Vitória da regra, irmão!
12 de janeiro de 2016 § 12 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 12/1/2016
No primeiro momento, o “balizamento” do rito do “impeachment” chocou um país que chegou a alimentar a esperança de que o STF da “Era PT” pudesse sair melhor que a “encomenda” que, muito menos que veladamente, pautou cada nomeação dos últimos 13 anos.
Desde então, o país tem estado prostrado. Se a mãe de todas as instituições presta-se a ginásticas hermenêuticas daquela qualidade para impor à Câmara dos Representantes dos 204 milhões de brasileiros o “lider” Leonardo Picciani de que ela acabara de se livrar pelo voto, quanto vale qualquer outro direito do cidadão a ser exigido no mesmo palco onde o meritíssimo Barroso encenou o seu numero arrastando sete votos consigo?
O que veio depois foi a pá de cal.
A imprensa pouco fala do que quer que não inclua Eduardo Cunha nessa disputa mas os fatos que dão sentido ao movimento com que o STF amarrou à família Picciani, que vem mais que dobrando a sua fortuna declarada todos os anos, faça chuva ou faça sol, o destino da democracia brasileira, são um nervo exposto. Jorge, o pai, tem todas as qualidades que se requer para presidir a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro ha quatro mandatos e foi o “coordenador” da campanha de Luiz Fernando Pezão. Rafael, o irmão, vem a ser o secretario dos Transportes do prefeito Eduardo Paes. Os demais irmãos e sócios – com a conversão de estações de trens públicas em shopping centers privados e outras peripécias impressionantes no currículo – operam as pedreiras da família que fornecem toda a materia prima da construção do Parque Olímpico e da reforma geral dos corredores da “Cidade Maravilhosa” por onde hão de passar os “ingleses” fãs de esporte, para as quais sobram os bilhões negados aos doentes pretos e pobres que morrem sem atendimento nas portas dos “hospitais” imundos do Estado do Rio de Janeiro…
Na sequência, com a mesma mão com que, lá da presidência do conselho, assinou todas as falcatruas que levaram a Petrobras (e o Brasil) à falência, Dilma Rousseff chamegou, na véspera do Natal, a MP-703 que dá aos empreiteiros réus da Lava-Jato condição de se safar do juiz Moro sem fazer mais delações premiadas como as que puseram meio PT na cadeia, enquanto Ricardo Lewandowski, agindo em concerto com a camarilha do PMDB picciano-carioca, expedia liminares transformando em deputados federais vereadores e suplentes embaralhados numa sucessão de renuncias e promoções feitas sob medida para fabricar uma “maioria” capaz de confirmar no voto o “passe” que pos Leonardo na primeira linha de defesa do impeachment ao lado do translúcido Renan Calheiros, manobra em tudo idêntica, só com sinal invertido, à de Nicolas Maduro, da Venezuela, para desmontar a maioria conquistada no voto pela oposição nas últimas eleições legislativas.
São esses os fatos, por enquanto.
Mesmo assim, Dilma Rousseff, “a impoluta”, está longe de ser nosso maior problema. É da genética antidemocrática do PT essa incapacidade insuperável de viver dentro da regra. Nascido e criado para destruir a “ordem burguesa” e tendo vivido desde sempre à margem das leis que a sustentam, o PT só está brevetado para trabalhar a vitória sobre a regra. Não sabe fazer outra coisa.
O problema é que esses expedientes adquirem vida própria. Cada derrota da regra põe o Brasil mais longe de uma remissão pois é precisamente esta a crise e a única saída dela está no restabelecimento da certeza da vitória da regra sempre, e o próprio PT mais distante de uma reconciliação com o Império da Lei que se define, exatamente, pela implacável anulação de toda e qualquer força que venha a desafia-la.
É um duelo de morte. Ao fim de 13 anos de derrotas da lei, só sobrevive, no Brasil, aquilo que não depende da certeza da vitória dela. O resto se esgueira como pode, no meio do fogo cruzado. Assim é que a indústria criadora e multiplicadora de empregos ficou reduzida a menos de 9% do PIB. Toda a que resta na categoria “grande” é sócia do Estado petista tendo, portanto, com a lei, a mesma relação que ele. O setor mais estruturado do agronegócio – o do álcool – foi destruído, desnacionalizado ou cooptado, restando a curiosidade de saber se isso foi um ato deliberado ou só um subproduto da compra de votos com gasolina barata. O “poder econômico” que resta é o do setor financeiro, tributário do Estado, e o dos recicladores de lixo empresarial cuja característica é não fincar raízes. Podem viajar numa mala para onde for mais conveniente. O resto é a miuçalha dispersa dos que vivem do trabalho, empregando ou sendo empregados, mas que, desprovidos de direitos exigíveis por cima do arbítrio do Estado petista e seus tribunais amestrados, são sugados por todos os lados até o bagaço e depois atirados uns contra os outros para se entrecomerem os restos na arena cínica do trabalhismo getulista.
São cada vez menores, portanto, as “condições objetivas” de uma volta do Brasil à institucionalidade, “habitat” das economias sustentáveis. O Judiciário está reduzido a pouco mais que uma trincheira em Curitiba cuja única arma de ataque a MP-703 acaba de desmontar. O Legislativo, a renans calheiros, leonardos piccianis e eduardos cunhas disputando o posto mais alto na venda de impunidade e ausência de limites ao Executivo. A “regra de ouro” dos tres é que, seja o que for que derem as disputas entre eles, ninguém toca nos “direitos adquiridos” daqueles a quem concedem a graça divina de viver “Sem Crise” sob as asas do Estado pois a esperança de “inclusão” nesse paraíso particular é a droga que todos eles traficam e sustenta todo o negócio.
O Brasil Real despertou perplexo diante de uma conta a descoberto gigantesca que não contratou e que não poderá ser paga sem a “inclusão” dos “Sem Crise” na crise. É isso que explica cada palavra e cada movimento das máfias em disputa na arena “política”. Só que isso nunca fica suficientemente claro porque a imprensa mudou-se para Brasilia, desaprendeu a lógica do mundo real e o uso do filtro dos fatos e mantém o país imerso numa balburdia de versões.






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Desalentador!
E essa situação não é uma jabuticaba. Veja-se, a exemplo de seu texto, as opiniões sobre o acordo ortográfico entre Antonio Costa e jornalistas num programa televisivo em Portugal:
Retificando informações apresentadas, o setor sucro-alcooleiro nunca esteve tão bom, e o melhor é o preço do Açucar. Bombando, produtor de etanol está rindo sozinho com os bolsos cheio de Din-din. Negócio promissor. O Brasil sempre é o “País do Futuro”. Plante que o João garante. Quem esta quebrado é o Brasil e os brasileiros!
http://www.anp.gov.br/preco/prc/Resumo_Quatro_Combustiveis.asp
g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/10/aumento-do-preco-etanol-surpeende-motoristas.html
http://www.canalrural.com.br/cotacao/cana/
corrigindo, sr. gonsales,
primeiro eles foram quebrados, depois desnacionalizados na maré vazante da compra de votos com gasolina barata. os vizinhos que o sr. conhecia pelo nome e pela cara hoje chamam-se Bunge ou assemelhado e v nunca vai saber que cara eles têm.
no momento, estão na maré montante, cooptados para esfolar o contribuinte brasileiro de carona no imposto da gasolina que está acabando de matar o Brasil Real que é sempre chupado até o bagaço.
ficarão aí enquanto o vento estiver a favor mas não darão jamais um passo ou gastarão um tostão para melhorar as instituições brasileiras como tentavam fazer seus predecessores nacionais hoje falidos, mortos e enterrados. abrirão e fecharão suas torneiras conforme o que sentirem no bolso. e têm fôlego pra esperar 100 anos ou fechar as portas e ir pra China, ou pro Azerbaijão se for o caso.
olhar curtinho como o sr. esta olhando é o que explica as profundidades em que vamos…
É realmente as usinas são sugadoras do patrimônio de terras de produtores de cana de açúcar. Na região do Chatão Mineiro chegam oferecer uma ninharia por alqueire (na verdade é o dobro = alqueirão mineiro) 55 ou 60 TONELADAS / ALQUEIRE POR ANO. A TONELADA DE CANA VALE ATUALMENTE CERCA DE R$ 52,00 -r$ 53 REAIS A TONELADA. É algo que se bem analisado é irrisório. Sem dizer que pagam parceladamente por mês, e acabam com todas as benfeitorias do local – cercas e outras estruturas. é uma lavoura que com a aviação agrícola e seus herbicidas promove um altíssimo impacto ambiental, destruindo a diversidade biológica e a saúde das populações expostas.
1 ALQUEIRE PRODUZ EM MÉDIA 300 TONELADAS/alqueire, a diferença para r$55,oo -R$ 60,OO é o tamanho do sorriso do setor sucro-alcooleiro, QUE REALMENTE ESTÁ BOMBANDO. e tudo isto numa época em que o pretróleo no mundo está em baixa.
Não devemos plantar cana nem que a vaca tussa! E com a chuvaradas elas estão tossindo.
http://www.canalrural.com.br/cotacao/cana/
Nao consiguo mais falar a nao ser ficar paralisada com o que estamos vivendo.