A vitória (temporária) dos ladrões

11 de junho de 2019 § 8 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 11/6/2019

A crise não é da democracia. A crise é do estado nacional e, como consequência, do modelo econômico que se apoia no ordenamento jurídico que o estado nacional garantia.

Falo do mundo, não do Brasil. O funcionamento do capitalismo (e a liberdade possível) depende da garantia do direito de propriedade. Foi esse o fundamento que caiu. Sem garantia da propriedade não se renova a capacidade do empreendedor, seja de que tamanho for, de financiar o desenvolvimento do seus próximos empreendimentos e a economia pára, o emprego desaparece, o salário míngua.

Hernando De Soto demonstra com dados objetivos no seu “O mistério do Capital: porque o capitalismo triunfou no Ociente e falhou nos outros lugares”, que a principal causa da pobreza do Terceiro Mundo nem é cultural, nem de falta de espírito empreendedor, nem de diferença na quantidade de trabalho investido (e muito menos da disponibilidade ou não de recursos naturais), é a falta de garantia do direito de propriedade. É especialmente para os mais pobres, obrigados a “refugiar-se de legislações defeituosas na informalidade onde todo trabalho investido transforma-se em capital mortoque não pode ser transacionado senão num padrão arcaico”,  que essa falha é mais funesta. “O pobre é quem mais precisa dessa garantia para poder apropriar-se do resultado da força de trabalho que investe, a única coisa que ele tem”.

De Soto lembra ainda que essa incerteza geral sobre o que é de quem só começou a ser revertida na Europa “favelão nacional” do século 18 em diante, a partir da revolução industrial, e mais tarde ainda nos Estados Unidos que, “na sua luta para fazer um território virgem converter-se numa nação levou a garantia da propriedade às últimas consequências”, o que explica o seu crescimento vertiginoso a partir da virada do século 19 para o 20, quando entregou a chave das decisões políticas a quem mais precisa dessa garantia. “O Terceiro Mundo é o que eles foram há 100, 200 anos. A verdade  é que a legalidade é a exceção. A extra-legalidade sempre foi a norma. A constituição de sistemas integrados de propriedade no Ocidente é um fenômeno muito recente”.

Com a entrada em cena da internet fazendo desaparecer fronteiras num mundo onde a ordem legal plenamente estabelecida é a exceção, o primeiro e o mais formidável dos desenvolvimentos proporcionados pela informática foi o da capacidade de roubar.

Dentro e fora dos EUA as mega-empresas de trilhão de dólares são invariavelmente os grandes ladrões: o Google que rouba deus e o mundo com a inestimável contribuição dos roubados, o Facebook que compete com ele nisso e na venda de informação roubada na diuturna tocaia de cada passo e cada palavra trocada pelos seus usuários, a Amazon, latifundiária do comércio que mata concorrentes e explora todo servo da gleba que tenha algo para vender no planeta, e mais as suas contrafações chinesas…

A China, onde o estado patrocina o roubo planetário (de ideias, de patentes, de desenhos, de tudo), tornou-se imbatível e vai comprando o mundo. No Ocidente os ladrões privados ainda enfrentam algum nível de resistência do estado. Têm de bandear-se literalmente para dentro do “território livre” da China para se tornarem ladrões competitivos, como demonstrou Tim Cook, o verdadeiro artífice do gigantismo da Apple conquistado com a isca do supply chain que, uma vez agarrada a vítima, revela-se um esquema de exploração  de trabalho vil padrão Foxconn.

Sem garantia da propriedade volta-se à Idade Média: é o fim da hegemonia do consumidor que “tinha sempre razão” (e principalmente escolha, que é o nome despido de poesia da liberdade), a morte do princípio antitruste, a concentração extrema da riqueza. A economia como um todo embarca no “efeito Jardim Europa”: cada vez menos gente comprando cada vez mais terrenos em incessantes “fusões e aquisições” até que sobrem só uns tantos castelos murados com os súditos subempregados e o crime à solta em volta, trocando trabalho, inovação e proteção por migalhas.

O embate cada vez mais irracional e furioso entre “direita” e “esquerda” é um eco do sofrimento que essa fissura do fundamento básico do sistema causa. O corre-corre sem saber pra onde no meio do terremoto no escuro. E vai puxado pela imprensa, uma das indústrias mais violentamente assoladas pelo pior lado das novas tecnologias.

Em pânico com o efeito da vitória esmagadora dos ladrões; nas mãos de um número minguante de patrões; inseguras quanto às causas reais da sua desgraça, a primeira reação das pessoas e das empresas é correr para dentro das muralhas dos castelos em busca de proteção.

Sair é que são elas. Mas desta vez, espera-se, não levará mil anos como da anterior.

US$ 4.7 bi, quase tanto quanto os US$ 5.1 bi de todo o resto da indústria da informação dos Estados Unidos somada, foi quanto o Google faturou sozinho em publicidade vendida em cima do noticiário que ele não produz segundo um estudo da News Mídia Alliance que representa mais de 2000 órgãos de informação americanos. O cálculo é, aliás, conservador porque não inclui o que ele ganha vendendo a espionagem dos hábitos de consumo de informação dos seus clientes, o filé mais caro do seu açougue.

Acovardados todos, só agora os donos do que o Google e a meia dúzia de gigantes da praça colhem sem ter plantado começam a reagir. Está no congresso dos EUA, depois de várias iniciativas da União Europeia com objetivos semelhantes, a Lei de Competição e Preservação do Jornalismo, equipamento imprescindível da democracia, que suspende por quatro anos os dispositivos contra a cartelização da legislação antitruste para permitir aos grupos de comunicação negociar conjuntamente com eles a exigência de pagamento pela venda dos seus produtos. A lei tem apoio de democratas e republicanos nas duas casas do Congresso, além do Departamento de Justiça.

É o começo de uma longa marcha que desta vez terá de ser levada pela comunidade humana como um todo, de modo que acabará por arrastar também a nós, como sempre, quae será tamen

Fake é a utopia cyber

11 de dezembro de 2018 § 33 Comentários

Nunca alimentei ilusões com a internet e as criaturas hiper-alimentadas da infância dessa tecnologia. O sonho de todo ditador é saber sobre todo mundo o que elas sabem. E a única condição para uma arma vir a ser usada contra nós continua sendo ela ter sido inventada um dia. A tecnologia sempre foi isso, desde o primeiro porrete. Multiplica, indiferentemente, as forças construtiva e destrutiva da humanidade, esta última em geral mais rápida e completamente que a primeira.

De “ruptura” em “ruptura” nossa espécie nunca rompe com sua própria natureza. O primeiro efeito das novas tecnologias é promover uma troca revolucionária dos donos do dinheiro, o princípio ativo do poder. Mas ele continua corrompendo sempre e mais absolutamente quanto mais absoluto for. Como a esperança é a última que morre e experiência não passa de pai para filho acontece sempre a mesma confusão. As primeiras ambições humanas a domina-las para chegar mais perto do sol, que é o que nos move nesta passagem, são festejados como os heróis de uma nova era e os precursores de uma “nova humanidade”.

O que alimenta essa ilusão é o nosso temor atávico ao competidor de melhor desempenho e, portanto, o gosto em vê-lo cair. O século 20, que elaborou em ideologias a justificação moral do ódio contra o vencedor de ontem, proporcionou aos vencedores de hoje a devolução do espaço sem limites que a democracia lhes tinha cerceado. Permitiu-se ao Google e ao Facebook tudo que a humanidade aprendera a proibir às companhias telefônicas e ao resto dos agentes econômicos no estado de direito. Em nome da “democratização do saber” foi autorizado aos primeiros detentores das artimanhas do algoritmo, que nunca as dividiram com  ninguém, espionar todos os movimentos, palavras e obras dos seus usuários e vender livremente o que assim conseguissem roubar-lhes. À Amazon todas as práticas de dumping e competição predatória de que a humanidade aprendera a proteger-se desde a disrupção do mundo a cavalo pelas ferrovias e o nefasto conluio dos donos delas com os robber barons para roubar o próximo. À Apple praticar livremente na China todas as formas de exploração da miséria e do trabalho semi-escravo que no mundo para o qual se destinavam seus produtos eram punidas com cadeia já havia mais de um século.

Da proteção da concorrência como garantia da liberdade individual – e a que condiciona todas as outras é a de poder escolher fornecedores e patrões – o mundo civilizado involuiu para o engodo da “democratização do consumo” pelo mel dos “preços baixos” dos produtos do roubo de ideias e do salário vil que, logo além da curva, não compra mais nada.

Estados nacionais inteiros, onde ele pode ser mantido pelo terror e pela violência, aderiram ao esquema. E a vertigem da marcha-à-ré e o medo do desemprego rebaixaram as ultimas defesas das classes médias meritocráticas, sustentáculo das democracias nos estados de direito. Hoje só sobrevive quem nasce para ser abduzido a bilhão para a nave mãe dos exploradores. Só os quatro gigantes compraram mais de 500 concorrentes na última década. São 50 anos de recordes de fusões e aquisições. US$ 3,3 trilhões, globalmente, só até setembro em 2018.

A etapa que se vai completando agora é o golpe de misericórdia. Começa em 2006 quando o Google adquire o Youtube. O vídeo dominaria a web, era claro, mas o problema técnico era insuperável. O volume de bits para imagens em movimento não cabia na rede que, em última instância, é física. Cabos de fibra ótica cruzando oceanos e continentes. O resultado era o buffering, videos que passavam aos trancos, cheios de interrupções. Entrega-los sem buffering passou a ser o objetivo nº 1 de toda a capacidade técnica que a ilimitada potência financeira do Google era capaz de comprar. O resultado foram as CDN’s, redes dedicadas, agora pertencentes a produtores de conteúdo que antes usavam a rede de redes menores conectando o mundo entre hubs e destes para distribuidores menores até o consumidor final, cada uma com um dono diferente, todas conversando entre si pela tecnologia de peering, espécie de tradução automática para uma linguagem técnica geral, tudo sob a lei sagrada, à qual todos juravam obediência, da “neutralidade da rede” segundo a qual era livre o ingresso de qualquer conteúdo em qualquer ponto do sistema e a ordem de entrega deveria corresponder à ordem de entrada.

Com as CDN’s tornaram-se possíveis as Netflix … que passaram a requerer muito mais CDN’s. E o cacife passou a ser proibitivo. Lá se foram as redes menores … lá se vai, agora, Hollywood inteira, depois do resto da industria do entretenimento. Hoje tres ou quatro gigantes são donos de todos os artistas. Pautam o comportamento do universo. Na torrente dos bilhões foi-se a net neutrality. Agora paga-se pela prioridade de chegada de cada bit enfiado no sistema. Quem paga menos chega por último ou nem chega. A própria rede, que “disrompeu” a ordem anterior em nome da libertação do povo e da arte da ditadura da propriedade privada é agora uma propriedade privada da escassíssima confraria do trilhão cercada de terra arrasada em todo o entorno competitivo.

E o mundo vê a novela que o Brasil já vira. Sillicon Valley compra o perdão de seus pecados declarando-se “de esquerda” e facilitando o “aparelhamento” do sistema lá de dentro dos seus mega-iates no grand monde. E o mais recente engodo é a demonização da fofoca, que predomina na nova praça pública virtual como sempre predominou em todas as praças públicas que já existiram. As fake news são o mais novo pretexto para matar a democracia em nome da salvação da democracia. É com elas que justifica-se a censura e reforça-se a ditadura comportamental enquanto os trilionários da rede compõem-se, nos bastidores, com as chinas da vida trocando tecnologia para a servidão por mais audiência e dinheiro.

E o pior é que estão por nascer os próximos shermans e theodore roosevelts, paladinos da luta antitruste que resgataram os Estados Unidos dessa mesma armadilha ha pouco mais de 100 anos, e que na próxima edição terão de ter uma envergadura planetária.

 

A reforma que contem todas as outras

27 de junho de 2018 § 16 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 27/6/2018

Em matéria de reforma de instituições a ordem dos fatores determina o resultado. O erro fundamental dos criticos do desastre brasileiro está em não discernir o que é causa do que é consequência do desvio essencial que produz e reproduz as instituições tortas que temos. Primeiro que esse “tortas” depende de quem olha. Para a “1a classe” elas estão funcionando exatamente como foram desenhadas para funcionar, menos pelo exagero do seu “acerto”. Mas da “2a classe” para baixo, perdem-se todos em desenhar, cada um segundo a sua área de especialização ou a ordem de prioridades com que elas afetam a sua atividade, listas de reformas tão extensas que no final, todos, mesmo os mais convictos da necessidade de cada uma delas individualmente, recuam de forçar o desencadeamento da mudança porque o país é um avião em voo, a vida é uma só e o risco de fazê-lo parar no ar é sempre maior que o de continuar voando mal.

É isso, mais que tudo, que tem garantido a continuação do que está aí.

Instituições servem a quem as desenha e detem o poder de instituí-las. E é isso, essencialmente, que está errado e precisa mudar no caso brasileiro. Se é o povo que queremos servido, é ao povo que devemos entregar a tarefa de desenhar e redesenhar; instituir e desinstituir as nossas instituições. O que nos faz falta é conquistar os meios de errar e aprender com nossos próprios erros em vez de seguirmos tangidos pelos erros alheios para encalacradas “petrificadas” no tempo e no espaço ou, definindo mais precisamente o que ocorre aqui, sendo obrigados a tragar eternamente os acertos dos bandidos para viver às nossas custas enquanto mantêm-nos impotentes para fazermos nossas próprias escolhas.

A unica instituição definitiva, deve ser a que estabelece o modo de promover e legitimar mudanças. Tudo mais deve ser desenhado para facilita-las mesmo porque toda “solução” é só o início do próximo problema e é de fundamental importância ter essa transitoriedade em mente pois o que determina a sobrevivência na arena da competição planetária, hoje como sempre, é a velocidade de adaptação à mudança.

Nunca foi fácil promover mudanças coordenadas e pacíficas. Na era da comunicação total, ironicamente, ficou ainda mais difícil. Estamos na idade do ouro do rancor. O ódio é o novo ópio do povo. O Google transforma os mais insignificantes deslizes do comportamento humano em manadas de dinosauros galopando desenfreadamente pela rede para todo o sempre, direcionados com a persistência dos algorítmos e a precisão do “microtargeting” para pisotear o nervo mais sensivel de todos que, no passado, no presente ou no futuro, manifestarem o menor sinal de sensibilidade a eles. Este viver sem o esquecimento cria tribos que as “polícias do pensamento” atiçam umas contra as outras, o que desperdiça toda a energia da cidadania em aprisionar em modelos institucionalizados comportamentos que, por definição, só podem ser realmente livres no espaço infra-institucional. E isso desvia o foco da coletividade da única condição que nos une a todos que é a de súditos semi-escravos da “1a classe”.

Nunca houve acordo com relação a um destino final de chegada para toda a humanidade e, desde sempre, “autoritário” é quem tenta impor o seu e “totalitário” quem criminaliza o destino escolhido pelo outro, seja um governo, uma ferramenta privada ou os dois juntos o instrumento dessa imposição. É perfeitamente possivel, no entanto, alcançar um denominador comum em torno de um “manual de navegação” das águas agitadas da diferença. A democracia moderna nasce exatamente da aceitação madura e tranquila da ausência de certezas. E a genialidade do sistema está em criar um arranjo de instituições absolutamente estaveis e seguras para dar a cada um a condição de processar do seu jeito a instabilidade e a insegurança inerentes ao estar vivo sendo parte de numa sociedade.

No sistema verdadeiramente democrático a única instituição “imexível” é a que define quem, exatamente, representa quem no panorama institucional, e os mecanismos de processamento das mudanças que podem e devem ocorrer em todas as demais ao sabor da necessidade. Como toda forma de governo, a “democracia representativa” também é uma hierarquia. E que os representados mandam nos representantes é uma noção inerente ao conceito de “representação”. A fórmula que permite operar essa hierarquia para a mudança com agilidade, segurança e legitimidade é a inventada pelos suiços ha mais de 700 anos que metade do mundo copiou nos ultimos 100: eleições distritais puras (federalismo) com retomada de mandatos (recall) e referendo de leis dos legislativos por iniciativa dos representados a qualquer momento.

É essa a reforma na qual o país tem de concentrar suas forças. Todo o resto com isso se constrói.

O cidadão deve ser o imperador absoluto da sua área de residência. A menor instância eleita de representação deve ser o conselho de direção da escola pública do bairro, constituido por pais de alunos moradores dele encarregados de gerir o dinheiro dos impostos que pagam para a educação de seus filhos. Ele deve contratar o diretor e cobrar-lhe desempenho. Um certo conjunto de bairros formará um distrito municipal que elegerá o seu representante para fazer as leis da sua cidade. Uma constelação de distritos municipais constituirá um distrito estadual e destes se farão os distritos federais. Todos os eleitos devem ser demissíveis a qualquer momento e suas leis revogáveis por votações de retomada de mandatos ou referendos convocados nos seus distritos.

Com todo mundo sabendo exatamente quem é quem, então sim, cada um segundo a sua necessidade, consultados os demais eleitores do distrito, ordenará ao seu representante que escreva e reescreva leis para ter ou não “escolas com partido”, funcionários estáveis ou não e mais ou menos bem pagos, impostos mais leves ou não, e para quê, juizes com mais ou menos poder de arbitrio, o crime tratado assim ou assado, constituições mais ou menos “petrificadas”, pessoas com mais, com menos ou com nenhuns “direitos adquiridos”.

Acaba o papo furado e a verdade passa a imperar.

Uma dúzia de desaforos

11 de dezembro de 2013 § 2 Comentários

a1

Repare o ar triunfante de Fernando Collor de Mello.

Para crimes de corrupção torna-se “de mãe” o coração do PT.

O próprio espírito do Ubuntu: “Eu roubo porque todos nós roubamos. Eu só posso continuar roubando se todos nós continuarmos impunes”.

Vá se acostumando, Madiba velho! Sua história já não é mais sua. Seu texto, agora, é “wiki”…

No mais o partido é muito rigoroso. Para todas as outras categorias de crime segue valendo mestre Getulio: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”.

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a6 

Não ha nenhuma lei de vigência universal impondo o dólar como a única moeda confiável do planeta. Os povos rapelados do mundo é que insistem em não acreditar em nenhuma outra.

Dá-se o mesmo com esse negócio da “hegemonia dos EUA nas Américas” que dona Dilma, ao lado de Raul Castro, disse lá na África do Sul que não admite mais: não são eles, que têm lá as suas chinas com que se haver, que se levantam contra nós; somos os cucarachos que, de livre e espontânea vontade, não paramos de nos rebaixar.

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a7

Diplomas de medicina são vendidos por entre 90 e 180 mil reais pelo Brasil afora, segundo materia especial mostrada pela Globo ontem de manhã.

Pra que tanto!?

Entrando na campanha da Dilma o cara ganha um jaleco branco e sai dando diagnósticos e emitindo receitas por aí de graça.

Principalmente se falar espanhol…

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a8

Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da casa que foi o QG da campanha da Dilma em 2010, contrata Erenice Guerra, ex-Casa Civil da “presidenta“, exonerada a bem do serviço público, para defende-lo no TCU em processo por superfaturamento em serviços prestados para o governo federal.

Cuidado! Isso dá AIDS!

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a10

O Facebook e o Google puxando um protesto mundial contra a espionagem na rede é como a dona Dilma, do PT da revanche, encomendando a alma de Nelson Mandela, o pai do perdão.

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a12

Pais rico faz metro; país pobre faz VLT suspenso, poluindo a paisagem.

Fernando Haddad, o petista bonitinho, nem isso: põe os trens no chão, dividindo a rua com os automóveis na porrada mesmo.

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a14

Um dos vascainos daquela pancadaria ja tinha matado um (com certeza, talvez dois) a pau e a ferro em estádios de futebol.

É o de sempre: não ha crime bárbaro no país que não tenha sido cometido por bandido preso pela policia e solto pela Justiça.

PS.: Também foi filmado distribuindo coices pelas arquibancadas um funcionário do governo do Paraná que, quando vereador, fez uma lei obrigando ao cadastramento de torcedores violentos. Quer dizer: de leis “as mais avançadas do mundo” o inferno brasileiro está cheio.

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a15

Acabou a moleza!

Prepare os seus filhos. Os shoppings vão ficar iguais às ruas. Neste país sem culpados a moda dos “rolêzinhos” tem tudo para pegar!

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a18

Tem uma briga rolando na Justiça. Os aposentados do Banco do Brasil merecem só 30 ou 45 mil reais por mês?

O Banco do Brasil tem 118-mil-a-po-sen-ta-dos!!! Quanta gente tem na ativa ninguém sabe. E, veja bem, todos fazem parte daquela turma que milita no PT e é vítima da “zelite”…

Por coincidência o maior empregador do pais aqui fora também é um banco: o Bradesco inteiro tem modestos 83 mil funcionários, todos tra-ba-lhan-do.

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a20

O presidente do Cade e sobrinho do Secretário Geral da Presidência da Republica, Vinicius Carvalho, anunciou uma “desfiliação retroativa” (a 16 de maio de 2008) do PT.

O sobrinho de tio Gilberto é aquele que costurou o acordo de delação premiada com o misterioso Everton Rheiheimer, da Siemens, para acusar vivos e mortos do PSDB e, a partir de agora, passa a te-lo feito despido de qualquer paixão partidária. Antes de ganhar o Cade ele trabalhava para o deputado Simão Pedro, o tal Secretario de Serviços (?!) de Fernando Haddad que disse e depois desdisse que foi ele que entregou a denuncia do alemão pra mídia, digo, pra polícia.

Depois de descobertas essas conexões, toda essa história contada pelos petistas também “retroagiu“. Aí o ministro da Justiça em pessoa assumiu que foi ele que desovou o pacote.

Foi então que descobriram que a tradução da “confissão” de Rheiheimer foi falsificada para enfiarem lá os nomes dos peessedebistas que não estavam no original. Será que Jose Eduardo Cardoso também vai retro-agir?

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a21

Romeu Tuma Jr. está lançando um livro para mostrar como funcionava a fabrica de dossies do PT (aquela dos “alaoprados”) que ele estourou. Também faz revelações sobre como os recursos arrecadados pelo falecido prefeito Celso Daniel, de Santo André (9 tiros no rosto) foram parar na campanha eleitoral do PT.

Secretario Nacional de Justiça do primeiro governo Lula, Romeu Tuma Jr. foi “fuzilado” logo depois de desvendar a falcatrua com a exibição de uma gravação de uma conversa sua com Li Kwok Kwen, chefão do contrabando de quinquilharias chinesas da 25 de Março e arredores a que algum jornal da época “teve acesso”…

O livro chama-se “Assassinato de Reputações” e o autor indiscutivelmente entende do assunto.

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a00Deus e o mundo estão na lista dos embarcados na roubalheira que rolava debaixo das asas de Gilberto Kassab.

Agora, ele mesmo o único roubo que confessa é o de deputados de partidos alheios. Mas como vender governabilidade pode…

Dispensados da diversidade

5 de dezembro de 2013 § 4 Comentários

a5

Vejo outra vez a discussão na TV do importante tema da compartimentação dos grupos e estilos de pensamento nas redes sociais e o perigo da realimentação permanente das suas próprias ideias a que frequentar grupos não diversificados pode levar, resultando numa crescente intolerância e, consequentemente, na radicalização política.

Outra vertente desse mesmo problema é o chamado “fator Google” que consiste na montagem de dossiês minuciosos cobrindo todos os passos da vida de cada indivíduo no planeta a que todos os sites que eles frequentam na rede se dedicam e, mediante o processamento desses dados por algorítimos, alimentá-lo cada vez mais de “si mesmo” nas sus buscas pela rede e na excitação da sua “libido aquisitiva”.

a5

É, de fato, um problemaço e os efeitos práticos dessa nova máquina de realimentar egos já se fazem sentir por todos os lados, especialmente no que diz respeito às gerações pós internet que nunca viveram outra realidade.

A compartimentação das relações entre pessoas nas redes sociais corresponde exatamente à compartimentação das relações entre pessoas na vida real. De modo geral, elas constituem o seu círculo de amizades entre pessoas que se parecem com elas pelo menos nos limites éticos que se impõem e nos padrões comportamentais que adotam, o que aponta também (mas não necessariamente) para a afinação ideológica.

Até aí tudo normal.

a5

Mas na vida real as pessoas cruzam o tempo todo com quem não se parece com elas. Isso porque, para “se relacionar” com “o outro”; para evitar a solidão que é diferente da solitude e que o ser humano não suporta, elas eram obrigadas a sair de casa. E assim que punham o pé na rua para ir às compras ou ao trabalho e frequentar a cidade para o que quer que fosse expunham-se e confrontavam-se necessariamente e o tempo todo com toda a diversidade que caracteriza as comunidades humanas.

Até para procurar o seu igual o cara era obrigado a se expor ao diferente.

A vida real, portanto, aguça o espírito crítico porque a diferença se apresenta e até se impõe o tempo todo às pessoas.  De repente você cruza com uma vida totalmente diferente da sua e vê que ela pode dar certo; de repente você até se apaixona por alguém exatamente porque ela é o seu oposto, ainda que dentro dos seus limites de tolerância comportamental, e isso desafia e exerce um certo fascínio…

a5

Mas nas redes consegue-se escapar à solidão e estabelecer relações humanas sem ter de sair de casa; sem ser forçado a se expor ao diferente. Um sujeito pode passar a vida inteira “se relacionando”, sempre no nível da abstração racional, não espontânea e regulável, o que na vida real, regida pela espontaneidade ou no mínimo traída pelas manifestações dela, mesmo as reprimidas, era impossível fazer.

É nessa dispensa da obrigação de atravessar o oceano da diferença, ainda que para procurar o igual, que mora o perigo.

Vamos ver que tipo de humanidade resultará dessa nova ecologia.

a5

Top top secret

9 de setembro de 2013 § 2 Comentários

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Você que ante a insistência da Globo, embora se perguntando ainda porque só o Brasil se mostrou tão mortalmente ferido com isso se Edward Snowden “revelou” que o mesmo ocorre com relação a todos os países do mundo, está começando a ficar propenso a se indignar com a espionagem dos Estados Unidos em cima do Brasil, da Dilma e agora finalmente também da Petrobrás, vá a este endereço e leia a matéria que está lá.

O termo Dilma nas redes sociais: o fim da bipolaridade política e o desejo de radicalizar mudanças” é apenas uma das “análises de big data”, que é a mesma coisa que o serviço secreto americano faz, executadas enquanto aconteciam as manifestações de junho em todo o Brasil (a data de postagem desta é 20 – 06 – 2013), publicadas pelo coordenador do Labic Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo, professor Fabio Milani. Ha inumeras outras no mesmo site que poderão ilustrá-lo com verdades científicas sobre a realidade da “espionagem” na internet.

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Esta começa assim:

A imprensa soltou uma nota afirmando que a Abin (órgão de inteligência do governo federal) passa a estar de olho nas conversações dos perfis das redes sociais. Pelo que vejo, através da análise de rede que faço aqui, a Abin deve estar trabalhando 24 horas sem parar, com todo o seu pessoal mais o triplo de “voluntários”. Isso porque a densidade da rede de tweets, com recorrência da palavra Dilma, publicados no Twitter, só aumenta. Coletei, nos dias 16 e 17 de junho, esses tweets. Eles somam 170 mil. Destes, 50 mil são de RTs (republicações). Peguei o arquivo e plotei-o no Gephi, buscando saber quem são os Hubs dessa Rede” (…)

Eu não diria que a Universidade Federal do Espírito Santo seja o centro mais sofisticado do mundo de “espionagem” ou de pesquisa e análise de “big data”. Provavelmente nem é dos maiores do Brasil. E, no entanto, note: o professor postou no dia 20 análise de 170 mil tweets emitidos nos dias 16 e 17 (três dias antes, fora o tempo que ele levou para escrever) com recursos que provavelmente estão no mercado, como o software Gephi, mencionado com grande intimidade.

O que vem na sequência é impressionante para o leigo.

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O professor consegue traçar, mensagem por mensagem, de quem ela veio, pessoa por pessoa, até a primeira que falou do assunto, em longas cadeias; consegue dizer com que frequência cada uma dessas pessoas, identificadas pelo nome, “retuitou” a mensagem recebida; quem foi o primeiro a emiti-la; quantas vezes ela foi e voltou pela rede e por quem passou de cada vez, tudo isso gerando estas “nuvens” de nomes escritos em tipos que vão aumentando de copo conforme a frequência com que incidem nas mensagens que você vê nesta postagem.

Repare bem nessas imagens. São nomes de pessoas reais que elas contêm.

Além disso, o professor Milani tece considerações, também, sobre o conteúdo dessas mensagens: o que cada um disse, sobre quem, e como isso o classifica do ponto de vista de seu posicionamento em relação ao governo e à pessoa da “presidenta”.

Finalmente ele desenha as diversas “redes” constituídas por essas conversações e as classifica, segundo o conteúdo ou, mais exatamente, segundo a posição assumida por quem participa delas: o “grupo de oposição à Dilma ha anos” (azul), o “tradicional grupo que blinda a Dilma na rede” (vermelho), a “velha mídia” que constitui “os nós de difusão” (preto), os “novos opositores” (verde), os muito e os pouco convictos do que dizem e assim por diante.

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Faz, também, comentários específicos sobre o papel de alguns jornalistas e celebridades em particular nessas cadeias de comunicação e, com riqueza de detalhes, explica como cada um desses grupos e agentes individuais age e reage ao que lê e ao que escreve, chegando a conclusões até sobre o porque de cada um escrever como escreve.

Enfim, se fosse a CIA ou a NSA, não sei o que elas poderiam “descobrir” nessas conversas que o professor Milani ainda não saiba.

De quebra ficamos sabendo por essa matéria que o “grupo que blinda Dilma na rede” é tão conhecido e atua ha tanto tempo que já é chamado de “tradicional” por esses analistas, não havendo ao que se saiba, fora do PT, quem mais faça isso na política brasileira.

E isso para deixarmos de lado a Abin…

Enfim, senhoras e senhores, a “espionagem americana” na rede não é apenas um segredo de polichinelo. A rede é algo tão escancarado e quem dela se serve deixa rastros tão indeléveis que não só todos os comerciantes usam softwares banais como os mencionados para registrar e analisar tudo que você faz nela como também vendem esses dados para outros comerciantes, aí incluído tudo o que você diz, escreve e vê e mais onde você fisicamente vai e quando (via GPS), e até mesmo, como você pode ver pelo TED publicado ontem sobre o Google e cia., quanto você mede e pesa, em que posição costuma se sentar e etc.

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Criptografia para governos, presidentes e outros VIP’s?

Assim como os computadores as criam os computadores as decifram. Tão fácil quanto isso.

Portanto, abra o olho!

Mas voltando ao que nos mostra o professor Milani, que lhe parece agora? Todo esse barulho traduz, mesmo, uma preocupação maior que a que todo sujeito minimamente informado deveria ter desde sempre com respeito a internet e privacidade, os jornalistas muito especialmente, ou antes o que as chefias de redações da Globo pensam sobre os Estados Unidos ou querem que você pense sobre os Estados Unidos, o único desses espiões todos que ainda perde tempo em pedir autorização para o Congresso e para o Judiciário para xeretar sua vida?

Você decide.

Finalmente, chama a atenção no lado brasileiro dessa história também a sequência dos acontecimentos.

Primeiro espionavam “o Brasil”. Não deu muito Ibope porque os brasileiros lá no fundo sabem que aqui não ha muito o que esconder. Nem os ladrões mais notórios perdem tempo em fazê-lo.

Depois, passaram a espionar “a Dilma”. Aí sim a “soberania nacional” se sentiu abalada e a bronca subiu de tom. Saudades da monarquia…

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Agora falamos da Petrobras, ou seja, daqueles capitalistas ianques gananciosos, Estado e capital jogando juntos, aqueles sujos, ao contrário do que acontece entre dona Dilma e seus barões do BNDES.

E o que querem os americanos saber para correr esse risco todo? Ora, dos segredos da extração de petróleo a grandes profundidades que só a Petrobras detém, aqueles mesmos que, por já serem mais que suficientemente conhecidos por todos os mercados financeiros do mundo, levaram as ações da “nossa” petroleira para um buraco mais fundo que o do pré-sal onde supostamente estaria a justificativa para a valorização dessas ações.

A esquerda internacional, aliás, está precisando urgentemente de outro coringa para explicar tudo que acontece na política internacional pois petróleo é coisa que está sobrando tanto nos Estados Unidos que, até que o outro gás de Bashar al Assad mudasse isso, eles tinham virado o foco da sua política externa do Oriente Médio para a Ásia porque tornaram-se, nos últimos dois anos, não apenas auto-suficientes como também exportadores de petróleo e gás (o único item de sua pauta de exportações que dobrou de valor desde a crise), graças às novas tecnologias de extração dos dois produtos do xisto, enquanto em matéria de manufaturados continuam apanhando da China e de outros detentores de contingentes infindáveis de trabalhadores sem direitos nem salários fabricados pelo socialismo real, como os médicos cubanos de que fala esse senhor aí embaixo e dona Dilma tem importado a preço de ocasião.

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Petrobras, Google e os dois Brasis

19 de agosto de 2013 § Deixe um comentário

Janus1

Petrobras e Google se alternam ha anos como “a empresa dos sonhos” dos jovens recém formados brasileiros nas pesquisas anuais da Cia. de Talentos.

A Petrobras esteve à frente de 2005 a 2009 quando, pela primeira vez, Google foi à ponta. Ficou lá até 2011. Desde 2012 a Petrobras voltou ao primeiro lugar. Hoje saiu nos jornais o resultado da de 2013 e ela continua lá.

A Cia. de Talentos faz lá a suas interpretações para clientes (ela vive de colocar gente em empresas e cargos) mas eu sempre achei que essa pesquisa é um dos mais eloquentes retratos da “bipolaridade” brasileira.

janus4

Mantemos um pé no futuro e outro no passado. Chegamos às vezes (bem raramente, é verdade) a acreditar que dá pra mudar o Sistema mas ele nos empurra de volta para aquela dura realidade: “não, não vai mudar nunca; seremos eternamente ou exploradores ou explorados e, sendo assim, o melhor é saltar para a canoa dos indemissíveis e inimputáveis”.

É aquela história do escravo cujo sonho era virar o feitor, o capitão de mato. De açoitado a açoitador. Ou então conseguir um lugarzinho na Casa Grande. Sonhar com a liberdade mesmo, nem pensar.

Ha 513 anos que não muda…

janus10O lado bom é que apesar da Petrobras estar em primeiro lugar, e justamente nestes últimos dois anos em que ela vem afundando estrondosamente à vista de todos o que torna ainda mais remota a hipótese de tal escolha ser movida por admiração e boas intenções, ainda é uma minoria de brasileiros na flor da juventude que pensa assim. Das 10 empresas mais desejadas, ela é a única estatal. Das outras oito – Itaú, Vale, Santander, Nestlé, Odebrecht, Ambev, PwC e Unilever – nenhuma aponta diretamente para o desejo de teta. Ao contrário.

O lado ruim é que a minoria representada pelo sonho com a Petrobras, continua mandado no país e submetendo esse vasto Brasil que sonha com a modernidade à carga pesada de carregar o peso morto do Estado patrimonialista com todas as doenças que ele patrocina e alimenta.

janus5

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