28 de agosto de 2019 § 10 Comentários

Mostrando cenas de pastos queimando em áreas onde ñ subsiste nenhum toco de árvore da antiga floresta (3a à noite), a TV continua olimpicamente falando de desmatamento hoje. Jornalismo e realidade ostensivamente exibem seu divórcio. A democracia ñ sobreviverá se esse casamento ñ for reatado.

26 de agosto de 2019 § 5 Comentários

Imagine, só como exercício, se o discurso de Macron sobre seu pretendido “statut” pra Amazônia, tivesse saído da boca do Trump!

Como estariam reagindo os personagens todos dessa palhaçada, protagonistas e narradores?

Pois é. A covardia humana é 1 das maiores forças da natureza…

Porque a Amazônia é fundamental

12 de agosto de 2017 § 17 Comentários

Pelos direitos dos animais!

3 de dezembro de 2013 § 6 Comentários

Burning Rainforest in the Amazon

Vão asfaltar a estrada Cunha-Paraty.

Dizem que é pra ter uma saída pro povo de Angra dos Reis e cercanias em caso de acidente com as usinas nucleares construídas naquele lugar que os índios chamavam de “Pedra Podre”.

São aqueles 9,6 km de terra que atravessam o Parque Nacional da Bocaina que os ecologistas vêm impedindo de asfaltarem desde o milênio passado.

Não se vai perder nada que já não tenha sido perdido. Você atravessa esses quase 10 quilômetros e mais os muitos quilômetros que os antecedem e que os sucedem e não vê uma única mancha de mato que não seja uma capoeira mirrada e empobrecida, embora aquilo seja um paliteiro de morros agudos com encostas que já foram cobertas de luxuriante Mata Atlântica.

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Desde que eu as conheço que elas já estão peladas e lavadas. Desmataram tudo tantas vezes que hoje, além dessas capoeiras de “pau-de-flor“, só ha aquelas extensões de samambaias duras como arame que são tudo que nasce em solos super-ácidos, esgotados para todo o sempre.

No mais, são as rachaduras na terra mostrando que aquilo ainda vai desabar um dia.

Esse tipo de proibição, aliás, é dos enganos mais trágicos deste país de tantos enganos. Lá pelos anos 70, quando a economia deu uma embalada e a depredação recrudesceu, os ecologistas, de tanto perder batalhas, adotaram como um axioma essa política de impedir o acesso das pessoas aos lugares onde ainda havia natureza que valesse a pena conservar.

Como este é o país onde não se consegue controlar nem o vão do MASP, não porque não haja polícia mas porque não se admite que a polícia aja, eles passaram a proibir a construção de estradas. Resultado: só entravam os bandidos, os clandestinos que iam lá pra depredar, agradecidos pela retirada de cena de todas as testemunhas “a favor” do mato em pé.

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Desse momento em diante a luta passou a ser, não mais por educar ambientalmente a população, mas por segregá-la dos ambientes íntegros o que implica na total impossibilidade de se educar ambientalmente a população, já que educação ambiental não é outra coisa senão frequentar o meio ambiente íntegro, testemunhar o seu funcionamento e, assim, aprender a amá-lo e respeitá-lo.

Instalou-se, com isso, um círculo vicioso. Mais um!

Ambientalistas cada vez mais radicais de um lado e populações isoladas odiando-os cada vez mais, do outro, uma equação que justificava e continua justificando cada vez mais o incêndio criminoso e a corrupção madeireira à mão armada que continua, já lá vão quase 50 anos, devorando o que resta do Brasil.

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No resto do mundo, a caça e a pesca esportivas e, subsidiariamente, o turismo ambiental “de paisagem” conseguiram a solução mais inteligente de fazer as pessoas ganharem mais dinheiro com a mata em pé do que com ela feita carvão. Então, além dos amantes da natureza, também os amantes do dinheiro, que são em muito maior número e muito mais poderosos, se aliaram aos que se dedicam a conservá-la.

Mas aqui os ecologistas, que junto com o resto das pessoas e graças a eles próprios, não frequentam as matas ha pelo menos três gerações, não sabem como se comportam os bichos e de que forma interagem a fauna e a flora, assuntos que literalmente apaixonam quem é do ramo que é de quem saem as verdadeiras soluções, e perderam, junto com todas as suas outras vítimas, qualquer relação com a natureza real.

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Do discurso ecológico sobraram só as formas mais radicais e cretinas de abstração. Uma discussão exacerbada sobre “o bem” e “o mal” que confunde alhos com bugalhos (e quem sabe o que são essas coisas hoje?) , vaca com animal selvagem e gente com bicho.

Quebrou-se o fluxo das gerações. E o brasileiro, que já não tem mesmo contato com a sua própria história, tem menos noção ainda do quanto seus antepassados viveram uma relação íntima com a natureza.

Não sobrou nenhum elo vivo entre nós e ela, enfim.

E no entanto, teria sido tão simples quanto qualquer outro aprendizado. Quem já foi ao Netflix ou à Apple TV e alugou a maravilhosa série de documentários de Ken Burns chamada Os Parques Nacionais – A Melhor Ideia da América, poderá conferir ao vivo como os americanos, quando aquilo começou a funcionar ha pouco mais de 100 anos, fizeram um monte de burradas, sujaram e quase depredaram aquelas maravilhas todas mas, pela insistência, conseguiram, afinal, segurá-las e ensinar o povo a usá-las de forma civilizada, assegurando um patrimônio insubstituível para as gerações futuras.

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Coisa de gringo!

Brasileiro – mesmo os do povo – tem horror a povo. Não acredita na capacidade dele de aprender coisa nenhuma. Acha que o povo tem de ser mandado; tratado na porrada; barrado no baile porque se entrar estraga tudo. E quanto mais “vanguardista” e “amigo do povo” se diz o ideólogo de plantão, pior ele é nesse culto cego ao autoritarismo “iluminado” do “eu é que sei o que é bom para você”.

De modo que taí. Os famigerados “direitos dos animais” passaram a valer tanto quanto os direitos dos demais brasileiros. Estão lá, em alguma estante, em alfarrábios os “mais avançados do mundo” que os cupins devoram gostosamente enquanto os titulares desses direitos morrem atropelados no asfalto porque não têm mais onde ser e estar. Não vai sobrar nada a menos que um milagre (que pode ser a internet onde tudo pode ser visto, medido e comparado) afinal os ilumine com a luz sem aspas do conhecimento.

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Duas visões sobre conservação ambiental

1 de outubro de 2013 § 3 Comentários

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Proclamação Presidencial

Através da caça e da pesca esportivas, tradições que vêm passando de geração em geração, as famílias têm estreitado os seus laços e as pessoas comuns vêm forjando a sua conexão com a Natureza. É gente que se levanta antes do sol nascer para lançar uma isca através da neblina nas águas de um riacho ou para esperar a caça enquanto a floresta vai aos poucos despertando. Pais têm ajudado seus filhos a tirar o seu primeiro peixe ou a aprender a lingaugem dos pássaros. No Dia Nacional da Caça e da Pesca nós celebramos essas velhas tradições e renovamos o nosso compromisso de preservar os locais que têm sido o palco delas.

Trabalhando em todos os níveis do governo junto com organizações privadas e defensores da conservação ambiental, meu governo lançou a Iniciativa em Favor dos Esportes de Natureza. O objetivo é envolver todos os americanos comuns na luta pela proteção e restauração desses biomas e dessas águas que amamos tanto e restabelecer a relação de cada cidadão deste país, independentemente da sua origem ou da sua idade, com os esportes de natureza. Os pescadores e caçadores esportivos têm feito a sua parte, levando adiante a tradição e atuando como uma das maiores forças da Nação na defesa dos ambientes selvagens.

Para além do aspecto da valorização de antigas tradições, os esportes de natureza sustentam milhões de empregos. A caça e a pesca são responsáveis por um segmento essencial dessa indústria, incentivando o turismo, fortalecendo a economia nacional e financiando programas de conservação com a compra de licenças de pesca ou iniciativas  como o Selo do Pato (uma das mais antigas e eficazes iniciativas de arrecadação de fundos entre caçadores para a compra e preservação de banhados).

Neste dia, enquanto refletimos sobre a valorização que a caça e a pesca trazem para nossas vidas – do reforço dos laços de família à renovação do nosso apreço pela natureza – vamos tratar de garantir que as futuras gerações terão a mesma oportunidade que nós de desfrutar essas experiências.

É por tudo isso que eu, Barak Obama, Presidente dos Estados Unidos da América, pela autoridade que me é investida pela Constituição e pelas leis deste país, proclamo o Dia 28 de Setembro de 2013 como o Dia Nacional da Caça e da Pesca Esportivas. Convoco todos os cidadãos a honrar este dia com programas e atividades apropriadas à data.

E para tanto assino neste 27º dia de setembro do ano do senhor de 2013 e no 238º ano da Independência dos Estados Unidos da América.

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É graças a esse espírito e às políticas que dele decorrem que os Estados Unidos da América, a maior economia do mundo com seu território plenamente integrado ao processo de exploracão econômica, é também o país/continente com a maior área de ambientes selvagens preservados em proporção ao todo, mais que a própria África, e com populações de fauna nativa, especialmente as espécies mais caçadas, frequentemente maiores que as que se calculava que existiam na época do descobrimento.

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Enquanto isso, no Brasil…

(reproduzo o artigo “Enquanto as florestas ardem” que escrevi em março de 1999 para o extinto Jornal da Tarde; avalie você mesmo se algo mudou para melhor desde então)

Segundo a revista Nature, a área devastada na floresta amazônica pode ser o dobro dos 16,8 mil quilômetros quadrados calculados pelo Inpe.  Esta é apenas a última das sucessivas notícias de recordes de destruição da natureza reproduzidas anualmente na imprensa brasileira.  Não obstante, nem o governo nem as ONGs que integram o Conama, sem o beneplácito das quais nada acontece em matéria de política ambiental no Brasil, se rendem ao clamor desses resultados.  Os ambientalistas de gravata voltam às suas pranchetas e, com suas assessorias jurídicas, produzem uma nova catadupa de leis violentas e inúteis e os políticos se apressam em aprová-las.  E todos vão dormir com a consciência tranqüila enquanto as motosserras cantam e a floresta insubstituível arde.

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Tem uma força irresistível, como se vê, o fenômeno que tanto impressionou Warren Dean, autor de A Ferro e Fogo, Uma História da Destruição da Mata Atlântica, que é na verdade uma história da violência do desenvolvimento econômico brasileiro, de nossa renitente aversão à ciência e dos raros quixotes que, ao longo de nossa história, tentaram provar as vantagens dela sobre o preconceito, que, como já dissemos aqui, mais de uma vez, deveria ser adotado como livro obrigatório em todas as escolas do Brasil.

O que vai levando à irremediável perda do último ecossistema ainda em condições de ser conservado no Brasil e no planeta são, muito mais do que a ignorância e a brutalidade dos agentes diretos desse crime, o empedernido apego aos preconceitos e a recusa deliberada da ciência, da técnica e até da prova do ensaio e do erro, cuja descoberta levou o homem a dominar o planeta, por parte daqueles que, em posição de reformar o

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distorcido direcionamento das políticas ambientais brasileiras, insistem na mesma linha que vem fracassando há 499 anos ininterruptos, mesmo estando de posse de amplo conhecimento de tudo que, no resto do mundo, produziu resultados positivos no sentido da conservação ambiental.  A tal ponto que, a esta altura, nos perguntamos se, em boa parte dessas organizações, não estará morto o ideal em nome do qual elas foram criadas, e traídos os heróis da luta pela implantação de uma consciência ambiental no Brasil que as puseram em pé, tendo tomado seu lugar o apego ao poder e às luzes da mídia e, em alguns casos, também o amor ao dinheiro, que flui com disposição tanto maior, de contribuintes bem-intencionados de todo o mundo, quanto mais dramáticos forem os relatórios da destruição.  E isto porque a única ação dessas organizações que produz resultados concretos (novos aportes de fundos) é a elaboração desses relatórios, invariavelmente mais dramáticos do que o último, no que, ao mesmo tempo, correspondem à realidade e denunciam a completa inocuidade da ação dos que os subscrevem para deter a destruição.

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Para conseguir deter essa destruição, sabem as ONGs, sabe o governo brasileiro, sabe o mundo todo, só há um caminho, nesta sociedade humana, cuja característica principal e cada vez mais dominante é a de ser economicamente dirigida em tudo que faz ou deixa de fazer. É a pressão econômica que destrói os ecossistemas.  E só uma pressão econômica mais forte poderá salvá-los, como intuiu Theodore Roosevelt há exatos 100 anos.  Hoje, neste mundo poluído onde o mercado é a força onipresente e incontestável e os espaços abertos e a natureza intacta têm o valor que ele atribui a tudo que é raro, a intuição de Roosevelt se transformou numa realidade pujante que, em toda a parte, com a única exceção do Brasil, emprega, educa e rende, enquanto vai resgatando ecossistemas da sanha de madeireiros e outros predadores, para reformá-los e devolvê-los à natureza.

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Associada à técnica e à ciência, que só ela pode produzir e sustentar, a economia dependente da conservação ambiental tem produzido milagres em todo o planeta.  O tamanho esmagador dos recursos que se levanta, ano a ano, com o turismo, cada vez mais disputado, ligado à caça e à pesca esportivas – o mais diretamente dependente do bom manejo da fauna e da flora, objetivo central de qualquer política ambiental digna desse nome – e a outras formas de turismo ecológico – que, sem a caça e a pesca, não se interessa senão por sítios de menor importância ambiental e maior apelo visual – levou, há muito tempo, à superação da discussão sobre o melhor retorno econômico dos espaços em disputa por outras formas de exploração.  A vantagem dessas formas de exploração ambientalmente positivas é uma realidade esmagadora, e essa indústria avança rapidamente, em todo o planeta, com exceção do Brasil, restituindo à natureza áreas antes ocupadas pela agricultura, pela mineração ou pela exploração madeireira, infinitamente menos rentáveis.

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O governo brasileiro e as organizações de ambientalistas estão cansados de saber disso.  Seria impossível que não soubessem, dada a abundância de informação a respeito em todas as mídias do planeta e à infinita multiplicação dos casos de sucesso.  Mas aquilo que ninguém discute no resto da Terra continua sendo tabu no Brasil, continua sendo proibido por lei apesar do resultado catastrófico de nossa insistência no errado.  Na verdade, o foco da resistência está hoje nas organizações ambientalistas que se deixaram seduzir pelos apelos do poder e pelo jogo de cooptação que se pratica em Brasília, e trocaram as botas e barracas pelos ternos e gravatas.

É um fato notório que, em todas as áreas técnicas de todos os órgãos ambientais federais e estaduais do País, existe a convicção de que não há saída para a tragédia ambiental brasileira fora da que o mundo inteiro encontrou.  Falta, apenas, coragem política para enfrentar a resistência preconceituosa de algumas ONGs com assento no Conama que, indiretamente, ajudam a sustentar a corrupção que grassa nas camadas políticas dos órgãos ambientais, e os batedores de caixa que os sustentam na mídia mais desinformada (especialmente na tevê).

E, enquanto isso, as motosserras cantam e as florestas ardem, à espera de que amadureça o movimento ambiental brasileiro.  Dará tempo?

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O céu está cheio de rios

29 de junho de 2011 § 2 Comentários

Antonio Donato Nobre mostra como a floresta amazônica determina o clima do mundo e outras maravilhas

Enviado por Varlice

Vender preservação é um alto negócio

4 de abril de 2011 § 2 Comentários

Na semana passada os jornais mencionaram uma discussão que estaria começando a correr nos meios ambientais do governo para ceder a exploração (turística) de nossos parques e áreas preservadas pela iniciativa privada.

Seria um passo decisivo para mudar o quadro dramático de absoluto analfabetismo ambiental que assola o Brasil.

Entre os muitos aleijões que a escravidão prolongada produziu neste país, o analfabetismo ambiental conta entre as piores.

O mato, para o colonizador português de beira de praia, sempre foi apenas e tão somente o limite do canavial além do qual só havia “bugres, feras e miasmas”. Eles nunca puseram os pés nele nem para caçar o de comer quando isso era absolutamente necessário. Sempre tiveram o escravo, índio ou negro, para fazer isso por eles, ou para, preferencialmente, empurrar a ferro e fogo o mato para mais longe.

Quando, finalmente, entramos pelo interior adentro, já o fizemos com motosserras, tratores de esteira e “correntões”. Destruímos nossas floresta sem nunca termos tido sequer de entrar nelas.

Isso criou uma distorção que é única no mundo, especialmente nestes tempos em que, com a exceção deste glorioso país com verde na bandeira, todo o mundo valoriza cada vez mais conviver de fato com a natureza selvagem.

A indústria do turismo outdoors é uma das grandes forças econômicas do planeta. E paga-se tanto mais caro quanto mais puro e básico ele puder ser. Finalmente juntou-se a conservação com a necessidade de conservar, uma valorizando a outra. Mas aqui, para a esmagadora maioria de uma população de urbanoides que dificilmente viram mais mamíferos vivos que um cachorro ou um rato de esgoto, isso ainda é “programa de índio”.

Os programas de TV que miram esse segmento, dito “da aventura”, expressão que remete diretamente para as noções de risco e inospitalidade, ainda chamam eucaliptais e campos plantados de braquiária de “áreas verdes” a serem “curtidas” e até “amadas” (porque hoje “gostamos”, do que quer que seja, à americana).

E a primeira providencia dos nossos “ambientalistas” ao criar um parque nacional ou uma área de preservação é proibir a entrada do publico nela, para que não haja o mais remoto perigo de virmos a ter, um dia, algo que se pareça com uma educação ambiental de fato, que nada mais é do que viver uma boa parte da vida nesses ambientes – em geral a melhor porque é lá que se vai para fugir do trabalho e ter prazer. As pessoas lutam por lugares de que se sentem donas. E se sentem donas dos lugares que fazem parte das suas melhores memórias de vida.

Mas entre nós, educação ambiental não é uma prática. É uma ideologia. Uma cagação de regras que raramente fazem sentido. E, no mato pra valer, só se entra clandestinamente, para destruí-lo. Até os cientistas têm sua condição de estudar o que é preciso estudar na natureza para poder conviver razoavelmente com ela restringida de forma absurda quando não ridícula pelos ambientalistas mais radicais.

Na África, com apoio da Cites que é o órgão da ONU para espécies ameaçadas, diversos países reservam as terras lindeiras com reservas e parques nacionais exclusivamente para fazendas de caça ou outras formas de exploração de esportes de natureza, porque isso aumenta a extensão da área preservada, cria uma guarda realmente interessada em coibir abusos (para proteger investimentos e interesses econômicos concretos) sem custo para os cofres públicos e bem menos subornável que as dos governos.

Isso interessa aos investidores pela razão simples de que o parque, lá atrás, repõe caça nas fazendas lá na frente, e caça é a única coisa que vale (muito) mais que soja. A coisa funciona sozinha, em função de mutuo interesse, portanto. É só deixar que aconteça.

Mas nossos “ambientalistas” decretaram que a atividade que define a nossa espécie e garantiu que o homo sapiens chegasse até os dias de hoje é “imoral”. Temos de ensinar nossas crianças que os dentes caninos estão na nossa boca por acaso e os frangos e bifes que comemos todos os dias são fabricados, já com a conveniente embalagem de plástico, nos fundos dos supermercados, sem sangue nem custo ambiental algum, e que a equação da sustentabilidade não se refere nem à superpopulação humana nem ao que temos de derrubar e suprimir para abrir espaço para fabricar o que comemos e o que vestimos, mas sim aos malvados dos americanos e seu “modo perverso de produção”.

Tudo bem! Concedo! Religião não se discute!

Mas vamos, pelo menos, adaptar as ideias civilizadas que deram certo. Que tal incentivar os gringos – e também os ricos brasileiros, porque não! – a comprar bem mais barato terras no entorno dos restos do nosso cerrado, da mata atlântica, nas beiradas da Amazônia, em volta dos nossos “invioláveis” parques nacionais, na beira dos nossos rios só para esses “esportes de aventura”, nem que seja esses do critério politicamente correto (dependendo do horário) das nossas redes de TV?

Ha meses que o Brasil discute apaixonadamente a proibição da venda de terras a estrangeiros, como se eles pudessem carregar o que comprarem debaixo do braço para fora daqui.

Para ser franco, nunca entendi porque estrangeiros investirem para produzir soja ou outra commodity agrícola aqui teria efeitos mais perversos que estrangeiros investirem para produzir automóveis ou televisores aqui.

Criados os empregos, pagos os impostos, passados todos os trâmites legais para exportar essa produção, o que, de fato estaríamos perdendo? Se queremos impedir que a China fabrique proteína animal lá com a proteína vegetal plantada aqui para exportar mais valor agregado, a questão a ser atacada não é o “custo Brasil” sobre a mão de obra (desqualificada), a infraestrutura (sucateada) e os impostos (excessivos para sustentar gastos obcenos de uma casta política privilegiada) que tiram a condição de competir da indústria nacional?

Pra exportar mais valor agregado é preciso domar o PT e o resto dos políticos e não os chineses.

Aos chineses nós devíamos é propor que comprem três alqueires de terras para conservação a cada alqueire de terra para agricultura, por exemplo.

Se ha uma fonte de dinheiro sem custo virtualmente inesgotável, hoje, é essa: todo bilionário do mundo, toda grande empresa do mundo quer enfiar seus bilhões, antes de mais nada, em preservação ambiental. Estão comprando áreas para preservar ou até para devolver à natureza em toda a parte e só não fazem isso aqui porque o governo não deixa.

Se apenas lhes oferecêssemos a oportunidade de comprar para preservar áreas do nosso quase extinto cerrado, nas bordas do que resta da mata atlântica ou em terras amazônicas nesta véspera daquela região ser eletrificada, o que vai multiplicar de forma devastadora a velocidade da devastação, nossos filhos poderiam dormir um pouco mais tranquilos.

Insisto: ha maneiras melhores de gastar neurônios com o binômio terras x estrangeiros do que escolher que tipo de dinheiro pode ou não explorar aquelas que já estão entregues à sanha da agricultura. Muito mais importante – para o Brasil e para o resto do mundo – é convocar os donos de todo dinheiro ocioso ou culpado do mundo (e se incluirmos este já não escapa quase nenhum) a vir comprar uma chance de subir para o purgatório evitando que o que ainda não foi engolido pela fronteira agrícola venha a sê-lo logo ali adiante.

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