A meia entrada e o “jus prima noctis”
17 de dezembro de 2011 § Deixe um comentário
A volta das bebidas alcoólicas aos estádios, que ameaça a segurança dos torcedores?
Ok. O Brasil cede este tanto pouco na sua “soberania legislativa” porque um valor mais alto se alevanta…
Acabar com a meia entrada que sustenta o feudo vitalício e hereditário de um dos barões da governabilidade?
Nem pensar!
Então ao menos mudar a lista dos beneficiários! Para que seja possível calcular o custo, tranferí-lo para alguém; fechar o business plan da Copa?
Hmmm…Va lá…
Dos aeroportos que não decolam aos estádios multibilionários presenteados a torcidas com poder de voto, passando pela antecipação das férias e até pela ocupação das favelas que Brizola entregou ao tráfico na parcela do Rio de Janeiro a ser frequentada por estrangeiros em 2014, essa história da meia-entrada é das mais definidoras da qualidade da “democracia à brasileira”.
No que diz respeito aos valores envolvidos, que ao longo dos próximos 100 anos tentaremos descobrir quais terão sido, é menos que uma merreca.
Mas, como sempre, deus está é nos detalhes.
O brasileiro é grandioso por natureza. Aqui ninguém pensa em mixaria.
É preciso arranjar uma têta pro PC do B que anda ruim de voto, coitado?
Vá lá! Tome o monopólio da venda de uma carteirinha dessas que qualquer camelô pode mandar fazer por uns trocados valendo metade do preço de qualquer ingresso vendido no país, do forró de Arapiraca ao show dos Rolling Stones; do Arranca Tôco Futebol Clube ao Santos x Barça; do Desafio da Várzea do Estado do Acre à Copa do Mundo de Futebol.
É melhor que uma autorização pra imprimir dinheiro, né mesmo!
E assim, como sempre com o rabo alheio, salva-se a revolução proletária e o “partido histórico” cuja indispensável contribuição à construção da Nação brasileira foi ter declarado o desejo de te-la feito, um dia.
Hoje não precisa mais. É um partido político com direito a um impostozinho especial para chamar de seu. Não quer mais que nada mude.
Mas quem fica com a conta? De que tamanho ela é? Como calcular, a cada show, a cada evento, quantas meias-entradas haverá para cada entrada inteira? Quanto cobrar a mais de quem não recebe o mimo para pagar o mimo a quem as excelências magnanimamente o atribuíram e mais o cachê que os jogadores e os artistas insistem em cobrar inteiro?
Sai pra lá! Essas minucias aborrecidas não têm espaço em Brasília onde todo mundo tem mais o que discursar. São problema desses imbecis que insistem em viver de empreender e trabalhar neste altivo rincão anti-americano da América…
Não havendo conta precisa possível, faz-se como sempre: erra-se por cima para que não dê erro.
Afinal de contas, já dizia o Jânio no seu cinismo chulo, “os c… são sempre os mesmos…”. E os nossos já estão acostumados. Não sentem mais os abusos…
Mas como explicar isso ao comprador de ingressos estrangeiro?
Até para a Fifa, que na arte de manipular lama é páreo para Brasília, o desafio não foi pequeno.
Meter a mão no bolso alheio? Claro! Vamos nessa… Mas é preciso ao menos saber quanto tomar, e de quem, porque os “babacas” lá de fora ainda não estão tão bem treinados quanto os “malandros” aqui do Brasil, e insistem em chiar quando são mordidos.
Daí toda a discussão indignada que se viu em torno da meia entrada em seu contexto “social-soberano-patriótico” ao qual – eis aí a suprema arte lusitana! – os próprios trouxas, especialmente os seus representantes na imprensa, são os primeiros a se agarrar.
Empurra de cá, empurra de lá, e chegou-se ao menos a um número fixo, depois de incluir os índios entre os contemplados que o evento é internacional e eles fazem mais sucesso lá fora do que “em casa”.
E a ordem voltou a reinar. O inalienável jus prima noctis do PC do B sobre os nossos lombos no que diz respeito a ingressos e espetáculos ficou intocado, o que garante tratamento isonômico para o justo quinhão de nós a que têm “direitos adquiridos” cada um dos demais barões da governabilidade, e o resto que se aperte e se acomode porque a conta fechou.





Deixe uma resposta