FHC analisa o 1ro turno
5 de outubro de 2010 § 7 Comentários

Fernando Henrique Cardoso
analisou a eleição para o Vespeiro
na tarde desta terça-feira na sede do Instituto FHC
no Vale do Anhangabaú
“Se le fue la mano. Gosto muito dessa expressão espanhola. O Lula passou do limite. Foi ele quem perdeu este primeiro turno. Perdeu a compostura. O eleitor não perdoa isso…”
Escrevi estes dias, com base no que vinha ouvindo de ex-colegas de redação e outros conhecidos que representam esse setor, que foi a esquerda honesta quem puxou o movimento de fuga para longe do PT. Marina Silva é a esquerda honesta. O grupo do Manifesto pela Democracia é a esquerda honesta…
“Sem duvida. Eu mesmo, com Almino Afonso, participei da articulação do Manifesto pela Democracia no Largo de São Francisco. O Helio Bicudo indicou d. Paulo mas ele aderiu antes que falássemos com ele”.
A pergunta que vale um milhão, agora é “Quem foi que votou na Marina”? Não é nenhum contingente que possa ser classificado por critérios sociológicos…
“É isso, esse eleitorado inclui a esquerda honesta, a juventude, os evangélicos. Está disperso…
Marina simboliza um sentimento. Foi a única que fez a campanha fora da encomenda rígida dos marqueteiros, dizendo o que realmente pensa. E as pessoas captam isso no ar.
Não é, portanto, um eleitorado transferível. Não adianta só o que a Marina vier a declarar em matéria de adesão. Mas é um eleitorado assimilável por quem souber renovar seu discurso para captar esse sentimento que está no ar.
E Serra somado a Marina dá mais que Dilma…”
E de quem ela está mais próxima?
“O dela é o eleitorado da sinceridade. Começa que o Serra não está tendo de abjurar. Ele é, de fato católico. E religião é um componente importante na visão de Marina. A Dilma sim; está tendo de negar as declarações que deu sobre seu ateísmo, sobre ser favorável ao aborto.
É um mau começo para quem quer tentar seduzir o eleitorado da sinceridade.
Tudo que é discurso marketeado vai pagar handicap. E o campeão disso é o PT. O PT é o governo do marketing. São profissionais disso. Fazem marketing o tempo todo. A maior parte do que ele assume como seu foram apropriações feitas pelo marketing e não realizações concretas. Para conquistar o contingente dos que votaram em Marina, tem de se contrapor a isso”.
E o Serra será capaz disso?
“… (interroga-se).
É preciso ter noção da História. Pensar não apenas em ganhar uma eleição mas no que é que ele vai deixar. Quando ele se emocionou, naquele discurso em que usou a letra do hino, ele conseguiu…
Depois é preciso lembrar que foi Dilma quem pôs Marina para fora do governo Lula, na briga em torno de Belo Monte. Os ‘marinistas’ estão naturalmente mais próximos de Serra. Dilma e Lula estão muito mais próximos do modelo dos militares: desenvolvimento a qualquer custo, sem nenhuma consideração por sustentabilidade.
Culpar o meio ambiente pelo atraso nas grandes obras, aliás, tem sido a desculpa preferida para o que é, na verdade, incapacidade gerencial.
É a coisa mais fácil do mundo por a culpa no meio-ambiente. Mas o problema real tem sido a falta de capacidade técnica, gerencial, para por em pé projetos daquela complexidade…

Isso, aliás, é a marca registrada do Lula. O Lula faz uma política binária: nós e eles; os bons e os maus; os ricos e os pobres. Ele só consegue argumentar pondo as coisas nesses termos: o bem, comigo; o mal, com os outros. Não cultiva a tolerância. Não convive com a diversidade. Em democracia, se você apresenta o pequeno enfrentando o grande, o pequeno sempre ganha. O povo se alinha automaticamente com o mais fraco. E é esse o truque que ele sempre usa. Aprendeu no palanque do sindicalista: empregado contra patrão…
Lula afastou o Ciro para isso. Pra que ficassem só dois lados. Mas aí apareceu a Marina e confundiu tudo.
O Lula não contempla a idéia de processo. ‘Antes de mim foi o caos. Depois de mim será o caos. A opinião publica sou eu’. L’état c’est moi.
Mas, de caso pensado ou não – e pelo que Andre Singer conta, parece que não – ele fez a revolução “fordista” no Brasil. Jogou uma montanha de dinheiro na base e esse dinheiro se espalhou pela sociedade acima.
“É verdade. Ele fez realmente. Lula não tem pensamento estratégico. Mas é um excelente tático”.
O estranho é este primeiro turno ser visto como uma derrota por ele. Jogou 47 milhões de votos na Dilma, partindo do zero; ficou 14 pontos percentuais na frente dos opositores, conquistou 18 estados e a maioria absoluta nas duas casas do Congresso. Isso é uma derrota?
“Pois é. Mas não foi exatamente como ele imaginou. E o Lula não pode ser contrariado. É aí que ele revela o seu caráter autoritário. Ou, no fundo, totalitário.

Pura realidade, autoritarismo e ego “trip” nesse nível, só podia dar em segundo turno….Tenho muita esperança na virada!!!!
Prezado Fernão.
Fala pro FH subir no palanque e pedir voto pro Serra. Olha o efeito Aloísio Nunes ai…..
FH pode ajudar.
até onde sei, não foi ele que desceu do palanque, Marcelo. foi apeado dele…
“É um mau começo para quem quer tentar seduzir o eleitorado da sinceridade”.
Longe, muito longe mesmo, de defender a senhora Dilma, acredito que o sr FHC saiba o que fala, já que também passou por uma saia justíssima quando deixou escapar ser ateu e teve de amargar as conseqüências dessa sua ‘sinceridade’.
Abraços democráticos
O problema não é ser ou não ser ateu, o que é um legítimo direito de cada um, caríssima Varlice; no caso em questão, o problema é mudar essa condição ao sabor das oscilações de pesquisa eleitoral ou de resultados nas urnas.
alias, misturar politica com religião é coisa que, de um jeito ou de outro, sempre acaba em fogueira.
saudações anticlericais!
sei la o que o wordpress esta aprontando. sumiu o comentario que eu respondi com a nota acima. era o seguinte, da Varlice:
“É um mau começo para quem quer tentar seduzir o eleitorado da sinceridade”.
Longe, muito longe mesmo, de defender a senhora Dilma, acredito que o sr FHC saiba o que fala, já que também passou por uma saia justíssima quando deixou escapar ser ateu e teve de amargar as conseqüências dessa sua ‘sinceridade’.
Abraços democráticos
O problema não é ser ou não ser ateu, o que é um legítimo direito de cada um, caríssima Varlice; no caso em questão, o problema é mudar essa condição ao sabor das oscilações de pesquisa eleitoral ou de resultados nas urnas.
alias, misturar politica com religião é coisa que, de um jeito ou de outro, sempre acaba em fogueira.
saudações anticlericais!