Quem venceu a eleição americana?

28 de janeiro de 2021 § 25 Comentários

O NYTimes noticiou no fim-de-semana que Mark Zuckerberg, o dono do Facebook e do Instagram, “convocou a Suprema Corte das suas redes sociais” para reavaliar sua decisão de banir para sempre o ex-presidente Donald Trump e as redes de mensagens através das quais se comunicavam os seus apoiadores. 

É mais uma etapa do processo de “obsolescência planejada” daquela democracia fundada pela Constituição assinada por “We, the people”, em 1788 que, na 1a Emenda do seu segmento conhecido como “Bill of Rights”, proíbe o Estado americano de dizer que tipo de crença é boa ou ruim, e de cassar a palavra a quem quer que seja.

Se os Estados Unidos da América não podem fazê-lo, Mark Zuckerberg e as empresas privadas podem. Quem se importa, portanto, com o processo do congresso dos representantes eleitos do povo para o impeachment futuro do presidente pretérito? Ou com o que possa vir a decidir a respeito a outra Suprema Corte se e quando for acionada? Qualquer que seja a sentença dessas instituições obsoletas será anulada de facto se destoar da já passada pelos cinco donos do FATGA (Facebook, Apple, Twitter, Google e Amazon): existirá, politica e economicamente, quem eles concederem voz e canal para trabalhar; simplesmente deixará de existir quem for “cancelado” das redes…

Este o quadro simples e objetivo do atual estado da democracia moderna no seu berço de nascimento que levou o historiador britânico Niall Ferguson a afirmar em artigo recente que os “novos governantes”, que é como, já em 2018, um artigo da Harvard School of Law chamava os donos do FATGA, “foram os verdadeiros vencedores da eleição de 2020” pois, “com essa demonstração de força incontestada as companhias, que transformaram a rede mundial, de uma plataforma originalmente descentralizada num ambiente hierárquico oligarquicamente organizado cujo acesso eles controlam e que exploram para fazer dinheiro e comprar poder”, estabelecem, agora oficialmente, “uma dominância sobre a esfera publica inédita na História desde a que teve a Igreja Católica de antes da Reforma Protestante”.

Definida a nova fonte primária do poder, a história se repete. Estabelece-se um sistema de cooptação e proteção mutua entre o(s) papa(s) (da internet) e os reizinhos locais (nacionais), cada um com seus respectivos cardeais e barões, para o estabelecimento de mais um “reich de mil anos”…

Ferguson abria seu artigo citando George Orwell que dizia que “Enxergar o que está diante dos nossos narizes requer uma luta constante”. O que está vendo hoje quem ainda quer enxergar é o fim de um processo que começou com a reforma do Telecomunications Act de 1996 que derrubou as barreiras antitruste na industria da informação, primeiro passo para a derrubada das barreiras antitruste de todo o resto da economia americana. Elas proibiam a propriedade cruzada de jornais, rádios e televisões assim como o controle de mais de 35% da audiência em cada praça em nome da proteção da diversidade de informação e de opinião sem as quais a democracia por definição não existe. É na famosa “Seção 230” dessa mesma lei que inscreveram-se, inadvertidamente, as 26 palavras que fizeram da internet o monstro em que se transformou ao isentar os donos de plataformas de rede de responsabilidade legal pelo que se publica nelas sem no entanto impor-lhes qualquer obrigação quanto a garantias de livre acesso do publico a elas. 

Não se imaginava então que as redes seriam o que são mas, de lá para cá, a Seção 230 ganhou o efeito prático de uma licença para roubar e, da propriedade cruzada de todos os meios de comunicação velhos e novos evoluiu o FATGA para a deglutição de todas as gravadoras, teatros, livrarias, arquivos públicos ou privados e bibliotecas, primeiro, e para a propriedade das lojas de tudo; das invenções, dos passos e dos segredos de cada um de nós; dos meios de processamento do sistema financeiro planetário e de pagamento das transações da internet (alguns já estão na fila até para emitir moeda virtual) e do próprio esqueleto físico (o backbone) que mantém as redes sociais em pé. 

A reformulação do Telecomunications Act coincidiu com a globalização virtual dos mercados e a inundação do Ocidente pelos produtos dos monopólios larápios do capitalismo de estado chinês e seus pupilos e assemelhados (entre estes o próprio FATGA), que não respeitam nenhuma lei nacional, internacional ou humanitária senão a que amanhece na cabeça do dono de plantão do partido único, das forças armadas e de todos os meios de comunicação e de produção da metade do mundo vítima do socialismo que cada um deles distribui como quer aos barões que aceitam comportar-se como barões. 

Hoje os Estados Unidos e o mundo inteiro amargamente sabem que as “reduções de custos” dadas pela “escala de produção” são obtidas mediante a redução dos salários em níveis só possíveis mediante o esmagamento da liberdade de escolher patrões e fornecedores garantido pela crescente monopolização da economia, mas é tarde. O Ocidente entregou sem luta os milênios de sangue, suor e lágrimas que lhe custaram a substituição da lei da selva pela arquitetura de proteção legal à dignidade e ao valor do trabalho que definiram o ápice da sua civilização. Em vez de proteger suas conquistas condicionando o acesso aos seus mercados ao respeito a elas, achinezou o seu mercado de trabalho e o seu ambiente empresarial, o que agora requer o achinezamento do seu sistema político que os xi jinpings da internet que se permitiu abrigar em seu seio estão se deixando docemente constranger a providenciar. 

Desde o primeiro momento enxerguei no start de 1996 um final parecido com este, como poderão conferir os leitores do Vespeiro na transcrição publicada aqui da conferência “A ameaça da imprensa corporate”, de 2005 (neste link). Mas o processo foi quase absolutamente ignorado pela imprensa do mundo inteiro que, produto de empresas familiares despedaçadas pelo ataque predatório das redes sociais num momento de troca de gerações, entrou em colapso pela combinação da ocupação de suas diretorias por neófitos alheios à função institucional do jornalismo e o consequente aparelhamento ideológico das redações.

A famosa “tempestade perfeita”…

Fazer as coisas voltarem ao trilho da civilização não seria nenhum bicho de sete cabeças. O falso problema da “verdade” contra a “mentira” está superado, em termos filosóficos desde sempre, e em termos práticos desde 1788 e a 1a Emenda à Constituição americana já mencionada acima. Ou cada um tem liberdade para dizer o que quiser e escolher o que quer ouvir ou em que quer acreditar, ou quem for mais forte decidirá por todo mundo com poder de vida e morte sobre os dissidentes. A História não registra outra alternativa. E como as plataformas de rede da internet são, legalmente falando, um espaço privado, mas com funções e atribuições próprias do espaço público, o que tem de prevalecer para elas nessa matéria são as regras que valem para o espaço público no mundo físico e ainda estão inscritas na Constituição e nas leis americanas. Contra  o excesso de poder dos xi jinpings do FATGA e assemelhados, o remédio também é conhecido e testado nos Estados Unidos desde a virada antitruste do século 19 para o 20. Embora não seja uma panacéia como nada é, vai pelo mesmo rumo da legislação que, no seu primeiro grande embate, dividiu a Standard Oil em 34 companhias diferentes em 1911.

O problema a ser superado, entretanto, não é apenas o técnico, é, principalmente e como sempre, o da corrupção pelo poder adjacente ao processo de agigantamento das big techs. E este, sem imprensa, toda ela no bolso do FATGA e pedindo censura, nem Joe Biden, nem os dirigentes europeus, nem muito menos a pequena política e a intelligentsia que viveram os últimos 200 anos de tecer loas ao “trabalhador” hoje massacrado pelos monopólios que eles ajudaram a construir e dos quais agora dependem dão qualquer sinal de estarem dispostos a endereçar.

Mas este é o tema dos próximos artigos.

A vitória (temporária) dos ladrões

11 de junho de 2019 § 8 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 11/6/2019

A crise não é da democracia. A crise é do estado nacional e, como consequência, do modelo econômico que se apoia no ordenamento jurídico que o estado nacional garantia.

Falo do mundo, não do Brasil. O funcionamento do capitalismo (e a liberdade possível) depende da garantia do direito de propriedade. Foi esse o fundamento que caiu. Sem garantia da propriedade não se renova a capacidade do empreendedor, seja de que tamanho for, de financiar o desenvolvimento do seus próximos empreendimentos e a economia pára, o emprego desaparece, o salário míngua.

Hernando De Soto demonstra com dados objetivos no seu “O mistério do Capital: porque o capitalismo triunfou no Ociente e falhou nos outros lugares”, que a principal causa da pobreza do Terceiro Mundo nem é cultural, nem de falta de espírito empreendedor, nem de diferença na quantidade de trabalho investido (e muito menos da disponibilidade ou não de recursos naturais), é a falta de garantia do direito de propriedade. É especialmente para os mais pobres, obrigados a “refugiar-se de legislações defeituosas na informalidade onde todo trabalho investido transforma-se em capital mortoque não pode ser transacionado senão num padrão arcaico”,  que essa falha é mais funesta. “O pobre é quem mais precisa dessa garantia para poder apropriar-se do resultado da força de trabalho que investe, a única coisa que ele tem”.

De Soto lembra ainda que essa incerteza geral sobre o que é de quem só começou a ser revertida na Europa “favelão nacional” do século 18 em diante, a partir da revolução industrial, e mais tarde ainda nos Estados Unidos que, “na sua luta para fazer um território virgem converter-se numa nação levou a garantia da propriedade às últimas consequências”, o que explica o seu crescimento vertiginoso a partir da virada do século 19 para o 20, quando entregou a chave das decisões políticas a quem mais precisa dessa garantia. “O Terceiro Mundo é o que eles foram há 100, 200 anos. A verdade  é que a legalidade é a exceção. A extra-legalidade sempre foi a norma. A constituição de sistemas integrados de propriedade no Ocidente é um fenômeno muito recente”.

Com a entrada em cena da internet fazendo desaparecer fronteiras num mundo onde a ordem legal plenamente estabelecida é a exceção, o primeiro e o mais formidável dos desenvolvimentos proporcionados pela informática foi o da capacidade de roubar.

Dentro e fora dos EUA as mega-empresas de trilhão de dólares são invariavelmente os grandes ladrões: o Google que rouba deus e o mundo com a inestimável contribuição dos roubados, o Facebook que compete com ele nisso e na venda de informação roubada na diuturna tocaia de cada passo e cada palavra trocada pelos seus usuários, a Amazon, latifundiária do comércio que mata concorrentes e explora todo servo da gleba que tenha algo para vender no planeta, e mais as suas contrafações chinesas…

A China, onde o estado patrocina o roubo planetário (de ideias, de patentes, de desenhos, de tudo), tornou-se imbatível e vai comprando o mundo. No Ocidente os ladrões privados ainda enfrentam algum nível de resistência do estado. Têm de bandear-se literalmente para dentro do “território livre” da China para se tornarem ladrões competitivos, como demonstrou Tim Cook, o verdadeiro artífice do gigantismo da Apple conquistado com a isca do supply chain que, uma vez agarrada a vítima, revela-se um esquema de exploração  de trabalho vil padrão Foxconn.

Sem garantia da propriedade volta-se à Idade Média: é o fim da hegemonia do consumidor que “tinha sempre razão” (e principalmente escolha, que é o nome despido de poesia da liberdade), a morte do princípio antitruste, a concentração extrema da riqueza. A economia como um todo embarca no “efeito Jardim Europa”: cada vez menos gente comprando cada vez mais terrenos em incessantes “fusões e aquisições” até que sobrem só uns tantos castelos murados com os súditos subempregados e o crime à solta em volta, trocando trabalho, inovação e proteção por migalhas.

O embate cada vez mais irracional e furioso entre “direita” e “esquerda” é um eco do sofrimento que essa fissura do fundamento básico do sistema causa. O corre-corre sem saber pra onde no meio do terremoto no escuro. E vai puxado pela imprensa, uma das indústrias mais violentamente assoladas pelo pior lado das novas tecnologias.

Em pânico com o efeito da vitória esmagadora dos ladrões; nas mãos de um número minguante de patrões; inseguras quanto às causas reais da sua desgraça, a primeira reação das pessoas e das empresas é correr para dentro das muralhas dos castelos em busca de proteção.

Sair é que são elas. Mas desta vez, espera-se, não levará mil anos como da anterior.

US$ 4.7 bi, quase tanto quanto os US$ 5.1 bi de todo o resto da indústria da informação dos Estados Unidos somada, foi quanto o Google faturou sozinho em publicidade vendida em cima do noticiário que ele não produz segundo um estudo da News Mídia Alliance que representa mais de 2000 órgãos de informação americanos. O cálculo é, aliás, conservador porque não inclui o que ele ganha vendendo a espionagem dos hábitos de consumo de informação dos seus clientes, o filé mais caro do seu açougue.

Acovardados todos, só agora os donos do que o Google e a meia dúzia de gigantes da praça colhem sem ter plantado começam a reagir. Está no congresso dos EUA, depois de várias iniciativas da União Europeia com objetivos semelhantes, a Lei de Competição e Preservação do Jornalismo, equipamento imprescindível da democracia, que suspende por quatro anos os dispositivos contra a cartelização da legislação antitruste para permitir aos grupos de comunicação negociar conjuntamente com eles a exigência de pagamento pela venda dos seus produtos. A lei tem apoio de democratas e republicanos nas duas casas do Congresso, além do Departamento de Justiça.

É o começo de uma longa marcha que desta vez terá de ser levada pela comunidade humana como um todo, de modo que acabará por arrastar também a nós, como sempre, quae será tamen

Fake é a utopia cyber

11 de dezembro de 2018 § 33 Comentários

Nunca alimentei ilusões com a internet e as criaturas hiper-alimentadas da infância dessa tecnologia. O sonho de todo ditador é saber sobre todo mundo o que elas sabem. E a única condição para uma arma vir a ser usada contra nós continua sendo ela ter sido inventada um dia. A tecnologia sempre foi isso, desde o primeiro porrete. Multiplica, indiferentemente, as forças construtiva e destrutiva da humanidade, esta última em geral mais rápida e completamente que a primeira.

De “ruptura” em “ruptura” nossa espécie nunca rompe com sua própria natureza. O primeiro efeito das novas tecnologias é promover uma troca revolucionária dos donos do dinheiro, o princípio ativo do poder. Mas ele continua corrompendo sempre e mais absolutamente quanto mais absoluto for. Como a esperança é a última que morre e experiência não passa de pai para filho acontece sempre a mesma confusão. As primeiras ambições humanas a domina-las para chegar mais perto do sol, que é o que nos move nesta passagem, são festejados como os heróis de uma nova era e os precursores de uma “nova humanidade”.

O que alimenta essa ilusão é o nosso temor atávico ao competidor de melhor desempenho e, portanto, o gosto em vê-lo cair. O século 20, que elaborou em ideologias a justificação moral do ódio contra o vencedor de ontem, proporcionou aos vencedores de hoje a devolução do espaço sem limites que a democracia lhes tinha cerceado. Permitiu-se ao Google e ao Facebook tudo que a humanidade aprendera a proibir às companhias telefônicas e ao resto dos agentes econômicos no estado de direito. Em nome da “democratização do saber” foi autorizado aos primeiros detentores das artimanhas do algoritmo, que nunca as dividiram com  ninguém, espionar todos os movimentos, palavras e obras dos seus usuários e vender livremente o que assim conseguissem roubar-lhes. À Amazon todas as práticas de dumping e competição predatória de que a humanidade aprendera a proteger-se desde a disrupção do mundo a cavalo pelas ferrovias e o nefasto conluio dos donos delas com os robber barons para roubar o próximo. À Apple praticar livremente na China todas as formas de exploração da miséria e do trabalho semi-escravo que no mundo para o qual se destinavam seus produtos eram punidas com cadeia já havia mais de um século.

Da proteção da concorrência como garantia da liberdade individual – e a que condiciona todas as outras é a de poder escolher fornecedores e patrões – o mundo civilizado involuiu para o engodo da “democratização do consumo” pelo mel dos “preços baixos” dos produtos do roubo de ideias e do salário vil que, logo além da curva, não compra mais nada.

Estados nacionais inteiros, onde ele pode ser mantido pelo terror e pela violência, aderiram ao esquema. E a vertigem da marcha-à-ré e o medo do desemprego rebaixaram as ultimas defesas das classes médias meritocráticas, sustentáculo das democracias nos estados de direito. Hoje só sobrevive quem nasce para ser abduzido a bilhão para a nave mãe dos exploradores. Só os quatro gigantes compraram mais de 500 concorrentes na última década. São 50 anos de recordes de fusões e aquisições. US$ 3,3 trilhões, globalmente, só até setembro em 2018.

A etapa que se vai completando agora é o golpe de misericórdia. Começa em 2006 quando o Google adquire o Youtube. O vídeo dominaria a web, era claro, mas o problema técnico era insuperável. O volume de bits para imagens em movimento não cabia na rede que, em última instância, é física. Cabos de fibra ótica cruzando oceanos e continentes. O resultado era o buffering, videos que passavam aos trancos, cheios de interrupções. Entrega-los sem buffering passou a ser o objetivo nº 1 de toda a capacidade técnica que a ilimitada potência financeira do Google era capaz de comprar. O resultado foram as CDN’s, redes dedicadas, agora pertencentes a produtores de conteúdo que antes usavam a rede de redes menores conectando o mundo entre hubs e destes para distribuidores menores até o consumidor final, cada uma com um dono diferente, todas conversando entre si pela tecnologia de peering, espécie de tradução automática para uma linguagem técnica geral, tudo sob a lei sagrada, à qual todos juravam obediência, da “neutralidade da rede” segundo a qual era livre o ingresso de qualquer conteúdo em qualquer ponto do sistema e a ordem de entrega deveria corresponder à ordem de entrada.

Com as CDN’s tornaram-se possíveis as Netflix … que passaram a requerer muito mais CDN’s. E o cacife passou a ser proibitivo. Lá se foram as redes menores … lá se vai, agora, Hollywood inteira, depois do resto da industria do entretenimento. Hoje tres ou quatro gigantes são donos de todos os artistas. Pautam o comportamento do universo. Na torrente dos bilhões foi-se a net neutrality. Agora paga-se pela prioridade de chegada de cada bit enfiado no sistema. Quem paga menos chega por último ou nem chega. A própria rede, que “disrompeu” a ordem anterior em nome da libertação do povo e da arte da ditadura da propriedade privada é agora uma propriedade privada da escassíssima confraria do trilhão cercada de terra arrasada em todo o entorno competitivo.

E o mundo vê a novela que o Brasil já vira. Sillicon Valley compra o perdão de seus pecados declarando-se “de esquerda” e facilitando o “aparelhamento” do sistema lá de dentro dos seus mega-iates no grand monde. E o mais recente engodo é a demonização da fofoca, que predomina na nova praça pública virtual como sempre predominou em todas as praças públicas que já existiram. As fake news são o mais novo pretexto para matar a democracia em nome da salvação da democracia. É com elas que justifica-se a censura e reforça-se a ditadura comportamental enquanto os trilionários da rede compõem-se, nos bastidores, com as chinas da vida trocando tecnologia para a servidão por mais audiência e dinheiro.

E o pior é que estão por nascer os próximos shermans e theodore roosevelts, paladinos da luta antitruste que resgataram os Estados Unidos dessa mesma armadilha ha pouco mais de 100 anos, e que na próxima edição terão de ter uma envergadura planetária.

 

A reforma que contem todas as outras

27 de junho de 2018 § 16 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 27/6/2018

Em matéria de reforma de instituições a ordem dos fatores determina o resultado. O erro fundamental dos criticos do desastre brasileiro está em não discernir o que é causa do que é consequência do desvio essencial que produz e reproduz as instituições tortas que temos. Primeiro que esse “tortas” depende de quem olha. Para a “1a classe” elas estão funcionando exatamente como foram desenhadas para funcionar, menos pelo exagero do seu “acerto”. Mas da “2a classe” para baixo, perdem-se todos em desenhar, cada um segundo a sua área de especialização ou a ordem de prioridades com que elas afetam a sua atividade, listas de reformas tão extensas que no final, todos, mesmo os mais convictos da necessidade de cada uma delas individualmente, recuam de forçar o desencadeamento da mudança porque o país é um avião em voo, a vida é uma só e o risco de fazê-lo parar no ar é sempre maior que o de continuar voando mal.

É isso, mais que tudo, que tem garantido a continuação do que está aí.

Instituições servem a quem as desenha e detem o poder de instituí-las. E é isso, essencialmente, que está errado e precisa mudar no caso brasileiro. Se é o povo que queremos servido, é ao povo que devemos entregar a tarefa de desenhar e redesenhar; instituir e desinstituir as nossas instituições. O que nos faz falta é conquistar os meios de errar e aprender com nossos próprios erros em vez de seguirmos tangidos pelos erros alheios para encalacradas “petrificadas” no tempo e no espaço ou, definindo mais precisamente o que ocorre aqui, sendo obrigados a tragar eternamente os acertos dos bandidos para viver às nossas custas enquanto mantêm-nos impotentes para fazermos nossas próprias escolhas.

A unica instituição definitiva, deve ser a que estabelece o modo de promover e legitimar mudanças. Tudo mais deve ser desenhado para facilita-las mesmo porque toda “solução” é só o início do próximo problema e é de fundamental importância ter essa transitoriedade em mente pois o que determina a sobrevivência na arena da competição planetária, hoje como sempre, é a velocidade de adaptação à mudança.

Nunca foi fácil promover mudanças coordenadas e pacíficas. Na era da comunicação total, ironicamente, ficou ainda mais difícil. Estamos na idade do ouro do rancor. O ódio é o novo ópio do povo. O Google transforma os mais insignificantes deslizes do comportamento humano em manadas de dinosauros galopando desenfreadamente pela rede para todo o sempre, direcionados com a persistência dos algorítmos e a precisão do “microtargeting” para pisotear o nervo mais sensivel de todos que, no passado, no presente ou no futuro, manifestarem o menor sinal de sensibilidade a eles. Este viver sem o esquecimento cria tribos que as “polícias do pensamento” atiçam umas contra as outras, o que desperdiça toda a energia da cidadania em aprisionar em modelos institucionalizados comportamentos que, por definição, só podem ser realmente livres no espaço infra-institucional. E isso desvia o foco da coletividade da única condição que nos une a todos que é a de súditos semi-escravos da “1a classe”.

Nunca houve acordo com relação a um destino final de chegada para toda a humanidade e, desde sempre, “autoritário” é quem tenta impor o seu e “totalitário” quem criminaliza o destino escolhido pelo outro, seja um governo, uma ferramenta privada ou os dois juntos o instrumento dessa imposição. É perfeitamente possivel, no entanto, alcançar um denominador comum em torno de um “manual de navegação” das águas agitadas da diferença. A democracia moderna nasce exatamente da aceitação madura e tranquila da ausência de certezas. E a genialidade do sistema está em criar um arranjo de instituições absolutamente estaveis e seguras para dar a cada um a condição de processar do seu jeito a instabilidade e a insegurança inerentes ao estar vivo sendo parte de numa sociedade.

No sistema verdadeiramente democrático a única instituição “imexível” é a que define quem, exatamente, representa quem no panorama institucional, e os mecanismos de processamento das mudanças que podem e devem ocorrer em todas as demais ao sabor da necessidade. Como toda forma de governo, a “democracia representativa” também é uma hierarquia. E que os representados mandam nos representantes é uma noção inerente ao conceito de “representação”. A fórmula que permite operar essa hierarquia para a mudança com agilidade, segurança e legitimidade é a inventada pelos suiços ha mais de 700 anos que metade do mundo copiou nos ultimos 100: eleições distritais puras (federalismo) com retomada de mandatos (recall) e referendo de leis dos legislativos por iniciativa dos representados a qualquer momento.

É essa a reforma na qual o país tem de concentrar suas forças. Todo o resto com isso se constrói.

O cidadão deve ser o imperador absoluto da sua área de residência. A menor instância eleita de representação deve ser o conselho de direção da escola pública do bairro, constituido por pais de alunos moradores dele encarregados de gerir o dinheiro dos impostos que pagam para a educação de seus filhos. Ele deve contratar o diretor e cobrar-lhe desempenho. Um certo conjunto de bairros formará um distrito municipal que elegerá o seu representante para fazer as leis da sua cidade. Uma constelação de distritos municipais constituirá um distrito estadual e destes se farão os distritos federais. Todos os eleitos devem ser demissíveis a qualquer momento e suas leis revogáveis por votações de retomada de mandatos ou referendos convocados nos seus distritos.

Com todo mundo sabendo exatamente quem é quem, então sim, cada um segundo a sua necessidade, consultados os demais eleitores do distrito, ordenará ao seu representante que escreva e reescreva leis para ter ou não “escolas com partido”, funcionários estáveis ou não e mais ou menos bem pagos, impostos mais leves ou não, e para quê, juizes com mais ou menos poder de arbitrio, o crime tratado assim ou assado, constituições mais ou menos “petrificadas”, pessoas com mais, com menos ou com nenhuns “direitos adquiridos”.

Acaba o papo furado e a verdade passa a imperar.

Uma dúzia de desaforos

11 de dezembro de 2013 § 2 Comentários

a1

Repare o ar triunfante de Fernando Collor de Mello.

Para crimes de corrupção torna-se “de mãe” o coração do PT.

O próprio espírito do Ubuntu: “Eu roubo porque todos nós roubamos. Eu só posso continuar roubando se todos nós continuarmos impunes”.

Vá se acostumando, Madiba velho! Sua história já não é mais sua. Seu texto, agora, é “wiki”…

No mais o partido é muito rigoroso. Para todas as outras categorias de crime segue valendo mestre Getulio: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”.

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a6 

Não ha nenhuma lei de vigência universal impondo o dólar como a única moeda confiável do planeta. Os povos rapelados do mundo é que insistem em não acreditar em nenhuma outra.

Dá-se o mesmo com esse negócio da “hegemonia dos EUA nas Américas” que dona Dilma, ao lado de Raul Castro, disse lá na África do Sul que não admite mais: não são eles, que têm lá as suas chinas com que se haver, que se levantam contra nós; somos os cucarachos que, de livre e espontânea vontade, não paramos de nos rebaixar.

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a7

Diplomas de medicina são vendidos por entre 90 e 180 mil reais pelo Brasil afora, segundo materia especial mostrada pela Globo ontem de manhã.

Pra que tanto!?

Entrando na campanha da Dilma o cara ganha um jaleco branco e sai dando diagnósticos e emitindo receitas por aí de graça.

Principalmente se falar espanhol…

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a8

Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da casa que foi o QG da campanha da Dilma em 2010, contrata Erenice Guerra, ex-Casa Civil da “presidenta“, exonerada a bem do serviço público, para defende-lo no TCU em processo por superfaturamento em serviços prestados para o governo federal.

Cuidado! Isso dá AIDS!

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a10

O Facebook e o Google puxando um protesto mundial contra a espionagem na rede é como a dona Dilma, do PT da revanche, encomendando a alma de Nelson Mandela, o pai do perdão.

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a12

Pais rico faz metro; país pobre faz VLT suspenso, poluindo a paisagem.

Fernando Haddad, o petista bonitinho, nem isso: põe os trens no chão, dividindo a rua com os automóveis na porrada mesmo.

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a14

Um dos vascainos daquela pancadaria ja tinha matado um (com certeza, talvez dois) a pau e a ferro em estádios de futebol.

É o de sempre: não ha crime bárbaro no país que não tenha sido cometido por bandido preso pela policia e solto pela Justiça.

PS.: Também foi filmado distribuindo coices pelas arquibancadas um funcionário do governo do Paraná que, quando vereador, fez uma lei obrigando ao cadastramento de torcedores violentos. Quer dizer: de leis “as mais avançadas do mundo” o inferno brasileiro está cheio.

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a15

Acabou a moleza!

Prepare os seus filhos. Os shoppings vão ficar iguais às ruas. Neste país sem culpados a moda dos “rolêzinhos” tem tudo para pegar!

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a18

Tem uma briga rolando na Justiça. Os aposentados do Banco do Brasil merecem só 30 ou 45 mil reais por mês?

O Banco do Brasil tem 118-mil-a-po-sen-ta-dos!!! Quanta gente tem na ativa ninguém sabe. E, veja bem, todos fazem parte daquela turma que milita no PT e é vítima da “zelite”…

Por coincidência o maior empregador do pais aqui fora também é um banco: o Bradesco inteiro tem modestos 83 mil funcionários, todos tra-ba-lhan-do.

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a20

O presidente do Cade e sobrinho do Secretário Geral da Presidência da Republica, Vinicius Carvalho, anunciou uma “desfiliação retroativa” (a 16 de maio de 2008) do PT.

O sobrinho de tio Gilberto é aquele que costurou o acordo de delação premiada com o misterioso Everton Rheiheimer, da Siemens, para acusar vivos e mortos do PSDB e, a partir de agora, passa a te-lo feito despido de qualquer paixão partidária. Antes de ganhar o Cade ele trabalhava para o deputado Simão Pedro, o tal Secretario de Serviços (?!) de Fernando Haddad que disse e depois desdisse que foi ele que entregou a denuncia do alemão pra mídia, digo, pra polícia.

Depois de descobertas essas conexões, toda essa história contada pelos petistas também “retroagiu“. Aí o ministro da Justiça em pessoa assumiu que foi ele que desovou o pacote.

Foi então que descobriram que a tradução da “confissão” de Rheiheimer foi falsificada para enfiarem lá os nomes dos peessedebistas que não estavam no original. Será que Jose Eduardo Cardoso também vai retro-agir?

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a21

Romeu Tuma Jr. está lançando um livro para mostrar como funcionava a fabrica de dossies do PT (aquela dos “alaoprados”) que ele estourou. Também faz revelações sobre como os recursos arrecadados pelo falecido prefeito Celso Daniel, de Santo André (9 tiros no rosto) foram parar na campanha eleitoral do PT.

Secretario Nacional de Justiça do primeiro governo Lula, Romeu Tuma Jr. foi “fuzilado” logo depois de desvendar a falcatrua com a exibição de uma gravação de uma conversa sua com Li Kwok Kwen, chefão do contrabando de quinquilharias chinesas da 25 de Março e arredores a que algum jornal da época “teve acesso”…

O livro chama-se “Assassinato de Reputações” e o autor indiscutivelmente entende do assunto.

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a00Deus e o mundo estão na lista dos embarcados na roubalheira que rolava debaixo das asas de Gilberto Kassab.

Agora, ele mesmo o único roubo que confessa é o de deputados de partidos alheios. Mas como vender governabilidade pode…

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