Dispensados da diversidade
5 de dezembro de 2013 § 4 Comentários
Vejo outra vez a discussão na TV do importante tema da compartimentação dos grupos e estilos de pensamento nas redes sociais e o perigo da realimentação permanente das suas próprias ideias a que frequentar grupos não diversificados pode levar, resultando numa crescente intolerância e, consequentemente, na radicalização política.
Outra vertente desse mesmo problema é o chamado “fator Google” que consiste na montagem de dossiês minuciosos cobrindo todos os passos da vida de cada indivíduo no planeta a que todos os sites que eles frequentam na rede se dedicam e, mediante o processamento desses dados por algorítimos, alimentá-lo cada vez mais de “si mesmo” nas sus buscas pela rede e na excitação da sua “libido aquisitiva”.
É, de fato, um problemaço e os efeitos práticos dessa nova máquina de realimentar egos já se fazem sentir por todos os lados, especialmente no que diz respeito às gerações pós internet que nunca viveram outra realidade.
A compartimentação das relações entre pessoas nas redes sociais corresponde exatamente à compartimentação das relações entre pessoas na vida real. De modo geral, elas constituem o seu círculo de amizades entre pessoas que se parecem com elas pelo menos nos limites éticos que se impõem e nos padrões comportamentais que adotam, o que aponta também (mas não necessariamente) para a afinação ideológica.
Até aí tudo normal.
Mas na vida real as pessoas cruzam o tempo todo com quem não se parece com elas. Isso porque, para “se relacionar” com “o outro”; para evitar a solidão que é diferente da solitude e que o ser humano não suporta, elas eram obrigadas a sair de casa. E assim que punham o pé na rua para ir às compras ou ao trabalho e frequentar a cidade para o que quer que fosse expunham-se e confrontavam-se necessariamente e o tempo todo com toda a diversidade que caracteriza as comunidades humanas.
Até para procurar o seu igual o cara era obrigado a se expor ao diferente.
A vida real, portanto, aguça o espírito crítico porque a diferença se apresenta e até se impõe o tempo todo às pessoas. De repente você cruza com uma vida totalmente diferente da sua e vê que ela pode dar certo; de repente você até se apaixona por alguém exatamente porque ela é o seu oposto, ainda que dentro dos seus limites de tolerância comportamental, e isso desafia e exerce um certo fascínio…

Mas nas redes consegue-se escapar à solidão e estabelecer relações humanas sem ter de sair de casa; sem ser forçado a se expor ao diferente. Um sujeito pode passar a vida inteira “se relacionando”, sempre no nível da abstração racional, não espontânea e regulável, o que na vida real, regida pela espontaneidade ou no mínimo traída pelas manifestações dela, mesmo as reprimidas, era impossível fazer.
É nessa dispensa da obrigação de atravessar o oceano da diferença, ainda que para procurar o igual, que mora o perigo.
Vamos ver que tipo de humanidade resultará dessa nova ecologia.


Importante enfoque sociológico a ser analisado. Há realmente o risco de isolamento das pessoas em seu mundo virtual, evitando o relacionamento “analógico”, pessoal, direto. Estas correm o sério risco de formarem grupos, gangs sectárias, radicais, violentas e antissociais.
“Vamos ver que tipo de humanidade resultará dessa nova ecologia”
Seguramente um tipo intolerante e altamente teórico, para começo de conversa.
Sinal dos tempos, essa intolerância me recorda o início do nazismo.
Um tema totalmente pertinente… É realmente assustador o caminho apontado pelas atuais relações virtuais – em especial das gerações mais jovens-, que distorcem as vivências afetivas e criam redes alienadas do restante do mundo, com prejuízo do contato com o contraditório. Como amadurecer como pessoa nesse mundo artificial?
Como sempre após a leitura de seu blog, recebo vídeo pertinente:
http://www.youtube.com/watch?v=_OsjSx82iAU#t=79
Tribos diferentes, somos todos um, e a tolerância é a via de harmonização.