2022 é o duelo final

11 de junho de 2021 § 10 Comentários

Esta semana João Pereira Coutinho, o português que escreve na Folha nas terças-feiras e é das poucas coisas que ainda vale a pena ler na imprensa tradicional, brindou o público com “O Silêncio dos inocentes”, sobre a condição terminal da liberdade de expressão no Brasil e neste mundo da experiência histórica raleada pelo tsunami das redes sociais, onde lembra como “a intolerância perante a intolerância cavou a sua própria sepultura e fez com que os nazistas se tornassem célebres e chegassem finalmente ao poder”.

A Republica de Weimar proibia o discurso de ódio, para usar a expressão da moda, e vários nazistas famosos como Joseph Goebbels foram processados por proclamações anti-semitas (…) o jornal nazista Der Stürmer foi repetidamente confiscado e seu editor, Julius Streicher, foi duas vezes preso. Resultado? O Partido Nazista, um grupelho desprezível em inícios da década de 1920, foi ficando cada vez mais célebre por causa desses processos que (faziam com que seus membros) parecessem vitimas da perseguição política … e mártires da liberdade de expressão”.

Aos que acreditam que pela punição já do discurso livre será possível defender os direitos das minorias”, seguia Pereira Coutinho citando Free speech and why it maters, de Andrew Doyle, “basta lembrar a questão fatal: será que os direitos das minorias, hoje, são mais bem defendidos em países que restringem a liberdade de expressão? É melhor ser transexual nos Estados Unidos, onde existe a Primeira Emenda, ou no Irã e na Arábia Saudita?

Historicamente falando, foi a liberdade de expressão que deu visibilidade e legitimidade à luta pelos direitos das minorias”, lembrava. “O que não é possível nem legítimo é atribuir ao Estado a capacidade de suprimir certas ideias ou opiniões simplesmente porque alguém, algures, as considera repugnantes (…) Conferir a um governo uma espécie de política de gosto sobre o que pode ser dito ou escrito na arena pública parte sempre do pressuposto otimista de que as causas do momento serão eternas (…) Em 1936 o Partido Trabalhista britânico aprovou legislação para proibir as marchas fascistas de Oswald Mosley. Na década de 80, Margareth Tatcher usou a mesma legislação para prender os mineiros em greve”.

Fosse brasileiro ele poderia lembrar, como exemplo do percurso inverso, a Lei de Segurança Nacional criada pelos militares na década de 70 para prender comunistas e hoje usada pelos filo-comunistas brasileiros para prender anti-comunistas.

Moral da história? Defender a liberdade de expressão é, antes de tudo, impedir que as melhores intenções abram a porta aos piores intencionados”.

O horizonte de Joao Pereira Coutinho, preservado por um oceano de distância da doença brasileira é, como vimos, a História. Mas para os “piores intencionados” brasileiros é a “tomada do poder” amanhã ou nunca mais, e é isto que faz com que a primeira sensação de lufada de ar puro que tive da leitura de “O silêncio dos inocentes” fosse aos poucos convertendo-se em mero deleite com um devaneio poético.

Foi a alta classe média meritocrática que foi às ruas em 2013 e derrubou o PT do poder em ação extrema de legítima defesa. Com atraso como em tudo, foi essa a “Primavera Brasileira”, aparentada à “Primavera Árabe”: uma criatura da internet e da euforia que aquela rede do passado, ainda sem censura, provocou na primeira parcela da população que se integrou completamente nela, escapou ao ambiente político controlado pela privilegiatura e sua imprensa e tomou consciência da força que tem.

Passados 7 anos, com a alta desmobilizada pelo desemprego e pela desilusão, aí está a baixa classe média meritocrática, a dos donos de botequins, cabeleireiras e manicures, a das costureiras e fazedoras de bolos, a dos donos de restaurantes e de lojinhas, a dos pequenos sitiantes; aí está o Brasil do pequeno empreendedor que conseguiu o feito épico de alçar o pescoço acima do lúmpen num país tão avesso ao merecimento, enfim, afrontado pelo “fique em casa” em que insiste mariantonietamente a privilegiatura sem patrão em sua olímpica alienação. É esse “Que comam bolos!”, cada vez mais gritado e truculento do Basil Fake que esbofeteia a cara dos sem-casa do favelão nacional e os joga no colo de Jair Bolsonaro, que é o que ele tem para hoje.

O Brasil Real só prevalecerá, no entanto, sobre o da privilegiatura e sua imprensa na justa proporção de sua importância numérica se e quando se auto-identificar como tal e, assim, passar a ter, no seu imaginário coletivo, para quem reivindicar o justo lugar na ordem institucional. Hoje, afogado na miséria e na luta para sobreviver até amanhã, esse Brasil disperso e inarticulado, não tem, nem o tempo, nem a ilustração, que lhe é deliberadamente negada na escola e na mídia, que se requer para apurar uma consciência unificada de si mesmo. E como também ele descobriu a rede, é de censurar a rede que se trata agora.

O Brasil Fake sabe que tem as horas contadas. Os “piores intencionados” já sentiram suficientemente que insuflar ódios de raça e de gênero e outros luxos importados não vai levá-los muito mais longe do que já foram no pais mais miscigenado, mais libertino e mais carente de liberdades básicas do planeta. E essa truculência da CPI da pandemia e do STF dos “inquéritos” sobre o nada e das anulações monocráticas de tudo cada vez mais fora do armário; essa pancadaria vai se deter antes ou só depois de declarar “inconstitucional” votar em quem quer que não seja eles próprios?

Não duvido nada que acabe mal porque a alternativa, eles bem sabem, é entrar, finalmente, no século 19 de que o Brasil foi excluído, e entregar os dedos junto com os anéis para por um fim final à longa noite dos privilégios hereditários. E esta eles simplesmente não admitem.

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§ 10 Respostas para 2022 é o duelo final

  • Marcos Andrade Moraes disse:

    Mentira sua. Em democracia não existe duelo final, simplesmente porque não existe fim, jumento autocrata.

    MAM

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  • Totalmente de acordo.
    Censurar é o pior a fazer.
    Não se entende como a UE “bem intencionada” emite diretivas nesse sentido.
    Surpreendentemente foi aprovada recentemente na Assembléia da República em Portugal, sem oposição, a Lei 27/2021 que prevê “órgãos censores isentos devidamente certificados pelo Estado”!!!

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  • rubirodrigues disse:

    Neste artigo me identifico mais contigo Fernão. Os homens pensam que dirigem o destino das nações e dos povos, mas eu cá com meus botões desconfio que a natureza possui seus próprios planos, afinal nos trouxe até aqui sem prescindir da opinião dos homens. Se fossemos realmente inteligentes, estaríamos empenhados em descobrir as leis que regulam a natureza para saber como sintonizá-las e surfar sua onda em lugar de tentar subir a cachoeira à nado. Caso alguém se interesse visite o link https://segundasfilosoficas.org/sem-categoria/geometria-sagrada/
    e veja que a natureza não joga dados.

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  • Jayme Cueva disse:

    Art. 5 da Constituição Cidadã: itens – bens da vida digna- que o salário mínimo deve assegurar, hoje algo entre 8 e 12 mil reais. Em vez, o “andar de cima” o fixou em pouco acima de mil reais para 2022 .
    É da História: Henry Ford aumentou os salários dos seus empregados que fabricavam o Ford T, e lhes providenciou linhas de crédito para que pudessem adquirir os carros que montavam. A Ford Motors se agigantou! A economia americana cresceu bastante, os operários da Ford ascenderam em padrão de vida, Ninguém é perfeito e Henry Ford era anti semita convicto, escreveu ou um seu “ghost writer” o fez: feroz campanha contra os judeus! E estes logo revidaram: várias montadoras menores havia, como: Chevrolet, Cadillac, Chrysler … Compraram todas e formaram a General Motors mediante venda de ações em bolsa, monstruoso lançamento ou IPO. Moral: a economia americana deu um salto!
    “A quelque chose malheur est bon” .
    Façamos o salário mínimo do art. 5* da CF que o povão fará o resto!!!

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  • Milton Leite Bandeira disse:

    “#EUBIOSE – ELEVA-SE O HOMEM NA VIDA ESE CHOCA COM A FAMÍLIA. SE SE ELEVA AINDA MAIS, CHOCA-SE COM O POVO. SE MAISAINDA, COM A NAÇÃO. E FINALMENTE, COM O MUNDO INTEIRO”. (HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA– HJS/JHS – SÁBIO FILÓSOFO PERENEALISTA – FUNDADOR DA SOCIEDADE BRASILEIRA DEEUBIOSE).

     

    “QUANTO MAISAS COISAS MUDAM, MAIS FICAM IGUAIS”. (JEAN BAPTISTE ALPHONSE KARR – LE FIGARO –SÉCULO XIX).

     

    “#EUBIOSE& ASSDAK & MPMPL. O TODO É MAIOR DO QUE AS PARTES. A CONSTITUIÇÃOCOMPLETA A CONSTITUIÇÃO. O TODO ESCLARECE AS PARTES”. (ALIOMAR BALEEIRO – MINISTRODO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL).

     

    ‘UMM

    UNIVERSIDADEDO MIM MESMO

    ENCICLOPÉDIADA INTELIGENCIA DISRUPTIVA’

    (ECAMPAS)

     

    “2020

     

     – A REVOGAÇÃO DOS 520 ANOS DO ‘POVINHO CRIANÇA’COM A SUA

     MAMADEIRA DE WATT SAPP”

     

    ‘O ÓBVIO É AVERDADE MAIS DIFICIL DE SE ENXERGAR’. É PRECISO SER UM HEROI PARA ENFRENTAR AMORAL DE SUA ÉPOCA’. ‘O OLHO VÊ SOMENTE O QUE A MENTE ESTÁ PREPARADA PARACOMPREENDER’.  ‘O RELEVANTE NÃO É VERTUDO MAS VER ONDE OS OUTROS NÃO VEEM’. ‘O IMPORTANTE NÃO É VER O QUE NINGUÉMNUNCA VIU, MAS SIM, PENSAR O QUE NINGUÉM NUNCA PENSOU SOBRE ALGO QUE TODO MUNDOVÊ’.

     

     ‘ASSIM COMO DEUS TAMBÉM O DIABO ESTÁ NOSDETALHES’. ‘SOMOS DO TAMANHO DO QUE VEMOS E NÃO DO TAMANHO DA NOSSA ALTURA’. UMPONTO DE VISTA É APENAS A VISTA DE UM PONTO, QUANDO A REALIDADE ÉMULTIPONTUADA. COMO SÃO BOAS AS PESSOAS QUE NÃO CONHECEMOS MUITO BEM, PORQUE ESPECIALISTAÉ O QUE SÓ NÃO DESCONHECE UMA COISA. NOSSOS OLHOS SÃO SELETIVOS = FOCALIZAMOS OQUE QUEREMOS VER E DEIXAMOS DE VER O RESTANTE. ‘ ‘O PÊNDULO DA MENTE SEALTERNA ENTRE PERCEBER E NÃO-PERCEBER, E NÃO ENTRE O CERTO E O ERRADO – CERTAMENTETODOS OS HOMENS SÃO IGUAIS UNS AOS OUTROS, POIS DE OUTRO MODO NÃO SUCUMBIRIAM ÀMESMA ILUSÃO’. (JUNG – MEDICO PSIQUIATRA DO FINAL DOS TEMPOS DO PANDEMONIO DAPANDEMIA)”.

     

    “SÓDESCENDEMOS DA MACAQUICE QUANDO COMO

    OS BEMAVENTURADOS CAOLHOS,

    VEMOS TUDOPELA METADE”.

     (MÊLHÔR).

     

      SUBSCREVE:

     

    “SOMPREMOTARADOS DA

    FEDE-RAÇÃO”.

     

     (Milton Leite Bandeira – Defensor dos Direitose Deveres Humanos – Consultor DIREITO SOCIAL MILITAR & 3º SETOR INICIATICODA CIVILIZAÇÃO BRAZILINDIA – PROMOTOR MOBILIZADOR CULTURAL

     DIRETOR PRESIDENTE DA ASSDAK).

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  • Jackson Blecker disse:

    Liberdade de expressão sempre. Quanto mais livre mais o esperneio dos grupos atingidos. Vamos aos exemplos no Brasil de hoje: o colunista da FSP usa uma palavra criada no limbo esquerdista ao qual ele flutua e lança o DESPIORA, as redes sociais chamam o cara de burro quando na realidade ele é só mal intencionado; outro, o STF processa defensores de um presidente legitimamente eleito com processo sem inquérito, as redes sociais comentam o fato é nada acontece por absoluta falta de legislação que enquadre um juiz por mau caratismo; outra, por falta de legislação que estimule a concorrência Facebook e YouTube censuram descaradamente quem não atende os objetivos das plataformas, tem que ser imbecil praticante para fazer parte. Enfim, da pra ficar enchendo paginas e paginas sobre afrontas ao direito de opinar, mas todos sabemos que é no voto nossa maior liberdade de expressão, que com a urna eletrônica não se tem segurança entre o que ocorre no IN e no OUT.

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