Empacados no getulismo

20 de maio de 2014 § 11 Comentários

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Prendam os generais!

Soltem os ladrões e os traficantes!

Suspendam todas as investigações e processos sobre os assaltos à Petrobras, o roubo de remédios de miseráveis, o trafico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro em escala industrial!

Reabram as investigações e processos cobertos pela Lei de Anistia brasileira de ha 50 anos!

Ao que é que estamos assistindo, afinal?

Ao de sempre, avisa-se aos recém chegados: “Para os amigos, tudo! Para os inimigos a lei”, ainda que para que a lei fique com a cara que o PT quer esvaziem-se os nossos tribunais de juízes de verdade e se os recheie de “juízes amigos” ou troquem-se as leis brasileiras por declarações de “tribunais internacionais” feitos à imagem e à (bolivariana) semelhança do partido.

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O Ministério Público pós Mensalão sustenta que uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2010, “determina que o Estado brasileiro investigue e condene os responsáveis por torturas, execuções e desaparecimentos – crimes contra a humanidade – ocorridos durante o regime militar”, e o Estado petista, que dependendo de se a ingerência estrangeira vem de “amigos” ou de inimigos abomina-a ou acata-a por cima da lei nacional, da o dito por suficiente para revogar a lei que fundou a Nova Republica.

Mesmo assim, retrucaria um desavisado, para investigar e condenar um lado seria preciso investigar e condenar também os responsáveis por sequestros, tortura, execuções, desaparecimentos e outros crimes contra a humanidade como dinamitar inocentes a esmo, da responsabilidade de figuras conhecidas da esquerda armada naquele período que mais de uma vez admitiram os seus crimes, o que poderia atingir a presidente da república e muitos de seus assessores e ministros que assassinaram gente desarmada e sem defesa naqueles tempos…

O Procurador da Republica, Sérgio Suiama, argumenta que “há provas mostrando que o Estado estava totalmente ordenado para garantir a impunidade dessas pessoas” (terroristas incluídos, assinale-se) e que, nesse caso, “a prescrição não pode ocorrer, porque a regra do jogo não é essa” (sic).

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E quando o Supremo Tribunal Federal remontado exatamente para conseguir tirar da prisão malfeitores “amigos” condenados e com culpa provada manda soltar o doleiro Youssef e toda a quadrilha nacional e internacional que atua em torno de sua lavanderia de dinheiro do crime, isto não é prova de que o Estado petista está totalmente ordenado para garantir a impunidade dessas pessoas?

Exatamente. Mas, de novo, a diferença é que estes são os malfeitores “amigos”…

Enfim, deixem-se de lado os argumentos racionais porque é do lobo e do cordeiro que estamos falando e ao lobo basta um argumento: “Eu tenho os dentes!”.

Nunca foi diferente!

O fato de Getúlio Vargas se abraçar ao nacional socialismo e Lula ao internacional socialismo não muda nada. Cada época tem o seu alvará de justificação da opressão, e esse alvará troca de sinal como os políticos trocam de discurso.

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A bem da verdade o PT tem cumprido religiosamente, passo a passo, tudo com que sempre esteve comprometido menos a sua única promessa que era notoriamente falsa e contrária à sua linha programática nunca alterada: a “Carta aos Brasileiros” do Lula de 2002, com a qual, para comprar a eleição que o poria em posição de desmontar o sistema republicano, obra que pôs em curso desde o primeiro minuto de seu governo conforme ficou provado em minúcias no processo do Mensalão, ele “comprometeu-se” a descomprometer-se com tudo com que sempre esteve comprometido.

Era mentira como se sabia desde sempre.

As cartas, agora, estão na mesa e o jogo volta a ser aberto.

E Aécio, diante disso, incorporará alguma assertividade ao seu discurso ou vai continuar untado de vaselina, repetindo a brilhante tática eleitoral de José Serra de tratar de convencer o povo de que é mais Lula que o Lula?

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Lamento informar que o retrospecto não é animador…

A República, desde 16 de novembro de 1889, tem sido uma ditadura contínua da corrupção e da mentira institucionalizadas acompanhadas ou não do uso explícito da força, com duas ou três interrupções fortuitas correspondendo, todas elas, a acidentes de percurso que, por breves períodos, levaram ao poder as ínfimas minorias de brasileiros emparelhados com a modernidade.

Aos 18 anos de Getúlio Vargas no poder, 15 dos quais como um ditador brutal, resistiu um único homem e seu jornal que arrastou atrás de si um único estado da federação de formação sociologicamente diferenciada da do resto do Brasil. O resto do país, do “empresariado de compadrio” ao lumpen, exatamente como hoje, sustentou o ditador em troca de bifes ou em troca de migalhas.

Dois tropeços adiante, em 64, um golpe impediu o golpe que se armava à vista de todos para trazer o getulismo de volta por via transversa. 21 anos depois, em 1985, um ministro de Getúlio seria o primeiro presidente da “redemocratizão”. Mas o destino o levou e recuperou da lata de lixo da História os “coronéis” do Nordeste que, graças a José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, se tornaram “eletrônicos” e hoje são os sócios que garantem o PT no poder.

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Nunca houve a incompatibilidade alegada entre eles. São todos farinha do mesmo saco dessa pré-história da emancipação política brasileira que segue pisoteando os cânones mais comezinhos da democracia depois do interlúdio do “presidente acidental” saído da universidade que foi enfiada como uma cunha para tentar abrir uma brecha na sólida cultura do autoritarismo brasileiro por aquele mesmo jornalista que comandou a resistência a Getúlio Vargas.

De Gaulle tinha razão: “A gente expulsa a natureza; ela volta a se impor!” (“On chasse la nature; elle revien!”)

Ele estava lá, misturado com o resto em 84; voltou a se insinuar nas ruas agora, em junho de 2013. Ha um Brasil democrático querendo andar com as próprias pernas em gestação. Mas quando é que ele estará pronto?

Quem resistirá desta vez, ao Getúlio reeditado?

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Nota: Durante a tarde de hoje Teori Zavascki, um dos ministros amestrados de Dilma no STF, deu o dito por não dito e manteve na prisão os membros da quadrilha que tinha mandado libertar no dia anterior. Não se informou se o chefe do “setor Petrobras” da organização, Paulo Roberto Costa, voltou para a jaula de onde saiu ontem. Providência de véspera de eleição? Alguém lá de cima  teria alertado que é bandeira demais pra esse tipo de temporada soltar bandidos tão indiscutivelmente bandidos, justo quando a propaganda eleitoral do PT diz na cara-de-pau, enquanto desmonta o Judiciário, que nunca se prendeu tanto corrupto? Pouco importa. Isso pouco altera o raciocínio exposto neste artigo e nem, muito menos, o quadro de completa insegurança jurídica em que vive este país.

§ 11 Respostas para Empacados no getulismo

  • Muito bom, Fernão.

    Infelizmente o ladrão Paulo Roberto desta vez não voltou para a jaula.

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  • Ricardo disse:

    Parece que no andar de cima havia se criado um clima de otimismo esquizofrênico.
    A polarização pró ou anti copa parece ser uma prioridade,uma vez que essa batalha já parece inexorávelmente perdida para o governo.
    A barra forçada no STF faz com que se pense se a cortina de fumaça dos eventos de protestos,ainda,contra os eventos e outras pautas menos relevantes,podem obscurecer de fato o cerne de questões delicadas aos envolvidos,afinal,houve qualquer manifestação de clamor público após a decisão do STF? E quanto a posição da imprensa?
    Este “recuo” acontecido tão repentinamente só faz é reverberar a complexidade e amplitude desse esquema nebuloso e,criminoso enfim,tanto quanto o que representa de potencial perigo às camarilhas e sua continuidade.

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  • Pedro Cury disse:

    Precisamos de um ou uma Margaret Thatcher. Infelizmente, não vejo quem poderia ser o ou a candidata. O Aécio (que terá o meu voto) é “mineiro” demais.

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  • willi disse:

    Difícil comentar, impublicável o que eu penso, infelizmente terei que optar pelo voto útil, ou seria fútil?

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    • fernaslm disse:

      o unico voto util é o que resulta em alternância no poder, Willi…

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      • Ricardo disse:

        Voto,indispensável,lembrem sempre que a campanha que insistiu no voto nulo foi a que elegeu Chavez na outrora Venezuela.
        O ” curral” eleitoral cativo vota,e faz a MAIORIA DE VOTOS VÁLIDOS, o que legitima uma eleição.Votem em protesto,mas votem.
        Obrigado…

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  • Varlice disse:

    Com relação a sua nota, nunca é bandeira demais quando o combinado era exatamente o ministro Teori fazer o que fez – a que preço, é sempre bom perguntar, diga-se de passagem – e livrar a cara de quem, no final das contas, deveria ser livrado.
    O sr. Paulo Roberto Costa – assim como Rose – sabe demais e livrá-lo da cadeia era preciso, sem fiança, diga-se de passagem;
    Logo conseguirá passar invisível e ileso pelos guardas de plantão e desaparecerá nas brumas de impunidade.

    .

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  • Como você poderá ler abaixo a expressão “Chassez le naturel et il revient au galop” foi inventada por Horace e divulgada por Destouche em sua comedia “O Glorioso” .Nunca soube que foi utilizada por De Gaulle.Foi?

    Flavia

    “C’est en effet chez Horace, au cours du dernier demi-siécle avant Jésus-Christ, que, dans ses Épîtres, on trouve la phrase “naturam expellas furca, tamen usque recurret” qu’on peut à peu près traduire par “chasse la nature à coups de fourche, elle reviendra toujours en courant”.

    Mais c’est Destouches qui, en 1732, dans sa comédie “Le Glorieux”, a fait passer notre expression à la postérité.

    Dans cette histoire, le protagoniste est un homme infatué de sa personne qui, noble ruiné, s’est mis dans la tête d’épouser la fille d’un riche bourgeois. Mais la promise hésite fortement devant l’orgueil trop visible du prétendant dont la suivante, Lisette, lui conseille de moins montrer ses défauts en lui disant :

    Je ne vous dirai pas : changez de caractère ;

    Car on n’en change point, je ne le sais que trop ;

    Chassez le naturel, il revient au galop.”

    fonte: Dicionário de expressões em francês

    http://www.expressio.fr/expressions/chassez-le-naturel-il-revient-au-galop.php

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  • fernaslm disse:

    voila, flavia,
    agora ja sei de onde de gaulle tirou a expressão…

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