O enredo sinistro de Rodrigo Maia

1 de outubro de 2020 § 33 Comentários

Bancar “Renda Cidadã” com calote nos precatórios seria a rendição final de Paulo Guedes. Na verdade a sorte dele e a nossa estão seladas desde que o torneio de egos Rodrigo Maia x Jair Bolsonaro colocou em R$ 600 reais por mês a ajuda de emergência do governo aos paralisados pela pandemia e à legião dos seus caronas. 

Tentar Jair Bolsonaro com esse “Viva Zapata!” (“Imprima-se o dinheiro, oras!“) foi de uma covardia calculada que entrará para os anais da História das Grandes Traições ao Povo Brasileiro, este que os rodrigos maias reduziram à condição de colher uma onda de inflação nos alimentos básicos e nos materiais de construções miseráveis pela injeção de R$ 600 por família. 67 milhões delas, contando 64% da “força de trabalho”, passaram a comer algum arroz por causa disso. O varejo “internetavel” saltou em semanas para níveis pré-pandemia e os “likes” das vaidades a arder no Planalto foram à lua, como o autor da façanha previu … até quando dezembro viesse. 

Foi naquele preciso momento que o futuro discernível do Brasil foi, mais uma vez, fulminado.

Paulo Guedes, como único representante do Brasil Real nessa novela da qual o povo brasileiro é apenas espectador, seria finalmente expelido como o corpo estranho que ameaça o organismo dentro do qual foi plantado. Barrado em todos e em cada um dos caminhos que tentou – o da racionalidade com justiça cortando privilégios da privilegiatura e privatizando seus feudos estatais chupados até o bagaço, o da implosão do labirinto tributário com todas as máfias que ele sustenta mediante a instituição de um imposto mínimo sobre transações e, finalmente, na ultima e desesperada tentativa de desamarrar o país coletivamente estuprado, pela via indireta dos 3D’s (desindexação, desvinculação, desobrigação) – vê-se agora enredado nesse calote dos calotes do estado anulados por via judicial, que é a tradução exata de “precatório”, mais a mão avançada sobre os caraminguás da educação básica que tem aquele cheiro característico dos bodes que se enfia na sala para ser retirado logo adiante. O clima no enclave do Ministério da Economia era, anteontem, de consternação. Bruno Funchal, secretário do Tesouro, praticamente declarou em “on” ao Valor que não são mais eles, é a “ala política” que dá as cartas pela economia.

Todos os outros personagens desse enredo sinistro se equivalem. Rodrigo Maia é um Bolsonaro com bons modos à mesa. E dele para baixo, até o limite do País Real, ou para cima, até o decano do STF com suas avalanches de prosopopéia sem sentido nos píncaros do Oficial, tudo exala o mesmo cheiro, só varia a hierarquia. 

Caindo de podres como estavam, bastou um governo ameaçando mudar de conversa, desviando-a levemente do discurso da férrea hegemonia das corporações, e os cacos das “instituições brasileiras” vieram ruidosamente abaixo. Eleja o povo o que eleger, tudo que vai colher, na melhor hipótese, é o que disserem os 11 monocratas. “Estado democrático de direito” é o antônimo de “privilégio”. A “democracia brasileira” é uma fraude de que dá flagrantes diários o fato de não haver dois brasileiros portadores do mesmo conjunto de “direitos”, estes que, entre nós, pode-se “adquirir”, nominalmente ou a granel, por unção ou por atos de vassalagem aos “excelentes”, e de estar o país inteiro “na justiça” que tem entre nós a função de garantir o “especial” que eles houverem por bem conceder a cada um. 

Houve esperança num Brasil democrático enquanto houve uma imprensa que acreditava na democracia. O “clima político” que se requer para fazer reformas e/ou obrigar o congresso dos “representantes do povo” a votar a favor do povo é sempre ela quem cria, mesmo nas que de fato existem. E esta que sobrou aqui, de herdeiros, eunuca e submissa, afirmo-o agora com o meu testemunho pessoal, joga para o adversário e expulsa sumariamente, com ou sem o auxílio direto do Grande Censor do STF, Alexandre de Moraes, quem ousar denunciar sua ditadura. Não foi, é verdade, necessário o empenho de doses excessivas de musculatura, como seria para aproveitar a deixa e empurrá-lo na direção que afirmava querer seguir, mas é dela mais que de qualquer outro agente a responsabilidade por jogar Jair Bolsonaro de volta ao colo do Centrão.

O golpe esboçado dos precatórios tem a cara desse Brasil falsificado. Em 31/12/2019 o estoque dessas dívidas era de R$ 183,6 bi, quase 3% do PIB. Mas, pela mesma razão que bem mais que a metade dos salários que os “nossos servidores” embolsam não se chama “salário”, esse valor não é contabilizado como “dívida pública”. Os precatórios só entram na estatística oficial quando são pagos. Daí não pagar precatórios, que na língua portuguesa significa dar calote no calote, na da antropofagia política macunaímica quer dizer “cortar despesas”, embora vá aumentar ano a ano a dívida transferida pelos palácios ao favelão nacional na lei irrevogável da aritmética. 

Tudo isso nos empurra de novo para a conclusão tantas vezes avançada neste Vespeiro. Não ha a menor esperança de fugir a este cativeiro enquanto não se fizer a reforma política capaz de desmontar o esquema espúrio que nos põe em regime de escravidão. Os “negacionistas” do valor dos remédios da democracia na imprensa e fora dela escolheram a doença porque é dela que vivem. Vão resistir à cura até depois da descida da lâmina da guilhotina.

Mas para a força irresistível do povo, querer é poder. Com o voto distrital puro, o recall, o referendo e a iniciativa de propor e recusar as leis que quer seguir, esse poder materializa-se e viram fumaça todos os “tigres de papel” que nos reduziram a essa pobreza asiática surfando a mesma onda que resgatou o resto do mundo dela. O que falta agudamente ao favelão nacional é conhecê-lo. Se ele souber que o remédio existe, nada o impedirá de toma-lo.

Marcado:, ,

§ 33 Respostas para O enredo sinistro de Rodrigo Maia

  • Marcos Andrade Moraes disse:

    Mas quem votou em Bolsonaro e continua defendendo-o com artigos abjetos como o último foi vc.

    MAM

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  • Gilson Almeida disse:

    No plural: Os Reis estão nús.

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  • rubirodrigues disse:

    Há diferença, MAM, entre o ideal e o possível. Desconhecer isso justifica o ditado segundo o qual o inferno está cheio de boas intenções. Da mesma forma há diferença entre o voluntarioso e o inteligente. Fui uma vez à Esplanada portando placas pedindo o voto distrital com recall, mas estava consciente da inutilidade do gesto. Precisamos reconhecer que temos sido incompetentes no encaminhamento das soluções nas quais acreditamos. Ou a solução não convence ou a estratégia está equivocada, Além de saber falar sabemos também ouvir?

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  • Volto a insistir: uma educação eficiente e honesta seria a única forma de se conquistar a democracia, que com razão defendes. Grifo o verbo “seria”

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    • Flm disse:

      Os americanos que compraram a deles eram aqueles dos filmes de caubói.
      Os suíços fundaram a deles em 1290. Quantos suíços alfabetizados haveria então?

      O que a história me diz é o contrário: só tem uma educação eficiente e honesta quem conquista antes o poder de mandar nos seus políticos, vulgo democracia…

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      • Seu raciocínio tem fundamento. O meu raciocínio se baseia no fato de que, para haver uma mudança da situação atual, precisaríamos que a maioria da população fosse suficientemente educada e capaz de interpretar o que ocorre de fato para suscitar uma indignação forte o suficiente para uma tomada de atitude. Não é o que temos no Brasil de hoje. Minha grande dúvida é como chegar lá

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      • rubirodrigues disse:

        Temos repetido muito que a evolução depende de uma população educada. Será mesmo? O que aconteceria se apesar da pouca educação a elite política tivesse consciência do seu papel social de conduzir a nação a bom termo? Educar a elite política seria uma alternativa?

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      • Você acredita que a elite política tem algum interesse em mudar o “status quo”?

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      • rubirodrigues disse:

        O político brasileiro de hoje pode não ter interesse em mudar as coisas. Mas isso indica ignorância do que significa gerir interesse coletivo. Quem consegue distinguir interesse pessoal de interesse coletivo entende que Estado não deve atender interesses individuais e que fazê-lo inviabiliza a dimensão coletiva e o seu próprio interesse pessoal no longo prazo. Só quando a natureza cobra a fatura na vida de um filho ou de um neto é que, alguns, se dão conta do que fizeram. Mas isso pode ser demonstrado para quem se dispor a aprender.

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    • LSB disse:

      Prezados Nico e Fernão

      Não ia entrar nesse debate específico (“ordem cronológica” de “aparecimento” da “educação” em uma democracia); no entanto, lendo a breve sequência de comentários de ambos, resolvi fazer uma “especulativa” observação.

      A priori, sou partidário (com bastante convicção) da posição do Fernão. Mas há uma “hipótese” (verdadeira ou não) que, de certa forma, fundamenta a posição do sr. Nico.

      Esta hipótese (que poderia ser “resumida” na máxima: “não saber é melhor e menos perigoso que saber errado”) seria a seguinte:

      Em uma sociedade analfabeta, a democracia (verdadeira) viria primeiro.
      Mas, quando a população não é mais “analfabeta”, ou esta população já está vivendo na democracia (verdadeira) ou só vai viver se essa educação for, de fato, “esclarecedora” (usei essa palavra para evitar “conscientizadora” ou “libertadora”). Do contrário, essa “educação” será “castradora” (ou “limitadora”).

      Uma coisa seria uma população “analfabeta”, outra uma população alfabetizada, mas que tenha sido MAL alfabetizada. Neste segundo caso, seria muito mais difícil o exercício do convencimento, pois a pessoa “saberia” (errado, mas é muito mais difícil convencer alguém que ele aprendeu errado – se é que isto é possível – do que convencer alguém que ainda não aprendeu).

      No mais, o brasileiro (como diversos artigos do Fernão – incluindo o de hoje – retrataram brilhantemente) sofre de uma “Síndrome de Estocolmo” em grau “máximo” (seu algoz é o Estado brasileiro), mas não se consegue “tratar o paciente” porque a Síndrome teria sido (em grande parte) provocada, ou melhor, calculadamente construída pela “Educação” brasileira (que doutrinaria “pesado” em subserviência, culto e adoração ao Estado, ainda que dissimuladamente).

      Em suma, quando analfabeta, a sociedade seria mais “maleável” do que quando aprende “errado” (nesse caso, só “reensinando”, ou, nas palavras do sr. Nico, quando a educação ter sido transformada, já que seria ela mesmo que estaria, de certa forma, “estragando” e “manipulando” o povo e, portanto, inviabilizando esse povo de se “libertar dos seus grilhões”).

      Abs
      LSB

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      • Perfeito LSB. Esse é o grande dilema. Pessoalmente, dado ao perfil dos atuais mandantes, especialmente legislativo e judiciário, eu já perdi as esperanças. Rezo pelos meus filhos e netos.

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      • A. disse:

        “…porque a Síndrome teria sido (em grande parte) provocada, ou melhor, calculadamente construída pela “Educação” brasileira…”
        – Precisaríamos ter no país uma mente brilhante e terrivelmente maquiavélica para construir tal educação. Não existe tal ser no Brasil. Nossa bisonha educação é mais fruto de equívocos, incompetências e omissões do que outra coisa!

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      • Flm disse:

        A chave não está na “educação”, que como LSB aponta bem, pode ser e tem sido sempre um instrumento para impedir o paciente de aprender certas coisas, está na “informação” que, quando vem limpa, tem força revolucionária.

        Indico a propósito da instrumentalização da educação, texto aqui do Vespeiro de 10 anos atrás:
        https://vespeiro.com/2010/10/13/no-labirinto-da-latinidade/

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      • LSB disse:

        Caro A.

        Você tem razão: não há um “vilão malvadão” orquestrando a falência da Educação. O termo “calculadamente construída” foi só recurso retórico, ou melhor, metáfora (e olha que pensei “duas vezes” antes de digitar essa expressão, mas parece que não foi adequada assim mesmo).

        O que quis dizer é que não foi algo totalmente aleatório ou produto de geração espontânea (por isso o termo “construída”); pelo contrário, é produto de uma série (ou sequências) de erros, desvios, omissões, etc. (que constituem, obviamente, os “tijolos” dessa “construção”).

        Por outro lado, “saquei” o “calculadamente” para expressar a ideia de que isso tudo não ocorre nem ocorreu “inocentemente”. Pelo contrário, alguns com mais e outros com menos consciência do “delito”, “esconderam” e “escondem” (e/ou “marginalizaram” e “marginalizam”) todo o conhecimento que pusesse e ponha em risco a idolatria tanto ao Estado tal como estruturado no Brasil quanto à nossa “democracia de araque” (ainda que o “movimento” seja um tanto quanto “dissimulado” ou “camuflado” – mais ou menos conscientemente e/ou intencionalmente e ainda que por motivos totalmente distintos).
        De fato, nosso completo desconhecimento de como funciona a democracia americana e quais são os sistemas político-eleitorais alternativos ao nosso é a maior prova disso (inclusive o desconhecimento mesmo de que HÁ alternativas, já que “sensação provocada” é que só existe UM TIPO de democracia no mundo e que é esta que está ai). Enfim, não é fruto do acaso tal ignorância.

        Caro Fernão,

        Li seu artigo de 10 anos atrás. De fato, creio que reli (me lembrei da argumentação – embora esta possa ter sido usada em algum outro texto).
        No mais, brilhante artigo. Sob o ponto de vista “teórico”, irretocável.
        Mas quando você exemplifica, uma “pulga” surge na “atrás da minha orelha”:
        Se no caso da “Ficha Limpa” a “briga” era entre “garantistas” e “pragmáticos”, sendo que estes reconheciam que o problema “prático” era o Código de Processo Penal (que, “na prática”, impedia a Justiça), por que ficar discutindo a “Ficha Limpa” e o trânsito em julgado ao invés de focar todos os esforços em mudar o Código de Processo Penal?

        Enfim, obviamente não estou querendo discutir o caso em si. É só para exemplificar – por meio do seu exemplo – de como, na minha opinião, muitas vezes as “problemáticas” são mal definidas ou mal focadas.

        Abs
        LSB

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  • Pedro Marcelo Cezar Guimaraes disse:

    Creio que a razão de ser do político e seu partido é habitar o poderoso Estado totalitário!! (aparelhado,ineficiente, obeso e patrimonialista).
    Apenas a verdade, o respeito à ordem natural e a ação humana consciente poderá sobrepujar a hegemônica agenda socialista que nos leva à escravidão.

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  • cadu43 disse:

    A perfeicao: “ Houve esperança num Brasil democrático enquanto houve uma imprensa que acreditava na democracia. O “clima político” que se requer para fazer reformas e/ou obrigar o congresso dos “representantes do povo” a votar a favor do povo é sempre ela quem cria, mesmo nas que de fato existem. E esta que sobrou aqui, de herdeiros, eunuca e submissa, afirmo-o agora com o meu testemunho pessoal, joga para o adversário e expulsa sumariamente, com ou sem o auxílio direto do Grande Censor do STF, Alexandre de Moraes, quem ousar denunciar sua ditadura. Não foi, é verdade, necessário o empenho de doses excessivas de musculatura, como seria para aproveitar a deixa e empurrá-lo na direção que afirmava querer seguir, mas é dela mais que de qualquer outro agente a responsabilidade por jogar Jair Bolsonaro de volta ao colo do Centrão.”

    https://vespeiro.com/2020/10/01/o-enredo-sinistro-de-rodrigo-maia/

    Enviado do meu iPhone

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  • Renato Pierri disse:

    Auto imagem dêsse favelão nacional é a propria mídia, neste caso oficial, com seu programa longevo ” A Voz do Brasil”. De Vargas até hoje goela abaixo todos os dias, cada vez mais forte o parasita sobrevive em qualquer clima político, em qualquer regime, diàriamente alimentando corações e mentes de tantos incautos, sugando-lhes. Nesse triste caminho não se vê nenhuma placa ” dizendo pelo menos ” Cuidado”.

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  • A. disse:

    A placa foi roubada! Mas antes tinha sido super faturada…

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  • NADER MURAD disse:

    BOLSANARO É UMA FRAUDE……DIA APOS DIA ESTA MONSTRANDO A CARA …AMIGUINHO DE GILMAR PARA APROVAR O CARA PALIDA PARA STF ….TRAMOIA COM ALCOLOMBRE PARA RELEIÇÃO,…..AOS POUCOS PERDERA APOIO,E O GRANDE NOME SERA SERGIO MORO .SE
    PAULO GUEDES SAIR ,ACABOU ,O GOVERNO.
    ELE PENSA QUE É O REI DA COCADA, MAS FOI GRAÇAS. ÁS
    PROMESSAS ANTI CORRUPÇÃO ,QUE FOI ELEITO…. .

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  • juremampimenta disse:

    Indicado por Flm o artigo https://vespeiro.com/2010/10/13/no-labirinto-da-latinidade/ explica muito sobre informação e educação. Vale a pena ler !

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  • GATO disse:

    Quanta distancia da realidade, o povo só quer saber de comer, beber, saçaricar, jogar algo, tendo grana para isso o resto que se dane. Serviço que dá trabalho também não quer, existe uma minoria carregando o andor, essa minoria está sendo eliminada pela pandemia, vai sobrar só quem quer alegria, como um sobrinho nosso que indicamos para empregos bons, mas tinha que trabalhar muito, não quis, afirmou que só queria ser feliz. Durante vinte anos de magistério, a minoria estudava, a maioria colava ou reprovava, pois professor linha dura a direção dava um jeito de afastar. Então aquela velha piada do anjo que disse ao Senhor, por que tanta beleza nesse lado sul da América e ele respondeu, mas você vai ver o povinho que eu vou por lá…..e assim foi feito, SáSáSá Sáricando……Vamos parar lá na ficção retratada no Planeta do Macacos I e II, hoje todo mundo tem um cãozinho, já se vende mais ração que comida. Exemplo: olhem o tamanho das lojas para cães, já vi uma churrascaria fechar e no lugar ergueram uma Loja da rede PETS, a próxima pandemia vai acabar com os cães, ai os humanos passam a adotar macacos, e aí ……. aí me mordam…..

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  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    Fernão, sua frase no último parágrafo nos lembra bem de onde virá a pressão política necessária para as mudanças que o Brasil carece:
    “Mas para a força irresistível do povo, quem é poder?”.
    “MAS PARA A FORÇA IRRESISTÍVEL DO POVO, QUEM É PODER?”.

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  • LSB disse:

    Prezados,

    Por falta de comentários novos, voltemos aos “antigos”.
    De fato, concordo com o Fernão que a “alforria” política é pré-requisito para que haja uma boa educação.

    No entanto, como comentado anteriormente, talvez tenha sido “relativamente fácil” conseguir essa “alforria” na Suíça do séc. XIII, ou nos EUA do séc. XIX, onde todos eram analfabetos (“homogeneidade”) e, até por isso mesmo, talvez estivessem mais dispostos a “testar” (tentativa e erro), uma vez que não haviam “adquirido” conhecimento (de fato, por falta de “teoria”, os “analfabetos” são mais “propensos” a testar e “pensar empiricamente”).

    Mas uma “educação” em uma sociedade “escravizada” como a nossa, pelo contrário, funciona como uma ENORME barreira para se acabar com essa “escravidão política”, pois a “educação” acaba servindo somente como “lavagem cerebral”, doutrinação e justificação do sistema. E daí os “estudados” não conseguem sair da armadilha mental na qual foram jogados (exatamente porque “estudaram” e, portanto, teimam que sabem).

    Pode parecer retórica vazia e sensacionalismo barato falar em “lavagem cerebral”, mas é isso mesmo – e literalmente. Não há outra palavra.
    O brasileiro reage REFLEXIVAMENTE às questões sociais pedindo mais Estado.
    É extremamente sintomático a reação das pessoas: “isso é permitido?”; “a lei ‘deixa’ fazer isso?”; “mas ‘tá’ aprovado?”; “tá cadastrado?”; “tem lei?”; “tem documento?”; ” ‘tá’ legalizado?”; ” ‘tá’ REGISTRADO?”.
    Em suma, a lavagem cerebral por meio da qual a “educação” condicionou o cidadão brasileiro (condicionamento pavloviano) se traduz na CRENÇA RELIGIOSA que só se pode fazer o que o Estado permitir EXPRESSAMENTE.
    Um povo assim “educado” jamais vai ser livre, pois foi “caninamente” adestrado a não ter iniciativa e, pior, a acreditar que a iniciativa própria (de forma independente do Estado e à sua revelia) NÃO É LEGÍTIMA.
    Muito difícil que nosso povo, sendo assim “educado”, procure, aceite e venha a lutar por um sistema que vai totalmente contra tudo que ele “aprendeu”. Enfim, muito difícil que venha a encampar um sistema que “implode” tudo que o cidadão “aprendeu na escola” como certo.

    (OBS.: sei que o Fernão vai dizer que o VDP não representa tudo isso, MAS não representa considerando o VDP estritamente. O vem com ele – descentralização, “desigualdade”, escolhas diferentes*, etc. – é que é intragável para o “bom aluno”… e não adianta “chorar”, pois se o VDP virar “pauta” – remotíssima hipótese -, esses pontos serão alvos de verdadeiros “massacres”).

    (*basta ver a argumentação de sindicatos de professores no atual momento: deve-se, até por meios jurídicos, legais, etc., impedir que estudantes de escolas particulares voltem às aulas SE os das escolas públicas não voltarem. Para não aumentar a desigualdade. É uma obsessão pela “igualdade” – que sejam todos miseráveis, mas sejam iguais – que muito dificilmente propostas que sejam diametralmente opostas a essa ideologia socialista venham a ter algum “sucesso popular”).

    Enfim, a barreira “educacional” é intransponível? Sinceramente, não sei… Essa não é uma pergunta que vale US$ 1 milhão ou US$ 1 bilhão… de fato, vale muito mais: é a pergunta que vale 210 milhões de almas…
    E para ser mais sincero ainda, até creio que essa “barreira” seja transponível. Vou mesmo além: a transposição dela é inevitável. Disto eu não tenho dúvidas.
    A questão é que a pergunta acima deve ser refeita para se adequar mais precisamente aos cenários hipotéticos POSSÍVEIS:
    A barreira é intransponível SEM CONFLITOS CIVIS?
    Essa é a pergunta da qual eu realmente não tenho resposta. Pois que vai ser transporta, isto vai. Se não for por bem, será por meio do conflito. Trata-se só de uma questão de tempo, pois NADA no UNIVERSO tem uma resistência INFINITA à pressão (ou seja, tudo tem LIMITES, ainda que esses sejam “largos”).

    Abs e boa sorte a todos
    LSB

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    • Muito bom o debate provocado por este artigo. A questão de como chegar à democracia defendida pelo Fernão é o grande dilema. Ao mencionar a educação, talvez eu tenha sido generalista demais. Observo que a grande maioria da população não consegue interpretar um texto de quinze linhas. Não consegue, portanto, refletir adequadamente sobre o que lhes é proposto pelos políticos, os maiores interessados em manter a situação atual. Políticos bem intencionados, além de poucos, são literalmente engolidos pela maioria. Então, enquanto a maioria dos brasileiros for analfabeta, semi-analfabeta ou analfabeta funcional, dificilmente seremos capazes de alterar o quadro atual. Mas os políticos tem a capacidade de piorá-lo, com grandes chances de o fazer, amparados pelo judiciário de mesmo nível. Triste

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      • LSB disse:

        De fato, existe esse problema bem mais “básico”: a incapacidade de ler e interpretar.
        Mas isso não é ao acaso…. “os menino pega os pexe” não é apenas ensinado, mas tomado como PADRÃO do que seja educação: nada de “formalismo alienante burguês” e sim “conscientização” (leia-se doutrinação progressista).

        Abs
        LSB

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    • A. disse:

      Sugiro não se usar mais “VDP” e sim escrever por extenso Voto Distrital Puro. Dá mais peso à expressão. Afinal, quando estamos com raiva e queremos xingar alguém não dizemos “FDP” e sim Filho Da Puta, escandindo bem as sílabas!
      Abraço e bom final de semana,
      A.

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    • Flm disse:

      Recomendo mais uma vez a leitura de “A latinidade em seu labirinto”. Tudo que você (LSB) chamou de “educação” é o que eu chamo de “afirmação do dogma”, e o que v descreve como formas de resistência, o que eu descrevi como a técnica de dissecação e fatiamento das teses no esquema jesuíta de “denúncia” de todas as formas de negação do dogma…

      E reitero: é bem mais simples do que você diz. O importante não é EDUCAÇÃO, é INFORMAÇÃO. Esta sim é revolucionária e o inimigo, cuja linha fundamental de ação é a censura, é o primeiro a saber disso.

      Furar a censura, ampla e maciçamente, é fazer a revolução. O resto acontece sozinho, com o tempo, por ensaio e erro, a partir do momento que o poder de fazer leis passa a ser exercido pelo povo.

      A lei é o modo concreto de “buscar a felicidade” de que fala a constituição americana. Mas ela só busca a felicidade de quem tem o poder de fazê-la: no Brasil do momento, os feitores e não os escravos.

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      • LSB disse:

        Fernão,

        Posso ter utilizado outros termos e desenvolvido o raciocínio de forma muito simplista e pobre, mas a “malandragem” é esta mesma.

        No mais, espero que você esteja certo e que seja bem mais fácil do que parece “informar” o povo (“furar a censura, ampla e maciçamente…”).

        Abs
        LSB

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      • LSB disse:

        Ah, e entendo quando você diz que é uma questão de INFORMAÇÃO e não EDUCAÇÃO.
        De fato, faz sentido sua “classificação”, pois seria menos uma questão de “construir um conjunto de conhecimentos coerentes” (educação) e mais uma questão de conhecer, saber que existe alguma coisa diferente (ter essa informação).
        Nesta linha de raciocínio, também compreendo porque você diz que é mais fácil do que parece.
        Como já disse, não tenho essa certeza toda, mas espero muito que você esteja certo.

        Abs
        LSB

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  • LSB disse:

    Outro assunto, caríssimas Vespas….

    A indicação ao STF do Bolsonaro.
    Como já disse muitas vezes aqui, votei no Bolso; bem como sempre deixei claro que o julgo, no mínimo, um tosco.
    Mas passou dos limites.
    Apadrinhado do “centrão”, nomeado pela Dilma, garantista, defensor de privilégios ridículos, “apoiador” do Cesare Battisti, etc.

    ( e não me venham falar que é apenas uma “negociação”, “recuo estratégico”, etc., pois: o posto é estratégico demais para se por no “prego” e a “social democracia” petista nomeou TODOS segundo sua linha ideológica… não foram burros de “fazer arranjo político” com posições tão importantes)

    Em suma: impossível aceitar. Bolso perdeu meu voto em 2022. E minha decisão é IRREVOGÁVEL. E nesse país que não costuma nem ter palavra e muito menos força moral, reafirmo: nem Jesus Cristo vai fazer eu mudar de posição.

    Bolsonaro não mostrou apenas que não está à altura da missão (e disso, no mínimo, já desconfiávamos), mas que ele está muito mais aquém do que seria aceitável (e do que imaginávamos).

    Por fim, vou reafirmar mais uma vez o que já discuti muito aqui no Vespeiro (e sei que talvez desagrade alguma Vespa, mas…): os militares brasileiros na política só fizeram e só fazem burradas.
    (“milico” agora nem para vereador*).

    Abs
    LSB

    * Não é preconceito; de fato, posso até votar, mas o “candidato militar” vai ter que passar a campanha “falando mal de militar na política” (ou seja, posso votar caso consiga me convencer de que, eleito, ele não será um militar).

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