A definição de ato antidemocrático

16 de agosto de 2021 § 17 Comentários

A definição de ato antidemocrático é punir “ato antidemocrático” com prisão. 

Alexandre de Moraes é o Roberto Jefferson do Judiciário. Os dois são dados a pronunciamentos e encenações bizarras. Mas os de Roberto Jefferson morrem na internet enquanto os de Alexandre de Moraes põem em campo toda uma geração de degenerescências irreversíveis Sistema abaixo.

Foi Jefferson quem reagiu a ele e não ele quem reagiu a Jefferson. Quem, afinal, criou a desconfiança generalizada no nosso sistema eleitoral? Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional ou o STF que revogou o julgamento de 9 juízes diferentes e desmontou o que restava do aparato de defesa do favelão nacional contra a roubalheira para por Lula de volta na eleição? Que maior prova de que o político, como todo mundo, trabalha para quem tem o poder de demiti-lo, do que a diferença entre os 433 votos a 7 da penúltima e os 229 a 218 da terceira e última blitz do STF para reverter a decisão da maioria com legítimo aval dos brasileiros de acoplar à máquina de votar dos sonhos de Dilma Roussef, de Luís Roberto Barroso e das exemplares democracias do Butão e de Bangladesh a impressora exigida pelo resto do planeta inteiro?

Quem começou essa briga? Quem é mais desonesto e mais falso ao descrever o que o outro faz, Bolsonaro com a imprensa torta ou a imprensa torta com Bolsonaro? Faço a ele todas as restrições que tenho à privilegiatura para a extinção da qual tenho dedicado toda a minha vida. Sou anti-bolsonarista pela mesma razão que sou anti-petista e anti-Sistema. Não vejo diferença substancial entre o presidente sindicalista de fardados e o presidente sindicalista de paisanos no que diz respeito à clivagem vertical “nobreza x plebeus” que é a que de fato ainda divide e empobrece o Brasil. A divisória horizontal “esquerda x direita”, neste país pré-iluminista e semi-feudal, é só a isca artificial importada com que a privilegiatura trata de desviar o olhar do favelão nacional da verdadeira fonte da sua miséria.

Mas as semelhanças cessam aí. Pandemia o Brasil tira de letra. Já vacinamos mais que os Estados Unidos da América com todos os seus trilhões de dólares. Duro é lidar com as cepas sucessivas de anti-democracia que a bizarrice do Inquisidor-Mor do STF põe em circulação. Quem iniciou o mergulho do Brasil na fossa abissal da anti-democracia, como já tinha acontecido em 64, foram os patronos da camarilha bolivariana que domina o castelinho onde se homiziam os juízes supremos made by Lula. Bolsonaro ajuda a coisa a afundar com o peso do seu primitivismo e da sua radical inabilidade verbal, é indiscutível. Mas por baixo dela cada um de nós, os que temos e os que não temos coragem de admiti-lo em público, enxerga claramente a límpida, a translúcida desonestidade dos seus atacantes. Se for a única escolha que restar fico antes com a incompetência do bolsonarismo, que tem cura, que com a ausência completa de limites do lulismo em seu desenfreado amor pelo poder “tomado”.

Democracia é outra coisa. Democracia é a convivência dos contrários e a alternância deles no poder como estamos constatando que não se admite que ocorra neste “estado de direito” da privilegiatura, pela privilegiatura e para a privilegiatura, em que, assim, bem na tua cara, a impossibilidade de provar fraude no sistema eleitoral vira “a prova de que não existe fraude”, o pleito de acoplar impressora à urna eletrônica vira “a volta ao sistema anterior à urna eletrônica”, as maiorias expressas no voto viram “o isolamento de Bolsonaro”, a falta de provas de corrupção vira condenação por “bruxaria”, e assim por diante.

Não ha engano nessa ordem unida da mentira esbofeteando a cara dos fatos. Esse STF sabe o que está fazendo. A privilegiatura e sua imprensa sabem o que estão fazendo. Sem norma constitucional, sem lei, sem eira nem beira, tem gente presa ou sumariamente condenada ao degredo da praça publica eletrônica fora da qual não ha, nem sobrevivência política, nem sobrevivência econômica, por conta disso. Para prosseguir nessa batida terão de ir até o fim. Terão de reacender as fogueiras. De transformar-nos numa filial da China ou da Venezuela. E não faltam avisos de que o plano dessa minoria numericamente tão insignificante quanto o seu tamanho frente ao oceano do favelão nacional que paga a conta dos seus luxos é esse mesmo.

A vontade da maioria não se vai impor nem a tiro enquanto o eleitor brasileiro não conquistar o direito de fazer suas leis e de reaver, por recall, a propriedade que lhe foi usurpada dos mandatos políticos que temporária e condicionalmente empresta aos políticos. Essa é A ÚNICA chave comutadora efetiva dessa mentira que nos tem sido imposta para a democracia, o sistema em que é o povo quem manda no governo e não o pedaço eleito ou não do governo quem manda no povo.

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§ 17 Respostas para A definição de ato antidemocrático

  • A.(sno) disse:

    Quero destacar só um trechinho: “A privilegiatura e sua imprensa sabem o que estão fazendo.” Quanto à privilegiatura, perfeito! Quanto à imprensa, não sei se os “miquinhos” que impunham microfones e se maquiam para as câmeras sabem o que fazem ou apenas obedecem comandos, pra conservar seus empregos. Acho que para uma parte da população, esses é que são a imprensa e não os empresários donos das redes.
    Quanto ao post todo: apenas G-E-N-I-A-L!!!

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    • Flm disse:

      Os empresários donos das redes eu conheço todos. São herdeiros de projetos que existem e cresceram lutando por “uma certa ideia de Brasil”. Seus herdeiros não têm nenhuma. Ou porque têm péssima memória do tempo em que, estando na faculdade, eram execrados pelas posições de seus pais, ou porque sendo mesmo alheios ao sacerdócio vocacional que torna suportável o exercício do jornalismo, entregam suas redações à galerinha que sai das faculdades controladas pelo PT.
      São os donos e não “os miquinhos” – estes perfeitamente treinados – que não sabem o que estão fazendo com redações nas mãos…

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  • Jeronimo disse:

    Fernão, essa questão do Roberto Jefferson é apenas mais uma pedra que se vai colocando no muro que dá sustentação à privilegiatura. Infelizmente, o Brasil está polarizado entre esquerda e direita e, ao que parece, pouca gente enxerga o que realmente está ocorrendo. Além disso, acho que tem muita gente que não toma parte no processo, fica alienada. O fato é que, talvez por isso ou talvez não, um candidato correto e de peso ainda não tenha se manifestado. E o tempo começa a ficar escasso…

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    • Correto Jerónimo, mas não é polarizado entre esquerda e direita, é entre “flamengo e fluminense”… paixões das massas como no futebol. Ideologia zero.
      E ainda na analogia da bola: “o relóóóógio marcaaaaa…” O tempo já é curto para um líder com projeto…
      Na busca de um caminho para despertar o favelão, concluí que ele não desperta nem faz projetos. Precisa de um líder que o “conduza” para as mudanças necessárias (inclusive o voto distrital com recall), com muita habilidade política para conseguir maioria no Congresso sem o qual nada consegue.
      Equação difícil e com muitas variáveis.

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  • Jackson Blecker disse:

    Fernão, essa você “matou a pau”. A Ditadura da Toga foi longe demais, esquecem que ELES devem ser os primeiros a respeitarem as Leis e a Liberdade do povo, são PAGOS para isso.
    Vamos esperar os próximos capítulos, será que vão esticar a corda até aparecer outro Mourão Filho pra descer a serra e organizar a bagunça? Tomara que não apareça outro Castelo.

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  • Newton disse:

    O que Roberto Jefferson vomita em seus vídeos é o que vocês consideram apenas “liberdade de expressão” ? Alguém aqui pelo menos assistiu algum dos diversos “shows” de liberdade ? Estejam convidados.

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    • A.(sno) disse:

      Assiste quem quer… Eu declino do seu convite! E você, assiste por qual motivo?

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    • Flm disse:

      Os Jefferson’s devem morrer sozinhos, pela boca, pela recusa das pessoas sãs em ouvi-los. Isso porque se você autorizar alguém a matá-los pelo que dizem, tem de concordar que quando mudar o governo o morto seja você. Todos os partidos da esquerda verdadeira tinham em seus programas instalar no Brasil “a ditadura do proletariado”. Uma vez postos fora da lei, o que daquela vez, ao contrário desta, aconteceu DEPOIS e não ANTES de haver lei para isso, pegaram em armas e bombas e saíram matando gente na rua, mesmo gente que não tinha nada a ver com os censores deles. Depois viraram de presidenta da república para baixo, e os que “se aposentaram” vivem até hoje de indenizações pagas pelo favelão nacional arrancadas com o xororô que não cessa há três gerações, e ainda convencem idiotas por aí de que fizeram tudo isso “em defesa da democracia”…

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      • Flm disse:

        Sao esses que estão “prendendo e arrebentando” ou exigindo que se prenda e arrebente hoje, os que dizem com sinal trocado a mesmíssima coisa que eles diziam até ontem.

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  • A.(sno) disse:

    O Fernão nos dá essas verdadeiras pérolas de graça. Por outro lado a Folha nos cobra pra lermos Jânio, Hélio Schwarsman, Mônica Bérgamo e outras nulidades. Deus lhe pague, Fernão!!!

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    • Jackson Blecker disse:

      A solução pra Folha é simples, não gastar dinheiro com lixo e dar a descarga pro conteúdo.

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      • A.(sno) disse:

        Jackson: é melhor garimpar em vez de dar descarga. Ali tem João Pereira Coutinho, Pondé e agora Narloch de novo. É pouco? Mas, vindo de onde vem…

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    • A.(sno) disse:

      O sobrenome correto do indivíduo é Schwartzman. Mas o cheiro é o mesmo…
      Até o Prata resolveu se superar no humor (ou deboche) e sapecou domingo, sem anestesia: “Nos últimos dois anos, a instituição mais sólida na defesa do Brasil tem sido a imprensa.”
      Tirei as crianças da sala…

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  • Paulo Murano disse:

    Pedro Calderón de la Barca e insetos de segunda classe que humanos insistem porcamente representar; aqueles ao menos voam…

    “Es verdad, pues: reprimamos
    esta fiera condición,
    esta furia, esta ambición,
    por si alguna vez soñamos.
    Y sí haremos, pues estamos
    en mundo tan singular,
    que el vivir sólo es soñar;
    y la experiencia me enseña,
    que el hombre que vive, sueña
    lo que es, hasta despertar.

    Sueña el rey que es rey, y vive
    con este engaño mandando,
    disponiendo y gobernando;
    y este aplauso, que recibe
    prestado, en el viento escribe
    y en cenizas le convierte
    la muerte (¡desdicha fuerte!):
    ¡que hay quien intente reinar
    viendo que ha de despertar
    en el sueño de la muerte!

    Sueña el rico en su riqueza,
    que más cuidados le ofrece;
    sueña el pobre que padece
    su miseria y su pobreza;
    sueña el que a medrar empieza,
    sueña el que afana y pretende,
    sueña el que agravia y ofende,
    y en el mundo, en conclusión,
    todos sueñan lo que son,
    aunque ninguno lo entiende.

    Yo sueño que estoy aquí,
    destas prisiones cargado;
    y soñé que en otro estado
    más lisonjero me vi.
    ¿Qué es la vida? Un frenesí.
    ¿Qué es la vida? Una ilusión,
    una sombra, una ficción,
    y el mayor bien es pequeño;
    que toda la vida es sueño,
    y los sueños, sueños son”.

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  • Nivaldo disse:

    Mas porque você não está lá comandando a redação?; isso é uma pergunta mesmo, por desconhecimento; e uma provocação também na segunda dedução.

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