Os médicos analfabetos estão chegando

7 de dezembro de 2012 § 5 Comentários

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O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo reprovou 54,5% dos medicos formados nas escolas do Estado mais rico da federação na primeira prova aplicada a todos os formandos de um ano das instituições públicas e privadas do setor.

Entre os recordes de reprovação, está o campo da pediatria.

Mas assim como as condenações à prisão não tiram os criminosos das ruas, isso não quer dizer que eles serão afastados dos hospitais e dos consultórios, nem que nós ficaremos sabendo quem são os reprovados ou quais são as escolas-arapuca.

A nota das escolas será divulgada só para elas, assim como a de cada aluno.

A sua saude e a das suas crianças que se lasque.

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É a cadeia da putaria educacional misturada à cadeia da putaria corporativista.

Começa com os politicos vendendo ao povo a ideia de que escola é só um prédio de construção vagabunda e que escola boa é um prédio um pouquinho melhor, com cara de clube de lazer. De professor e qualidade de professor nem se fala porque professor não é da escola, é do sindicato.

Segue com o presidente da Republica ensinando a quem interessar possa, com pensamentos, palavras e obras, que a ignorância é uma virtude e que esperteza é sinônimo de sabedoria.

Termina com as escolas-arapuca tendo sua identidade protegida porque, afinal, neste país de cartórios ninguém pode abrir uma escola sem ter bons padrinhos políticos.

Ponto, parágrafo.

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Democracia é um subproduto da educação. E nós não temos educação.

Já probidade no trato da coisa pública é um subproduto da democracia. E nós não temos democracia.

É aí que a cobra morde o próprio rabo e o provão dos médicos e as operações Porto Seguro da vida se dão as mãos.

Vamos conseguir mudar isso um dia?

O STF está tentando mas o ministro Melandowski está trabalhando duro para criar já o impasse entre o Judiciário e o Legislativo podre que os condenados do Mensalão e os graudões por tras deles estão exigindo aos berros.

Enquanto isso, o “doutor” Paulo Vieira pede demissão da Agência Nacional de Águas, a partir de onde comandava uma quadrilha, “por motivos pessoais”, já que, como explicou o ministro da Justiça da “faxineira Dilma” ao Congresso Nacional, não ha muito mais que se possa fazer contra os caras que a nossa Polícia Federal “republicana” desnuda em público.

O Brasil fica devendo ao “doutor” Paulo um “Desculpe incomodar” enquanto aguarda o duelo final entre a Justiça e a politicagem.

O Egito é isso.

A Argentina é isso.

Como vai ser no Brasil do PT?

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Leia também o post Trecho interessante, aí embaixo, sobre a força que fizeram para por o “doutor” Paulo Vieira no posto de onde ele houve por bem apear “por motivos pessoais“.

Por um Brasil sem fronteiras

26 de julho de 2011 § 1 comentário

Vem ai o programa Brasil Sem Fronteiras

O governo vai oferecer 75 mil bolsas nas 30 melhores universidades do mundo para graduados, pós graduados e pós doutores nas áreas de engenharia, matemática, biologia, física, química e ciências médicas. E está pedindo aos empresários que financiem mais 25 mil.

Eu acho que ela pediu baixo. Os barões do BNDES têm a obrigação de financiar no mínimo mais 100 mil bolsas, para mais que dobrar o programa bancado pelo governo.

Como Miguel Nicolelis fez ver à presidente em sua recente visita ao Brasil, a crise fez com que sobrassem cérebros desempregados no mundo rico. “Ha 4 mil engenheiros da Nasa desempregados”, foi o exemplo que ele deu. “Temos que oferecer carreiras nas nossas universidades para essa gente”.

Dilma comprou a idéia no ato. “Vamos ofecer a eles um contrato de cinco anos renováveis por mais cinco”.

Na verdade, já tinha comprado antes. Esse plano, que ela esboçou vagamente meses atras, foi objeto da materia mais entusiasmada e esperançosa que escrevi no Vespeiro (aqui) desde o início da Era PT.

Dilma sabe o tamanho do problema em que está se metendo e mesmo assim insiste nesse plano: “Não vamos tirar a vaga de nenhum professor brasileiro”.

O jeito vai ser, mesmo, montar outra estrutura por cima da existente. Como petista que é ela sabe exatamente o que foi feito das nossas universidades. Do jeito que o partido as ocupou, aparelhou e entregou à corporação dos servidores, não ha como nos livrarmos dos chupins que estão la dentro. Vamos ter de esperar que eles morram de velhos.

De modo que o jeito de não fazer com que o Brasil perca definitivamente o bonde da modernidade enquanto espera é usar a “solução arqueológica”, isto é, montar uma nova civilização viva por cima da que está morta.

A decisão que se esconde por baixo da disposição de recorrer a esse subterfugio é que me sugere que Dilma Roussef, filha e neta de professores universitários europeus, está firmemente decidida a por esse projeto em andamento.

Será, sem duvida, o maior legado que deixará para o Brasil. Se fizer isso bem feito e não fizer mais nada já terá feito muito.

Eu pertenço a uma família que passou os ultimos 136 anos apagando os incêndios ateados pela ignorância e pela exploração política da ignorância que foi sempre tão cuidadosamente cultivada neste país pelos portgueses, primeiro, e pelos seus descendentes, depois. E ao fim deste quase século e meio de lutas, posso afirmar que, de tudo que fizemos a única coisa que realmente deu frutos capazes de modificar para melhor a História do Brasil foi a criação da primeira universidade digna desse nome no país – a USP que Julio de Mesquita Filho e Armando de Salles Oliveira plantaram em São Paulo em 1936, recheada dos professores franceses que formaram, entre outras figuras de proa da cultura brasileira, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros membros da elite que ajudou a formular o novo Brasil que ele inaugurou.

O único erro de Julio de Mesquita Filho, naquela altura, foi ter-se concentrado exclusivamente em professores franceses, com os quais foi transplantado diretamente para o centro formador da elite pensante brasileira o excesso de amor dos gauleses pelo Estado.

Apostando nas ciências exatas e nos centros de excelência que melhor as desenvolvem hoje, os Estados Unidos especialmente, Dilma pode estar plantando a semente que, uma geração mais adiante, poderá vir a corrigir esse desequilíbrio e redimir o Brasil.

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