Aécio está vivo! Mas ainda sem discurso

21 de fevereiro de 2013 § Deixe um comentário

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Aécio está vivo!

Esta é a boa notícia.

A má é que ele continua sem ter um discurso consistente.

Posiciona-se com referência ao PT exatamente do mesmo modo como o PT posiciona-se com referência ao PSDB mesmo 10 anos depois de tomado o poder.

Se eles são a favor eu sou contra”. E vice-versa.

Para fazer justiça vamos registrar, antes de seguir adiante, que mesmo esse tanto pouco já é um avanço significativo em relação ao Serra que seguia o slogan contrário, cuspia no prato em que comeu e, sempre patéticamente, procurava parecer mais lulista que o Lula.

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Mas, feita a ressalva, volto à crítica. E a essência do meu ponto é que nem Aécio nem o PT tem críticas ao Sistema. Nem às deformações das nossas instituições que produzem obrigatoriamente o ambiente moral e eticamente deformado em que chafurda a nossa política, nem às incosistências e distorções que produzem obrigatoriamente a crônica insegurança econômica em que vivemos, oscilando eternamente entre o desastre e a remediação.

Para os dois o Sistema esta OK; o problema é só quem está em posição de comandá-lo no momento.

Eu no lugar dele faria melhor”, é ao que se resumem todos os discursos políticos, quando, completado o rodízio de todos os partidos e correntes no comando do Sistema desde a redemocratização nos meados dos anos 80 do milênio passado, está provado à exaustão que ele obriga todos à mesma miséria moral e ao mesmo círculo vicioso no plano material, variando apenas o grau de dolo; a proatividade ou a resistência com que cada governo se submete a esse destino inescapável.

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O PT, ao menos, mentia melhor.

Afirmava ser contra o Sistema e os representantes máximos dessa fábrica de monstros. Os mesmos que, uma vez no poder, o partido recebeu e incorporou de braços abertos.

Foi dessa mentira que sempre viveu; foi graças a ela que, finalmente, venceu; é graças a ela que ainda se mantém no poder.

O PT traiu tudo que sempre pregou? Sim, quem não sabe. E tem tanta consciência disso que, mesmo abraçado a Collor, a José Sarney, a Paulo Maluf, a Renan Calheiros e a Henrique Eduardo Alves, Lula continua dizendo-se a antítese de tudo que eles representam e, mais que isso, a negar tudo que eles todos hoje perpetram juntos, com a mesma cara de pau do proverbial marido flagrado em adultério que, nu na cama ao lado da amante, continua afirmando para a esposa que a indigitada não está ali, nua ao seu lado, com tanta fé que esta começa a duvidar do que os seus próprios olhos estão vendo.

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É claro que a crítica a este ou àquele fracasso ou mentira flagrante do PT tem de ser parte obrigatória de uma campanha eleitoral.

Mas é mais claro ainda que só isso não basta. Estrebucha ao menor “Eu sou, mas quem não é?” com que Lula responde a essas acusações.

Deveria haver, ademais, a consciência clara de que 2014 ainda caberá nas gorduras da arrecadação que sustentam a festa consumista/assistencialista que compra a popularidade do PT, e que o horizonte viável de uma alternância de poder projeta-se para 2018, quando a verdade que os mais informados já vêm na deterioração dos fundamentos da economia estará inteira nas ruas.

Até lá, falar nos “fracassos do governo” ou na sua miséria moral ao ex-passageiro de ônibus sentado no seu carrinho novo subsidiado é jogar areias ao vento.

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É o momento de discutir os fundamentos das nossas desgraças recorrentes; de comprometer-se com tudo com que o PT não admite comprometer-se: com mudanças estruturais que reduzam a impunidade dos criminosos, tanto os de terno e sapato italiano quanto os de bermuda e chinelo de dedo; com mudanças claras nas regras do jogo eleitoral e partidário que permitam que gente com estômago entre na política; de atacar de frente a rede de privilégios institucionais e jurídicos que blindam os donos do poder e negam o princípio da igualdade perante a lei; de enfrentar de peito aberto as distorções que põem estruturas tão fundamentais quanto as de educação e saude públicas a serviço das corporações de servidores enquanto os doentes estrebucham no chão e os alunos saem das universidades analfabetos; de expor a relação direta de causa e efeito entre nossa estrutura sindical viciada e a nossa incapacidade de jogar para ganhar a competição mundial; de restabelecer o valor do merecimento e o princípio da aferição de resultados.

O Brasil, enfim, está entre os poucos países do Ocidente onde ainda é fácil ser realmente revolucionário, bastando para tanto abraçar os fundamentos básicos das revoluções democráticas do século 18, que nós nunca tivemos o prazer de ver funcionando por aqui.

O discurso rasteiro do eu sou melhor (ou mais esperto) do que ele não engana mais ninguém.

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