Getúlio “modernizou o Brasil”?

19 de setembro de 2014 § 27 Comentários

IMG_5662O petróleo é “deles”
Artigo publicado em O Estado de S. Paulo de 19/9/2014

Com a chegada às livrarias do terceiro e ultimo volume do “Getúlio” de Lira Neto, que começa com Gregório Fortunato comandando mais uma das seções de “degolas sistemáticas”, ao estilo Estado Islâmico, das sucessivas guerras da fronteira gaucha e termina com o tiro no peito a que o encurralou esse mesmo filho da antiga cozinheira da família Vargas feito chefe da guarda pessoal do presidente ao levar o tradicional método de solução de problemas com desafetos de São Borja para a então capital federal no atentado contra Carlos Lacerda, já não ha como sustentar enganos sobre o que foi Getúlio Vargas e os 24 anos que o Brasil viveu sob a mais longeva, violenta e corrupta das ditaduras de sua história.

Mesmo assim, Getúlio segue, nas discussões de muita gente séria, sendo apresentado como “o homem que modernizou o Brasil”.

Não quero negar a Getúlio os traços de personalidade que o pudessem ter feito simpático e mesmo fascinante para aqueles que ele nunca teve motivos para temer ou de quem nunca tenha querido se livrar, mesmo não comungando a admiração que parece ter a maioria dos jornalistas brasileiros pela “matreirice” e o “embaçamento” sistemáticos diante de qualquer situação que exigisse uma tomada de posição clara, esse modo enviesado de cultivar a mentira tida como a sua maior qualidade “política”.

imageDegolas nos pampas

Mas a pergunta é: “modernizou” quem, cara pálida?

O homem que esteve no poder de 1930 ate 1954 presidiu o Brasil no periodo em que o mundo inteiro passou por um processo intensivo de industrialização e urbanização. O que se quer insinuar, portanto, é que o Brasil não se teria industrializado se Getulio nao estivesse ali? Teria continuado para sempre agrário e quase medieval? Não se teria apercebido do que estava acontecendo à sua volta? Não conseguiria caminhar pelo novo padrão de desenvolvimento que se impunha ao mundo sem ele?

Esta, parece-me, é mais uma manifestação da balda dos que foram treinados desde sempre na visão distorcida de nossos primeiros historiadores pseudomarxistas que criaram a falácia de um Brasil sem empreendedores, só com demiurgos a moldar-lhe as decisões e o destino, que Jorge Caldeira, no seu brilhante e amplamente fundamentado estudo “Um Brasil com empreendedores” (aqui) provou com documentação abundante e demonstrações aritméticas conclusivas que nunca existiu, nem antes, nem muito menos depois da onda de imigração européia.

Petrobras? Volta Redonda?

imageFilinto, o torturador incensado

Que “modernização” foi essa, considerado tudo o mais com que nos foram servidas as nossas duas primeiras estatais, tumores que se têm provado até hoje inextirpáveis?

O que é que ele mirava quando instala no país o sindicalismo e o capitalismo “pelegos”, copiados da Itália de Mussolini: o Brasil para os brasileiros do futuro ou apenas a maneira mais segura de se manter indefinidamente no poder?

A verdade é o inverso: Getulio condenou-nos ao atraso. Entortou irremediavelmente o Brasil no momento do nascimento da modernidade. Violentou a criança. Moldou-a para o crime.

Plantou uma forma sistêmica de corrupção da base da sociedade brasileira oferecendo-lhe, com a dobradinha do sindicalismo pelêgo com uma “justiça do trabalho” irreversivelmente torta, pautada por imperativos “classistas” – na verdade tão aritméticamente eleitoreiros quanto as “bolsas” de Lula – em lugar dos imperativos da verdade e da Justiça, um apelo irresistivel para a venalidade: “traia, minta, falseie que o governo garante”.

imageO íntimo guarda-costas

Como resistir, no país em que o que foi contratado e acertado entre dois homens, por escrito ou no “fio do bigode”, é letra que já nasce morta, quando o colega do lado, ao ceder à sedução de um advogado corrupto, aciona o patrão com base numa coleção de mentiras e arranca-lhe, sem medo de errar, mais do que ganhou trabalhando anos a fio?

Lula tem razão: somos todos corruptos no Brasil que Getúlio nos legou. Daí a corrupção “não colar” como fator decisivo de eleições. É contra a lei ser honesto no Brasil. Não se consegue transitar por suas instituições sem se corromper.

Contratar trabalho no que Getúlio fez do Brasil é condenar-se à chantagem certa. Têm custado a cada ano, somente as condenações passadas a cada 365 dias, R$ 50 bi às empresas brasileiras os litígios com seus empregados e ex-empregados. Mas o passivo acumulado, somente nesse quesito, é maior que o PIB nacional. Bem mais que a metade dos advogados do Brasil, os supostos agentes da Justiça, aliás, dedica-se a operar diuturnamente essa ordenha certa; a levar cada brasileiro pela mão pela trilha que Getúlio abriu e dividir com ele o produto do assalto.

imageO tiro pela culatra

Na ponta de cima não é diferente. Lá, no território do “sucesso“, onde a presença do dinheiro grosso já tem o efeito corrosivo natural que tem em toda a parte, nos aproximamos do que é o resto do mundo, em matéria de corrupção, só que com os agravantes da impunidade ampla, geral e irrestrita. Nossos corruptos seguem podendo exibir livremente o seu sucesso, o que é altamente subversivo.

Mas também aí Getulio inovou ao sinalizar que o grande capitalismo, aqui, é só o de compadrio. Não é apenas depois do sucesso, com o dinheiro que dele advem, que a corrupção pesada se instala. É antes. Da outorga das industrias de base aos amigos do regime da “Era Vargas” aos “campeões do BNDES” de hoje ha um caminho reto que torna facilmente possível – descartadas as raras exceções que confirmam a regra – traçar a genealogia de cada grande fortuna privada do país até a raiz do governante que proporcionou a algum amigo/financiador de campanhas a oportunidade de amealha-la sem fazer muita força.

Ate ha pouco tempo, em economias nacionais “fecháveis” e “protegíveis”, deu pra ir indo assim, apesar da miséria que isso custa. Mas dará para seguirmos refestelados nas nossas mentiras na economia globalizada, competindo com o mundo?

É hora de encarar a verdade: Getúlio não modernizou o Brasil. Ele o mantém preso ao passado como uma gigantesca e irremovível âncora. E não haverá hipótese de nos livrarmos dela antes que reconheçamos a sua existência.

imageO último tiro
Leia mais sobre o “Getúlio“, de Lira Neto, e o papel da família Mesquita e do jornal O Estado de S. Paulo nos acontecimentos que ele descreve neste link

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§ 27 Respostas para Getúlio “modernizou o Brasil”?

  • arilud disse:

    Excelente!
    Cada vez mais fã.
    O melhor resumo, a peste desse Getúlio é isso: “A verdade é o inverso: Getúlio condenou-nos ao atraso. Entortou irremediavelmente o Brasil no momento do nascimento da modernidade. Violentou a criança. Moldou-a para o crime.”

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  • Marcus Granadeiro disse:

    Que texto bacana e verídico. Parabéns pela coragem e visão !

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  • BARROS DE MOURA Carlos disse:

    Fernão,

    Excelente seu artigo. Infelizmente, as “contas” do Getúlio ainda pesam nas nossas vidas. Nunca se investigou os crimes da sua ditadura.

    Um forte abraço,

    Carlos Barros de Moura

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  • antonio salles neto disse:

    Finalmente alguém externou a verdade sobre o fascismo brasileiro. Getúlio não trouxe nenhum avanço ao país e só copiou o que havia de pior no mundo. Aproveitou-se politicamente do atraso dos café com leite e permaneceu no poder por 20 anos. O Brasil ficou ancorado até a metade do século XX.
    Parabéns !

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  • Ricardo disse:

    A praga do populismo e a aversão ao mérito.
    No Brasil o reconhecimento do sucesso só é aplaudido de o alvo da estima é artista ou esportista.
    Quando você vence por seu trabalho e dedicação,freqüêntemente se vê sob a pecha de que,ou herdou,ou roubou,etc.Nunca pelo trabalho…
    Me faz lembrar aqueles que colocam adesivos nos automóveis: “A inveja é uma merda” e,pode crer,estão certos.
    Empreendedorismo no Brasil é tratado como delinqüência,com um manancial de leis absurdas que garantem que o usurpador do glorioso trabalho alheio seja devidamente “justiçado” por esses tribunais de exceção que são os fóruns trabalhistas.
    Uma querida amiga minha,juíza dessa daconiana “justiça” me argumenta que a orientação é sempre a favor da parte mais fraca,ou seja,nos tribunais do trabalho NÃO EXISTE ABSOLUTAMENTE O IN DUBIO PRO REO,esse joguinho de cartas marcadas que duas semanas atrás destruiu uma empresa mais do que cinqüentenária de um velho amigo meu,hoje um homem pobre e deprimido por conta de manter funcionários(!) por longos anos na sua empresa.
    Legado desse velhaco adorado por brizola e em que lula gostaria de se espelhar,”pai dos pobres”,pai da POBREZA que amarra e amarrará por muitos anos essa nação longe de Deus.

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  • José L. Sanctis disse:

    Olá Fernão.

    Excelente artigo. Foi esse ditador o primeiro a começar com o controle de armas com o conceito de calibres permitidos s restritos. Não à toa o stalinácio chegou a se comparar com ele.

    No entanto, o artigo não está no blog. Ao clicar no link indica que ocorreu um erro.

    Abraço.

    José Luiz de Sanctis

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  • Eduardo disse:

    Fernão desta vez foi impecável. Descobrimos o nome do nosso sistema de governo: CLEPTOCRACIA. O seu texto pinta nossa realidade com as tintas de uma triste verdade. Triste carma o de nosso Brasil, mas lembremos que o povo brasileiro é um atento descuidado, e que na história e em nossa bandeira de 13 listas sempre refulgirão quatro estrelas que cintilam ecoando a grandeza da Revolução Constitucionalista de 1932
    http://www.tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/2010/08/bandeira-paulista-na-revolucao-de-1932.html

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  • Eduardo disse:

    Nas margens do Rio Grande aonde FLM tem um Seringal e na Ilha das Pedras (Rio Grande -Chatão Mineiro -M.G.) foram enterrados muitos soldados paulistas mortos na Revolução Constitucionalista de 1932, e no leito do rio segundo nos relata Geografa Cassia Santos da Hidroex (ONU-UNESCO) foram recuperados por garimpeiros farta munição da época e objetos interessantes do passado. Contemporâneos da época relatam que soldados mortos eram colocados em Bengues (uma taboca paralela ao corpo onde amarravam nas extremidades as mãos e os pés dos cadáveres), carregados por dois soldados marchando e os outros perfilados a cavalos ou a pé seguiam o cortejo atras do morto, nunca podendo ultrapassa-lo, e eram por ali mesmo sepultados. Um sitio sagrado na História do Brasil, onde anônimos heróis brasileiros repousam.

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  • Eduardo disse:

    informação sobre o site- assim que publicado há uma certa dificuldade de acesso, o site não abria, fato que se normalizou no momento presente.

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  • Eduardo disse:

    o titulo e comentários até surge, o que não aparece é o texto, e é possível comentar sem ter lido o texto, baseado em comentários de terceiros.

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  • Eduardo disse:

    o texto é possível de ser lido no e-mail que VESPEIRO envia a seguidores do site., a página com o texto é que não abre, e é de forma temporária.

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  • Renato disse:

    Excelente artigo. Um dianostico perfeito e muito bem colocado, desmascarando o carater corrupto do brasileiro e o atoleiro em que esta metido o Pais. Parabens

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  • Fernão, quando informei de que tinha aberto a pagina do Getúlio foi equivoco meu que burramente abriu aquela não esta e agora tá tudo normal., . Afinal, o Vespeiro me faz falta no cotidiano.
    Quanto ao artigo do Getúlio, permito completar sobre a “doação” do Rooselvet à implantação do 1o Parque Siderúrgico ( CSN?), presente? ao Brasil aderir os Aliados permitindo a base em Natal e no Pará, enquanto o Ditador, se dependesse só dele, estaria ao lado do Eixo, como os Argentinos estiveram e protegeram.
    De qualquer forma seu artigo está maravilhoso, sintético com clareza e nem precisarei ler esse volume e francamente não li nenhum.

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  • Vou ler. Se vc tiver oportunidade, estou lendo um livro muito interessante de uma historiadora Margaret Macmillan ( Randon House NY) de nome Nixon and Mao- The week that changed the word- dos preparativos até ao encontro de ambos em Pequin, e o brilho cabendo ao Kissinger e ao Chou-En-lai, dois gênios da diplomacia, juntos aos enigmático Mao e ao internamente atrapalhado Nixon. Pra nós que infelizmente temos de Ministro de fato das Relações Exteriores, um revoltado comuna& cubanófilo Marco Aurélio top-top- Garcia que tem o desplante de ir à ONU defender e propriamente exigir da entrada da ilha no orgão, ler algo inteligente é um alívio. E por causa desse livro e de outras referências comprei, mas ainda não li, de autoria do Henry Kissiger -Diplomacy- (Simon&Schuster- NY).Pelo menos aprendo algo uma vez estar suportando ha 12 anos esses medíocres do PT tratarem de política externa que nos afastou do mundo civilizado e só nos aproximou de ditaduras e países decadentes que nos exploram, devem, não pagam atendendo o viés ideológico dos petralhas.

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  • Ben disse:

    Querem rasgar os bons livros de história. É lamentável que ainda perdure o culto ao personalismo. Foi o capital obtido pela cafeicultura que gerou o primeiro ciclo de industrialização. Assim como a 2ª guerra mundial viabilizou a instalação de siderúrgicas no país. O aumento na exportação de commodities favoreceu o governo Lula. Mas os patrulheiros ideológicos preferem dar todo o crédito a um pretenso salvador da pátria. Como que querendo justificar a instalação de um governo autoritário. Os caudilhos de esquerda da Venezuela e da Argentina levaram os seus países à ruína. Exemplos é que não faltam para que não trilhemos o mesmo caminho.

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  • Não quero ser professoral, todavia exige-se conhecer e reconhecer na nossa história econômica da importância do café no desenvolvimento especialmente no nosso estado. À tanto tem uma obra magnífica chamada História Econômica, Estudos e Pesquisas, de Alice Piffer Canabrava, editora UNESP. Lá tem tudo, desde a grande propriedade rural brasileira, a técnica no açucar….. níveis de riqueza na capitania de SP, o café e a “saída” do Vale do paraíba, a chegada na região de Campinas, começando por Itu, etc etc, do movimento republicano, e da industrialização iniciada em Sorocaba. Sem o café não existiriam os primeiros passos à industrialização.

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  • Esqueci. Getúlio foi um mal “necessário” no sentido de ter despertado o Brasil o sentimento democrático.

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  • fernaslm disse:

    Segue comentário que me foi enviado por Luiz Gornstein e minha resposta a ele, que publico em razão de sua queixa de censura que teria possivelmente sofrido na seção de cartas de O Estado de S. Paulo e por acreditar que seus apartes permitem enriquecer muito este debate:

    PARA FLMESQUITA

    Li teu artigo e vou fazer alguns comentarios:

    1) Tua familia qdo tem ojeriza por algum politico o faz sem piedade.(ou seja Getulio/Adhemar/Maluf não tem uma qualidade siquer).

    2) Getulio claro em especial pela intervenção no jornal etc. (que dizem foi um bom negocio do ponto de vista financeiro).

    3) É obvio que o que era moderno na decada de 40 hoje está superado.

    4)Está superado tb o FGTS criado em 1967.

    5) De fato os costumes politicos pioraram.

    6) Mas a piora principal não vem de Getulio ou do PT.

    7) Vem da introdução da reeleição feita com metodos conhecidos.

    8) Veja como o jornal da tua familia é parcial:permitem cartas ofensivas ao governo do PT (mas não ao PSDB).

    9) Onde voce tem razão é que há aqui uma cultura ruim que não foi extirpada .

    10) O governo FHC foi molenga e os governos do PT com ligações sindicais pouco fizeram na area trabalhista.

    11) Enfim, parece que Getulio tb teve qualidades.

    abs

    Luiz Gornstein

    —————————-

    PARA LUIZ GORNSTEIN

    Seu mail é dos mais oportunos, sr. Gornstein. Tanto que vou tomar a liberdade de publicá-lo junto aos outros comentando a versão do mesmo artigo publicada aqui em http://www.vespeiro.com.

    Sigo os seus, ponto por ponto:

    1 – Comecemos por tratar de proporções: quando minha familia “tem ojeriza” por algum político (expressão mal colocada pois nossa opinião sobre eles, que vem do cérebro e não do fígado, costuma variar com os fatos), limita-se a argumentar por escrito contra seus atos e palavras e mandar ouvir o que ele próprio tem a dizer sobre isso como dita a regra e manda a lei do jornalismo democrático.

    Quando políticos “têm ojeriza” por alguem de minha família, no caso a de Getulio por meu avô, manda os esbirros armados de sua polícia política invadir a casa dele na calada da noite e prendê-lo, o que no caso em tela repetiu-se por 17 vezes; toma, na ponta da baioneta, o que ele construiu com o suor de seu rosto e o publico aprovava a cada dia no ato de comprar o jornal, e exíla-o para fora do país por duas vezes privando-o de ver seus próprios filhos crescer ao longo de 15 longos anos.

    Mesmo assim, admito, meu avô ainda teve sorte de não cair, como muitos, nas mãos dos torturadores de Filinto Muller ou dos pistoleiros e degoladores de Gregório Fortunato. Milhares de jornalistas ou não morreram desarmados e em agonia excruciante nas mãos dessa boa gente ao longo dos 24 anos da ditadura varguista, conforme está descrito e documentado em minúcias no livro de Lira Neto.

    Ainda assim, dediquei todo o segundo parágrafo do artigo mencionado a conceder a quem diz apreciá-las o direito de ver “qualidades” em Getulio Vargas…

    2 – A ocupação militar do jornal foi contra o povo e a democracia brasileiras. Contra a família ele fez muito mais que isso.

    3 – O fascismo nunca foi “moderno”, sr. Gornstein. Foi, desde o primeiro dia, corruptor e assassino, especialmente contra um certo grupo de pessoas, apenas e tão somente por terem sobrenomes parecidos com o seu.

    Getúlio também foi assim e assassinou e fez assassinar por essa mesma e inadmissível razão como também está relatado e documentado no livro.

    Mas ele era bastante eclético em suas “ojerizas” sempre pragmáticas: fazia o mesmo com qualquer um que pudesse atrapalhar seu projeto pessoal de poder, qualquer que fosse o seu sobrenome ou a sua religião.

    4-5-6-7- O sr. parece um pouco confuso quanto à sequência dos fatos, sr. Gornstein. O Mensalão aconteceu no primeiro ano do primeiro governo de Lula. Não tinha nada a ver com reeleição. E daí por diante tem sido um deus nos acuda dentro e fora de anos eleitorais…

    8 – Estou fora do jornal da minha família ha 11 anos e não sei como são gerenciadas as cartas de leitores. Vejo defeitos muito mais graves do que esse nisto em que ele foi transformado hoje mas confesso que quanto às cartas em particular, o que o sr. diz não combina com o que tenho lido.

    9 – A pior das “culturas ruins” que não foi e dificilmente poderá vir a ser extirpada foi justamente a implantada por Getulio, cf. demonstrei no artigo com os numeros que comprovam o quão extensamente ele corrompeu a base da sociedade brasileira.

    Impossivel que não acontecesse, aliás, quando é o governo, a força normalmente encarregada de punir as manifestações de má fé e os estratagemas espúrios para roubar dinheiro alheio quem exatamente passa a enseja-las e sistematicamente a premia-las.

    Trata-se da inexorável lei da “sobrevivência dos mais aptos” de Darwin: se o ambiente premia os tortos e pune os retos, em poucas gerações só haverá tortos. Como é contra a lei ser honesto no Brasil que Getúlio nos legou, os honestos tendem a desaparecer mediante esse processo de seleção negativa.

    É exatamente com isso, aliás, que Lula conta quando trata de aperfeiçoar o legado de Getúlio descolando a idéia de salário da idéia de trabalho e condicionando-a à adesão a um partido ou candidatura, desmontando as ultimas instituições dispostas a prender ladrões e substituindo os juizes que prendem por juizes que soltam meliantes.

    A propósito, o sr. nunca deu emprego a ninguém, sr. Gornstein? Foi chantageado por isso ou está entre aqueles que contrataram um com algum espécime em vias de extinção e logo foi colher uma gorda “aposentadoria”, dividida com algum advogado esperto, nisso que por aqui chamam de “justiça do trabalho”?

    Dificil achar, no Brasil, quem não esteja numa condição ou na outra. Ou mesmo nas duas…

    10-11- Nada a declarar. Ao contrário de Getulio e “dos getulios”, defendo o direito de cada um de pensar e dizer o que quiser, mesmo à revelia dos fatos.

    abs

    Fernão Lara Mesquita

    ————————————

    REPLICA DE LUIZ GORNSTEIN
    serei breve nas respostas:

    1)não tenho nenhuma admiração maior por Getulio.

    2)se há alguém por quem tenho admiração se chama: Castelo Branco/Roberto Campos.

    3)recomendo voce ver como a folha escolhe colunistas.(é plural longe do estadão)

    3)assim tb as cartas de leitores(leio-as dos dois jornais porque se aprende muito)

    4)tenho uma empresa com 220 funcionarios(já foram 250).se pensar no passivo oculto que voce fala deveria me matar

    5)acho que faltam aqui estadistas que pensem na proxima geração(e não na próxima eleição)

    6) enfim bola para frente.

    abs

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  • Sr LUIZ GORNSTEIN
    Permito sobre seu comentário diante do tópico:
    “Getulio claro em especial pela intervenção no jornal etc. (que dizem foi um bom negocio do ponto de vista financeiro)”

    Não sei se o senhor sabe mas o jornal foi devolvido a família Mesquita graças as ações judiciais do Prof Sampaio Doria cuja foto está,estava pelo menos, no painel da sede junto aos vultos familiares dedicados ao jornal Estadão. Sei e bem dessa história que me foi contada pelo neto do dito cujo, o Prof, Dr.(USP-São Francisco) António Roberto Sampaio Doria, querido amigo precocemente falecido,
    Ninguém melhor que ele que foi Ministro da Justiça poderia explicar da ação diante da barbárie pelo qual passou a família levando a dificuldades financeiras, uma vez a fonte do trabalho ter sido tomada.
    Quanto ao fato de “devolverem” o jornal em melhores condições que receberam, na mão do Estado ditatorial com dinheiro a vontade, sem fazer contas de despesas, qualquer jornal, indústria seja lá o que for volta melhor do que era, exceto quanto a credibilidade que foi reconquistada.
    Finalmente, posso informar como participante ativo no Forum dos Leitores tendo o privilégio em ser publicado com frequência, não verifico de ocorrências como o sr indica. O que acontece em se tratando de foro com milhares de manifestações e com limitado espaço no papel ,claro que procuram aquelas que tem maior identidade com os fatos. Se o sr verificar no eletrônico verá de quantas e quantas são publicadas até elogiando os petralhas! Embora difícil diante da realidade, tem quem o faça e, não raro, com violência como os e mails que recebo quando sou publicado.
    Quanto a “ojeriza” o Fernão não tem mas eu tenho com o PT da ética na política (?!), mostrando-se corrupto, burros e esquerdistas de 5a categoria porque em grande parte são aproveitadores analfabetos achando que socialismo é sinônimo deles encherem as “burras” como vem ocorrendo. Se o sr não acredita veja os números, exceto do IBGE que eles conseguiram corromper.

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  • Fernão, aprendizes de ditadores entram em cena os petralhas. Hoje, dia 24, diante do meu texto no Forum dos leitores do Estadão em que tratei dos corredores e ciclovias do atrapalhado Haddad, como de hábito recebo e mails críticos e apoiadores, prevalecendo os primeiros. Não os respondo, exceto em caos especialíssimos pelo ridículo das críticas, e a maioria enviada pela máquina petista. Permito colar o especial de hoje pra verificar da montagem dos feitos do Prefeito na esperança em contradizer os fatos apurados.

    Atente ao endereço do enviante e da ausência na indicação Para, admitindo que é o mesmo texto enviado para um “Index” dos críticos

    Ao caso respondi, agradeçendo ao Haddad por ajudar a afundar a candidatura do poste Padilha.

    De: jacintopintoaquinorego002@gmail.com
    Enviada: Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014 15:02
    Para:
    Assunto:

    Haddad é o único administrador público que, em cargos de importância, vem combatendo a corrupção que assola todos os níveis de governo. Na esfera federal: escândalos da Petrobras, BNDES, na esfera estadual: máfias (Sabesp, Asfalto), carteis (Metro/CPTM).

    Haddad administrou o MEC, que tem um orçamento que é o dobro da cidade de São Paulo, de forma ilibada e eficiente, sem surgimentos de máfias e carteis. Criou o Prouni e o Pronatec, ações sociais que já beneficiaram mais de 8 milhões de brasileiros carentes, com ingresso na universidade e em cursos profissionalizantes. Logo que assumiu, criou a CGM que desbaratou quadrilhas instaladas na gestão Serra/Kassab. Serra, antes de renunciar, nomeou Aref como diretor de Aprov, que comprou 125 imóveis com dinheiro de propina e Mauro Ricardo como secretário de Finanças, responsável pelo rombo de 500 milhões de reais, causado pela máfia do ISS.

    Haddad, em 20 meses, fez mais que os 8 anos da gestão corrupta Serra/Kassab em todas áreas da administração municipal, em especial o excelente Plano Diretor, que norteará o futuro da cidade. A criação e faixas exclusivas e corredores de ônibus tem aprovação de 90% e as ciclovias de 88% e são elogiadas por especialistas em mobilidade urbana. Indivíduos egoístas, com mesquinhos interesses pessoais contrariados, se insurgem com o sucesso dessas ações que vieram para ficar, pois duvido que alguma futura gestão municipal tenha a coragem de revertê-las, ao contrário, deverão incrementá-las.

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