Sabe com quem você está falando?
9 de abril de 2013 § 5 Comentários
A notícia abaixo foi tirada da Revista Época.
Os vídeos em volta dela, que explicam aos seus filhos “a verdade” sobre o caráter “historicamente democrático” do PC do B, e sua veiculação em redes nacionais de rádio e televisão, foi você quem pagou.
O PCdoB divulgou em seu site oficial uma carta em apoio à Coreia do Norte. Segundo o partido, o documento foi assinado ainda por PT, PSB e 16 movimentos sociais e meios de comunicação de esquerda. O texto responsabiliza os Estados Unidos e a Coreia do Sul por uma “campanha de guerra nuclear” contra a vizinha do norte. O PT e o PSB, porém, negaram apoio ao manifesto.
Em nota divulgada nesta manhã pela assessoria de imprensa, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, negou que o PT tenha assinado qualquer documento sobre o assunto. O mesmo foi feito pelo vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, no fim da tarde de hoje.
Diante da negativa oficial petista hoje cedo, o PCdoB não se manifestou sobre a divergência: apenas acrescentou na mesma página do comunicado original que o PT havia negado a assinatura nesta segunda-feira.
O texto foi enviado à embaixada norte-coreana, em Brasília, na semana passada, com uma “declaração de solidariedade” à nação de Kim Jong-un.
A mensagem de solidariedade do PCdoB garante à Coreia do Norte “apoio total, irrestrito e absoluto” contra o que chamam de “imperialismo belicista”.
Segundo o PCdoB, a carta também é assinada por grupos como MST, UNE, CUT, entre outros.
Confira o comunicado na íntegra:
“Senhor Embaixador da República Popular e Democrática da Coreia;
A campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real.
Apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia, os Estados Unidos tem enviado para a Coréia do Sul os bombardeios nucleares estratégicos B-52 e, em seguida, outros meios sofisticados como aeronaves Stealth B-2, dentre outras armas.
Os exercícios com esses bombardeios contra a RDP da Coréia são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável.
As atuais situações criadas na península coreana e as maquinações de guerra nuclear dos EUA e sua fantoche aliada Coréia do Sul além de seus parceiros que ameaçam a paz no mundo e da região, nos levam a afirmar:
1. Nosso total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país;
2. Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear contra a RDP da Coréia;
3. Incentivaremos a humanidade e os povos progressistas de todo o mundo e que se opõem a guerra, que se manifestem com o objetivo de manter a Paz contra a coerção e as arbitrariedades do terrorismo dos EUA.
Conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial, as entidades abaixo manifestam esse apoio e solidariedade.
Brasília, 02 de abril de 2013.
A meia entrada e o “jus prima noctis”
17 de dezembro de 2011 § Deixe um comentário
A volta das bebidas alcoólicas aos estádios, que ameaça a segurança dos torcedores?
Ok. O Brasil cede este tanto pouco na sua “soberania legislativa” porque um valor mais alto se alevanta…
Acabar com a meia entrada que sustenta o feudo vitalício e hereditário de um dos barões da governabilidade?
Nem pensar!
Então ao menos mudar a lista dos beneficiários! Para que seja possível calcular o custo, tranferí-lo para alguém; fechar o business plan da Copa?
Hmmm…Va lá…
Dos aeroportos que não decolam aos estádios multibilionários presenteados a torcidas com poder de voto, passando pela antecipação das férias e até pela ocupação das favelas que Brizola entregou ao tráfico na parcela do Rio de Janeiro a ser frequentada por estrangeiros em 2014, essa história da meia-entrada é das mais definidoras da qualidade da “democracia à brasileira”.
No que diz respeito aos valores envolvidos, que ao longo dos próximos 100 anos tentaremos descobrir quais terão sido, é menos que uma merreca.
Mas, como sempre, deus está é nos detalhes.
O brasileiro é grandioso por natureza. Aqui ninguém pensa em mixaria.
É preciso arranjar uma têta pro PC do B que anda ruim de voto, coitado?
Vá lá! Tome o monopólio da venda de uma carteirinha dessas que qualquer camelô pode mandar fazer por uns trocados valendo metade do preço de qualquer ingresso vendido no país, do forró de Arapiraca ao show dos Rolling Stones; do Arranca Tôco Futebol Clube ao Santos x Barça; do Desafio da Várzea do Estado do Acre à Copa do Mundo de Futebol.
É melhor que uma autorização pra imprimir dinheiro, né mesmo!
E assim, como sempre com o rabo alheio, salva-se a revolução proletária e o “partido histórico” cuja indispensável contribuição à construção da Nação brasileira foi ter declarado o desejo de te-la feito, um dia.
Hoje não precisa mais. É um partido político com direito a um impostozinho especial para chamar de seu. Não quer mais que nada mude.
Mas quem fica com a conta? De que tamanho ela é? Como calcular, a cada show, a cada evento, quantas meias-entradas haverá para cada entrada inteira? Quanto cobrar a mais de quem não recebe o mimo para pagar o mimo a quem as excelências magnanimamente o atribuíram e mais o cachê que os jogadores e os artistas insistem em cobrar inteiro?
Sai pra lá! Essas minucias aborrecidas não têm espaço em Brasília onde todo mundo tem mais o que discursar. São problema desses imbecis que insistem em viver de empreender e trabalhar neste altivo rincão anti-americano da América…
Não havendo conta precisa possível, faz-se como sempre: erra-se por cima para que não dê erro.
Afinal de contas, já dizia o Jânio no seu cinismo chulo, “os c… são sempre os mesmos…”. E os nossos já estão acostumados. Não sentem mais os abusos…
Mas como explicar isso ao comprador de ingressos estrangeiro?
Até para a Fifa, que na arte de manipular lama é páreo para Brasília, o desafio não foi pequeno.
Meter a mão no bolso alheio? Claro! Vamos nessa… Mas é preciso ao menos saber quanto tomar, e de quem, porque os “babacas” lá de fora ainda não estão tão bem treinados quanto os “malandros” aqui do Brasil, e insistem em chiar quando são mordidos.
Daí toda a discussão indignada que se viu em torno da meia entrada em seu contexto “social-soberano-patriótico” ao qual – eis aí a suprema arte lusitana! – os próprios trouxas, especialmente os seus representantes na imprensa, são os primeiros a se agarrar.
Empurra de cá, empurra de lá, e chegou-se ao menos a um número fixo, depois de incluir os índios entre os contemplados que o evento é internacional e eles fazem mais sucesso lá fora do que “em casa”.
E a ordem voltou a reinar. O inalienável jus prima noctis do PC do B sobre os nossos lombos no que diz respeito a ingressos e espetáculos ficou intocado, o que garante tratamento isonômico para o justo quinhão de nós a que têm “direitos adquiridos” cada um dos demais barões da governabilidade, e o resto que se aperte e se acomode porque a conta fechou.
Roubalheira ou liberdade de imprensa: qual dos dois vai acabar primeiro?
3 de novembro de 2011 § 2 Comentários
Quando o resto da humanidade rouba é roubo. Quando a esquerda brasileira rouba é “erro”.
Essa regra nós já tínhamos aprendido com Lula desde os idos do Mensalão.
Mas até os dois, três primeiros ladrões exonerados por Dilma, a atitude da presidente justificou que se alimentasse a expectativa de que o “erro” que, Lula não deixava dúvidas, estava em se deixar flagrar no ato de roubar, passasse a designar o ato de roubar propriamente dito o que, nestes tempos de miséria moral em que vivemos, já representaria um auspicioso avanço na direção correta.
Mas a sistematização da regra de transformar as cerimônias de substituição do ladrão flagrado por outro membro da mesma organização que se beneficiava do roubo e em nome do qual ele era praticado numa sessão de “desagravo” e irrestrita solidariedade ao ladrão exonerado para a qual é invariavelmente convidada a claque dos mais translúcidos salafrários da crônica político-policial brasileira (uso a expressão no seu sentido rodrigueano) é suficientemente esclarecedora.
Não, nós não estamos superando a máxima que inspira aquela parcela precocemente envelhecida da juventude brasileira representada pela UNE e pelo PC do B que aspira, acima de tudo, ao emprego público.
Não, a presidente Dilma não está ensaiando uma requalificação mais “conservadora” do ato de surrupiar o que pertence aos outros como um recurso para ir, aos poucos, reeducando as novas gerações para o desconhecido mundo da ética na política e empurrando o país de volta ao menos ao temor dos 10 mandamentos de deus.
Dentro da perfeita definição de Theodore Roosevelt segundo a qual “o importante não é haver corrupção, mazela inerente à espécie humana; o importante é não permitir que o corrupto exiba o seu sucesso, o que é corrosivamente subversivo“, o governo Dilma continua entregue à subversão.
Age mais ou menos como a polícia carioca. “Mata” o traficante que ameaça o status quo abusando da própria exposição (ou, melhor dizendo, aposenta-o com todos os direitos e proventos paloccianamente multiplicados), mas não toca nas quadrilhas e nem, muito menos, na instituição do tráfico (no caso, de influência e dinheiros públicos) que é a galinha dos ovos de ouro que a todos eles alimenta.
E, no entanto, ou mudamos para um sistema que possa prescindir ao menos desse grau de roubalheira onde já não cabem as ambições da crescente miríade de sócios do governo requerendo feudos para roubar em paz – e o voto distrital, como pelo menos parte do PSDB já admite e prega, é a maneira mais racional e consagrada de se conseguir isso – ou haverá um confronto sério em algum ponto não muito distante dessa estrada.
A cleptocracia institucionalizada e outras formas de violência e abuso de poder não podem conviver com uma imprensa livre, daí ter ela a importância que lhe é atribuída nos regimes democráticos e merecer amplamente o ódio que lhe votam os ladravazes impunes e os candidatos a tirano.
Assim como o regime militar precisou calar a imprensa antes de passar a tratar a questão ideológica na base da violência (mesmo tendo essa violência começado a ser empregada como um revide à violência previamente aplicada pela parte contraria), a roubalheira impune não pode continuar indefinidamente a ser praticada à vista de todos num governo que afirma o seu compromisso com a democracia.
Para que ela continue sem que o governo se esboroe será preciso calar a imprensa, que é, explicitamente, o que vem tentando fazer o núcleo duro da ladroagem desde o primeiro dia do governo petista.
Mesmo porque manter as duas coisas convivendo e, ainda, a cosmética democrática sem a qual não se é admitido nos círculos internacionais que os novos poderosos do governo petista gostam de frequentar no mínimo levará o governo a esgotar todos os seus quadros, a continuarem os flagrantes na quantidade e na velocidade em que vão.
A novela da meia entrada
14 de outubro de 2011 § Deixe um comentário
A novela da meia entrada na Copa do Mundo é um desses casos que deveria fazer cair a ficha aos habitantes desta ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados para a distância abismal que nos separa das praias alguma vez já banhadas pelas águas da democracia.
Os donos dessa teta se levantam em defesa dela com o discurso da soberania nacional ameaçada e, em pleno Terceiro MiIênio ainda vejo alguns jornalistas salivando pavlovianamente e fazendo-lhes eco sem enrubescer, carregados de “indignação cívica” contra esses loiros de olhos azuis intrometidos, para nos lembrar como vai fundo o aparelhamento das nossas escolas e o quanto ainda nos pesa o isolamento linguístico em plena era da internet.
Mesmo assim, não ha como fazer entrar em cabeças que ainda pensam uma aberração como esta. Ainda que queira, como de certo quer já que também eles estão se fartando de mamar nessa festa que Lula nos armou, a Fifa simplesmente não tem como fazer contas a esse respeito de modo a fechar um business plan que faça um mínimo de sentido.
Pois não ha meios de saber que parcela de cada arquibancada de cada jogo desta Copa será ocupada por detentores de carteirinhas da UNE ou por “idosos” de 60 anos e mais com carteira de identidade brasileira, para que se possa calcular quanto cobrar a mais, para fechar a conta, de todos os outros mortais nacionais e estrangeiros não aquinhoados com o pedacinho de privilégio que o PC do B está autorizado a vender para ter como comprar os votos que seu discurso não consegue mais angariar.
Como é que é?
Isso mesmo. Se não é do seu tempo fique sabendo que distribuir “carteirinhas de estudante” que dão direito a meia entrada deixou de ser uma atribuição de qualquer escola, como foi um dia no passado, o que era apenas um absurdo, e passou a ser, graças ao finado presidente Itamar Franco, um privilégio exclusivo do PC do B, o que transformou a coisa num crime eleitoral consentido.
Como o PC do B é, coincidentemente, o partido do ministro dos Esportes, eles não tardarão a aprender o modo brasileiro de fazer justiça que é chutando os preços dos ingressos todos muito lá para cima de modo a garantir que entre mortos e feridos morram e sejam feridos apenas os rabos de sempre para que os deles fiquem garantidamente incólumes.
Pra brasileiro tudo bem já que, desde que nascemos, estamos acostumados a comprar carroças por preço de carruagem e pagar três vezes por qualquer coisa pra sustentar Brasília e cia. ltda, e o fazemos sem chiar desde que as prestações caibam naquilo que sobra do nosso salário depois da mordida do Leão.
Mas e os estrangeiros, estarão dispostos a pagar essa conta toda? Quantos desistirão de vir ao Brasil depois de conhecer os nossos preços londrinos por facilidades africanas e o custo do pacote de ingressos depois que o PC do B recolher o seu imposto particular?
É outra conta simples a que resulta da resposta a essa pergunta. Prejuízo essa Copa vai dar de qualquer maneira. Pois se o prejuízo for maior que o esperado, tudo bem, já que quem paga é de qualquer jeito este nosso povo alegre que não faz contas especialmente num mês tão feliz, recheado de feriados, porque jogo de futebol e trabalho ao mesmo tempo é coisa que a nossa infraestrutura de transportes que divide arrecadação com os pecês-do-bês da vida não comporta.
Por conta das queixas de lesa-soberania da Fifa, a UNE aproveitou mesmo foi pra passar o “Estatuto da Juventude” em sessão tumultuada da Câmara, lá em Brasília, que estende a meia entrada em cinemas, teatros e eventos esportivos também para as passagens de ônibus intermunicipais, interestaduais e de turismo e, de quebra cria “Conselhos da Juventude” em todos os Estados e nos mais de 5.500 municípios para abrigar mais uma galera da companheirada.
E vamo que vamo que país rico é país sem miséria!














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