Não vale tudo não, seo Lula!

29 de setembro de 2010 § Deixe um comentário

O recado está dado.

Se o povão não sabe o que é sigilo bancário, sabe bem o que é roubalheira e melhor ainda o que é apelação.

A Dilma entendeu direitinho. Tanto que, diante da queda generalizada – em todas as regiões do pais e em todos os segmentos da sociedade – o que ela pediu é “primeiro de tudo, serenidade; ninguém precisa perder o rumo nem o prumo”.

Se a frase não foi dirigida ao Lula, poderia ter sido. Porque quem perdeu a serenidade, o rumo e o prumo diante de mais um flagrante de roubalheira no gabinete ao lado do seu (nunca é demais lembrar esse pormenor “geográfico”) foi ele e ninguém mais que ele.

Mas ha mais que isso nessa movimentação dos eleitores. O que há aí é a opinião publica afirmando a quem a desafiou que ela existe, sim, e tem de ser considerada; é a reação dos eleitores contra quem, cada vez que abre a boca, sugere que, logo adiante, poderá abrir mão dos eleitores.

O Brasil está dizendo a Lula que na democracia ninguém toca.

Seis milhões de votos fugiram batidos dos espetáculos de autoritarismo apoplético oferecidos nas ultimas semanas pelo “nosso líder” no seu delírio de poder. De 12 pontos a mais que a soma dos outros candidatos, Dilma despencou, nas duas semanas de Erenice, enquanto Lula destilava fel contra a imprensa e a democracia, para a fronteira do segundo turno.

Perdeu mais entre os mais informados mas também perdeu muito entre os menos informados. Perdeu mais um pouco no Sudeste, que já conhece Lula de velho, mas perdeu mais ainda no Norte e no Centro-Oeste, apesar do Bolsa Família.

Bom saber que ainda ha brasileiros que não se vendem por tão pouco!

Mas onde Lula perde mais mesmo é no eleitorado da esquerda democrática.

Já registrei aqui no Vespeiro o crescente desespero que percebo na esquerda honesta diante do monstro que ela ajudou a criar. Ela sabe com quem está lidando. Viveu a “patrulha”. Sabe que não ha limites para o vale tudo de quem pensa que a História está a seu favor. Conhece os métodos de ocupação (no caso, da máquina do Estado) e de “limpeza étnica” (no caso o linchamento moral de quem ousa desviar uma virgula do discurso do mestre) do arsenal dos profissionais a serviço do partido. Está assistindo, agora armada pelo poder do Estado, à ação do antigo PT-POL que sempre atuou por baixo do pano na Receita Federal e nos bancos públicos, municiando a máquina de chantagem da tropa de choque petista. Arrepia-a ver gritar “golpe” à mesma gente que, em todos os governos passados, mantinha um esquema organizado para montar dossiês, levá-los aos jornais e às revistas e, assim, “criar o pretexto” necessário para que seus agentes dentro do Ministério Publico fabricassem crises nacionais.

A esquerda honesta corre para onde já tinha corrido a liderança da esquerda honesta: para longe do PT. Uma parte dela, a liderança da esquerda católica, foi aquela que sentiu a necessidade de vir ao Largo de São Francisco, na semana passada, alertar o Brasil sobre quem é essa gente que nos assalta. A outra é a que está fugindo de Dilma para vir se abrigar em Marina Silva.

À margem dessa movimentação, arrasta-se José Serra no seu eterno dilema hamletiano: ser ou não ser uma oposição pra valer? Este senhor e seus “estrategistas de campanha” parecem ter horror a votos. Assim que constataram pelas pesquisas que bola alta é que leva ao gol, apressaram-se a vir aos jornais dizer que vão baixar a bola. E, de quebra, o seu “aliado” Gilberto Kassab anuncia, a cinco dias da eleição, que vai aumentar  o preço das passagens de ônibus…

Abaixar a bola?!

O que isto quer dizer? Vão voltar a dirigir afagos a Lula? Deixar de confrontá-lo com seu passado? Com suas contradições? Com a cleptocracia que ele comanda? Com o ódio que ele expressa contra todas as instituições que definem uma democracia que, de tão sincero sistemático e explícito, chega  a parecer até ingênuo?

O Brasil não merece isso!

A corrida que as pesquisas registram não é uma corrida em direção a Marina, ainda verde demais. É uma corrida para longe de Lula. Para que ela não se dilua na derrota que ainda é certa no segundo turno (se não for no primeiro) não basta a costura de uma aliança com os verdes que, de resto, as circunstancias tornam obrigatória.

Se ele quer bem ao Brasil, deveria gastar os últimos cartuchos que lhe sobram alertando o eleitorado para o perigo de se permitir que o petismo consiga uma maioria tal, no Senado, que, junto com a que inevitavelmente terá na Câmara, lhe permita jogar no lixo a Constituição e virar este pais de pernas para o ar como sempre quis fazer e, com 3/5 do Senado, terá condições de fazer.

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