Ainda bem…
5 de setembro de 2013 § 1 comentário
Ainda bem que ainda tem gente neste mundo que não consegue dormir se deixar barato a gaseificação indiscriminada de homens, mulheres e crianças em vez de ficar discutindo se “adianta” ou não punir monstros do calibre de Bashar Al Assad.
A gente está acostumado ao padrão Globo de qualidade moral de tanto tragar o desfile de monstruosidades que invade nossos lares na novela da hora do jantar desde pequenininho, e já se acostumou com esse tipo de raciocínio “realista”.
Os americanos parece que ainda não completamente…
Olhado pela ótica deles, aliás, faz todo sentido a espionagem em cima da Dilma. Afinal o Brasil, se ainda não se declarou oficialmente como inimigo deles, declara-se aliado preferencial de todas as ditaduras em guerra fria ou semi-quente com eles, inclusive as que posicionam-se oficialmente como protetores dos terroristas que os têm como alvos preferenciais.
Na hora “H” segura as pontas até do novo Hitler do Oriente Médio e do seu vizinho apedrejador de mulheres.
Lula e sua galeria de monstros
24 de fevereiro de 2011 § 1 comentário
Para refrescar a memória do publico, segue uma lista não necessariamente completa de alguns dos momentos mais vergonhosos que Lula nos fez passar ao colocar o Brasil ao lado do lixo do mundo na defesa intransigente de cleptocratas e assassinos pelo mundo afora.
O artigo homenageia o editorial perfeito publicado hoje no Estadão (aqui) sobre a mudança “da água para o vinho” da diplomacia de Dilma, “uma defensora sem meios termos dos direitos humanos”, que resgata nossa dignidade no cenário internacional.

Muamar Kadafi: é brutal, sanguinário e corrupto até a medula; seu ex-chanceler, que fugiu para a Europa diante do selvagem massacre que ele comanda neste momento em seu país, diz ter provas de que ele ordenou pessoalmente o atentado de Lokerbie em que explodiu no ar, com uma bomba plantada no bagageiro, um Boeing com 250 passageiros sobre essa cidade escocesa. Documentos vazados pelo Wikileaks hoje mostram novos detalhes sobre como ele e seus filhos saqueiam o país e mantêm seu povo sob uma férrea repressão.
Lula te uma queda particular por Kadafi: chama-o de “amigo e irmão”; teve quarto encontros com ele durante seus mandatos, na Libia, no Brasil, na Venezuela de Chavez e na Nigéria.

Mamud Ahmadinejahd: é o ícone da vertente linha-dura dos radicais xiitas que controlam o país desde 1979 e, indiretamente, está ganhando força com a sucessão de quedas de ditadores sunitas no Oriente Médio. É conhecido por afirmar que o Holocausto nunca existiu e que Israel deve ser varrido do mapa. Para tanto, dedica-se a construir a bomba atômica iraniana e a testar os foguetes capazes de levá-la até Israel. Enforca opositores, fuzila manifestantes e apedreja “mulheres adulteras”. Lula o recebeu no Brasil, foi a Teerã, tentou, sem sucesso, dar cobertura aos seus métodos de burlar a fiscalização internacional de suas instalações nucleares e negou a assinatura do Brasil numa moção da ONU condenando as bárbaras execuções ordenadas por seu governo.

Fidel Castro: ficou no poder por 49 anos antes de ficar doente e ter de passá-lo ao seu irmão; fuzilou a maioria dos seus antigos companheiros da Sierra Maestra e, a seguir, seus opositores. Suas tropas participaram diretamente de gerrilhas em diversos países; treinou, financiou e deu cobertura dilomática a inumeros grupos terroristas. Com o poder consolidado, passou a fuzilar menos e prender todo e qualquer critico. Lula estava em Cuba, festejando com os carceireiros, quando um deles, em greve de fome, morreu. Comparou-o, e aos demais prisioneiros politicos de Cuba, com bandidos comuns presos no Brasil.
Para Lula, Fidel é o único mito vivo da humanidade e construiu isso com “competência e caráter”.
Hugo Chavez: age há 11 anos como dono da Venezuela; fecha jornais e TVs que ousam criticá-lo, estatiza empresas e bancos, financia governos “bolivarianos” por toda a América Latina e culpa o “Império” por tudo que incomoda o mundo, da dor de dente aos terremotos.
Para Lula, “sem dúvida, Chávez é o melhor presidente que a Venezuela já teve nos últimos 100 anos” e o problema da Venezuela é o “excesso de democracia”.

Robert Mugabe: ha 30 anos no poder no Zimbabue, isolado pela comunidade internacional em represália à violência e corrupção de seu governo e pela acusação de financiar o terrorismo internacional, Mugabe ganhou de Lula um presente precioso na véspera dos seus 86 anos, num encontro dos dois no Irã de Ahmadinejad: um jogo amistoso da seleção brasilera na véspera da Copa do Mundo.
O ditador decretou feriado, lotou seu estádio, posou ao lado de Kaká e passou semanas faturando o evento.
“Devemos isso ao Lula. Ele tem apoiado muito o Mugabe“, comemorou o seu assessor de gabinete, Mike Chando.
Mugabe é um homem de princípios: não faz mas rouba. Sempre. Sua seleção está no 113ro lugar na classificação da Fifa. O estádio estava cheio. Mas os US$ 640 mil (R$ 1,08 milhão) coletados pela bilheteria nunca foram encontrados nas contas da Federação de Futebol do Zimbábue. A empresa que patrocinou o jogo está processando a entidade até hoje em tribunais suíços.

Islam Karimov: está no poder no Uzbequistão desde 1989, governa pelo terror com uma polícia temida e odiada pela população por sua brutalidade e corrupção. O Conselho de Direitos Humanos da ONU o acusa de praticar tortura, aceitar o trabalho infantil e perseguir jornalistas e muçulmanos.
Lula o recebeu em Brasília alegando querer “promover um maior engajamento entre os dois países”.

Paul Bya: é o dono da Republica dos Camarões há 28 anos; saqueia implacavelmente seu país e passa férias no sul da França, onde gasta mais de 40 mil euros por dia. A renda media nacional em Camarões é de 700 euros por ano.
Em visita ao país, Lula comemorou com o ditador num banquete as suas “afinidades eletivas”.

“Mel” Zelaya: Tentou aplicar um golpe de estado para permanecer no poder alterando na marra a constituição de Honduras, mas não deu certo. Foi barrado no Legislativo, “impedido” pelo Judiciário e destronado pelos militares. Graças a articulações do coronel Chavez, da Venezuela, e da camarilha sandinista da vizinha Nicarágua, conseguiu fugir e infiltrar-se, com companheiros armados, na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que os recebeu “docemente constrangida”.
Com o beneplácito de Lula, permanceu lá, cercado pelas autoridades de seu país, até que ele e Chavez esgotaram todas as tentativas de reinstalá-lo no poder e garantiram-lhe a fuga de Honduras.

Teodoro Obian Nguema Mbasogo: tomou o poder na Guiné Equatorial por meio de um golpe de Estado há 31 anos e, desde então, comporta-se como um reizinho despótico. Para a ONG Human Rights Watch, é um dos ditadores mais corruptos e violentos do mundo.
Quando foi levar-lhe pessoalmente o “apoio do Brasil”, Lula, depois de atravessar uma cidade miserável, posou para os fotógrafos como uma rainha, à direita do trono de sua majestade, num suntuoso palácio protegido por tanques de guerra.

Aleksander Lukashenko: no poder desde 1994 na Belarus é conhecido como “o último ditador da Europa”. Como Ahmadinejad, adora fazer declarações antisemitas. As eleições em que se consagrou vencedor mais uma vez, há quatro anos, foram chamadas de “uma farsa” pelo Conselho da Europa, principal organização de direitos humanos do continente.
Recebido no Brasil pelo presidente Lula, afirmou que “os dois países pensavam de maneira parecida”.

Omar Bongo Ondin: governou o Gabão, país rico em petróleo, com mão de ferro por 42 anos, até sua morte, no ano passado. Muito dinheiro e violência o mantiveram por tanto tempo no poder. Com o lucro do petróleo, ele comprava aliados e mandava matar opositores.
Lula desfilou em carro aberto ao lado do ditador quando visitou o país.
Este post foi inspirado no que foi publicado em julho do ano passado no blog O Candango Conservador (aqui)
Por que a barra vai pesar na Líbia
22 de fevereiro de 2011 § Deixe um comentário

Outra matéria de Peter Apps para a Reuters publicada agora à noite pinta uma perspectiva sombria para a Líbia.
Se no Egito e na Tunísia a elite militar foi quem decidiu a parada tanto para os ditadores caídos quanto para o que virá depois deles, na Líbia, país totalmente fechado aos estrangeiros e onde há poucas informações precisas sobre as forças politicas em ação, a questão é muito mais complicada.
Kadafi pertence a uma tribo minoritária – os Qathatfa – cujos membros ele colocou em todos os postos de comando militares e na sua guarda pessoal. Como ele próprio deu o golpe em seu antecessor a partir dos quartéis do exército, entretanto, ele sempre desconfiou dos militares, apesar do parentesco tribal. Assim, manteve as forças armadas sempre como uma força secundária, começando por abolir todas as patentes superiores à de coronel, que era a que ele próprio tinha quando deu o golpe que o levou ao poder e a ser cultuado pela esquerda ocidental como uma espécie de “Che Guevara árabe”.

As questões-chave ele decide com mercenários que aluga pela África afora ou até mais ao Norte, cuja fidelidade é diretamente devida à família Kadafi (o pai e os filhos), a cujos membros eles estão diretamente subordinados. Daí ele não ter encontrado dificuldades para massacrar manifestantes como aconteceu no Egito e na Tunísia, onde os militares se recusaram a atirar contra seus conterrâneos.
Nos anos 90, por exemplo, ele mandou bombardear por diversas vezes grupos islâmicos de oposição usando mercenários sérvios como pilotos. Desta vez houve pelo menos algumas deserções entre seus pilotos de caça, que fugiram com seus aviões para Malta (ver foto no post anterior a este).
Mesmo assim, não tem faltado quem lhe satisfaça a sede de sangue. Até onde se sabe, Kadafi aliou-se à tribo Wafala, com cerca de 1 milhão de membros (a população da Líbia é de seis milhões). Mas ha notícias de que ele perdeu o controle da fronteira Leste do país, junto ao Egito, onde outras tribos são majoritárias. E aquela é uma das regiões mais ricas em petróleo da Líbia.

Jornalistas trabalhando a partir do Egito registraram a presença de hordas armadas com porretes e fuzis kalashnikov perambulando por essa área, mas não conseguiram identificar sob comando de quem eles estavam.
Kadafi sempre trabalhou as demais tribos conforme as conveniências do momento, dividindo para governar e comprando seus lideres com petrodólares e armas. Em função dessa prática o país é um dos mais armados da região, o que aumenta muito o risco de uma guerra civil prolongada e sangrenta.
Junto com o Irã, onde o chefe da guarda revolucionária, ao saber das primeiras manifestações dessa nova temporada, deu de ombros e disse que os que protestavam eram “apenas cadáveres que ainda estão em pé”, e onde os membros do parlamento fantoche de Ahmadinejad gritavam em plenário pedindo pena de morte aos oposicionistas presos antes do início dos novos protestos, o que se pode esperar das próximas rebeliões do Oriente Médio é tanto mais sangue quanto mais “progressistas” forem os ditadores sob ameaça.

Um Kadafi em Angra dos Reis
Lula já deu provas suficientes de que não leva em conta esses pormenores ao escolher suas amizades.
Mas ele não esta sozinho. Houve tempo (e não faz muito) em que o radicalismo, não importando quão sanguinário fosse, era “chic”. Assassinos do calibre de Muamar Kadafi se tornavam “glamurosos” desde que ao torturar, ao matar e até ao tentar genocídios, declarassem que o faziam em nome da revolução do proletariado. Isso (e mais os petrodólares) abriu as portas de círculos badalados aos Kadafi, que circulavam festivamente entre “intelectuerdas” e “patricinhas” pelo mundo afora.
Seu filho Saif Al-Islam, por exemplo, costumava frequentar o society europeu onde tornou-se amigo de alguns brasileiros notórios que, ha poucos anos, o receberam num comentado réveillon em uma ilha de Angra dos Reis, onde causou escândalo e desconforto aos circunstantes mais sensíveis o armamento pesado ostensivamente carregado pelo batalhão de capangas que o acompanhava.
O Oriente Médio e o “efeito Groupon”
22 de fevereiro de 2011 § 1 comentário
No Egito, vitória do povo
Artigo de Chrystia Freeland publicado no site da Reuters hoje concentra o foco na questão da contribuição das novas tecnologias para as rebeliões do Oriente Médio e mata a charada.
Ela cita um estudo que vem sendo conduzido pelo professor Daron Acemoglu, do MIT, trabalhando em conjunto com Matthew Jackson, de Stanford, que definem como “o efeito Groupon” o que tem acontecido.
Groupon, uma companhia criada na Rússia, é o mais recente e explosivo fenômeno de crescimento na internet. Levou pouco mais de um ano para passar a casa do bilhão de dólares em valorização.
Ela resolve um problema simples que assalta todo comerciante: oferecer grandes descontos pode ser uma ótima ferramenta de vendas; mas só vale a pena se a oferta trouxer um numero tal de compradores que o ganho de escala seja maior que o prejuízo do desconto oferecido. A questão está em saber se o simples anuncio da oferta vai de fato trazer o numero suficiente de compradores ou se ele vai ter de entregar a mercadoria por menos a uns poucos e arcar com o prejuízo.
Usando as novas tecnologias de comunicações, Groupon eliminou o elemento imponderável dessa equação. Ele publica a oferta num site que usa o mesmo esquema dos sites de leilões, marcando uma hora para o jogo acabar e avisando que ela só se tornará válida se até aquele horário um numero “X” de participantes aderir à compra. O comerciante só paga pelo anuncio se o lote combinado for fechado. Caso contrário, a oferta deixa de ser válida e o jogo fica em zero a zero para todas as partes.
Com a turma do Lula é mais difícil…
“O que realmente evita os protestos públicos das pessoas oprimidas por regimes ditatoriais é o medo de fazer parte de uma manifestação que não consiga derrubar o ditador e vir a sofrer represálias depois”, dizem os pesquisadores. “Sempre existiram regimes opressores e a maioria dos oprimidos sempre esteve contra eles. O problema era como organizar a sociedade para que essa insatisfação difusa encontrasse uma maneira de se expressar e se fazer ouvida por todos ao mesmo tempo. A tecnologia está tornando isso muito mais fácil.”
As pessoas têm, agora, a condição de conferir antecipadamente quanta gente não gosta desses governos e está disposta a agir contra ele, o que reduz o risco individual e aumenta a chance de sucesso das manifestações.
Ha, entretanto, dois senões que os pesquisadores destacam. Primeiro, é que tudo depende do ditador não ter os meios ou a vontade de não se impor limites ao revidar, como está acontecendo na Líbia do até ha poucos anos festejadíssimo “herói progressista” Muamar Kadafi e no Irã de Ahmadinejad. E, segundo, que se a tecnologia facilita a derrubada do ditador, ela tem pouca serventia para resolver o problema do que colocar no lugar dele.
“Instalar um governo melhor é uma tarefa muito mais difícil. Ainda não se inventaram as maneiras de fazer com que as novas tecnologias facilitem as ações coletivas de longo prazo que requerem muito mais empenho e capacidade de negociação do que derrubar ditadores”.
Você pode ler o artigo original aqui.
Kadafi atacou seu povo com aviões. Mas houve deserções
Lula dá provas do que ele é
19 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Acaba de dar no site do Estadão:
A diplomacia brasileira se absteve de apoiar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovada na noite de quinta-feira, 17, que pede o fim do apedrejamento como método de execução no Irã assim como a discriminação contra mulheres.
A resolução pede ainda o fim da restrição à liberdade de expressão e de associação, o fim da intimidação contra ativistas, advogados, políticos da oposição, bloggers e jornalistas, além de condenar o desaparecimento de pessoas que tenham participado de demonstrações. Condena, também, a alta taxa de condenações à morte anunciadas pelo governo iraniano, a execução de pessoas com menos de 18 anos que tenham cometido crimes e a existência de leis que permitem a pena de morte contra pessoas que sejam “inimigas de Deus”.
Segundo Mohammad-Javad Larijani, representante de Teerã na ONU, essa resolução não é justa e politiza os direitos humanos. É fruto da hostilidade americana em relação ao Irã. “O apedrejamento consiste em jogar um certo número limitado de pedras, de uma forma especial, nos olhos de uma pessoa. É uma punição menor que a execução porque existe a chance de sobreviver. Mais de 50% das pessoas (apedrejadas) podem não morrer“.

Larijani disse, ainda, que não há um silenciamento de advogados e nem jornalistas. “Todos podem falar com a imprensa estrangeira. Mas depende do que querem dizer. Se estão difamando o sistema legal, devem ser responsáveis por isso“.
O documento foi apresentado pela delegação do Canadá
Entre os outros países que se abstiveram estão Angola, Benin, Butão, Equador, Guatemala, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Zâmbia.
Votaram contra a proposta Venezuela, Síria, Sudão, Cuba, Bolívia e Líbia.
A resolução foi aprovada com o apoio de 80 países, entre eles um dos membros do Mercosul, a Argentina, todos os países europeus, EUA, Canadá, Chile e Japão.

PS.: Um leitor qualificado observou-me que é exagerado adjetivar o nome do presidente Lula desde o título, como eu tinha feito nesta matéria. A vantagem da web é que, nela, os textos estão vivos. Estou de acordo. A indignação às vezes desqualifica a informação. E essa está aí, limpinha, no texto da notícia do Estadão. Assim, deixo para você, leitor os adjetivos para qualificar este belo gesto do nosso presidente e sua diplomacia.

Você precisa fazer login para comentar.