Moro, as borboletas, as cobras e as lagartixas

28 de abril de 2020 § 50 Comentários

A maldita família pediu e aquela gente que não pode sair na rua alegremente concedeu a este país amaldiçoado mais uma crise política em cima de uma pandemia. 

Anime-se, vamos lá! Desgraça pouca é bobagem…

É mais uma daquelas disputas em que nós somos só o prêmio. A novela da demissão de Sérgio Moro não iria tão longe quanto vai chegar se todos estivéssemos no mesmo barco e fôssemos pagar o mesmo preço pelo que vem por aí. Mas como a privilegiatura vai assistir a tudo de camarote sem a perda de um privilégio sequer – que dirá do sacrossanto emprego pago por alguém que não tem um – lá vai o povo brasileiro, varejado dos tiros da pandemia, de novo para o ralo do “processo político” pelas mãos das criaturas dos pântanos do Legislativo e do Judiciário.

O cálculo de custo/benefício não entra um minuto em consideração. Se entrasse não passávamos do primeiro capítulo pois não vai mudar exatamente nada como nunca mudou exatamente nada o giro completo na roda da ideologia que deu o Brasil entre o regime militar e hoje porque, como pano de fundo, temos sempre o mesmíssimo frankenstein institucional acrescentado de mais e mais membros e órgãos costurados fora de lugar que mantém o circo mambembe da politica macunaímica (esta dos heróis sem nenhum caráter) dando sessões: ao fim de tudo o chefão poderá eventualmente ter sido substituído mas aos mesmos de sempre caberá só ser pagos e aos mesmos de sempre caberá só pagar.

O Brasil é um país esquisito. Aqui não ha política, só ha luta pelo poder, porque “de como submeter o governo ao povo“, vulgo democracia, ninguém – dos plenários às academias, das redações aos “lives”, da extrema direita à extrema esquerda – quer nem ouvir falar. A anti-democracia real, institucionalizada e constitucionalizada, odiosa e anacrônica, simplesmente não toca a sensibilidade verde-e-amarela. Foro, salário, aposentadoria, acesso à saude, direitos e deveres … até a taxa de juros é diferente para os brasileiros de primeira e de segunda classe por força de lei! Tem voto que vale 70 vezes o do vizinho. É absolutamente impossível dizer quem representa quem no sistema eleitoral da “democracia representativa” macunaímica. Largado o voto na urna, “as instituições” draconianamente passam a “funcionar” … só para quem as desenha e redesenha a gosto. 

O Poder é absolutamente blindado contra o povo, mas ai de quem “falar contra a democracia” que não temos. Vem o mundo abaixo porque na “democracia de papo”, sim, nós exigimos uma pureza saxônica. Velhos hábitos! Desde os tempos da Inquisição frita, aqui, quem peca por pensamentos e por palavras. Quem peca por obras não paga nunca. O favelão que se arda, portanto, nessa fogueira de vaidades.

Mas vamos ao cadáver do dia…

Bolsonaro está voltando às origens. Na verdade nunca esteve do lado de cá. Nós é que fizemos dele o que não era por absoluta falta de alternativa em mais uma eleição em que o povo, como sempre a anos luz de distância da oferta eleitoral (im)posta à mesa, vinha em carne viva de um período de abuso extremo. Alegria de pobre. Bolsonaro não rouba fora da lei e, vá lá, só deixa roubar um pouquinho aos muito seus. Mas, até por força do hábito, sempre fez o que pôde para que continuemos eternamente a ser roubados com a lei. Foi a luta das reformas contra o privilégio que Paulo Guedes sempre perdeu para ele. 

Mesmo assim não tem perdão. Balançou pro nosso lado, o traíra! E depois, vindo da periferia da privilegiatura, nem fala a língua da corte. Tem a insegurança pesporrenta de quem se sabe muito acima do “seu devido lugar”. Sim, tem luta de classes dentro da privilegiatura! É a consciência da própria “burguesia” que o faz hiper-suscetível como rei… 

E Sérgio Moro? As instituições que enquanto “funcionarem” nos manterão atolados no brejo é o limite que também ele se impõe. Sai sem nada no bolso como não se vê no Brasil Oficial desde nunca, mas não trai a classe. Não se limitou a romper com o que discordava. Cuidou de telegrafar, passo a passo, nas entrelinhas, todo o roteiro técnico que o procurador Aras, em coisa de minutos, reescreveu no processo que vai jogar o Brasil Real de volta nas garras das criaturas do pântano. 

Continua por nascer, portanto, o herói da democracia brasileira. Ele, que conhece melhor que ninguém a classe de bandido com que estamos lidando, tratou essencialmente de construir o seu cacife eleitoral.

De resto é não desanimar. O fato de mais da metade do país ter feito uma aposta numa rota de fuga ao cativeiro e perdido não torna melhores os que agora exigem a volta do favelão ao tronco. Nem a mais irracional cegueira seletiva de quem, no desespero, insiste no mito é capaz de transformar em virtude, seja a roubalheira em si, sejam os capitães-do-mato dos ladrões de hospitais. Nada transformará em borboletas da democracia as cobras e lagartixas rasteiras que tomam a sua parte no ouro sujo de sangue do favelão nacional atiçando o Estado contra o povo ou montando e remontando chicanas jurídicas e legislativas gosmentas para garantir que não cesse nunca o maior e mais covarde assalto a uma população miserável de pés e mãos atadas jamais perpetrado na face da Terra. 

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§ 50 Respostas para Moro, as borboletas, as cobras e as lagartixas

  • A. disse:

    Qualquer acréscimo só diminuirá o mérito deste post! Destaque especial para “oferta eleitoral (im)posta à mesa”.

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  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Repito: Fernão não rima com macunaíma!
    Ainda condoído pela pedra que o “Franken” que elegemos atirou contra o Ministro Sérgio Moro, eis que abro o Estadão e encontro alívio em seu artigo “Moro, as borboletas, as cobras e as lagartixas” (28/4, A2, Espaço Aberto) que veio a confirmar que você é um jornalista exemplar, que honra a profissão de fé, nosso farol no fim do mundus brasilis, evitando perdas totais no ânimo e nos ideais de cidadãos brasileiros e estrangeiros que amam de fato o Brasil, e por ele sofrem e padecem.
    O artigo de hoje satisfaz muitas indagações e esclarece mais ainda sobre incertezas, que nós do favelão nacional, ainda temos sobre nosso “sistema eleitoral da ‘democracia representativa macunaímica”, “do Poder blindado contra o povo”.
    Enquanto o povo-favelão não virar democraticamente a mesa do jogo do poder podre, continuaremos sim padecendo sob o jugo do – como você bem define – “circo mambembe da política macunaímica”.
    Agradeço-lhe por fazer iniciar bem o meu dia, nessa clausura nacional cuja existência os maus políticos, empresários desonestos e pseudo- lideranças torpes atribuem ao covid-19.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Ops!, corrigindo meu texto acima: …pseudo-lideranças, torpes , atribuem ao covid-19. Lá do fundo de minha memória Júlio de Mesquita me disse: ” Não conferiu, errou, confira e corrija”.

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  • carmen leibovici disse:

    Excelente leitura!

    Eu vou resumir basicamente de que o Brasil precisa fazer e desfazer para se tornar um pais normal..
    1- Fazer distribuição de renda.Melhor dizendo,fazer distribuição do imposto de renda de fato.
    Como?
    -Enxugar e limpar toda a máquina pública de privilegiados e privilégios;empregar nela o estritamente necessário para fazê- la funcionar para o público
    -Cortar todas as isenções de pagamento de impostos,começando pelas grandes empresas que têm recebido esse tão aviltante favor.
    -Acabar com todas as empresas estatais,pois elas servem tão somente para drenar o dinheiro dos brasileiros em empregos espúrios.
    -Tornar crime hediondo pareceres e decisões jurídicas que roubam a Nação.
    -Criar mecanismos não humanos que controlem os cofres públicos,jogando para a imprensa e para o público ,de forma compreensível e simples,o que está saindo, entrando e para onde está indo o dinheiro,com alertas imediatos de tentativas de desvio.Hoje devemos ter meios para isso.
    -Implantar um esquema político eleitoral baseado em voto distrital com recall.

    Basicamente o que acontece no Brasil é roubalheira( e avidez por) do dinheiro público advindo dos impostos pagos por todos.Quando isso for sanado,o governo passará naturalmente a servir para o que deve servir: prover bem estar para a Nação

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    • natalin disse:

      receita perfeita, mas como fazer isto ?

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      • Marcos Abreu Torres disse:

        O primeiro passo é estudar bastante sobre o assunto e discuti-lo com amigos e colegas, formar uma massa crítica de baixo para cima. Se insistirmos nessa educação política (que não temos), um dia nossos eleitos terão a vontade e o engajamento técnico para fazer essas mudanças.
        Mas enquanto não começarmos nosso dever de casa, a politicagem continuará monopolizando a pauta nacional…

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      • Jorge Santos disse:

        Antes de tudo, REFORMA ELEITORAL JÁ na direção do voto distrital.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Prezada sra. Carmen, apreciei suas propostas e espero que os bancos brasileiros e os internacionais colaborem, afinal, todos os anos, 3 a 4 bancos brasileiros estão entre os que mais lucram entre os dez maiores no mundo. Cutucar a estrutura podre é necessário e se os brasileiros de bem quiserem mesmo isso, através do sistema de voto distrital puro com retomada de poder, iniciativas e referenduns, é preciso que se manifeste ordeira e democraticamente nas ruas e praças – e rechaçando os tais blackbestas (blackbobocs), que se infiltram para desvirtuar o direito do povo-favelão de se manifestar – dando respaldo aos servidores públicos de bem e à toga honesta, como a gente da Operação Lava Jato e seu “capitão” (carpe dien) juiz Sérgio Moro.

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    • carmen leibovici disse:

      Eu só queria acrescentar que incentivos fiscais podem ser importantes as vezes para incentivar um certo setor necessário.Mas o que acontece no Brasil geralmente é que esses incentivos não tem caráter honesto e pragmático mas são favores prestados a amigos em detrimento do país.
      Tudo é errado no Brasil.Tudo!

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  • natalin disse:

    brilhante. Há anos tenho meu nariz de palhaço sempre limpo e pronto para o uso. Mas continuamos sem rumo. Vencer a privilegiatura ? como ? dentro das regras legais sempre feitas e interpretadas a seu favor ? Precisamos de uma força física para deslocar estes carrapatos das tetas da vaca nacional.

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  • carmen leibovici disse:

    Só para dar um exemplo de algo extremamente complexo e sofisticado que na prática é extremamente simples de ser compreendido e usado.O Facebook.
    Será que não se pode criar- fazendo uma analogia-um sistema de controle de dinheiro estatal através de um método do tipo?
    Como eu disse ,o dinheiro público é fonte de guerras ao invés de ser fonte de paz.
    Sempre foi assim e sempre será, se a nossa inteligência não sanar esse desvio moral e ético .Hoje podemos criar essa cura para o cerne do mal no mundo.

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  • carmen leibovici disse:

    Todos com poder público correm atrás do dinheiro do cofres públicos- de reis com suas cortes a ministros,deputados,senadores e etc com seus favorecidos.Os tro7xas sempre foram e sempre serão os pagantes.Podemos sanar isso!

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  • Colateral disse:

    Prezado Fernão:
    Tem um detalhinho(apud Zélia).
    Menos de 0,5% dos brasileiros conseguiriam compreender o que escreveste.

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  • marina alves dos santos disse:

    Sérgio Moro recebeu uma incumbência com promessa de carta branca para escolher seus auxiliares. Fez um belíssimo trabalho. Quem não cumpre a palavra é Bolsonaro. O juiz engoliu cobras e lagartos até que, foi jogado pra fora quando o Pr demitiu seu braço direito. Só se o Ministro não tivesse vergonha na cara. Ele continua sendo um herói nacional porque nunca se viu tanta coragem. Marcelo Odebrechet passando um Dia de Natal na cadeia? Inimaginável ! Sem nenhum privilégio? NOSSA! Tomara que o destino por alguma IRONIA O COLOQUE NO STF.

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  • natalin disse:

    prefiro esperar mais luz sobre este assunto. O Moro é político agora e agiu como tal.; E ninguém é só o que parecer ser, nem Deus e muito menos o Moro.

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  • A. disse:

    Bom dia, Dna. Carmen!
    A sra. tem a solução para grande parte dos nossos problemas.
    Mas, à semelhança dos ratos que queriam se proteger do gato, não apareceu ninguém pra por o guizo no pescoço do bichano!

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  • GATO disse:

    Bom dia Sra. Carmem, Sra. Marina, Sr. Herbert, Sr. A., faço minhas vossas palavras, contribuo com mais algumas para reflexão:
    1) É o dinheiro…. imitando o Greenspan, simples assim, boicote de impostos, sem dinheiro pra eles imaginarem criativas soluções de rapina, proibição de missão de qualquer título do estado, inclusive papel pintado até o final de 2020;
    2) Aliquota de 50% de IR para todos que trabalham para nós, isto é, aqueles que recebem do estado;
    3) Todos que já foram votados e aqueles que votaram neles, perdem o Titulo Eleitoral por 20 anos, só os pós-pandemia que nunca votarão o poderão fazer nas próximas eleições, candidatos também, sem necessidade de partidos, com isso pode se fechar a Justiça Eleitoral, só ai será grande economia. Pra votar só precisa do CPF ativo, com pagamento de no mínimo R$600,00 no ano, quem paga a conta é que pode escolher.
    Estes somados as outras sugestões, já resolverá grande parte do problema, com novos dirigentes se começa a fazer mais ajustes.

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  • GATO disse:

    Ops, corrigindo “proibição de emissão de qualquer…”

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  • Adriana disse:

    A solução o próprio Fernão nos dá a tempos! Voto distrital puro com recall para enfim colocar o povo no poder como deve ser em uma verdadeira democracia. Iniciativa popular legislativa factível e não a impossível que temos. Tirar e colocar juízes, promotores e delegados pelo voto. Todos servidores devem ser demissíveis. Se funciona nos países ricos e verdadeiramente democráticos, pode funcionar nessas terras. O que não funciona é o que temos.

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  • flm disse:

    Ufa!

    Difícil e cansativo este País, Adriana…
    Quando analizo a brasileira tenho em mente os parâmetros dessa democracia que v menciona: o regime onde o povo e não o governo é quem manda e tem a ultima palavra em tudo. Mas a maioria dos leitores têm por referencia a única “democracia” que conhecem que é a que o STF, o Rodrigo Maia, o Sergio Moro ou sei lá quem diz que existe, uma “jabuticaba” que usa o mesmo nome mas falsifica até a única coisa remotamente semelhante que tem com a verdadeira que é o ato de votar. A nossa falsifica automaticamente ate o voto que depositamos nas urnas desviando-o do nome para o qual originalmente foi dado para outro sem voto nenhum do mesmo partido. A democracia que consta do vocabulário internacional o brasileiro em geral não sabe o que é. Ha um gap de conceitos quase impossível de transpor nesta babel em que o Brasil foi transformado…

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    • Adriana disse:

      Hoje está sendo reiterado em palavras eruditas o fato de que as “instituições” estão funcionando. Claro, faltou dizer que é só pra Corte. Estão em êxtase de si próprios e com sua própria grandeza. Aparentemente não têm ideia de que os salários, a festa e até eventual ‘por fora’ vem do sacrifício do povo.

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  • Sonia disse:

    Triste e imbatível retrato da situação nacional… Obrigada Fernão.

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Calma, o moro logo se revelará.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Estando em Roma, aja como romano? O Moro pode não ser santíssimo, mas soube na hora certa enquadrar o “demiurgo de Garanhuns” . nada contra a bela cidade e seu povo trabalhador. É vamos aguardar no que vai resultar todo o rol de processos que vão surgir. Sob a ótica da democracia “brasileira” atual torço pelo Moro.

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      • José Luiz de Sanctis disse:

        Melhor não torcer pelo Moro, pois se o Bolsonaro cair, a petralhada volta, ou a tucanada, que são os petralhas perfumados. É o que temos.

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      • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

        Sr. de Sanctis, a petralha não volta não, a não ser que o povo favelão – a maioria dos eleitores – se traia e venda seu voto para seus algozes durante os governos Lula e Dilma. A roubalheira criada pelo PT e partidos eventualmente coligados é que gerou esse caos todo , enfraquecendo o Estado e humilhando o Brasil perante o mundo todo. Será que o nosso povo é tão sem vergonha, tão macunaímico ainda ? Quanto ao Congresso Nacional, peça chave nas reformas que deverão ocorrer, mais de 220 respondem a processos na justiça, tanto senadores como deputados. Se o STF não cumprir a Constituição aí sim acredito que qualquer coisa é possível acontecer, ao sabor da roubalheira das coisas públicas, desde merenda escolar até material hospitalar e medicamentos.
        Os panelaços Brasil afora indicam que o eleitor brasileiro já acompanha de perto e procura participar nas decisões políticas, mas infelizmente os tais “representantes ” que elegemos são na maioria a privilegiatura que rouba nosso sangue, suor e lágrimas. A covid-19 está mostrando que não temos quase nenhuma estrutura para enfrenta-la, pois os petralhas e seus simpatizantes em outros partidos não usaram nossos impostos para gerar equipamento básico de saneamento, saúde, educação, trabalho, transporte, alem de meterem a mão nos fundos de pensão, enganando o povo- trouxa com sua verborragia “comuno-socialista”. Por enquanto, não quero acreditar que o guardião de nossa Constituição Federal, o Supremo Tribunal Federal – STF, se venda para facilitar as coisas para os ladrões do PT retornarem ao poder ou se acovardar diante do absurdo mandonismo do presidente, por direito, Jair Messias Bolsonaro Se isso acontecer, por gentileza, o último que abandonar o Brasil apague a luz. Será um salve-se quem puder, como acontece na Venezuela com a democracia fenecendo.

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  • Mora disse:

    Colateral e Marina : a linguagem do FLM sempre foi politicamente por demais erudita. Difícil de entender até mesmo pelos mais bem informados. Creio que é essa erudição, condição sine qua non para que seus artigos saiam no Estadão. Todos os ” iluminados” que se manifestam, também se preocupam em ficar ” bem na fita “. A época da ” luva de pelica ” não se aplica mais. Não é mais época de ” duelo ” para se lavar a honra.

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  • Cirval disse:

    Educação, educação, educação…..; esta é a chave da esperança. Como recitava Castro Alves:

    Por uma fatalidade
    Dessas que descem de além,
    O séc’lo, que viu Colombo,
    Viu Gutemberg também.
    Quando no tosco estaleiro
    Da Alemanha o velho obreiro
    A ave da imprensa gerou…
    O Genovês salta os mares…
    Busca um ninho entre os palmares
    E a pátria da imprensa achou…
    Por isso na impaciência
    Desta sede de saber,
    Como as aves do deserto –
    As almas buscam beber…
    Oh! Bendito o que semeia
    Livros… livros à mão cheia…
    E manda o povo pensar!
    O livro caindo n’alma
    É germe – que faz a palma,
    É chuva – que faz o mar.

    O poema O Livro e a América foi publicado em 1870 e, de lá até aqui a educação brasileira não avançou como devia, com raros lampejos. Como melhorar se temos o Ministro Vai e Tromba dirigindo a (des)educação no Brazil (com Z em homenagem a Trump)? Sem educação o povo não saberá o que é voto distrital. Pensa que é votar no distrito policial e passa a ter medo de votar. Vamos ter que sair de porta em porta (só depois da Covid-19 e, é claro, se estivermos vivos!) para ensinar aos vizinhos o que é voto distrital, se é que sabemos para nós mesmos, já que nem todos têm o Twitter ou o Facebook. Se tivéssemos os robôs do Carluxo Bolsonaro alcançaríamos mais gente, mas ele não faz uso deles para a educação e sim para por medo nos militares, que tremem quando o veem diurna e diuturnamente (homenagem à Rousseff) no Palácio do Planalto. É por isso que se calam nas trampolinagens do MI(n)TO. Outro dia pensei que, se tivéssemos um pessoal unido, poderíamos colocar os impostos que pagamos diretamente, como o IR, ISS, etc em consignação, judicialmente, e somente poderiam ser liberados se demonstrado onde seriam usados. Só assim os impostos que pagamos teriam destino correto e, ainda, se vedada a utilização para salários de políticos. Meus pais tentaram melhorar o país educando os seus filhos, assim como eu, os meus, mas não passou da família e das pessoas próximas. Meus netos continuarão a saga, mas até quando, se colocaram o roto no lugar do remendado para dirigir o país? Esqueçam. A continuar a devastação do meio ambiente, a Terra será inviável para a sobrevivência humana (fora as 7 pragas) e o Brasil continuará na mesma. Com o governo atual o país não vai avançar em nada, por isso devemos colocar as nossas esperanças nos próximas eleições, mas sem aquela de escolher o melhor dos piores. Ave, Caesar, morituri te salutant!

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  • elymar47 disse:

    Aprecio muito as colocações de FLM. Acho que às vezes exagera no rigor ao analisar comportamento de políticos. No caso, agora, do Bolsonaro. Assumiu um governo onde o Legislativo era um “puxadinho” do Executivo. Qualquer coisa passava desde que mãos fossem molhadas. O Legislativo “enrolou” o que pode e quando começou a ficar ridícula a situação, começou a legislar. O Moro seguiu ma mesma sinfonia.Nada de seus projetos se concretizaram integralmente, foi um Ministro medíocre. Caiu Moro, Mandetta e Diretor Geral da PF, foi um terremoto, só se fala em impeachment, como se não fosse normal numa democracia tupiniquim. Minha expectativa sobre Bolsonaro, eleito democraticamente, é modesta, que continue até 2022. Se não fizer nada e não atrapalhar quem produz, mantendo as centenas de ratazanas longe do queijo, estaremos no lucro! Para as reais mudanças que aspiramos só com regime Parlamentarista com voto distrital e recall e nova Constituição Federal feita por expoentes do povo, decidindo o que, nós, o povo,queremos para nós, sem nenhuma participação das “raposas” que cuidam do “galinheiro”. Até Monarquia poderia retornar. Para passar uma patrola derrubando velhas estruturas, nivelando o terreno para o tudo novo, começando do zero, como fazer?

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  • Ethan Edwards disse:

    Lendo sobre a direita, os liberais, conservadores e neoconservadores nos EUA, eis o que encontro:

    “A campanha de Richard Nixon em 1968, direcionada à ‘maioria silenciosa’, demonstrou a crescente importância política de americanos frustrados e até mesmo alienados. E o crescimento de dois grupos alterou a dinâmica do movimento conservador. O primeiro pode ser chamado de direita populista. Essas eram pessoas que há muito sentiam que o governo federal atuava contra seus interesses e que a nação estava cada vez mais sob o controle de uma classe de intelectuais que tentava recriar a América à sua imagem e semelhança. (…) Ressentiam-se com a intromissão elitista em sua vida. Muitas dessas pessoas eram fundamentalistas cristãos que tinham passado a enxergar recentes mudanças nos Estados Unidos (…) como reflexo de tendências anticristãs.”

    O A. menciona em seguinte os neoconservadores, intelectuais pragmáticos, muitos desencantados com a esquerda, que se juntaram a esse movimento, e conclui:

    “Como era de se esperar, a revolução conservadora correspondeu, em parte, a uma tomada ideológica dos instrumentos de poder (burocracia) em vez de uma alteração fundamental da natureza e do tamanho do governo”.

    O A. acrescentará que, com a consolidação desse movimento nos anos 1980, com a vitória de Reagan, haveria uma consequência significativa: “o centro do debate político havia se deslocado para a direita”.
    (“Revolta contra a modernidade – Leo Strauss, Eric Voegelin e a busca de uma ordem pós-liberal”. Mcallister, Ted V., 2017)

    Creio que, entre nós, no Brasil, é de algo muito parecido que se trata. E também entre nós nunca esteve em questão a desmontagem do Estado patrimonialista (e a redução do poder da privilegiatura), e sim a utilização desse Estado para contemplar/premiar outros grupos sociais, até então excluídos pela elite progressista, sobretudo simbolicamente, por intervenções na cultura, nas políticas públicas relacionadas com comportamentos, na questão ambiental, na segurança, etc. Também entre nós o debate político deslocou-se à direita, o que significa que uma eventual vitória sobre Bolsonaro não significará, para os vencedores, um retorno ao status quo ante, e sim um arranjo com feições conservadoras e forte presença da direita.

    Nesse quadro, a saída de Moro me parece apenas um acidente altamente previsível. No Brasil não existe, há muito tempo, a separação entre instituições de governo e instituições de Estado. Aqui, quem ganha o governo ganha tudo: a PF, o Banco Central, o BNDES, o Banco do Brasil. É uma consequência natural do patrimonialismo. Numa época de guerra civil a frio, essa indistinção é ainda mais acentuada. Ao aceitar ser ministro de Bolsonaro, Moro imaginou, ingenuamente, que no governo poderia continuar agindo como juiz. Ledo engano, como se dizia antigamente: ele se tornou parte do governo, e o governo está em guerra com a metade do Brasil que não votou nele. De que serve, nessas circunstâncias, alguém que mantém a Polícia Federal longe da interferência do presidente mas não consegue impedir que saiam todos os dias de dentro da PF – e vão direto para os jornais hostis – informações sobre aliados do governo que estão sendo investigados? Bolsonaro queria (e certamente ainda quer) um aliado na sua guerra, e não um observador altaneiro. Moro não cabia mais no governo.

    Obrigado pelo (enorme) espaço. Abraço.

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Caro Ethan Edwards, infelizmente o que vemos no Brasil é isso mesmo, na prática é como escreveste acima: “… não existe, há muito tempo, a separação entre instituições de governo e instituições de Estado”. Sendo assim fica claríssimo que a Carta Magna é trapo em boca de vampiros – maus políticos – e a Lei, ora a Lei, e o povo, ora o povo. Nossa República é surrealista, kafkaniana e catimbeira, tendo um presidente que já afirmou que “o Estado sou eu” – será que ele leu isso em algum almanaque de curiosides? – e disse também que “a Constituição sou eu”, Ele assina leis e decretos a bel prazer, segundo a fórmula: se passar, passou; se não passar ele tenta de outro modo, até conseguir, tudo a revelia das vontades populares e desrespeito às leis.. Logo ele poderá dizer: eu sou a Lei, o juiz, a polícia e o governo.
      Felizmente temos o Ministério Público Federal que vai enquadra-lo direitinho e o Supremo Tribunal Federal agirá em defesa da Carta Magna e do povo que deve representar de fato,caso contrário é melhor que rasguem as togas. O remédio é o povo sair às ruas maciçamente – após a crise do covid-19 – diariamente, em todas as cidades e vilas até que a Lei maior seja respeitada. A farsa já acabou, somente falta enterra-la de vez.

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    • flm disse:

      Sim, é exatamente por aí, Ethan.
      Conhece “COMING APART: THE STATE OF WHITE AMERICA 1960-2010” de Charles Murray?
      Aqui acontece coisa muito semelhante com a diferença de que lá as escolas de elite são a fronteira que divide a “rulling class” do resto e aqui são os concursos públicos e as nomeações.

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      • Ethan Edwards disse:

        Obrigado pela indicação. Vou ler. Estudar os processos de diferenciação social é obrigatório para quem gosta de política. Temos o costume de falar no “povo”, nos “brasileiros”, e frequentemente nos esquecemos de que, de acordo com a referência temporal, esses conceitos tratam de coisas distintas. O “brasileiro” de hoje não é o “brasileiro” de 1980, por ex. O “povo”, com o tempo, muda: de religião, de valores morais, de situação econômica, de “filosofia de vida”… e continuamos a falar desse ser indefinido como se fosse sempre o mesmo.
        Abraço.

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  • Dênio disse:

    Acho estranho quando alguns comentam em tom crítico a possibilidade de Moro ser político e vir a ser candidato. Querem mudanças mas não aceitam a possibilidade de renovação. Nessa toada, estão com a ilusão de que alguns dos nossos atuais políticos em um momento de reflexão, irão se arrepender de todo o mal que nos causaram, e num passe de mágica, serem aquilo com que sonhamos. Alguém acredita que um Aécio, Temer, Renan, Dirceu, Lula, FHC, e qualquer um dessa laia, irão mudar de caráter?

    Ora, Moro como cidadão brasileiro tem o direito a se candidatar ao que quiser. Se o Brasil quiser mudança, terá que agir diferente, eleger outros, pois o que temos tirando raríssimas exceções, não farão as mudanças que queremos. Não existe Democracia sem oxigenação. Convenhamos, desde de Tancredo só elegemos os desonestos e mal intencionados, é preciso eleger os honestos e bem intencionados.

    Somente acreditarei no político que defenda a implantação do voto distrital puro com recall, o que parece não haver hoje. Poder em demasia corrompe. É preciso dar o poder do voto distrital para a sociedade, se ela depois quiser eleger políticos à esquerda, à direita, ao centro, não interessa, desde que o poder de escolha seja da sociedade, o que não acontece com nosso atual sistema eleitoral.

    Pelo passado de Moro e Bolsonaro, fico com Moro. Mas isso é pouco pra mim, é preciso sabermos a verdade dos fatos. Que se puna exemplarmente quem errou. A verdade é meu Norte.

    Quanto ao Fernão, faço uma crítica construtiva. É inegável sua contribuição para a implantação do voto distrital puro com recall, talvez o único de expressão que luta solitariamente pela causa. Somente o apoio popular irá fazer com que esse democrático sistema eleitoral seja implantado. Não seria o caso de mudar os textos de padrão acadêmico para o linguajar popular? O povão, aquele que você sempre diz que é o que paga a conta, e estou totalmente de acordo, nunca vai entender a profundidade dos seus atuais textos, e só ele, o povão, poderá fazer a diferença para que um dia o voto distrital puro com recall seja enfim, implantado.

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    • A. disse:

      Discordo veementemente que o Fernão tenha que falar linguagem popular! Estudou tanto pra quê? Pra receber esse tipo de crítica? “QUEM MUITO ABAIXA A BUNDA APARECE”. Quem quiser entendê-lo que se ELEVE ao seu patamar! (já não chega as redes sociais e a malandragem?). Já estou saciado de consumir lavagem…

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Sr. Dênio, concordo muito comseu comentário, que resume bem o que muitos “vespas” pensam. Cabe a todos nós reproduzirmos os textos de Fernão em linguagem mais acessível ao povo de senso comum e divulgá-los amplamente, até na base da de material impresso distribuido em pontos de ônibus por colaboradores que querem o sistema de voto distrital puro com retomada de poder ,etc… É obvio que, se Fernão falasse numa escola, para adolescentes, usaria um discurso adequado aos ouvintes. Em seus artigos ele prima pela gramática e pelo vocabulário rico, utilizando sua vasta cultura para esclarecer os assuntos que aborda. E outra, nossos políticos são na maioria semi-alfabetizados e somente se safam nos seus afazeres porque tem muitos auxiliares no bastidor, dando solução aos ” causos” que eles criam a revelia da Constituição Federal. Acho que não resolveria se Fernão fosse ao Congresso Nacional para fazer discurso: “Oração aos néscios”.

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      • Dênio disse:

        Herbert, você compreendeu o que quis dizer. O grande Ariano Suassuna é um exemplo do que é uma linguagem popular. Afinal, a Democracia só é plena se for popular. Impopular como é hoje, só serve a privilegiatura, e acho que é isso que devemos combater. Sou representante comercial. Meu modo de expressão tanto corporal como o linguajar quando estou fechando um negócio, depende do grau de conhecimento do meu cliente. Se quero fechar a venda, preciso que ele, o cliente, me compreenda. Acredito que o caso se aplica a causa do voto distrital. Inteligente é aquele que alcança seus objetivos, resiliência. É uma crítica construtiva, jamais uma ofensa. Tenho enorme respeito pelo Fernão.

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      • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

        Dênio, todos nós temos o máximo respeito e admiração pelo trabalho do Fernão e expusemos o nosso ponto de vista para que os textos dele cheguem ao maior número possível de cidadãos eleitores. Quando o senhor atende clientes analisa o discurso deles e prepara o seu para bem comunicar e ser entendido, atingindo o objeto de um bom negócio. Como afirmei acima cabe a nós outros prepararmos o texto dele para o senso comum, a fala coloquial.
        No jornal O Estado de São Paulo defendo que fica muito bem o estilo com que ele escreve para todos, especialmente para as lideranças. Aqui no Vespeiro.com ele se comunica de forma a interagir com a maioria dos seus leitores seguidores. Veja como as vezes ele escreve os posts, como num bate papo.
        Seria interessante se os jornalistas redigissem mais artigos sobre o sistema de voto distrital puro com retomada de poder,referenduns, iniciativas, etc…Percebo que o número de artigos sobre o assunto começam a aumentar e até citações das idéias do que é o voto distrital puro em meio a notícias e editoriais em diversos jornais e sites.Não é mesmo? O assunto está aquecendo em nosso meio.

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  • Mora disse:

    A. Precisamos que todos entendamos a mensagem do Fernão. Erudição não adianta. Todos tem que saber trocado a miúdo. A linguagem para o povo entender é fundamental.

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    • A. disse:

      O “povo” tá interessado? Quem se interessa vai atrás! Pesquise aqui mesmo no vespeiro quantos se interessam por voto distrital! Os que frequentam aqui e se interessam que se encarreguem de traduzir para os que nos são próximos. O gari, o recolhedor de reciclável, o repositor de supermercado e um infindável etc. leem o Estadão ou o VESPEIRO?

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