Dois mundos estilhaçados + 1
15 de junho de 2012 § Leave a comment
Thomas Friedman escreveu Dois mundos estilhaçados (aqui) para o New York Times de terça-feira (12/6).
O miolo da coisa era o seguinte:
(…) “na Europa o projeto supranacional não funcionou e agora a Europa ameaça regredir ao estágio dos estados nacionais. No Mundo Árabe, foram os projetos nacionais que não funcionaram, de modo que alguns dos estados árabes estão voltando a se dividir em seitas, tribos, regiões e clãs.
Na Europa o projeto supranacional não funcionou porque os estados europeus nunca se dispuseram a ceder o controle sobre seus orçamentos para uma autoridade central que pudesse assegurar uma política fiscal comum capaz de dar sustentação a uma moeda comum.
No mundo árabe os projetos nacionais não funcionaram (em muitos casos, ainda que não em todos) porque as tribos, seitas, clãs e populações regionais desses estados cujas fronteiras tinham sido desenhadas pelos poderes coloniais foram incapazes de gerar comunidades nacionais genuínas.
Assim, a União Europeia tem muitos cidadãos mas não tem uma nação supranacional à qual todos estejam dispostos a delegar autoridade econômica. E o Mundo Árabe tem inúmeros estados nacionais mas poucos cidadãos.
Na Síria, no Iêmen, no Iraque, na Líbia e em Bahrain, uma tribo se impõe a todas as outras pela força – e não porque eles tenham aderido voluntariamente a um contrato social. No Egito e na Tunísia ha sociedades um pouco mais homogêneas e um senso de cidadania mais forte, o que explica porque eles têm uma chance maior de fazer uma transição para um sistema político mais consensual.
Para ser mais exato, na Síria, em Bahrain, no Iêmen, na Líbia e no Iraque é fácil encontrar rebeldes, especialmente entre os mais jovens, que querem se tornar cidadãos e viver em estados multiétnicos onde as pessoas tenham obrigações e direitos. Mas não está claro se existem lideranças preparadas para isso e, sobretudo, classes médias com o nível de educação que se requer para substituir os atavismos por identidades políticas mais claras“.
O Brasil também vive oscilando entre esses dois polos, essencialmente pela mesma razão que põe a democracia fora do alcance dos árabes.




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