguagem e o padrão de normalidade ditado pela moral dos bandidos é, com certeza, muito mais grave que essa “afanadinha” que deram na Petrobras que não é nem a pontinha do iceberg do que rola lá dentro daquela caixa preta gigante.

A imprensa é o sistema imunológico da democracia; o agente que dá o alarme para que os anticorpos entrem em ação quando o organismo dela é invadido por alguma doença que pode matá-la.

b7O que nós estamos vendo é que o sistema imunológico da nossa democracia está “deprimido”. Ele também está doente. O vírus entra, deita, rola e arrebenta e ele não dá o alarme;  continua agindo como se tudo estivesse normal.

Com isso o organismo social não reage e deixa que a doença vá matando a sua sensibilidade moral que é o que segura a democracia em pé.

É preciso resgatar o valor do escândalo. Tem escândalo falso e tem escândalo autêntico. E o autêntico, mais que necessário, é o sinal vital da saúde moral da Nação. E SÓ A IMPRENSA PODE FAZE-LA REVIVER.  Dos políticos é que essa ressurreição não virá.

É preciso parar com essa ideia falsa de que ser profissional em jornalismo é tratar como se fosse normal aquilo que não é normal ou como se fosse saudável aquilo que é doente.

Veja-se o exemplo da cidadezinha de Hampton, na Florida, que o Jornal Nacional mostrou ontem. Montaram lá uma indústria de multas de trânsito; os funcionários da prefeitura gastaram 70 mil com cartões corporativos; a cidade deve 300 mil e não paga.

Normal?

No Brasil é coisa de criança. Não ha quem não faça. Mas lá o prefeito já está na cadeia, com o devido uniforme de presidiário e isso é só o começo. Se não aparecer a grana da indústria de multas que sumiu e a cidade não pagar sua dívida, vão acabar com ela como unidade política autônoma e incorporá-la à cidade vizinha.

É assim que se trata essas estripulias. É assim que se trata essa cambada onde a saúde moral da Nação está viva!

Corrupto tem em todo lugar. Não é privilégio de brasileiro. É privilégio da espécie humana. Mas se deixar o corrupto ganhar a parada depois de desmascarado como corrupto vai tudo pra cucuia. Não dá mais nem pra mãe da favela convencer o filho de que é melhor estudar que entrar para o tráfico, nem pra mãe do Leblon convencer o dela que é melhor trabalhar que puxar saco de político pra arrumar uma beira pra roubar a Petrobras. E o país apodrece de cabo a rabo.

Teve outro momento chocante no Jornal Nacional de ontem, aliás, que ligou alarmes em mim que nunca tinham soado antes. Viram aqueles moleques do morro depredando um carro da polícia e dando porrada nos PMs que corriam pra lá e pra cá sem reagir?

O que é que é aquilo, meu deus do céu?!

Segundo a Globo – e eu vi a cena e a repetição desse diagnóstico umas 10 vezes em todo os jornais de todos os canais de notícias de Jacarepaguá que estão sempre ligados aqui no meu posto de observação – trata-se de “uma nova estratégia usada pelo tráfico para desmoralizar as UPPs”!!!

É nada! Quem desmoraliza a polícia é a imprensa com o modo absurdamente desequilibrado como ela cobre um lado e outro dessa guerra. Não precisa “estratégia” nenhuma pra desmoralizar as UPPs. A PM está tomando cascudo e chute na bunda de pivete no centro nacional do crime organizado na véspera da Copa do Mundo porque a polícia já está desmoralizada. E não foi o tráfico que fez isso. O tráfico não tem poder para tanto, como já mostrei no artigo de ontem.

Enfim, meus caros amigos, a imprensa está precisando ir pro divã correndo. Ela é a única esperança que nos resta mas, se não abrir o olho, se não reativar o seu nervo moral adormecido,  se não reassumir a função institucional para a qual está habilitada e legitimada em todo lugar civilizado do mundo, que inclui ser propositiva e não obrigatoriamente passiva diante de fontes viciadas como parece que se exige hoje nas nossas redações, roda já pra onde já rodaram as da Venezuela e da Argentina, e nós todos com ela porque já não sobra mais nada em pé.

b00

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