Pelos direitos dos animais!

3 de dezembro de 2013 § 6 Comentários

Burning Rainforest in the Amazon

Vão asfaltar a estrada Cunha-Paraty.

Dizem que é pra ter uma saída pro povo de Angra dos Reis e cercanias em caso de acidente com as usinas nucleares construídas naquele lugar que os índios chamavam de “Pedra Podre”.

São aqueles 9,6 km de terra que atravessam o Parque Nacional da Bocaina que os ecologistas vêm impedindo de asfaltarem desde o milênio passado.

Não se vai perder nada que já não tenha sido perdido. Você atravessa esses quase 10 quilômetros e mais os muitos quilômetros que os antecedem e que os sucedem e não vê uma única mancha de mato que não seja uma capoeira mirrada e empobrecida, embora aquilo seja um paliteiro de morros agudos com encostas que já foram cobertas de luxuriante Mata Atlântica.

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Desde que eu as conheço que elas já estão peladas e lavadas. Desmataram tudo tantas vezes que hoje, além dessas capoeiras de “pau-de-flor“, só ha aquelas extensões de samambaias duras como arame que são tudo que nasce em solos super-ácidos, esgotados para todo o sempre.

No mais, são as rachaduras na terra mostrando que aquilo ainda vai desabar um dia.

Esse tipo de proibição, aliás, é dos enganos mais trágicos deste país de tantos enganos. Lá pelos anos 70, quando a economia deu uma embalada e a depredação recrudesceu, os ecologistas, de tanto perder batalhas, adotaram como um axioma essa política de impedir o acesso das pessoas aos lugares onde ainda havia natureza que valesse a pena conservar.

Como este é o país onde não se consegue controlar nem o vão do MASP, não porque não haja polícia mas porque não se admite que a polícia aja, eles passaram a proibir a construção de estradas. Resultado: só entravam os bandidos, os clandestinos que iam lá pra depredar, agradecidos pela retirada de cena de todas as testemunhas “a favor” do mato em pé.

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Desse momento em diante a luta passou a ser, não mais por educar ambientalmente a população, mas por segregá-la dos ambientes íntegros o que implica na total impossibilidade de se educar ambientalmente a população, já que educação ambiental não é outra coisa senão frequentar o meio ambiente íntegro, testemunhar o seu funcionamento e, assim, aprender a amá-lo e respeitá-lo.

Instalou-se, com isso, um círculo vicioso. Mais um!

Ambientalistas cada vez mais radicais de um lado e populações isoladas odiando-os cada vez mais, do outro, uma equação que justificava e continua justificando cada vez mais o incêndio criminoso e a corrupção madeireira à mão armada que continua, já lá vão quase 50 anos, devorando o que resta do Brasil.

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No resto do mundo, a caça e a pesca esportivas e, subsidiariamente, o turismo ambiental “de paisagem” conseguiram a solução mais inteligente de fazer as pessoas ganharem mais dinheiro com a mata em pé do que com ela feita carvão. Então, além dos amantes da natureza, também os amantes do dinheiro, que são em muito maior número e muito mais poderosos, se aliaram aos que se dedicam a conservá-la.

Mas aqui os ecologistas, que junto com o resto das pessoas e graças a eles próprios, não frequentam as matas ha pelo menos três gerações, não sabem como se comportam os bichos e de que forma interagem a fauna e a flora, assuntos que literalmente apaixonam quem é do ramo que é de quem saem as verdadeiras soluções, e perderam, junto com todas as suas outras vítimas, qualquer relação com a natureza real.

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Do discurso ecológico sobraram só as formas mais radicais e cretinas de abstração. Uma discussão exacerbada sobre “o bem” e “o mal” que confunde alhos com bugalhos (e quem sabe o que são essas coisas hoje?) , vaca com animal selvagem e gente com bicho.

Quebrou-se o fluxo das gerações. E o brasileiro, que já não tem mesmo contato com a sua própria história, tem menos noção ainda do quanto seus antepassados viveram uma relação íntima com a natureza.

Não sobrou nenhum elo vivo entre nós e ela, enfim.

E no entanto, teria sido tão simples quanto qualquer outro aprendizado. Quem já foi ao Netflix ou à Apple TV e alugou a maravilhosa série de documentários de Ken Burns chamada Os Parques Nacionais – A Melhor Ideia da América, poderá conferir ao vivo como os americanos, quando aquilo começou a funcionar ha pouco mais de 100 anos, fizeram um monte de burradas, sujaram e quase depredaram aquelas maravilhas todas mas, pela insistência, conseguiram, afinal, segurá-las e ensinar o povo a usá-las de forma civilizada, assegurando um patrimônio insubstituível para as gerações futuras.

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Coisa de gringo!

Brasileiro – mesmo os do povo – tem horror a povo. Não acredita na capacidade dele de aprender coisa nenhuma. Acha que o povo tem de ser mandado; tratado na porrada; barrado no baile porque se entrar estraga tudo. E quanto mais “vanguardista” e “amigo do povo” se diz o ideólogo de plantão, pior ele é nesse culto cego ao autoritarismo “iluminado” do “eu é que sei o que é bom para você”.

De modo que taí. Os famigerados “direitos dos animais” passaram a valer tanto quanto os direitos dos demais brasileiros. Estão lá, em alguma estante, em alfarrábios os “mais avançados do mundo” que os cupins devoram gostosamente enquanto os titulares desses direitos morrem atropelados no asfalto porque não têm mais onde ser e estar. Não vai sobrar nada a menos que um milagre (que pode ser a internet onde tudo pode ser visto, medido e comparado) afinal os ilumine com a luz sem aspas do conhecimento.

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§ 6 Respostas para Pelos direitos dos animais!

  • José Luiz disse:

    Nossos antepassados viam a caça como uma tradição que era passada de pai para filho e de avô para neto. Não a enxergavam como esporte. Talvez aqui seja o único país onde essa tradição foi transformada em crime. Nossas “otoridades” exterminaram uma tradição e liberaram a caça furtiva e a depredação. Hoje o grande negócio é viver do problema. Se o solucionarem muitos “ambientalistas” perdem o emprego.

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  • Ronaldo disse:

    Enquanto estivermos acuados pelos ecochatos, cagaregras, despreparados, políticos usurpadores, seguiremos celeres para o extermínio total da fauna e da flora que a poucos, amantes verdadeiros da natureza porque tiveram contato com ela em outros tempos, encanta. Talvez a Internet, com os Avaasts da vida, possa despertar um movimento – bem orientado – à defesa desta causa.

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  • Fernão? Só duas respostas? Que bosta! Achei que veria mais…talvez, isso seja resposta.

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  • flm disse:

    pois é, nadia,
    você não viu nos jornais de hoje? o Brasil é o 58vo pais mais ignorante do mundo entre 65 que prestaram o exame.
    demora mesmo…

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  • Pois é, Fernão. Nós vemos, experimentamos e sentimos isso “na pele” TODOS OS DIAS. Ao fim e ao cabo, é tudo ignorância e desinformação. Continuemos torcendo por algum milagre…

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  • Alvaro Barcellos Souza Mouawad disse:

    Fernão
    Apesar de consagrada pela tradição, assim como pela ciência, como forma de manejo sustentável dos recursos naturais, a caça enfrenta no Brasil uma pressão contrária constante, motivada pela boa intenção de preservar nossa fauna, mas também por uma visão essencialmente urbana e ingênua de que proibições protegem melhor a Natureza do que regulamentações.

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