O fim do feudalismo sem gallantry

27 de janeiro de 2016 § 16 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 27/1/2016

Não foi por acaso que a democracia nasceu nas Américas. No que ela tem de essencial, trata-se de um arranjo espontâneo entre iguais para a sobrevivência em territórios isolados e em condições adversas.

Como vamos nos organizar para termos o que comer e podermos nos defender neste fim de mundo”?

Era a essa questão muito prática que tratava de responder o Pacto do Mayflower (1620). Era a essa questão muito prática que tratavam de responder, 90 anos antes, os portugueses que instalaram em São Vicente a 1a Câmara Municipal da Terra de Santa Cruz (1530).

CM24Câmara de São Paulo 1628 por J. Washt Rodrigues

Durante 400 anos funcionou como um relógio a “democracia dos analfabetos” daquele Brasil das vilas esparsas, sem comunicação umas com as outras, pequenos mundos isolados onde a presença do governo de fora era rala ou inexistente e onde toda a economia e toda a autoridade política tinham de ser providas pelos próprios moradores. Do povo, pelo povo, para o povo…

Foi 1808 que veio truncar essa bela história. São os filhos do privilégio que vão escrever a história da contrarrevolução no Brasil.

O século 18 aporta na democracia instintiva do Norte a sua metade futuro. Renega formalmente o passado; sacraliza a livre circulação das ideias; elege o merecimento como única fonte de legitimação do poder e do dinheiro; proíbe proibir senão a exceção e o privilégio; trata de armar esse sonho das instituições capazes de materializá-lo e blindá-lo contra e acima das tentações do “lobo do homem”.

CM23S. Vicente por Benedito Calixto

O século 19 provaria que não era ainda o suficiente. O poder político e o poder econômico compram-se favores. A corrupção reconstitui a força do privilégio. Tudo ameaça vir abaixo. É só na virada para o 20 que se consolida a revolução. O remédio, síntese de milênios de servidão, é de uma objetividade cristalina: para que seja mais estável o mundo dos cidadãos, tudo que é necessário é que seja essencialmente instável o mundo dos servidores do “Leviatã“. A legislação antitruste, o “recall“, as leis de iniciativa popular e o poder de veto às leis do legislador armam a mão dos oprimidos; dão ao povo a última palavra; é ele no poder.

A diferença que isso faria é a que grita ao mundo hoje…

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Câmara de S. Vicente

Aqui a história foi outra. O século 18 aporta na democracia instintiva do Sul a sua metade passado. Asila no Brasil o absolutismo moribundo; demoniza a livre circulação das ideias; impõe o rei como única fonte de legitimação do poder e do dinheiro; proíbe tudo menos a exceção; trata de imortalizar o sistema atribuindo-lhe a elasticidade mole da complacência e dotando-o de um labirinto judiciário sem porta de saída que tudo mói em processos sem fim.

O século 19 provaria que não foi o bastante para matar o sonho. O Brasil americano insiste. Infiltrada pelos contrarrevolucionários “positivistas” que sentindo-a inevitável embarcam na mudança para sabotá-la, nasce afinal a Republica, vencida a escravidão. Mas é só um eco; faltam as instituições. Num hiato entre ditaduras Prudente de Morais e Rui Barbosa logram plantar o marco institucional da liberdade de empreender que faz nascer o Brasil moderno. Eterno refém da insegurança jurídica, porém, ele será mantido desde então – as veias sempre oferecidas – no limite da sobrevivência para sustentar o outro.

CM8Câmara Municipal de São Sebastião

O sistema político da República permanece exatamente o mesmo do Império com o Estado herdando as prerrogativas do imperador sobre os súditos. O povo — tanto o analfabeto quanto o que oficialmente “vota” — não participa do jogo. É convocado, de quatro em quatro anos, apenas para sacramentar a sucessão presidencial previamente acertada no circuito fechado dos chefes de partidos agora fazendo as vezes da Corte, e dispensado a seguir.

Na Primeira Republica segue o sistema do Imperador que quando, a seu talante, alternava os partidos na chefia do governo, “derrubava” os titulares de todos os cargos públicos para que fossem redistribuídos pelo novo contemplado (“governabilidade“). A única diferença é que a troca passa a se dar mediante uma “eleição” presidencial de que se conhecia o ganhador meses antes de votações abertamente fraudadas.

CM11Câmara de Dourados, MS, 1936

Depois dos 26 anos da ditadura Vargas, o que muda com a redemocratização, essencialmente, é que não sai mais da folha de pagamento do Estado quem quer que tenha conseguido por um pé lá dentro uma vez. Isso mergulha de vez num processo de entropia um sistema politico que sempre foi divorciado do povo. Cada vez mais explicitamente os novos interesses objetivos criados vão configurando as duas únicas classes sociais com interesses intrinsecamente conflitantes no panorama sociológico brasileiro: a dos que são sustentados pelo Estado, auferem e distribuem direitos especiais vitalícios e frequentemente hereditários que a Constituição de 88 virá a tornar “pétreos“, e a dos que sustentam o Estado e todos esses privilégios. Daí por diante, das prisões à renda per capita e ao resto do IDH, tudo será cada vez mais desigual para os habitantes desses dois brasis.

A chegada ao poder do PT, que se assume desde sempre como o campeão desse Brasil dos direitos especiais, leva o processo da entropia à fusão. Não ha saída com ele desse feudalismo sem “gallantry” dos partidos/quadrilhas hereditárias empenhados na conquista de “nobreza” (dinheiro e direitos especiais) pelo acumpliciamento a que chegamos. A “democracia” sem povo à brasileira, só de ida, esgota-se, com dois séculos de atraso, no seu próprio paroxismo.

CM0Câmara de Paracatu, ex-Arraial do Ouro

É o fim de uma era. A meticulosidade do desastre lulopetista reitera que só existe um jeito de se construir uma nação: o difícil. Exaspera a ideia de voltar para trás mas isso já não é uma escolha. Não ha atalho possível. A História exige que todos os passos do caminho sejam trilhados. O Brasil terá de voltar à sua raíz americana; fazer as revoluções do século 18 e do século 19, ainda que acelerando o filme.

Democracia?

Faça você mesmo. “Recall“, iniciativa popular, referendo, e mãos à obra, pedra por pedra, a partir de onde se vive a vida real, que é o município. Não existe outro jeito.

CM00Câmara de Olinda

Sabe com quem cê tá falando?

27 de maio de 2014 § 6 Comentários

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Você pode nem se ter dado conta. Mas entre a quarta-feira e o sábado passados rolou na quase surdina que é o dado que mais terminantemente define a profundidade do drama que o Brasil está apenas começando a viver, uma dessas histórias que explicam como e porque este país mergulhou tão profundamente no estado de anomia e prostração moral em que parece estar condenado a purgar seus pecados sabe-se lá por quantos anos pela frente ainda.

76 ônibus incendiados depois, alguns deles com gente dentro, inclusive crianças, São Paulo e outras 16 cidades da insana mancha urbana em que esta megalópole se transformou viveram, naqueles dias, os maiores congestionamentos de trânsito de toda a sua história com mais de 2 milhões de trabalhadores forçados a voltar para suas casas a pé, em longas marchas sob a chuva, enquanto pipocavam nos jornais, em sequência aparentemente absurda, as notícias dando conta de acordos salariais firmados entre sindicatos e empresas de ônibus seguidos de “greves” e depredações dos carros dessas mesmas companhias.

a1Da esquerda para a direita, Luiz e Senival Moura e “Pad”: “Parabéns a você”

Foi no meio desse tiroteio, com o prefeito Fernando Haddad acusando a polícia do governador Alkmin de não agir contra os depredadores, que a imprensa “teve acesso” a um documento bombástico: o Boletim de Ocorrência (BO) de 17 de março passado lavrado pela 6a Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro dando conta do flagrante dado no deputado estadual Luiz Moura, do PT de São Paulo, umbilicalmente ligado ao Secretário Municipal de Transportes Jilmar Tatto, numa reunião para “ajuste de condutas” com 13 membros do PCC a facção que comanda o crime organizado em todo o Brasil a partir de presídios paulistas, e mais 26 indivíduos ligados aos sindicatos e “movimentos sociais” envolvidos com o transporte público em São Paulo na sede da Cooperativa Transcooper, de “perueiros” e afins, comandada pelo ilustre deputado.

Irmão do vereador Senival Moura, também do PT, que é fundador e presidente do Sindilotação e presidente da Comissão de Trânsito e Transporte, Lazer e Gastronomia (!!) da Câmara Municipal de São Paulo, Luiz Moura vem a ser um ex-presidiário recolhido a uma penitenciária do Paraná em 1990 por flagrantes de assalto à mão armada – nada que a presidente Dilma também não tenha feito nos bons tempos – para cumprir a pena de 12 anos e meio de prisão a que fora condenado.

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Menos de um ano e meio depois, porém, Luiz Moura fugiu da prisão e passou os 10 anos seguintes na clandestinidade como foragido da polícia – nada, outra vez, que gente como o ex-ministro da casa Civil de Lula, José Dirceu, não tenha feito também.

Nesse período começou a trabalhar como “perueiro” e a construir, junto com o irmão, o que viria a ser um futuro brilhante.

Tudo começou quando Marta Suplicy se tornou prefeita de São Paulo na eleição de 2000. O primeiro “abacaxi” que ela teve de descascar foi o problema dos “perueiros” clandestinos que competiam deslealmente com os concessionários de transporte licitados pela Prefeitura e que viviam fazendo acampamentos e malcheirosas “sardinhadas” na porta do Palácio das Indústrias, de onde, na época, madame “prefeiturava”, enquanto ela lhes ofereceu resistência.

Com o tempo, o modo petista de encarar as coisas foi prevalecendo. A “culpa” por tudo, claro, era da “política econômica de desemprego do governo Fernando Henrique” o que levou a prefeita Marta Suplicy a cooptar os “perueiros” e, assim, animá-los a se transformar num problema crônico.

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Foi dentro desse contexto que o então foragido da penitenciária, Luiz Moura, apresentado à prefeita por Jilmar Tatto, fez por merecer tornar-se o homem de confiança de sua excelência para “resolver” a crise.

Mas cessa exatamente aí a hipótese de ausência de dolo na relação que, a partir de então, estabeleceu-se entre este senhor e o PT. Que Marta não conhecesse suas relações com o PCC e nem sua ficha na policia e tivesse aceitado sem saber a “ajuda” de alguém pertencente a uma organização que apoia seu sistema de poder na forma implacável como assassina quem lhe oferece qualquer resistência num momento de desespero para serenar um conflito que se estendeu por mais de dois anos de seu governo, vá lá.

Mas não foi isso que aconteceu.

Encarregado pela prefeitura, Luiz Moura, com os métodos que fazem do PCC o mais temido criminoso entre os criminosos do país inteiro, passou a “organizar” os perueiros independentes – que, naquele momento eram realmente desempregados a procura de um “bico” – em “cooperativas”.

Na verdade esses independentes eram – e continuam sendo até hoje, segundo investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público – forçados a “aderir” às cooperativas que ficam donas de seus carros e das quais se tornam empregados, na maioria das vezes em “transações” que sequer envolvem papéis. Quem descumpre o que lhe foi imposto ou fala no assunto aparece invariavelmente trucidado a tiros, o que produz o terror que dificulta as investigações do que mais se passa nesse submundo.

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Desde então todo o segmento de transporte público de São Paulo e outras capitais brasileiras – por onde corre dinheiro muito grosso e é fácil desviar fundos para campanhas eleitorais – vem sendo tomado pelo crime organizado. A disputa pelos sindicatos do setor em São Paulo é conhecida pela truculência. 16 candidatos já foram assassinados. 18 diretores do Sindicato de Funcionários de Ônibus foram detidos por enriquecimento ilícito e formação de quadrilha, entre eles os dois que disputaram a última eleição, Isao Hosogi e José Valdevan de Jesus, o vencedor.

Em 2006, quarto ano do PT no poder federal, final do primeiro mandato de Lula e véspera da disputa presidencial entre ele e Geraldo Alkmin, com Cláudio Lembo recém chegado ao Palácio dos Bandeirantes para substituir o candidato do PSDB e Marta Suplicy pré-candidata ao governo de São Paulo, comandos do PCC começaram, do nada, a assassinar policiais por toda a cidade com requintes revoltantes de violência e acinte contra suas famílias e os poderes constituídos até conseguirem instalar uma guerra aberta que colocou a maior cidade do país em virtual estado de sítio.

Coincidentemente, na época, o maior trunfo eleitoral do governador Alkmin eram os números da segurança pública. Ele tinha conseguido baixar em 80% o numero de assassinatos em São Paulo, fato que foi cuidadosamente sonegado à opinião pública brasileira pela imprensa até se tornar finalmente mais “badalado” quando, ha menos de dois anos, o feito, inédito no mundo, acabou sendo saudado e recebendo um prêmio especial da ONU.

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Nesse mesmo ano de 2006, a vida de Luiz Moura começou a mudar. Orientado por bons e poderosos amigos ele assinou, em 2005, um “atestado de pobreza” para comprovar que não tinha vivido do produto dos assaltos que praticou (declarou uma renda anual de R$ 15.859,00), e conseguiu “reabilitação na Justiça por bom comportamento tanto público como privado” (aferido nas ruas?!!), com apagamento de toda a sua ficha pregressa e dos anos de prisão não cumpridos. Os pormenores desse processo que resume bem no que se transformou o Brasil podem ser encontrados neste link http://veja.abril.com.br/PDF/reabilita.pdf.

De lá para cá a Transcooper, a sua “cooperativa” pessoal com sede em Itaquera tornou-se detentora de concessões para a exploração de transporte público em três áreas da Zona Leste da cidade que lhe renderam, só nos últimos três anos, um faturamento de R$ 1,8 bilhão.

Em 2010, quando candidatou-se a deputado estadual pelo PT, a vida de Luiz Moura já tinha virado outra. Ele declarou ao Tribunal de Contas a posse de 11 propriedades e participações em empresas de transporte público e redes de postos de gasolina num valor total de R$ 5.125.587,00!

Ele enriqueceu rápido como um raio e sem medo do famigerado computador da Receita Federal igual ao da Nasa capaz de detectar qualquer centavo “suspeito” em circulação no Brasil…

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Mesmo com todo esse dinheiro no bolso, entretanto, o atual secretário de Transportes, Jilmar Tatto, cuja família se fez na “política” incentivando invasões nas margens de Guarapiranga e trocando por votos as posteriores regularizações das áreas invadidas, fez questão de se apresentar como o maior doador individual da campanha eleitoral de Luiz Moura, com R$ 201 mil. Outra que fez doações foi Marta Suplicy, com R$ 35 mil.

Hoje, segundo o Gaeco, há provas conclusivas de que quatro das nove cooperativas de transporte em operação em São Paulo pertencem ao PCC. Sobre as outras cinco só ha indícios. Senival Moura, irmão de Luiz, tornou-se o vereador mais votado do PT e a “Bancada do PCC” na Câmara Municipal de São Paulo inclui pelo menos quatro, possivelmente cinco membros perfazendo 10% do total. Luiz, ele mesmo, dá expediente na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Em março deste ano, finalmente, sua excelência, cujo sítio de internet ironicamente abre-se sob o dístico “2014, Ano de Muita Paz” foi flagrada “ajustando condutas” com nada menos que 13 membros da cúpula do PCC, entre os quais o famigerado assaltante do Banco Central no Ceará (R$ 164,8 milhões), Carlos Roberto Maia, o Carlinhos Alfaiate, foragido da Justiça. Só dois dos membros do PCC capturados nessa ocasião mantinham vínculos formais com cooperativas e empresas de transportes públicos. Os outros 11 não. Estavam lá apenas e tão somente na condição de membros graduados da organização criminosa.

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Foi em função desse “ajuste de condutas” que a organização padronizou o esquema que tem paralisado São Paulo. Como o controle dos sindicatos e cooperativas do setor é o que está em disputa a ação se dá na sequência dos acordos salariais celebrados entre eles e as empresas visadas. Uma moto com um carona encosta na janela do motorista do ônibus, aponta-lhe uma arma para a cabeça, eventualmente manda os passageiros descerem, e a dupla incendeia o ônibus (possivelmente os dos concorrentes que mais lhes resistem) ou simplesmente, com mais brandura, retalha os pneus a faca depois de atravessar o veículo na rua para fechar a passagem, forçando assim as “greves” que nem os trabalhadores nem os sindicatos desejam e de que tanto o prefeito do PT quanto o governador do PSDB ficam loucos para se livrar.

Poucos dias depois do flagrante da polícia na Transcooper cabe registrar, Luiz Moura fez aniversário comemorado numa festança comandada por ninguém menos que o ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (foto lá encima), aquele que era carinhosamente chamado de “Pad” nos telefonemas gravados pela polícia federal entre o “líder” André Vargas, do PT, e o doleiro Youssef para tramar o roubo de dinheiro da saúde dos pobres em escala suficiente para “garantir a independência financeira” de ambos. Conversas captadas, diga-se de passagem, nos mesmos “grampos” da Polícia Federal que registraram as falcatruas dos ladrões da Petrobras que o ministro amestrado de dona Dilma no STF mandou soltar da prisão.

a18Sobre Lula e as FARC, procure esta revista colombiana no Google

Quem ainda não sabe com quem está falando quando fala com o PT no Brasil, portanto, não sabe rigorosamente porque não quer.

A violência, a corrupção e o crime sempre foram o caldo de cultura no qual se criou a escória do peleguismo sindical que é o que sobrou do partido que hoje governa o Brasil conforme a receita prescrita por Getulio Vargas apud Juan Domingo Perón e Benito Mussolini. Os sindicatos são criados do nada para mamar na teta do imposto sindical e servir os donos do poder e as “eleições por aclamação” pela posse desses sacos sem fundo sempre foram disputadas pelos mesmos métodos com que o PCC disputa o controle de celas e penitenciárias país afora, os mesmos agora empregados na disputa dos pedaços do “território” privativo que o PT parece ter reservado tacitamente a mais este aliado — o dos transportes públicos — exatamente como fez com o resto das fatias em que picou o Brasil que entregou a outros criminosos de métodos um pouco menos primitivos.

As relações com o crime organizado do partido que inaugurou a jornada nacional da sua marcha para solapar o regime republicano no Brasil com o assassinato de Celso Daniel  não são propriamente novidade.

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13 tiros no rosto, furando antes as mãos que a vítima estendeu na direção de seus executores no pânico da morte foi o primeiro sinal do que viria, mas isso era coisa desde sempre previsível à qual o Brasil, enquanto ainda são, intuitivamente resistiu por quatro disputas presidenciais seguidas. Afinal, o PCC é só a feição mais recente que assumiu a organização do crime no Brasil que começou, como se sabe, com as “aulas” ministradas a criminosos comuns perigosos por terroristas da “luta armada” dos anos 70, alguns dos quais hoje governam o Brasil, nos mesmos presídios e celas em que foram ambos encerrados pelo regime militar.

As notórias relações do partido com as FARC, a guerrilha colombiana que se apossou do grosso da produção e do tráfico de cocaína em toda a América Latina e dela para o mundo, assim como os ingentes esforços do partido para impedir ações afirmativas internacionais e dar tempo a todo e qualquer genocida em ação no mundo para completar sua obra de extermínio físico de toda e qualquer oposição são a face internacional dessas “afinidades eletivas” e dessas fronteiras sempre difusas entre o lulopetismo e o crime.

Os fatos que o indicam se têm sucedido com tanta regularidade que qualquer sujeito que não tenha sido lobotomizado já considerou a altíssima probabilidade de que tão impressionante série de coincidências entre as ações do PCC e outras organizações criminosas e os interesses do PT e seus aliados internacionais possam não ser fruto de mero acaso.

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Que dirá o profissional da desconfiança que deve ser o jornalista digno desse nome!

E no entanto, embora todos os jornais e TVs brasileiras mantenham plantonistas e informantes dentro das principais delegacias de polícia, ou comuniquem-se diariamente com os palácios de governo, inclusive o dos Bandeirantes, obviamente interessado em que essa informação chegasse ao público, foi preciso que o secretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, Marcio Aith, dissesse ao vivo, no programa do Datena, da Rede Bandeirantes, durante uma altercação com Jilmar Tatto, o que constava do Boletim de Ocorrências que registrou as intimidades do deputado Luiz Moura com os chefões do PCC em plena guerra dos ônibus para que o assunto viesse finalmente a público.

Mesmo assim, os únicos órgãos da imprensa paulista a darem sequência ao caso no dia seguinte com o merecido destaque foram a Folha de São Paulo e o segmento eletrônico da Veja na coluna de Reinaldo Azevedo. O Estado de S. Paulo e as Organizações Globo como um todo fingiram que não sabiam de nada.

A Globo continua fingindo que não sabe de nada até hoje. A direção de redação do Estado acabou por registrar laconicamente os acontecimentos só no sábado, mas tomando o cuidado de fabricar mais uma manchete com o famigerado “caso Alstom”, esta perigosa ameaça contra a continuação da democracia no Brasil, para fazer-lhe a devida sombra.

E desde então esse assunto tão pouco jornalístico e irrelevante para o futuro da nacionalidade — a saber, as íntimas relações oficiais entre o partido que governa o Brasil e o “partido” que governa o crime organizado no Brasil — saiu da pauta de todos.

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O PT vem ostensivamente desmontando instituição democrática por instituição democrática do país e colocando títeres de quem exige compromissos públicos de fidelidade canina como condição para a nomeação à frente de cada instrumento de controle do Poder Executivo certamente não porque queira prolongar a vida da democracia brasileira, mas a maior parte da imprensa brasileira faz o melhor do seu esforço para evitar que a opinião pública se aperceba disso.

O Brasil chega, portanto, às vésperas de uma eleição que pode ser a última muito mais graças à irresponsabilidade dos donos de redes de televisão e empresas jornalísticas que não têm nenhuma familiaridade com a profissão e vêm a imprescindível função institucional da imprensa nas democracias, ou como um incômodo empecilho, ou como uma ferramenta para se locupletarem, do que por uma real competência do PT na arte de enganar a todos o tempo todo.

O PT é o que é. Quem está lesando a pátria é quem tem, por ação ou por omissão, insistido em manter-se conivente, seja com sujeitos disfarçados de editores que dão provas diárias de que não passam de falsificadores de fatos, seja com idiotas ineptos ocupando postos críticos do sistema imunológico da democracia brasileira — do qual a imprensa é o elemento-chave — no momento em que ela passa pela mais grave ameaça de sua curta história de ser tomada por um microrganismo mortífero.

A alternativa é irelevante. Nenhuma das duas atitudes é perdoável.

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A arte de depenar o ganso

6 de novembro de 2013 § 6 Comentários

g1

Não foi pelo mérito, foi por “vício formal” ou, no caso, por “vício regimental”, como acontece com mais de 70% dos casos levados ao Judiciário.

À meia noite, fora da pauta, por 1 voto de um vereador especialmente fabricado para o golpe é demais! Não vale!

Foi esse o recado.

Uma a nosso favor, para variar…

Mas não quer dizer que essa alegria vá durar. Tudo que o Ministério Público, a entidade máxima de defesa dos interesses difusos dos cidadãos na nossa ordem institucional, pode fazer diante de um esbulho como é esse do aumento do IPTU em 35% por enquanto, e mais o que der na telha dos “nossos representantes” nos próximos 4 anos, é adiá-lo por algum tempo.

Revertê-lo não ha quem possa.

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A história vai começar de novo e é provável que haja, neste momento, gente “salivando” na Câmara Municipal porque, aumentado o desafio, aumentam as oportunidades de lucro.

A não ser que dê zebra. A não ser que o povo se anime como se animou na última vez que o Judiciário deu sinal de que era possível sonhar com mudanças e vá para a rua.

Difícil depois do celso de merdda…

Enfim, dentro da “normalidade”, é assim que funciona. Qualquer prefeitinho – e daí para cima – que acordar com essa boca, está feito: ele nos arranca exatamente quanto quiser e não ha força capaz de detê-lo se ele tiver constituído – por eleição ou por aquisição a preço módico, ainda que negociada à vista de todos – uma maioria no “seu” órgão legislativo.

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Levando-se em conta que todas as democracias conhecidas têm, no seu ato de fundação, uma revolução vitoriosa contra a prerrogativa do poderoso do momento de se apropriar do resultado do trabalho dos que têm de suar aqui embaixo para viver, está aí uma boa medida da nossa realidade institucional.

O Brasil ainda não fez a sua revolução fundadora. O único ensaio que houve por aqui, no gênero, foi o que nós perdemos: o do Tiradentes.

Do ponto de vista de nossa ordem institucional, rolamos, desde tempos imemoriais, como uma sucessão de mutações da nossa natureza essencial de monarquia absolutista. O truque é o de sempre. Seguimos dentro da receita criada por Colbert para Luís XIV: “A arte de depenar o ganso consiste em obter o maior numero de penas com o menor número de grasnidos”. Faltou dinheiro pra seguir com a festa? Basta o príncipe dividir os otários em dois grupos, cobrar o dobro do necessário de um e “nada” do outro e sair dizendo que isso não é roubo, é justiça.

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Outro componente essencial da receita de Colbert era cultivar a memória do povo segundo as conveniências de sua majestade. “Vós sois historiógrafos do rei e pensionistas de Sua Majestade” lembrava ele aos professores de então; “deveis escrever a história como ele quer, e não como entendeis. Devo retirar-vos a vossa pensão”?

Se o príncipe tiver, portanto, tido o cuidado de manter a metade de baixo sempre no limiar da miséria absoluta e na mais santa ignorância, poderá contar sempre com uma reserva estratégica de memórias virgens para violentar.

Assim, quando o esbulho da vez tiver dado a volta no círculo e os produtos do comércio e da indústria, acrescidos do peso extra desses 35%, tiverem aprofundado um pouco mais a miséria deles, é para “a ganância” dos comerciantes e dos industriais que esses virgens de memória dirigirão a sua revolta … que o príncipe poderá, gostosamente, “justiçar” mais uma vez.

Enquanto o Estado eram “os outros“, o PT subia na vida bradando por aí que a solução para a miséria nacional era reforçar os direitos dos trabalhadores e dos cidadãos.

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Depois que o Estado passou a ser ele, fez as contas, dividiu o país entre pobres e ricos, negros e brancos, aniquilou a fonte legítima de intermediação de direitos e passou a se apresentar como o magnânimo provedor de dinheiro para uns e de  privilégios para os outros, enquanto trata de fazer o que essencialmente faz todo governo: “depenar o ganso“.

Desmoralizados pelo suborno e transformados em meros carimbadores de MPs, os Legislativos, mais que irrelevantes, tornarm-se desnecessários. Só tem de esperar que a lei da gravidade cumpra a sua função. Ou não. Pouco importa…

Como escreveu, certa vez, Demétrio Magnoli, “o PT transformou-se de partido político em organização de inteligência; tirou a política do espaço público e recriou-a no subterrâneo, como operação clandestina”, baseada na manipulação e na chantagem.

Na superfície,  mantém um país cada vez mais dividido e aprofunda sempre que pode essa fratura que só pode gerar, a cada volta do parafuso, “mais ressentimentos e mais preconceitos”.

Só a informação poderá derrota-lo.

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(CONHEÇA O PODER DO REMÉDIO DO “RECALL” NESTE LINK)

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