Falando besteira da grossa

7 de maio de 2013 § 1 comentário

jo

Ninguém é perfeito.

O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, perdeu uma excelente oportunidade de economizar uma grossa besteira quando disse que falta “pluralismo” e “diversidade ideológica” na imprensa brasileira.

O Brasil tem hoje três principais jornais nacionais impressos, todos mais ou menos inclinados para a direita”, disse o meretíssimo.

E o que mais haveria de ser a imprensa num país com quase 40 partidos políticos, todos sócios do governo e todos “de esquerda”?

Não sei o que o insigne ministro sabe sobre a circulação desses tres jornais que eu que trabalhei quase 40 anos num deles não saiba, para chamá-los de “nacionais”.

jo

Também não sei o que o ministro conhece dos outros 600 títulos privados publicados diariamente no Brasil para ter tanta certeza de que todos tenham a mesma “inclinação” e a mesma “ausência de negros e mulatos em cargos importantes“.

Não sei, igualmente, quanto o ministro conhece das publicações, das inclinações e da composição racial da legião de jornalistas contratados pelo governo em suas infinitas ramificações federais, estaduais e municipais, esta sim, de longe a maior empresa jornalística e a maior empregadora de jornalistas do Brasil, com milhares de estações de radios, redes e repetidores de redes nacionais de TVs, incontáveis jornais, publicações diversas e multiplas “assessorias de imprensa”.

Empregam tantos jornalistas que o medo de fechar essa porta é um dos fatores que leva muitos dos raros entre eles ainda trabalhando na imprensa não oficial a pensar dez vezes antes de contar tudo o que sabe ou criticar aquele que pode vir a ser o seu futuro empregador.

jo

Já o contrario não é verdadeiro porque como todo funcionário publico, também o jornalista que consegue enfiar, uma vez, um pé “”, não perde o privilégio nunca mais…

Ignoro, finalmente, quanto o ministro sabe a respeito desses mesmos quesitos no que diz respeito à legião de “jornalistas” e “jornalistas cidadãos” que tarabalham a soldo do governo por baixo do pano na internet para fazer proselitismo aberto do esquerdismo de reserva da matilha “radical” guardada para este fim nos cargos de chefia do PT que o governo atiça para ladrar pelo “controle da mídia”, a castração do Poder Judiciário e a proibição final de todo e qualquer pluralismo sempre que um dos tais tres jornais publica denuncias das falcatruas de que ficam sabendo apenas e tão somente quando um ladrão incomoda outro dentro das quadrilhas que se digladiam no interior do condomínio governamental e acha conveniente queima-lo com o recurso à voz alheia.

jo

Se a distinção dada aos tres jornais mencionados e negada a toda essa legião de concorrentes subentende que estes são sérios e praticam jornalismo de fato enquanto os outros são tão tortos, singulares e marcados ideologicamente que valem, em conjunto, menos que estes que somados não circulam 1 milhão de exemplares neste país de 190 milhões de habitantes, muito obrigado.

Missão cumprida.

O tipo de “diversidade” de que fala o ministro o freguês deve buscar, hoje em dia, é no grande condomínio que adere ao poder constituído onde militam conhecidos meliantes oriundos tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda, passando por tudo quanto está no meio, todos, sem exceções, convidados de honra do partido no poder.

jo

Se esse melê é o que o ministro considera “a esquerda”, então é verdade que a imprensa que os fiscaliza e critica é “a direita”. Mas isso não tem nada a ver com as ideologias do passado. A divisão hoje é entre quem está dentro e quem está fora do condomínio do poder; quem admite que rouba “porque todo mundo rouba” e quem não admite que se siga roubando. E entre estes últimos estão também os derradeiros sobreviventes da esquerda honesta, todos eles, ainda mais indignados que os demais, escrevendo nos tais tres jornais.

Nem o melê governista tem a ver com os ideais que caracterizavam a esquerda no século passado, nem muito menos, os tres jornais veiculam ou veicularam jamais, ao longo de trajetórias por vezes mais que centenárias, as ideias do que se chamava “a direita” no século passado. Ao contrário, foram vítimas dela.

Eles apenas cumprem a única função digna, já não direi de jornalistas, por que isto vai sem dizer, mas de todo intelectual sem aspas nem subsídio do Estado, que é fiscalizar e criticar o poder estabelecido, especialmente neste país onde, do Capital ao Trabalho, de Zé Sarney, Fernando Collor e os latifundiários ao MST, todos fazem parte dele.

Exigir que também a imprensa que resta abra espaço para os teóricos da “boa” ladroagem e para os apedrejadores da liberdade de imprensa e da independência do Judiciário, que é o que define a esquerda bandalha num ambiente institucional onde tudo o mais “tá dominado“, é pedir demais.

jo

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