O burro de carga debiloide que você de fato é
1 de junho de 2011 § Leave a comment

Margareth Thatcher dizia que “o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.
O que vem acontecendo com a infraestrutura no Brasil é mais ou menos isso.
Puxa daqui, estica dali e agora, no gargalo para uma Olimpíada e uma Copa do Mundo sob ameaça de cancelamento em função do sucateamento que resulta da “gestão” publica desses bens, o governo anuncia a privatização a toque de caixa de Cumbica, Viracopos e o aeroporto de Brasília, primeiro, e Galeão e Cofins (Belo Horizonte) numa segunda etapa.
Como sempre, desde a libertação dos escravos, como tantas vezes se lembrou aqui no Vespeiro, o que tira os sanguessugas da imobilidade no seu aferro às tetas é a pressão estrangeira, o que é uma espécie de certificação internacional da mentira a que se dá, por aqui, o nome de democracia.
Uma vez eleito para o cargo, o “servidor publico” e todo aquele que ele ungir com o seu toque de midas nomeativo se torna tão invulnerável que pode ficar impassível diante de qualquer grau de desgraça que atinja os seus eleitores nacionais.

Aeroportos atravancados? Estradas intransitáveis? Portos sucateados? O país que pare; os eleitores que morram nas filas; os produtores que se ardam com os chineses do mundo que ninguém mexe uma palha.
Mas, de repente, a vaidade de algum deles acaba se voltando contra eles próprios.
A de Lula – da Paraíba para o mundo e o céu é o limite! – levou-o a trazer para cá uma Olimpíada e uma Copa? Ah, bom! Agora sim, é preciso mexer em portos, aeroportos e transportes públicos. E rápido!
Mas aí surge o problema: com que dinheiro se todos os quase 40% que nossos governos nos tomam (lembre-se, somente a partir de ontem você começou a trabalhar para você mesmo neste ano da graça de 2011), está investido em sustentar as hordas de nomeados por cada vendedor de governabilidade deste país para nos roubar a cada passo mais um pouco, e não sobra nada para bobagens como a infraestrutura básica sem a qual uma economia nacional não pode funcionar?
É, gente, mas vai ter de dar um jeito. Ou com que cara ficamos perante esses “ingleses”?

Ok. Então chamemos a iniciativa privada porque o Estado não gasta senão com “os seus”. E em ritmo de “licitações excepcionais” porque se já roubamos durante décadas toda a carne que deixou no osso nossos portos, aeroportos, estradas e transportes públicos, surge agora, na hora de por de volta um pouco de carne nesse esqueleto, uma outra grande oportunidade de criar milionários instantâneos, “assessorando” os candidatos à execução dessas obras de forma a aumentar as chances de quem pagar mais de ser ele e não outro a abocanhar esse filé.
No resto da economia acontece coisa semelhante.
O real está supervalorizado? Matando a indústria nacional? Quem se lixa se, na outra mão, as commodities estão bombando e a conta vai fechando ainda “no nosso mandato”?
E depois de nós? Depois de nós, o dilúvio!
O Brasil que se arda para reconstruir o que está perdendo agora.
Por enquanto, mantemos o torniquete no arrocho máximo e, aqui e ali, segundo a oportunidade e o calendário eleitoral, afrouxa-se o aperto em algum dedo, algum membro prestes a entrar em gangrena e recebemos o eterno agradecimento do agraciado pela nossa magnanimidade. É o que estão querendo fazer para a indústria de “tablets”, o gadget da moda, inexistente por aqui porque não cabe nos impostos desta selva.
Não é que daria voto criar uma situação excepcional só para eles?

Lula não conseguiu segurar toda a crise financeira internacional afrouxando o garrote dos impostos só em três setores da economia – automóveis, linha branca e construção civil?
E aí, algum ingênuo perguntaria: mas se fez esse efeito todo só mexendo nessa pontinha, imagine-se o que aconteceria se afrouxassem o arrocho na economia inteira?
A resposta é óbvia.
Mas aí, como é que o Temer e a canalha que o cerca ia poder “retomar as nomeações no segundo escalão”, que foi o objeto da quase revolta que só se resolveu com a criação do que o expert Anthony Garotinho está chamando agora do “diamante de R$ 20 milhões” que a oposição pode explorar para arrancar da Dilma mais fatias do dinheiro que faz falta para estradas, portos e aeroportos? (Não falemos de escolas porque dar mais dinheiro para o atual ministério da Educação é pior que jogá-lo no lixo).
Não vale a pena gastar mais palavras.
O Brasil só começa a tomar jeito quando pudermos demitir esses políticos a qualquer momento e por qualquer motivo fútil. Só isso fará com que eles considerem a hipótese de jogar a nosso favor e abrirá a possibilidade de que o fim da impunidade desça pelo serviço publico abaixo.
Enquanto eles forem indemissíveis e inimputáveis uma vez posto um pé lá dentro, o resto é consequência. Eles continuarão tratando você como o burro de carga débil mental que de fato é quem se permite ser tratado assim em pleno século 21.

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