A arte de depenar o ganso

6 de novembro de 2013 § 6 Comentários

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Não foi pelo mérito, foi por “vício formal” ou, no caso, por “vício regimental”, como acontece com mais de 70% dos casos levados ao Judiciário.

À meia noite, fora da pauta, por 1 voto de um vereador especialmente fabricado para o golpe é demais! Não vale!

Foi esse o recado.

Uma a nosso favor, para variar…

Mas não quer dizer que essa alegria vá durar. Tudo que o Ministério Público, a entidade máxima de defesa dos interesses difusos dos cidadãos na nossa ordem institucional, pode fazer diante de um esbulho como é esse do aumento do IPTU em 35% por enquanto, e mais o que der na telha dos “nossos representantes” nos próximos 4 anos, é adiá-lo por algum tempo.

Revertê-lo não ha quem possa.

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A história vai começar de novo e é provável que haja, neste momento, gente “salivando” na Câmara Municipal porque, aumentado o desafio, aumentam as oportunidades de lucro.

A não ser que dê zebra. A não ser que o povo se anime como se animou na última vez que o Judiciário deu sinal de que era possível sonhar com mudanças e vá para a rua.

Difícil depois do celso de merdda…

Enfim, dentro da “normalidade”, é assim que funciona. Qualquer prefeitinho – e daí para cima – que acordar com essa boca, está feito: ele nos arranca exatamente quanto quiser e não ha força capaz de detê-lo se ele tiver constituído – por eleição ou por aquisição a preço módico, ainda que negociada à vista de todos – uma maioria no “seu” órgão legislativo.

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Levando-se em conta que todas as democracias conhecidas têm, no seu ato de fundação, uma revolução vitoriosa contra a prerrogativa do poderoso do momento de se apropriar do resultado do trabalho dos que têm de suar aqui embaixo para viver, está aí uma boa medida da nossa realidade institucional.

O Brasil ainda não fez a sua revolução fundadora. O único ensaio que houve por aqui, no gênero, foi o que nós perdemos: o do Tiradentes.

Do ponto de vista de nossa ordem institucional, rolamos, desde tempos imemoriais, como uma sucessão de mutações da nossa natureza essencial de monarquia absolutista. O truque é o de sempre. Seguimos dentro da receita criada por Colbert para Luís XIV: “A arte de depenar o ganso consiste em obter o maior numero de penas com o menor número de grasnidos”. Faltou dinheiro pra seguir com a festa? Basta o príncipe dividir os otários em dois grupos, cobrar o dobro do necessário de um e “nada” do outro e sair dizendo que isso não é roubo, é justiça.

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Outro componente essencial da receita de Colbert era cultivar a memória do povo segundo as conveniências de sua majestade. “Vós sois historiógrafos do rei e pensionistas de Sua Majestade” lembrava ele aos professores de então; “deveis escrever a história como ele quer, e não como entendeis. Devo retirar-vos a vossa pensão”?

Se o príncipe tiver, portanto, tido o cuidado de manter a metade de baixo sempre no limiar da miséria absoluta e na mais santa ignorância, poderá contar sempre com uma reserva estratégica de memórias virgens para violentar.

Assim, quando o esbulho da vez tiver dado a volta no círculo e os produtos do comércio e da indústria, acrescidos do peso extra desses 35%, tiverem aprofundado um pouco mais a miséria deles, é para “a ganância” dos comerciantes e dos industriais que esses virgens de memória dirigirão a sua revolta … que o príncipe poderá, gostosamente, “justiçar” mais uma vez.

Enquanto o Estado eram “os outros“, o PT subia na vida bradando por aí que a solução para a miséria nacional era reforçar os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos.

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Depois que o Estado passou a ser ele, fez as contas, dividiu o país entre pobres e ricos, negros e brancos, aniquilou a fonte legítima de intermediação de direitos e passou a se apresentar como o magnânimo provedor de dinheiro para uns e de  privilégios para os outros, enquanto trata de fazer o que essencialmente faz todo governo: “depenar o ganso“.

Desmoralizados pelo suborno e transformados em meros carimbadores de MPs, os Legislativos, mais que irrelevantes, tornarm-se desnecessários. Só tem de esperar que a lei da gravidade cumpra a sua função. Ou não. Pouco importa…

Como escreveu, certa vez, Demétrio Magnoli, “o PT transformou-se de partido político em organização de inteligência; tirou a política do espaço público e recriou-a no subterrâneo, como operação clandestina”, baseada na manipulação e na chantagem.

Na superfície,  mantém um país cada vez mais dividido e aprofunda sempre que pode essa fratura que só pode gerar, a cada volta do parafuso, “mais ressentimentos e mais preconceitos”.

Só a informação poderá derrota-lo.

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(CONHEÇA O PODER DO REMÉDIO DO “RECALL” NESTE LINK)

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§ 6 Respostas para A arte de depenar o ganso

  • José Luiz disse:

    Prezado Fernão, não sei se o povo, sem informação, fará um dia a revolução fundadora.
    Saudações.

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    • flm disse:

      cabe a nós – e não falo só dos jornalistas – fazer com que essa informação se dissemine.
      este é o famoso “melhor de si” que a pátria espera que cada um dê…

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  • Ronaldo disse:

    Fernão excelente análise. Onde está a oposição? O momento é mais que propício para levantar as massas em São Paulo contra mais este ato depenoso do bonitão do PT. O desgaste do partido seria inevitável e o identificaria como ilusionista, aproveitador, oportunista e tudo o mais que de fato são e favoreceria as candidaturas de oposição à presidência. Tá tudo dominado!

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  • flm disse:

    pois é.
    tá na hora de fazer uma transfusão de sangue fresco nessa política, antes que o doente morra

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  • enquanto o nosso povo que tem por cultura ,eu ,eu,e mais eu nao sera possivel melhorar nada pois como dizia gerson,leve vantagem em tudo vc tambem

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  • Varlice disse:

    Mais um tiro no próprio pé, como sói acontecer com esse partido – ou não?
    Eleições à vista, como ficará o futuro candidato petista ao governo paulista se o sr. Haddad não reconsiderar esse seu vício de atacar os cidadãos pelo IPTU sempre que pode?
    Ou será que foi de caso pensado esse aumento para, mais tarde, o magnânimo dizer ao povo que, generosamente, abre mão da facada – e assim garante algum trunfo ao sr. Padilha?

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