A imprensa e a pauta nacional

11 de maio de 2015 § 83 Comentários

ceg5Artigo para O Estado de S. Paulo de 4 de maio de 2015

De quanto tempo será o castigo? Quanto teremos de viver sem respirar? Quantos vão morrer?

Ha controvérsias. Aquele câmbio de “fazer pobre viajar de avião” que o Lula vive exibindo como prova do seu amor pela humanidade destruiu a indústria nacional. Junto com a desmontagem dos três eixos de produção de energia – a elétrica, a de biomassa de cana e a de petróleo – pelo tamponamento de tarifas para “tirar 50 milhões de brasileiros da miséria” com uma caneta até à véspera da eleição compõe hoje o epicentro do tsunami que empurra para cima, aos trancos e barrancos, todo o sistema nacional de preços relativos. A produção, o trabalho, a vida, enfim, terá de se reacomodar por ensaio e erro apenas para deter a queda.

Mas essa é a parte fácil. Em tempos de mercados globalizados acertar entre o ministro Levy e os vendedores de “governabilidade” em quem será enfiado cada pedacinho da conta doméstica é o de menos. Difícil será desprogramar a subversão conceitual que explica a nossa inesgotável tolerância ao abuso e mantém fora do horizonte qualquer possibilidade de “ajuste internacional“, o único capaz de matar a miséria.

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Os buracos hoje fecham-se ou alargam-se em função do acerto entre cada comunidade de produtores e seus governos nacionais. O que decide é a carga que uns põem nas costas dos outros. Todo mundo sabe disso mas, se nós ainda guardamos alguma lucides como indivíduos, não sobrou nenhum resquício dela enquanto sociedade. O Brasil perdeu a capacidade de discernir a fronteira básica entre a religião e a ciência e a grande pedreira vai ser recolocar a relação de causa e efeito, fundamento da ciência moderna, na posição de centralidade que ela deve ter no nosso sistema de intelecção da realidade.

Brasília nem sequer sabe que existe uma crise. É lá o tal “país sem miséria” onde, em pleno desastre nacional, a verba dos partidos triplica, os meritíssimos se outorgam “auxílios” de fazer corar os cínicos, os indemissíveis “educadores” dos filhos do Brasil, enquanto morrem em massa os empregos cá fora, não deixam por menos de retumbantes 75% a sua “exigência” de “reajuste salarial”.

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E a dívida dessa Petrobras estuprada, “a maior de todo o mundo corporativo em todos os tempos”, quantas gerações de brasileiros que ainda nem nasceram viverão e morrerão pagando essa conta? Nem por isso a Petrobras deixa de continuar tida e afirmada como “um orgulho nacional”, sob um silêncio quase unanime de anuência. Nem as vísceras à mostra remetem àquela clássica — àquela histórica, translúcida e necessária — relação de causa e efeito entre a condição de empresa estatal num país pré-democrático e o aparelhamento do seu staff e dos seus recursos por um projeto de poder bandido, ainda que moremos todos no país onde nem uma única solitária pessoa duvida que, para onde quer que se olhe, “não se coloca um paralelepípedo no chão sem pagar propina”.

O máximo que se ousa timidamente pedir são menos ministérios. Das outras 37 fundações, 128 autarquias e 140 empresas estatais somente no âmbito federal, ninguém fala. Da existência delas só fica sabendo, aliás, quem olha com lente o que “vaza” pelos interstícios dos “verdadeiros problemas nacionais” que a imprensa se permite enxergar. Adicionados estados e municípios ninguém sabe a quantas andamos, estado x nação. A Petrobras sozinha tem 446 mil funcionários, algum jornal deixou escapar enquanto falava de coisa “mais importante“. Meio milhão, fora aposentados e encostados! É provável que esteja para o resto das petroleiras do mundo, somadas, como as nossas escolas de direito estão para as do resto do mundo somadas. Nós “ganhamos”; temos mais!

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Só de “sindicatos” de propriedade una e indivisível de “líderes” sem liderados sustentados pelo imposto sindical, a linha de frente dos “movimentos sociais” que se querem substituir ao sufrágio universal, parece que já temos 28 mil, segundo menção não provocada e acidentalmente publicada de fonte abalizada. “Justiças”? Temos cinco, completas, um plural que elimina, “em termos”, a possibilidade de se fazer a única que de fato “é” que é aquela que se define pelo estrito singular. Apenas uma delas sangra nossos produtores em 50 bilhões de reais por ano — quase o ajuste inteiro que se está buscando — só em “processos trabalhistas”, indústria à qual se dedica com exclusividade metade daquela multidão de “advogados” que nossas incontáveis fábricas de rábulas “põem” todo ano. É a sementeira do que nos tornamos; a lunpencorrupção: “minta, traia, falsifique que o governo garante”.

Quem tem a menor sombra de duvida que um país assim não pode dar certo? Que este é o ambiente onde a corrupção e o crime estão como querem? Que não teremos condição de competir com ninguém e quebraremos a cara tantas vezes quantas tentarmos antes de curarmos essas feridas?

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E no entanto, para quebrar o encanto, basta insistir obsessivamente numa conta simples: quanto estrago, quanta miséria, quanta violência evitável torna-se obrigatória para o Brasil onde vale tudo para que o Brasil intocável possa continuar intocado? O que, a cada passo, estamos trocando pelo quê?

Nossas escolas ensinam que tocar nesse assunto é heresia sujeita a auto-de-fé. E nossas mentes jesuítico-aplainadas, tudo indica, estão prontas para absorver a lição. Tanto que o máximo que nossos políticos de oposição sugerem, nas suas mais ousadas expansões “libertárias”, é que enfrentemos tudo isso com revólveres sem balas. “Voto distrital, vá lá; mas sem recall”! E a imprensa, disciplinadamente, ha anos que não faz esse tipo de conta ainda que o mínimo que exige a decência de quem se quer o alarme das iniquidades do mundo é que não falasse de outra coisa. Como, porém, ela só se permite chamar de política aquilo que os políticos chamarem de política e de reforma o que eles, de livre e espontânea vontade, nos propuserem como reforma, o Brasil que trabalha, com o mundo dos estados “ultralight” fungando-lhe no cangote, terá de seguir vivendo à espera de um milagre para começar a discutir qualquer coisa que possa concorrer para salvar-lhe a vida.

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§ 83 Respostas para A imprensa e a pauta nacional

  • Fernão,

    “O Brasil perdeu a capacidade de discernir a fronteira básica entre a religião e a ciência e a grande pedreira vai ser recolocar a relação de causa e efeito na posição de centralidade que ela deve ter no nosso sistema de intelecção da realidade.”

    Disse tudo em poucas palavras.

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  • Continuando,

    Como se não bastassem ” O máximo que se ousa timidamente pedir são menos ministérios. Das outras 37 fundações, 128 autarquias e 140 empresas estatais somente no âmbito federal, ninguém fala.”, tem os 446 mil funcionários da Petrobrás.

    Não tenho atualizado a relação entre a produção de barris por dia (bpd) entre as petroleiras. Que me lembre a Petrobrás era a campeã mundial nessa relação ou seja a que tinha mais funcionários em relação ao produzido.

    Uma farra!,um cabide de empregos e por isso não querem privatizar.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Para nao sucumbir,tem que organizar a bagunca.So com a bagunca organizada,se enxerga o que nao presta.Igualzinho como quando pomos ordem no armario que esta ha 50 anos mofando e sendo atacado por tracas(tem gente que espera 50 anos para por ordem no armario e jogar a velharia fora)
    A imprensa talvez devesse,juntamente com a coordenacao de politicos decentes,ordenar a bagunca.Como?Batendo em algumas teclas diariamente.
    Primeira:Bater na tecla do voto em cedula de papel ,de modo que a democracia fique garantida, e continuar sugerindo voto distrital com recall,esclarencendo o porque da importancia.
    Segunda(IMPORTANTISSIMA!):Divulgar quanto de dinheiro entra nos cofres publicos(como refere o artigo anterior)de modo que o brasileiro va enfiando na cabeca e se conscietizando de que ele esta sendo roubado e que o dinheiro que ele paga em impostos esta entrando nos bolsos do “estado”sem transparencia nenhuma.Em outras palavras:trazer a luz,objetiva e concretamente ,o que entra.O que sai,vai virar um ponto de interrogacao que requerera cada vez mais explicacao.
    Terceiro:Bater na tecla da corrupcao;buscar campanhas anticorrupcao.

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    • Complete que o nível de renda do brasileiro voltou a recuar estando em 29,5 % do índice 100 que são os EUA.

      Por outro lado o nível de renda dos petistas começando pelo Lula deve ter aumentado na mesma proporção que caiu a nossa.

      Eles se cuidam.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Tem ,la perto do Patio do Colegio, em Sao Paulo,um luminoso com o impostometro.Acredito que a Associacao Comercial(nao sei qual) vem tentando ,ja ha alguns anos,trazer esse esclarecimento para o publico.

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    • Carmen Leibovici disse:

      ….Em outras palavras:trazer a luz,objetiva e concretamente ,o que entra e o SALDO RESTANTE…”
      Nos teriamos que ter acesso muito facil,diario, a essa informacao.Nao tem uma tal de lei de transparencia?Afinal,essa “transparencia”precisa ficar explicita para o publico.
      Quem providencia?

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  • Flavio Xavier disse:

    “A nossa inesgotável tolerância ao abuso”. .

    Tu sabes,
    conheces melhor do que eu
    a velha história.
    Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam 88 bilhões de dollares de flores
    do nosso jardim…..

    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem:
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho e nossa casa,
    rouba-nos a luz e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Muito legal essa obra de arte viva,mostrada nas fotos do artigo, que deve ter acontecido la na Paulista.Pena que nao vi isso ao vivo;deve ter sido bem interessante.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Uma pergunta,Fernao:Tem um grupo de pessoas que tem um slogan”eu voto distrital”e eles tentam se expandir via internet.Mas eles nao falam em recall.Voce sabe o que e isso e se e valido?

    O proprio Estadao publicou uma critica a respeito de voto distrital e como isso pode se tornar uma faca de 2 gumes,ate contra a democracia…

    Eu fico as vezes meio sem saber o que pensar,literalmente…

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    • flm disse:

      tudo que penso sobre esse assunto esta aqui, carmen:

      https://vespeiro.com/2014/05/13/voto-distrital-com-recall-a-serie/

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      • Carmen Leibovici disse:

        Fernao,eu concordo mil por cento com o principio.O que eu temo nao e o principio correto,mas a deturpacao dele.Voce ve,nesse site que eu mostrei,os 2 rapazes pensam(ou sao especilistas) em reforma disso ,daquilo,etc,quando o principio do distrital com recall e objetivo,simples,nao precisa querer “reformar”nada..Parece uma ong dessas mantidas pelo governo,sei la…

        Eu as vezes sou meio impressionavel,nao ligue…Desculpe se me expressei mal.Repito que concordo com o principio e acho que se um dia vier a ser implementado com honestidade-e espero que seja-sera mesmo a cura para o Pais pois sera um “remedio”que acompanha o dinamismo da sociedade.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Fernão,hoje li toda a série do distrital com recall e achei muito esclarecedora.
        Queria comentar também o ponto que você não tem mencionado,além do recall, e que eu acho importante.
        É que nessa forma de votação distrital,em tese,as próprias cidades estarão mais bem organizadas e cuidadas.
        Eu não sei como os vereadores decidem os assuntos hoje em dia,mas imagino que se cada vereador,deputado ,estiver concentrado só(ou mais)naquele distrito que ele responde por,as coisas funcionarão melhor.É certo isso?

        Além disso,peço,por favor,se puder passar o link onde se possa ler a série de reportagens que seu pai,Rui Mesquita,fez produzir e que você mencionou em resposta ao Luiz Barros,agradeço.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Ruy Mesquita…

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      • flm disse:

        embora um vereador eleito por um distrito tenda a ser alguém conhecido daqueles eleitores e possivelmente ate morador daquele distrito (especialmente nas cidades menores), não creio que o maior benefício desse modelo seja ele vir a cuidar melhor do seu distrito.
        como enfatizei em vários dos artigos que você leu, o voto tem de ser distrital para facilitar a execução do recall mais que por qualquer outro motivo:
        1 – ele liga diretamente cada representante aos seus representados e,
        2 – permite substituições em áreas delimitadas do sistema o que enseja que elas sejam executadas sem crises ou perturbações maiores do todo.
        o importante é o representante saber que a ultima palavra será sempre do representado e que ele terá de prestar contas das suas ações com o risco do seu cargo e da continuação da sua carreira política.
        essas “execuções” tendem a se tornar muito mais raras depois das duas ou três primeiras. quando eles entenderem que a ultima palavra é a sua e que, em caso de mau uso, ela poderá se traduzir em “execução” ele automaticamente passará a agir a seu favor.
        enfim, carmen, a palavra que sintetiza com maior perfeição a revolução que é a democracia é “accountabilitty”, para a qual, muito sintomaticamente, não existe tradução em português.
        e quer dizer, numa tradução bem livre o seguinte: você faz, você paga.
        é o que já existe aqui fora em qualquer relação de trabalho.
        falta fazer ela valer lá pra “dentro” também.

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      • flm disse:

        aquela série do JT é pré-internet.
        e é longa também. durou mais de um mês.
        dificilmente será encontrada na web…

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  • Luiz Barros disse:

    Conhecem como os homens que se julgam “extraordinários” justificam seus crimes?

    Leiam na edição nº 16 da Revista da OAB/CAASP: Raskólnikov e a teoria do crime permitido — uma análise de Crime e Castigo (1866) – obra prima em que Dostoiévski analisa a psicologia de um criminoso que se julga acima da lei.

    http://www.caasp.org.br/RevistaDigital/ed16/revista_caasp_16.html#/42/

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    • Carmen Leibovici disse:

      Interessante,Luiz Barros.Oportunamente vou ler esse livro.

      Acrescento um pequeno comentario mesmo sem ainda ter lido : e sempre a nossa subjetividade que dirige nossas acoes ,por isso e sempre tao importante voar com a cabeca mantendo os pes no chao.Isso para os “normais”.

      Ja para os “anormais”,como o personagem ficticio de Dostoievski e os reais Hitler,PolPot e outros,inclusive que ameacam estas paragens latinas,essa maxima nao funciona.

      Vou ler o livro para talvez entender o porque(se e que a loucura tem um porque…)

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      • Luiz Barros disse:

        Carmen,
        Muito obrigado por sua manifesta intenção de ler Dostoiévski. O maior elogio possível a um jornalista de Cultura que resenha um livro é alguém lhe dizer, pela leitura do artigo, que pretende ler a obra analisada.
        Abs, Luiz Barros.

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    • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

      bibliotecadigital.puc-campinas.edu.br/services/e-books/Fiodor%20Dostoievski-1.pdf

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  • Carmen Leibovici disse:

    Eles tem ate um site e tem pretencoes “altas”…Como eu disse,as vezes fico preocupada…

    http://www.euvotodistrital.org.br/#quem-somos

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  • Isso que dá tantos Ministérios. Piada pronta

    “Sem se dar conta de que Helder Barbalho (PMDB) é o ministro da Pesca, o Ministério da Saúde publicou um edital no Diário Oficial em 24 de abril o convocando a tomar ciência de uma investigação relativa a um convênio federal na Prefeitura de Ananindeua (PA), cidade vizinha de Belém comandada pelo hoje ministro entre 2005 e 2012.

    O edital, assinado pelo diretor-executivo do Fundo Nacional de Saúde, Antonio Carlos Oliveira, convocava Barbalho, “que se encontra em local incerto e não sabido, para retirar e atender a notificação”.

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  • Isso também, graças a irresponsabilidade Dilmista e, sem dúvida, o governo mostra crescimento “rabo de cavalo”

    Economistas, ouvidos pelo Banco Central,( Boletim Focus) projetaram uma queda no PIB (Produto Interno Bruto) de 1,18% em 2015. A previsão, divulgada na semana passada, era de queda de 1,10%.

    A expectativa para a Selic, a taxa básica de juros, em 2015 passou para 13,50%, (ante 13,25%, projetado na semana passada) .

    Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, subiu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 12,75% para 13,25% ao ano. São os maiores juros em 6 anos e 4 meses, desde dezembro de 2008, quando a taxa estava em 13,75%. A decisão foi unânime.

    A projeção feita pelos analistas para a inflação em 2015, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), é de 8,26% — contra 8,25% da semana passada.

    O valor é bem mais alto do limite máximo do objetivo do governo. A meta para a inflação é 4,5% ao ano, com uma tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos (ou seja, varia de 2,5% a 6,5%).

    Para a cotação do dólar até o fim do ano, a previsão foi mantida em R$ 3,20.

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  • Fernão,
    Realmente é assustador o comportamento da mídia. Porque será?

    Assuntos que não dão retorno das leituras e por consequência à elas mídias?

    Sua informação sobre as estatais e para-estatais (muitas Ongs, UNE etc) de nada se fala, quem sabe porque somos vitimados indiretamente e não como o “tomate” quando o preço sobe e vira um carnaval quando o responsável é o tempo porque estocar pra elevar o preço é propriamente impossível.

    Mais vale a ” notícia em primeira mão” do que a “interpretação em primeira mão” como vc brilhantemente produziu. Essa é de uma frase que me lembro do publisher,….. Graham, do Washington Post, referindo-se a invasão escritório democrata no edifício Watergate e que indicava tão só de invasão como fora noticiado em várias mídias e na “interpretação” deles chegou no Nixon levando-o a renúncia.

    Por aqui preferem falar e muito do PIB que 90%, no mínimo, da sociedade não sabe do que se trata e pra que serve. Ou dos juros e a primeira resposta midiática é de que as prestações dos financiamentos ficarão mais caras.

    Enquanto nossos netos, nascidos ou em vias de, já tem contas a pagar.

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  • Mais rapinagem em mares dantes rapinados.

    B O M B A!!! Entenda por que LULA está furioso com VEJA!

    Do Blog de Felipe Moura Brasil, em VEJA:

    O esquema Lula-Odebrecht-BNDES – que só podia mesmo dar em ‘LOB’ – é assim:

    1) A empreiteira de Marcelo Odebrecht paga viagens de Lula a países onde tem interesses em fechar negócios.

    2) Lula viaja a países latino-americanos e africanos, onde dá palestras (por dentro) e se encontra com o presidente/ditador local (por fora).

    3) Após o lobby de Lula, esses governos contratam os serviços da Odebrecht.

    4) Luciano Coutinho, o afilhado de Lula que preside o BNDES, libera o empréstimo de dinheiro público para essas obras bilionárias no exterior.

    5) A construtora recebe o dinheiro e Marcelo Odebrecht fica feliz.

    Duas negociatas suspeitas dentro desse esquema ganharam destaque a partir de documentos obtidos pela revista.

    I.

    O documento
    Proposta de gastos da Odebrecht para licitação de obra na República Dominicana.

    Captura-de-Tela-2015-05-01-às-01.48.46

    O caso
    A empresa foi contratada para construir usinas termelétricas de carvão mineral em Punta Catalina.

    Valor das obras
    US$ 2 bilhões.

    A suspeita do Ministério Público
    Superfaturamento da obra, porque o valor proposto pela Odebrecht é o dobro do da segunda colocada. Há ainda gastos que parecem exagerados, como US$ 80 milhões para gelo. Um grupo chinês denunciou o resultado da licitação à presidente Dilma.

    Comento:
    Haja champanhe para tanto gelo!

    II.

    O documento
    Telegrama da embaixadora brasileira em Gana pedindo celeridade no trâmite do financiamento do BNDES por conta do risco de derrota eleitoral.

    Captura-de-Tela-2015-05-01-às-01.49.13

    “Para o Corredor Rodoviário Oriental [a obra que seria realizada], corre-se o risco de, qualquer que seja o resultado das eleições, haver quer a reabertura das discussões sobre o projeto e seu financiamento, quer a revisão das prioridades relativas à infraestrutura do setor de transporte rodoviário. Coincido no entendimento de que esse risco existe, sobretudo em caso de vitória da oposição, que naturalmente procurará rever todos os projetos negociados pelo governo anterior antes de assinar novos acordos de financiamento. Irene Vida Gala, embaixadora”.

    O caso
    Construção do corredor rodoviário oriental.

    Valor da obra
    US$ 290 milhões.

    A suspeita do Ministério Público
    A sincronia entre a visita de Lula e o financiamento do BNDES: Lula foi a Gana em 2013, pago pela Odebrecht. Quatro meses depois, a empresa fechou contrato com o país, com US$ 200 milhões do banco.

    Comento:
    “Coincido no entendimento de que” Lula é um lobista de gana. De muita gana e grana também.

    Captura-de-Tela-2015-05-01-às-02.38.44

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  • A quem interessar,

    Amanhã, terça feira, as 20,30 horas o PT fará auto-elogiosa campanha pelas tvs mostrando de todas as conquistas de suas gestões.

    Isto posto, convite que a internet envia é para que se faça um PANELAÇO digno do partido e das tais conquistas.

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  • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

    COBUCCI,
    PANELAÇO !!!
    Paradoxal, para que bater panelas se é nossa irresponsabilidade a causa deste desgoverno. Mea culpa, mea maxima culpa. Esta escória só predomina porque permitimos..
    “WHAT LUCK FOR RULERS, THAT MEN DO NOT THINK” (ADOLF HITLER)
    IT’S NOT THE PEOPLE WHO VOTES THAT COUNT. IT’S THE PEOPLE WHO COUNT THE VOTES” (JOSEF STALIN)

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    • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

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      • Eduardo,
        É verdade, somos os únicos culpados. Todavia, fazer barulho com as panelas que estão vazias é melhor que nada, ou vc acredita que a sociedade melhore? Ela só se manifesta quando dói especialmente no bolso como estamos assistindo, porque no geral são acomodados.

        A desgraça que nos aflige não começou agora. Ela já tem 12 anos e 4 meses!, com o “new wave” Lula estimulando a complacência com a mediocridade- a dele inclusive, e desprezando o intelecto e o esforço pessoal no e ao trabalho.

        Desde então já se mostravam escravos do ressentimento, ódio daquilo que por preguiça e vagabundagem não se propuseram a alcançar, e assim se tornaram “esquerdistas burros”. ( sic Roberto Campos)

        E assim seduziram os menos preparados-grande maioria,( lembre da minha definição pelo paralelo 19,5)) com pão, circo e mentira. A conta chegou e panelaço neles. Não resolve mas, pelo menos fará um barulhão e meu neto Luca se diverte.

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      • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

        Se o Luca se diverte, vamos bater panelas, mas aviso, é inútil, o Lula e o PT estão blindados.

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  • Luiz Barros disse:

    Fernão,
    Embora já existissem ante, foi o projeto do brasil grande de 64 que, para gerar o milagre econômico, semeou estatais a rodo. Tendo essas empresas saído completamente do controle do próprio governo, em 1967 ou 69, criou-se a SEST, secretaria de controle das estatais, no ministério do planejamento, cujo comando à época foi dado a Delfim Neto, um dos que haviam incentivado a proliferação de tais empresas…. e que então já se contavam às centenas, pelo que lembro algo da ordem de 500 a 600, tendo invadido todos os setores.

    Hoje exite a DEST, ou o DEST, subordinada/o à presidência e em cujo site podem-se encontrar um bocado de informações de interesse quanto a esse labirinto.

    http://www.planejamento.gov.br/ministerio.asp?index=4&ler=c638

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    • flm disse:

      lembro muito bem de tudo isso, Luis.
      em 1983, ainda com ditadura mas já sem censura, Ruy Mesquita fez produzir no Jornal da Tarde a série “Republica Socialista Soviética do Brasil”, de reportagens que mostravam como era o mundinho das estatais visto por dentro.
      a série foi aberta com um editorial de 1a pagina que afirmavam que ninguém teria feito melhor a obra de estatização da economia preconizada pelas ditaduras da esquerda que os nossos militares.
      excluído o fato de que não era o governo quem comandava a roubalheira então, o que acontecia nas estatais e entre elas e empreiteiras e outros animais da fauna que vive das falhas do estado não era nada de muito distante do que continua acontecendo hoje na Petrobras e pela mesma razão: dinheiro sem dono à disposição de quem queira lançar mão dele que é quase uma definição de empresa estatal, especialmente (mas não só) em países pré-democráticos.
      mesmo sendo o JT um jornal de circulação restrita à cidade de SP, ele pautou o país para os debates da desburocratização e da desestatização, que foram postos em marcha e tiveram o seu apogeu com FHC, mas caminharam bastante antes mesmo dele chegar ao poder.
      é essa a diferença entre a imprensa de hoje – que não conhece sua força nem entende sua função na ordem democrática e deixa-se conduzir – para a de ontem que apontava caminhos e assim, acabava conduzindo.
      era essa a história por traz desse artigo de 2a feira…
      só a imprensa pauta e empurra reformas reais dentro das democracias. isso é um fato histórico e não ha exceções, seja qual for o país que se analise. de modo que eu insisto: o maior drama do Brasil hoje, não é a esculhambação geral da republica, é a hibernação da imprensa enquanto poder constituído para esse fim e consciente disso, da qual a esculhambação é, em boa medida, consequência.

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      • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

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        “VERITAS ODIUM PARIT”

        SÓ A IMPRENSA PAUTAVA E EMPURRAVA REFORMAS REAIS DENTRO DAS DEMOCRACIAS, ATÉ O ADVENTO DE LULA, UM SER MUITO BEM BLINDADO., POIS APARELHOU O ESTADO E FEZ DELE O SEU QUINTAL.

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  • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

    Quem diria, nos tornamos a Republica de um analfabeto e milionário bananão. Pobre Luca.

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  • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

    Incrível, que falta faz um URUTU na porta do Planalto.

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  • Eduardo,

    Eles fingem que não se importam, mas na verdade se importam e muito.Sem dúvida o panelaço por mais banal que possa parecer é significativo pelo desdém e bem constrangedor ao PT.ou qualquer outro partido. Foi maior que esperava pelo menos no Jardim Paulista onde moro.

    O Globo News Pauta, a talentosa jornalista Eliane Cantanhede fez boa observação sobre o fato inclusive em Brasília adicionando falas na CPI do ex-diretor Petrobrás, Paulo Roberto Costa, ora em prisão domiciliar, que atinge diretamente o Lula e a Dilma quando aos recursos originários de propinas e com notas fiscais- ou documentos idem e fajutos à caracterizarem doação formalmente legais.

    Como são psicopatas eles mentem até na campanha institucional hoje veiculada e continuamente julgando-nos idiotas.

    Ignoramus et ignorabimus ( ignoramos e ignoraremos)

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  • Carmen Leibovici disse:

    Procurando pela serie de reportagens “Republica Socialista Soviética do Brasil”do Jornal da Tarde no Google,me deparei com o seguinte a respeito do decreto n 8.243 de 23 de maio de 2014.

    http://aluizioamorim.blogspot.co.il/2014/06/governo-do-pt-rasga-constituicao-e-cria.html

    Eu so gostaria de saber o que sera feito uma vez que os cara de pau do PT,sem nenhuma vergonha e sem nenhuma consideracao pelo ABSOLUTO repudio popular ,permanecem insistindo na ideia.Inclusive,segundo li por esses dias no proprio Estadao,a “presidenta”ja convocou por decreto uma reuniao desses “jovens representantes populares” para breve.

    Eu so gostaria de saber como e que fica pois o povo brasileiro nao deseja essa m****!

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  • Carmen Leibovici disse:

    Vale a pena assistir o curto video que segue.

    “Se e para fazer a luta politica sem seriedade,nos sabemos faze-la”-STELA FARIAS-PT

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  • Juntá-la com a ideóloga do PT, a notória Marilena Chaui-odeio a classe média, o que dará?

    O ET de Varginha, porque o de Roswel tudo indica ter existido e foi mostrado através de fotos de 1947, hoje publicadas em jornais, de várias partes do mundo.

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  • O surreal ocorreu ontem na Câmara com o PT votando contra direitos adquiridos do trabalhador em especial daqueles desempregado que ganham até 2 salário mínimos.

    Vamos ver como a imprensa petista e seus colaboradores se pronunciam. Qual será a desculpa? Interesse nacional não pega mais inclusive porque o executivo representa 14% dos “cortes” de despesas.

    O melhor será alegarem ” surto psicótico” que os levou a interpretarem de forma errônea a votação.

    Ver o PT votar contra os trabalhadores,, lembrando o Eduardo, é ” samba do criolo doido”

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  • Luiz Barros disse:

    A MINISTRA CARMEM LÚCIA DO STF E A LIBERDADE DE IMPRENSA

    http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,corajosa-defesa-da-imprensa,1682672

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  • Luiz Barros disse:

    VOZES DO TEMPO: ELOS DA POESIA – ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA, DE CECÍLIA MEIRELES

    http://www.cch.ufv.br/revista/pdfs/artigo2evol9-2.pdf

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  • Luiz Barros disse:

    CANHOTEIRO

    Mais que um herói são-paulino, um mito da Paulicéia

    Por Luiz Barros

    O veterano escritor e jornalista Renato Pompeu, com Prêmio Esso de Jornalismo na bagagem, entre outros, e 40 anos nas redações dos mais importantes jornais e revistas do País, acaba de lançar seu décimo sexto livro: “Canhoteiro, O homem que driblou a glória” (Ediouro, R$ 29,00).

    Traçando breves paralelos entre as histórias de Canhoteiro, Garrincha e Zagallo, o autor narra o que foi a vida do jogador e aquilo que ela não foi. Trata-se de narrativa mítica, mais do que biográfica, do ponta-esquerda maranhense que jogou pelo São Paulo de 1954 a 1963, incluído pelos cronistas em escalações da “seleção brasileira de todos os tempos”, embora nunca tenha jogado uma Copa do Mundo.

    A dimensão mítica de Canhoteiro é atestada pelo célebre estribilho de um samba de Chico Buarque retratando um ataque dos sonhos: “Para Mané para Didi para Mané/ Mané para Didi para Mané para Didi/ Para Pagão para Pelé e Canhoteiro”.

    Canhoteiro era driblador insuperável, um Garrincha que driblava para os dois lados e que ao pegar na bola posicionava o corpo de tal forma que o marcador nunca sabia para qual lado ia sair. Matava a bola com o bico da chuteira, jogada que só Pelé também sabia fazer. Fora do campo, era capaz de fazer embaixadas com moedas e fazê-las pousar com a cara ou a coroa virada para cima, no pé esquerdo ou direito, conforme o gosto do freguês.

    O estilo agressivo do ponta foi decisivo para que se fixasse no São Paulo o esquema tático 4-2-4 adotado pela seleção de 1958, superando o WM (2-3-5 ou 2-3-3-2) europeu. Depois, Zagallo jogando recuado transformou o 4-2-4 no 4-3-3 tricampeão em 1970.

    O livro, ilustrado, não trata apenas de futebol. O mito Canhoteiro simboliza a promessa paulistana irrealizada pela cidade dos tempos em que se dizia “São Paulo não pode parar”. Da mesma forma que o craque não foi quem conquistou o futebol mundial para os brasileiros, a cidade não exerceu a liderança esperada.

    A era de Canhoteiro confunde-se com diversas outras eras e todas são referidas no livro. O rádio e os jornais esportivos, os bares de calçada, a democracia nacionalista, os bondes, os ônibus. Por isto, como não poderia ser diferente, o estilo é desigual.

    É antológico o capítulo em que o autor descreve minuciosamente quase todos os tipos de ônibus de São Paulo dos anos 50 (faltou o ônibus elétrico). Também encantam diversas cenas do cotidiano de uma época em que as travessas da Teodoro Sampaio não tinham ainda calçamento.
    _____________
    Luiz Barros é escritor e doutor em Filosofia da Educação pela USP.

    PING-PONG COM RENATO POMPEU

    DCultura – De que tratam seus outros livros sobre futebol (o romance “A Saída do Primeiro Tempo” e o ensaio “Memórias de Uma Bola de Futebol”? Há relação entre eles e “Canhoteiro”?

    Renato Pompeu – “A Saída do Primeiro Tempo” tem como personagem central um fantasma, o espectro da Ponte Preta, que é a alma da Ponte Preta vagando pela cidade de Campinas e provocando pequenas mudanças na vida das pessoas. Uma dessas mudanças é levar um professor a escrever uma tese acadêmica sobre futebol, que ocupa metade do livro. “Memórias de Uma Bola de Futebol” são episódios de 20 mil anos de história documentada do futebol, narrados por uma bola como se ela tivesse participado de todos os episódios. O que há de comum entre esses dois livros e o “Canhoteiro” é que os três estão baseados na mesma visão teórica do futebol, descrita em detalhes no “A Saída”.

    DC – Por falar em Ponte Preta, por que, mesmo morando em São Paulo, você nunca deixou de torcer para a Ponte e nem declara ser torcedor de qualquer outro time?

    RP – Na verdade, além de para a Ponte Preta, eu torço para diferentes times em diferentes situações. Quando a Ponte ainda não estava na Primeira Divisão do Campeonato Paulista, eu torcia para o Palmeiras, mas apenas para ter a quem torcer nesse campeonato, tal como eu torcia para times específicos em campeonatos em outros países e outros Estados. Hoje torço sempre para a Ponte Preta, mas quando a Ponte não está em jogo eu torço para o espetáculo e posso perfeitamente, durante o jogo, mudar o time para o qual estou torcendo, pois se um abre muita diferença o jogo fica desinteressante e eu torço para o outro fazer gols.

    DC – Logo no início da internet no Brasil, em 1996, você lançou o primeiro livro interativo no País. Você poderia relatar esta experiência?

    RP – O meu não foi o primeiro livro interativo brasileiro na internet. Houve pelo menos um antes, não me lembro de quem. Em 1986 eu havia lançado um livro interativo na rede de videotexto, em que o leitor podia escolher a
    continuação do capítulo. O livro de 1996 permitia a opção pela navegação
    segundo o país, o século, o tema, o personagem, etc. Teve muito mais
    repercussão a versão em inglês do que a em português; em inglês chegou a
    haver mil acessos diários; em português não atingiu mais de vinte por dia.
    Não fui adiante nesse projeto por eu não dominar a tecnologia e por não ter
    encontrado uma pessoa com formação em informática que tivesse interesse em
    hipertexto. Também não tive uma idéia nova que fosse diferente do primeiro
    projeto que apresentei, um tanto tosco perto das possibilidades técnicas que
    existem.
    L.B.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Muito bom,Luiz!

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      • Luiz Barros disse:

        Carmen,
        Não sinta culpa pelo desrespeito dos alunos ao Professor Mignone. Se culpa houve – e ela houve – foi dos colégios que sob o regime militar não respeitavam as diversas artes como expressão. Uma partitura musical é tão precisa quanto a matemática, mas como pode existir ensino sem avaliação? Às aulas de “educação artística” do Mignone, aquelas mesmas escolas à época rígidas na avaliação das matérias tidas como as fundamentais, simplesmente não davam ao mestre o mínimo recurso necessário para acompanhar o aprendizado de seus alunos. Irmão do famoso maestro Francisco Mignone, Domingos – quero me lembrar ter sido esse o seu nome, era professor e precisava da paga para viver. No colégio em que estudei com ele, à frente da classe havia um tablado mais elevado, como em todas as outras salas. Talvez, não sei, houvesse outro lugar para colocar seu piano, porém o teclado do piano, velho e desafinado, ficava voltado para o quadro negro. De costas ao quadro negro, sentado a tocar, a altura do instrumento impedia ao professor ver os alunos, que na ilusão da infância talvez imaginassem que o também velho professor não soubesse o que se passava na classe. A sua resignação foi ato de coragem a enfrentar sua vida e suas circunstâncias. Se houvesse culpa a ser atribuída aos alunos, foi a culpa de toda uma geração de meninos e meninas. A culpa todavia foi das escolas e do regime militar da ocasião, que não apenas perseguiu artistas com não se ocupou de proporcionar educação artística aos pequenos. Muito melhores são hoje as condições de ensino artístico de todas as modalidades, em inciativas voluntárias e sociais, principalmente. Mas sempre, é impossível ser diferente, alguma coisa você aprende com professores, em especial se o professor é um bom homem, mesmo que não tenha tido as condições de ser um bom professor, premido pelas circunstâncias. Dele me lembro de “Va pensiero”, que nos ensinou. Era ele mesmo nos dizendo como diante daquela balburdia o seu pensamento viajava, indo longe encontrar o mundo, plainando para muito além do sofrimento que víamos nele. A gente podia compreender isto naquela idade? Impossível. Mas outros professores compreenderam e existe hoje uma Escola Estadual que leva seu nome: Domingos Mignone. Pesquise. De minha memória Domingos é o primeiro nome dele e a ele consagrou-se essa homenagem a um professor que foi torturado pela indiferença dos alunos, por sua vez induzida pela incompetência autoritária dos diretores de escolas. Va pensiero.

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      • Carmen Leibovici disse:

        Puxa,Luiz!Acho que estudamos no mesmo colegio,talvez.Colegio Rio Branco.Eu tinha tambem a professora de educacao artistica,a D.Eutaide,que ensinava desenho.Se voce tiver estudado tambem la,deve se lembrar.Essas aulas eu adorava,assim como as do professor Haroldo,de portugues…Eram as materias que eu me dava melhor…O professor Haroldo estimulava muito a escrita e uma especie de “brainstorm”.Eu amava!Tanto tempo…Vou pesquisar sobre o professor Mignone.Nao me lembrava do primeiro nome…

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    • Luiz

      Boa lembrança da Ópera Nabucco de Giuseppe Verdi. O coro também é conhecido como coro dos Escravos Hebreus. Não conheço óperas exceto alguns atos como este que se não me engano é o terceiro.

      O que não entendi na sua leitura “Se culpa houve – e ela houve – foi dos colégios que sob o regime militar não respeitavam as diversas artes como expressão.

      Francamente me surpreende sobrar pros militares o desrespeito a diversas artes de expressão. Conheci e assisti vários desrespeitos inclusive em Faculdades- uma vez que durante o regime eu cursei e terminei Direito e Administração, enquanto com professores do colegial jamais soube em especial com artes.

      Não será um exagero? Porque segregar artes se de fato eram artes. Medo de que? ou Espírito de porco?

      Pra mim confesso uma novidade, relembrando que os piores momentos desse regime às Universidades eu as cursara em Campinas Direito em São Paulo e Administração e em Campinas Direito.

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    • Carmen Leibovici disse:

      Maravilhoso,sublime Luciano Pavarotti!

      Procurando por alguma informação sobre o Professor Mignone(ao som da voz do sublime Luciano Pavarotti),me deparei com o que segue sobre meu Professor Aroldo.Vejo que eu não era a única a tê-lo em alta estima.Ele era muito bom mesmo!

      Fernão,o Prof.Aroldo nos convocava a trazer recortes de jornal e analisar os erros que também nos jornais poderiam ocorrer.Eu achava aquilo incrível!Como é que podia ter erros nos textos dos jornais!

      http://orkut.google.com/c43371-t310f3f46701ffbe0.html

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  • Correção

    Pra mim confesso uma novidade, relembrando que os piores momentos desse regime às Universidades eu as cursara em Campinas Direito em São Paulo Administração

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  • Luiz Barros disse:

    Marito,

    A ministra Carmen Lúcia, ao defender a liberdade de imprensa e de expressão citou “Palavras Aéreas” do Romanceiro de Cecília Meireles. Vide, no que tange às artes, que o medo que delas têm as ditaduras vem da estranha potência das artes:

    Num verso, vide:

    “Ai, palavras, ai, palavras, Que estranha potência a vossa!”

    Todos conhecem o AI-5 e o que dele resultou. Mas ele pariu um filhote bastardo, o Decreto-Lei 477, mirando especificamente o controle dos ambientes estudantis, onde se estabeleceu, afora outras gracinhas, também a censura ao pensamento e à expressão. Parte desta censura inócua – se é que qualquer censura pode ser inócua ou apenas ridicula; outra parte muito séria.

    Mas afora aquelas truculências inomináveis da Maria Antonia, vários gremios estudantis foram solidários entre si. Quem fez Administração em São Paulo sabe que, no início dos anos mais duros – porque no auge tiveram de sair do país – os artistas tidos de esquerda, e hoje grandes artistas, foram acolhidos para realizar seus shows de começo de carreira pelos grêmios das escolas tidas como de direita.

    Enfim, veja o papel de certos empresários visionários.

    Roberto Simonsen, por exemplo, fundou a EAESP-FGV e a Escola de Sociologia e Política. Uma derivou a ser taxada de escola técnica de direita, quando 50% de seu currículo, na década de 1970, era de humanidades, com professores das mais variadas ideologias, e a outra derivou a ser taxada de reduto da esquerda.

    Não atribuo culpa somente aos militares, foram conjunturas históricas que envolveram mais do que eles. Mas, no vai que vai da valsa, a direção de ensino de certas escolas paulistas, de algumas delas, foram passadas a oficiais reformados do exército; enquanto noutras foram exercidas por frades em antagonismo ideológico com os primeiros.

    Seria ingênuo pensar que os meninos e meninas desses tempos estivessem imunes ao triste momento histórico. Foi um tempo de guerra. Morreu gente dos dois lados, não apenas de um lado só como dizem os que pensam que a Verdade pode ser alcançada unilateralmente por uma comissão oficial.

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  • Luiz,

    Não me lembro se foi exatamente esse que acreditou em chamar os Grêmios em Diretórios iria mudar muita coisa.

    ” Decreto-Lei 477, mirando especificamente o controle dos ambientes estudantis, onde se estabeleceu, afora outras gracinhas, também a censura ao pensamento e à expressão. ”

    Se vc viveu essa época já na faculdade vc deve se lembrar que tudo foi consequência da UNE nos tempos do Jango e que eram presidida pelo Serra e que auto-exilou-se no Chile junto com FHC O problema e me lembro bem não era só o esquerdismo da UNE mas a corrupção com dinheiro enviado pelo Jango a fazerem o que faziam a ponto de fechá-la.

    Curiosamente eu estava, creio, 2o ano de direito e fui a pedido do Reitor da PUCCamp, Monsenhor Emílio José Salim, pro RJ juntamente com o meu colega de classe Alvaro Iglésias preisdente do diretório XVI de Abril, e meu grande amigo até hoje, falar com o Ministro da Educação cujo nome não me lembro, mas fomos acompanhados do Paulo Egídio Martins Ministro da Indústria e Comércio.

    Quando o questionamos, de “forma muito gentil” – coragem é também saber administrar o medo- o Ministro mostrou o porque de certas medidas incluída da gatunagem com dinheiro público pra fazer também politica de esquerda e provas não faltaram uma vez relapsos deixando rastros a vontade.

    Não há dúvida de que houve cerceamento o que na leitura dos militares exigiu, frise-se, foram medidas de contenção até nos pensadores poucos e bons.

    Quanto aos denominados artistas francamente tenho dúvidas de tantos. Conheci um ou outro que tinham ideologia do grupo de teatro da minha faculdade, outros já em SP e confesso que a maioria eram aproveitadores à chamar a atenção, ié o que faltava em talento excedia em comprometimento contra os milicos.

    Todos conflitos cometem injustiça e a primeira vítima é sempre a verdade.

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  • Luiz Barros disse:

    Veja bem,
    Eu não estava na faculdade neste tempo. Ainda usava calças curtas, mal havia, se havia, entrado no ginásio. Mas esses líderes estudantis e políticos que saíram do país, e com razão, tão logo puderam, foram muito antes dos artistas, em 64 mesmo. Nos festivais de música da Record (66?), quando apareceram muitos jovens artistas para o povo brasileiro, encantando a nação, vários desses muito jovens artistas estavam no país; antes do rabo do foguete esquentar ao limite, por volta de 68, ainda no ginásio, vi a censura chegar nos ambientes internos do 2º grau, sim. E vi, já na faculdade, no início dos anos 70, artistas já famosos tidos como de esquerda, e que ainda não tinham saído do país, serem acolhidos para realizar shows por grêmios ou diretórios, sei lá o nome, de escolas superiores afamadas como de direita, já mencionei e posso voltar a dizer. Sabe porque iam lá? Por segurança. A juventude queria ver sua arte, suas músicas. A platéia não estava lá para ouvir discursos ideologógicos. E éramos nós, os liberais, que lhes proporcionávamos tal garantia de segurança, numa escola tida como técnica, para que seus shows não viessem a ser trogloditados como foi o Teatro Oficina, por exemplo. Mas depois de certo tempo, imagino que as coisas ficaram perigosas demais para eles, e nem nossos professores, nem os alunos, nem mesmo a faculdade que os acolheu: menos ainda o Centro Acadêmico, era esse o nome, nem grêmio, nem diretório: tinham mais como garantir nada. Houve este tempo em que ninguém podia segurar o rabo do rojão. Não é razoável minimizar a ferocidade da ditadura, afirmando que tais pessoas auto-exiliram-se; provavelmente, para muitos, de fato não havia outra alternativa sensata senão sair do país. O exílio é uma medida judicial imposta pelo Estado. Esse auto-exílio de que tanto se fala é um recurso extremo da liberdade e da vida que está sendo ameaçada pelo Estado. E eu estou aqui falando de artistas, não de guerrilheiros, que à época eram chamados de terroristas, metidos na luta armada.

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    • Veja bem II

      Enganei-me, eram Centros e não grêmios. No Oficina eu fui se vc se refere ao Chico Buarque era um show bonito mas provocativo. Esses artistas usaram da Ditadura à aparecer porque antes dela poucos, muito poucos eram conhecidos e realmente mostravam a arte.

      Não defendo nem minimizo ações dos militares embora com algumas eu concordasse porque conhecia os supostos futuros heróis “guerreiros do povo brasileiro”, como o próprio sempre vagabundo e que “abjurou” do que tratava como vil metal quando no poder e por interesse$ privados. Não foi só ele. Pode botar aí o Serra e FHC quando pobres e o único caso dos exilados que despachou a bagagem no embarque para o auto-exílio.Parece piada.

      Promoviam-se, como aquele encontro de “estudantes’ em Ibiuna pelo guerreiro Zé Dirceu à ser preso e tornar-se vítima. Daí o guerreiro já em Cuba foi treinar revolução com outra cara e, na volta, se escondeu no Paraná casou e escondeu da própria mulher quem ele era.

      Esse sujeito indico como o exemplo mais notório daqueles idos que vi, vivi e assisti, inclui-se quando do assassinato do Ening Boilensen com quem me dava muito bem pois eu trabalhava na empresa que ele presidia- ele era funcionário e jamais foi acionista. Poucos conhecem a verdadeira história e a de seus assassinos. Se não me engano tem um dos terroristas ainda vivo e que mora no RJ,.

      Falar da época da ditadura é muito fácil, como a comissão da verdade de um lado só, e de uma coisa tenho absoluta certeza, O Brasil cresceu as obras de infra nunca superaram as dos milicos e corrupção aí de quem pegasse. Quem se portava bem dentro da lei- justa pra uns injusta como o AI5 para a grande maioria.

      naquela época vc podia até entrar em banco e sacar dinheiro sem ser assaltado ou assassinado, graças ao caso a Lei de Segurança Nacional.

      Pergunte ao “liberal” Delfim porque ele esteve de acordo com a medida de exceção!

      Repito. Vi, vivi e assisti e não dependo de livros ou opiniões sobre os milicos. A propósito conheci relativamente bem o delegado Sérgio Paranhos Fleury e juntos com ilustre e aclamado professor da USP -Direito- jantamos no Paddock, do conjunto Zarvos e ele, Fleury, contou boas histórias convenientemente esquecidas como de futuro petista cuja filha vendia passagens só de ida., outro de “lider” que servia ao DOPS e por aí vai.

      Quanto as artes, confesso que nunca levei a sério esses artistas e hoje mais ainda. O que o estado gasta financiando verdadeiros monumentos à mediocridade melhor seria gastar em aprendizado a esses tais, ainda hoje grande parte fruto da mídia que elege mais por aparências que talento.

      O teste do sofá ainda existe.

      Só o fato de uma lei obrigar a exibição desses filmes medíocres em grande maioria mostra onde estamos.

      Chega de artes e milicos. O que me preocupa é onde nos encontramos e o que nos espera e em 2015 não será o ano mágico. Mágica em economia não existe muito menos aqui.

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  • Luiz Barros disse:

    Então tá bom!

    Vou dormir com essa de o Delfim ser liberal, mas é que há de se dizer que se tornou depois, como madalena arrependida, depois… de ter ajudado a estatizar meio país. E daquela mesa que determinou o AI 5 somente o vice-presidente, quem mesmo?, não assinou.

    Vamos parar sim de falar de milicos, que estão bem no lugar onde estão, no papel deles e que fiquem lá.

    Eu vinha era falando da liberdade de imprensa citando a ministra do STF, apud editorial do Estadão e a poeta Cecília Meireles, citada pela ministra, depois recordando de um grande amigo jornalista falecido que escreveu sobre Canhoteiro; escrevendo, portanto, de futebol, ao republicar aqui uma resenha que escrevi há muitos anos sobre um livro dele; e, depois, eu vinha falando com a Carmen, sobre um professor de música e o voar do pensamento, va pensiero, que você situou num coro a que deu um nome, de uma opera de Verdi. Não conheço ópera; se você diz pouco conhecer, é mais do que eu, que nada conheço. Mas aprendi essa música com um professor, e essa é uma bela música: a gente deve ser grato a quem nos ensina o belo. Era disso que vinha tratando, quando você dirigiu-se a mim, dizendo que achou uma boa va pensiero.

    Se você quiser de falar de economia, ou qualquer outro assunto, siga em frente. Eu vou dormir, e se tiver insônia, às vezes acontece, e por acidente vier a cair novamente no meio do vespeiro dessa Exilados Comunicações, será para falar de arte novamente.

    Agora, veja bem era minha manchete, não vale querer lançar veja bem II. Escolha um outro título, original, só seu.

    Tudo o que aprendi nos livros, não desprezo, mas como o Timbira posso dizer, meninos eu vi. Vi gente morta, gente fugida, livros queimados, gente abrigada na casa de quem podia salvar a vida de quem se queria torturar por obra do pensamento, não de participação em guerrilha: vi com esses meus óios que a terra há de comer, não foi nos livros que eu vi. E vi com meus olhos de menino, a que as retinas emprestavam mais cores do que hoje.

    Boa noite.

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  • Lembrando,
    Essa Ministra Carmem …………e alguns de seus votos no mensalão e a verdadeira gratidão.

    inclua no parágrafo dos que serviram ao DOPS alguns ” artistas” ilustres e outros serviram pro outro lado. No fundo era tudo questão de preços pagos e eficiência comprovada.

    Gostaria de conhecer os fatos indicados como Timbira, que não sei quem é, sobre todas essas ocorrências, como mortes, livros queimados, gente fugida . Livros também. Tem certeza?

    Interessante o fato de eu ter sido aluno do grande Celso Furtado e nunca se comentou sobre todo esse martírio, lembrando-o originário da Cepal criador da Sudene,, ligado ao Jango e com obras magnífica até pro Castello Branco o inesquecível, sério e bem intencionado General.

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  • Luiz Barros disse:

    Trata-se do velho Timbira de Y-Juca Pirama, Gonçalvez Dias, o poeta que empresta ao cacique o refrão meninos eu vi. O poema romântico já foi publicado neste vespeiro, em exemplicação/contraditando o romantismo de Rousseau, que defendia a idéia de que o homem é naturalmente bom. Quer saber? Leia. Creio que não será muito mais do que 10 páginas, muito mais simples do que se ler o Romanceiro. Mas é arte e poesia, se não lhe interessar, é uma pena, todo ginasiano no meu tempo tinha obrigação de ler Gonçalvez Dias, Castro Alves, Casemiro de Abreu, Olavo Bilac, Manoel Bandeira, Vinicius de Moraes: De repente… até Drumond, veja só. E por aí vai, vai e não para mais: Poe: nunca mais… era muita literatura, você nem acreditaria: Alphonsos Guimarães… mas não posso fazer nada se não lhe assenta bem a arte. Se se interessasse por literatura ética e filosófica, o que já não é para qualquer um, poderia sugerir ler o insuperável teatro de Ibsen. Meninos eu vi é a forma poética com que Gonçalvez Dias faz o índio falar na fogueira, à noite, quando conta a história de um velho pai cego e um filho guerreiro que pelo próprio pai era julgado um cobarde. A valentia do jovem Tupi, no entanto, era assombrosa, e a taba, pudera, não acreditava na história do velho guerreiro timbira. Meninos eu vi é a enunciação literária da época, que poderia ser melhor traduzida na expressão da cultura caipira, que todos ainda conhecemos, ou deveríamos conhecer, ainda que a dita cultura sertaneja atual a venha dizimando: até Inezita Barroso se foi, quem virá em seu lugar?. Se alguém duvida da fala de um caboclo, de um caipira, de um jeca, pode ouvir o mesmo que o velho Timbira dizia, só que de outro jeito: pois´io vi, nhor não? Vi cum essis meus´óios qui´a terra´há di comê!

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  • Luiz Barros disse:

    Ismália

    Alphonsus de Guimaraens

    Quando Ismália enlouqueceu,
    Pôs-se na torre a sonhar…
    Viu uma lua no céu,
    Viu outra lua no mar.

    No sonho em que se perdeu,
    Banhou-se toda em luar…
    Queria subir ao céu,
    Queria descer ao mar…

    E, no desvario seu,
    Na torre pôs-se a cantar…
    Estava perto do céu,
    Estava longe do mar…

    E como um anjo pendeu
    As asas para voar…
    Queria a lua do céu,
    Queria a lua do mar…

    As asas que Deus lhe deu
    Ruflaram de par em par…
    Sua alma subiu ao céu,
    Seu corpo desceu ao mar…

    Alphonsus de Guimaraens (Afonso Henriques da Costa Guimaraens), nasceu em Ouro Preto (MG), em 1870 e faleceu em Mariana (MG), em 1921. Bacharelou-se em Direito, em 1894, em sua terra natal. Desde seus tempos de estudante colaborava nos jornais “Diário Mercantil”, “Comércio de São Paulo”, “Correio Paulistano”, “O Estado de S. Paulo” e “A Gazeta”. Em 1895 tornou-se promotor de Justiça em Conceição do Serro (MG) e, a partir de 1906, Juiz em Mariana (MG), de onde pouco sairia. Seu primeiro livro de poesia, Dona Mística, (1892/1894), foi publicado em 1899, ano em que também saiu o “Setenário das Dores de Nossa Senhora. Câmara Ardente”. Em 1902 publicou “Kiriale”, sob o pseudônimo de Alphonsus de Vimaraens. Sua “Obra Completa” foi publicada em 1960. Considerado um dos grandes nomes do Simbolismo, e por vezes o mais místico dos poetas brasileiros, Alphonsus de Guimaraens tratou em seus versos de amor, morte e religiosidade. A morte de sua noiva Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas.

    (fonte: Itaú Cultural)

    Publicado no livro Pastoral aos crentes do amor e da morte: este poema, integrante da série “As Canções”, foi incluído no livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2001, pág. 45, uma seleção de Ítalo Moriconi.

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  • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

    Já que ninguém prende o José Dirceu, o PIZZOLATO e o Lula.
    Nada supera Fagundes Varela
    http://www.casadobruxo.com.br/poesia/f/fagundes01.htm

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  • Pô Eduardo,
    Castro Alves eu li, reli, treli e continuo lendo sempre.

    Vozes D’Africa é maravilhoso.

    ” e ainda tem no navio Negreiro.

    Andrada arranca esse pendão dos ares, Colombo fecha as portas de seus mares.

    Sou grato Eduardo pela chance de mostrar que não sou tão inimigo das artes, mas leitor do que é serio, histórico e produtivo a memória nacional.

    Só não aprecio muitos daqueles que se auto-intitulam artistas, notadamente das artes cênicas exceto o Lula, bom artista mambembe.

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    • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

      Cobucci
      A Guerra está começando. O Exercito do Lula atacando o MBL, a imprensa deveria acompanhar mais de perto esta anarquia, serviria até como escudo, alias a imprensa sempre foi um bom detergente.

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      • Eduardo,

        É isso. Temos que nos defender porque as autoridades policiais estão cerceadas. Coitado do policial que elimina um bandido onde inclui os invasores. A imprensa cai em cima e ” se de menor” o safado vem os direitos humanos, o das minorias , a histérica Maria do Rosário com sua turma de sinecuras.

        Nessas horas nada melhor que um 357.

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  • Dr.Eduardo Gonsales de Ávila disse:

    EXISTEM MUITAS PEDRAS NO CAMINHO

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  • Republicou isso em Eu Vivo a Melhor Idadee comentado:
    JORNALISTAS BRASILEIROS SOFREM

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