Por um Brasil sem fronteiras
26 de julho de 2011 § 1 comentário
Vem ai o programa Brasil Sem Fronteiras
O governo vai oferecer 75 mil bolsas nas 30 melhores universidades do mundo para graduados, pós graduados e pós doutores nas áreas de engenharia, matemática, biologia, física, química e ciências médicas. E está pedindo aos empresários que financiem mais 25 mil.
Eu acho que ela pediu baixo. Os barões do BNDES têm a obrigação de financiar no mínimo mais 100 mil bolsas, para mais que dobrar o programa bancado pelo governo.
Como Miguel Nicolelis fez ver à presidente em sua recente visita ao Brasil, a crise fez com que sobrassem cérebros desempregados no mundo rico. “Ha 4 mil engenheiros da Nasa desempregados”, foi o exemplo que ele deu. “Temos que oferecer carreiras nas nossas universidades para essa gente”.
Dilma comprou a idéia no ato. “Vamos ofecer a eles um contrato de cinco anos renováveis por mais cinco”.
Na verdade, já tinha comprado antes. Esse plano, que ela esboçou vagamente meses atras, foi objeto da materia mais entusiasmada e esperançosa que escrevi no Vespeiro (aqui) desde o início da Era PT.
Dilma sabe o tamanho do problema em que está se metendo e mesmo assim insiste nesse plano: “Não vamos tirar a vaga de nenhum professor brasileiro”.
O jeito vai ser, mesmo, montar outra estrutura por cima da existente. Como petista que é ela sabe exatamente o que foi feito das nossas universidades. Do jeito que o partido as ocupou, aparelhou e entregou à corporação dos servidores, não ha como nos livrarmos dos chupins que estão la dentro. Vamos ter de esperar que eles morram de velhos.
De modo que o jeito de não fazer com que o Brasil perca definitivamente o bonde da modernidade enquanto espera é usar a “solução arqueológica”, isto é, montar uma nova civilização viva por cima da que está morta.
A decisão que se esconde por baixo da disposição de recorrer a esse subterfugio é que me sugere que Dilma Roussef, filha e neta de professores universitários europeus, está firmemente decidida a por esse projeto em andamento.
Será, sem duvida, o maior legado que deixará para o Brasil. Se fizer isso bem feito e não fizer mais nada já terá feito muito.
Eu pertenço a uma família que passou os ultimos 136 anos apagando os incêndios ateados pela ignorância e pela exploração política da ignorância que foi sempre tão cuidadosamente cultivada neste país pelos portgueses, primeiro, e pelos seus descendentes, depois. E ao fim deste quase século e meio de lutas, posso afirmar que, de tudo que fizemos a única coisa que realmente deu frutos capazes de modificar para melhor a História do Brasil foi a criação da primeira universidade digna desse nome no país – a USP que Julio de Mesquita Filho e Armando de Salles Oliveira plantaram em São Paulo em 1936, recheada dos professores franceses que formaram, entre outras figuras de proa da cultura brasileira, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros membros da elite que ajudou a formular o novo Brasil que ele inaugurou.
O único erro de Julio de Mesquita Filho, naquela altura, foi ter-se concentrado exclusivamente em professores franceses, com os quais foi transplantado diretamente para o centro formador da elite pensante brasileira o excesso de amor dos gauleses pelo Estado.
Apostando nas ciências exatas e nos centros de excelência que melhor as desenvolvem hoje, os Estados Unidos especialmente, Dilma pode estar plantando a semente que, uma geração mais adiante, poderá vir a corrigir esse desequilíbrio e redimir o Brasil.
Eh Fer,naquela época o velho Julio nao poderia imaginar que o Estado,tanto o federal,quanto o nosso ,seria assaltado e espóliado por essa gentalha que esta no poder,dos dois.Essa parada esta perdida.Os medíocres tomaram o poder .