Em favor da utopia que o Brasil esqueceu

14 de janeiro de 2020 § 43 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 14/1/2019

De 2014 até aqui a produtividade do trabalho no Brasil recuou 4,3% (Ibre-GV). De 1995 a 2018 a da indústria caiu 5% e a dos serviços avançou raquíticos 6%. A exceção que nos tem mantido à tona é o setor que, durante boa parte desse período, esteve mais longe do toque paralisante do Estado. A produtividade na agricultura nestes 23 anos ao longo dos quais a China houve por bem abrir mão da fome politicamente induzida subiu fulminantes 359%. Mas no resto do país a “retomada” arrasta-se pela “economia dos aplicativos”. Uber, iFood, Rappi são as grandes empreitadas do Brasil urbano de hoje… 

Empurrada por essas formas de sub-emprego começa a haver, da interrupção da corrida para a Venezuela com Temer em diante, sinais de uma aceleração capaz de nos levar desse quase nada ao dobro desse quase nada. É tudo que é possível esperar obter por enquanto graças aos esforços ingentes da equipe técnica que estudou fora do Brasil enxertada neste governo. Mas ainda que a privilegiatura permita que ela faça tudo de que é capaz, o que tem estado longe de ser o caso, a sombra que persiste adiante, nesta véspera do fim do trabalho ignorante em todo o planeta Terra, é o que vimos colhendo da destruição quase completa do que havia de educação de qualidade no Brasil da “Era PT”.

Mas desgraça pouca é bobagem. Diante da crise mundial do emprego, muito pior que o problema do Brasil que nunca aprendeu é como superar o Brasil “formado” nesse entretempo que é o que, perpassando todas as ideologias, está no poder nos quatro costados do estado brasileiro, na academia, na mídia … no Brasil com voz, enfim.

O ex-presidente Fernando Henrique dizia em edição recente do Manhattan Connection que “esta é uma geração sem utopias” e que sem elas é impossível disputar eleições com boa chance de vitória. E, na falta delas, propõe uma celebridade para a candidatura à presidência em 2022…

De fato, pela esquerda tem sido osso. A “utopia de gênero”, se é que pode-se chama-la assim, só se realiza plenamente na criminalização do amor e implica, no extremo, a mutilação de uma parte do organismo pela qual a esmagadora maioria do eleitorado tem especial predileção. Não ha João Santana que consiga torna-la eleitoralmente atraente. E quanto à questão ambiental, a bandeira de que se quer apropriar da social-democracia até a esquerda mais radical, esta não é uma utopia, é um trabalho. Uma questão de sobrevivência que implica coisas tão chatas quanto persistir indefinidamente em lutas contra o que nos pedem aqueles velhíssimos hábitos pautados pelo prazer que custam tanto para morrer. 

A reinvenção dos modos de habitar a Terra” passa por uma capacidade de concertação que a humanidade ainda não tem. “A lógica das negociações multilaterais, como são as conferências da ONU sobre mudanças climáticas, por sua própria natureza e dimensão, na prática estão na contramão de qualquer ideia de urgência”, lembrou na semana passada Paulo Hartung, outro prócer da social-democracia brasileira nesta pagina. E o eleitor nacional, assim como o de qualquer nacionalidade, quer mudar sua sorte nos próximos quatro anos. 

Sim, as exigências cambiantes da sobrevivência é que empurram a inovação e o progresso e estão aí a biotecnologia e a bioeconomia para prová-lo, como argumentava o ex-governador do Espírito Santo. Mas tem tanto charme essa bandeira quanto qualquer regime para emagrecer. E levada ao extremo passa a oscilar entre a anorexia e a “solução final” para um mundo sem o seu “único animal defeituoso”, o homem (também dito sua excelência o eleitor). Longe de se parecer com o eldorado da remissão da servidão que tanto empolga nas utopias.

Já para ser coerente ao negar a existência da crise ambiental debaixo dos incêndios e tempestades cada vez mais furiosos que castigam um mundo agredido é preciso, no extremo, aderir às idéias de que o Planeta Azul girando em torno do Sol num universo infinito não passa de uma invenção de Walt Disney e que homem e macaco não tem nem nunca tiveram nada a ver, tudo está aí como deus quer e nos parece ao olho nu.

Casa de ferreiro, espeto de pau!

A China evoluiu do fundo do poço socialista para o “capitalismo de estado” num movimento que só pode ser reproduzido se se aceitar a idéia de conviver com o partido único, os campos de concentração, agora urbanos, e o “argumento final” do tiro na nuca para resolver as questões controvertidas. Não é receita capaz de mudar o que quer que seja sem sangue. Mas o que o Brasil tem de comum com ela é a profundidade da miséria em que nos deixou o nosso “feudalismo de estado”. A extensão do nosso desastre é o nosso maior trunfo. Cá, como ja esteve lá, tudo está por fazer num mundo em rápido processo de estagnação. Não ha espaço maior de upside num planeta de juros negativos do que a terra arrasada brasileira. Tudo que falta para realiza-lo é implantar a utopia democrática que nos tem sido barrada pela censura. 

Os políticos brasileiros dispõem de um enorme volume de sonhos para vender que boa parte do resto da humanidade já comprou, com a vantagem de poder mostrar o fantástico resultado que ela colhe disso em vez de acenar com meras projeções quiméricas como tinham de fazer para vende-la os propagandistas da democracia quando ela ainda não existia no mundo. Nós continuamos mais distantes da utopia democrática nestes tempos em que a privilegiatura consome sozinha 92% dos quase 40% do PIB que o estado toma todo ano ao país que trabalha do que estávamos na manhã da execução de Tiradentes por rebelar-se contra a elevação da carga de impostos para “irrisórios” 20% para sustentar a corte corrupta que explora a colônia. 

O povo no poder! 

Voto distrital puro, recall, referendo, iniciativa. Que outra mensagem pode ser mais sedutora e eficiente para levar até “lá” quem for capaz de revelar ao povo brasileiro o funcionamento simples das ferramentas que diferenciam a realização desse sonho da fraude por trás da versão lulopetista desse slogan?

§ 43 Respostas para Em favor da utopia que o Brasil esqueceu

  • marcos a. moraes disse:

    Sua reflexão tem mais furos que tabuleiro de pirulito. Tudo escrito para chegar à sua bandeira de luta que também é a minha:

    Voto distrital puro, recall, referendo, iniciativa

    Resta saber como é que vc pretendeu chegar aos seus objetivos promovendo, votando e elegendo a casta mais antiga a mamar nas tetas da nação: o Exército. Generais de pijama comandados por um tenente proscrito, capitão reformado e representante sindical da casta mais antiga a mamar nas tetas da nação. Pra não falar que é amigo da milícia…

    Resta saber como é que vc pretende chegar aos seus objetivos sem criticar a direita com a mesma veemência com que critica a esquerda.

    MAM

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    • whataboy disse:

      Então, o prezado conhece e reconhece a solução da verdadeira prática democrática tantas vezes descrita pelo Fernão, mas não quer transitar para o ponto mais distante da catástrofe petista. Bom, então, explica o resto por favor. Tem algum centrão difícil de enxergar?

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    • A. disse:

      Como é que o sr. pede a mesma veemência de críticas endereçadas à direita com 16 anos de (des)governo esquerdista? Que disparate…

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    • LSB disse:

      Prezado Marcos,

      Concordo que esse texto está meio confuso e também, claramente, abaixo do “padrão de qualidade” do Fernão.
      No entanto, no tocante aos seus comentários:

      1 – Bolsonaro foi eleito por falta de opção. Ele foi o único que ao longo dos anos não teve medo de “brigar” / “chamar para briga” / “enfrentar” / “confrontar” a “esquerda”.
      Todo “estudado” e “dipromado” nesse país foi milimetricamente / “cientificamente” doutrinado a se constranger quando chamado de “direita” / “conservador” / “reacionário”.
      Daí, praticamente toda a “elite” intelectual (?) do Brasil se diz “meio de esquerda” ou “tenho valores de esquerda”, etc.
      É triste (e muito trágica) ver a lavagem cerebral feita nesse país.

      Eu mesmo ia votar no Amoedo. Quando vi as pautas que seus candidatos (a deputado e a senador) defendiam, gritei bem alto para mim: “Vão à m…”.
      Isso porque TODOS defendiam a pauta da centro esquerda: mais direitos, mais Estado, mais centralização, mais gasto social, etc.
      E se dizem liberais!!!!!!!!!
      Mas são liberais “modernos” – ou seja, aqueles que foram tão doutrinados e constrangidos ao longo da vida que não conseguem não defender o Estado de Bem Estar Social (esquerda light).
      São todos “cães de Pavlov”: estão condicionados a defender pautas de “esquerdas” pois não são/seriam “radicais”.
      Jair pelo menos sempre teve CORAGEM de se declarar anti esquerda.

      2 – Quanto aos militares: Antônio Paim (um dos maiores pensadores do Brasil de todos os tempos – porém esquecido/escondido pelo imprensa, mídia, acadêmicos, ou seja, a “intelligentsia” em geral) classificou o regime militar como politicamente conservador e economicamente MARXISTA.
      Paim aponta o anticapitalismo e o estatismo presentes no “positivismo marxista” que era/foi (ou ainda é) a linha mestra da doutrina política do nosso Exército (as demais forças já são diferentes).

      3 – O que é direita?

      No século XX, o liberalismo progressista (esquerda) expulsou conservadores e liberais clássicos do “player” (salvo poucos heróis da resistências) classificando-os como “reacionários” e “ultrapassados” / “superados” (só restando “legitimidade” aos reformadores sociais e à engenharia social – eu chamo de “carpintaria/carpinteiro social”).
      Daí reclassificou a esquerda light (social democracia; socialismo fabiano) como direita.
      Como consequência, Hitler e Mussolini foram/são classificados como direita (ou extrema direita), embora foram o extremismo e totalitarismo da social “democracia”.
      Eles eram “anti capitalistas”, anti livre mercado e tudo era/deveria ser centralizado/planejado/conduzido no/pelo Estado e pelo povo (“Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado” era o lema de Mussolini). Estatizaram “metade” da economia, enquadraram a outra metade com regulamentos draconianos (“Carta del lavoro”, por exemplo) e implantaram um sem número de serviços públicos (incluindo reforma agrária).

      Assim, conservadorismo e liberalismo (clássico), em teoria, poderiam ser criticados. Na prática, não existem há mais de século. O que está aí é esquerda (raiz, no caso de comunistas/socialistas) e “nutella” (social democracia, liberalismo progressistas, “positivistas marxistas”, etc.).

      Abs e boa sorte a todos
      LSB

      (ps: essa história de “amigo da milícia” só vai colar quando a morte do Celso Daniel for esclarecida, quando a morte do Toninho do PT for esclarecida e quando a simples menção ao MST – um milícia bem melhor organizada que qualquer outra no país – provocar ojeriza).

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    • Alexandre disse:

      Existem várias direitas e o Fernão é um liberal. Militares à parte, ou Bolsonaro à parte, mas com certamente Guedes dentro, estamos hoje muito mais próximos de um estado descentralizado (inclusive em poder político) do que estaríamos com o fantoche lulopetista ou com o anacrônico Ciro Gomes.

      Você pode até não gostar do governo atual, mas a alternativa que se apresentava no segundo turno era muito pior. E o Fernão sabia disso.

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  • Marco disse:

    Prezado LSB, parabéns pelo seu comentário. Infelizmente, como acontece em todo agrupamento humano, pessoas olham para um
    Mesmo objeto quadrado mas uns o veem redondo, outros triangular, alguns não enxergam nada e por aí vai. O livro “Ensaio sobre a cegueira”, do português Saramago, é uma boa metáfora acerca da dificuldade que membros de uma mesma sociedade tem de ver o óbvio. É frustrante viver em um país riquíssimo em que o povo, em vez de lutar pelos princípios republicanos, vive agindo como torcida e defendendo o indefensável. Este país não tem futuro (pelo menos o futuro que todos almejam, inclusive os que lutam contra).

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    • LSB disse:

      Prezado Marco

      Agradeço o elogio e concordo contigo acerca das dificuldades existentes na “comunicação” humana (não li o “Ensaio sobre a Cegueira”, embora já tenha ouvido falar muito dele… está na lista para ser lido algum dia).

      De fato, a única linguagem “precisa” e que não dá margem à interpretação é a “matemática”.
      Toda linguagem “falada” sofre de imprecisão, alteração de significado ao longo do tempo, etc.
      (até hoje estão discutindo o que Platão ou Aristóteles quiseram dizer e não necessariamente se o que disseram estava certo ou errado).
      Todo bom autor (filosofia, ciências políticas e sociais, etc.) começa sua obra “discutindo” / “observando” / “pontuando” sobre a imprecisão e as limitações da língua.
      Enfim, isso é uma realidade e não escaparemos dela.

      Quanto ao país “riquíssimo”, vou discordar de você: temos, sim, um país com um tremendo POTENCIAL de riqueza, mas não rico (“remediado” talvez seja o termo mais próximo da realidade).
      Há um erro crasso nessa tão comum afirmativa: riqueza não explorada não é riqueza, é potencial de riqueza.
      (creio que a insistência nesse erro é proposital e com fins políticos).

      Petróleo e minerais debaixo da terra, por exemplo, significam POTENCIAL DE RIQUEZA (ou seja, os “donos” de tais reservas podem vir a ser ricos, mas não são ainda). Para se tornar riqueza, temos que explorar: retirar da terra, processar, refinar, transportar e vender!
      Só depois disso que o POTENCIAL de riqueza se transforma em RIQUEZA!

      No mais, entendo sua frustração com a “passividade” do povo, porém como “cobrar” esse povo se ele não tem nem a mínima noção da verdadeira democracia e de quanto vivemos uma engambelação?
      Se o povo age como “torcida” e defende o “indefensável” é porque foram “treinados” a agir assim.
      E quando falamos que as escolas são madrassas, já surge um exército de supostos “bem pensantes” “ponderados” / “moderados” / “de centro” a gritar:
      “Extremismo! Abaixo a ideologia”! Vamos voltar à idade média!”
      “Os terraplanistas querem dominar as escolas para doutrinar no anti cientificismo”
      “Meu Deus, temos que nos preocupar com a educação e não ver ‘comunista’ em tudo que é lugar”
      “Meus sais!”
      Etc.

      Quanto ao futuro do país: sim, ele existe e creio que o Brasil ainda será um grande país, mas talvez tenhamos que passar por um ruptura / catástrofe de proporções bíblicas para que as coisas mudem.
      (e se não mudarmos por bem – o que muitas vezes duvido que acontecerá – a tragédia ocorrerá inevitavelmente mais cedo ou mais tarde).

      Abs
      LSB

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  • LSB disse:

    Prezado Fernão,

    Como já comentei acima, seu texto está meio confuso. De fato, não está à altura da sua costumeira elegância, requinte, destreza e inteligência literária.
    Não leve à mal, pois se o artigo merece tal crítica hoje é porque, via de regra, são excelentes, e até mesmo brilhantes, os textos de sua lavra.

    Nada obstante, também há trechos que são, no mínimo, ambíguos.
    Por exemplo: “…é o que vimos colhendo da destruição quase completa do que havia de educação de qualidade no Brasil da ‘Era PT’.”
    “Da Era PT” está relacionado à “destruição quase completa” (destruição quase completa da era PT; ou seja, destruição ocorrida na era PT) OU está relacionado à “educação de qualidade” (educação de qualidade da era PT)?

    Creio, e quero crer, que a primeira hipótese está correta. Mas, ainda assim, o trecho está ambíguo. Quem não te conhece (um leitor de primeira viagem) pode interpretar que você está saudoso da educação de qualidade propiciada pelo PT (pausa para risos!)…

    No mais, elencarei pontos que, no meu entender, merecem reparos:

    1 – Entendo ser contraproducente usar o termo “utopia” para descrever sua ideia / objetivo.
    Isto porque, ainda que seja uma figura de linguagem, cai como “uma luva” aos adversário das suas proposições políticas!
    De fato, irão classificar tais ideias como “utópicas”, uma vez que o próprio propositor utiliza tal palavra para descrevê-las.
    Eu mesmo, ao defender tais ideias, já tive que ouvir diversas vezes “mas isso é utópico”; “é só teoria que não dá certo na prática”; “não é aplicável à nossa cultura”; “Aqui no Brasil, isso é utopia”, etc.
    Enfim, penso que não devemos dar munição aos adversários…

    2 – “É tudo que é possível esperar obter por enquanto graças aos esforços ingentes da equipe técnica que estudou fora do Brasil enxertada neste governo. Mas ainda que a privilegiatura permita que ela faça tudo de que é capaz, o que tem estado longe de ser o caso…”

    Penso que não importa o quanto excepcional, genial ou brilhante,seja uma equipe técnica ou um político, a realidade é que não há a menor possibilidade de mudanças mais significativas “por dentro” do sistema.
    Nosso arcabouço político-jurídico foi minuciosamente erigido para manter tudo como está!
    Qualquer proposta mais “fora da caixinha” é e será abortada pelo sistema.
    Ontem mesmo tinha uma manchete no Estadão na qual se lia que Moro dizia esperar “que o STF ou CNJ corrija falhas no juiz de garantias”.
    O surrealismo já se tornou tão “carne de vaca” nesse país que já está normal esperar o Supremo legislar!!!!
    (e hoje vejo a notícia que o DEM – supostamente liberal – está se aliando ao PDT brizolista no Nordeste!… preciso mais exemplos para ficar claro como o sistema político e jurídico brasileiro é “unido” na não mudança???)

    3 – “Diante da crise mundial do emprego, muito pior que o problema do Brasil que nunca aprendeu é como superar o Brasil ‘formado’ nesse entretempo que é o que, perpassando todas as ideologias, está no poder nos quatro costados do estado brasileiro, na academia, na mídia … no Brasil com voz, enfim.”

    Não fica claro, para um leitor de primeira viagem, que você critica o Brasil “com voz”.

    4 – Terraplanistas, astrólogos, bruxos, adivinhos, alquimistas SEMPRE EXISTIRAM e SEMPRE EXISTIRÃO!
    Não creio que há um aumento tão vertiginoso assim nas superstições e na quantidade de supersticiosos.
    Penso que esse discurso (ou essa “denúncia”) tem objetivo diversionista: tentar “linkar” as contestações que estão surgindo ao sistema à ignorância científica dos terraplanistas!
    (sim, porque daí fica fácil desclassificar / desqualificar / condenar críticas legítimas e fundamentadas ao sistema político alegando serem as mesmas apenas “ideias de terraplanistas”).
    Eu mesmo não conheço nenhum terraplanista, embora conheço centenas de pessoas que desconfiam da imprensa (ou simplesmente não acreditam), não concordam com o Estado de Bem Estar Social, rejeitam o sistema político brasileiro, etc.

    5 – “Os políticos brasileiros dispõem de um enorme volume de sonhos para vender que boa parte do resto da humanidade já comprou, com a vantagem de poder mostrar o fantástico resultado que ela colhe disso…”

    Não sei, mas acho que, na verdade, UMA PARCELA BEM PEQUENA da humanidade “comprou” a verdadeira democracia.
    A Europa, por exemplo, com seu autoritarismo antidemocrático disfarçado, já está apresentando fissuras em sua suposta democracia…
    (em suma, praticamente só os EUA – 5% da população mundial – “comprou” a verdade democracia)

    6 – “…a privilegiatura consome sozinha 92% dos quase 40% do PIB…”

    Já vi a citação dessa estatística antes em seus textos, mas ela está errada. De novo, isso não é bom para a “causa”, uma vez que dá munição aos adversários (que irão apontar o erro para desqualificar sua ideia).

    De fato, as 3 esferas públicas (União, Estados e Municípios) arrecadam por volta de 38% a 40% do PIB, porém somente uns 32% a 33% com impostos (o resto vem de royalties, dividendos de estatais, concessões, etc.).

    No entanto, só em aposentadorias, o Brasil gasta por volta de 13% a 15% do PIB. Talvez metade disso em aposentadorias do setor público, mas a outra metade é relativa ao INSS, LOAS, BPC, aposentadoria rural.

    Na União, os salários dos servidores ativos consomem aproximadamente 5% do PIB. Nos Estados e municípios, boa parte do custeio é bancado por fundos (aliás, permitem-me o chiste: existe tanto “fundo” no Brasil que o país não poderia estar em outro lugar que não no “buraco”).

    Assim, a privilegiatura (ativos, aposentados e pensionistas) consome algo por volta de 25% do PIB (~5% de servidores ativos da União + ~ 8% a 10% em aposentadorias e + ~10% em servidores ativos dos Estados e municípios)… o resto é custeio, INSS e assistência social…

    Não discordo da sua crítica à privilegiatura, mas não dê munição aos adversários com informações imprecisas que que possam ser contestadas (e que serão apontadas como “prova” do erro de sua “bandeira” / “causa”).

    (ps: juros e “amortização” da dívida são apenas “rolados”, uma vez que há déficit primário)

    Abs
    LSB

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    • Marcos Viotto disse:

      O que importa a hora do óbito? Já é defunto, mesmo! Preciosismo puro.

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      • LSB disse:

        Prezado Marcos

        O que você entende por preciosismo?
        Por exemplo, seu comentário, por falta de precisão, ficou meio “indecifrável” para mim.
        Não entendi se você critica o suposto “preciosismo” em TODO o comentário ou se somente em algum item (nesse caso, imaginaria / deduziria que seria quanto ao último ponto: gastos públicos).

        Nada obstante, a hora do óbito é deveras importante e não mero preciosismo. Por exemplo, no caso de “natimorto” é fundamental determinar se o feto já nasceu morto ou se chegou a dar uma única respirada fora do útero antes de falecer, pois tal diferença implica em direitos distintos sobre heranças, sucessões e outras “cositas mas”.

        Já no caso de homicídios, a hora do óbito pode inocentar ou culpar alguém. Também pode provar ou descartar uma denúncia de imperícia ou negligência.

        Em suma, preciosismo pode ser chato, mas não inútil, dispensável ou supérfluo.

        Anyway, quanto aos pontos elencados no meu comentário, embora classificados pelo senhor como “preciosismos” (todos?), seriam mesmo “preciosismos”?

        Itens 1, 3 e 5: preciosismo ou uma crítica válida no que se refere à possibilidade do texto do Fernão ser contraproducente (já que pode gerar interpretações errôneas e até mesmo contrárias ao que o autor deseja expressar)?

        Item 2: preciosismo ou uma opinião válida (de que a realidade seria mais complicada e difícil de ser alterada / reformada / mudada do que a retratada no artigo)?

        Item 4: preciosismo ou uma interpretação distinta do articulista acerca da “epidemia de terraplanistas”?

        Item 6: preciosismo ou correção de uma estatística que, por estar errada, redundará em duas consequências:

        (a) fornecer argumentos / munição para os adversários do Fernão alegarem que ele “mente”, “distorce” ou “manipula” e, portanto, não seriam confiáveis, ou dignas de crédito, as informações / opiniões emitidas por tal autor;

        (b) criar falsas expectativas sobre a economia possível com a redução do quadro de servidores públicos (pois estariam superestimados os gastos relativos a tal rubricaminúcia).

        Enfim, penso que o senhor, de fato, tenha pouca consciência / noção de quanto o debate político-econômico é feito de preciosismos, detalhamentos, pormenores, particularidades e minúcias*…

        Abs
        LSB

        * Especialmente, mas muiiiito especialmente mesmo, quando se trata de discutir a redação de textos legais / normativos (e falo por experiência própria)…

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  • Cirval disse:

    As ideologias anulam a capacidade das pessoas pensarem objetivamente. Torço o nariz que leio os “burocratas da palavra”, verdadeiros “entendidos” da vida se digladiam sobre esquerda e direita. Me lembro do “tirano do bem” que foi o meu falecido pai. Tirava até dinheiro da alimentação para sustentar o estudo dos filhos. Era a tirania da educação. Pequeno proprietário rural que se mudou para a cidade quando já tinha 13 bocas para sustentar. Depois acrescentou mais 4 bocas. Detestava tetas, principalmente públicas. Tinha apenas o curso primário que, no período dos seus estudos, 1915/1919, equivaleria ao atual colégio, dada à qualidade da educação na época. Ali só havia lugar trabalho, estudo e religião. Nunca ouvi o velho falar em esquerda e direita. Só tomei conhecimento do tema quando adulto e, mesmo, assim, nunca levei a sério. Dentro de casa era necessário lutar para o pão do dia a dia. Não havia tempo para conversa fiada. Aliás, até hoje, ouço falar em esquerda e direita e não vejo ninguém que seja puramente esquerda e direita da maneira que dizem. Isso fica por conta dos “ideólogos”. Internamente, em nenhuma das empresas que trabalhei, nacionais ou internacionais, alguém me cobrava por ideologia. As verdadeiras “ideologias” eram lucro ou prejuízo. Era isso que guiava o trabalho dentro das empresas. O pensamento diferente consistia apenas na melhora dos processos, da tecnologia, no bem estar dos colaboradores e no lucro. Jamais ouvi dizer que os prejuízos nas empresas existiam porque eram dirigidas por “direitistas” ou “esquerdistas”. O que importava era o resultado das empresas. O resto era balela. Discussão política ou ideológica, só em reuniões particulares ou nos botecos. Alguém imaginaria que empresas da “direita” e “democratas” americanas construíram as suas fábricas na “esquerdista” e “comunista” China? No Brasil é o contrário do inverso. Discute-se ideologia em um país com mais de 11 milhões de desempregados, empregos informais a rodo e a maioria da população pendendo para a pobreza. Perguntem aos chineses se eles estavam preocupados, ideologicamente, com os americanos quando admitiram a construção das indústrias americanas lá. É evidente que não! O que eles queriam eram empregos e transferência de tecnologia. Era o uso de cabeças pensantes no futuro, sem se importar com esquerda ou direita. Se a melhor ideia fosse de um “direitista” ela seria aplicada, da mesma forma que a de um “esquerdista”. Para quem passa forme, não dá tempo de discutir direita ou esquerda, e sim estômago vazio ou cheio. Aliás, os “comunistas” chineses são um dos maiores aplicadores de recursos na economia…americana. Parte da dívida americana é coberta por dinheiro… chinês. É verdade ou mentira, Terta?

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    • LSB disse:

      Prezado Cirval

      Modelos teóricos são, realmente, coisa de… teóricos!

      Não há ninguém, ou país algum, que seja uma “reprodução” perfeita de um modelo teórico (os EUA foram os que mais chegaram próximo disso, mas, ainda assim, são/foram, mesmo à época da sua independência e posterior organização federativa, uma aproximação do modelo liberal clássico – em voga no século XVIII).

      Nada obstante, nações e comunidades se aproximam mais ou menos de um modelo ou de outro.

      Quando você diz “Ali só havia lugar trabalho, estudo e religião” ou “As verdadeiras ‘ideologias’ eram lucro ou prejuízo. Era isso que guiava o trabalho dentro das empresas. O pensamento diferente consistia apenas na melhora dos processos, da tecnologia, no bem estar dos colaboradores e no lucro” ou, ainda, “O que importava era o resultado das empresas”, você está expressando uma visão política de mundo.

      Talvez à época você imaginasse que tais “dogmas” fossem apenas verdades pragmáticas, porém eram e são expressões de uma visão de mundo (no caso, bastante próxima do “liberalismo clássico” ou mesmo de uma visão “conservadora”).

      No mais, empresas americanas NUNCA INVESTIRAM na China enquanto ela era comunista economicamente (nos tempos de Mao).

      De fato, depois da morte de Mao, a China, ainda mantendo a ditadura de partido único, passou a adotar o capitalismo quase totalmente “laissez faire” (Deng Xiaoping foi o líder que promoveu essa mudança e a justificou dizendo que “não importava a cor do gato, mas sim que caçasse ratos”… ou seja, não importava que fosse capitalismo “selvagem”, o importante era gerar riquezas e matar a fome do povo).

      Assim, a China não tem nada de comunista hoje em dia (exceto o “cartão de visitas”). É, na verdade, uma ditadura ultra capitalista (economicamente).

      “Perguntem aos chineses se eles estavam preocupados, ideologicamente, com os americanos quando admitiram a construção das indústrias americanas lá. É evidente que não! O que eles queriam eram empregos e transferência de tecnologia.”

      De fato, eles não estavam preocupados ideologicamente com os americanos, pois, na organização política não estavam nem sequer minimamente interessados em copiar. Mas quanto ao modelo econômico, já estavam copiando.
      E quando você diz que “o que eles queriam eram empregos e transferência de tecnologia”, fica mais claro ainda que a China já tinha se decidido qual “ideologia” econômica seguir (capitalismo).

      No mais, quando você diz “para quem passa forme, não dá tempo de discutir direita ou esquerda, e sim estômago vazio ou cheio”, isso não é verdade, pois diante desse quadro de fome, uns irão dizer que se precisa trabalhar mais, investir mais (capitalistas) e outros dirão que precisa redistribuir renda, expropriar propriedades, criar estatais, etc. (comunistas e esquerdistas em geral).

      Enfim, doutrinas, filosofias, dogmas políticos, etc. estão muito mais presentes em nossas vidas do que as pessoas imaginam.

      Ninguém consegue ter uma compreensão do mundo baseado somente em sua percepção (até mesmo porque, para tanto, esse “alienado” teria que ter nascido, e se mantido, fora da sociedade para não ser “contaminado” por ideias pré existentes); assim, pelo contrário, tudo que pensamos e acreditamos é fruto de alguma “ideologia” / “filosofia” / “cultura” (mesmo quando não temos consciência disso).

      Abs
      LSB

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    • Olavo Leal disse:

      Caro Cirval: concordo plenamente com sua exposição, muito bem direcionada. Parabéns!!!

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  • Olavo Leal disse:

    Quantos aos “comentários” – assim, entre aspas, mesmo! – expostos sobre os militares, desde o primeiro do MAM, todos, absolutamente todos!, revelam um certo – quando não completo – desconhecimento do ambiente militar, em particular quando se trata do Exército. Mostram, quando muito, um posicionamento observado de fora, sem se importar em penetrar no ambiente para entendê-lo melhor, talvez por receio de mudar de opinião já pré-concebida – quando não preconceituosa, como a do citado MAM. Ademais, o período em que o Exército se envolveu em política já passou, lá se vão mais de 30 anos. Durou aproximadamente um século, desde o fim da Guerra da Tríplice Aliança, alcançando seu ápice na ditadura Vargas, mormente na malfadada tentativa de impor o comunismo no País a partir da tomada do poder dentro do próprio Exército, situação em que militares comunistas assassinaram seus companheiros de farda – algo inconcebível na atividade castrense. O resultado não foi nada bom para os comunas, pois a partir de então os militares abominam especialmente essa exótica doutrina, bem como outras de natureza totalitária. (O período 1964-85 decorreu daí.) Para se entender o pensamento político dos militares – do Exército, em particular, por ter sido especificado em um dos comentários – há de se conhecer os fundamentos da formação dos mesmos, nas academias. E, nunca – mas nunca mesmo! – nos bancos de faculdades infestadas de professores esquerdistas formados por outros tb esquerdistas, etc, etc, etc.

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    • LSB disse:

      Prezado Olavo,

      Entendendo que a crítica também é dirigida a um de meus comentários, farei um “tréplica”.

      Começando pelo “mea culpa”, confesso que desconheço a realidade do ambiente militar, pois não vivo no mesmo.

      No entanto, quanto à minha “descrição” do “pensamento político” do Exército, faço questão de citar minhas “fontes”:

      1 – Primeiramente, a observação de que o estatismo na visão política econômica dos militares é “ultra” presente – tanto durante o período militar quanto ainda agora. Foi no período militar que um sem número de estatais foram criadas e a intervenção do Estado só aumentou. Depois de 1985, os militares estão se mantendo “longe” da política (noves fora o apoio a Bolsonaro), mas ainda se observa uma certa tendência ao estatismo, observável principalmente em…

      2 – … textos e artigos originados na própria Escola de Guerra, bem como em entrevistas e posicionamento político (inclusive com “vetos”) acerca de certas políticas/órgãos/regulações; e

      3 – Antônio Paim, o autor citado. Todavia, esclareço que tal pensador é, não só extremamente ponderado, como “preciosista”, “minimalista” e também é está a anos luz de ser esquerdista. Pelo contrário, é um liberal (político e econômico). Enfim, o senhor critica o desconhecimento, mas também “rotula” sem conhecimento de causa.

      No mais, claro que o que comentei sobre os militares se trata de apenas um aspecto observável e não (e nem poderia ter a pretensão de ser) uma definição completa do pensamento político econômico do Exército.

      Abs
      LSB

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      • LSB disse:

        Complementando minha resposta / “tréplica”:

        Mencionei em em um comentário (citando o Paim) que o Exército teria uma doutrina que se aproximaria do marxismo.

        Primeiramente, ressalto que tal caracterização se refere à visão ECONÔMICA.
        Paim (e eu também) pontua que a visão POLÍTICA era, foi e é CONSERVADORA.

        Segundo ponto: não precisa ser esquerdista para ser marxista. Exemplifico:

        Se você entende que a história é a história da luta de classe (e que tal antagonismo explica a dinâmica político econômica), você pode ser classificado como um marxista ainda que você não defenda “ditadura do proletariado”, etc.

        Se você entende que há lucro indevido, arbitrário, ilegítimo, desproporcional, incompatível ou excessivo (excetuando-se, obviamente, casos de extorsão, manipulações de mercado, fraudes, corrupção, etc.), você está “avalizando” a teoria da “mais valia” ((Karl Marx).
        Daí que, se você advogar por alta tributação, regulação de preços ou expropriação, você é uma “esquerdista” (social democracia, socialismo / comunismo). No entanto, se você achar que as “coisas são assim mesmo”, você não é um “esquerdista” ainda que continue sendo um “marxista” (por acreditar na teoria dele – embora não no receituário).

        Enfim, ser “marxista”, no caso, está mais ligado à interpretação do “mundo” (economia, política) do que às soluções / políticas advogadas / defendidas.

        Nesse sentido, o que Paim (e eu) entendemos ser uma certa “visão marxista” no Exército se refere a uma postura muitas vezes “preconceituosa” / “hesitante” / “desconfiada” contra a iniciativa privada, a LIVRE INICIATIVA, o lucro, desregulamentações, comércio internacional, investimentos externos, etc.
        (embora, politicamente, os militares foram e são conservadores).

        Abs
        LSB

        (ps. 1: espero ter esclarecido melhor meus comentários).

        (ps. 2: sei que escrevo textos longos, prolixos para alguns e “preciosistas” em excesso para outros. De fato, talvez eu canse muitas pessoas com minhas digressões, todavia, a intenção é a melhor possível: estamos em um momento delicado em nosso país e, politicamente, estamos “perdidos” em vários sentidos; daí que tento contribuir enriquecendo o máximo possível o debate… enfim, escrevo muito – quem não tiver paciência de ler, pode pular -, mas escrevo tentando explicitar pontos de vista distintos, trazer informações que possam agregar, organizar raciocínios e ressaltar possíveis erros lógicos ou teóricos, mostrar interpretações alternativas, apontar riscos que não estariam mapeados ou ponderar possível consequências que não estão sendo comentadas, etc…. em suma, tento somar e agregar valor ao debate)

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      • Olavo Leal disse:

        Caro LSB:

        Durante o Período Militar, o estatismo se fez necessário até mesmo como uma complementação da excessiva centralização econômica e política.Sim, porque vivíamos um ambiente de Guerra Fria – do fim da II Guerra até a queda do Muro de Berlim -, fato tradicionalmente “esquecido” pela predominante imprensa esquerdista, pois esclarece que, no Brasil, aqueles que pegaram em armas queriam claramente implantar o comunismo no País. Sem essa centralização excessiva, prognosticada por um governo necessariamente forte, muitos (ou todos) objetivos do governo não seriam atingidos.
        Após 1985, os militares (EB, principalmente) recolheram-se aos quarteis, de onde passaram a acompanhar atentamente a evolução dos acontecimentos.
        Caracterizando o fim da participação dos militares na política, pode-se observar a proliferação de ideias no ambiente militar, o que conduz a que nem todo o pessoal do Exército apoie Bolsonaro – a ver, apenas como exemplo – aqueles que contribuíram inicialmente com o governo JB e depois afastaram-se ou foram afastados.

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      • LSB disse:

        Prezado Olavo,

        O maior protagonista da Guerra Fria – até mesmo o maior “combatente”, digamos assim – foram os EUA e tal país é ultra descentralizado (sempre foi) e anti estatista. Eles não precisaram centralizar ou estatizar para conduzir a Guerra Fria ou para ser um “Estado forte”.

        (de fato, nossa tentativa de criar um “Estado Forte” só resultou em “governos fortes” com Estado Fraco – balofo, inoperante, caríssimo, injusto e “aniquilador” do desenvolvimento e da geração de riquezas)

        Somente isso é suficiente para derrubar o argumento de que a centralização político administrativa, bem como o estatismo levado ao limite, seriam necessários para “combater” / “sobreviver” à Guerra Fria ou para “ser forte”.
        (já vi estatística, não sei se está correta, que 70% da economia brasileira, ou melhor, do PIB era gerado por agentes estatais… talvez tal número esteja exagerado, mas a ordem de grandeza não… era, com certeza, mais 50%…)

        Adicionalmente, tivemos 4 consequências extremamente danosas e maléficas ao país:

        1 – o estatismo e a super hiper mega centralização político-legislativo-administrativa contaminou / entranhou de tal forma (quase definitiva) na alma do brasileiro que, além de nos meter nessa situação que nos encontramos, levará muito tempo para o brasileiro rever esse viés (se é que isso vai ocorrer por bem);

        2 – Nosso patrimonialismo histórico atingiu o “estado da arte”: nosso empresários e empresas se viciaram por completo em Estado/Governo;

        3 – O regime militar não combateu nem acabou com comunistas, pelo contrário, fizeram exatamente o oposto: “criaram em cativeiro”!

        Ficaram procurando “revolucionários” que quase não existiam (em 20 anos de governo militar não acharam um milhar de “guerrilheiros”) e, em nome de uma auto conferida “moderação”, deixaram as Universidades livres para doutrinar umas 3 gerações… e alimentavam o criadouro com o regime que instalaram (que melhor propaganda existiu para a esquerda senão a própria existência do regime militar?)

        (chego até dizer que, de fato, o regime militar praticamente IMPLANTOU o socialismo no Brasil… nossa economia chegou a ser, como apontei atrás, 70% estatal e com mil direitos sociais criados por tais luminares políticos… que socialista faria melhor?)

        4 – Por fim, os militares deram motivos para se escrever uma constituição MEGA socialista (sim, porque se o regime militar era “de direita” ou “capitalista”, não faltavam argumentos para dizer que a Cidadã deveria ser mais à “esquerda”).

        Outra coisa, militares não devem se intrometer em assuntos domésticos.
        As forças armadas foram criadas para defender um país de inimigos EXTERNOS!!!!
        Se o país vai entrar em uma guerra civil, que entre, mas os militares não devem tomar partido (não enquanto Instituição), pois se tomarem, além de ter que assumir uma posição política, também são obrigados a fazer guerra contra seus conterrâneos, o que é extremamente “venenoso” para um país.

        Militares tem como valor SUPREMO a ordem e a hierarquia: isso não funciona em uma sociedade. Daí que quando o “clima esquenta” (e se esquenta é porque há motivos de sobra para esquentar), os militares sempre vão por ORDEM na “bagunça” (o que significa, na prática, deixar “de lado” qualquer iniquidade, disfunção, injustiça, etc. para privilegiar a ORDEM… ou seja, acaba mantendo tudo como está… e as tensões reaparecem maiores depois…)

        Mourão, meses atrás, fez um comentário exemplar de tal atitude: “comemorou” (ou afirmou em um sentido positivo) que o povo venezuelano não tinha armas, pois caso tivessem o país já estaria em guerra civil.
        (A frase foi: “A população está desarmada… e tem que estar, não é? porque senão nós teríamos uma guerra civil, o que seria pior”)

        Não, não seria não.
        Na cabeça do militar é melhor essa tragédia que a Venezuela está vivendo do que uma guerra civil!
        Ordem acima de tudo!
        A guerra civil seria lastimável? Sim…
        Muitos morreriam? Sim…
        Mas a tragédia que a Venezuela está vivendo matará MUIIIITO MAIS.
        (são gerações de crianças subnutridas que já estão condenadas para o resto da vida…)

        Enfim, essa é a visão do militar na América Latrina*: que morram, definham e comam baratas, mas com ORDEM (e, de preferência, mantendo as “vacas sagradas” e demais integrantes do Status Quo para dar “estabilidade” ao país)!

        E mais, os militares escaparam de serem punidos pelo regime militar (eu SEMPRE apoiei o respeito à lei de Anistia, by the way). Mas não serão novamente perdoados em um novo episódio do tipo, pois não há menor clima no mundo, e nem aqui também na Pindorama, para tanto (e eu apoiarei a punição)!
        (então é melhor que acompanhem “atentamente a evolução dos acontecimentos” como CIVIS e CIDADÃOS como todos os outros brasileiros, pois não são os militares que deverão “consertar” qualquer coisa… Mas sim a SOCIEDADE CIVIL**).

        Abs
        LSB

        * E não adianta citar ou comparar com militares americanos, pois estes, antes de serem militares, são AMERICANOS e, portanto, são amplamente defensores das liberdades civis (jamais pensariam em achar bom o americano estar desarmado – aliás, os militares americanos devem ouvir uma fala dessa do Mourão e rir muito)… Como exemplo desse comportamento, cito o fato de que a alistamento militar NÃO é obrigatório nos EUA e NENHUM militar, inclusive aqueles que se aventuram na política, defendem o alistamento obrigatório (exceto em raras circunstâncias)

        ** O Jabor que costuma dizer que até para fazer revolução o brasileiro espera que o Estado a faça!!!

        PS: apesar de tudo que escrevi, nada tenho contra militares. Pelo contrário, admiro e valorizo. Entendo a necessidade e importância de um país possuir Forças Armadas bem equipadas, treinadas e motivadas. De fato, sou totalmente crítico em relação à “pouco importância” que o brasileiro dá em ter Forças Armadas poderosas. Mas quero que as Forças Armadas se limitem a defender o país (e não governar ou se imiscuir em revoltas populares, garantir a “ordem”, fazer assistência social, fazer papel de polícia ou atendente do INSS, entregar cartas ou pintar faixas de pedestres…)

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  • flm disse:

    No fim do regime militar havia 480 e poucas estatais no Brasil. Nunca a economia estatal chegou a 70% ou mesmo 50% do total. nem perto disso…

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    • LSB disse:

      Prezado Fernão,

      Como ressaltei, li essa estatística, mas não sei se é real.

      Agora, não duvido que deve ter batido perto (considerando impostos, é claro).

      Mineração, petróleo (produção, importação, refino e distribuição), telecomunicações, geração, transmissão e distribuição de energia, petroquímica, siderurgia, aviação (fabricante – Embraer e operadora – VASP), transportes (público, ferrovia, marinha mercante, rodovias pedagiadas), bancos, saneamento, etc.

      Estes são setores que representam uma grande proporção do PIB (aliás, algumas centenas de empresas – públicas ou privadas – costumam representar uma % significativa do PIB de um país atualmente).

      Também não sei como teria sido medida essa participação no PIB.

      Se você considerar só o que for produzido por estatal, terá um valor.
      Mas se você ampliar e considerar tudo que transita pelo Estado (ou seja, o % do PIB cujo gasto será “decidido” pelo Estado), a proporção será bem maior, pois só de impostos tínhamos 25% do PIB sendo decidido onde gastar pelos governos (soma-se a esse valor o que era produzido/faturado* pelas estatais e você tem um % extremamente alto do PIB cuja alocação acabava sendo prerrogativa do Estado).

      Abs
      LSB

      * A rigor, somente o lucro e os salários pagos pelas estatais seriam componentes do PIB gerados pelas estatais. Todos serviços e bens que as estatais compravam de empresas PRIVADAS representam % do PIB gerados por tais fornecedores privados (lucros mais salários dos fornecedores + lucros e salários dos fornecedores destes e assim por diante).
      No entanto, quem decidia qual empresa privada iria fornecer bens e serviços eram as estatais.
      Assim, se você considerar os impostos (~25% à época) mais o faturamento das estatais (lucro + salários pagos + pagamentos a fornecedores), você tem que algo no mínimo próximo a 50% do PIB sendo decidido pelo Estado onde gastar (já que acabava decidindo, no caso dos fornecedores das estatais, quando não estatais também, até mesmo quais empresas privadas iriam produzir/gerar PIB**).

      ** A rigor novamente, devemos descontar a parcela que os fornecedores das estatais “gastavam” em fornecedores, uma vez que “de quem comprar” seria uma prerrogativa daquele primeiro fornecedor (privado).
      Ainda assim, o % do PIB que era “alocado” pelo Estado era gigantesco.
      Enfim, questões metodológicas à parte (que é importante), o que quero/quis dizer era que o Estado acabava tendo uma ingerência dantesca na economia.

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      • flm disse:

        O que importa é que toda a política econômica era feita para as estatais. As privadas que se acomodassem aos problemas do estado e das estatais, como sempre.
        E havia ainda, como v registra, toda a cadeia de dependentes e de privilegiados pelas estatais o que distorcia totalmente a lógica do sistema.
        E, é claro, a privilegiatura. Mordomias e mais mordomias (caros, viagens, casas, empregados e gastos mil) que o Estadão denunciou em serie memorável de reportagens em plena época da censura, que acabou por cair em função desse episódio.
        A série durou meses e foi decisiva para por um fim ao regime militar. Quando o publico entendeu que as matérias saiam, foi preciso criar uma “ouvidoria” na redação para receber as denuncias que chegavam por todos os lados.
        A série foi coordenada por Ricardo Kotscho que viria a ser, mais tarde, secretário de imprensa do Lula…

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  • flm disse:

    Mesmo àquela altura, ao fim de quase 20 anos de regime militar, os militares não resistiram a um flagrante de abuso de poder beirando a corrupção como aquele. Por isso o assunto não foi censurado e acabou apressando o fim do regime.
    Ainda havia vergonha na cara naquele Brasil…

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    • A. disse:

      Pela 1ª vez leio o que uma grande maioria se recusa a admitir: os militares também não foram imunes à corrupção! Deveriam, como fizeram durante um bom tempo, se recolher à caserna e observar a cena política de longe…Mas a parte inepta da sociedade os chamou à ação!

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      • Flm disse:

        Só os mentecaptos por opção acreditam que possa haver categorias de humanos – seja pela profissão, seja pela ideologia escolhidas – imunes à corrupção.

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      • Alexandre disse:

        Você está generalizando! Acerca dos militares e da parte da sociedade que votou no Bolsonaro. Lembre-se de que a alternativa a ele no segundo turno era o fantoche lulopetista (em cujo programa de governo estava, e muitos parecem querer esquecer, inclusive na imprensa!!, um tal “controle social da mídia”)..

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    • LSB disse:

      De fato, sobre os absurdos que ocorriam no Brasil antes e durante o período militar, recomendo a leitura de dois livros do Emil Farhat (brilhante jornalista e escritor, também usualmente esquecido pela “intelligentsia”: “O País dos Coitadinhos” (1a edição é de 1966 e a 4a edição de 1968) e o “Paraíso do Vira Bosta” (1986).

      Algumas observações acerca destas duas obras:

      1 – Os abusos, irracionalidades, iniquidades, desperdícios, privilégios, etc. relatados nos dois livros passam e muito do limite do fantástico e do surreal. Por vezes, lendo tais relatos, ria de gargalhar diante dos fatos que ocorriam nas Bruzundangas (como no trecho abaixo) ao mesmo tempo que sentia uma tristeza em saber o quanto fomos (somos?) “incompetentes” ou “miseráveis intelectuais”:

      “Quando o leitor vir no pôrto de Belém ou de Manaus, um bojudo ‘motor’, dêsses que sulcam os igarapés da Amazônia, puxando, como se fôra um sobressalente, um pequeno barco em que vão alguns homens, fique desde logo sabendo que aquêles cavalheiros rebocados são os excedentes da tripulação legal, e ali vão espiando os outros trabalharem, porque a lei ‘manda’ que haja aquêle excesso, que o próprio barco-motriz não comporta.
      Enquanto se precisa redistribuir o espaço interno dos navios mercantes brasileiros para comportar a quase única que podem levar – seus tripulantes . . . – , o mesmo acontece com as ferrovias.”

      Emil Farhat
      “O País dos Coitadinhos”
      Terceira Edição – pags. 92/93 (português original)

      2 – Na primeira edição de “O País dos Coitadinhos” (1966) percebe-se uma esperança do autor (e de quantos à época?) de que o novo regime (militar) iria acabar com tais abusos (acreditando no “patriotismo” e “bom senso” dos militares). Já na quarta edição, nos mesmo trechos nos quais o autor expressava “fé” em mudanças, o textos se tornaram mais céticos e desconfiados.
      (Exemplo: após relatar algum absurdo, escrevia na sequência, na primeira edição, algo como “mas esperamos que os militares acabem com isso”. Já na quarta edição, após o mesmo relato, pode-se ler mais ou menos assim: “e os militares ainda não mudaram isso” ou “os militares mantiveram isso”).

      3 – Ao ler a quantidade de absurdos indescritíveis (e isso não é figura de linguagem) que são COMPLETAMENTE INIMAGINÁVEIS e INACEITÁVEIS hoje em dia até mesmo para nossa Pindorama (e isso também não é figura de linguagem), até me “encho” de esperança que seremos um país decente (considerando o tanto que as coisas “melhoraram” nessas décadas). Todavia, …

      4 – … murcha bastante esta “nascente” esperança quando observo, nas mesmas obras, o quanto o discurso político, os argumentos políticos, as lógicas políticas, as razões e dificuldades existentes para implantar mudanças PERMANECERAM as mesmas entre as duas obras (1966 e 1986) e PERMANECEM AS MESMAS ainda em 2020*.

      Enfim, muita coisa mudou (o “fenótipo” da nossa incompetência “política”), mas muita coisa permaneceu a mesma coisa (o “genótipo” dessa mesma incompetência “política”).

      Abs
      LSB

      * Exemplos:

      “Para safar-se, criavam um malabarismo de espertezas e, para desobrigar-se de compromissos, encampavam os próprios estratagemas dos comunistas – apontando como “direitismo” e “fascismo” a mais legítima e destemida defesa das liberdades -ou então esgueiravam-se por trás do biombo furta-côr da desconversa de ‘evitar a radicalização’, e ‘esquivar-se dos extremos’.
      Por isto, tôda vez que a situação do Brasil exigia uma definição clara de seus homens públicos, aquêles que se escon­diam sob a redoma de vidro plástico da ‘reserva nacional’, o honrado professor-governador ou o poderoso banqueiro-gover­nante, o mudo grande escritor ou o sorridente ex-presidente, apelavam para a ignorância do auditório, com o truque sem imaginação e sem grandeza, da posição “contra a radicalização”, isto é, da posição contra a tomada-de-posição, da posição contra a atitude-prá-valer, contra a forma sincera e gloriosamente im­prudente de dar os nomes aos bois da conjura antidemocrática. —Nos momentos cruciais – quando se tinha que decidir entre o estatismo e a livre emprêsa, entre os atalhos camuflados que levavam ao bolchevismo e às rotas abertas que davam na liberdade – o ambíguo ‘selecionado-de-fora-de-campo’ que se colocava habilidosamente à margem da luta contra o perono­-comunismo, enganchava-se sôbre o muro dos “espia-maré”, agarrava-se ao limbo indefinido que lhe desenharam os seus ‘assessôres’, os seus espíritos-santos-de-orelha e fingiam que optavam. . . Optavam pela sabedoria marota e pela prudência apavorada, e asnática, do ‘neutralismo’ …”

      Emil Farhat
      “O País dos Coitadinhos”
      Terceira Edição – pags. 276/277 (português original)

      “Muito mais do que o número elevado de legendas parti¬dárias – que existia antes do Ato Institucional n.0 2, de 27 de outubro de 1965 – o que mais provava a inconsistência dos partidos era a fluidez ideológica, o estado pastoso, senão gasoso, em que deixavam flutuar os seus princípios no ambiente político nacional.
      O amoleirado espírito de apaziguamento com os trânsfugas internos e um doentio oportunismo face às perspectivas ou con¬junturas político-eleitorais -desfiguravam a fisionomia espi¬ritual dos partidos, e os recheavam de estranhos corpos e anticorpos, de vírus e antivírus, numa teratológica convivência de contrários e inimigos íntimos…
      Assim, o que principalmente deteriorava o respeito e a autoridade dos partidos, e de seus líderes, era, paradoxalmente, o que êles próprios NÃO eram. Era a sua juvenil preocupação de (para evitar os ataques do adversário, ou para morderem de suas mesmas fatias) acobertarem-se sob a égide dos mesmos princípios que êle defendia -embora não fôssem primitiva¬mente os seus.”

      “O País dos Coitadinhos”
      Terceira Edição – pag. 278 (português original)

      “Dentro ainda das próprias cidadelas do govêrno, era intencionalmente criada e cultivada uma inacabável desigualdade de salários, soldos e vencimentos, entre funcionários dos três po¬dêres. Assim, havia margem para que se pusesse em moto perpétuo um também interminável processo de reajustamento e equiparação de salários entre categorias semelhantes. Pois, ao fazer-se de tempos em tempos o confronto das remunerações, sempre se descobriam novos desajustes e injustiças, aos quais se sucediam novos movimentos reivindicatórios dos novos injus¬tiçados, visando a nôvo nivelamento…”

      “O País dos Coitadinhos”
      Terceira Edição – pag. 348 (português original)

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      • LSB disse:

        “Por isto, quando em setembro de 1963, o novíssimo navio mercante do Patrimônio Nacional ‘Anna Nery’ se chocou com um petroleiro da Petrobrás à entrada da Guanabara, nenhum jornal se deu ao trabalho de comentar ou estranhar êste escân­dalo técnico, também de proporções mundiais: fretado para levar 70 (setenta) turistas a Israel, o reluzente ‘Anna Nery’ o fazia graças aos ‘exaustivos esforços’ de 230 (DUZENTOS E TRINTA) tripulantes! …

        É sabida a história dos 6 ou 8 navios mistos (cargas e passageiros) que o Lloyd encomendou à Polônia nos últimos anos da década de 50. Cada navio deveria ter 10 camarotes para passageiros. Foram, porém, eliminados os camarotes. Pois, se os alojamentos destinados aos marujos não davam nem para metade da tripulação que cada navio devia lotar, ‘por lei’!

        Anos atrás, um antigo e modesto funcionário do Lloyd que, esforçando-se e estudando, se tornou um dos grandes tri­bunos da liberdade – o deputado Adaucto Lúcio Cardoso – postulava votos numa reunião em casa de simpatizantes e prestava êste depoimento: ‘Enquanto um navio carvoeiro in­glês ou norueguês ou belga ou liberiano, de aproximadamente 5 000 toneladas, tem 29 homens de tripulação, os nossos com a mesma tonelagem e para a mesma finalidade têm cêrca de 80!’

        Quando o leitor vir no pôrto de Belém ou de Manaus, um bojudo ‘motor’, dêsses que sulcam os igarapés da Amazônia, puxando, como se fôra um sobressalente, um pequeno barco em que vão alguns homens, fique desde logo sabendo que aquêles cavalheiros rebocados são os excedentes da tripulação legal, e ali vão espiando os outros trabalharem, porque a lei ‘manda’ que haja aquêle excesso, que o próprio barco-motriz não comporta.
        Enquanto se precisa redistribuir o espaço interno dos navios mercantes brasileiros para comportar a quase única CARGA que podem levar – seus tripulantes . . . – , o mesmo acontece com as ferrovias.”

        Emil Farhat
        “O País dos Coitadinhos”
        Terceira Edição – pags. 92/93 (português original)

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  • Olavo Leal disse:

    Sobre o que foi escrito após meu comentário de 17 Jan / 12:10hs:
    1) Reitero que quase todos os comentários deixam de lado o ambiente da Guerra Fria, em decorrência da qual países da OTAN (e seus agregados ou simpatizantes, como o Brasil) – defensores dos valores greco-judaico-cristãos – enfrentaram o Pacto de Varsóvia (PV) e seus agregados – que abominavam aqueles citados valores.
    2) O grande plano do PV era assenhorear-se da África e por fim do Brasil, de onde exportariam a revolução para toda a América do Sul, Central e Caribe, esmagando assim os EEUU e a Europa Ocidental.
    3) Esse foi o ambiente que motivou o Período Militar, com um absolutamente necessário governo forte, cuja centralização deu oportunidade a que o País – além de livrar-se da utopia comunista – desse um enorme salto de qualidade de vida, fruto dos investimentos em sua infraestrutura. (O Brasil vem sendo centralizado, política e economicamente, desde a revolta dos Tenentes [1922?], tendo atingido o auge no período Vargas – 1930-45.)
    4) Só se soube o número exato de guerrilheiros após combatê-los. Muitos fugiram ou foram mortos pelos próprios companheiros, vítimas de justiçamentos. Falar sobre esse número alguns anos – ou décadas – após revela uma certa intenção de denegrir os militares, que, em qualquer análise, defendiam a Nação e seus valores.
    5) Geisel, penúltimo governante do Período Militar, já havia indicado que esse período se findaria com o governante seguinte – que veio a ser Figueiredo, o qual promoveu o retorno à normalidade institucional até 1985 -, já antecipando o fim da “esquecida-pelos-esquerdistas” Guerra Fria, com a queda do Muro de Berlim, em 1989.
    6) Como sempre o fizeram durante a Guerra Fria, e continuam fazendo, os militares analisavam a situação – nos campos político, econômico, social e militar (ou de segurança) -, levantando as diversas linhas de ação (com seus “prós” e “contras”) e optando por aquela que melhor respondia ao problema.
    7) Respeitosamente, solicito ao Sr LSB que reveja o Art 142 da CF/1988. O que ele definiu como missão dos miliares é apenas parte do que está ali expresso. Isso vale, com pequenas alterações, para todas as CF anteriores, desde a de 1891.
    8) Por fim, por que se imputar aos militares as idiossincrasias e idiotices assentadas no texto da CF/88 – a “Cidadã” -, escrita sob a égide de um bando de esquerdistas impatriotas? Aquilo deu no que estamos vivendo!!! Se deram mais direitos que deveres aos cidadãos, que culpa têm os militares? Não seria mais correto imputá-las a quem livremente as escreveu e as aprovou, após consulta popular?

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    • LSB disse:

      Prezado Olavo

      Reitero que nenhum país precisou “centralizar e estatizar” (ou criar centenas de estatais) para se posicionar na Guerra Fria (ou para se defender dos comunistas).

      No entanto, concordo contigo que a centralização não se iniciou com os militares (1964). Isto vem deste a mudança da Coroa Portuguesa para o Rio em 1808.
      (mas os militares não apenas não mudaram isso, como, inclusive como o senhor reconhece, aprofundaram a centralização e o “estatismo”).

      Também não tenho dúvidas de que os militares “analisavam a situação – nos campos político, econômico, social e militar (ou de segurança) -, levantando as diversas linhas de ação (com seus “prós” e “contras”) e optando por aquela que melhor respondia ao problema”.

      (só faltava não analisarem nada e jogarem nos dados. Ou analisarem e escolherem o caminho que achassem pior…)

      No entanto, acho que analisaram errado: o campo de batalha já tinha se mudado para as Universidades e meio cultural (imprensa, cinema, revistas, tv, etc.) e os militares focaram as guerrilhas (que praticamente já não existiam mais… depois da década de 60, nenhum “guerrilha” chegou ao poder como haviam chegado Fidel, Mao, bolcheviques)

      Enfim, erraram (feio?) na análise política.

      No mais, conheço o artigo 142 da CF/88, só que NÃO CONCORDO com ele. Simples assim. A Lei nem sempre está correta.
      (aliás, se for para assumir que a Lei está sempre correta, não há muito que reclamar do Brasil, pois quase todos – ou todos mesmo? – absurdos são feitos “dentro da lei”, “respeitando a lei” ou “executando o que a lei manda”)

      Quando ao último ponto, aconselho ao senhor, também respeitosamente, a refletir sobre a “dinâmica” da política e também sobre psicologia de massas. O próprio fato de terem sido eleitos um “bando de esquerdistas impatriotas” já foi um efeito do regime militar.
      (todo mundo era de “esquerda”. Ninguém tinha coragem de se dizer “de direita”; “conservador” ou “capitalista” e, em boooooa medida, porque ninguém queria ser associado / vinculado ao regime militar).

      Abs
      LSB

      PS: e os militares não nos livraram da “utopia comunista”, pois o que mais temos aí é políticas / mantras / filosofias / discursos políticos / leis EXIGINDO, PREGANDO, DEFENDENDO, IMPONDO LEGALMENTE a igualdade de modo radical, irreal, utópico e totalmente dissociado da vida real (utopia comunista, só que mais “discretamente”: sem usar o termo “comunista”).

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      • Olavo Leal disse:

        Caro Sr LSB:
        Observe que todos, absolutamente todos, os seus comentários, passam ao argo da “Guerra Fria”. Os militares nos livraram, sim, da utopia comunista. Caso contrário, não estaríamos aqui discutindo livremente. Estaríamos lendo, só lendo, o que um Pravda ou Gramma nos impusesse.
        Saudações

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    • LSB disse:

      Complementando:

      Pode-se até alegar que a “leitura” política equivoca feita pelos militares na década de 60 teria sido inevitável. Que qualquer um cometeria tal erro. Que, aparentemente, havia riscos de guerrilhas, etc.

      Ok. Talvez o erro fosse até inevitável ou imperceptível (não vou ficar discutindo isso), mas isso não muda o FATO DE QUE ERRARAM.

      De boas intenções o inferno está cheio. Creio que mais de 90% dos erros cometidos na humanidade tinham, em sua origem, boa intenção ou foram decorrentes da análise possível no momento em que foram cometidos.
      Mas são erros… (perdoáveis ou não.. compreensíveis ou não… justificáveis ou não…)

      Para ficar bem claro o tanto que o regime militar foi danoso ao país, basta observar que tal regime:

      (1) consagrou os “esquerdistas” da década de 60 como “heróis nacionais”;

      (2) conseguiu fomentar uma quase unanimidade de que que só a “esquerda” salvaria o país (e de que suas políticas seriam a “redenção” ou “tábua de salvação” da Nação); e

      (3) legou / provocou 3 décadas de governos de esquerda (social democracia).

      Enfim, politicamente, alcançaram exatamente o oposto do que pretendiam (ERRARAM, portanto): ao invés de acabarem com a esquerda (comunistas), fizerem proliferar esquerdistas e, ao invés de evitar que assumissem o poder, “asseguraram” 3 décadas para eles (por pura aversão ao que seria “direita”, “conservador”, “reacionário”, “capitalista” – e sendo que tal “aversão” / “ranço” foi gerado pela existência mesma do regime militar)…

      Abs
      LSB

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      • Olavo Leal disse:

        Caro Sr LSB
        ACERTARAM , sim, na mosca, ao nos livrarem, À ÉPOCA, da ameaça comunista DECORRENTE da Guerra Fria, no que foram altamente eficientes.
        O que veio depois é outro problema. Toda ação tem consequências, que podem ou não ser combatidas. Na Colômbia, o Exército não combateu convenientemente a guerrilha e deu no que deu, ATÉ HOJE!!!!
        Analisar décadas após e apontar os erros de 30 ou 40 anos atrás é fácil.

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      • LSB disse:

        Prezado Olavo

        “Analisar décadas após e apontar os erros de 30 ou 40 anos atrás é fácil.”

        Fácil ou difícil, não sei. Mas extremamente NECESSÁRIO para não se repetir os erros (e até para evitar erros “novos”, porém similares).

        ” Toda ação tem consequências, que podem ou não ser combatidas.”

        Nem todas as consequências são evitáveis ou passíveis de “combate”. Na política há “timings” que não são passíveis de serem “alterados”.

        E não tenho tanta certeza quanto à EFETIVIDADE da “ameaça comunista” (sim, ela existia… a UNE pregava revolução socialista todo “santo dia”, mas não sei se havia “efetividade”, ou ameaça “real”… em outras palavras, não sei se teriam capacidade para tanto)

        Abs
        LSB

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      • LSB disse:

        Ah, a Colômbia sofre (e vem sofrendo há décadas) com a guerrilha, mas não se tornou comunista…

        Às vezes me questiono, por pura honestidade intelectual, se um regime democrático (ou se todos) é (são) capaz(es) de combater guerrilhas.
        (ou se somente democracias consolidadas e estruturadas o sejam…)

        Peru, por exemplo, não se livrou do Sendero Luminoso democraticamente (foi o regime autoritário e meio ditatorial do Fujimori que acabou com os guerrilheiros).
        (Poderia ser diferente?)

        No entanto, questionamentos teóricos à parte, tudo isso não impede que eu analise (e veja “frutos” positivos e negativos de um regime qualquer, inclusive um regime militar*)

        Abs
        LSB

        * No caso do Brasil, vejo uma séria de consequências negativas e somente uma, TALVEZ, positiva (ter evitado um regime comunista – possivelmente).

        Curtir

      • LSB disse:

        Vou fazer um “mea culpa” nessa discussão toda:
        Se, se, se o regime militar tivesse entregue o país “tinindo”, “bombando”, “crescendo a ritmo chinês”, o protagonismo da “esquerda” seria muito menor do que foi no pós 85, mas…

        (sem entrar na discussão das causas…)

        Abs
        LSB

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    • LSB disse:

      Prezado Olavo

      “Observe que todos, absolutamente todos, os seus comentários, passam ao largo da ‘Guerra Fria’. Os militares nos livraram, sim, da utopia comunista. Caso contrário, não estaríamos aqui discutindo livremente. Estaríamos lendo, só lendo, o que um Pravda ou Gramma nos impusesse.”

      O que não falta é censura nesse país.
      Agora, não da forma “tosca” que os militares impuseram, mas sim da forma “sutil” que foi “desenvolvida” nas universidades nas quais os militares não viam inimigos ou comunistas.

      O que não falta hoje é gente sendo processada por “preconceito” por não concordar com os “mantras” e “filosofias” dos “bem pensantes” / “progressistas” / “acadêmicos” (isso é sim é CENSURA e PERSEGUIÇÃO política).

      Aliás, existem “mil” publicações no Brasil, mas tudo é tão “pensamento único” que todas as manchetes parecem iguais e todas as opiniões e posicionamentos políticos são praticamente iguais. Todos defendem os mesmos pontos (ao menos, o “mainstream”)…

      A “censura” e o “pensamento único” estão aí, mas de uma forma politicamente sutil – e sutileza política é coisa que parece que militar desconhece.

      (taí o Bolsonaro, no qual votei, para provar a tese. Um exemplo: a desobrigação de publicação de balanços em jornais é absolutamente válida do ponto de vista econômico e operacional, pois não faz mais sentido atualmente… mas o “jênio” político foi dizer que era para “punir” a imprensa… TOSCO e BURRO… politicamente, mesmo quando você faz algo para prejudicar alguém, você tem que defender de pés juntos que essa não era a intenção… Bolsonaro tinha “mil” razões econômicas para tomar tal medida, mas foi justificar alegando ser uma “punição” à imprensa: enfim, um elefante em loja de cristais)….

      Enfim, os militares podiam até ter tido boas intenções, mas erraram…
      Aceitar e defender com unhas e dentes os erros dos comandantes é coisa de militar… (e isso é uma “senhora” diferença de regimes militares para a “democracia”).
      Não sou militar, daí que posso até “entender” o regime militar, mas isso não impede que eu ache que erraram…

      No mais, não é certo que o Brasil cairia no comunismo, mas é certo que a “alma comunista” não morreu no Brasil… como já disse, não faltam políticas / mantras / filosofias / discursos políticos / leis EXIGINDO, PREGANDO, DEFENDENDO, IMPONDO LEGALMENTE a igualdade de modo radical, irreal, utópico e totalmente dissociado da vida real (utopia comunista, só que mais “discreta”: sem usar o termo “comunista”… mudaram o nome de “comunista” para o eufemismo “igualdade social” e os inocentes acreditam que não existe mais “comunismo.”..)

      Abs
      LSB

      ps: para exemplificar o tamanho do erro dos militares, como o senhor colocou, “só se soube o número exato de guerrilheiros após combatê-los”. Sério que começar um “combate” / uma “guerra” sem ter noção do tamanho da tropa inimiga é um “acerto” militar? Não seria um ERRO básico ou crasso mesmo?

      ps2: “Falar sobre esse número alguns anos – ou décadas – após revela uma certa intenção de denegrir os militares, que, em qualquer análise, defendiam a Nação e seus valores.”

      1 – Sério que só posso aplaudir os militares? Isso não seria coisa de militares submetidos à hierarquia militar? (onde a ordem e a hierarquia estão acima de qualquer erro, por mais grotesco que seja o mesmo?)
      Em suma: ou defendo com unhas e dentes TUDO que os militares fizeram OU estou de má intenção (denegrir a imagem dos militares)?
      (não posso achar que erraram independentemente de avaliar se foi um erro justificável ou não?)

      2 – Nunca falei que os militares não estavam defendendo a “Nação e seus valores”, mas só por isso eles estavam certos? Não poderiam ter errado na “defesa”?

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  • Olavo Leal disse:

    Sr LSB:
    Que bom que o Sr admitiu a existência da Guerra Fria.

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    • Olavo Leal disse:

      P.S.: 1) Em momento algum escrevi – até porque não penso assim! – que o Sr teria obrigação de se posicionar (ou de se expressar) SOMENTE a favor dos militares (não sei de onde o Sr tirou essa ideia). A alusão ao Pravda ou Gramma foi apenas para simbolizar que não teríamos liberdade de expressar nossas opiniões, caso o comunismo tivesse concretizado sua implantação no País, no período da Guerra Fria. Não me referi, portanto, ao período posterior.
      2) Não havia como precisar o número de guerrilheiros e subversivos – em armas ou não – existentes à época, como não há como precisá-lo HOJE, em qualquer país onde se desenvolva guerrilha.

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      • Olavo Leal disse:

        P.S.: 3) Tb em lugar algum escrevi que os militares se propuseram a extirpar o comunismo do País, definitivamente. O objetivo sempre foi evitar a sua implantação no Período Militar. O que veio depois – comunismo ou não – não foi motivo de meus escritos acima.
        4) Não me detenho a ler o que se escreve sobre o Período Militar sem que o autor se coloque, claramente, no ambiente da Guerra Fria – ou seja, entre o fim da II GM e a queda do Muro de Berlim. Escrever hoje sem se colocar no ambiente temporal é vaguear por ideias e ideais pouco efetivos.
        5) Sobre os militares e a política – os mesmos não são formados para esse campo, isso é claro; daí o governo forte de 1964 a 85 -, uma historinha: numa reunião social, alguém perguntou a um militar qual a diferença entre damas, diplomatas e militares. Este respondeu: “É fácil: Se uma dama diz não, é talvez; se diz talvez, é sim; se diz sim ,não é uma dama! Se um diplomata diz sim, é talvez; se diz talvez, é não; se diz não, não é um diplomata! Se um militar diz sim, é sim; se diz não, é não; se diz talvez, não é um militar! Tudo simples, assim.

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      • LSB disse:

        Prezado Olavo

        Ok.
        Concordamos que o comunismo é um modelo político nefasto e trágico.

        Todavia, acho que dificilmente o comunismo (com guerrilhas, revoluções, etc.) iria ser implantado no Brasil (ainda que houvesse UNE e outros radicais pregando isso no país). Já tinha passado a época (embora talvez isso não estivesse claro ou óbvio) e também o número deles (revolucionários) era muito, muito baixo para um país continental como o nosso*.

        Não vou discutir se o erro era ou não evitável (muitas pessoas, instituições, etc. apoiaram). Talvez a situação fosse muito “opaca”, “turva”, “nebulosa”.
        Mas hoje fica claro que foi um erro político (ainda que seja “fácil” analisar depois de 40 anos)… (e que teve consequências “pesadas” à nossa Nação).

        Quanto ao número de guerrilheiros, obviamente, não há “cadastros” oficiais, fichas de inscrição, etc.; mas é possível estimar e isso se chama “inteligência” (que talvez à época não estava desenvolvida ou não foi ouvida… sei lá).

        E mais um ponto:
        “Não havia como precisar o número de guerrilheiros e subversivos – em armas ou não”.

        “Subversivos” sem armas na mão não é motivo para repressão. Pelo contrário, em uma democracia com liberdade de expressão, em uma sociedade aberta, sempre aparecerão ideais e pessoas “subversivas”. Não há mal algum nisso se não há “violência”: tentativas de tomada de poder por armas, extorsões, violência, etc. Faz parte…
        Ideias se combate com ideias.

        No mais, ri muito com sua anedota (já inclui no meu repertório). De fato, nada impede que um militar se torne um grande político / estadista; no entanto, a formação militar não é mesmo a mais adequada para se fazer política.

        abs
        LSB

        * Países continentais são diferentes de países pequenos (“dinâmicas político-econômicas”, forças, “fraquezas”, “psiques”, entre outros aspectos)…
        O próprio regime militar somente se sustentou porque, com a exceção das capitais (e provavelmente uma ou outra grande/importante cidade, como Campinas, por exemplo), não “havia regime militar”. No interior a vida seguiu como sempre. As pessoas viviam com sempre haviam vivido, falavam o que queriam falar, etc. (prefeitos eram eleitos e militar só havia em “tiros de guerra).
        Se o “regime militar” tivesse a intenção de mudar realmente o modo das pessoas viverem (como um comunista tentaria fazer), o “bicho ia pegar”. O povo brasileiro não iria aceitar e, para levar a cabo um “projeto” como esse, teria que haver uma estrutura de repressão do tipo “soviética” / “chinesa” / “norte coreana” para conseguir enquadrar… e não sei se conseguiria (militares ou qualquer outro grupo), pois, ao contrário daqueles países, nos quais os “povos” já possuíam históricos de “servilismo” desde sempre, os brasileiros já eram (e são) bem mais “acostumados” com as liberdades civis.

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