A ilustrativa matemática da fortuna do dr. Palocci

27 de maio de 2011 § 4 Comentários

Os jornais hoje em dia não gostam de fazer contas nem de se interrogar sobre as implicações das respostas que recebem de suas fontes e publicam sem maior detalhamento ou exibição de curiosidade especial.

Eu ainda me dou esse tipo de trabalho incômodo. Às vezes ajuda muito a gente a entender as coisas.

O Estado de S. Paulo de hoje publica uma entrevista com Walter Torre, o dono da WTorre, aquela empresa suspeita de ter feito triangulações envolvendo milhões entre a Receita Federal e o ministro Palocci para “inventar” dinheiro para a campanha eleitoral do PT.

O sr. Torre estava indignado “com esta porcaria de país onde não ha transparência nem seriedade” (ele se referia à imprensa e à oposição que, mal intencionados, levantaram calunias contra sua empresa). Disse que Palocci participou de 22 reuniões na WTorre, “sempre na ultima sexta-feira do mes”, para fazer avaliações da conjuntura nacional e internacional e recebeu por isso “menos que o valor de um automóvel”.

Ha automóveis e automóveis, mas ele foi quase preciso. Disse que esse valor foi de “pouco mais que R$ 50 mil”.

Vamos considerar duas hipóteses: R$ 60 mil e R$ 70 mil.

Em 22 meses isso resultaria em R$ 2.727 ou R$ 3.181 por reunião.

Mas vamos que ele estivesse se referindo a 60 ou 70 mil por mes (isto é, por reunião). Se esse é o preço padrão do ministro por cada seção de conselhos, para ganhar  R$ 20 milhões em dois meses, como ganhou confessadamente somente entre a eleição e a posse de Dilma, ele teria de ter feito 333 reuniões de aconselhamento em 60 dias ou 5,5 reuniões por dia, incluindo sábados, domingos e feriados, se o valor cobrado fosse R$ 60 mil por reunião e 285 reuniões ou 4,7 reuniões por dia (uteis e inuteis) se o valor fosse de R$ 70 mil por reunião.

O ministro alega, porem, que recebeu esses R$ 20 milhões em dois meses porque seus clientes anteciparam pagamentos devidos em função do fato da Projeto ter mudado sua função de “empresa de consultoria” para “administradora de imóveis” por sugestão do Conselho de Ética do Planalto quando ficou decidido que Palocci seria o superministro de Dilma.

Nesse caso, a R$ 2.727 a consulta, o ministro teria recebido, de uma só vez, por 7.334 consultas e, no caso de R$ 3.181 a consulta, por 6.287 consultas.

30 por semana no caso de R$ 6.287 por consulta ao longo de quatro anos ou 4,3 por dia a cada 365 dias de cada um desses quatro anos.

35 por semana ou 5 por dia ao longo de todos os 1460 dias que passou entre seus dois exercícios como ministro, sem folga nenhuma em quatro anos inteiros, e ainda acumulando com isso o trabalho como deputado federal.

Isso acreditando-se que o ministro tenha ganho apenas os R$ 20 milhões que admite ter ganho naqueles dois meses nesses quatro anos, durante os quais tivesse vendido seus serviços sempre fiado, tendo cobrado todas as consultorias que deu somente naqueles dois meses quando teve de mudar a razão social de sua empresa.

Entendeu agora?

 

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