O Oriente Médio e o “efeito Groupon”
22 de fevereiro de 2011 § 1 Comment
No Egito, vitória do povo
Artigo de Chrystia Freeland publicado no site da Reuters hoje concentra o foco na questão da contribuição das novas tecnologias para as rebeliões do Oriente Médio e mata a charada.
Ela cita um estudo que vem sendo conduzido pelo professor Daron Acemoglu, do MIT, trabalhando em conjunto com Matthew Jackson, de Stanford, que definem como “o efeito Groupon” o que tem acontecido.
Groupon, uma companhia criada na Rússia, é o mais recente e explosivo fenômeno de crescimento na internet. Levou pouco mais de um ano para passar a casa do bilhão de dólares em valorização.
Ela resolve um problema simples que assalta todo comerciante: oferecer grandes descontos pode ser uma ótima ferramenta de vendas; mas só vale a pena se a oferta trouxer um numero tal de compradores que o ganho de escala seja maior que o prejuízo do desconto oferecido. A questão está em saber se o simples anuncio da oferta vai de fato trazer o numero suficiente de compradores ou se ele vai ter de entregar a mercadoria por menos a uns poucos e arcar com o prejuízo.
Usando as novas tecnologias de comunicações, Groupon eliminou o elemento imponderável dessa equação. Ele publica a oferta num site que usa o mesmo esquema dos sites de leilões, marcando uma hora para o jogo acabar e avisando que ela só se tornará válida se até aquele horário um numero “X” de participantes aderir à compra. O comerciante só paga pelo anuncio se o lote combinado for fechado. Caso contrário, a oferta deixa de ser válida e o jogo fica em zero a zero para todas as partes.
Com a turma do Lula é mais difícil…
“O que realmente evita os protestos públicos das pessoas oprimidas por regimes ditatoriais é o medo de fazer parte de uma manifestação que não consiga derrubar o ditador e vir a sofrer represálias depois”, dizem os pesquisadores. “Sempre existiram regimes opressores e a maioria dos oprimidos sempre esteve contra eles. O problema era como organizar a sociedade para que essa insatisfação difusa encontrasse uma maneira de se expressar e se fazer ouvida por todos ao mesmo tempo. A tecnologia está tornando isso muito mais fácil.”
As pessoas têm, agora, a condição de conferir antecipadamente quanta gente não gosta desses governos e está disposta a agir contra ele, o que reduz o risco individual e aumenta a chance de sucesso das manifestações.
Ha, entretanto, dois senões que os pesquisadores destacam. Primeiro, é que tudo depende do ditador não ter os meios ou a vontade de não se impor limites ao revidar, como está acontecendo na Líbia do até ha poucos anos festejadíssimo “herói progressista” Muamar Kadafi e no Irã de Ahmadinejad. E, segundo, que se a tecnologia facilita a derrubada do ditador, ela tem pouca serventia para resolver o problema do que colocar no lugar dele.
“Instalar um governo melhor é uma tarefa muito mais difícil. Ainda não se inventaram as maneiras de fazer com que as novas tecnologias facilitem as ações coletivas de longo prazo que requerem muito mais empenho e capacidade de negociação do que derrubar ditadores”.
Você pode ler o artigo original aqui.

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