Eduardo Cunha e a imprensa

11 de novembro de 2015 § 22 Comentários

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Artigo para O Estado de S.Paulo de 11/11/2015

Volta com força aos jornais a especulação em torno das movimentações de Lula para forçar a troca de Joaquim Levy por Henrique Meirelles. Seria só mais uma manobra diversionista. Joaquim Levy não é a crise, é só uma esperança abortada de saída dela.

A crise é a incerteza que instalou-se no país quanto à possibilidade de sobrevivência da democracia diante da desfaçatez com que, 24 horas depois da eleição, o governo que vinha se dedicando ha 12 anos a solapar todas as instituições que garantem o Estado de Direito pela corrupção sistemática e o “aparelhamento” ostensivo assumiu-se oficialmente como mentiroso e passou a ameaçar o país com um confronto – armado, até – caso fosse judicialmente responsabilizado por seus crimes.

Essa incerteza perdurou durante os seis meses que duraram as dúvidas do próprio PT sobre a possibilidade de levar a economia de volta a uma equação sustentável sem perder o poder. Desde que se convenceu do contrário e passou a reafirmar a rota de desastre e agir apenas e tão somente para colocar-se fora do alcance da Justiça essa incerteza só tem feito diminuir.

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As “pedaladas” foram postas sob a guarda segura daquele senhor com certificação internacional de corrupção por cujas probabilíssimas contas no exterior o Banco Central não mostra nenhuma curiosidade; da Lava Jato ameaçam deixar só a casca para Curitiba; a acusação no TSE de uso de dinheiro do “petrolão” na campanha “caiu” de volta para a ministra que já tinha votado anteriormente pelo seu arquivamento que, confirmado, enterraria todas as provas levantadas pelo TCU e pela Lava Jato; a Operação Zelotes, que andou até o bolso do filho de Lula assim que saiu delas, voltou dois dias depois às mãos do mesmo juiz que, até então, mantivera seu interesse restrito às cercanias dos passageiros privados da corrupção patrocinada pelos chefões políticos dos agentes públicos.

Diante de tão completa coleção de sucessos – que confirmados configurariam já de si o fim do Estado de Direito – não é atoa que a pretensão dos acusados por roubalheira nunca antes tão vasta na história desta humanidade tenha evoluído para nada menos que “legalizar a corrupção”, projeto que, como Modesto Carvalhosa demonstrou com todos os fatos e números na 4a feira, 4, nesta página, vem avançando livre e aceleradissimamente.

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Já as contas públicas, estas são um abismo que o governo torna mais fundo a cada dia distribuindo mais e mais postos de tocaia ao dinheiro público a gente desqualificada, declaradamente para aliciá-la para deixar impunes os autores do desastre fiscal que a reeleição custou e arrancar exclusivamente das suas vítimas um “ajuste” que mantenha onde estão cada um dos desqualificados que cavaram a primeira metade desse buraco tocaiando o dinheiro público.

Lula quer trocar Levy por Meirelles “para promover a retomada do crédito e o aumento do consumo” por uma população com salário nunca antes tão ameaçado, metade da qual já está inadimplente das dívidas que lhe foram instiladas na veia para engraxar a eleição, e para “liberar empréstimos no exterior para os estados” nesse dolar que subiu 60% só nos primeiros seis meses da ressaca eleitoral. A “única alternativa” seria o restabelecimento da CPMF que abriria as veias de uma economia que já está morrendo de inanição.

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O que alimenta esse falso dilema é a inépcia da imprensa.

A única solução sustentável para o drama brasileiro é atuar diretamente sobre a fonte do desastre que é a gordura mórbida que, para além de tornar o estado muito mais pesado do que o país é capaz de sustentar, travou o seu funcionamento pelo caráter cancerígeno dos agentes infiltrados nele, mais que para simplesmente parasitá-lo, para devorá-lo. Só que para tornar politicamente viável essa linha de ação seria preciso que essa gordura viesse sendo sistematicamente exposta até que o país inteiro tivesse uma noção exata da sua existência, da sua natureza e dos valores envolvidos.

O cérebro brasileiro é tão capaz de processar uma equação quanto qualquer outro, desde que conheça os elementos que a compõem. Mas a imprensa não tem gasto um minuto de seu tempo para esmiuçar a composição do peso morto que, considerado o “por dentro” e o “por fora”, come metade ou mais do PIB brasileiro. O Brasil não chega, portanto, à resposta certa porque é sistematicamente induzido a partir da pergunta errada.

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É emblemática dessa distorção a monopolização do noticiário político pelo tema “Eduardo Cunha”, figura que tomada isoladamente não tem implicação maior que a sua própria insignificância, em detrimento de “A fritura de Eduardo Cunha” ao fim de 20 anos de desfile inadvertido da sua coleção de Porches na cara da imprensa e da miséria nacional na véspera de um impeachment, tema cujo desaparecimento do noticiário implica o resgate da impunidade ameaçada e proporciona aos agentes diretos da desgraça nacional espaço para voltarem ao desmonte acelerado do Estado de Direito, sob a desculpa da “obrigação de registrar os fatos” que, incidentalmente, são os que vêm sendo produzidos aos borbotões pela única “investigação” de agente do “núcleo político” do petrolão que o governo ameaçado de impeachment e seus auxiliares nos demais poderes houveram por bem levar adiante.

Ha um agravante geográfico da nossa equação política que torna mais difícil o que já é naturalmente difícil. Entre Brasília e o Brasil tudo que resta são os jornalistas de política. “Expatriados” para o isolamento do Planalto eles constroem por lá a sua teia de relacionamentos e acabam fatalmente por ter cônjuges, pais, filhos e parentes vivendo daquele Brasil que está acima das crises. Com os anos, passam a “entender” tão bem aquele mundo que deixam de entender o nosso. Só que, cada vez mais, são mundos regidos por lógicas mutuamente excludentes. Para que um saia do inferno será preciso que o outro seja expulso do paraíso. É preciso que a imprensa, que só cabe num deles, reveja suas prioridades enquanto é tempo.

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Veja com quem estamos lidando

31 de agosto de 2015 § 4 Comentários

A imprensa e a pauta nacional

11 de maio de 2015 § 83 Comentários

ceg5Artigo para O Estado de S. Paulo de 4 de maio de 2015

De quanto tempo será o castigo? Quanto teremos de viver sem respirar? Quantos vão morrer?

Ha controvérsias. Aquele câmbio de “fazer pobre viajar de avião” que o Lula vive exibindo como prova do seu amor pela humanidade destruiu a indústria nacional. Junto com a desmontagem dos três eixos de produção de energia – a elétrica, a de biomassa de cana e a de petróleo – pelo tamponamento de tarifas para “tirar 50 milhões de brasileiros da miséria” com uma caneta até à véspera da eleição compõe hoje o epicentro do tsunami que empurra para cima, aos trancos e barrancos, todo o sistema nacional de preços relativos. A produção, o trabalho, a vida, enfim, terá de se reacomodar por ensaio e erro apenas para deter a queda.

Mas essa é a parte fácil. Em tempos de mercados globalizados acertar entre o ministro Levy e os vendedores de “governabilidade” em quem será enfiado cada pedacinho da conta doméstica é o de menos. Difícil será desprogramar a subversão conceitual que explica a nossa inesgotável tolerância ao abuso e mantém fora do horizonte qualquer possibilidade de “ajuste internacional“, o único capaz de matar a miséria.

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Os buracos hoje fecham-se ou alargam-se em função do acerto entre cada comunidade de produtores e seus governos nacionais. O que decide é a carga que uns põem nas costas dos outros. Todo mundo sabe disso mas, se nós ainda guardamos alguma lucides como indivíduos, não sobrou nenhum resquício dela enquanto sociedade. O Brasil perdeu a capacidade de discernir a fronteira básica entre a religião e a ciência e a grande pedreira vai ser recolocar a relação de causa e efeito, fundamento da ciência moderna, na posição de centralidade que ela deve ter no nosso sistema de intelecção da realidade.

Brasília nem sequer sabe que existe uma crise. É lá o tal “país sem miséria” onde, em pleno desastre nacional, a verba dos partidos triplica, os meritíssimos se outorgam “auxílios” de fazer corar os cínicos, os indemissíveis “educadores” dos filhos do Brasil, enquanto morrem em massa os empregos cá fora, não deixam por menos de retumbantes 75% a sua “exigência” de “reajuste salarial”.

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E a dívida dessa Petrobras estuprada, “a maior de todo o mundo corporativo em todos os tempos”, quantas gerações de brasileiros que ainda nem nasceram viverão e morrerão pagando essa conta? Nem por isso a Petrobras deixa de continuar tida e afirmada como “um orgulho nacional”, sob um silêncio quase unanime de anuência. Nem as vísceras à mostra remetem àquela clássica — àquela histórica, translúcida e necessária — relação de causa e efeito entre a condição de empresa estatal num país pré-democrático e o aparelhamento do seu staff e dos seus recursos por um projeto de poder bandido, ainda que moremos todos no país onde nem uma única solitária pessoa duvida que, para onde quer que se olhe, “não se coloca um paralelepípedo no chão sem pagar propina”.

O máximo que se ousa timidamente pedir são menos ministérios. Das outras 37 fundações, 128 autarquias e 140 empresas estatais somente no âmbito federal, ninguém fala. Da existência delas só fica sabendo, aliás, quem olha com lente o que “vaza” pelos interstícios dos “verdadeiros problemas nacionais” que a imprensa se permite enxergar. Adicionados estados e municípios ninguém sabe a quantas andamos, estado x nação. A Petrobras sozinha tem 446 mil funcionários, algum jornal deixou escapar enquanto falava de coisa “mais importante“. Meio milhão, fora aposentados e encostados! É provável que esteja para o resto das petroleiras do mundo, somadas, como as nossas escolas de direito estão para as do resto do mundo somadas. Nós “ganhamos”; temos mais!

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Só de “sindicatos” de propriedade una e indivisível de “líderes” sem liderados sustentados pelo imposto sindical, a linha de frente dos “movimentos sociais” que se querem substituir ao sufrágio universal, parece que já temos 28 mil, segundo menção não provocada e acidentalmente publicada de fonte abalizada. “Justiças”? Temos cinco, completas, um plural que elimina, “em termos”, a possibilidade de se fazer a única que de fato “é” que é aquela que se define pelo estrito singular. Apenas uma delas sangra nossos produtores em 50 bilhões de reais por ano — quase o ajuste inteiro que se está buscando — só em “processos trabalhistas”, indústria à qual se dedica com exclusividade metade daquela multidão de “advogados” que nossas incontáveis fábricas de rábulas “põem” todo ano. É a sementeira do que nos tornamos; a lunpencorrupção: “minta, traia, falsifique que o governo garante”.

Quem tem a menor sombra de duvida que um país assim não pode dar certo? Que este é o ambiente onde a corrupção e o crime estão como querem? Que não teremos condição de competir com ninguém e quebraremos a cara tantas vezes quantas tentarmos antes de curarmos essas feridas?

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E no entanto, para quebrar o encanto, basta insistir obsessivamente numa conta simples: quanto estrago, quanta miséria, quanta violência evitável torna-se obrigatória para o Brasil onde vale tudo para que o Brasil intocável possa continuar intocado? O que, a cada passo, estamos trocando pelo quê?

Nossas escolas ensinam que tocar nesse assunto é heresia sujeita a auto-de-fé. E nossas mentes jesuítico-aplainadas, tudo indica, estão prontas para absorver a lição. Tanto que o máximo que nossos políticos de oposição sugerem, nas suas mais ousadas expansões “libertárias”, é que enfrentemos tudo isso com revólveres sem balas. “Voto distrital, vá lá; mas sem recall”! E a imprensa, disciplinadamente, ha anos que não faz esse tipo de conta ainda que o mínimo que exige a decência de quem se quer o alarme das iniquidades do mundo é que não falasse de outra coisa. Como, porém, ela só se permite chamar de política aquilo que os políticos chamarem de política e de reforma o que eles, de livre e espontânea vontade, nos propuserem como reforma, o Brasil que trabalha, com o mundo dos estados “ultralight” fungando-lhe no cangote, terá de seguir vivendo à espera de um milagre para começar a discutir qualquer coisa que possa concorrer para salvar-lhe a vida.

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Sim, nós estamos em guerra

24 de abril de 2015 § 42 Comentários

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Nada a ver com os 56 mil assassinados a cada 365 dias, cinco vezes mais do que mata o Estado Islâmico por ano.

Falo da outra guerra.

O editorial do Estadão desta quinta-feira (aqui) dá um sobrevôo nas teses que quatro das tendências do PT – da mais radical à mais moderada – enviaram para o debate do 5º Congresso Nacional do partido, agora em junho, e conclui que “o PT julga que está em guerra”. Todas são vazadas em termos militares, tratam dos meios que cada uma sugere empregar para aniquilar “os inimigos”, que seriam todos quantos disputam com ele o poder dentro da ordem democrática, e do que fazer para, segundo a diretriz tantas vezes repetida por Lula ao Foro de São Paulo, não devolver um milímetro do terreno conquistado, aproveitando a passagem pelo poder para mudar a ordem democrática que os pôs lá e eternizar nele as “forças progressistas” (o PT) por meio de uma “Constituinte soberana e exclusiva” que elimine o que o partido vê, no momento, como o seu principal inimigo: o Congresso Nacional que nós elegemos.

O Estadão está errado. Não é o PT que “julga” estar numa guerra. Guerra é como sexo: são necessários pelo menos dois para fazê-la. A democracia brasileira é o objeto dessa guerra movida pelo PT, e se não se der conta disso logo vai perdê-la sem disparar um único tiro para se defender.

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A ordem dos fatores

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Agora Henrique Pizzolatto.

A polícia sem dúvida trabalha, e muito!

Mas não nos iludamos. O que vale é a Justiça que tem o poder de desfazer o que a polícia faz. E nesta têm prevalecido cada vez mais os juízes amestrados que o PT vêm semeando por aí com disciplina invariável, enquanto “elogia” o trabalho da polícia como se fosse seu.

Não é.

O trabalho do PT é o que vem sendo feito no Judiciário e explica porque todos os larões de galinha, sem exceção – sejam os do mensalão, sejam os do petrolão – pegaram penas ou meras incomodações muito, mas muito mais pesadas que os chefões sob as ordens dos quais trabalharam.

É tudo uma questão de ordem dos fatores: é pelo Judiciário que se institui a democracia; é pelo Judiciário que se mata a democracia.

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Tamanho não é documento

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Depois daquelas melancólicas “marchas” dos “movimentos sociais” amestrados do PT “em defesa da Petrobras” contra todos quantos tentarem tirar os ladrões lá de dentro, reunindo do MST do general do Lula condecorado pelo governador de Minas Gerais à OAB do advogado/guarda-costas de João Vaccari Neto, o PT encontrou a tropa ideal para manter a sua guerrinha contra o Brasil: aquela civilizada congregação dos encarregados de educar a nova geração de democratas desta república que, mascarada e babando fel, pára São Paulo todo dia com a sua meia dúzia de dezenas de gatos pingados tentando derrubar o governador Geraldo Alkmin até no dia do velório do seu filho. Esses “professores” não conversam por menos de 75,33% de aumento “” – e atenção para os 0,33%! – porque o país está nadando de braçada e pedir isso “”, ou morte, seja quando for, é prova indiscutível de boa fé.

Não se impressione. Eles são só mais uma cortina de fumaça. Só o que interessa nessa guerra é a conquista do Judiciário uma vez garantida a qual, o resto vai, ato contínuo, direto “pro saco”.

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Mulher de vida fácil

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O mercado é o que é. Pela frente ou por trás ele entuba o que vier e sempre se diverte com isso.

Ninguém levou a sério os números mas o fato da Petrobras sair na undécima hora do mutismo e, assim, evitar a desclassificação que anteciparia a cobrança de suas dívidas e a levaria à falência já para admitir candidamente – “sim, eu tenho sido roubada” – é uma melhora em relação à condição anterior de cinismo quae sera tamen suficiente para fazer mais alguns bilhões saírem do bolso dos trouxas para se acomodarem nos dos cínicos.

Fica agora para os técnicos e os jornalistas otários a discussão sobre se “roubo” são só os 6,2 bi assim classificados ou também os 44,6 bi de “desvalroização de ativos” por conta daquelas refinarias que o Lula mandou fazer porque sim até em sociedade com a Venezuela, veja você, e custaram, cada uma, pelo menos oito vezes o preço contratado ou, ainda, os 21,6 bilhões inscritos como “prejuízo operacional” do exercício de 2014.

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A soma passa de 72 bi, mas o importante nisso aí são tres coisas:

1 – a dívida líquida da Petrobras bateu em 282 bi em dezembro passado, 27% a mais que exatamente um ano antes; ou seja, alçou vôo e é impagável antes mesmo das multas americanas e o que mais vier, mesmo com a “privataria” toda que o PT vai por em andamento pra pagar com pedaços do nosso “orgulho soberano” o seu suborno eleitoral;

2 – comprada a eleição, vem a conta: o preço dos combustíveis, que levanta todos os outros por baixo neste país movido a caminhão, é de longe o maior imposto desse “ajuste” e vai permanecer nas alturas tanto mais quanto mais baixar o preço do petróleo no mundo, porque entre você e a Petrobras o PT fica com…

3 – como “solução” para esse terremoto, o Aldemir Bendine da Dilma e da Val Marchiore, já anunciou o mesmo modelo de “parcerias” que criou para o Banco do Brasil que, com a conta de seguros estourada, reuniu todos os segmentos de seguridade junto com sócios estratégicos (tipo os campeões do BNDES), e criou “uma empresa privada sem as amarras da gestão estatal”.

Ja pensou!

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Tudo azul na América do Sul

15 de abril de 2015 § 8 Comentários

Confira o notório saber jurídico do novo ministro de Dilma

Amigos, amigos, negócios àparte. Essa é a lei. Com os mortos e os feridos ainda frescos, os punhais cravados nas costas e João Vaccari Neto estrebuchando na prisão do juiz Moro, vão se acumulando os sinais de que mais uma guerra pelos pedaços do Brasil está chegando ao fim.

Desde o primeiro “tiro”, aliás, o recado de que se há loucos no Congresso Nacional não chegam, absolutamente, a ser do tipo que rasga dinheiro, estava dado. Ficou convencionado que todos aceitariam o decreto de que “não existem indícios nem provas de participacão de Dilma Rousseff no petrolão” e que, portanto, “o impeachment não se coloca” e não se fala mais nisso. O fato da imprensa ter aderido a esse acordo velado sem maiores discussões aponta para um quadro mais grave de imunodeficiência. Eu mesmo estou entre aqueles que consideram que um impeachment neste momento atrapalharia muito mais que ajudaria. Mas daí a aceitar que nada nessa mixórdia aponta para Dilma Rousseff é pedir demais. A imprensa não tem o direito de alivia-la da pressão dos fatos.

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Pra não irmos mais longe, aceitar esse acordo é rasgar a Lei das S.A., aquela que define as responsabilidades de um Conselho de Administração e de seu presidente. Posto esse limite pelos políticos em disputa, portanto, já estava claro para qualquer bom entendedor que tudo que viria depois não passava de um jogo de reacomodação de fronteiras entre os bandos que nos disputam as costelas.

Agora o resultado se vai oficializando.

Dilma está “rainhadainglaterrizada”; Michel Temer, que, no meio do tiroteio com Eduardo Cunha, fez-se “o homem de Lula”, está onde ele o queria, encarregado de levar de 200 para 280 os deputados “fiéis” a qualquer desejo expresso pelo PT, contando para tanto com um novo esquema de distribuição de cargos do 2º e 3º escalões de comum acordo com Ricardo Berzoini, o cão do “controle da mídia”, e Jacques Wagner, o “petista que assopra”.

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A inquebrantável fé de Lula na venalidade do Congresso volta a ser o Norte dessa bússola e começa a ser plantada a semente do próximo “petrolão”.

Renan Calheiros, que ia “barrar quem viesse com carimbo do PT pra dentro do STF”, foi formalmente consultado antes da indicação de Luis Fachin, o ex-cabo eleitoral de Dilma e amigo pessoal do general do “exército do Lula”, João Pedro Stédile em pessoa, para a vaga que foi de Joaquim Barbosa na mais alta corte do país, movimento que sinaliza duas coisas: primeiro, que está garantido o lugar de sua excelência na “pizza” em preparação e, segundo, que o PT repõe em marcha o seu golpe bolivariano, aquele que se faz limando – um com dinheiro, o outro via aparelhamento – os poderes que existem para controlar o do Executivo.

d4A Petrobras? Ora, ela “está de pé”, segundo dona Dilma; “Limpou o que tinha de limpar. Tirou aqueles que tinha de tirar lá de dentro”. Volta a ser “a pátria de macacão” de que nós todos devemos nos orgulhar. Em função disso, a “pátria de uniforme listado” contratou ninguém menos – ó tempora, ó mores! – que o Bank of América para vender a quem der mais os pedaços do filé mignon do pré-sal, não excluído até o muito rico e simbólico Campo de Lula, aos capitais internacionais. Junto devem ir a participação da empresa na Brasken, onde é sócia da ínclita Odebrecht, aquela que patrocina as visitas de Lula aos genocidas da África, e a BR Distribuidora, isto é, toda a vasta e rica rede de postos Petrobrás que, segundo insistente zum-zum que corre em Brasília, acabará por cair miraculosamente no colo do Bradesco do providencial ministro Joaquim Levy.

Mas não nos preocupemos porque nada disso tem o sentido que teria se fosse o PSDB que estivesse vendendo “a pátria de macacão”.

E a oposição? E as manifestações?

Ah, pois não: o PSDB aguardará o próximo DataFolha para nos informar quais as linhas mestras do seu sólido e aguerrido pesamento político. Já sobre manifestações, “O Planalto está atento a elas”. “Respeita muito” os que delas participam enquanto o “exército do Lula” não vem, o que não quer dizer que vá atender o grito que os anima “Fora Dilma! Fora Lula! Fora PT!”. E não se fala mais nisso por explícita ordem unida da diretoria, outra que a grande imprensa houve por bem acatar sem mais perguntas.

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Voto distrital com “recall” já!

21 de março de 2015 § 54 Comentários

d1Artigo para O Estado de S. Paulo de 21/3/2015

O vazamento de documento sigiloso analisando a crise e criticando o governo, incidentalmente seguido da conflagração quase física de vendedores de governabilidade de maior e de menor sucesso dentro da sua “base de sustentação”, não traduz qualquer tipo de choque de idéias ou ensaio de mudança de rumo. Como Eugenio Bucci resumiu com perfeição em artigo nesta página quinta-feira, o que se afirma no documento é apenas que “o governo teria errado porque não lançou mão das ferramentas certas nas doses cavalares certas para convencer a cidadania errada de que ele, governo, é que está certo“. Ou seja, sobre o projeto de país do PT ser inteiro uma mentira o PT inteiro está de acordo. O que se discute é só a qualidade da mentira que se deve vender, e com que intensidade, para que não se perca o projeto de PT a serviço do qual o partido pôs o país.

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Difícil é imaginar como “melhorar”, nesse sentido, o discurso de Dilma Rousseff. Na sequência das maiores manifestações que o país já viu, com as televisões alternando suas palavras com as provas “estarrecedoras” do Ministério Público de que a roubalheira continuou pela mão do preposto de José Dirceu, o único prisioneiro da “Fase 9” libertado pelo ministro Teori Zavaski, do STF, a presidente pontificava impávida que “a corrupção passou a ser combatida pela primeira vez na história deste país graças ao PT”; que este governo, graças ao qual agora temos a garantia de que José Antônio Dias Toffoli dará aos “petrolões” o que eles merecem, “não interfere no caminho da justiça”; que as “manifestações” da sexta-feira, 13, foram tão autênticas quanto as de domingo, 15 de março; que este ajuste imposto “pelos erros dos outros” está sendo justissimamente distribuído entre todos os brasileiros pelo governo dos 39 ministérios intactos e sua Brasília que nada produz mas é campeã nacional de renda; que o partido do “controle da mídia” cujo chefe máximo, quando sai da moita, é para convocar “os exércitos do Stédile” a “dar porrada” em quem for contra, “respeita acima de tudo o direito de dissentir”; que os soldados da “ditadura do proletariado” do passado, que dão cobertura aos nicolás maduros do presente arriscaram suas vidas “para defender a democracia”…

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É esta a essência desta crise. A mentira, que no limite terá de se impor pela força, envenena de tal forma o ambiente que coloca tudo sob suspeição, paraliza a economia e congela até as verdades prementes da urgência de agir e do imperativo de mudar a regra do jogo sem a satisfação das quais não ha saída. Considerando-se que seus efeitos sociais mal começaram a chegar às ruas e que temos quatro anos pela frente, é uma situação perigosíssima.

Sim, é verdade que as redes sociais tornam mais difícil a manipulação da opinião pública e que vastos segmentos da sociedade aos quais vinha sendo imposta ha anos uma sistemática “não existência” por uma mídia enviesada conseguiram, finalmente, furar o cerco, auto-organizar-se e fazer-se ouvir nas ruas.

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Mas é só isso que as redes sociais proporcionam. Nada garante que a “primavera brasileira” será diferente das outras.

Finda a embriagues dessa “libertação”, o país mergulha de volta na aridez do seu isolamento, da sua viciosa auto-referência, da sua indigência de know how em matéria de tecnologia institucional.

Ha um pesado passivo a ser removido. Desde a redemocratização nossas escolas e redações, com as exceções que confirmam a regra, têm mantido o país isolado da modernidade e ignorante dos seus remédios e anatematizado tudo que não seja mais do mesmo no debate político nacional. A sanção social contra quem resiste é de tal ordem que poucos entre os que não incorporaram como seu o “index” do “politicamente correto” têm coragem de afirmá-lo publicamente.

Não é mais que esse tipo de covardia o nosso “deserto de lideranças”.

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O divórcio entre palavras e fatos e a perda da capacidade de relacionar causa a efeito, essência do pensamento racional, não é uma exclusividade de Dilma Rousseff, é uma doença nacional. O que sobrou da Petrobras rapinada está sendo liquidado aos pedaços, mas “privatização”, no sentido original de antídoto para isso, segue sendo palavrão. Com a conta do ajuste provocando pesadas baixas num “país real” ainda eivado de miséria, o “país oficial” permanece incólume com seus milhões de funcionários ociosos, suas aposentadorias milionárias, suas mordomias indecentes e seus direitos e foros especiais medievais. Mas os economistas da oposição e até a imprensa dão de barato que tudo isso é imutável. “Como as despesas de custeio são incomprimíveis os impostos terão de ser aumentados e os investimentos cortados”. É só um dado “técnico” da equação, ainda que implique uma sentença de morte da Nação.

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Corrupção? Ah, sim! Vamos eliminar “a causa” dela do mesmo modo como estamos eliminando “a causa” da criminalidade: proibindo a presença de dinheiro nas campanhas eleitorais alheias assim como temos proibido a posse de armas de fogo pelas vítimas do crime, e agravando penas que nunca serão aplicadas mantidos os direitos e os foros especiais. E nas TVs, jornalistas e “especialistas” meneiam a cabeça, graves, em aprovação. O fato do Brasil continuar matando a tiros cinco vezes mais do que mata o Estado Islâmico por ano não prejudica em nada esse raciocínio e portanto não cabe lembrá-lo aos propositores de tais “soluções”.

Lá fora ganha a corrida quem mais se alivia de pesos mortos e melhor arruma tudo para proibir presidentes et caterva de “fazer” ou “dar” o que quer que seja a quem quer que seja ou impor ao país as suas “boas ideias“. Para garantir que assim seja, arma-se a mão do eleitor com o poder de demitir funcionários e representantes a qualquer momento pelo voto distrital com recall de modo a ser dele a última palavra em qualquer discussão que possa afetar o seu destino. O resto vem por consequência.

Vem aí a “reforma política” que muitos sonham usar até para acabar com a política no Brasil. É hora de deixar de lado as panelas e começar a gritar algo que produza resultados.

TUDO SOBRE O VOTO DISTRITAL COM RECALL

COMO O POVO CONTROLA O JUDICIÁRIO NOS EUA

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Questão de prateleira

13 de março de 2015 § 19 Comentários

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Os documentos vazados do banco HSBC expondo milhares de bandidos pelo mundo afora que lavam seu dinheiro em contas dessa “instituição” na Suiça, incluem 8.667 brasileiros. Não é só o HSBC, aliás. No depoimento de Pedro Barusco, o gerente milionário da Petrobras, também foram mencionados os bancos Safra (que, diga-se de passagem, já vendeu e ensacou tudo que rapinou por aqui e se mandou pra Europa), Royal Bank of Canada, Banque Cramer, Lombard Odier, Pictet, Julius Baer e PKB.

Estão entre os donos dessas 8.667 contas brasileiras, de políticos e figurões do “petrolão” a criminosos comuns como o Capitão Guimarães, dono da máfia de caça níqueis no Brasil e o traficante colombiano de cocaína Gustavo Duran Batista que homiziava-se por estas amenas praias.

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É perfeitamente natural.

O crime organizado nas ruas só existe e sobrevive se e quando tem cobertura do crime organizado nos governos pois nenhum tipo de criminoso tem força para resistir à polícia de um Estado Nacional se ele estiver realmente disposto a pegá-lo. E esse tipo de banqueiro, é claro, é que sustenta o esquema de ambos pois sem eles não haveria proveito nos crimes que praticam.

Essa corja toda – os assassinos diretos e os assassinos indiretos; nos esconderijos, nos palácios ou nos prédios majestosos que abrigam bancos e banqueiros – são todos uma e a mesma coisa. Só estão em prateleiras diferentes.

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 Questão de esgotamentos

Dilma disse ontem que “o país esgotou todos os recursos” para evitar a crise. Ela nunca foi tão literal e sincera, menos por uma palavra: onde se lê “o país”, leia-se “o governo do PT”.

O país vai “ser esgotado” é a partir de agora, para pagar a farra.

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Questão de manifestações

Melancólicas essas “manifestações” dos movimentos sociais amestrados do PT, “em defesa” da (ex-presidente do Conselho de Administração da) Petrobras e do “direito” do partido político que se apropriou da empresa de esbulhá-la impunemente por toda a eternidade.

Mesmo sendo só esses gatos pingados que a TV está mostrando, é triste constatar que ainda os há e que em pleno desnudamento do escândalo ainda ha dinheiro público pagando esquemas para fantasiá-los, equipá-los de cartazes e balões coloridos, vestí-los, alimentá-los e embarcá-los em ônibus “de luxe” para transportá-los até os pontos demarcados para fazerem esse triste papel.

A tudo isso o país real retrucará no domingo.

A conferir.

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Questão de chapéus

E por falar no “exército do Stédile” que o Lula convocou especialmente para “reagir na porrada” contra brasileiros protestando nas ruas contra continuarem a ser roubados, repare nas fotos. Na primeira está um grupo de “soldados do Stédile” recebendo “aulas” de alguma coisa. Não ha informação sobre se já são as aulas ministradas por Elias Jaua, o chefe daquelas milícias armadas da Venezuela que reagem a tiro contra manifestantes anti-bolivarianos (a “porrada” já ficou na saudade). Mas os chapéus, obviamente, não estão vestidos dentro de casa para defender esses “alunos” do sol e da chuva. Eles são o uniforme, a marca registrada dos comandados deste nobre cavalheiro que o governo brasileiro convida oficialmente a vir ao Brasil ministrar “aulas de revolução socialista” e “dá carteiradas” em nossos aeroportos para manter na cinta os 38’s que os brasileiros estão proibidos de ter com que desembarca no território nacional.

Os chapéus são iguais porque é igual o que está sendo fermentado nas cabeças por baixo deles. Só falta o resto do “equipamento“.

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