Manifesto a Favor do Bullying

11 de outubro de 2011 § 5 Comments

Cito trechos do artigo “Tá dominado“, de Miriam Leitão, publicado no Globo de 2 de outubro passado:

  •  “… foram demitidos nos últimos oito anos, segundo o secretário-executivo da Controladoria-Geral da União (CGU), Luiz Navarro, 3.500 funcionários, 70% por corrupção. Mas, como ele lembra, ninguém está preso”.
  •  “A Polícia Federal faz operações em que revela fatos estarrecedores, mas o que incomoda o governo e mobiliza a cúpula do Judiciário é se as pessoas devem ou não ser algemadas”.
  •  “… há bandidos de toga, com mandato, com ministério, com farda”.
  •  “Não há um único corrupto preso”.
  •  “A Controladoria Geral da União é órgão da Presidência, não pode investigar a Presidência. O Itamaraty e o Ministério da Defesa estão fora da sua alçada. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que os ministros não podem responder a sindicâncias, nem podem ser auditados pela CGU, porque exercem cargos políticos e não administrativos”.
  •  “O STJ (Superior Tribunal de Justiça) tomou a decisão de não aceitar interceptação telefônica de juiz de primeira instância…”
  •  “O movimento social está quase todo dominado. A UNE não representa os estudantes, mas sim o PC do B que faz parte da base política do governo, recebe uma enorme mesada, e entre seus tristes papéis está de vez em quando sair em defesa de acusados de corrupção, quando isso é do interesse do governo”.
  •  “As centrais sindicais também vivem de dinheiro público e dos projetos políticos de seus dirigentes”.
  •  “Muitas ONGs, até as que defendem a ética, recebem recursos públicos … R$ 3 bilhões foram transferidos (no ano passado) …”
  •  “No Congresso há 100 projetos engavetados que combatem a corrupção”.

Até os assassinos confessos com algum poder e dinheiro, acrescento eu, são tratados como se vê no filme da postagem abaixo desta.Agora, traduzo uma definição colhida na versão em inglês da Wikipedia:

Bullying é um ato de comportamento agressivo repetido com a intenção de ferir outra pessoa física ou mentalmente. O bullying fica caracterizado pela tentativa de exercer poder sobre outra pessoa. O pesquisador norueguês Dan Olweus define o bullying quando um indivíduo “é exposto repetidamente ao longo do tempo a ações negativas por parte de uma ou mais pessoas”. E define “ação negativa” quando alguém “intencionalmente inflinge injúrias e desconforto a outra pessoa pelo contato físico, por meio de palavras ou por outros meios”.

Pois é. Esses temas que entram na moda e as televisões abraçam são assim mesmo. É tudo tim-tim por tim-tim…

Mas vem a calhar!

Eu proponho o seguinte:

Já que o “lado de lá” em peso – e até uma parte do de cá – “tá dominado”; já que estamos mesmo no mato sem cachorro e condenados a assistir até o último dia das nossas vidas, em plena hora do jantar, às cenas estomagantes da prostituição infantil que toma conta das nossas estradas esburacadas, dos miseráveis estrebuchando sem atendimento no chão de “hospitais” que no mundo com polícia não conseguiriam alvará nem para funcionar como açougues, das nossas crianças sendo trabalhadas por aqueles “professores” de sindicato com horror a provas e ódio ao mérito para se transformarem nos clientes do bolsa família de amanhã naquelas escolas caindo aos pedaços que é o preço que custa essa orgia impune que os bandidos de toga chancelam em súmulas vinculantes, porque não organizar o Movimento Nacional a Favor do Bullying contra os ladrões impunes de modo que eles não possam gastar um tostão do que nos roubam sem ser apedrejados ao menos verbalmente?

A imprensa podia parar desde já com esse negócio de denuncias, especialmente essas que vêm com filmes e gravações. Primeiro porque não adiantam nada. Mas principalmente porque elas são um óbvio jogo de cartas marcadas.

Não são jornalistas que andam por aí plantando câmaras e gravadores disfarçados nos telefones e nas salas dos “bandidos de toga, com mandato, com ministério, com farda“; são os próprios bandidos que fazem isso. E eles só entregam o seu material de chantagem para as televisões, os jornais, as revistas quando chega a hora de fazer acertos de contas lá entre eles, ou de uns tomarem os territórios dos outros.

Coisa de mafiosos, enfim.

Em vez disso, a imprensa podia investir todos os seus repórteres, os seus gravadores, as suas câmaras para registrar cada passo dos “afastados”, dos “investigados”, daqueles “envolvidos em supostas falcatruas”, enfim, que ninguém em sã consciência pode supor inocentes nem por um segundo sequer.

Não precisa nada de mais. É só mostrar os palácios onde eles moram, que carros eles têm, quanto custam as roupas que usam, onde passam seus fins de semana, em que restaurantes estão jantando, que vinhos estão tomando, quem anda com eles, para onde foram nas últimas férias, em que hotéis se hospedaram, quem tem o desplante de ir às festas que eles dão.

Por aí…

Já nós, o povo, “os outros 99%, podemos ir mais longe. Temos o dever de dizer tudo que pensamos deles e de quem anda com eles em voz alta sempre que cruzarmos com algum deles por acaso na rua, em aeroportos, em restaurantes, nos estádios de futebol, em lojas, em hospitais, em igrejas, no mercado, em aviões, em cemitérios, onde for.

E tratar da mesma maneira os espoliados que cruzarem com eles e não cumprirem o seu sagrado dever cívico de espinafrá-los.

Sem tréguas. Sem lhes permitir um segundo de privacidade ou anonimato.

Eles nos roubam o futuro. Nós podemos ao menos roubar-lhes a paz.

Que de mais democrático, afinal, do que nós, o povo, “exercermos poder sobre eles”? Termos em relação a quem nos trai e nos rouba violando as leis do céu e da terra, um “comportamento agressivo repetido com a intenção de feri-los, senão física, ao menos mentalmente”? Expo-los “repetidamente ao longo do tempo a ações negativas”? “Infligir-lhes injúrias e desconforto por meio de palavras ou por outros meios”?

Bullying, enfim!

A cada linha me convenço mais! Sou totalmente a favor do bullying cívico.

Se você também é, copie este artigo. Envie para a sua lista.

Atormente o seu ladrão!

Vamos por nas ruas o Movimento Nacional de Bullying Cívico!

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§ 5 Responses to Manifesto a Favor do Bullying

  • alberto mattos de faria disse:

    muito bom, devemos compertilhar !!!

  • Varlice disse:

    Fernão
    Sempre copio seus artigos e os envio com os devidos créditos. Este não será diferente – e não foi porque você sugeriu…
    Abraços cívicos

    • fernaslm disse:

      …e saudacões cidadãs

    • Roza disse:

      No contact pecoliis are in force for a reason. If someone hits back the chances of that fight escalating further increase. Then someone can physically get really hurt. I am a 2nd grade teacher and our school has a no contact policy and I strictly enforce it in my classroom. They are always around adults and if someone hits them all they need to do is tell me and I will handle it (like any good teacher will do). As far as the bullying, which many people seem to be complaining about teachers no handling it as a teacher if you talked out every complaint of name calling, and teasing you would never have time to educate the children. It is a balancing act and it is hard. You have to try to determine when it’s a real case of bullying and when it is just silly tattling. Then it always goes into the he said she said battle. Lets face it 1 teacher in a room with 20 something kids it is impossible for the teacher to witness most interactions (unless they are a bad teacher and don’t allow much child/child interaction). You have to teach your child how to handle bullies because they will encounter them through out life do you go punching people at work who bully you? If you have a concern as a parent that your child is being bullied at school you need to set a conference with the teacher to talk about it (and just remember that a child will only tell you one side of the story).

  • alfredo tobler disse:

    Boa ideia Fernão, mandarei para a minha lista, e se encontrar o vagabundo, pau nele!!
    Abs. Fredy

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