Revolução por revolução, melhor a sem sangue

18 de fevereiro de 2020 § 52 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 18 de fevereiro de 2020

Estão aí os episódios dos “parasitas” do ministro Guedes e do ICMS dos governadores sobre os combustíveis do Bolsonaro para resumir a situação. É proibido até falar no assunto! 

Na verdade, descartado o jogo de cena, nem a esquerda, nem a direita da privilegiatura admitem que toquem nos privilégios dela. Não ha nada a estranhar no fato de um país naufragado continuar sendo estuprado por aumentos automáticos nos salários do funcionalismo público indemissível. Como todo mundo na vida como ela é, os políticos também só “entregam serviço” para quem tem o poder de “demiti-los”. E o funcionalismo é o único corte da população que tem não só um canal direto de cobrança como também o poder de retaliar esses “patrões” eventuais sabotando os mandatos deles. Para o resto de nós eles são inatingíveis uma vez eleitos.

O político padrão não formula políticas. Isso é coisa de estadista. São apenas oportunistas úteis que atendem demandas do mercado eleitoral para chegar ao poder e continuam a fazê-lo apenas e tão somente para permanecer no poder. A quem amarrar o destino deles é, portanto, a questão que decide tudo. Enquanto a política continuar fechada em si mesma toda ação dos políticos, malgrado todos os esforços dos eventuais estranhos nos ninhos dos Legislativos e dos Executivos, continuará respondendo exclusivamente à única força em condições de submetê-los.

Deu pra levar enquanto havia o bastante para que o País Real se mantivesse em ascensão mesmo sangrado sem parar pelo Pais Oficial. Mas em alguma altura do percurso do tsunami arrecadatório que FHC pôs para rolar e o lulismo acresceu da roubalheira e do empreguismo publico desenfreados, foi contornada a “Curva de Lafer” que assinala o ponto onde o custo do Estado e a carga de impostos matam a economia e a arrecadação diminui mesmo aumentando as alíquotas. Hoje, entre ativos, aposentados e hereditários, eles são por volta de 10 milhões de pessoas. Menos de 0,5% da população, mas que come 97% do trilhão e meio de reais, mais de 40% do PIB, que os governos nos arrancam na forma de impostos todo ano. Seus privilégios podem ser vistos até lá do Banco Mundial que mede a distância entre os ricos e os pobres do mundo. E o buraco do Brasil, onde excluídos os muito ricos e alguns outros espécimes raros em vias de extinção existem os funcionários públicos e os pobres é recorde no planeta.

Quanto às reformas tributária e administrativa e as outras tentativas do ministro Guedes de modular a despesa pela receita a questão é simples. A única solução eficiente é também a única solução decente: flexibilidade absoluta. Qualquer outra não funciona. Qualquer outra é indecente. Só se explica pela preservação de privilégios odiosos.

Não adianta discutir a cada 50 anos a alteração de regras que não serão cumpridas nem gerarão consequências para quem as desrespeitar porque tudo continuará sendo uma ação entre amigos. Enquanto não ligar o fio terra do País Oficial no País Real e fizer toda decisão política começar e acabar no povo continuaremos assistindo essa briga de foice no escuro entre grupos de interesse pelos pedaços do orçamento público. Uma hora está mais pra sindicalista de ladrão, outra mais pra sindicalista de polícia, mas tudo que sobra para o povo é sempre aparar as foiçadas à mão nua.

Só o que resolve é mudar quem tem o poder de punir o descumprimento da regra.

“Eleições” como essas que temos por aqui não chegam nem a arranhar a pele do “Sistema”. O eleitor só é chamado para a disputa de penaltis de um jogo jogado à sua revelia para chancelar com seu voto os plenos poderes vitalícios e hereditários entregues a mais uma fornada de representantes de si mesmos que nunca vão saber quem foi que os elegeu, antes de ser expulso de campo de novo.

A “petrificação constitucional” do privilégio por “direito adquirido” – que torna exigível à mão armada de lei a repetição ad infinitum de qualquer assalto da privilegiatura ao bolso da escravatura que tiver sido perpetrado uma vez – é o substituto da “vontade de deus” na velha ordem absolutista. “Cola” exclusivamente porque tem por trás a ameaça da “fogueira”, da morte econômica, da paralisia burocraticamente imposta, da devassa permanente, do processo sem fim, do “esculacho” policial e da cadeia. O castigo depende da casta a que o indivíduo pertence mas é absolutamente certo.

Mas certo também como a História mostra que é, isso acaba inevitavelmente em revolução. E revolução por revolução a melhor é a sem sangue. Chama-se “democracia representativa”.

O primeiro passo deve ser, portanto, instalar na “pátria amada” a condição sem a qual uma democracia representativa é impossível: o voto distrital puro com recall que amarra com transparência absoluta, pessoal e intransferível o destino de cada representante eleito à satisfação dos seus representados.

Isso dará aos brasileiros as pernas que hoje lhes faltam para caminhar por si mesmos. Então, bons de drible como sempre fomos, poderemos discutir, diante do que der e vier, para que lado queremos ir.

§ 52 Respostas para Revolução por revolução, melhor a sem sangue

  • Walter Emir Alba disse:

    Excelente artigo! Faz uma crítica ácida e corretíssima aos sistemas pseudodemocráticos, onde o eleitor não tem poder real sobre o elegido. Mostra claramente que vivemos, com algumas variantes, num sistema de privilégios muito parecido ao do império. Mas, agora os privilegiados estão exaurindo a vida do Brasil real.

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  • carmen leibovici disse:

    Você,Fernão,com sua “repetição” a respeito do voto distrital PURO com recall,tem apontado o cerne ,o ponto crucial ,a resposta para a solução da tragédia brasileira ,há muitos anos.
    Você está coberto de razão.
    A nossa ficha esta apenas começando a cair para o que você vem apontando com a sua visão e diagnóstico tão precisos .
    Isso é ,certamente,também resultado da sua longa pessoal e familiar experiência profissional e de vida .
    (Parabéns!)

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  • Marcos Andrade Moraes disse:

    Sindicalista de policia uma ova; sindicalista das FA e suas auxiliares. Sindicalista de ladrão não existe e tsunami de FHC é ignorância sua. Prove o que diz.

    MAM

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    • rubirodrigues disse:

      Imagino que por tsunami de FHC, Fernão refira-se à revogação da lei getuliana de 52 que proibia juros compostos no Brasil por se tratar de uma fraude matemática. Juros compostos, no longo prazo, geram uma progressão absurda. Progressão que já está presente no curto prazo e que o longo apenas torna evidente. Quem não acreditar basta examinar gráfico de crescimento da “divida consolidada” a partir de FHC: parece um Concorde decolando. O resultado está ai: a metade do orçamento comprometido com o serviço da dívida.

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      • LSB disse:

        Prezado Rubi Rodrigues

        Juros compostos é matemática básica!!!!!!!
        O Brasil teima em contrariar a lógica, a matemática, etc.
        FRAUDE matemática é o surrealismo do juros simples: é patético para dizer o mínimo.
        O Brasil, e todos devedores contumazes, ao se descontrolarem financeiramente, botam a culpa nos “juros compostos”… de fato, aqui a gente ainda acredita que uma “lei jurídica” é capaz de mudar a realidade objetiva da matemática, da física, das leis de mercado, etc…
        Não nos encontramos nessa situação à toa… pelo contrário, é fruto da nossa incapacidade de entender a realidade e, consequentemente, continuarmos eternamente insistindo em “milagres”, “quadraturas de círculos”, etc.

        Abs
        LSB

        PS: também recomendo estudar contabilidade…
        Metade do orçamento comprometido com o serviço da dívida?
        Isso é contábil, pois a dívida é “rolada”… ou seja, há a contrapartida contábil: se metade do orçamento é comprometido com o serviço da dívida é porque “metade” das receitas são obtidas com emissão de novas dívidas!!!!!

        Os juros e amortizações pagos são exatamente com novas emissões!!!

        O montante ARRECADADO de fato (com impostos, royalties, dividendos de estatais, privatizações, etc.) é gasto TOTALMENTE com aposentadorias, servidores, custeio, transferências, etc.
        E mais, o governo gasta até mais do que arrecada… e isto é chamado de DÉFICIT PRIMÁRIO!!!

        (de fato, como há déficit primário, o TOTAL DE NOVAS EMISSÕES É MAIOR do que a DESPESA ORÇAMENTÁRIA – inscrita no orçamento/contabilidade – com “juros e amortizações”… exceto quando o tesouro usa seu caixa para cobrir o déficit primário e/ou parte dos juros/amortização… mas o caixa é, obviamente, finito…)

        No ano passado, o déficit primário foi de aproximadamente R$ 95 bilhões (algo em torno de 1,3% do PIB)…
        Ou seja, o governo gastou tudo que arrecadou e gastou mais 1,3% do PIB…
        Os juros e amortizações obviamente tiveram que ser “pagos” com novas dívidas (rolagem: não se paga, apenas “adia”)… e provavelmente também se emitiu novas dívidas para bancar os 1,3% do PIB que foram gastos além do arrecadado!!!
        (embora o Tesouro possa ter usado seu caixa para cobrir esses 1,3% do PIB… mas ainda assim está se usando caixa que foi composto com emissão de dívidas)

        O Brasil só pagou DE FATO PARTE dos juros, com dinheiro ARRECADADO, quando havia superávit PRIMÁRIO (que foi durante alguns anos apenas… e equivalia, na média, a uns 3% do PIB – na média, pois teve ano de 4,7% e ano de 1,5% – o que representou algo em torno de 9% do arrecadado).

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Sem dúvida um excelente artigo. O problema será como fazer a revolução para acabar com a privilegiatura e a escravatura. Por bem acho que os canalhas não aceitarão, por razões óbvias.

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  • Tereza Sayeg disse:

    Concordo, Fernão, mas como levar a cabo essa revolução? O sistema foi feito para perpetuar sempre os mesmos no poder, ou alguns que conseguem chegar lá impulsionados pela revolta popular. Só que quando chegam lá, entregam-se docemente aos privilégios da casta.

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  • Flm disse:

    Não me canso de repetir, senhoras, senhores.
    Com a mesma receita de derrubar governo recentemente testada e aprovada: encham-se as praças públicas de escravos decididos a quebrar as correntes país afora, com metade dos manifestantes segurando o cartaz “VOTO DISTRITAL COM RECALL JÁ” e a mágica acontece.

    A privilegiatura é tigre de papel. Existe na proporção exata da nossa omissão como cidadãos.

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    • LSB disse:

      Caro Fernão,

      Vou lhe questionar mais uma vez:

      “…encham-se as praças públicas de escravos decididos a quebrar as correntes país afora, com metade dos manifestantes segurando o cartaz “VOTO DISTRITAL COM RECALL JÁ” e a mágica acontece.”

      Ok, mas como mobilizar essa massa de “escravos”?!??!

      Sim, vamos divulgando o voto distrital puro…
      Sim, continuemos no trabalho missionário…
      Sim, vamos continuar insistindo na ideia (uma hora “vinga”, quem sabe), mas…

      Quem defende publicamente o voto distrital puro?
      Um ou outro político é a favor, mas essa não é a principal preocupação ou prioridade destes…

      Quantas pessoas públicas carregam essa bandeira?
      Quase não veja nenhuma…

      Quantos movimentos de “renovação política” elegeram o “voto distrital puro com recall” como meta?
      Desconheço um sequer…

      Quantos cientistas políticos e jornalistas estão bradando na imprensa que o voto distrital puro com recall é urgente urgentíssimo?
      Excetuando você, raramente leio alguma defesa, apoio ou exortação ao voto distrital puro com recall…

      Quantos “formadores de opinião” entraram “no barco” do voto distrital puro com recall?
      Acho que quase nenhum….

      Outro dia lhe perguntei se seus colegas de “redação” e de trabalho, bem como os cidadãos “com voz” que você tem contato profissional, lhe “dão atenção”…
      Não sei se você entendeu o sentido do questionamento (preferiu não responder), mas creio que entendeu…
      Obviamente sei lhe respeitam e sabem / leem o que você escreve (não era esse o cerne da indagação), MAS ainda tenho dúvidas se você ouve mais frases do tipo: “estou contigo e não abro”, “você está certo”, “apoio totalmente”, “concordo integralmente”, “voto distrital é a única saída” OU se escuta muito mais: “não concordo”, “não vai dar certo”, “não acho que vai mudar muita coisa”, “não é da cultura do brasileiro”, “não é viável”, “EUA é outra cultura”, “isso é utopia”, “o brasileiro não é preparado para isso”, “até concordo, mas acho que o importante / necessário mesmo é…”, etc.

      Enfim, o que eu quero dizer é que para os “escravos” irem às ruas pedir “voto distrital puro com recall” há a necessidade de muita divulgação, provocação, informação e até incitação!!!
      (e me parece que os “formadores de opinião”, os “com voz”, os “mobilizadores sociais” – jornalistas, artistas, intelectuais, políticos, etc.- não estão nem aí para essa questão / bandeira…)

      Abs
      LSB

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      • A. disse:

        Carmen:
        103% (considerando a margem de erro) de acordo com suas palavras. Só que quando se chega ao fim da vida sem ter visto um mísero progresso considerável que seja, o pessimismo passa a se transformar em descrença e sarcasmo… “Leva tempo” você disse. Espero que você seja jovem e tenha esse tempo pela frente. Eu não tenho mais!
        Abração!

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      • Carmen Leibovici disse:

        A.
        Eu não sou mais jovem e compreendo o seu modo de ver as coisas no Brasil,mas eu acho que não tem outro jeito senão ser otimista,mas um otimismo pragmático,vamos dizer assim.Não tem alternativa.Se se entregar,fica pior,não vale a pena.

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      • Paulo Murano disse:

        Caro LSB, há alguns anos, tendo tempo, leio esse blog e comentários. Os seus, neta matéria, vão direto ao ponto de sempre: não há aqui compromisso com a materializações de transformações, sendo espaço de egos exaltados de seres com admirável inteligência orientados à prática de boas intenções. Ações transformadoras exigem dar a cara a tapa.

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    • A. disse:

      A solução está posta! Como sempre, faltam os “ratos” que irão amarrar o guizo no pescoço do gato… Nossos “ratos” estão mais interessados em roubar queijo e curtir o fim de semana no sofá! E não me refiro a políticos, não! Me refiro ao próprio povo. (não adianta alguns comentaristas virem dizer que não se encaixam no figurino: o que faz a balança pender é a maioria (50% + 1))

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      • Carmen Leibovici disse:

        A.
        Eu acho que a conscientização é um passo.A “solução posta” requer absorção;a absorção leva tempo.A solução estar posta é muito melhor do que o “caos”prevalecer.O caos gera reação “selvagem”,vamos dizer assim.Pelo menos tem-se uma direção a ser pensada e elaborada.Por isso a preservação da democracia,da liberdade de expressão são tão importantes.Qualquer outra direção seria,Deus nos livre,um retrocesso,um corte numa retomada evolutiva.
        Infelizmente,leva tempo…Eu acho que é assim.

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      • A. disse:

        Carmen:
        103% (considerando a margem de erro) de acordo com suas palavras. Só que quando se chega ao fim da vida sem ter visto um mísero progresso considerável que seja, o pessimismo passa a se transformar em descrença e sarcasmo… “Leva tempo” você disse. Espero que você seja jovem e tenha esse tempo pela frente. Eu não tenho mais!
        Abração!

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      • LSB disse:

        Prezado A.

        Concordo 100% (ou 103% conforme a margem sugerida pelo senhor hehehe). Não são nem os políticos…
        Por isso sempre comento sobre essa dificuldade (quase impossibilidade) de se mobilizar o povo…

        Cara Carmen

        “A solução estar posta é muito melhor do que o ‘caos’ prevalecer.O caos gera reação ‘selvagem’,vamos dizer assim.”

        De fato, é… assim como a senhora e o próprio Fernão (“Revolução por revolução, melhor a sem sangue”), também penso assim…

        Todavia, se a solução não vier, o “caos” vai chegar – gostemos ou não… o Brasil está praticamente ingovernável dadas a rigidez fiscal, a burocracia paralisante, a judicialização e respectiva insegurança jurídica, a não representatividade política, a polarização crescente, a carga tributária escorchante, a falta de qualquer consenso, a desconfiança geral também crescente, as maluquices que o STF produz, a rejeição – também essa crescente – a políticos, partidos e demais meios de representação/mediação em uma democracia, etc. etc. etc.
        Não iremos viver assim para sempre… tudo tem um limite… e estamos chegando próximo ao nosso… se a solução não vier em breve, o caos chega sim…

        Abs
        LSB

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  • Olavo Leal disse:

    Artigo brilhante, Fernão, como os anteriores que tratam mais especificamente do assunto “voto distrital com recall”, fazendo uma crítica direta aos sistemas “democráticos” – como o nosso – nos quais o cidadão-eleitor não tem poder efetivo sobre aquele em quem votou.
    Daí, vivermos claramente num sistema de privilégios que vem-se eternizando desde o fim o Império, mas se aprofundou a partir da ditadura Vargas (1930-45), a ponto de, agora, estar sugando o que resta da seiva produtiva do Brasil.
    Em comentário meu em artigo anterior, houve referência ao livro “Por que o Brasil é um País atrasado?”, do deputado Phillippe de Orleáns, o qual tive a oportunidade de ler e recomendo aos amigos interessados.
    (Se for o caso, sugiro a ida a uma livraria e, numa mesa com um cafezinho, a leitura do capítulo 8, de 23 páginas muito significativas.)

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  • JOSÉ MORA NETO disse:

    DON`T GIVE UP.

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  • fernando disse:

    acompanho os textos de alguns jornalistas e articulistas de diversas tendências, que pelos critérios em que acredito, são sérios e bem intencionados. você é um deles, e embora não concorde com parte do que você coloca (por exemplo seu apoio a este autoritário e inescrupuloso sergio moro me dá calafrios), seus artigos me trazem esperança. obrigado.

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  • Acho que o fundo eleitoral alterou as eleições a tal ponto que na maioria dos rincões o voto vai ser comprado. Ninguém vai ser deposto por recall, justamente nos lugares onde se elege os piores representantes. Já passamos o Rubicão e acho que sem sangue não vamos sair da prisão política em que nos meteram.

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  • LSB disse:

    Caro Fernão,

    Excelente artigo!
    Todavia, sou meio detalhista com números e, embora entenda que não altera a sua “linha de raciocínio”, há números meio fora da realidade no seu texto.
    Vamos a eles:

    “Hoje, entre ativos, aposentados e hereditários, eles são por volta de 10 milhões de pessoas. Menos de 0,5% da população…”

    Incorreto. Isso não significa 0,5% da população e sim 5%.

    “…mas que come 97% do trilhão e meio de reais, mais de 40% do PIB, que os governos nos arrancam na forma de impostos todo ano.”

    Também incorreto.
    De fato, o Estado brasileiro no seu conjunto (União, Estados e Municípios) arrecadam entre 36% e 38% do PIB em impostos e contribuições previdenciárias (aproximadamente 33%) e demais fontes de renda (royalties, dividendos de estatais, privatizações, etc. e que representam entre 3% e 5% do PIB).
    Como a União ainda incorre em déficit primário (R$ 95 bilhões, ou 1,3% do PIB, em 2019 aproximadamente), o montante “torrado” pelo Estado brasileiro se aproxima da percentagem que você assinalou: 40% do PIB…
    Porém, esses 40% gastos representam aproximadamente R$ 2,8 trilhões e não R$ 1,5 trilhão!
    Ademais, 1/4 desse montante (1/4 das despesas do Estado) é utilizada para pagamento do INSS (aposentados do setor privado), LOAS, BPC, Aposentadoria Rural… ou seja, algo como 9% do PIB brasileiro…
    Custeio + servidores ativos + servidores aposentados + investimentos raquíticos = 3/4 dos gastos PRIMÁRIOS do Estado (algo entre 27% e 30% do PIB)

    No mais, embora concorde em gênero, número e grau com sua (nossa) bandeira do voto distrital PURO com recall, tenho “receios” em relação a um ponto que você colocou:

    “A ‘petrificação constitucional’ do privilégio por ‘direito adquirido’…”

    Por mais que conseguíssemos a implantação do voto distrital, mudar nossas legislações (depois de alcançarmos a VERDADEIRA democracia) não será nada fácil…
    Certo ou errado (nem vou entrar no mérito do “dispositivo”), o “direito adquirido” é elemento basilar no nosso direito!
    Com ou sem voto distrital, derrubar o “dogma” do “direito adquirido” no Direito Brasileiro é fazer uma revolução!
    E revolução dificilmente seria muito pacífica uma vez que a sociedade brasileira se moldou e se materializou / corporizou tendo como base o tal do “direito adquirido”… revogar tal “princípio” significa “por abaixo” os “alicerces jurídicos” do país…
    (não que eu seja contra, mas tenho consciência do que eu desejo…)

    Abs
    LSB

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    • Jorge Santos disse:

      Caro LSB,

      Reforma política para 2022 /voto distrital, mesmo sem recall, e extinção fundo partidário/ já seria um bom passo para a Democracia Verdadeira!

      Abs

      Jorge

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      • Olavo Leal disse:

        Acho que o ideal seria começar pelas beiradas: voto distrital puro nas eleições municipais (na deste ano não daria mais, creio). Daí iríamos exigindo o recall (inclusive para prefeitos, via câmaras municipais) e a subida para eleições a deputados e senadores. Aos poucos, mas com firmeza.

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      • LSB disse:

        Prezados Jorge e Olavo,

        Meu ponto nesse específico comentário nem foi sobre o voto distrital.

        De fato, o que expressei (além de da questão dos “números”) foi que, independentemente do voto distrital, derrubar o dogma do “direito adquirido” é “osso”!

        Seja com voto distrital, seja com voto em listas, seja com voto no “distritão”, com ou sem cláusula de barreira, eleições majoritárias ou proporcionais, qualquer tentativa de revogar “direitos adquiridos” será uma batalha “hercúlea” e cujo resultado é totalmente incerto (exceto que estaríamos flertando com o “imponderável”…)

        Como disse, nosso sistema jurídico é totalmente fundamentado no “direito adquirido” (não estou julgando o mérito de tal dispositivo) e, portanto, tentar mudar isso significa praticamente tentar uma “revolução”….

        Se realmente a ideia de acabar com “direitos adquiridos” for “para frente”, o que estaríamos fazendo é desmontar, desconstruir, “implodir” mesmo o “sistema jurídico” do Brasil e, daí, o que resultará disso é imprevisível….

        Noves fora as consequências, só a tentativa de “revogar direitos adquiridos” já nos levaria a “conflitos” dantescos (com ou sem violência) e a uma fratura “social” muitíssimo maior do que a que já estamos vendo…

        Reitero que não sou contra, apenas tenho consciência que tal desejo é, no mínimo, arrojado, arriscado e totalmente imprevisível*….

        Abs
        LSB

        *Ao menos no “curto prazo”, ou seja, ao menos até a sociedade se “restabelecer” novamente, após diversos conflitos, confusões, inseguranças, brigas, etc., em novas bases “jurídicas”…

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      • Flm disse:

        Voto distrital sem recall é acreditar que os políticos vão deixar de ser cínicos e criar vergonha na cara por pura mágica.

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      • carmen leibovici disse:

        A divisão do país em distritos é apenas o modo para se poder operacionalizar a dinâmica da democracia;ela não é o fim em si mesma.O fim é a sociedade participar da própria sociedade,portanto o PONTO é o Recall ,e não os distritos propriamente.

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  • Ethan Edwards disse:

    Parabéns, Fernão!
    Seus argumentos são claros e irretorquíveis. E, como sempre, as críticas convergem para “como conseguir isso?”. É inevitável: revolucionar a política parece ser a última preocupação dos brasileiros, se é que constitui preocupação em algum segmento da população. Os próprios “influencers”, falantes ou escreventes, jamais se interessam pelo tema. No fundo, da extrema-direita à extrema-esquerda, passando por todo o espectro de liberais, social-democratas, conservadores, etc., é ao Estado que todos parecem conferir o papel de iniciador e guia de qualquer transformação da vida pública: econômica, fiscal, política, administrativa, até mesmo moral e de costumes. O povo não faz parte, em qualquer grau, dessa equação. E é evidente que, se o povo não se interessa por essa revolução, não será a privilegiatura quem a iniciará.
    A questão, toda a questão, portanto, consiste nisso: como fazer – não Bolsonaro, nem Guedes, nem FHC… – o povo, a massa dos que pagam impostos, começar a refletir sobre a conveniência de ele mesmo conferir as despesas e ler os relatórios de desempenho do pessoal que nomeou para gerenciar a empresa. Ao cifrar, porém, o assunto nestes termos – empresa, gerência, contas… -, o defensor da tua revolução política arrisca-se a ser acusado de fazer desaparecer os elevados temas da “pátria”, do “nosso país”, do “Brasil il il…” sob a linguagem dos negócios e de pretender reduzir o patriótico povo brasileiro a um aglomerado de pequenos negociantes cúpidos. Bem, é mais ou menos disso que se trata: para serem exigentes com seus impostos, os brasileiros precisam ser, antes de tudo senhores dos próprios negócios. A democracia, em qualquer lugar, começa pela criação de uma classe de proprietários. Foi assim na Grécia, onde ela nasceu, foi assim, mais tarde, em todos os lugares do mundo onde ela triunfou. Ela exige a altivez, a independência dos senhores e a vigilância dos que não deixam aventureiros pôr as mãos em seu patrimônio. Ela não será defendida por gente que, de uma maneira ou outra, vive à sombra do Estado.

    Bem, isso nos leva ao ponto 2…

    Saudações democráticas.

    EE

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    • LSB disse:

      Prezado Ethan,

      “No fundo, da extrema-direita à extrema-esquerda, passando por todo o espectro de liberais, social-democratas, conservadores, etc., é ao Estado que todos parecem conferir o papel de iniciador e guia de qualquer transformação da vida pública: econômica, fiscal, política, administrativa, até mesmo moral e de costumes.”

      Se todos – e de todos espectros políticos – “parecem conferir o papel de iniciador e guia de qualquer transformação da vida pública” ao “Estado” é porque ninguém entendeu nada!!!!!

      É absolutamente incompatível o liberalismo clássico com o “estatismo” (de fato, “tudo começou” quando alguém nomeou o Estado como “Leviatã” e o caracterizou como um “mal necessário” e que, portanto, deveria ser constantemente vigiado…)

      Se todos pedem mais Estado (como já lembrei aqui, o Jabor costuma ironizar dizendo que até para derrubar o Estado o brasileiro pede para o Estado o fazer… que é o que significa quando alguém pede intervenção militar para “derrubar” o Congresso, o STF, etc.) é porque foi feita uma verdadeira “lavagem cerebral” na mente dos brasileiros….

      Se um autointitulado liberal pede mais Estado, isso somente significa que esse sujeito não entendeu nada…. tal “fenômeno”, enfim, é só a prova da “doutrinação” levada a cabo em nossas “madrassas” (e arrematada com muito esmero pelos “formadores de opinião” em geral)…

      No mais, os “proprietários” no Brasil já foram devidamente enquadrados e “adestrados”….
      Nossos direitos civis são diuturnamente vilipendiados e não “damos a mínima”… pelo contrário, fomos devidamente treinados a justificar o desrespeito, a agressão, a afronta e a desconsideração aos/dos direitos civis (e tudo em nome de “direitos sociais”, “sociedade justa e igualitária”, “desigualdade social”, etc.)…
      Enfim, sei que se conselho fosse bom, nós os venderíamos, mas ainda assim lhe aconselho a esperar sentado (e sem alimentar expectativas) a “independência dos senhores e a vigilância dos que não deixam aventureiros pôr as mãos em seu patrimônio”.

      Abs
      LSB

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  • LSB disse:

    Fernão,

    Queimando minhas pestanas aqui, pensei em uma questão que acho que valeria a pena perder uns “minutinhos” em uma avaliação mais atenciosa….

    Uma vez que a maior problemática é justamente como mobilizar a população brasileira em prol do “voto distrital puro com recall”, penso que a comunicação / marketing venha a ser fundamental nesse processo.

    Daí que o próprio termo “voto distrital puro com recall” é altamente “desmobilizador”…
    Nosso povo não é, em sua maioria, letrado e nem afeito à leitura e, portanto, quando se utiliza os vocábulos “distrital” e “recall” acaba-se gerando um efeito “negativo” uma vez que as pessoas não entendem o que significa “recall” (estrangeirismo) e a palavra “distrital” remete, no máximo, a povoados próximos a cidades e que não possuem status de municípios (“distritos”)….
    Voto distrital puro com recall está tão longe de ser intuitivamente compreendido, ainda que em “linhas gerais” ou “superficialmente”, que a sua simples menção cria um “bloqueio” nos ouvintes que, além de não entenderem do que se trata, também “se fecham” à curiosidade (interesse) que uma outra expressão poderia provocar…

    Então pergunto: não seria melhor se adotar outro termo? Outro que fosse mais “intuitivo” aos ouvidos nacionais?

    Farei uma sugestão com o intuito de ilustrar meu ponto:

    VOTO LOCAL COM “DESVOTAÇÃO”

    Eis um exemplo… os termos “local” e “desvotação” seriam mais palatáveis aos nossos conterrâneos, creio eu…
    Ao falar em “desvotação”, ao invés de “recall”, seu interlocutor capta rapidamente a “ideia” (pode, é claro, não entender totalmente o mecanismo, mas, pela própria palavra “desvotação”, é capaz de imaginar “algo” que faça o inverso de colocar o político no poder)….
    Mesmo raciocínio vale para o “local”: dizer “voto local” leva o ouvinte a fazer ideia de algo “mais próximo” (e, até pelo seu uso “inusitado”, suscita a curiosidade de quem escuta: “Voto local? O que é isso?”)…

    Claro que em “eventos oficiais”, “artigos em jornais” e panfletos em geral, haveria sempre um início mais ou menos assim:

    O “Voto Local com ‘Desvotação’ “, também conhecido como voto distrital puro com recall, é um bla bla bla bla…

    Entendidos entenderiam na primeira linha (ou na primeira frase do discurso); já os menos iniciados “pulariam” ou desconsiderariam o aposto e focariam o restante do texto (que poderia ser a explicação ou a “defesa” do mecanismo proposto, por exemplo) – ou seja, você conseguiria mais facilmente “fisgar” os mais acanhados, os mais “simples” e os mais “ariscos”…

    Enfim, penso que nessa nossa “luta” todo aspecto deve ser considerado (em especial, a estratégia de comunicação).

    Abs
    LSB

    PS 1: essa questão é igual ao do “voucher” (que ninguém sabe o que significa a palavra): estão começando a chamar de “vale” (termo esse hiper conhecido e compreendido do Oiapoque ao Chuí e que traduz a ideia do voucher, de forma bastante “fiel”, para a população em geral)

    PS 2: falar em “voto distrital puro com recall” é como você descrever uma situação e ilustrando-a com a seguinte figura de linguagem: “eh, nesse xadrez você tem que ‘rocar’ “…

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    • carmen leibovici disse:

      LSD,a impressão que você passa é de que não entende o que lê e comenta o que lhe dá na telha ,de
      forma descontextualizada,tanto do ponto de vista do que é discutido aqui quanto do ponto de vista do que está ocorrendo de fato agora na política brasileira.
      Convém se informar melhor de modo que não viaje tanto em seus receios pessoais(e ,a mim parece,na maionese também)

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      • LSB disse:

        Poxa, “dona” Carmen, “acusação” séria essa!
        Principalmente considerando que a acusação é de que eu não entenderia o que leio e que comentaria o que der na telha…
        Isto porque eu diria: olha quem fala!
        Repense seus comentários…
        Lembro-me muito bem da senhora escrever que não aguentava mais “leis nacionais” para alguns comentários depois (no mesmo artigo) sair pedindo / exigindo que todas as cidades tivessem planejamento com isso e aquilo, etc. e tal…
        E ainda “arrotando” que lia o Fernão há anos!!!!!!
        Há anos?!??!
        Puxa, e ainda não tinha entendido nada!!!!!
        Sequer o sentido da palavra “coerência”!!!!

        E, por favor, pule meus comentários e não os leia!!!
        Embora eu não possa prometer fazer o mesmo quando a senhora falar “mercadoria”!

        No mais, meu “post”, se é que a senhora entendeu alguma coisa, é exatamente sobre a dificuldade de “vender” o voto distrital puro com recall… releia os comentários do artigo e veja que o “tema” “dificuldade de mudar o sistema” está presente em diversos dele..

        Abs
        LSB

        PS: quando a senhora fala em não “viajar na maionese”, está praticando aquela velha mania do sujo falar do mal lavado?
        Sim, porque a “perspicaz” observação de que a “divisão do país em distritos é apenas o modo para se poder operacionalizar a dinâmica da democracia;ela não é o fim em si mesma.O fim é a sociedade participar da própria sociedade,portanto o PONTO é o Recall ,e não os distritos propriamente” é digna do Oscar da Maionese Viajante!
        Tenta aí implantar o recall no nosso sistema atual…. sem distritos!
        E ainda diz que lê o Fernão há anos… só vou perguntar: quando é que vai começar a entender mesmo?

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      • Carmen Leibovici disse:

        LSB,não pretendi te ofender;pretendi que fosse uma crítica construtiva.

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      • LSB disse:

        Prezada Carmen,

        Antes de nada, ok… aceito sua afirmação de que a intenção foi de fazer uma crítica construtiva..
        Entretanto, certas expressões não são as mais adequadas em uma crítica construtiva…
        (“não entende o que lê” ou “comenta o que lhe dá na telha”, “não viaje nos seus receios” – poxa, receios – exagerados ou não – são ideias/pontos a serem analisados, ué…)

        Mas, tudo bem… as vezes também pego pesado… e também peço desculpas por isso (tanto à senhora quanto a outros que também podem não apreciar meu “estilo”)

        No entanto, quando quiser criticar seja mais específica que terei maior boa vontade de contextualizar ou explicar como o comentário se encaixa no tema do artigo ou em relação a um terceiro comentário ou em relação ao”que está ocorrendo de fato agora na política brasileira”…

        A propósito, sua crítica foi posta justamente em um comentário que eu comentava sobre a dificuldade de se “vender” o voto distrital puro com recall… nada mais dentro do tema do artigo e também dos comentários de diversos colegas de vespeiro…

        Creio até que a senhora tenha postado errado… sua crítica seria à minha resposta ao comentário do senhor Ethan (que estava logo acima)…
        De fato, nesta resposta eu realmente fugi da temática tratada nesta “página”…
        Entretanto, esclareço que eu apenas estava respondendo ao senhor Ethan que, por sua vez, havia inserido em seu comentário a constatação de que, no Brasil, “da extrema-direita à extrema-esquerda, passando por todo o espectro de liberais, social-democratas, conservadores, etc., é ao Estado que todos parecem conferir o papel de iniciador e guia de qualquer transformação da vida pública”.
        Daí tentei explicar esse “fenômeno” na minha “réplica”…
        Enfim, embora não fosse exatamente o assunto em voga, penso que a “constatação” do senhor Ethan está totalmente inserido no contexto do quadro político nacional atual…
        (e como o senhor Ethan o abordou, eu também o fiz…)

        Para concluir, vamos manter o debate em alto nível e procurar fazer críticas, ainda que pesadas, bem estruturadas e fundamentadas… isso é mais do que necessário se ainda tivermos alguma esperança de que o Brasil ache seu rumo
        (ou então, fazemos como A. que nem debate muito porque já não acredita mais… o que é, ainda que pessimista, uma opinião válida e eloquente)

        Abs
        LSB

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  • JRS disse:

    Deseleição ?

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    • LSB disse:

      Caro JRS

      O exemplo que dei (meio ruim) foi só um exemplo mesmo.
      A questão só é que penso que o próprio termo “voto distrital puro com recall” não é o mais, digamos assim, “vendável”….
      Muitas vezes já “topei” com pessoas “estudadas” que quando eu mencionei o voto distrital puro (ou perguntei o que achava ou se apoiava) tentavam se esquivar ou mudar de assunto… presumi que, ao menos em algumas destas ocasiões, os interlocutores não tinham a mínima ideia e também não tinham coragem de dizer que não sabiam para não passar recibo de ignorante…
      Enfim, creio que algo mais intuitivo talvez fosse melhor….

      Voto local com desvotação / deseleição
      Voto regional com demissão / destituição
      Voto local com REMOÇÃO…

      Etc…

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    • LSB disse:

      Poder ser também “voto regional com AFASTAMENTO”… etc…

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      • carmen leibovici disse:

        LSB,acredito que você não se lembre,ou ainda “não estava por aqui”,mas já conversamos muito sobre o uso da palavra correta em substituição a “recall”:”deseleicao”,”desvoto”,etc,mas não chegamos a nada.
        O que eu concluo é que é mais importante a absorção do conceito do que o uso da “palavra correta”.
        Recall,como já mencionou o Fernão,reporta a algo conhecido por todos-a retirada do mercado de peça defeituosa e essa compreensão ajuda.
        Já a compreensão do conceito e mais importante pois indica que o Brasil é muito grande para poder ser gerido-e de fato não o é-e que é preciso dividi-lo em “pedacinhos”-distritos-dentro dos “pedacoes”-cidades-,para que possa ser administrável.
        Já o recall seria o instrumento na mão dos habitantes dos distritos para poderem depor ,com agilidade,quem não os representa bem e absorve o dinheiro publico em vão.
        Aqui se fala muito tbm do Pacto Federativo”,que está na Constituição mas não é aplicado,e trata da distribuição dos impostos de forma mais equitativa entre estados e municípios ,entre outras coisas (que eu desconheço).
        A União concentra muito dinheiro e obriga estados e municípios a implorarem dinheiro à Uniao,o que não é como deveria ser

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      • LSB disse:

        Ops… se a temática “nomenclatura” já foi exaustivamente discutida por aqui, peço desculpas por retomar – ainda que por desconhecimento – tal assunto já anteriormente esgotado…
        Grato pela informação, “dona” Carmen

        Abs
        LSB

        PS: só acho que a divisão de impostos deveria ser exatamente o que cada distrito / município / Estado arrecada.
        Por um lado, isso significa “desigualdade” já que áreas mais ricas poderão oferecer mais serviços e também se desenvolverem mais rápido…
        (mas isso pode ser atenuado com alguma transferência de renda, via União, em projetos / programas bastante específicos de desenvolvimento)
        Mas, por outro, a responsabilidade é total de cada cidade / distrito / Estado…
        Tentar um “junta tudo e redistribui” é quase manter tudo com está hoje… a briga acaba se concentrando em BSB (mais ou menos como hoje) e com cada Ente da Federação tentando (1) “contribuir com menos”, (2) “ficar com uma parte maior” e com todos os grupos de interesses tentando inserir um novo serviço… e com todos tentando legislar as “vidas” alheias (na base do “já que eu estou pagando” eu quero dizer qual gasto é admissível, quero fiscalização absoluta embora eu não vá lá fiscalizar, etc.)

        PS 2: Ah, não sei se esse tema da divisão de recursos já tenha sido bastante debatido ou não por aqui… se estou “chovendo no molhado”, desculpem-me mais uma vez..

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      • carmen leibovici disse:

        LSB,não, esse tema a respeito da divisão de recursos ainda não foi exaustivamente discutido por aqui,que eu saiba,mas ele é crucial.
        A União tem ficado com tudo!- cerca de 3 TRILHÕES de reais por ano.Os estados recebem ICMS e algo mais ,que tbm não sei bem,e os municípios quase nada,e dependem da União para que lhes repasse dinheiro.
        Quando for cumprido o Pacto Federativo,estados e municípios passarão a receber.
        Acontece que no Brasil,pulverizar o dinheiro público é tbm pulverizar a roubalheira e a corrupção.
        Por isso o que vem sendo batalha do ,especialmente pelo Fernão,é tão importante para quando o tal Pacto for cumprido assim como os distritos forem formados.Com o povo “armado”,como diz o Fernão,com o instrumento de recall,os ” tesoureiros”,e outros mais controladores do dinheiro publico, dos locais não poderão mais meter a mão sem medo.Saberão que o próprio eleitor os arrancará de lá.Assim como um juiz não poderá vender sentenças ou fazer outras besteiras,pois terá medo de ser chutado para fora.
        Todos os nossos funcionários ter ao medo.Diferentemente do que ocorre hoje,quando não só aprontam mas ainda continuam a receber dps do pior apronto.
        O estado brasileiro tem sido um gigolô,uma p,e tudo o mais de feio e indecente que se possa pensar.
        Isso precisa mudar porque a nossa dignidade já esta pra la de na lama.
        Ps Quando o povo puder CONTROLAR o orçamento de suas comunidades(distritos)esses caras que sentam nos executivos,legislativos e judiciários,pararao com essa briga de foice para morder um pedaço do que NÃO lhes pertence.

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      • LSB disse:

        Prezada Carmen,

        Concordo integralmente com o exposto pela senhora.
        Só farei alguns “ajustes” (que não alteram o sentido do seu texto):

        As 3 esferas da Federação (União, Estados e Municípios) arrecadam JUNTAS entre 38% e 40% do PIB com impostos, contribuições previdenciárias, royalties, privatizações, etc.

        A União “fica” com algo entre 21% e 23% do PIB (entre R$ 1,5 trilhão e R$ 1,6 trilhão), sendo o restante (entre R$ 1,2 trilhão e R$ 1,3 trilhão) arrecadado por todos os Estados e Municípios juntos.

        De fato, a União “arrecada” a maior parcela (em torno de 2/3).
        No entanto, do total arrecadado pela União, aproximadamente 9% do PIB (R$ 700 bilhões mais ou menos) é gasto com INSS, Loas, BPC (ou seja, previdência e assistência social do setor PRIVADO).
        Esse montante já é quase metade do que a União arrecada…

        Do restante arrecadado pela União, uma boa parte é transferida para o Fundo de Participação de Estados e Municípios, Fundeb (educação) e bolsa família…
        Não sei exatamente quanto é transferido para municípios e Estados (precisaria pesquisar), mas é relevante…

        Então, até que, no final, Estados e Municípios recebem uma parcela significativa do total arrecado no País…

        Todavia, uma vez que todas as leis relativas a gastos obrigatórios, padrões, etc. são emanadas de Brasília, obviamente não atendem satisfatoriamente as necessidades e prioridades de cada Estado/município…

        Enfim, uma vez que o “como gastar” não está “descentralizado”, o que acaba sendo “resolvido” (legislado) em BSB se torna uma verdadeira “quadratura do círculo” (e de difícil fiscalização pelas populações locais)…

        Abs
        LSB

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      • Carmen Leibovici disse:

        Pois é, LSB tem algo errado na distribuição e controle do orçamento público no Brasil todo.Eu nem entro em números,entro na problemática.
        Só para dar um exemplo do que digo:eu frequentei por uns anos uma cidadezinha do interior paulista.Era um negócio de virar o estômago.A fazenda do prefeito tinha estrada ,água encanada,todos os benefícios possíveis.Ele tinha informações privilegiadas e antecipadas de certos benefícios que a cidade receberia e comprava terras nas áreas para que fossem valorizadas.Enfim,um horror!Os fazendeiros locais se esgüelavam por qualquer coisa,tinham de bajular o prefeito para conseguir direitos,enfim,muita coisa que nem quero fica detalhando.Quer dizer ,até um município que não recebe “tanto”,o que recebe não chega aonde deve.
        Resumindo:a questão é para onde vai o dinheiro dos nossos impostos.Isso precisa ser resolvido,precisa ser CONTROLADO ,e certamente isso jamais será feito pelas raposas,precisa ser feito pelas galinhas.
        É a isso que eu tenho dirigido minha atenção.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Além disso,eu vejo que a máquina publica brasileira é um fim em si mesma e isso precisa ser consertado, porque não tem o menor sentido nós sermos escravos(sim escravos!)a sustentar essa máquina pública cheia de desperdícios e privilégios.Eu quero que o dinheiro dos impostos volte para mim e para todos que pagam.No Brasil metade da população não tem saneamento básico.Isso afeta a minha vida,pois um povo mal tratado gera criminalidade ,infelicidade,etc,além de ser uma força econômica desperdiçada.Se todo o povo é economicamente forte,a economia é robusta.Acho ,inclusive ,burrice nossos governantes não enxergarem isso.

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      • LSB disse:

        Exato, “dona” Carmen…

        Concordo novamente 100% com seus últimos 2 comentários…
        Os números que apontei foram apenas uma questão de precisão / preciosismo…
        Mas, como ressalvei, não alteram nada o sentido de seus comentários…

        No mais, também um absurdo nossas lideranças não se atinarem para o fato de que o Brasil poderia estar entre as 3 principais potências mundiais, pois potencial para isso nós temos…

        Covardia? Mesquinharia? Burrice? Tudo isso ao mesmo tempo?
        Não sei, mas é muito lastimável…

        Abs
        LSB

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      • Carmen Leibovici disse:

        É isso mesmo:covardia,mesquinharia,burrice,atraso,pensamento tacanho,etc….Esse jeito de governar já embolorou.Espero que mude.

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  • Paulo Murano disse:

    Pensamentos não germinam virtudes nem esclarecem a ausência delas, são ferramentas de sobrevivência.
    Qual o sentido de explicar a colônia às formiga? Exercício intelectual e vaidade inúteis desorientam a percepção do ponto de intersecção entre mundos. Buracos negros atraem desiludidos e escandalizam inteligências. Macunaíma, Monty Python, aqui, passatempos circulares.

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    • Paulo Murano disse:

      PS : erros gramaticais, pela minha pressa, podem se tornar armadilha de intelectos preguiçosos ou bifurcação para curiosos bem intencionados.

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      • carmen leibovici disse:

        Paulo,você tem uma forma meio metafórica,vamos dizer assim,de se expressar ,mas eu acho que faz bastante sentido o que você diz.

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      • Paulo Murano disse:

        Carmen, gentil comentário. Obrigado pela complascência de orientação sábia. Seu calor humano tem energia transformadora que ultrapassa sob jugos culturais limitantes do potencial da criatuta humana. Fente a exercícios racionais duvidosos dormir na rede me faz bem — outra falácia: tempo é precioso | correto: tempo é ilusão deliciosa, precioso é observá-lo.

        Bjs do amigo, Paulo

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    • LSB disse:

      Prezado Paulo,

      Primeiramente, confesso que talvez esteja perdendo tempo em responder um post antigo… já houve novas postagens do Fernão e, portanto, nem sei se alguém lê artigos (e comentários) antigos…
      Mas responderei ainda assim…

      Como “dona” Carmen comentou, seus textos são um tanto quanto metafóricos… o problema é que a metáfora pode ser interpretada de várias formas, pode ser aplicada a diversas situações (comentários, opiniões, etc.) ou pode ser entendida como se estivesse fazendo referência a vários “pontos”… acaba que em “cada cabeça uma sentença”….

      Enfim, não sei se compreendi totalmente o que o senhor pretendeu dizer, mas, ainda assim, respondei à sua colocação…

      “Pensamentos não germinam virtudes nem esclarecem a ausência delas, são ferramentas de sobrevivência”

      Não concordo.
      A própria definição de virtude nasce da, digamos, “filosofia”. Não há como avaliarmos qualquer situação ou definir qualquer “conjunto de valores” se não “pensarmos”…
      Também é impossível averiguar se “algo” é ou não “virtuoso” (ou se está alinhado com o que definimos como “virtude”) se não fizermos reflexões profundas…
      (talvez seja até “fácil” classificar um maltrato a um cãozinho abandonado como “não virtuoso”, porém, quando passamos avaliar atitudes e ações políticas, a “coisa” complica muito mais… toda reflexão acaba sendo “pouca”…)
      Na mesma linha, a compreensão da “ausência” de virtude também requer raciocínio e pensamentos…

      “Qual o sentido de explicar a colônia às formiga?”
      Também não vejo sentido em explicar a colônia às formigas, mas… estamos tratando sobre ou com formigas??
      Penso que devemos sempre – baseado no princípio da boa fé – acreditar que podemos “vencer” pela razão e que a todos podemos sensibilizar pela reflexão…
      Assumindo que não faz sentido “explicar a colônia às formigas”, logo concluiremos que o mundo deve ser governado por “déspotas esclarecidos” ou algum tipo de “tecnocracia autocrática”….

      Concordo que “vaidades inúteis” são contraproducentes e também concordo que “exercício intelectual” apenas não “move moinhos”…
      Ainda assim, “exercícios intelectuais” são válidos e quase sempre necessários (talvez haja um “limite” para isso, mas ainda assim, possuem serventia)…

      “Buracos negros”?
      Confesso que não entendi essa metáfora… pode ser discussões inúteis (tipo “sexo dos anjos”), mas pode ser apenas uma situação da qual não se tem saída… (tipo “sinuca de bico”)… nesse caso, o “beco sem saída” na qual nosso país se meteu pode ser classificado como “buraco negro” (e que pode atrair “desiludidos” ou escandalizar “inteligências”, porém, está aí e é real… em suma, provoque o que provocar, mas “buracos negros” existem)…

      Por fim, na sua “tréplica” à “dona” Carmen, você menciona os “exercícios racionais [supostamente] duvidosos”, mas como deveria ser?
      Só os exercícios racionais não duvidosos mereceriam uma “chance”?
      Onde fica a liberdade de expressão?
      Como classificar quais são duvidosos e quais não são?
      Até concordo que eles existam, mas como, de antemão, evitá-los?
      Não seria uma forma de “vaidade inútil” preceituar “exercícios racionais” como “duvidosos” e daí concluir, “frente” aos mesmos, “dormir na rede” faz “bem”?

      Enfim, caro Paulo, nem sei se alcancei minimamente a profundidade de suas exposições (talvez esteja aqui expondo minha “incapacidade interpretativa”), mas ainda assim resolvi comentar pois ainda acredito que o diálogo é construtivo… quando não acreditar mais nisso, não comentarei mais… mas nesse dia já terei perdido minha “humanidade”…

      Abs
      LSB

      PS: tempo é escasso, sim (e, portanto, precioso… ainda que possa ser outras coisas também… como “uma ilusão”)

      PS2: peço desculpas a todos, e especialmente à “dona” Carmen, por este comentário fugir totalmente às questões tratadas no “Vespeiro”… são apenas “divagações” sobre “divagações”…

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  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Ao receber o jornal “O Estado de São Paulo o seu artigo acima me veio à memória outro corajoso artigo seu Fernão escrito há treze anos atrás e que demonstra o quão importante é para o Brasil termos jornalista e cidadão como o senhor,que mantém a postura digna e incorruptível nos ideais políticos e profissionais.
    Fui remexer no meu enorme arquivo particular de artigos e depois de algum tempo lá estava: “A revolução da promoção por mérito” , que o senhor fez publicar no mesmo jornal em 26 de março de 2007, segunda feira.página A2 ESPAÇO ABERTO ,onde a frase em destaque considerei muito corajosa para a época, pois descrevia o que vinha acontecendo há décadas na administração pública brasileira: “O “sistema podre” de nomeações está na raiz de toda a nossa desgraça…”.
    Peço-lhe vênia, mas não resisto à intensão de colocar esta sua frase em maiúsculas: “O ‘SISTEMA PODRE” DE NOMEAÇÕES ESTÁ NA RAIZ DE TODA A NOSSA DESGRAÇA…”
    Melhor ainda, para os que não tiveram a oportunidade de ler aquele seu excelente artigo de 2007 aqui o transcrevo a frase completa para deleite dos seus leitores democratas:

    “O “sistema podre” de nomeação de funcionários públicos sempre foi a regra no Brasil, e está na raiz de toda a nossa desgraça institucional e política. Somos hoje um país de castas com privilégios que ninguém mais desfruta neste mundo.”
    Espero que seus esforços pela defesa do voto distrital puro com recall se torne realidade o quanto antes, com apoio dos brasileiros que de fato amam o Brasil.

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