A imprensa, os blogs e a eleição

5 de janeiro de 2011 § 1 comentário

Respondi hoje um questionário da California State University, onde leciona uma ex-colega do Estadão, sobre a cobertura da imprensa e dos blogueiros da rede da nossa ultima eleição. Ainda que algumas respostas tenham sido telegráficas, acho que o questionário pode interessar aos leitores do Vespeiro.

1. Como você classifica a cobertura da imprensa online em geral sobre as eleições presidenciais de 2010?

  • Muito boa
  • Boa
  • Regular
  • Fraca
  • Muito Fraca
  • Ruim
  • Outro (especifique)

2. Por que?

A dos jornalões online tem os vícios dos jornalões de papel.

As dos grandes portais são viciadas pelos interesses das teles associadas ao ou dependentes do governo que estão por trás deles.

As dos chamados “independentes” estão viciadas ou pela militância disfarçada mas centralmente organizada e orquestrada (fenômeno novo em que o PT se esmerou) ou por diversos graus de radicalismo.

Resumo: o “admirável mundo novo” continua recheado pela velha e desprezível humanidade de sempre…

3. Qual o diferencial oferecido pelos colunistas online e/ou blogs produzidos por jornalistas com credibilidade em relação à mídia tradicional? Defino jornalistas com credibilidade aqueles com experiência profissional reconhecida associados ou não a empresas jornalísticas.

Eles continuam, como sempre foi no Brasil e é cada vez mais nos EUA (preocupante essa radicalização aí!), muito marcados ideologicamente. Ha, quase sempre, mais opinião que informação. Difícil separar o joio do trigo…

4. Qual o diferencial oferecido pelos colunistas online e/ou blogs de jornalistas com credibilidade reconhecida em relação aos websites de portais de noticias e outros veículos online?

Assumem mais claramente suas posições enquanto os main stream tratam de (mal) disfarçar as suas sob um manto de “objetividade”, o que me parece mais honesto e permite ao leitor posicionar melhor o seu senso critico.

Em geral não houve esforços coordenados de grupos de jornalistas independentes nesta eleição. E quando houve, foi ideologicamente inspirado e/ou financiado por fontes suspeitas.

Muito poucos esforços (na verdade nenhum que eu conheça) para atuar explicitamente nas brechas identificadas do jornalismo main stream.

Não vi ninguém com pautas independentes criativas.

Todos, como sempre, se deixando pautar pelas fontes…

5. Na sua opinião, a cobertura online acertou em que aspectos? Errou em que aspectos?

Marina Silva foi objeto de um esforço relativamente inovador em matéria de uso da web.

Contratou um trabalho profissional que se inspirou no modelo Obama e marcou alguns gols, inclusive e principalmente em matéria de doações de pessoas físicas, coisa inédita no Brasil.

Também trabalhou bem as ferramentas sociais da rede, promovendo ondas bem planejadas de repercussão dos movimentos da candidata.

Mas isso não é cobertura, exatamente.

É campanha.

Deveria ser objeto de cobertura…

6. Houve censura? Houve auto censura?

Houve um nível fortíssimo de patrulhamento, que incluiu esforços organizados e sistemáticos da militância petista até nas seções dos leitores dos jornalões online.

Foi algo que, se um dia for estudado na minucia (e certamente deveria), causará surpresa e escândalo.

A rede também foi “aparelhada”.

A rede, alias, como tudo mais, é neutra enquanto ferramenta. Amplifica tudo que se joga lá dentro, all the shit inclusive…

7. Os colunistas online e autores de blogs foram parciais e/ou partidários?

  • Sim
  • Não
  • Outro (especifique)

8. Por que?

(já respondido)

9. Os colunistas online e autores de blogs atuaram com independência?

  • Sim
  • Não
  • Outro (especifique)

Alguns sim…

10. Por que?

(já respondido)

11. Os colunistas online e autores de blogs foram influenciados pelas fontes?

  • Nem um pouco
  • Um pouco
  • Muito
  • Extremamente
  • Outro (especifique)

12. Por que?

(já respondido)

13. Os colunistas e autores de blogs discutiram os planos de governo dos principais candidatos à presidência mais do que outros temas?

  • Sim
  • Não
  • Outro (especifique)

14. Por que?

Ate certo ponto, sim.

Censura à imprensa e outros temas momentosos incluídos no PNDH, o programa de governo do PT disfarçado em documento independente do governo para evitar retaliações eleitorais, especialmente os mais assumidamente antidemocráticos foram, assim como na imprensa main stream, os mais debatidos ao longo do processo.

Não vi muita diferença entre independentes e main stream nesse aspecto.

A grande novidade foi, sim, o aparelhamento da rede pela militância de forma claramente organizada para fazer fogo de encontro ao repudio da opinião publica a essas propostas autoritárias

15. Os colunistas online e autores de blogs discutiram a personalidade dos candidatos e/ou a corrida eleitoral mais do que outros temas?

  • Sim
  • Não
  • Outro (especifique)

16. Por que?

(já respondido)

17. Quais as questões éticas enfrentadas pelos colunistas online e autores de blogs na cobertura das eleições presidenciais de 2010?

(já respondido)

18. Como você procurou cobrir a campanha eleitoral?

Peças de opinião/informação.

Agregação e edição de noticiário alheio.

Muitos filmes mostrando posições do passado e do presente dos candidatos.

Entrevistas com interpretações das votações.

O material disponibilizado no Youtube, alias, merece destaque nesta eleição.

Se nossos jornalistas, independentes ou não, não mudaram grande coisa, o sistema de registro de documentos e de sua disponibilização para toda a web é, em si mesmo, revolucionário.

Como não se mudam imagens nem gravações sonoras o choque entre o “antes” e o “depois” nas posições de Lula e do PT e os flagrantes de corrupção filmados tiveram grande impacto e foram muito usados por toda a web independente, foçando ate os jornalões e redes de TV cujos editores teriam preferido não faze-lo a se lembrar de certas passagens.

Isso influenciou a pauta geral da imprensa.

Incomodou especialmente o PT que, muito mais que os proprietários, sempre deteve o controle das redações, a tal ponto que foi alvo até da ação de hackers organizados.

O famoso filme de Waldomiro Diniz recebendo suborno na sala ao lado da de Lula, por exemplo, sumiu do Youtube onde esteve por alguns anos, ate agora sem explicação.

Outro efeito notável é que a ausência de limitação de espaço na web proporcionou coberturas ou agregações de coberturas que, no final, ao menos para os mais atentos, deixou claro o que os editores de cada jornalão preferem cortar de suas coberturas com a desculpa da limitação de espaço.

Está ficando mais difícil ser desonesto na edição…

19. Você utilizou elementos de multimídia ao cobrir a campanha eleitoral? Marque as opções cabíveis.

  • Fotos
  • Video
  • Audio
  • Gráficos
  • Animação
  • Cartuns
  • Outro (especifique)

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§ Uma Resposta para A imprensa, os blogs e a eleição

  • dibertin disse:

    Eu acho que responderia bem próximo do que você respondeu e olha que eu não sou jornalista.
    Mas acho que a eleição foi totalmente viciada por que o presidente se portou como crupie e além disso roubou no jogo, escondendo cartas, blefando, etc e tal, hehehe

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