FHC analisa o 1ro turno

5 de outubro de 2010 § 7 Comentários

Fernando Henrique Cardoso

analisou a eleição para o Vespeiro

na tarde desta terça-feira na sede do Instituto FHC

no Vale do Anhangabaú

“Se le fue la mano. Gosto muito dessa expressão espanhola. O Lula passou do limite. Foi ele quem perdeu este primeiro turno. Perdeu a compostura. O eleitor não perdoa isso…”

Escrevi estes dias, com base no que vinha ouvindo de ex-colegas de redação e outros conhecidos que representam esse setor, que foi a esquerda honesta quem puxou o movimento de fuga para longe do PT. Marina Silva é a esquerda honesta. O grupo do Manifesto pela Democracia é a esquerda honesta…

“Sem duvida. Eu mesmo, com Almino Afonso, participei da articulação do Manifesto pela Democracia no Largo de São Francisco. O Helio Bicudo indicou d. Paulo mas ele aderiu antes que falássemos com ele”.

A pergunta que vale um milhão, agora é “Quem foi que votou na Marina”? Não é nenhum contingente que possa ser classificado por critérios sociológicos…

“É isso, esse eleitorado inclui a esquerda honesta, a juventude, os evangélicos. Está disperso…

Marina simboliza um sentimento. Foi a única que fez a campanha fora da encomenda rígida dos marqueteiros, dizendo o que realmente pensa. E as pessoas captam isso no ar.

Não é, portanto, um eleitorado transferível. Não adianta só o que a Marina vier a declarar em matéria de adesão. Mas é um eleitorado assimilável por quem souber renovar seu discurso para captar esse sentimento que está no ar.

E Serra somado a Marina dá mais que Dilma…”

E de quem ela está mais próxima?

“O dela é o eleitorado da sinceridade. Começa que o Serra não está tendo de abjurar. Ele é, de fato católico. E religião é um componente importante na visão de Marina. A Dilma sim; está tendo de negar as declarações que deu sobre seu ateísmo, sobre ser favorável ao aborto.

É um mau começo para quem quer tentar seduzir o eleitorado da sinceridade.

Tudo que é discurso marketeado vai pagar handicap. E o campeão disso é o PT. O PT é o governo do marketing. São profissionais disso. Fazem marketing o tempo todo. A maior parte do que ele assume como seu foram apropriações feitas pelo marketing e não realizações concretas. Para conquistar o contingente dos que votaram em Marina, tem de se contrapor a isso”.

E o Serra será capaz disso?

“… (interroga-se).

É preciso ter noção da História. Pensar não apenas em ganhar uma eleição mas no que é que ele vai deixar. Quando ele se emocionou, naquele discurso em que usou a letra do hino, ele conseguiu…

Depois é preciso lembrar que foi Dilma quem pôs Marina para fora do governo Lula, na briga em torno de Belo Monte. Os ‘marinistas’ estão naturalmente mais próximos de Serra. Dilma e Lula estão muito mais próximos do modelo dos militares: desenvolvimento a qualquer custo, sem nenhuma consideração por sustentabilidade.

Culpar o meio ambiente pelo atraso nas grandes obras, aliás, tem sido a desculpa preferida para o que é, na verdade, incapacidade gerencial.

É a coisa mais fácil do mundo por a culpa no meio-ambiente. Mas o problema real tem sido a falta de capacidade técnica, gerencial, para por em pé projetos daquela complexidade…

Isso, aliás, é a marca registrada do Lula. O Lula faz uma política binária: nós e eles; os bons e os maus; os ricos e os pobres. Ele só consegue argumentar pondo as coisas nesses termos: o bem, comigo; o mal, com os outros. Não cultiva a tolerância. Não convive com a diversidade. Em democracia, se você apresenta o pequeno enfrentando o grande, o pequeno sempre ganha. O povo se alinha automaticamente com o mais fraco. E é esse o truque que ele sempre usa. Aprendeu no palanque do sindicalista: empregado contra patrão…

Lula afastou o Ciro para isso. Pra que ficassem só dois lados. Mas aí apareceu a Marina e confundiu tudo.

O Lula não contempla a idéia de processo. ‘Antes de mim foi o caos. Depois de mim será o caos. A opinião publica sou eu’. L’état c’est moi.

Mas, de caso pensado ou não – e pelo que Andre Singer conta, parece que não – ele fez a revolução “fordista” no Brasil. Jogou uma montanha de dinheiro na base e esse dinheiro se espalhou pela sociedade acima.

“É verdade. Ele fez realmente. Lula não tem pensamento estratégico. Mas é um excelente tático”.

O estranho é este primeiro turno ser visto como uma derrota por ele. Jogou 47 milhões de votos na Dilma, partindo do zero; ficou 14 pontos percentuais na frente dos opositores, conquistou 18 estados e a maioria absoluta nas duas casas do Congresso. Isso é uma derrota?

“Pois é. Mas não foi exatamente como ele imaginou. E o Lula não pode ser contrariado. É aí que ele revela o seu caráter autoritário. Ou, no fundo, totalitário.

Lulinha paz e amor 0 x 1 Lula de verdade, ou…

4 de outubro de 2010 § 1 comentário

…como Lula se condenou a ser o seu próprio personagem

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As televisões procuravam, esta manhã (4/10), “a causa” da “virada” que arrancou o doce do poder de dentro da goela do lulo-petismo, pela qual ele já escorregava a meio, pra ver só lá adiante como é que vai ficar.

Não me convenço de que novidades de ultima hora do tipo dessas que estão sendo aventadas (polemica sobre aborto e assemelhados) sejam explicação suficiente para o fenômeno. Pode ter tido até algum peso, mas não o bastante. E quanto à “onda verde” pode ter mobilizado uma parcela da juventude, movimento que ficou registrado desde o início da campanha. Mas o timing da mudança que resultou no segundo turno a associa claramente a outros fatores.

Continuo achando que o que determinou a virada foi a debandada da esquerda honesta para longe do PT, seguindo os passos da liderança da esquerda honesta que já tinha feito isso ha mais tempo (veja o artigo Não vale tudo não, seo Lula! publicado no ultimo dia 30/09 aqui no Vespeiro). Marina Silva e os verdes são uma parcela dessa esquerda honesta. O grupo que tomou a iniciativa de lançar o Manifesto pela Democracia no Largo de São Francisco representa outro segmento importante dela. E as “bases” das redações da imprensa livre – o instinto de Lula para identificar amigos e inimigos realmente não falha – são uma espécie de síntese das duas.

Treinado como sou na convivência com esse pessoal com quem fiz jornal por mais de 30 anos, ha muito vinha sentindo o crescente horror que lhes provoca a idéia de ter contribuído decisivamente para colocar no poder a horda da esquerda bandalha que se assume explicitamente como aquela que veio para dar o tiro de misericórdia na esperança de ética na política e que, salivando em cima da expectativa de um massacre no primeiro turno capaz de “exterminar” toda e qualquer oposição, já namorava abertamente a idéia de por mais uma bala no tambor dessa arma para fuzilar também a própria democracia.

Mais que o “caso Erenice”, que é só mais um na longa lista de escândalos que embala toda a administração petista, foi a reação apoplética de Lula à exposição da roubalheira na Casa Civil, pontilhada de ameaças muito menos que veladas contra a liberdade de imprensa e outros pilares da democracia que precipitou essa debandada.

O outro contingente que debandou foi a parcela da população que, embalada na vertigem da afluência econômica, foi despertada da hipnose do “Lulinha paz e amor” pela gritaria ameaçadora e rancorosa do Lula de verdade que a “viagem” do poder absoluto ressuscitou.

Não pára de me voltar à cabeça a descrição precisa e insuspeita de André Singer, ex-porta-voz do “cara”, sobre a gênese do lulismo, onde se mostra com precisão matemática como ele comprou, com o Bolsa Família, a confiança das camadas mais pobres da população que constituíram, em todas as eleições anteriores, o núcleo duro da rejeição à ameaça de “baderna” que Lula representava (e voltou a representar), mas que continua com os dois pés atrás em relação ‘ao PT (veja artigo).

Se quiser permanecer “lá”, sua excelência terá de assumir para sempre o personagem que criou. O Lula que essa população aprova é aquele da “Carta aos Brasileiros, que respeita a democracia e tem a humildade de reconhecer que aprendeu com FHC e de preservar o que ele construiu. O enraivecido, o gritão, o que quer fechar jornais e extinguir partidos de oposição é o Lula que o Brasil profundo sempre rejeitou.

O fato de Luladilma ter perdido votos em todas as regiões do pais e em todos os segmentos da população desde que o Lula de verdade ressurgiu na televisão, sugere que esta é a explicação mais plausível para a virada. E o mapa do Brasil dividido horizontalmente – Norte e Nordeste, Luladilma; Sudeste, Centro Oeste, Serra – nos fala de quantidades de dependentes totais do Bolsa Familia, de um lado, e de beneficiários indiretos da ascensão economica que o programa ajudou, mas não necessariamente escravizados a ele, do outro.

Marina Silva é, mais que tudo, a depositária fortuita dos votos desses fugitivos. A troca, aí, foi mutua. Serra salvou-se para o segundo turno graças a Marina, e Marina salvou-se do gueto dos 10% graças a rejeição que se acentuou com a “pegada” mole do Serra diante dos redobrados coices do lulismo. Se ela vai conseguir ou não converter esse prêmio da loteria em riqueza permanente é outra história.

Por enquanto, ela própria não se vê como a legitima proprietária dessa avalanche de votos que a deixou tão perplexa e atordoada que sua primeira reação foi recusar a responsabilidade que eles implicam e repassá-la a uma plenária do partido.

Os problemas que se colocam agora são principalmente, três:

  • ver até que ponto os contendores vão entender a razão da correção de rumo do eleitorado, o que determinará se essa correção será mantida e aprofundada ou revertida. Lula vestirá as sandálias da humildade de forma convincente? Serra conseguirá entender que é por aí e se colocar como a alternativa democrática capaz de exorcizar uma ameaça autoritária que ele e só ele terá de provar que é real?
  • o país teve tempo de corrigir o rumo. Mas o Congresso, em seu proverbial oportunismo, saltou na dianteira e já está lá na frente, moldado do jeitinho que o lulismo queria. A ameaça às garantias constitucionais que isso implica pode ser um poderoso argumento para Serra se ele se decidir a usá-lo. Mas e se ele for eleito? Como governará com esse Congresso? O PMDB, é verdade, será sempre governo, qualquer que seja o governo. O problema, aí, é só de preço. Foi divertido, aliás, ver aquela indisfarçável cara de “Será que embarquei em canoa furada?” que Michel Temer, mais “mordomo de filme de terror” do que nunca, apresentava ao lado da Dilma quando ela reconheceu a derrota. O grande problema – na verdade o enorme problema – seria governar debaixo da onda de sabotagem que fatalmente se levantaria na máquina publica, tomada de assalto pelo petismo, e da violência aberta a que certamente se entregaria a vanguarda da tropa de choque do partido que mal se disfarça sob o eufemismo “movimentos sociais”.

  • o terceiro problema ocorreria se Lula, sentindo-se encurralado, der a tudo isso uma conotação aberta de confronto de classes, o que resultaria no perigo da sua derrota virar uma crise institucional.

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A verdade sobre a eleição eletrônica

Durante toda a manhã, como em todos os pleitos desde que a novidade foi introduzida, pipocou nas televisões o “porque me ufano do meu pais” em torno das lições que o Brasil poderia dar ao mundo em matéria de rapidez na apuração da eleição.

Sempre me espanta ver, em pleno Terceiro Milênio, a total ignorância, mesmo dos profissionais da informação, a respeito das eleições americanas, que são sempre o parâmetro que se oferece para provar esse “feito” tecnológico brasileiro.

Acontece que na ultima eleição americana 60 quesitos foi a media de itens inseridos nas cédulas eleitorais daquele pais. Tantos que alguns estados já estão enviando a cédula um mês antes aos eleitores para que eles possam preenche-la com o necessário vagar. Seria impossível preencher tudo isso, eleitor por eleitor, numa máquina. A fila daria a volta ao mundo.

No Brasil, o eleitor só é chamado para a “disputa de pênaltis” das eleições majoritárias num jogo previamente decidido pelos caciques dos partidos. Lá, a coisa começa pelas prévias onde é o povo e não os caciques que decide quem, em cada partido, terá direito de pedir seu voto na futura eleição. E nela, alem do presidente, dos governadores e dos representantes nas duas casas do Congresso, eles escolhem pelo voto (e podem cassar a qualquer momento) os funcionários públicos mais importantes (pra que a distribuição de cargos não vire a “zona” que é aqui) e votam dezenas de leis de iniciativa popular sobre os mais variados temas, incluindo desde a aprovação ou rejeição de impostos até coisas como aborto e casamento homossexual. A cédula é, portanto, diferente em cada cidade de cada estado do pais e chega a ter o tamanho quase de uma pagina de jornal.

Daí a demora na apuração: eles têm uma democracia de verdade, onde o povo decide tudo, enquanto nós temos só algo que se parece vagamente com ela.

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São Paulo x Brasil

Olhar somente para as totalizações de votos pode induzir ao erro que seria por esses resultados numa ótica “São Paulo contra o Brasil”, como Lula, aliás, tentou irresponsavelmente fazer na reta final da campanha, quando já sentia o cheiro do que vinha vindo pela proa.

O corte é educacional e de renda.

Nos poucos estados onde a escolarização e o nível de renda são mais generalizados e altos, Serra vence. Mas ele vai melhor também em quase todas as capitais de quase todos os Estados, onde essas condições estão mais presentes que no interior.

A trajetória dos estados de ponta para os grotões é tradicional na política brasileira, como resposta ao desgaste do poder.

A diferença é que o lulismo, pelas razões que André Singer aponta, já nasceu nos grotões sem ter passado antes pelos espigões.

Construção x demolição

Lula sempre foi melhor para destruir que para construir (muito especialmente, instituições).

E sua “vingança” contra o Senado que lhe impôs as poucas derrotas sofridas neste ultimo mandato, foi “maligna”. A queda da CPMF em 2007 e as CPIs iniciadas, que fizeram ferver o menino que não sabe perder que existe nele, levaram-no a dedicar a reta final da campanha, que ele considerava ganha, ao “extermínio” de velhas eminências pardas como Marco Maciel, Tasso Jereissati, Heloisa Helena, Heráclito Fortes, Artur Virgilio, Marconi Perillo, Raul Jungman, Mão Santa.

Dilma pagou o preço desse desvio no foco da campanha.

O Brasil pagará (pesadamente) o da deterioração da qualidade do Legislativo.

Tributo a FHC

Os 11 milhões de votos para o pouco conhecido e nada sexy Aloysio Nunes Ferreira soam como um reconhecimento de São Paulo a Fernando Henrique Cardoso, o seu grande avalista e patrocinador.

De onde viria o dinheiro?

Se Serra ganhasse e tivesse de cumprir as promessas feitas no desespero, levando o mínimo para R$ 600 e dando 10% de aumento aos aposentados, o rombo da Previdência simplesmente dobraria.

E onde o candidato que se apresenta como a antítese da gastança irresponsável arranjaria dinheiro pra isso?

Estelionato oficial

Tiririca, o palhaço paulista, com o seu 1,3 milhão de votos, e Garotinho, o palhaço carioca, vão levar a bancada do seu partideco (o PR) de 23 para 40 cadeiras.

É o preço que o Brasil vai pagar pela “esperteza” desinformada dos que acham que estão fazendo um protesto inteligente atirando no próprio pé, ou melhor, no próprio bolso.

Já vai tarde

Já dei, aqui no Vespeiro, as razões pelas quais não acho a graça que alguns vêm em Plínio de Arruda Sampaio. Felizmente o eleitorado também não lhe dá a importância que a imprensa lhe atribui. Faltou pouco para que o seu PSOL recebesse tudo a que tem direito, ou seja, nada.

Debates para o eleitor

E falando em Plínio, me lembro: já que o Supremo acabou com a censura sob a qual elas viviam ha 13 anos (em silêncio), não estaria na hora das TVs sacudirem a poeira e começarem a fazer debates com regras definidas pelos eleitores e não pelos que pretendem se eleger?

Se bancassem essa idéia e deixassem os que resistissem sem canal pra falar com o povo, viravam o jogo fácil.

Não vale tudo não, seo Lula!

29 de setembro de 2010 § Deixe um comentário

O recado está dado.

Se o povão não sabe o que é sigilo bancário, sabe bem o que é roubalheira e melhor ainda o que é apelação.

A Dilma entendeu direitinho. Tanto que, diante da queda generalizada – em todas as regiões do pais e em todos os segmentos da sociedade – o que ela pediu é “primeiro de tudo, serenidade; ninguém precisa perder o rumo nem o prumo”.

Se a frase não foi dirigida ao Lula, poderia ter sido. Porque quem perdeu a serenidade, o rumo e o prumo diante de mais um flagrante de roubalheira no gabinete ao lado do seu (nunca é demais lembrar esse pormenor “geográfico”) foi ele e ninguém mais que ele.

Mas ha mais que isso nessa movimentação dos eleitores. O que há aí é a opinião publica afirmando a quem a desafiou que ela existe, sim, e tem de ser considerada; é a reação dos eleitores contra quem, cada vez que abre a boca, sugere que, logo adiante, poderá abrir mão dos eleitores.

O Brasil está dizendo a Lula que na democracia ninguém toca.

Seis milhões de votos fugiram batidos dos espetáculos de autoritarismo apoplético oferecidos nas ultimas semanas pelo “nosso líder” no seu delírio de poder. De 12 pontos a mais que a soma dos outros candidatos, Dilma despencou, nas duas semanas de Erenice, enquanto Lula destilava fel contra a imprensa e a democracia, para a fronteira do segundo turno.

Perdeu mais entre os mais informados mas também perdeu muito entre os menos informados. Perdeu mais um pouco no Sudeste, que já conhece Lula de velho, mas perdeu mais ainda no Norte e no Centro-Oeste, apesar do Bolsa Família.

Bom saber que ainda ha brasileiros que não se vendem por tão pouco!

Mas onde Lula perde mais mesmo é no eleitorado da esquerda democrática.

Já registrei aqui no Vespeiro o crescente desespero que percebo na esquerda honesta diante do monstro que ela ajudou a criar. Ela sabe com quem está lidando. Viveu a “patrulha”. Sabe que não ha limites para o vale tudo de quem pensa que a História está a seu favor. Conhece os métodos de ocupação (no caso, da máquina do Estado) e de “limpeza étnica” (no caso o linchamento moral de quem ousa desviar uma virgula do discurso do mestre) do arsenal dos profissionais a serviço do partido. Está assistindo, agora armada pelo poder do Estado, à ação do antigo PT-POL que sempre atuou por baixo do pano na Receita Federal e nos bancos públicos, municiando a máquina de chantagem da tropa de choque petista. Arrepia-a ver gritar “golpe” à mesma gente que, em todos os governos passados, mantinha um esquema organizado para montar dossiês, levá-los aos jornais e às revistas e, assim, “criar o pretexto” necessário para que seus agentes dentro do Ministério Publico fabricassem crises nacionais.

A esquerda honesta corre para onde já tinha corrido a liderança da esquerda honesta: para longe do PT. Uma parte dela, a liderança da esquerda católica, foi aquela que sentiu a necessidade de vir ao Largo de São Francisco, na semana passada, alertar o Brasil sobre quem é essa gente que nos assalta. A outra é a que está fugindo de Dilma para vir se abrigar em Marina Silva.

À margem dessa movimentação, arrasta-se José Serra no seu eterno dilema hamletiano: ser ou não ser uma oposição pra valer? Este senhor e seus “estrategistas de campanha” parecem ter horror a votos. Assim que constataram pelas pesquisas que bola alta é que leva ao gol, apressaram-se a vir aos jornais dizer que vão baixar a bola. E, de quebra, o seu “aliado” Gilberto Kassab anuncia, a cinco dias da eleição, que vai aumentar  o preço das passagens de ônibus…

Abaixar a bola?!

O que isto quer dizer? Vão voltar a dirigir afagos a Lula? Deixar de confrontá-lo com seu passado? Com suas contradições? Com a cleptocracia que ele comanda? Com o ódio que ele expressa contra todas as instituições que definem uma democracia que, de tão sincero sistemático e explícito, chega  a parecer até ingênuo?

O Brasil não merece isso!

A corrida que as pesquisas registram não é uma corrida em direção a Marina, ainda verde demais. É uma corrida para longe de Lula. Para que ela não se dilua na derrota que ainda é certa no segundo turno (se não for no primeiro) não basta a costura de uma aliança com os verdes que, de resto, as circunstancias tornam obrigatória.

Se ele quer bem ao Brasil, deveria gastar os últimos cartuchos que lhe sobram alertando o eleitorado para o perigo de se permitir que o petismo consiga uma maioria tal, no Senado, que, junto com a que inevitavelmente terá na Câmara, lhe permita jogar no lixo a Constituição e virar este pais de pernas para o ar como sempre quis fazer e, com 3/5 do Senado, terá condições de fazer.

Bye, bye Constituição

25 de setembro de 2010 § 3 Comentários

O deputado paulista Candido Vacarezza, “cria” de José Dirceu desde os seus primeiros passos na política, integrante do núcleo da campanha de Dilma à presidência, líder do PT e do governo na Câmara em seu primeiro mandato federal na legislatura que vai chegando ao fim, é o candidato do partido à presidência da Câmara Federal a partir de 2011.

É nele que o PT deposita suas expectativas de ter mais força no governo Dilma do que teve no governo Lula, nos moldes da receita confidenciada por José Dirceu aos petroleiros da Bahia na semana passada, aos quais falou pensando que a imprensa não estava presente.

Trata-se de um “quadro” disciplinado da máquina partidária que passou por cargos-chave nos diretórios municipal e estadual de São Paulo, e no diretório nacional, onde foi o secretário-geral entre 1997 e 1998 quando José Dirceu presidiu o partido.

“Sou do governo, da tropa de choque do governo. Não sou de movimento social. Sou dirigente político”.

É assim que ele próprio se define.

Na sua pauta para a próxima legislatura está estabelecido como “prioridade” impor limites à atuação de órgãos como o Tribunal de Contas da União, aquele que detecta as roubalheiras, e o Ministério Publico, que é o encarregado de investigar e processar os ladrões.

“Os órgãos fiscalizadores estão muito fortalecidos e os executores enfraquecidos”, diz ele repetindo palavras de Lula.

Mas esta, pode-se afirmar, é a periferia da sua pauta. O cerne está na reforma da Constituição dentro da qual até a essência do regime político vigente pode ser mudada.

A criação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para a reforma política e o voto em lista, bandeiras do PT, não o empolgam. “Prefiro dar poder constituinte ao Congresso e especificar quais itens serão mudados na Constituição”.

Por enquanto, a perspectiva desenhada pelas pesquisas é que o PT e seus aliados conquistarão maioria absoluta na Câmara e maioria superior a 3/5 no Senado, o que lhes permitirá virar a Constituição de ponta cabeça sem enfrentar grandes resistências.

Se a imprensa tivesse a competência que Lula lhe atribui em seus comícios preparatórios do amordaçamento final, estaria chamando diariamente a atenção dos eleitores para o perigo dessa perspectiva e a importância de se concentrar as atenções em criar um baluarte de resistência ao menos no Senado já que a maioria na Câmara parece irremediavelmente perdida e a corrida para a Presidência esta definida. Mas o despreparo das redações de hoje é um elemento chave da “tempestade perfeita” que se aproxima do Brasil e vai arrastá-lo para aquele que já é o padrão geral dos governos dos nossos vizinhos de esmagamento explicito da liberdade de expressão, obra cuja autoria Lula reivindica para si na memorável entrevista que deu ontem à Telefônica de Espanha (vulgo portal Terra): é fruto do trabalho que ele comandou no Foro de São Paulo, de reorganização tática da esquerda latino-americana para a tomada do poder pela via eleitoral.

Se tudo der errado e por alguma zebra por enquanto inimaginável o PMDB tiver forças ou mesmo tentar resistir à blitzkrieg petista à qual hoje se deixa docemente constranger para exigir para si a presidência do Congresso, o candidato é Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte, o homem que vive ha mais tempo (40 anos ininterruptos) dentro do ambiente saudável que é o Congresso Nacional.

Ao contrario de todos os outros ramos do partido, o PMDB potiguar tem uma militância ativa que lembra a do PT, capaz de promover “mobilizações populares”.

E a previsão de Alves com esta eleição é a seguinte: “Ficaremos próximos ao tamanho que já temos, mas a diferença é que mais de 90% do partido estará absolutamente alinhado com a Dilma”.

Lula na Telefônica, negando a “conspiração”

23 de setembro de 2010 § 2 Comentários

Não da pra não ver a “entrevista” de Lula à Telefônica de Espanha no portal Terra.

Ele está brilhante, como sempre.

Pus a palavra “entrevista” entre aspas porque, na verdade, a coisa é mais um solilóquio que um diálogo tão poucas foram as perguntas que lhe foram dirigidas.

Lula, entretanto, é sempre um personagem muito rico, eloquente tanto no que diz quanto no que deixa de dizer na fina maestria com que se comunica com as pessoas.

Às vezes, aliás, me pergunto se essas entrelinhas são tão visíveis para os outros quanto são para mim que, tendo aprendido em 30 anos de redação que frequentemente o que há de mais importante em matéria de comunicação é o que se deixa de dizer ou de publicar, sou treinado em lê-las.

Confira você mesmo. Assista a entrevista inteira aqui:

Integra da entrevista

e coteje-a com essas anotações que fiz enquanto ouvia o presidente.

Sobre o tema das relações com a imprensa Lula insiste em não diferenciar denuncia, que é coisa que se refere a fato, de critica, que é a expressão de uma opinião. Seria uma ofensa à inteligência que ele tem de sobra pensar que faz essa confusão inocentemente. Seja como for nunca é demais frisar que o que a imprensa inteira fez nas ultimas semanas que o incomodou tanto não foi expressar opiniões sobre o governo Lula mas sim contar ao pais o que a família Guerra estava aprontando na Casa Civil.

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Sobre uma nova regulamentação da liberdade de imprensa ele também não foi propriamente honesto: disse que “se existir uma idéia sobre isso”, que existe, está no programa do PT, no Plano Nacional de Direitos Humanos e em todos os documentos e pronunciamentos dos mais altos representantes do seu partido, “ela vai ser decidida no Congresso Nacional”.

O sorrisinho velado no fim desta frase remete ao fato de que a coalizão governista vai ter maioria absoluta na Câmara e, possivelmente, também de mais de 3/5 no Senado, o que lhe permitirá aprovar todas elas e mais quantas alterações na Constituição quiser fazer sem ter de perguntar a ninguém.

Insiste que “a sociedade” deve discutir essa questão. Seus cordatos entrevistadores falharam em esmiuçar esse ponto lembrando, primeiro, que a sociedade sem aspas já discutiu isso e as conclusões a que chegou estão expressas na Constituição e, segundo, que o que o governo Lula esta tentando fazer agora é rediscutir só com os amigos do PT o que a sociedade inteira já definiu pelos canais da democracia representativa vigente abertos a todos.

Caberia interrogá-lo sobre porque ele acha que esse tipo de mecanismo de decisão é menos democrático do que as “conferencias” convocadas pelo PT (você já participou ou foi convocado para alguma?) para reformular políticas desse grau de importância, ainda que participem delas todas as 300 mil pessoas que ele mencionou. Afinal nós, brasileiros, somos mais de 180 milhões…

Lula repisa a tecla do “monopólio das comunicações” que pertenceriam, no pais inteiro, a “10 famílias” que, em cada lugar, possuem os jornais, as rádios e as televisões.

Esse modelo, de propriedade cruzada de todas as mídias em regime de monopólio é o que existe exclusivamente no Norte e Nordeste do pais onde todas as famílias donas desses monopólios, como os Sarney, os Collor, os Barbalho e etc. são aliados de Lula e não da oposição.

Cá para baixo o jogo é diferente com todas as praças divididas entre competidores ferozes e poderosos, os mais poderosos dos quais foram, aliás, cooptados pelo governo Lula como, por exemplo, o portal da telefônica espanhola ao qual ele falava que, pela Constituição, não poderia ter uma operação jornalística no Brasil não fosse a proteção que recebe, certamente não de graça, do governo Lula.

Mais adiante na entrevista, alias, ao falar da revolução da internet, ele vai admitir que não ha nenhuma verdade no que diz neste trecho.

Cabe lembrar, a propósito, que o maior dono de mídia do Brasil, seja no que diz respeito a veículos eletrônicos ou não, da old e da new mídia, é o governo, que é também o maior empregador de jornalistas do pais, longe do segundo lugar. Mostrar os números dessa realidade, aliás, é uma pauta que deixo sugerida para onde ainda houver jornalismo livre por aí.

Caíram então no caso Erenice. Novamente Sua Excelência insiste em confundir crime tipificado em lei com “erro” ao tratar das falcatruas dentro do seu governo, que têm ocorrido preferencialmente no gabinete ao lado do seu no Palácio do Planalto, onde habita a Casa Civil. E repete que “não tem pais no mundo com mais liberdade de imprensa que o Brasil”. Essa afirmação sugere que talvez esteja na hora do presidente parar de frequentar lugares como Cuba e Irã para ir visitar algumas democracias, para variar…

Mas o mais importante é a gente lembrar sempre o seguinte: ninguém no Brasil está falando em falta de liberdade de imprensa no presente. As manifestações que têm ocorrido, na mídia e em praça publica, reagem à ameaça recorrente do PT e do presidente da Republica em pessoa de cercear essa liberdade no futuro próximo.

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Pela primeira vez na historia deste governo o presidente passa do “pela primeira vez na história deste pais” para o “pela primeira vez na historia deste planeta” ao se referir ao orgulho que sente pelo tamanho da capitalização que vai promover na Petrobras.

O presidente acha que “essa gente que não gosta de mim confunde popular com populista”. Mas, na entrevista toda, descreveu exclusivamente os expedientes populistas que usou para se tornar popular…

Daí por diante, passou a enumerar partidos que teriam alcançado “o mesmo nível de popularidade do PT” pelo mundo afora. Abriu a lista com um lapso freudiano, nomeando o PRI, da “ditadura perfeita” que dominou o México por 70 anos. Mas logo se emendou. Da lista que desfiou em seguida constavam exclusivamente partidos do campo da esquerda tais como o PC mexicano, o PC italiano, o PC francês, o PS francês e por aí afora que, segundo ele, foram muito populares.

Poderia ter mencionado o partido nazista alemão, que teve a adesão de muito mais que os 30% de eleitores que preferem o PT, assim como o partido fascista italiano, que também mobilizou a Itália inteira a se aliar com Hitler, para voltar às acusações de FHC com que um dos repórteres o provocou momentos antes.

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Outro lapsus linguae foi quando disse que não é um líder de movimento social, é o líder de um partido político.

É interessante como Lula se divide nessa questão, dependendo de qual seja a referencia – oposição ou situação. Ainda que “líder partidário”, ele trata o PT como se ele fosse de oposição, o que realmente acontece e ele admite quando a questão o confronta só com ele, PT. Registra que o partido “tem pouca ingerência no governo” o que é verdade. O que se teme é que venha a ter mais na Era Dilma, como quer José Dirceu. Diz que não pode governar para o PT, o que também é sugestivo porque isto não lhe tinha sido perguntado. A menção apenas sugere que tem sido cobrado e pressionado nesse sentido.

Ao agradecer o PT por “tê-lo ajudado aceitando a candidatura Dilma” parece confirmar a avaliação do editorial do Estadão comentado aqui esta semana que avaliou as declarações de Dirceu em sentido contrario. E quando diz que “o presidente tem de ser um magistrado” para responder às cobranças do PT, repete o que o país inteiro cobra dele e ele não entrega quando se trata de sua participação na campanha eleitoral. Ou seja, Lula admite se comportar civilizadamente com a oposição dentro da sua casa. Estes são os adversários. A oposição mesmo é o inimigo, que tem de ser “extirpado”.

Voltando a Erenice, admitiu afinal: “Erenice não foi expulsa por eles (“os que me odeiam”) . Saiu porque cometeu ‘um erro’”. E foi mais fundo: “Erenice jogou fora a oportunidade de ser uma grande funcionaria publica deste pais”.

Pergunta-se, portanto, onde é que está a tal “conspiração” da imprensa?

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Como já se demonstrou aqui no Vespeiro, o presidente conta muito com a crise da old mídia em função do surgimento da internet para “se vingar” da imprensa que o atacou no passado. Conta, alias, com a máxima “simpatia” dos grandes portais bancados pelas telefônicas estrangeiras que dependem da sua boa vontade para continuar mantendo, no pais, operações jornalísticas constitucionalmente proibidas. Proibição esta que as teles estrangeiras, em troca, esperam ver revogada na nova regulamentação prometida para o setor.

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“Eu acho que o Twitter é uma escravização. Tem gente que acorda duas horas da manhã para ficar tuitando. Tem gente que levanta para falar: Ai, acordei, perdi o sono. O que eu tenho a ver com isso? Vai dormir, pô!”

Matou a pau!

Desse ponto em diante o lado bom de Lula dominou a entrevista. O seu conhecimento “das entranhas” do Brasil é indiscutível e é dele que decorre o inegável sucesso de suas políticas sociais e o seu modo de definir as prioridades do ponto mais baixo para cima, “começando pelas palafitas e continuando pela urbanização das favelas”.

“Governar nos gabinetes, assim como fazer jornalismo de gabinete leva ao mesmo tipo de distorção que viveram os exilados que voltaram e não perceberam que o pais tinha mudado”.

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“A oposição de hoje não está habituada a fazer oposição. Seus quadros formaram-se na situação. Nunca viveram a oposição”.

É indiscutível.

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“O PT errou muito como oposição. Foi contra a Constituição; foi contra o Plano Real. Não admitimos que o país tinha mudado. Erramos”.

Ôps! Olha o Lula aí, conspirado contra o Lula! Essa é a linha mestra da critica que a imprensa lhe faz…

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“Serra esta para mim como eu estava para FHC no Plano Real. Aquilo não foi uma disputa entre dois homens. Era um homem contra uma moeda. Nos falávamos em mudança quando o que o povo queria era continuidade. Não tinha jeito”.

Indiscutível, de novo.

“Agradeço a Deus por só ter chegado quando cheguei ao poder. Mais maduro”.

É outro momento em que Lula redime a imprensa. Admite que o medo que ela (e o resto do Brasil) manifestava em relação a Lula no poder não era fruto exclusivo de “conspiração” e “preconceito”. Tinha sobrados fundamentos.

Se tivesse chegado ao poder imaturo e cheio de voluntarismo como era teria produzido um desastre.

É ele quem o diz.

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Com todo o direito desse mundo, Lula deliciou-se lambendo longamente suas crias.

“Levei o credito de um total de R$ 380 bi quando cheguei para R$ 1,6 trilhão … o povo esta entrando nas lojas, esta comprando!”

É fato. Esta ninguém lhe tira. É isto que lhe dará a sucessão. Como já disse aqui no Vespeiro, Lula fez a revolução “fordista” no Brasil. Espalhou dinheiro pelas raízes para que ele acabasse irrigando “sistemicamente” a arvore inteira.

E, indiscutivelmente, produziu “o seu” milagre.

Conseguiu fazê-lo pela combinação de suas melhores qualidades: o conhecimento das entranhas do Brasil, a lealdade às suas origens, a persistência na perseguição do seu sonho.

Outro ponto alto foi a descrição minuciosa de como, apos a derrota para Collor, ele se dedicou a reunir os cacos da esquerda latino americana pós Queda do Muro, no Foro de São Paulo, reorganiza-la e relançá-la na perseguição do poder pela via eleitoral, abandonando a idéia de tomá-lo pelas armas.

Do Foro de São Paulo, como se sabe e Lula admitiu, participaram todos os movimentos armados da esquerda continental, inclusive as Farc, que seguem participando das reuniões do Foro até hoje. Graças a isso, diz Lula, a esquerda voltou ao poder em quase toda a America Latina.

Cabe lembrar que até Fidel Castro, sob a batuta de Lula, aderiu ao discurso da via eleitoral e está agindo, sabe-se lá com a ajuda de quem mais, para desmantelar a linha dura das Farc, cujas lideranças têm morrido como moscas (veja matéria aqui no Vespeiro). (Isto foi escrito um dia antes da morte de Mono Jojoy, anunciada em 23/9)

Cai, portanto, pela palavra do próprio Lula, mais uma das falsas acusações sobre o espírito conspiratório da imprensa que, apoiada em documentos das próprias Farc, lembrou o publico das relações que ela tem com o PT.

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Sem que fosse interrompido por uma única pergunta sobre a verdade ou não dos fatos conhecidos como “o caso Mensalão”, voltou, depois do capitulo Foro de São Paulo, à tese da conspiração para dizer que a tentativa, em 2005, foi de derrubá-lo do poder, o que só não aconteceu porque “eles não sabiam a força que eu tinha na rua”.

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Para encerrar, Lula disse que “defende a rotação no poder, mesmo que seja de dois em dois, três em três, quatro em quatro ou cinco em cinco anos…”

(Pois é…)

“No ano que vem, volto pra São Bernardo”.

Meno male…


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